sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Planeta Proibido - George Monbiot

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Embora o George Monbiot tenha virado árduo defensor da energia nuclear,quando deveria defender o fim do desperdício de energia (73% do total mundial) e a mudança de paradigma, esse texto está muito bom.  Mudança de paradigma enfrenta os economistas tradicionais que simplesmente acreditam que a economia pode ser maior que o planeta e os que acham que existe algum desgaste ambiental, pregam cegamente que isso se resolve com política ambiental. Nesse ramo estão Joseph Stiglitz, Paul Krugman, Cristina Romer, ou seja, 99,9% de todos os economistas com idéias aplicadas na realidade... A resposta dos economistas “verdes” é que com uma oferta limpa e infinita de energia, não há restrição planetária alguma e podemos crescer (ou se desenvolver) de forma limpa. Esse grupo não percebe que cometem o mesmo erro – ou malefícios – do primeiro grupo. Parecem diferentes, mas não são. Representam 0,1% dos economistas com idéias aplicadas, mas sempre na direção de aumentar os fluxos de demanda... Os economistas ecológicos não possuem ainda, infelizmente, idéias aplicadas, mas sabem que o ponto de partida de qualquer discussão não é energia limpa nem nuclear, mas a restrição planetária.

Hugo

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“...Prevenção do colapso climático: os quatro, cinco ou seis graus de aquecimento agora previstos para este século por “extremistas verdes” como o Banco Mundial, a Agência Internacional de Energia e a PriceWaterhouseCoopers (4, 5, 6) - implicam enfrentar as indústrias do petróleo, gás e carvão. Isso significa forçar estas indústrias a abandonar 4/5 ou mais das reservas existentes de combustíveis fósseis, as quais não poderemos nos dar ao luxo de queimar (7). Significa cancelar a prospecção e desenvolvimento de novas reservas - para que, se não podemos usar nem os estoques atuais? - e reverter a expansão de qualquer infraestrutura (tal como de aeroportos) que não possa vir a ser operada sem estes combustíveis...”


 Planeta proibido

 George Monbiot - The Guardian - 4 de dezembro 2012

 A maior crise da humanidade coincide com a ascensão de uma ideologia que a torna impossível resolver. Ao final dos anos 1980, quando se tornou claro que as mudanças climáticas provocadas pelo homem colocavam em perigo a vida no planeta e a própria humanidade, o mundo estava sob o domínio de uma doutrina política extrema, cujos princípios proibiam o tipo de intervenção necessária para enfrentá-las.

 O neoliberalismo, também conhecido como o fundamentalismo de mercado ou economia laissez-faire, pretende libertar o mercado de interferência política. O estado, afirma, deve fazer pouco, mas defender o status-quo, proteger a propriedade privada e eliminar os obstáculos aos negócios. O que os teóricos neoliberais chamam encolher o estado mais parece com o encolhimento da democracia: a redução dos meios pelos quais os cidadãos podem restringir o poder da elite. O que eles chamam de "mercado" parece mais com os interesses das empresas e dos ultraricos (1) . O neoliberalismo parece ser pouco mais do que uma justificativa para a plutocracia.

 A doutrina foi aplicada pela primeira vez no Chile, em 1973, onde ex-alunos da Universidade de Chicago, treinados nas receitas extremas de Milton Friedman e financiados pela CIA, trabalharam ao lado de Pinochet para impor um programa que seria impossível em um estado democrático. O resultado foi uma tragédia, na qual os ricos - que assumiram as indústrias chilenas privatizadas e os recursos naturais desprotegidos daquele país - prosperaram muito (2).

 O credo foi adotado por Margaret Thatcher e Ronald Reagan. Foi imposto ao mundo pobre pelo FMI e pelo Banco Mundial. No momento em que James Hansen apresentava a primeira tentativa detalhada de modelar a temperatura futura do planeta ao Senado dos EUA, em 1988 (3), a doutrina estava sendo implantada em toda parte.

 Como vimos em 2007 e 2008 (quando os governos neoliberais foram forçados a abandonar seus princípios para salvar os bancos), dificilmente poderia haver pior conjunto de circunstâncias para enfrentar uma crise de qualquer tipo. Até que não tenha mais escolha, o estado neoliberal não vai intervir, mesmo que a crise se agudize a as consequências se agravem. O neoliberalismo protege os interesses da elite contra todos.

 Prevenção do colapso climático: os quatro, cinco ou seis graus de aquecimento agora previstos para este século por “extremistas verdes” como o Banco Mundial, a Agência Internacional de Energia e a PriceWaterhouseCoopers (4, 5, 6) - implicam enfrentar as indústrias do petróleo, gás e carvão. Isso significa forçar estas indústrias a abandonar 4/5 ou mais das reservas existentes de combustíveis fósseis, as quais não poderemos nos dar ao luxo de queimar (7). Significa cancelar a prospecção e desenvolvimento de novas reservas - para que, se não podemos usar nem os estoques atuais? - e reverter a expansão de qualquer infraestrutura (tal como de aeroportos) que não possa vir a ser operada sem estes combustíveis.

 Mas o estado neo-liberal não pode agir. Capturado por interesses que a democracia espera que mantenha contidos, só pode sentar na estrada, de orelhas em pé e bigodes eriçados, esperando ser atropelado pelo caminhão que se aproxima. O confronto é proibido, a ação é um pecado mortal. Talvez se possa dispersar algum dinheiro para energia renovável, mas não legislar contra o velho.

 Assim, Barack Obama persegue o que chama de politica de "todos os itens acima": promoção da energia eólica, petróleo, energia solar e gás (8). Ed Davey, o secretário britânico de mudança climática, na semana passada lançou um projeto de lei no parlamento britânico cuja finalidade era descarbonizar o fornecimento de energia. Mas no mesmo debate prometeu "maximizar o potencial" de produção de petróleo e gás no Mar do Norte e de outros campos 'offshore' (9).

 Lord Stern descreveu a mudança climática como "a maior e mais abrangente falha de mercado jamais vista" (10). A inútil Cúpula da Terra (Rio+20) de junho, as medidas débeis agora em discussão em Doha, o projeto de lei sobre energia (11) e o estudo sobre redução da demanda por eletricidade (12) lançado na Grã-Bretanha na semana passada (melhores do que poderiam ter sido, mas incomensuráveis à escala do problema) expõe o mais vasto fracasso do fundamentalismo de mercado: sua incapacidade para resolver a crise existencial da nossa espécie.

 O legado de 1000 anos das atuais emissões de carbono é amplo o suficiente transformar em lascas qualquer coisa parecida com a civilização humana (13). Sociedades complexas, por vezes, sobreviveram à ascensão e queda de impérios, pragas, guerras e fome. Mas não sobreviverão a seis graus de mudança climática sustentada por um milênio (14). Em troca de 150 anos de consumo explosivo, muito do qual nada contribuiu para o avanço do bem estar humano, estamos destruindo o mundo natural e os sistemas humanos que dele dependem.

 A Cúpula do Clima em Doha, e o som e a fúria das novas medidas do governo britânico sondam os limites atuais de ação política. Ir mais longe é quebrar a aliança com o poder, uma aliança tanto disfarçada quanto validada pelo credo neoliberal.

 O neoliberalismo não é a raiz do problema: é a ideologia usada, muitas vezes retrospectivamente, para justificar a tomada global do poder, dos bens públicos e dos recursos naturais por uma elite desenfreada. Mas o problema não pode ser resolvido até que a doutrina seja desafiada por alternativas politicas eficazes.

