segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Fritjof e Georgescu
terça-feira, 9 de março de 2010
Hidrelétrica Belo Monte
Comentário ao texto de Leonardo Boff sobre Belo Monte
Realmente assustador o texto abaixo do Leonardo Boff do Jornal do Brasil. Envio a vocês para conhecimento.
Podemos creditar o mérito dessa monstruosidade a todos que se calam diante da falsa sabedoria comum dos economistas e principalmente daqueles que pretendem ter um pensamento diferente.
O Brasil é hoje o planeta Pandora (do filme Avatar) dos chineses e dos países ricos e nós ainda nos agraciamos com isso e ainda dizemos que a sugação de recursos naturais e serviços ecológicos de países que não tem água suficiente nem para alimentar sua população pode ser um exemplo de "sustentabilidade" a ser copiada por todos.
Os "iluminados" não perceberam que a espoliação ambiental a custo zero pode ser feita entre países, mas não dos países todos contra o planeta. E que isso logicamente gera as várias guerras de terror que explodem à nossa volta.
Difícil dizer o que é mais irritante nesse debate à beira do precipício: se os economistas tradicionais ou se os economistas iluminados travestidos de sabedoria científica que pensam muito valer, mas que mais valeriam se estivesse mortos e enterrados com sua sabedoria inútil que não muda a vida dos bilhões de seres humanos soterrados vivos pelo crescimento econômico.
A humanidade está sendo soterrada viva pela idéia estúpida do crescimento econômico baseada na expansão ilimitada de estruturas fixas e móveis, como usinas de energia, carros e construções de todos os tipos, num planeta territorialmente finito e com serviços ecológicos indispensáveis, irreproduzíveis e muito vulneráveis diante dessa alteração ecossistêmica.
Com isso, a vida e todas as suas formas se encontra duramente ameaçada e no maior processo de extinção dos últimos 65 milhões de anos.
Essa idéia estúpida fez parte da propaganda da guerra fria e alguns economistas carentes de inteligência acreditaram nisso. Passou a ser o denominador comum de todas as economias e mensurado por outro conceito mais estúpido ainda, o PIB, também criado para fins de guerra.
Não importa que hoje um número significativo de países esteja sofrendo queda na produção de alimentos, nem que os riscos planetários que se amontoam a nossa volta sejam assustadores. Tanto os economistas cegos tradicionais quanto os iluminados de plantão não mudarão uma vírgula sequer desse modelo destruidor, pelo menos enquanto os céus assim não o determinarem.
Tudo indica que estamos muito perto da quebra desse paradigma, mas será uma mudança forçada. O sistema todo já parece ter atingido um nível de estresse tão grande que retrocederemos da pior forma possível, contra nossa vontade e com risco de extinção.
Por ventura foste tu que deste lei à luz da manhã? - perguntou Deus a Jó, cuja resposta de todos os cientistas é não. Aparentemente, por profunda ignorância e desconexão dos nossos elos naturais, dizemos sim e pagaremos com nossas vidas por tamanha arrogância.
Hugo Penteado
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Belo Monte: a volta triunfante da ditadura militar?
Leonardo Boff, Jornal do Brasil
RIO - O governo Lula possui méritos inegáveis na questão social. Mas na questão ambiental é de uma inconsciência e de um atraso palmar. Ao analisar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) temos a impressão de sermos devolvidos ao século 19. É a mesma mentalidade que vê a natureza como mera reserva de recursos, base para alavancar projetos faraônicos, levados avante a ferro e fogo, dentro de um modelo de crescimento ultrapassado que favorece as grandes empresas à custa da depredação da natureza e da criação de muita pobreza. Este modelo está sendo questionado no mundo inteiro por desestabilizar o planeta Terra como um todo e mesmo assim é assumido pelo PAC sem qualquer escrúpulo. A discussão com as populações afetadas e com a sociedade foi pífia. Impera a lógica autoritária; primeiro decide-se, depois se convoca a audiência pública. Pois é exatamente isso que está ocorrendo com o projeto da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu, no estado do Pará.
Tudo está sendo levado aos trambolhões, atropelando processos, ocultando o importante parecer 114/09 de dezembro de 2009, emitido pelo Ibama (órgão que cuida das questões ambientais) contrário à construção da usina, a opinião da maioria dos ambientalistas nacionais e internacionais que dizem ser este projeto um grave equívoco com consequências ambientais imprevisíveis.
