sexta-feira, 19 de junho de 2009

Homem versus Natureza ou Homem e Natureza?

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As áreas protegidas foram erigidas com a idéia que o homem iria destruir tudo e para preservar um pedaço que fosse da natureza, seria necessário demarcá-las e colocá-las a salvo de toda e qualquer presença humana. Quando o ser humano estivesse cansado dos mundos artificiais que criou para si, iria até lá, nessas áreas protegidas, contemplar a natureza ainda intacta.

Há vários erros aí. Um deles é o mito da separação entre homem e natureza, como se ele não fizesse parte dela. Mas há outros. A idéia de mundo artificial é falsa, nossas cidades estão tão vinculadas com a natureza e o meio ambiente quanto os parques. Até nossas tecnologias, nossas vidas, nosso consumo, nossa produção estão vinculados e dependentes da natureza que destruímos continuamente. Os que moram em São Paulo todo dia se alimentam e tomam água, como todo mundo. Esses recursos vieram dos bichos, das plantas, dos ecossistemas. Sem os bichos e as plantas, o planeta inteiro seca, fica sem água. Todo o resto das nossas vidas idem. Não existe mundo artificial, primeiro erro. O segundo é ver que o ser humano não precisa necessariamente destruir tudo, ao contrário, ele precisa o quanto antes aprender a preservar, pois disso depende a sua vida e sua longevidade como espécie animal.

Terceiro erro é considerar indesejáveis as populações engajadas na proteção ambiental e quando elas foram retiradas sem critério algum das áreas demarcadas para proteção integral, com isso se perdeu a possibilidade de uma co-gestão (governo e sociedade), transmissão de conhecimento e preservação efetiva. O resultado final das áreas protegidas no qual se retiraram as pessoas foi sua total devastação. Yellowstone é um marco de um erro do passado e de uma atitude do futuro: só funciona proteger a natureza quando o ser humano for incluído e a sua interação benigna for estimulada.

O quarto erro é o ser humano sair do seu mundo artificial e ir contemplar a natureza, como se antes desse movimento, o ar que ele respirasse não viesse das plantas, dos oceanos; como se todo o equilíbrio químico do ar, da água e do solo onde ele está o tempo todo não viesse da vida e dos ecossistemas planetários; e como se seu coração não batesse graças a um ser vivo capaz de armazenar a luz do sol. Estranho ir contemplar a natureza ali tão distante, quando ela está com ele o tempo todo.

Com essa separação, mantida até mesmo por parte do movimento ambientalista, não conhecemos, não aprendemos, não preservamos e nos comportamos como pragas em vias de extinção, assim como já está toda vida desse planeta no maior processo de extinção planetária dos útimos 65 milhões de anos. É por isso que 42 campos de futebol em florestas são destruídos a cada minuto. Enquanto o ser humano não enxergar sua relação de dependência com o planeta e sua enorme vulnerabilidade, as chances de evitarmos nosso fim serão mínimas. Disso depende uma visão como a do Antônio Carlos Diegues e outros estudiosos sobre o homem e o mundo vivo do qual ele depende. Há áreas que em função da antropização e do seu impacto precisam estar realmente protegidas sem presença humana, mas há outras, onde reina um certo equilíbrio, que em nada se justifica a exclusão das pessoas. Na maior parte dos casos, a participação das pessoas não só será desejável como benigna.
Hugo Penteado

Um comentário:

E.P.A. BARRUS disse...

Muito bom seu blog. Realmente as pessoas tem que estar conscientes de que somos parte integrante da meio ambiente natural, e como ambientalistas nosso papel é sermos multiplicadores da importancia da relação natureza x homem.
Luciane Puglisi Marreto
Diretora
ONG EPA BARRUS
WWW.EPABARRUS2005.BLOGSPOT.COM
LUCIMARRETO@GMAIL.COM