 Em outras palavras, a luta contra as alterações climáticas - e todas as crises que agora afligem os seres humanos e o mundo natural - não pode ser vencida sem uma ampla luta política: a mobilização democrática contra a plutocracia. Acredito que esta deve começar com um esforço de reforma do financiamento de campanha: o meio pelo qual as corporações e os muito ricos compram políticas e políticos. Alguns de nós lançaremos uma petição no Reino Unido nas próximas semanas, e espero que se você for inglês a assine.

 Mas este é apenas um começo. Temos de começar a articular uma nova política: uma que veja a intervenção como legítima, que contenha um propósito maior do que a emancipação corporativa disfarçada de liberdade de mercado, que coloque a sobrevivência das pessoas e do mundo vivo acima da sobrevivência de algumas indústrias favorecidas. Em outras palavras, uma política que nos pertença, e não apenas aos superricos.

 Referências:

 1. See Colin Crouch, 2011. The Strange Non-Death of Neoliberalism. Polity Press, Cambridge.

 2. Naomi Klein, 2007. The Shock Doctrine: the rise of disaster capitalism. Allen Lane, London.


 4. Potsdam Institute for Climate Impact Research and Climate Analytics, November 2012. Turn Down the Heat: why a 4C warmer World Must be Avoided. Report for the World Bank.


 6 . PriceWaterhouseCoopers, November 2012. Too late for two degrees? Low carbon economy index 2012. http://www.pwc.co.uk/sustainability-climate-change/publications/low-carbon-economy-index-overview.jhtml





 11. Nicholas Stern, 2006. The Economics of Climate Change. http://www.hm-treasury.gov.uk/d/Executive_Summary.pdf


 13. Susan Solomon, Gian-Kasper Plattner, Reto Knutti, and Pierre Friedlingstein, 10th February 2009. Irreversible climate change due to carbon dioxide emissions. PNAS, vol. 106, no. 6, pp1704–1709. doi: 10.1073/pnas.0812721106. http://www.pnas.org/content/early/2009/01/28/0812721106.full.pdf+html

 14. Estou falando vagamente aqui, como Salomão et al propuseram que não 100%, mas cerca de 40% do CO2 produzido neste século permanecerá na atmosfera até pelo menos o ano 3000. Por outro lado, as emissões desenfreadas e o aquecimento global não vão parar por conta própria em 2100: as temperaturas poderão subir muito além de 6 oC no próximo século: sem mitigação afiada agora, estamos criando 1000 anos de caos absoluto.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Lesmas-do-mar ficam vulneráveis com aumento da acidez na Antártida

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Acho que não é uma notícia muito boa e até desmonta um pouco o mito do problema único (de energia, de clima) e lembra a nossa “pequenina” vulnerabilidade num ambiente no qual todos somos um.  Mas para alegrar mesmo e ter um pouco de esperança com a mudança suscitada com as discussões de sustentabilidade, só subir no topo de um prédio e olhar as línguas brancas e vermelhas dos faróis das avenidas em 360 graus: aquela montanha de carro queimando combustível para ficar parado e ter uma velocidade média igual a de uma galinha é um excelente sinal de “estamos caminhando para sustentabilidade e ficamos mais inteligentes”.  Para se convencer mesmo, é só ir olhar de perto os carros de cinco toneladas (SUVs) que carregam corpos de 70 quilos e o jumento dentro se sente exultante, porque o que importa não é ter um meio de transporte, mas ter mais que o resto.

Enquanto sinal de sucesso no nosso sistema for distanciamento material uns dos outros – e não o contrário – dentro do modelo casa-carro-viagem-ao-exterior, não poderemos mais contar com as lesmas.  Sim, acho que não é notícia muito boa...

Lesmas-do-mar ficam vulneráveis com aumento da acidez na Antártida

26/11/2012 13:58,  Por Redação, com BBC - de Londres
http://correiodobrasil.com.br/imagens/bbc.gif
Antártida
O aumento da acidez na região está afetando o ecossistema, segundo pesquisa
Lesmas-do-mar que vivem na Antártida estão sendo afetadas pelo alto nível de acidez das águas marinhas, segundo uma nova pesquisa científica.
Uma equipe internacional de cientistas descobriu que a concha das lesmas está sendo corroída pela água do mar.
Segundo especialistas, a descoberta é importante para se determinar o impacto da acidificação do oceano na vida marinha. Os resultados foram publicados na revista científica Nature Geoscience.
Ecossistemas
As lesmas-do-mar são importantes na cadeia dos alimentos dos oceanos. Além disso, elas são um bom indicador de quão saudável está o ecossistema.
- Eles são um item importante para diversos predadores, como plânctons maiores, peixes, pássaros, baleias – disse Geraint Tarling, que é coautor do estudo e diretor de Ecossistemas Oceânicos da entidade britânica de pesquisas British Antarctic Survey.
O estudo foi um projeto de pesquisadores da BAS, da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), a US Woods Hole Oceanographic Institution e da faculdade de ciências ambientais da Universidade de East Anglia.
A acidificação do oceano ocorre devido à queima de combustíveis fósseis. Parte do dióxido de carbono que está na atmosfera é absorvido pelo oceano. Esse processo altera a composição química da água, que fica mais ácida.
Os dados foram coletados em uma expedição do barco Southern Ocean, em 2008. Os cientistas analisaram o que acontece quando a água marinha do fundo é empurrada para a superfície por ventos.
Essa água é mais ácida e acaba corroendo a aragonita – a substância que forma as conchas das lesmas-do-mar. ”As lesmas-do-mar não necessariamente morrem por conta da corrosão nas suas conchas, mas isso as deixa mais vulneráveis a predadores e a infecções, o que tem consequências no resto da cadeia de alimentação.”
Tarling disse que o estudo ainda é um piloto para outras pesquisas que virão, mas que ele já forneceu dados importantes sobre como o ecossistema reagirá a mudanças futuras no oceano.
- Foram necessários vários anos para que desenvolvêssemos uma técnica sensível o suficiente para que analisássemos o exterior das conchas, com auxílio de microscópios de alta potência, já que as conchas são muito finas e os padrões de dissolução são muito súteis – afirmou o pesquisador.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Para ninguém ter dúvida que estamos num processo de marcha-ré total chamado de sustentabilidade

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Alguém com alguma dúvida se estamos caminhando na direção de uma economia sustentável?

Podem derrubar essa dúvida. Não estamos. Caminhamos na direção do colapso e o mais engraçado que quanto mais se fala em mudar o sistema, mais idéias “brilhantes surgem” e mais próximos ficamos do colapso.  O texto da marcha-ré que damos da Cecília Herzog deixa bem claro isso.

Por exemplo, famoso texto sobre investimentos privados em conservação da natureza, sem falar os mesmos de sempre, carros elétricos, energia limpa, mecanismos de desenvolvimento limpo, economia verde, blablablá.

Cada carro a mais no planeta, elétrico ou não, requer o asfaltamento de 0,6 hectare de terra para garagem, ruas, estacionamentos e estradas. O solo é finito – provavelmente decrescente com a elevação dos oceanos, portanto, mesmo com carros elétricos e todas as ziguilhões de coisas jogadas nesse sistema finito, estamos testando o limite da sustentação da vida na Terra.  Ah, se o carro elétrico é abastecido com eletricidade de carvão, isso é sustentável? Ah, se a matéria-prima de determinadas indústrias vem da maior destruição florestal do planeta na Malásia para produção de óleo de palma e  faz um trajeto transoceânico, isso é sustentável?  Acho que não estou entendendo nada, detalhe, grande parte dos produtos com óleo de palma são na verdade supérfluos, embelezamento de uma espécia que botou o resto da vida a caminho da extinção e ela própria terá o mesmo destino.

