segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Fracasso do COP15 deriva do fracasso do modelo econômico

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Assusta e muito a forma como estamos sendo incapazes de enxergar os limites da Terra para a humanidade, não só no quesito clima, mas em muitos outros. Existe uma passagem na bíblia na qual Deus pergunta a Joh: “Por ventura foste tu que deste lei à luz da manhã?” A cegueira dos economistas então nem se fale, quando faço essas perguntas, eles oferecem um silêncio ignominioso, embora esteja mais do que provado há mais de 50 anos que a teoria econômica tem todos os seus postulados e princípios de conservação que modelam todas as suas pilastras na mecânica clássica. O significado disso é um dos maiores erros teóricos que se teve notícia: dentro desse corpo teórico, a economia é vista como totalmente independente do meio ambiente e, para piorar, o meio ambiente é considerado inesgotável. A salvação tecnológica é a pá de cal desse modelo contrário a todas as evidências da realidade socioambiental. Nem a restrição territorial (o tamanho dos países é constante) é levada em conta e sobre um mesmo território cometemos o absurdo de adicionar estruturas crescentes, como carros e construções e casas, a maior parte deles absolutamente desnecessária, ruindo com os 20 serviços ecológicos que dão sustentação à vida. Não é só o clima que nos ameaça, aquecimento global não é o problema, mas um dos problemas. E não é o planeta que está ameaçado, somos nós, a ponto de Stephen Jay Gould ter dito sobre a maior extinção da vida registrada agora em curso: “É muita ingenuidade achar que essa extinção jamais irá se voltar contra os causadores.” A humanidade provocou a maior extinção de espécies animais e vegetais dos últimos 65 milhões de anos, a terceira maior de todas.

O erro segue sem correção: para os economistas, a economia pode ser maior que o planeta, ou na verdade, eles consideram o planeta um subsistema da economia. Alguém desse grupo tem noção do quanto isso é completamente fora da realidade? Essa visão econômica tem agradado os interlocutores gananciosos (nossa sociedade se tornou extremamente gananciosa) e criou a idéia falsa de escassez. Só existe escassez quando há ganância e necessidades ilimitadas, para um crescimento de coisas e pessoas também ilimitado. Embora a economia seja uma irmã siamesa bem menos desenvolvida que a física clássica, ignorou seus avanços e não se adaptou às novas formas de realidade sistêmica que vieram nos últimos 200 anos. Isso é mais surreal do que o fiasco da COP15. Essa visão equivocada é a razão desse fiasco.

Sinto calafrios quando ouço o discurso dos nossos políticos, imantado nessa visão megalomaníaca suicida dos economistas que criaram a economia como um bicho que não tem boca nem estômago (de onde vem os recursos pouco importa), nem intestino nem reto (para onde vão os resíduos pouco importa). É um sistema circulatório apenas, sem contato com as extremidades, poderia estar flutuando em marte e mesmo assim não precisaríamos adaptar a teoria em nada. Daí deriva a nossa adoração pelo deus crescimento econômico e aquilo que é considerado solução dos nossos problemas, é seu agravante. E o agravo é tal agora que não podemos contar mais com a possibilidade da vida ser sustentada pela Terra. Na verdade temos um conflito de identidade horroroso, não sabemos se somos deuses ou apenas mais uma espécie animal. Se formos o último e se a vida está ameaçada, não podemos contar que sairemos ilesos. Essa forma filosófica de encarar a questão é semelhante a dizermos: “Nunca morri até agora e isso significa que nunca irei morrer” ou “o planeta nunca expulsou a humanidade inteira, portanto isso nunca acontecerá.”

Na lista das excentricidades, dias antes da COP15, os Estados Unidos aprovaram seu orçamento militar de 2010: US$ 630 bilhões. Os chineses possuem só 16 ogivas nucleares, porque sabem que elas são suficientes para destruir a humanidade duas vezes. Os Estados Unidos possuem 60.000, pois o plutônio, subproduto da energia nuclear, é comprado continuamente como única forma de financiar a energia nuclear. A cada 10 anos, as ogivas têm que ser refeitas, um negócio, por assim dizer, da China, que talvez copie o modelo quando abandonar o carvão a favor do urânio. Por ora, carvão não é abandonado nem na China, nem no estado de Dakota nos Estados Unidos, porque os governantes dizem que se mudarem a matriz apenas por questões ambientais, isso inviabilizaria a economia. É a mágica das externalidades, custos relacionados ao nosso sistema que são socializados com todos e com o futuro, se fossem reconhecidos, descobriríamos que mais da metade do nosso progresso é falso e o sistema inteiro é insustentável. Esse mesmo mesmo argumento aparece na questão ambiental e agrícola da Amazônia. Graças aos economistas e seus modelos, tudo é regido pela total separação mesquinha: quanto mais viável economicamente for uma atividade, mais ambientalmente inviável ela é. Os economistas não se preocupam com isso, porque acreditam que nada é feito com o meio ambiente e os recursos da natureza são insignificantes e possuem substitutos perfeitos através da engenhosidade humana. Os físicos caem de costas ao ouvirem essas baboseiras.