O Ministério Público Federal, que encaminhou processos de embargo, eventualmente levando a questão a foros internacionais, sofreu coação da Advocacia Geral da União (AGU), com o apoio público do presidente, de processar os procuradores e promotores destas ações por abuso de poder.
Esse projeto vem da ditadura militar dos anos 70. Sob pressão dos indígenas apoiados pelo cantor Sting em parceria com o cacique Raoni foi engavetado em 1989. Agora, com a licença prévia concedida no dia 1º de fevereiro, o projeto da ditadura pôde voltar triunfalmente, apresentado pelo governo como a maior obra do PAC.
Neste projeto tudo é megalômano: inundação de 51.600 hectares de floresta, com um espelho d'água de 516 km2, desvio do rio com a construção de dois canais de 500 metros de largura e 30 quilômetros de comprimento, deixando 100 quilômetros de leito seco, submergindo a parte mais bela do Xingu, a Volta Grande e um terço de Altamira, com um custo entre R$ 17 e 30 bilhões, desalojando cerca de 20 mil pessoas e atraindo para as obras cerca de 80 mil trabalhadores para produzir 11.233 MW de energia no tempo das cheias (quatro meses) e somente 4 mil MW no resto do ano, para, por fim, transportá-la até 5 mil quilômetros de distância.
Esse gigantismo, típico de mentes tecnocráticas, beira à insensatez, pois, dada a crise ambiental global, todos recomendam obras menores, valorizando matrizes energéticas alternativas, baseadas na água, no vento, no sol e na biomassa. E tudo isso nós temos em abundância. Considerando as opiniões dos especialistas podemos dizer: a usina hidrelétrica de Belo Monte é tecnicamente desaconselhável, exageradamente cara, ecologicamente desastrosa, socialmente perversa, perturbadora da Floresta Amazônica e uma grave agressão ao sistema-Terra.
Este projeto se caracteriza pelo desrespeito: às dezenas de etnias indígenas que lá vivem há milhares de anos e que sequer foram ouvidas; desrespeito à Floresta Amazônica cuja vocação não é produzir energia elétrica mas bens e serviços naturais de grande valor econômico; desrespeito aos técnicos do Ibama e a outras autoridades científicas contrárias a esse empreendimento; desrespeito à consciência ecológica que, devido às ameaças que pesam sobre o sistema da vida, pedem extremo cuidado com as florestas; desrespeito ao bem-comum da Terra e da humanidade, a nova centralidade das políticas mundiais.
Se houvesse um Tribunal Mundial de Crimes contra a Terra, como está sendo projetado por um grupo altamente qualificado que estuda a reinvenção da ONU sob a coordenação de Miguel d'Escoto, expresidente da Assembleia (2008-2009), seguramente os promotores da hidrelétrica Belo Monte estariam na mira deste tribunal.
Ainda há tempo de frear a construção desta monstruosidade, porque há alternativas melhores. Não queremos que se realizem as palavras do bispo Dom Erwin Kräutler, defensor dos indígenas e contra Belo Monte: "Lula entrará na história como o grande depredador da Amazônia e o coveiro dos povos indígenas e ribeirinhos do Xingu".
Leonardo Boff, além de teólogo, é representante e co-redator da Carta da Terra.
23:18 - 28/02/2010
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
PT: Qual a Grande Transformação?
Leonardo Boff
Não sou membro do PT mas um cidadão que se interessa pelos destinos
do nosso pais, nos últimos sete anos moldados pelo governo Lula.
A campanha eleitoral se iniciará oficialmente dentro de pouco. Há o
grande risco de que predomine um espírito menor, diria quase infantil,
de uma campanha plebicistária entre os feitos do governo de FHC e
daquele de Lula. Seria a disputa tola entre o ontem e o anteontem ou
entre o atrasado e o velho, como preferem alguns ecologistas. Pois
ambos os contendores, na relação desenvolvimento e natureza, manejam o
mesmo paradigma, sob severa crítica mundial, por conter o veneno que
nos pode matar. Isso só serviria para distrair os eleitores dos
verdadeiros problemas que o Brasil e o mundo irão enfrentar.