Legal, temos um excelente exercício laboratorial que pode ser eventualmente aproveitado por extraterrestres que nos observam de longe. Nós não teremos chance de fazer o registro dessa pesquisa...

Hugo

Olá a todos,

No Rio de Janeiro estamos assistindo à eliminação de ecossistemas (nativos ou regenerados) inteiros de importância capital para a sustentabilidade da cidade. As áreas úmidas estão sendo aterradas em pleno século XXI. Tudo à revelia de conhecimentos científicos, vários grupos acadêmicos estudam as áreas em questão, mas não há o menor interesse neles por parte dos tomadores de decisões.

Precisamos do apoio de todos os cientistas e especialistas nessas questões emergenciais. Precisamos de cidades resilientes e sustentáveis, e para isso a biodiversidade urbana é fundamental.

Vejam mais um artigo que escrevi para mobilizar o máximo que puder http://ceciliaherzog.wordpress.com/atualidades-2/

Precisamos que as cidades entrem no campo de pesquisa da ecologia urbana de forma abrangente urgentemente. Estamos fazendo isso aqui no Rio de Janeiro em uma escala pequena que nos é possível, porém precisamos de suporte nacional e colaboração de instituições de pesquisa.

Saudações ecológicas,

Cecilia P. Herzog

Presidente
INVERDE
Instituto de Estudos, Pesquisas e Projetos em Infraestrutura Verde e Ecologia Urbana

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Tipping point? Não precisamos nos preocupar.

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Tipping point?  Não precisamos nos preocupar.   Recebi um paper de investimentos privados em conservação da natureza bastante alvissareiro.  E as ações de sustentabilidade que crescem exponencialmente com o destroçamento dos ecossistemas e o fim dos 22 serviços ecológicos que dão sustentação a todas formas de vida terrestre?

Os investimentos privados possuem um track record excelente, embora tenham ignorado por completo seus impactos ambientais e sociais. Entre as conquistas temos a comida mais venenosa de todos os tempos que provocou a fatalidade de um em cada dois homens ter algum tipo de câncer ao longo de suas vidas e uma em cada três mulheres. Somos assombrosamente os bichos da Terra mais submetidos a doenças degenerativas que já se teve notícia por aqui. Uma conquista e tanto. E essa conquista só tende a aumentar: o número de diabéticos da China aumentou dez vezes desde que chegou lá o fast food e os relatórios comemoram com o impulso que vai dar no sistema de saúde.  Chocante, porque não há nem porque esconder a alegria com os resultados atingidos.

Outra conquista importante, são as condições atmosféricas urbanas que se tornaram tão nefastas que hoje quase 100% de crianças e idosos sofrem de doenças respiratórias e um percentual até morre, aumentanto o setor de sepultamento.  Sequer enxergamos essa exemplar destruição da camada atmosférica, totalmente irrefutável e não suscetível a qualquer desvario da negação do aquecimento global.  Na verdade, nós não enxergamos mais nada, quase que literalmente e alguns mais afortunados conseguem mudar de cidade, o que impulsiona as regiões interioranas para levar lá o mesmo tipo de “desenvolvimento”.  Tudo se resolve, mesmo que seja pela expansão da pior cadeia de atividades produtivas que se tem notícia desde que inventamos a roda.

Com todas essas conquistas luxuriantes como track record, agora temos investimentos privados, private equity ou precificação para conservação da natureza.   Tudo isso muito provavelmente com o propósito único de testar se a unicidade planetária de seres vivos e ecossistemas é realmente válida, porque essa seria condição sine qua non para evitar o fim da vida e para não precisar mudar radicalmente um modelo que está nos lançando na direção da nossa própria extinção.

Ironias a parte, sabemos que de onde poderiam ver as verdadeiras críticas, isso não acontecerá; de onde poderia realmente vir as mudanças no sistema de produção, não virá.  Tanto o poder econômico quanto intelectual conseguem se confundir a ponto de não saber mais onde começa nem onde termina o erro no qual nos enfiamos e nem lembramos ou reconhecemos que apenas somos psítacos repetindo da maneira que nos convém as verdades que já foram ditas por tantos antes de nós, como Georgescu.

Adicionalmente, não dá para negar que as evidências atuais do planeta já seriam desconcertantes e mobilizadoras se algum resquício de bom senso nos tivesse restado.

Pela nossa total falta de bom senso e interesse próprio individualista extremamente aguçado, só iremos acordar não quando a evidência for desconcertante, mas quando ela atingir um número de pessoas suficiente para deixar bem claro que até mesmo a fantasilândia onde poucos de nós vivemos nesse planeta será destroçada a qualquer momento.

Aí iremos mexer nossos traseiros. Mas quase com certeza será tarde demais.  A biologia tem toda razão em declarar que a espécie humana é a mais estúpida desse planeta, pela sua incapacidade de interagir harmoniosamente com as demais espécies vivas e os ecossistemas, sem os quais não somos nada.  Não são só os físicos que se assombram com as bobagens escritas por Paul Krugman, David Romer, Joseph Stiglitz, etc.  Os biólogos também não são muito misericordiosos conosco e com razão.  Depois falamos dos paleontólogos que contam por dia o desaparecimento eterno de espécies animais e vegetais e podem, à diferença das espertas dúvidas com o aquecimento global, apontar com bastante clareza os culpados.  Também não dizem com muito alegria que “é muita ingenuidade achar que essa extinção jamais irá se voltar contra a natureza.”

Tipping Point? Earth Headed for Catastrophic Collapse, Researchers Warn


Exerpt:
"Earth is rapidly headed toward a catastrophic breakdown if humans don't get their act together, according to an international group of scientists.
Writing Wednesday (June 6) in the journal Nature, the researchers warn that the world is headed toward a tipping point marked by extinctions and unpredictable changes on a scale not seen since the glaciers retreated 12,000 years ago.
"There is a very high possibility that by the end of the century, the Earth is going to be a very different place," study researcher Anthony Barnosky told LiveScience. Barnosky, a professorcid:image001.png@01CDBC2A.89086710 of integrative biology from the University of California, Berkeley, joined a group of 17 other scientists to warn that this new planet might not be a pleasant place to live. "

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Mundo novo aonde?

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Ver que tem gente imaginando que o Mundo Novo deve existir: http://www.desejavelmundonovo.com.br/p/sobre-crie-futuros.html 

Resposta:
Sonhar o mundo novo como fazemos – não comprando cachorros, não comendo carne, não andando de avião e de carro, ajudando as pessoas a estudar, a ter onde morar, etc. – existe desde que o mundo é mundo. O problema é que do ponto de vista da lógica essa expressão humanitária já foi maior no passado e agora dentro do modelo casa-carro-viagem-ao-exterior-com-ipad tendeu a zero.  É tão inexpressivo, que podemos considerar inexistente, assim como é tão inexpressivo as espécies animais exossomáticas como nós, que Roegen considerou inexistentes por um mero exercício de lógica.
Mas não podemos desistir, embora já tenhamos estudos que mostram que as atitudes individuais (reciclar lixo, consumo consciente, frugalidade, etc.) de nada adiantarão, pois o grosso do impacto vem da forma como as empresas atuam sem tolhimento legal algum, dada sua existência supranacional autoregulatória em regimes atualmente plutocráticos.
Sonhar é de graça, quem sabe isso mude. Por ora, a relevância da via contrária é diminuta e a trajetória em direção ao precipício continua firme e deve até ganhar uma aceleração no final quando estivermos empenhados em energia eólica ou (menos) suja, economias sustentáveis, sem mudar nem um raspão sequer essa sociedade de consumo.
Leitura obrigatória para todos são os seguintes livros: Ted Trainer (Renewable Energy Cannot Sustain a Consumer Society), Chandran Nair (Consumptionomics, livro que crítica a atual ideologia absurda que os chineses e indianos irão consumir igual a americanos embora não tenhamos planeta nem para 5% disso) e Huesemann e Huesemann (Why Technology Cannot Save Us and Even the Environment, outro mito fabuloso.
(Hugo Penteado)