Mas um ponto não pode passar despercebido: a total falta de finalidade de se ter 60.000 ogivas é equivalente a quantidade enorme de veículos, consumo estúpido, quantidade de lixo a cada minuto grotesca, casas gigantescas e obras absurdas como Dubai, transposição do Rio São Francisco, usina das Três Gargantas ou construção de novas usinas hidrelétricas na Amazônia. Tudo isso feito lado a lado com o colapso do transporte nas cidades, quando 50% da energia é desperdiçada no mundo todo, quando não existe mais relação alguma entre crescimento econômico e qualidade de vida ou bem estar. Se falta energia no mundo, é porque falta “produzir” mais energia, não é porque há excesso de demanda nem porque há desperdício. Se há fome no mundo, é porque falta “produzir” alimentos, não é porque há excesso de gente, desperdício e enormes ineficiências, como o consumo de carne. Adeus ecossistemas e a vida na Terra, esse será o resultado final da nossa visão de mundo. Estamos céleres a caminho desse resultado e tudo indica que somente quando o planeta revidar os estragos que fizemos, iremos repensar esse modelo que passou por uma degeneração socioambiental opressiva e acelerada, principalmente nos últimos 40 anos, mas que perto do que virá pela frente, será nada.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Fracasso da economia: como insistimos nos mesmos erros de sempre

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Enquanto ia para o aeroporto, conversando com o motorista, ele me relatou as quedas d´água do Rio Tietê. Eu havia acabado de mencionar a luta de um clube de iatistas idosos a margem do rio que estava para ser desativado. O motorista devia ser uma década mais velho que eu e então me dei conta que nossa sociedade e nosso ambiente foi totalmente destruído nesse curto lapso de tempo, ou seja, durante a minha vida.

Quando nasci em 1965, minha família paterna e materna moravam em São Paulo e nós em Santos. Na subida da serra, só existia a Anchieta. Toda a parte do Casqueiro, no sopé da serra e a serra propriamente dita não tinham os milhões de moradores nem todo aquele desastre ambiental. Mais adiante, quando íamos ao sítio de Cotia do meu saudoso tio Manoel, não havia uma casa na Raposo. Era só verde. Da casa do sítio víamos as matas ainda intactas. Hoje a casa foi cercada por um ziguilhão de casebres, a feiúra que tomou conta das cidades brasileiras é opressiva.

Nada mais pode ser opressivo do que a morte do Rio Tietê. Cheguei em Recife, cidade turística linda, que deixa São Paulo nos pés, no entanto, a população aprendeu a cuidar só do seu quintal e quando digo população, falo do mundo inteiro. No nosso individualismo, os espaços coletivos não existem e é onde chafurdam os menos afortunados. O calçamento de Recife a uma quadra da praia, lugar para se aproveitar o mar e a natureza, é horrível, os prédios amontoados, um acinte a boa imaginação. A única coisa que restou de bonito foi Olinda, justamente onde ainda há o calçamento antigo e a população prestimosa, mesmo que sem recursos cuidando de tudo. O mais importante é que ricos e pobres hoje não tem mais noção de espaço coletivo e a única coisa que nos importa é nossos carros e nossas casas. Se o resto tiver todo podre e corroído, feio de dar dó, ignoramos.

Quando chegávamos em São Paulo, na casa da nossa saudosa tia Lourdes, os prédios da região da avenida Paulista não tinham grades. Na verdade, o prédio da Tilú era misto, comercial e residencial e unido pela Brigadeiro Luís Antônio e a rua de trás, Santa Branca. As pessoas passavam por ali e nenhum morador tinha medo. Hoje os prédios tem grades e guaritas por todos os lados. Essa é a maior prova da degradação social e do fracasso econômico, tudo isso aconteceu durante meu tempo de vida no qual vivemos o milagre econômico, mas os economistas, com seus modelos frios como tampas de mármores de túmulos, vão dizer que não, que seria pior sem o tal milagre. Um dia, quando mortos, eles verão as variáveis esquecidas. O banco de auto-atendimento, quando foi lançado, funcionava 24 horas. Hoje com a onda de seqüestros relâmpago que acontece a plena luz do dia, os bancos não são mais 24 horas. A campanha do Unibanco era o do banco 30 horas, 6 horas das agências mais as 24 horas dos caixas automáticos. Ninguém se lembra disso, como não se lembram do Rio Tietê de águas reluzentes 30 ou 40 anos atrás, nem a forma maluca como as transformações ocorreram ao nosso redor e nem lamentamos por elas.