Uma disputa eleitoral séria, à altura da fase planetária da humanidade
e da importância fundamental do Brasil dentro dela, não deveria estar
voltada para o passado a ser continuado mas, sim, para o futuro a ser
construido coletivamente. Quem apresenta o melhor projeto de Brasil
para o nosso povo e em sua relação para com a nascente sociedade
mundial? Que contribuição essencial podemos dar face aos cenários
dramáticos que se desenham no horizonte?
Permito-me apresentar três sugestões para animar a discussão interna
do PT. O lema do encontro nacional - A Grande Transformação - nos
remete Karl Polanyi com o clássico livro do mesmo título (1944) no
qual mostra como a sociedade virou uma sociedade de mercado,
transformando tudo em mercadoria. Não será essa a Grande Transformação
pensada pelo PT. Para que seja outra coisa, o partido deve assumir
seriamente este fato irrecusável: A Terra mudou porque já estamos
dentro do aquecimento global. A roda não pode mais ser parada, apenas
diminuir-lhe a velocidade. Se o termômetro da Terra subir para mais de
dois graus Celsius, nos próximos decênios, como previstos pelos
melhores centro de pesquisa, enfrentaremos no Brasil e no mundo a
tribulação da desolação. Muitos projetos já concluidos do PAC poderão
ser anulados. Não incluir em todos os planejamentos este dado é
mostrar falta de inteligência prática e irresponsabilidade histórica.
Do contrário teremos que aceitar a maldição de nossos filhos e filhas
e de nossos netos e netas.
Outro dado não menos perturbador é: a insustentabilidade do
sistema-Terra. A partir de 23 de setembro de 2008 ficamos sabendo que
o planeta Terra ultrapassou em 30% sua capacidade de repor os bens e
serviços necessários para a vida. Estamos consumindo hoje o que
precisaremos amanhã. Se quisermos universalizar o nivel de consumo das
classes médias mundiais, incluidos os oitenta milhões de brasileiros,
precisaríamos já agora de três Terras iguais a esta. Este modelo de
crescimento, como parece subjacente ao PAC, mostra a sua inviabilidade
a médio e a longo prazo. Não é que deixemos de produzir. Devemos
produzir mas dentro de um outro paradigma menos depredador do
sistema-Terra, com um acordo de respeito à suportabilidade de cada
ecossistema e com uma ampla inclusão social, imbuidos todos de uma
ética do cuidado, da responsabilidade universal e da busca do bem
viver para todos.
Por fim, o PT precisa conscientizar o fato de que o Brasil é,
seguramente, o pais-chave para o equilibrio do Planeta. Ele é a
potência das águas, o detentor das maiores florestas, as grandes
sequestradoras de dióxido de carbono e reguladoras dos climas, com
imensa biodiversidade e vastas terras agricultáveis, podendo ser a
mesa posta para as fomes do mundo inteiro, com capacidade incomparável
de gerar energias alternativas e com um povo altamente criativo, que
fez um ensaio civilizatório dos mais significativos, não imperialista,
e com uma visão encantada do mundo que lhe permite, no meio das
contradições. celebrar suas festas, torcer por seus times e dançar
seus carnavais, características essas decisivas para conferir um rosto
humano à mundialização em curso.
O futuro passa por nós. Não percebê-lo por ignorância ou distração é
não escutar os apelos da Mãe Terra e é defraudar seus filhos e filhas,
nossos irmãos e irmãs que apenas pedem singelamente viver com
decência.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
É a treva - Leonardo Boff
Alguns pontos concordo, nem todos, por exemplo, os regimes comunistas também foram destruidores da natureza.
O cerne da questão é o mito da separação entre homem e natureza e enquanto esse mito reger a nossa orquestra, os sistemas todos, sejam eles quais forem, irão esfacelar a capacidade da Terra de sustentar a vida.
Concordo que o atual regime econômico não tem ferramentas para deter o pior. Quanto mais viável economicamente uma atividade, mais inviável ecologicamente. E não há jogo de soma zero, a Dinamarca consegue uma economia mais limpa e sustentável porque exporta para o resto do mundo a sua sujeira; o mesmo modelo não pode ser aplicado ao planeta inteiro, porque não dá para exportar a sujeira para fora do planeta.
A teoria econômica tradicional é uma grande responsável por esse desastre e os economistas seguem cegos em suas cartilhas, não importa quantas evidências já tenham surgido diante deles.