Réplica:
Entro no debate para recomendar um livro, no mínimo instigante, mudando o foco para a filosofia. O nome é Vivendo no fim dos tempos. O autor Slavoj Zizek, esloveno, considera que o capitalismo está se aproximando de sua crise terminal e identifica os 4 cavaleiros do apocalipse que são: a crise ecológica mundial, os desequilibrios no sistema economico, a revolução bioenergética e o crescimento das divisões e rupturas sociais.  A resposta da sociedade a esta crise corresponde aos estágios de luto: negação ideológica, explosões de raiva, tentativa de barganha, seguidas de depressão e aceitação. Dentro da aceitação há algumas possibilidades de algo novo.

Tréplica: 
Acho interessante, mas isso se aplica ao indivíduo, não necessariamente à coletividade, onde não damos as regras nem temos as rédeas da situação toda nas mãos.  Foi como o preventivo Stephen Jay Gould disse em 1991: “Temos que aprender a negociar com a Terra, porque para o planeta nós não temos relevância alguma.”  Tem até uma coincidência da sua antevisão com a do Roegen, que sabia também um tanto de paleontologia: ambos disseram que depois da vida complexa, só a vida bacteriana continuaria ainda banhada em sol, viajando com o planeta pelo nosso sistema solar.

Nunca esqueci uma passagem bíblica no livro “A Luz da Manhã” de Pearl Buck, que relatou a luta ensandecida para alcançar a bomba atômica em uma cidade de cientistas nos Estados Unidos: “Por ventura foste tu que deste lei à luz da manhã”, pergunta Deus a Joh.  A resposta dos cientistas é um sonoro não. Caímos do pedestal, não determinamos absolutamente nada, as coisas que criamos empalidecem totalmente diante da natureza da qual dependemos para estar vivos.   Não dá nem para entender a razão da nossa soberba, só um mísero serviço que a Amazônia nos presta requereria 50.000 Itaipus para ser reproduzido.  Por isso, sem a Amazônia todos estaremos mortos e, mesmo assim, estamos destruindo esse bioma e outros diariamente, para acordar todos os dias com cada vez menos natureza.  E ter. Não sei o quê, mas ter.

Esse livro eu li uma excelente tradução, da época que traduções eram boas e regiamente pagas, antes do sistema de trabalho escravo análogo no qual vivemos, mas que todos vangloriam porque reduziram os custos.  Não dá mais para ler tradução hoje em dia.

Acho interessante ter esperança, mas ela tem que se pautar pelo intangível, algum processo completamente inesperado de mudança de consciência das pessoas que produza uma mudança tão radical no sistema atual que, após esse salto, os que sobreviverem, mal poderão acreditar que jogamos tanto com a nosso sorte como agora e a troco de nada, apenas por um punhado de notas emitidas por bancos centrais sem lastro algum para consumirmos o que não precisamos e sem sequer lembrar as palavras de Saramago: “Pobre é aquele que tem mais do que precisa para si.”

Imagina o que aconteceria com o atual sistema econômico de castas (não importa que nome damos a esse sistema, capitalismo, socialismo, comunismo, etc.) se todos pensassem como Saramago.

É disso que precisamos. Se vamos testemunhar, só o intangível sabe. De prático mesmo não temos nada.
(Hugo Penteado)

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

ÁRTICO É A NOVA FRONTEIRA DE RECURSOS NATURAIS

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Não se preocupem: nos jornais que costumo ler (Financial Times, Wall Street Journal, NYT, etc.) estão todos comemorando o acesso a estoques incalculáveis de minérios, gás e petróleo. Já há uma preocupação grande dos países que não tem assento no Conselho do Ártico para poderem escarafunchar os meandros do até então inatingível Ártico.

SENSACIONAL!

Meu cenário agora não é de um carro sem freio numa estradas com visibilidade zero, que termina num precipício. Meu cenário agora é de um carro que quando ficar sem chão ainda vai alçar voo, dando uma falsa sensação de que estamos como Leibniz, vivendo melhor no melhor dos mundos.

Os(as) jornalistas que escrevem essas matérias de maior exploração do Ártico por acaso foram expulsos do inferno? Provavelmente não possuem prole alguma na Terra, embora isso não pareça fazer grande diferença para todos.

Hugo Penteado

Novo recorde de degelo no Ártico soa alerta

Estadão

24.09.2012

O drástico degelo da calota do Oceano Ártico finalmente acabou por este ano, anunciaram na semana passada cientistas, mas não antes de derrubar o recorde anterior e de provocar novos alertas quanto ao ritmo acelerado das mudanças na região.
A reportagem é do The New York Times e reproduzida pelo jornal O Estado de S. Paulo, 24-09-2012.

Em 2012, a menor extensão da camada foi alcançada no último dia 16, segundo o Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo dos EUA. A instituição informou que naquele dia a camada de gelo sobre o mar cobria cerca de 3,42 milhões de km2, ou 24% da superfície de todo o Oceano Ártico. A extensão menor registrada anteriormente, em 2007, foi de 29%.

Quando, no final dos anos 70, começaram as medições por satélite, a menor extensão do gelo registrado no verão cobria cerca da metade do Oceano Ártico, embora declinasse havia décadas. "O Ártico é o aparelho de ar-condicionado da Terra, e o estamos perdendo", advertiu Walt Meier, pesquisador do centro, uma agência patrocinada pelo governo.

A agência esperou alguns dias antes de anunciar o recorde para ter a certeza de que o gelo marinho começava a congelar novamente, como acontece normalmente nesta época do ano, quando o inverno se instala rapidamente no Ártico. Nos próximos meses, uma capa de gelo cobrirá grande parte do oceano, mas muito provavelmente será fina e tenderá a derreter com a volta do verão.

Relatório

Os cientistas consideram o rápido aquecimento da região uma consequência da emissão pelo homem dos gases do efeito estufa, e veem o derretimento como um alerta de grandes mudanças no resto do mundo.

Alguns acreditam inclusive que o colapso da calota ártica já começou a alterar os padrões atmosféricos no Hemisfério Norte, contribuindo para maiores extremos das temperaturas nos EUA e em outros países, mas isto ainda não foi comprovado.

O gelo do mar está se reduzindo muito mais rapidamente do que previa o último grande relatório da ONU sobre a situação do clima, publicado em 2007. As análises mais sofisticadas deste relatório feitas por computador sugeriam que o gelo não desapareceria antes da metade do século.

Agora, alguns cientistas acham que, já em 2020, o Oceano Ártico poderá perder grande parte de sua extensão de gelo nos meses de verão. Por sua vez, os governos não responderam à mudança com uma urgência maior para limitar as emissões dos gases do efeito estufa. Ao contrário, sua reação principal foi planejar a possibilidade de explorar os minérios do Ártico, agora acessíveis, inclusive com operações de perfuração em busca de mais petróleo.

"A comunidade científica se dá conta de que temos uma emergência planetária", disse James E. Hansen, especialista do clima da Nasa. "É difícil para o público admitir este fato porque ele põe a cabeça fora da janela e não vê nada disto acontecer."

Em certo momento do verão passado (inverno no Hemisfério Sul), o derretimento da superfície estava ocorrendo em 97% do lençol de gelo da Groenlândia, fenômeno que ainda não tinha sido visto na era das medições por satélite, embora a pesquisa geológica sugira que já aconteceu no passado.

Atualmente, o mar está subindo à média de 33 centímetros por século, mas cientistas como Hansen acreditam que esta média aumentará à medida que o planeta for aquecendo, colocando em risco toda a linha costeira habitada.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Global Warming's Terrifying New Math

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Global Warming's Terrifying New Math
Three simple numbers that add up to global catastrophe - and that make clear who the real enemy is
by: Bill McKibben
reckoning illo
Illustration by Edel Rodriguez
If the pictures of those towering wildfires in Colorado haven't convinced you, or the size of your AC bill this summer, here are some hard numbers about climate change: June broke or tied 3,215 high-temperature records across the United States. That followed the warmest May on record for the Northern Hemisphere – the 327th consecutive month in which the temperature of the entire globe exceeded the 20th-century average, the odds of which occurring by simple chance were 3.7 x 10-99, a number considerably larger than the number of stars in the universe.
Meteorologists reported that this spring was the warmest ever recorded for our nation – in fact, it crushed the old record by so much that it represented the "largest temperature departure from average of any season on record." The same week, Saudi authorities reported that it had rained in Mecca despite a temperature of 109 degrees, the hottest downpour in the planet's history.
Not that our leaders seemed to notice. Last month the world's nations, meeting in Rio for the 20th-anniversary reprise of a massive 1992 environmental summit, accomplished nothing. Unlike George H.W. Bush, who flew in for the first conclave, Barack Obama didn't even attend. It was "a ghost of the glad, confident meeting 20 years ago," the British journalist George Monbiot wrote; no one paid it much attention, footsteps echoing through the halls "once thronged by multitudes." Since I wrote one of the first books for a general audience about global warming way back in 1989, and since I've spent the intervening decades working ineffectively to slow that warming, I can say with some confidence that we're losing the fight, badly and quickly – losing it because, most of all, we remain in denial about the peril that human civilization is in.
When we think about global warming at all, the arguments tend to be ideological, theological and economic. But to grasp the seriousness of our predicament, you just need to do a little math. For the past year, an easy and powerful bit of arithmetical analysis first published by financial analysts in the U.K. has been making the rounds of environmental conferences and journals, but it hasn't yet broken through to the larger public. This analysis upends most of the conventional political thinking about climate change. And it allows us to understand our precarious – our almost-but-not-quite-finally hopeless – position with three simple numbers.
The First Number: 2° Celsius
If the movie had ended in Hollywood fashion, the Copenhagen climate conference in 2009 would have marked the culmination of the global fight to slow a changing climate. The world's nations had gathered in the December gloom of the Danish capital for what a leading climate economist, Sir Nicholas Stern of Britain, called the "most important gathering since the Second World War, given what is at stake." As Danish energy minister Connie Hedegaard, who presided over the conference, declared at the time: "This is our chance. If we miss it, it could take years before we get a new and better one. If ever."
In the event, of course, we missed it. Copenhagen failed spectacularly. Neither China nor the United States, which between them are responsible for 40 percent of global carbon emissions, was prepared to offer dramatic concessions, and so the conference drifted aimlessly for two weeks until world leaders jetted in for the final day. Amid considerable chaos, President Obama took the lead in drafting a face-saving "Copenhagen Accord" that fooled very few. Its purely voluntary agreements committed no one to anything, and even if countries signaled their intentions to cut carbon emissions, there was no enforcement mechanism. "Copenhagen is a crime scene tonight," an angry Greenpeace official declared, "with the guilty men and women fleeing to the airport." Headline writers were equally brutal: COPENHAGEN: THE MUNICH OF OUR TIMES? asked one.
The accord did contain one important number, however. In Paragraph 1, it formally recognized "the scientific view that the increase in global temperature should be below two degrees Celsius." And in the very next paragraph, it declared that "we agree that deep cuts in global emissions are required... so as to hold the increase in global temperature below two degrees Celsius." By insisting on two degrees – about 3.6 degrees Fahrenheit – the accord ratified positions taken earlier in 2009 by the G8, and the so-called Major Economies Forum. It was as conventional as conventional wisdom gets. The number first gained prominence, in fact, at a 1995 climate conference chaired by Angela Merkel, then the German minister of the environment and now the center-right chancellor of the nation.
Some context: So far, we've raised the average temperature of the planet just under 0.8 degrees Celsius, and that has caused far more damage than most scientists expected. (A third of summer sea ice in the Arctic is gone, the oceans are 30 percent more acidic, and since warm air holds more water vapor than cold, the atmosphere over the oceans is a shocking five percent wetter, loading the dice for devastating floods.) Given those impacts, in fact, many scientists have come to think that two degrees is far too lenient a target. "Any number much above one degree involves a gamble," writes Kerry Emanuel of MIT, a leading authority on hurricanes, "and the odds become less and less favorable as the temperature goes up." Thomas Lovejoy, once the World Bank's chief biodiversity adviser, puts it like this: "If we're seeing what we're seeing today at 0.8 degrees Celsius, two degrees is simply too much." NASA scientist James Hansen, the planet's most prominent climatologist, is even blunter: "The target that has been talked about in international negotiations for two degrees of warming is actually a prescription for long-term disaster." At the Copenhagen summit, a spokesman for small island nations warned that many would not survive a two-degree rise: "Some countries will flat-out disappear." When delegates from developing nations were warned that two degrees would represent a "suicide pact" for drought-stricken Africa, many of them started chanting, "One degree, one Africa."
Despite such well-founded misgivings, political realism bested scientific data, and the world settled on the two-degree target – indeed, it's fair to say that it's the only thing about climate change the world has settled on. All told, 167 countries responsible for more than 87 percent of the world's carbon emissions have signed on to the Copenhagen Accord, endorsing the two-degree target. Only a few dozen countries have rejected it, including Kuwait, Nicaragua and Venezuela. Even the United Arab Emirates, which makes most of its money exporting oil and gas, signed on. The official position of planet Earth at the moment is that we can't raise the temperature more than two degrees Celsius – it's become the bottomest of bottom lines. Two degrees.
The Second Number: 565 Gigatons
Scientists estimate that humans can pour roughly 565 more gigatons of carbon dioxide into the atmosphere by midcentury and still have some reasonable hope of staying below two degrees. ("Reasonable," in this case, means four chances in five, or somewhat worse odds than playing Russian roulette with a six-shooter.)
This idea of a global "carbon budget" emerged about a decade ago, as scientists began to calculate how much oil, coal and gas could still safely be burned. Since we've increased the Earth's temperature by 0.8 degrees so far, we're currently less than halfway to the target. But, in fact, computer models calculate that even if we stopped increasing CO2 now, the temperature would likely still rise another 0.8 degrees, as previously released carbon continues to overheat the atmosphere. That means we're already three-quarters of the way to the two-degree target.
How good are these numbers? No one is insisting that they're exact, but few dispute that they're generally right. The 565-gigaton figure was derived from one of the most sophisticated computer-simulation models that have been built by climate scientists around the world over the past few decades. And the number is being further confirmed by the latest climate-simulation models currently being finalized in advance of the next report by the Intergovernmental Panel on Climate Change. "Looking at them as they come in, they hardly differ at all," says Tom Wigley, an Australian climatologist at the National Center for Atmospheric Research. "There's maybe 40 models in the data set now, compared with 20 before. But so far the numbers are pretty much the same. We're just fine-tuning things. I don't think much has changed over the last decade." William Collins, a senior climate scientist at the Lawrence Berkeley National Laboratory, agrees. "I think the results of this round of simulations will be quite similar," he says. "We're not getting any free lunch from additional understanding of the climate system."