Hugo Penteado
21/12/2009 - 11:49:55
É a treva: rumo ao desastre
Leonardo Boff*
Uma jovem e talentosa atriz de uma novela muito popular, Beatriz Drumond, sempre que fracassam seus planos, usa o bordão:”É a treva”. Não me vem à mente outra expressão ao assistir o melancólico desfecho da COP 15 sobre as mudanças climáticas em Copenhague: é a treva! Sim, a humanidade penetrou numa zona de treva e de horror. Estamos indo ao encontro do desastre. Anos de preparação, dez dias de discussão, a presença dos principais líderes políticos do mundo não foram suficientes para espancar a treva mediante um acordo consensuado de redução de gases de efeito estufa que impedisse chegar a dois graus Celsius.
ltrapassado esse nível e beirando os três graus, o clima não seria mais controlável e estaríamos entregues à lógica do caos destrutivo, ameaçando a biodiversidade e dizimando milhões e milhões de pessoas.
O Presidente Lula, em sua intervenção no dia mesmo do encerramento, 18 de dezembro, foi a único a dizer a verdade:”faltou-nos inteligência” porque os poderosos preferiram barganhar vantagens a salvar a vida da Terra e os seres humanos.
Duas lições se podem tirar do fracasso em Copenhague: a primeira é a consciência coletiva de que o aquecimento é um fato irreversível, do qual todos somos responsáveis, mas principalmente os paises ricos. E que agora somos também responsáveis, cada um em sua medida, do controle do aquecimento para que não seja catastrófico para a natureza e para a humanidade. A consciência da humanidade nunca mais será a mesma depois de Copenhague. Se houve essa consciência coletiva, por que não se chegou a nenhum consenso acerca das medidas de controle das mudanças climáticas?
Aqui surge a segunda lição que importa tirar da COP 15 de Copenhague: o grande vilão é o sistema do capital com sua correspondente cultura consumista. Enquanto mantivermos o sistema capitalista mundialmente articulado será impossível um consenso que coloque no centro a vida, a humanidade e a Terra e se tomar medidas para preservá-las. Para ele centralidade possui o lucro, a acumulação privada e o aumento de poder de competição. Há muito tempo que distorceu a natureza da economia como técnica e arte de produção dos bens necessários à vida. Ele a transformou numa brutal técnica de criação de riqueza por si mesma sem qualquer outra consideração. Essa riqueza nem sequer é para ser desfrutada mas para produzir mais riqueza ainda, numa lógica obsessiva e sem freios.
Por isso que ecologia e capitalismo se negam frontalmente. Não há acordo possível.O discurso ecológico procura o equilíbrio de todos os fatores, a sinergia com a natureza e o espírito de cooperação. O capitalismo rompe com o equilíbrio ao sobrepor-se à natureza, estabelece uma competição feroz entre todos e pretende tirar tudo da Terra, até que ela não consiga se reproduzir. Se ele assume o discurso ecológico é para ter ganhos com ele.
Ademais, o capitalismo é incompatível com a vida. A vida pede cuidado e cooperação. O capitalismo sacrifica vidas, cria trabalhadores que são verdadeiros escravos “pro tempore” e pratica trabalho infantil em vários paises.
Os negociadores e os lideres políticos em Copenhague ficaram reféns deste sistema. Esse barganha, quer ter lucros, não hesita em pôr em risco o futuro da vida. Sua tendência é autosuicidária. Que acordo poderá haver entre os lobos e os cordeiros, quer dizer, entre a natureza que grita por respeito e os que a devastam sem piedade?
Por isso, quem entende a lógica do capital, não se surpreende com o fracasso da COP 15 em Copenhague. O único que ergueu a voz, solitária, como um “louco” numa sociedade de “sábios”, foi o presidente Evo Morales: “Ou superamos o capitalismo ou ele destruirá a Mãe Terra”.
Gostemos ou não gostemos, esta é a pura verdade. Copenhague tirou a máscara do capitalismo, incapaz de fazer consensos porque pouco lhe importa a vida e a Terra mas antes as vantagens e os lucros materiais.
* Leonardo Boff é Teólogo.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Leonardo Boff ante la Conferencia sobre el Clima de Copenhague La Tierra no aguanta más
Leonardo Boff ante la Conferencia sobre el Clima de Copenhague La Tierra no aguanta más
Sergio Ferrari
P: Todo el mundo habla hoy de la problemática ecológica que vive el planeta. Usted fue uno de los primeros, ya en los años ochenta, en alertar sobre este tema. ¿Cuál es su análisis de la actual situación medioambiental?
Leonardo Boff: Hay muchos indicadores científicos que apuntan a la irrupción de una tragedia ecológica y humanitaria. Nada esencial ha cambiado desde la redacción de la Carta de la Tierra en 2003 que elaboramos un grupo de personalidades del mundo entero. Decíamos en ese maravilloso documento: “Estamos en un momento crítico de la Tierra en el cual la humanidad debe escoger su futuro. Y la elección es ésta: o se promueve una alianza global para cuidar a los otros y la Tierra o arriesgamos nuestra destrucción y la devastación de la diversidad de la vida”.
“Se consume más de lo que la tierra soporta”
P: Una afirmación tajante que no acepta términos medios ¿Cómo se sustenta?
Boff: En la confluencia actual de tres crisis estructurales. La crisis debido a la falta de sustentabilidad del planeta Tierra; la crisis social mundial; y la crisis del calentamiento creciente.
P: ¿Puede ejemplificar esa afirmación?
Boff: A nivel social, casi la mitad de la humanidad vive hoy por debajo del nivel de miseria. Las cifras son aterradoras. El 20% más rico consume el 82.49 % de todas la riqueza de la Tierra y el 20 % más pobre, se tiene que contentar con un minúsculo 1.6%.
En cuanto al calentamiento de la Tierra, la FAO (Organización de la ONU para la Alimentación) ha advertido que en los próximos años habrá entre 150 y 200 millones de refugiados climáticos. Las previsiones más dramáticas hablan de un aumento para 2035 de 4°C. Y se especula para final del siglo un aumento de 7°C. Si esto realmente se produce, ningún tipo de vida hoy conocido podrá sobrevivir. En cuanto a la crisis de sustentabilidad, doy un ejemplo ilustrativo: la humanidad está hoy consumiendo un 30% más de la capacidad de reposición. Es decir un 30% más de lo que la Tierra misma puede reponer.
P: Sin embargo esta tendencia consumista del planeta no es nueva...
Boff: No. Pero lo que es nuevo son los niveles acelerados de ese deterioro. Según estudios de todo crédito, en 1961 precisábamos de la mitad de la Tierra para dar respuesta a las demandas humanas. En 1981 se daba un empate, es decir ya necesitábamos a la Tierra entera. En 1995 sobrepasamos en un 10 % la capacidad de reposición, aunque todavía era soportable. En 2008, superamos el
30 %. La Tierra está dando señales inequívocas de que ya no aguanta más.
P: ¿Con perspectivas futuras todavía más preocupantes?
Boff: Si se mantiene el crecimiento del Producto Interno Bruto (PIB) mundial entre 2-3% por año, como está previsto, en 2050 necesitaríamos dos planetas Tierra para dar respuesta al consumo, lo que es imposible porque contamos con sólo una.
P: ¿Eso obliga a comenzar a pensar en otro paradigma de civilización?
Boff: En efecto. No podemos producir como lo venimos haciendo hasta ahora. El actual modelo de producción, el capitalista, parte del falso presupuesto que la tierra es como un gran baúl del cual se pueden sacar recursos indefinidamente para obtener beneficios con la mínima inversión posible en el tiempo más corto. Hoy queda claro que la Tierra es un planeta pequeño, viejo y limitado que no soporta una explotación ilimitada. Tenemos que dirigirnos hacia otra forma de producción y asumir hábitos de consumo distintos. Producir para responder a las necesidades humanas en armonía con la Tierra, respetando sus límites, con un sentido de igualdad y de solidaridad con las generaciones futuras. Eso es el nuevo paradigma de civilización.
COPENHAGUE: LA INFLUENCIA DEL PODER ECONÓMICO
P: Para volver al hoy y al aquí...En pocas semanas se realiza en Copenhague la Conferencia sobre el Clima. ¿Hay perspectivas de un acuerdo?