We're not getting any free lunch from the world's economies, either. With only a single year's lull in 2009 at the height of the financial crisis, we've continued to pour record amounts of carbon into the atmosphere, year after year. In late May, the International Energy Agency published its latest figures – CO2 emissions last year rose to 31.6 gigatons, up 3.2 percent from the year before. America had a warm winter and converted more coal-fired power plants to natural gas, so its emissions fell slightly; China kept booming, so its carbon output (which recently surpassed the U.S.) rose 9.3 percent; the Japanese shut down their fleet of nukes post-Fukushima, so their emissions edged up 2.4 percent. "There have been efforts to use more renewable energy and improve energy efficiency," said Corinne Le Quéré, who runs England's Tyndall Centre for Climate Change Research. "But what this shows is that so far the effects have been marginal." In fact, study after study predicts that carbon emissions will keep growing by roughly three percent a year – and at that rate, we'll blow through our 565-gigaton allowance in 16 years, around the time today's preschoolers will be graduating from high school. "The new data provide further evidence that the door to a two-degree trajectory is about to close," said Fatih Birol, the IEA's chief economist. In fact, he continued, "When I look at this data, the trend is perfectly in line with a temperature increase of about six degrees." That's almost 11 degrees Fahrenheit, which would create a planet straight out of science fiction.
So, new data in hand, everyone at the Rio conference renewed their ritual calls for serious international action to move us back to a two-degree trajectory. The charade will continue in November, when the next Conference of the Parties (COP) of the U.N. Framework Convention on Climate Change convenes in Qatar. This will be COP 18 – COP 1 was held in Berlin in 1995, and since then the process has accomplished essentially nothing. Even scientists, who are notoriously reluctant to speak out, are slowly overcoming their natural preference to simply provide data. "The message has been consistent for close to 30 years now," Collins says with a wry laugh, "and we have the instrumentation and the computer power required to present the evidence in detail. If we choose to continue on our present course of action, it should be done with a full evaluation of the evidence the scientific community has presented." He pauses, suddenly conscious of being on the record. "I should say, a fuller evaluation of the evidence."
So far, though, such calls have had little effect. We're in the same position we've been in for a quarter-century: scientific warning followed by political inaction. Among scientists speaking off the record, disgusted candor is the rule. One senior scientist told me, "You know those new cigarette packs, where governments make them put a picture of someone with a hole in their throats? Gas pumps should have something like that."
The Third Number: 2,795 Gigatons
This number is the scariest of all – one that, for the first time, meshes the political and scientific dimensions of our dilemma. It was highlighted last summer by the Carbon Tracker Initiative, a team of London financial analysts and environmentalists who published a report in an effort to educate investors about the possible risks that climate change poses to their stock portfolios. The number describes the amount of carbon already contained in the proven coal and oil and gas reserves of the fossil-fuel companies, and the countries (think Venezuela or Kuwait) that act like fossil-fuel companies. In short, it's the fossil fuel we're currently planning to burn. And the key point is that this new number – 2,795 – is higher than 565. Five times higher.
The Carbon Tracker Initiative – led by James Leaton, an environmentalist who served as an adviser at the accounting giant PricewaterhouseCoopers – combed through proprietary databases to figure out how much oil, gas and coal the world's major energy companies hold in reserve. The numbers aren't perfect – they don't fully reflect the recent surge in unconventional energy sources like shale gas, and they don't accurately reflect coal reserves, which are subject to less stringent reporting requirements than oil and gas. But for the biggest companies, the figures are quite exact: If you burned everything in the inventories of Russia's Lukoil and America's ExxonMobil, for instance, which lead the list of oil and gas companies, each would release more than 40 gigatons of carbon dioxide into the atmosphere.
Which is exactly why this new number, 2,795 gigatons, is such a big deal. Think of two degrees Celsius as the legal drinking limit – equivalent to the 0.08 blood-alcohol level below which you might get away with driving home. The 565 gigatons is how many drinks you could have and still stay below that limit – the six beers, say, you might consume in an evening. And the 2,795 gigatons? That's the three 12-packs the fossil-fuel industry has on the table, already opened and ready to pour.
We have five times as much oil and coal and gas on the books as climate scientists think is safe to burn. We'd have to keep 80 percent of those reserves locked away underground to avoid that fate. Before we knew those numbers, our fate had been likely. Now, barring some massive intervention, it seems certain.
Yes, this coal and gas and oil is still technically in the soil. But it's already economically aboveground – it's figured into share prices, companies are borrowing money against it, nations are basing their budgets on the presumed returns from their patrimony. It explains why the big fossil-fuel companies have fought so hard to prevent the regulation of carbon dioxide – those reserves are their primary asset, the holding that gives their companies their value. It's why they've worked so hard these past years to figure out how to unlock the oil in Canada's tar sands, or how to drill miles beneath the sea, or how to frack the Appalachians.
If you told Exxon or Lukoil that, in order to avoid wrecking the climate, they couldn't pump out their reserves, the value of their companies would plummet. John Fullerton, a former managing director at JP Morgan who now runs the Capital Institute, calculates that at today's market value, those 2,795 gigatons of carbon emissions are worth about $27 trillion. Which is to say, if you paid attention to the scientists and kept 80 percent of it underground, you'd be writing off $20 trillion in assets. The numbers aren't exact, of course, but that carbon bubble makes the housing bubble look small by comparison. It won't necessarily burst – we might well burn all that carbon, in which case investors will do fine. But if we do, the planet will crater. You can have a healthy fossil-fuel balance sheet, or a relatively healthy planet – but now that we know the numbers, it looks like you can't have both. Do the math: 2,795 is five times 565. That's how the story ends.
So far, as I said at the start, environmental efforts to tackle global warming have failed. The planet's emissions of carbon dioxide continue to soar, especially as developing countries emulate (and supplant) the industries of the West. Even in rich countries, small reductions in emissions offer no sign of the real break with the status quo we'd need to upend the iron logic of these three numbers. Germany is one of the only big countries that has actually tried hard to change its energy mix; on one sunny Saturday in late May, that northern-latitude nation generated nearly half its power from solar panels within its borders. That's a small miracle – and it demonstrates that we have the technology to solve our problems. But we lack the will. So far, Germany's the exception; the rule is ever more carbon.
This record of failure means we know a lot about what strategies don't work. Green groups, for instance, have spent a lot of time trying to change individual lifestyles: the iconic twisty light bulb has been installed by the millions, but so have a new generation of energy-sucking flatscreen TVs. Most of us are fundamentally ambivalent about going green: We like cheap flights to warm places, and we're certainly not going to give them up if everyone else is still taking them. Since all of us are in some way the beneficiaries of cheap fossil fuel, tackling climate change has been like trying to build a movement against yourself – it's as if the gay-rights movement had to be constructed entirely from evangelical preachers, or the abolition movement from slaveholders.
People perceive – correctly – that their individual actions will not make a decisive difference in the atmospheric concentration of CO2; by 2010, a poll found that "while recycling is widespread in America and 73 percent of those polled are paying bills online in order to save paper," only four percent had reduced their utility use and only three percent had purchased hybrid cars. Given a hundred years, you could conceivably change lifestyles enough to matter – but time is precisely what we lack.