Boff: Hay una premisa clave. Debemos hacer todo lo posible para estabilizar el clima evitando que el calentamiento de la tierra sea mayor a 2 o 3 grados y que la vida pueda continuar. Comprendiendo que ya ese calentamiento implicaría una devastación de la biodiversidad y el holocausto de millones de personas, cuyos territorios no serán más habitables, especialmente en África y en el sudeste asiático. Me preocupa, en ese escenario, la irresponsabilidad de muchos Gobiernos, especialmente de los países ricos, que no quieren establecer metas consistentes para la reducción de las emisiones de gases de efecto invernadero y salvar el clima. ¡Una verdadera ecomiopía!
P: ¿Eso proviene de una falta de voluntad política para llegar a acuerdos?
Boff: Sobre todo de un conflicto de intereses. Las grandes empresas, por ejemplo las petroleras, no quieren cambiar porque perderían sus enormes ganancias actuales. Hay que entender la interdependencia del poder político y el económico. El gran poder es el económico. El político es una derivación del económico. Los Estados, en muchos casos, no representan los intereses de los pueblos sino de los grandes actores económicos.
P: ¿En caso de un fracaso de Copenhague, cuál sería el escenario posterior en lo que hace a la ya grave situación climática?
Boff: A mi entender, si hay una frustración política, eso puede significar un reto enorme para la sociedad civil. Para que se movilice, presione y promueva los cambios que vienen siempre de abajo. Confío en
eso: la razón, la prudencia, la sabiduría vendrá de la sociedad civil.
Será, también, en cuanto al clima, el principal sujeto histórico. Ningún cambio real viene de arriba, sino de abajo.
Y a pesar de lo difícil del presente, tengo la confianza que no se trate de una tragedia que acabará mal sino de una crisis que purifica y que nos permita dar un salto en la dirección de un futuro mejor.
P: ¿Con un programa común para salvar la Tierra?
Boff: Impulsando una bio-civilización que deberá promover cuatro ejes esenciales. El uso sustentable, responsable y solidario de los limitados recursos y servicios de la naturaleza. El control democrático de las relaciones sociales, especialmente sobre los mercados y los capitales especulativos. Un ethos mínimo mundial que debe nacer del intercambio multicultural, enfatizando en la compasión, la cooperación y la responsabilidad universal. Y la espiritualidad, como dimensión antropológica y no como un monopolio de las religiones. Debe desarrollarse como expresión de una conciencia que se siente parte de un Todo mayor, que percibe una Energía poderosa y que representa el sentido supremo de todo.
- Sergio Ferrari
Colaboración de prensa de E-CHANGER, ONG suiza de cooperación solidaria
Más información: http://alainet.org
RSS: http://alainet.org/rss.phtml
domingo, 30 de novembro de 2008
O PIOR DA CRISE AINDA ESTÁ AINDA POR VIR?
Leonardo Boff
sentido tem a vida e o universo, qual é o nosso lugar? Sem estas respostas só nos resta a vontade de poder que leva à guerra como na Europa de Hitler.
Algo semelhante dizia Marx no terceiro livro do Capital. Ai deixa claro que o ponto de partida e de chegada do capital é o próprio capital em sua vontade ilimitada de acumulação. Ele visa o aumento sem fim da produção, para a produção e pela própria produção, associada ao consumo, em vista do desenvolvimento de todas as forças produtivas. É o império dos meios sem discutir os fins e qual o sentido deste tresloucado processo. Ora, são os
fins humanitários que sustentam a sociedade e conferem propósito à vida. Bem o expressou o nosso economista-pensador Celso Furtado:”O desafio que se coloca no umbral do século XXI é nada menos do que mudar o curso da civilização, deslocar o eixo da lógica dos meios a serviço da acumulação, num curto horizonte de tempo, para uma lógica dos fins em função do bem estar social, do exercício da liberdade e da cooperação entre os povos”(Brasil: a construção interrompida,1993,76).
Não foi isso que os ideólogos do neo-liberalismo, da desregulação da economia e do laissez-faire dos mercados nos aconselharam. Eles mentiram para toda a humanidade, prometendo-lhe o melhor dos mundos. Para essa via não existiam alternativas, diziam. Tudo isso foi agora desmascarado, gerando uma crise que vai ficar ainda pior.
A razão reside no fato de que a atual crise se instaurou no seio de outras crises ainda mais graves: a do aquecimento global que vai produzir dimensões catastróficas para milhões da humanidade e a da insustentabilidade da Terra em conseqüência da virulência produtivista e consumista. Precisamos de um terço a mais de Terra. Quer dizer, a Terra já passou em 30% sua capacidade de reposição. Ela não agüenta mais o crescimento da produção e do consumo atuais como é proposto para cada pais. Ela vai se defender produzindo caos, não criativo, mas destrutivo.
Aqui reside o limite do capital: o limite da Terra. Isso não existia na crise de 1929. Dava-se por descontada a capacidade de suporte da Terra. Hoje não: se não salvarmos a sustentabilidade da Terra, não haverá base para o projeto do capital em seu propósito de crescimento. Depois de haver precarizado o trabalho, substituindo-o pela máquina, está agora liquidando com a natureza.
Estas ponderações aparecem raramente no atual debate. Predomina o tema da extensão da crise, dos índices da recessão e do nível de desemprego. Neste campo os piores conselheiros são os economistas, especialmente os ministros da Fazenda. Eles são reféns de um tipo de razão que os cega para estas questões vitais. Há que se ouvir os pensadores e os que ainda amam a vida e cuidam da Terra.
sábado, 25 de outubro de 2008
10 pontos cruciais para reescrever o presente
10 pontos cruciais para reescrever o presente
:: Leonardo Boff - Especial para a Carta Maior ::
Durante a ECO-92 no Rio de Janeiro, 1600 cientistas entre os quais havia 102 Prêmio Nobel de 70 paises lançaram o documento Apelo dos cientistas do mundo à humanidade. Aí diziam:"Os seres humanos e o mundo natural seguem uma trajetória de colisão. As atividades humanas desprezam violentamente e, às vezes, de forma irreversível o meio ambiente e os recursos vitais. Urge mudanças fundamentais se quisermos evitar a colisão que o atual rumo nos conduz". Foi uma voz pronunciada no deserto. Mas agora, no contexto atual, quando os dados empíricos apontam as graves ameaças que pesam sobre o sistema da vida, elas ganham atualidade. Não convém menosprezar o valor daquele apelo.
Podemos alimentar duas atitudes face à crise ecológica: apontar os erros cometidos no passado que nos levaram à presente situação ou resgatar os valores, os sonhos e as experiências que deixamos para trás e que podem ser úteis para a invenção do novo. Prefiro esta segunda atitude. Por isso, importa fazer uma reescritura do momento presente, elencando mais que aprofundando dez pontos cruciais.
O primeiro é resgatar o princípio da re-ligação: todos os seres, especialmente, os vivos, são interdependentes e são expressão da vitalidade do Todo que é o sistema-Terra. Por isso todos temos um destino compartilhado e comum.
O segundo é reconhecer que a Terra é finita, um sistema fechado como uma nave espacial, com recursos escassos.
O terceiro é entender que a sustentabilidade global só será garantida mediante o respeito aos ciclos naturais, consumindo com racionalidade os recursos não renováveis e dar tempo à natureza para regenerar os renováveis.
O quarto é o valor da biodiversidade, pois é ela que garante a vida como um todo, pois propicia a cooperação de todos com todos em vista da sobrevivência comum.
O quinto é o valor das diferenças culturais, pois todas elas mostram a versatilidade da essência humana e nos enriquecem a todos, pois tudo no humano é complementar.
O sexto é exigir que a ciência se faça com consciência e seja submetida a critérios éticos para que suas conquistas beneficiam mais à vida e à humanidade que ao mercado.
O sétimo é superar o pensamento único da ciência e valorizar os saberes cotidianos, das culturas originárias e do mundo agrário porque ajudam na busca de soluções globais.
O oitavo é valorizar as virtualidades contidas no pequeno e no que vem de baixo, pois nelas podem estar contidas soluções globais, bem explicadas pelo efeito borboleta.
O nono é dar centralidade à equidade e ao bem comum, pois as conquistas humanas devem beneficiar a todos e não como atualmente, a apenas 18% da humanidade.
O décimo, o mais importante, é resgatar os direitos do coração, os afetos e a razão cordial que foram relegados pelo modelo racionalista e é onde reside o nicho dos valores.