A more efficient method, of course, would be to work through the political system, and environmentalists have tried that, too, with the same limited success. They've patiently lobbied leaders, trying to convince them of our peril and assuming that politicians would heed the warnings. Sometimes it has seemed to work. Barack Obama, for instance, campaigned more aggressively about climate change than any president before him – the night he won the nomination, he told supporters that his election would mark the moment "the rise of the oceans began to slow and the planet began to heal." And he has achieved one significant change: a steady increase in the fuel efficiency mandated for automobiles. It's the kind of measure, adopted a quarter-century ago, that would have helped enormously. But in light of the numbers I've just described, it's obviously a very small start indeed.
At this point, effective action would require actually keeping most of the carbon the fossil-fuel industry wants to burn safely in the soil, not just changing slightly the speed at which it's burned. And there the president, apparently haunted by the still-echoing cry of "Drill, baby, drill," has gone out of his way to frack and mine. His secretary of interior, for instance, opened up a huge swath of the Powder River Basin in Wyoming for coal extraction: The total basin contains some 67.5 gigatons worth of carbon (or more than 10 percent of the available atmospheric space). He's doing the same thing with Arctic and offshore drilling; in fact, as he explained on the stump in March, "You have my word that we will keep drilling everywhere we can... That's a commitment that I make." The next day, in a yard full of oil pipe in Cushing, Oklahoma, the president promised to work on wind and solar energy but, at the same time, to speed up fossil-fuel development: "Producing more oil and gas here at home has been, and will continue to be, a critical part of an all-of-the-above energy strategy." That is, he's committed to finding even more stock to add to the 2,795-gigaton inventory of unburned carbon.
Sometimes the irony is almost Borat-scale obvious: In early June, Secretary of State Hillary Clinton traveled on a Norwegian research trawler to see firsthand the growing damage from climate change. "Many of the predictions about warming in the Arctic are being surpassed by the actual data," she said, describing the sight as "sobering." But the discussions she traveled to Scandinavia to have with other foreign ministers were mostly about how to make sure Western nations get their share of the estimated $9 trillion in oil (that's more than 90 billion barrels, or 37 gigatons of carbon) that will become accessible as the Arctic ice melts. Last month, the Obama administration indicated that it would give Shell permission to start drilling in sections of the Arctic.
Almost every government with deposits of hydrocarbons straddles the same divide. Canada, for instance, is a liberal democracy renowned for its internationalism – no wonder, then, that it signed on to the Kyoto treaty, promising to cut its carbon emissions substantially by 2012. But the rising price of oil suddenly made the tar sands of Alberta economically attractive – and since, as NASA climatologist James Hansen pointed out in May, they contain as much as 240 gigatons of carbon (or almost half of the available space if we take the 565 limit seriously), that meant Canada's commitment to Kyoto was nonsense. In December, the Canadian government withdrew from the treaty before it faced fines for failing to meet its commitments.
The same kind of hypocrisy applies across the ideological board: In his speech to the Copenhagen conference, Venezuela's Hugo Chavez quoted Rosa Luxemburg, Jean-Jacques Rousseau and "Christ the Redeemer," insisting that "climate change is undoubtedly the most devastating environmental problem of this century." But the next spring, in the Simon Bolivar Hall of the state-run oil company, he signed an agreement with a consortium of international players to develop the vast Orinoco tar sands as "the most significant engine for a comprehensive development of the entire territory and Venezuelan population." The Orinoco deposits are larger than Alberta's – taken together, they'd fill up the whole available atmospheric space.
So: the paths we have tried to tackle global warming have so far produced only gradual, halting shifts. A rapid, transformative change would require building a movement, and movements require enemies. As John F. Kennedy put it, "The civil rights movement should thank God for Bull Connor. He's helped it as much as Abraham Lincoln." And enemies are what climate change has lacked.
But what all these climate numbers make painfully, usefully clear is that the planet does indeed have an enemy – one far more committed to action than governments or individuals. Given this hard math, we need to view the fossil-fuel industry in a new light. It has become a rogue industry, reckless like no other force on Earth. It is Public Enemy Number One to the survival of our planetary civilization. "Lots of companies do rotten things in the course of their business – pay terrible wages, make people work in sweatshops – and we pressure them to change those practices," says veteran anti-corporate leader Naomi Klein, who is at work on a book about the climate crisis. "But these numbers make clear that with the fossil-fuel industry, wrecking the planet is their business model. It's what they do."
According to the Carbon Tracker report, if Exxon burns its current reserves, it would use up more than seven percent of the available atmospheric space between us and the risk of two degrees. BP is just behind, followed by the Russian firm Gazprom, then Chevron, ConocoPhillips and Shell, each of which would fill between three and four percent. Taken together, just these six firms, of the 200 listed in the Carbon Tracker report, would use up more than a quarter of the remaining two-degree budget. Severstal, the Russian mining giant, leads the list of coal companies, followed by firms like BHP Billiton and Peabody. The numbers are simply staggering – this industry, and this industry alone, holds the power to change the physics and chemistry of our planet, and they're planning to use it.
They're clearly cognizant of global warming – they employ some of the world's best scientists, after all, and they're bidding on all those oil leases made possible by the staggering melt of Arctic ice. And yet they relentlessly search for more hydrocarbons – in early March, Exxon CEO Rex Tillerson told Wall Street analysts that the company plans to spend $37 billion a year through 2016 (about $100 million a day) searching for yet more oil and gas.
There's not a more reckless man on the planet than Tillerson. Late last month, on the same day the Colorado fires reached their height, he told a New York audience that global warming is real, but dismissed it as an "engineering problem" that has "engineering solutions." Such as? "Changes to weather patterns that move crop-production areas around – we'll adapt to that." This in a week when Kentucky farmers were reporting that corn kernels were "aborting" in record heat, threatening a spike in global food prices. "The fear factor that people want to throw out there to say, 'We just have to stop this,' I do not accept," Tillerson said. Of course not – if he did accept it, he'd have to keep his reserves in the ground. Which would cost him money. It's not an engineering problem, in other words – it's a greed problem.
You could argue that this is simply in the nature of these companies – that having found a profitable vein, they're compelled to keep mining it, more like efficient automatons than people with free will. But as the Supreme Court has made clear, they are people of a sort. In fact, thanks to the size of its bankroll, the fossil-fuel industry has far more free will than the rest of us. These companies don't simply exist in a world whose hungers they fulfill – they help create the boundaries of that world.
Left to our own devices, citizens might decide to regulate carbon and stop short of the brink; according to a recent poll, nearly two-thirds of Americans would back an international agreement that cut carbon emissions 90 percent by 2050. But we aren't left to our own devices. The Koch brothers, for instance, have a combined wealth of $50 billion, meaning they trail only Bill Gates on the list of richest Americans. They've made most of their money in hydrocarbons, they know any system to regulate carbon would cut those profits, and they reportedly plan to lavish as much as $200 million on this year's elections. In 2009, for the first time, the U.S. Chamber of Commerce surpassed both the Republican and Democratic National Committees on political spending; the following year, more than 90 percent of the Chamber's cash went to GOP candidates, many of whom deny the existence of global warming. Not long ago, the Chamber even filed a brief with the EPA urging the agency not to regulate carbon – should the world's scientists turn out to be right and the planet heats up, the Chamber advised, "populations can acclimatize to warmer climates via a range of behavioral, physiological and technological adaptations." As radical goes, demanding that we change our physiology seems right up there.
Environmentalists, understandably, have been loath to make the fossil-fuel industry their enemy, respecting its political power and hoping instead to convince these giants that they should turn away from coal, oil and gas and transform themselves more broadly into "energy companies." Sometimes that strategy appeared to be working – emphasis on appeared. Around the turn of the century, for instance, BP made a brief attempt to restyle itself as "Beyond Petroleum," adapting a logo that looked like the sun and sticking solar panels on some of its gas stations. But its investments in alternative energy were never more than a tiny fraction of its budget for hydrocarbon exploration, and after a few years, many of those were wound down as new CEOs insisted on returning to the company's "core business." In December, BP finally closed its solar division. Shell shut down its solar and wind efforts in 2009. The five biggest oil companies have made more than $1 trillion in profits since the millennium – there's simply too much money to be made on oil and gas and coal to go chasing after zephyrs and sunbeams.
Much of that profit stems from a single historical accident: Alone among businesses, the fossil-fuel industry is allowed to dump its main waste, carbon dioxide, for free. Nobody else gets that break – if you own a restaurant, you have to pay someone to cart away your trash, since piling it in the street would breed rats. But the fossil-fuel industry is different, and for sound historical reasons: Until a quarter-century ago, almost no one knew that CO2 was dangerous. But now that we understand that carbon is heating the planet and acidifying the oceans, its price becomes the central issue.
If you put a price on carbon, through a direct tax or other methods, it would enlist markets in the fight against global warming. Once Exxon has to pay for the damage its carbon is doing to the atmosphere, the price of its products would rise. Consumers would get a strong signal to use less fossil fuel – every time they stopped at the pump, they'd be reminded that you don't need a semimilitary vehicle to go to the grocery store. The economic playing field would now be a level one for nonpolluting energy sources. And you could do it all without bankrupting citizens – a so-called "fee-and-dividend" scheme would put a hefty tax on coal and gas and oil, then simply divide up the proceeds, sending everyone in the country a check each month for their share of the added costs of carbon. By switching to cleaner energy sources, most people would actually come out ahead.
There's only one problem: Putting a price on carbon would reduce the profitability of the fossil-fuel industry. After all, the answer to the question "How high should the price of carbon be?" is "High enough to keep those carbon reserves that would take us past two degrees safely in the ground." The higher the price on carbon, the more of those reserves would be worthless. The fight, in the end, is about whether the industry will succeed in its fight to keep its special pollution break alive past the point of climate catastrophe, or whether, in the economists' parlance, we'll make them internalize those externalities.
It's not clear, of course, that the power of the fossil-fuel industry can be broken. The U.K. analysts who wrote the Carbon Tracker report and drew attention to these numbers had a relatively modest goal – they simply wanted to remind investors that climate change poses a very real risk to the stock prices of energy companies. Say something so big finally happens (a giant hurricane swamps Manhattan, a megadrought wipes out Midwest agriculture) that even the political power of the industry is inadequate to restrain legislators, who manage to regulate carbon. Suddenly those Chevron reserves would be a lot less valuable, and the stock would tank. Given that risk, the Carbon Tracker report warned investors to lessen their exposure, hedge it with some big plays in alternative energy.
"The regular process of economic evolution is that businesses are left with stranded assets all the time," says Nick Robins, who runs HSBC's Climate Change Centre. "Think of film cameras, or typewriters. The question is not whether this will happen. It will. Pension systems have been hit by the dot-com and credit crunch. They'll be hit by this." Still, it hasn't been easy to convince investors, who have shared in the oil industry's record profits. "The reason you get bubbles," sighs Leaton, "is that everyone thinks they're the best analyst – that they'll go to the edge of the cliff and then jump back when everyone else goes over."
So pure self-interest probably won't spark a transformative challenge to fossil fuel. But moral outrage just might – and that's the real meaning of this new math. It could, plausibly, give rise to a real movement.
Once, in recent corporate history, anger forced an industry to make basic changes. That was the campaign in the 1980s demanding divestment from companies doing business in South Africa. It rose first on college campuses and then spread to municipal and state governments; 155 campuses eventually divested, and by the end of the decade, more than 80 cities, 25 states and 19 counties had taken some form of binding economic action against companies connected to the apartheid regime. "The end of apartheid stands as one of the crowning accomplishments of the past century," as Archbishop Desmond Tutu put it, "but we would not have succeeded without the help of international pressure," especially from "the divestment movement of the 1980s."
The fossil-fuel industry is obviously a tougher opponent, and even if you could force the hand of particular companies, you'd still have to figure out a strategy for dealing with all the sovereign nations that, in effect, act as fossil-fuel companies. But the link for college students is even more obvious in this case. If their college's endowment portfolio has fossil-fuel stock, then their educations are being subsidized by investments that guarantee they won't have much of a planet on which to make use of their degree. (The same logic applies to the world's largest investors, pension funds, which are also theoretically interested in the future – that's when their members will "enjoy their retirement.") "Given the severity of the climate crisis, a comparable demand that our institutions dump stock from companies that are destroying the planet would not only be appropriate but effective," says Bob Massie, a former anti-apartheid activist who helped found the Investor Network on Climate Risk. "The message is simple: We have had enough. We must sever the ties with those who profit from climate change – now."
Movements rarely have predictable outcomes. But any campaign that weakens the fossil-fuel industry's political standing clearly increases the chances of retiring its special breaks. Consider President Obama's signal achievement in the climate fight, the large increase he won in mileage requirements for cars. Scientists, environmentalists and engineers had advocated such policies for decades, but until Detroit came under severe financial pressure, it was politically powerful enough to fend them off. If people come to understand the cold, mathematical truth – that the fossil-fuel industry is systematically undermining the planet's physical systems – it might weaken it enough to matter politically. Exxon and their ilk might drop their opposition to a fee-and-dividend solution; they might even decide to become true energy companies, this time for real.
Even if such a campaign is possible, however, we may have waited too long to start it. To make a real difference – to keep us under a temperature increase of two degrees – you'd need to change carbon pricing in Washington, and then use that victory to leverage similar shifts around the world. At this point, what happens in the U.S. is most important for how it will influence China and India, where emissions are growing fastest. (In early June, researchers concluded that China has probably under-reported its emissions by up to 20 percent.) The three numbers I've described are daunting – they may define an essentially impossible future. But at least they provide intellectual clarity about the greatest challenge humans have ever faced. We know how much we can burn, and we know who's planning to burn more. Climate change operates on a geological scale and time frame, but it's not an impersonal force of nature; the more carefully you do the math, the more thoroughly you realize that this is, at bottom, a moral issue; we have met the enemy and they is Shell.
Meanwhile the tide of numbers continues. The week after the Rio conference limped to its conclusion, Arctic sea ice hit the lowest level ever recorded for that date. Last month, on a single weekend, Tropical Storm Debby dumped more than 20 inches of rain on Florida – the earliest the season's fourth-named cyclone has ever arrived. At the same time, the largest fire in New Mexico history burned on, and the most destructive fire in Colorado's annals claimed 346 homes in Colorado Springs – breaking a record set the week before in Fort Collins. This month, scientists issued a new study concluding that global warming has dramatically increased the likelihood of severe heat and drought – days after a heat wave across the Plains and Midwest broke records that had stood since the Dust Bowl, threatening this year's harvest. You want a big number? In the course of this month, a quadrillion kernels of corn need to pollinate across the grain belt, something they can't do if temperatures remain off the charts. Just like us, our crops are adapted to the Holocene, the 11,000-year period of climatic stability we're now leaving... in the dust.
This story is from the August 2nd, 2012 issue of Rolling Stone.