Estes pontos representam visões humanas que não podem ser desperdiçadas, pois incorporam valores que poderão alimentar novos sonhos, nutrir nosso imaginário e principalmente fomentar práticas alternativas. Somos seres que esquecem e recordam e que sempre podem resgatar o que não pôde ter oportunidade no passado e dar-lhe agora chance de realização. Por ai, quem sabe, encontraremos uma saída para a crucificante crise atual.
Fonte: http://www.ipep.org.br/index.
terça-feira, 22 de julho de 2008
Nosso presidente Lula e nossas adversidades
Quando vejo o G8 e outros cientistas falando em tecnologias para recapturar o carbono, fico de cabelo em pé. Em primeiro lugar, caros leitores, vamos entender o que é emissão de carbono: é um dos vários processos anti-naturais que o sistema econômico-humano criou ao transformar o planeta finito numa lixeira conosco dentro - e vivos o que é muito pior. Para ter uma noção até onde vai a ignorância dos nossos governantes e das suas políticas, esse carbono não estava presente no planeta em centenas de milhões de anos, porque durante um processo geológico de billhões de anos materiais foram depositados na crosta terrestre e não fazem parte de nenhum dos processos de regeneração da natureza. Por isso, quando introduzimos carbono na atmosfera (e outras coisas, porque como disse, esse é apenas um dos processos antinaturais que criamos), estamos atrapalhando a natureza no seu trabalho de manter as condições que sustentam a vida desse planeta, incluindo a nossa, porque nós não somos deuses, somos uma espécie animal como outra qualquer, totalmente vulnerável.
Eu fico horrorizado, portanto, quando ouço nosso presidente dizer que os amazonenses precisam de carro, televisão e celular, não porque eles não merecem, mas porque esses produtos precisam ser limitados, porque seu ciclo é antinatural, porque não é solução de vida, bem estar e felicidade para ninguém, exceto para quem anda de helicóptero sobrevoando o caos urbano ou respira em condições satisfatórias longe dos 300 gramas de poluição que cada cidadão dessa cidade recebe diariamente. Moro em São Paulo desde 1984 e praticamente no mesmo endereço perto da Avenida Paulista. Hoje a deterioração do ar, da cidade, da urbanização e da sociedade são chocantes. Eu mal consigo respirar quando caminho à pé da minha casa por cinco quadras até o banco. Isso é o resultado da idéia falsa que precisamos de carro, celular e televisão.
O nível de inconsciência e ignorância das pessoas para deter ou mudar as decisões do governantes é limitadíssimo pela falta de liberdade que as condições de trabalho precárias do nosso sistema atual criaram. No sistema econômico atual a liberdade de cada um é determinada por dois fatores: coragem e conhecimento e renda. A renda é a mais estringente das duas, mas coragem não. A liberdade é diretamente proporcional à renda, mas podemos mudar essa regra com imaginação. E não devemos pensar que eles são nossos inimigos, mas devemos pensar em como fazer para nossa sociedade, incluindo nossos governos, nossas empresas, irá construir um sistema econômico realmente sustentável, que preserve nosso equilíbrio, com o planeta, com as pessoas e com as nações.
Será que preciso dizer muito sobre as coisas horrendas que somos obrigados a assistir diariamente para concluir que a visão dos governos e dos economistas é parte do problema e que parecem que eles preferem que o problema continue existindo, para que eles, com suas soluções falsas e mirabolantes também continuem existindo? O vício do problema lembra muito a fábula do rinoceronte de Monteiro Lobato: numa determinada cidade fugiu um rinoceronte e imediatamente foi criado o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social para recapturar o bicho. A única finalidade desse conselho era jamais achar o bicho, para não perder a necessidade de continuar existindo.
É para isso que serve nosso sistema, para aumentar os problemas e justificar a existência de pessoas iluminadas e salvadoras que supostamente irão resolver problemas que cabe a cada um resolver, através da solidariedade, conhecimento, busca de liberdade e conscientização. Essa sociedade de consumo desenfreado e de crescimento econômico e populacional não tem futuro algum e irá perecer. Nas palavras de Leonardo Boff, ou mudarmos, ou perecemos.
Termino com um comentário do Ricardo Peres: Se depender desse sistema atual nós vamos acabar dividindo o território terrestre em dois: metade para pastos de gado e metade para estacionamentos de carro, aliás, análogos estruturais da doença letal chamada falta de imaginação.
Hugo Penteado