Quando o taxista me contou que no rio Tietê ele e a molecada nadavam e brincavam no rio e que ali, onde passávamos, naquela rua cheia de fumaça, milhões de carros e gentes tristes era o lugar que ele passava a infância, nós dois quase choramos. “Moro em Bragança, lá é muito bom, mas as cidades pequenas querem ficar como São Paulo. Nosso presidente acha que desenvolvimento é isso.” Ganância e cegueira são nossos deuses, pensei. Junta a isso uma pitada de individualismo e de ignorância e temos a receita do nosso colapso. Iremos desaparecer da Terra. Não quis alertar o taxista sobre o nosso fim, apesar da evidência claraali diante dos nossos olhos do quanto insustentáveis nos tornamos e o quanto estamos destruindo a cada minuto a possibilidade da Terra continuar nos abrigando. Nem queria alertá-lo ao fato que é o planeta que dá as regras e não nós e qualquer religião será útil se melhorarmos nosso relacionamento entre nós e com o planeta e isso significa entender que somos interdepentendes, limitados, que o planeta é finito, que todos os seres vivos dependem de todos os seres vivos e que é divina essa relação misteriosa e indiscutível que sustenta nossas vidas.

Em Santos dormíamos de portas abertas, na praia, íamos à noite justamente porque era escuro, não tinha iluminação e minha mãe tocava violão com seus amigos enquanto a criançada dormia por ali mesmo e, de forma boêmia, íamos embora todos muito tarde, debaixo de um céu ainda estrelado e no ruído das ondas. Sem saber tudo aquilo estava no fim. A praia ganhou iluminação extensa, por causa da criminalidade, drogas principalmente. Tudo ficou muito perigoso, ter um filho por aí, é não ter mais a certeza de nada. Nunca tivemos, mas agora, nunca foi tão incerto como antes. Nós e a molecada tínhamos o hábito de dizer: “Mãe, tou indo brincar na rua.” E íamos, depois da escola e dos deveres da escola, ficamos na rua com as brincadeiras de sempre: pipa, bicicleta, bolinha de gude, figurinhas, esconde-esconde, pega-pega, bola. Que criança brinca na rua hoje em dia?

O Rio Tietê foi canalizado, seco, direcionado. As várzeas foram tomadas por construções e os prédios possuem bombas para drenar a água que brota continuamente do solo. Nas chuvas e fase de enchentes do rio, tudo é inundado, não importa, é a natureza que manda. Nós decidimos fazer a transposição do Rio São Francisco com a mesma visão de 50 anos atrás, quando uma técnica mostrou que aquilo que foi feito com o rio Tietê era a visão da época, que se mostrou errada. No mundo todo existe a preocupação de devolver os rios para os seus leitos originais, nós vamos na direção oposta, ainda acreditando que mandamos na natureza. A colheita dos nossos erros mal começou e ainda insistimos neles, com a impermeabilização de mais pistas nas marginais e construção do Rodoanel no meio da APA Bororé, com a finalidade de viabilizar o já completamente insustentável modelo de transporte por caminhões e carros particulares.

O rio Tietê morreu. Ninguém foi no seu velório. Só as imagens do meu amigo taxista restaram do rio com seus peixes, que na época da sua reprodução, lutavam como loucos para subir as quedas d´água. Hoje não há nenhum peixe, como nos mares do norte da Europa e da China ou em vários lugares do Canadá e dos Estados Unidos, por conta da nossa poluição e lixo incansável inundando diária e continuamente nossas terras, águas e oceanos.

E os economistas e os governos dizem que estão trabalhando para melhorar nas nossas vidas. Fazendo as mesmas coisas que eles fizeram e acreditam nos últimos 40 anos. E esperando resultados diferentes. Na verdade eles trabalham para manter o piorar os problemas que existem à nossa volta como única forma de justificarem a sua existência ou importância e nós, burramente, aceitamos.

Einstein escreveu que se as abelhas sumissem, os animais sumiriam e com eles os homens, em quatro anos. Depois ele escreveu que o maior sintoma de loucura dos tempos atuais é querer fazer sempre as mesmas coisas esperando resultados diferentes. E que a imaginação é mais importante que o conhecimento.

Hugo Penteado

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Faxineiros são mais valiosos para a sociedade do que banqueiros, diz estudo

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Mas alguém tinha dúvida disso? E jogador de futebol e as giseles bunchens, anas marias bregas e xuxas da vida? porque eles ganham milhões, constroem iates e neverlands, quando um professor de escola pública tem que arcar com seus próprios recursos para ter o mínimo para dar aula???

O valor, por causa das nossas almas pequenas que gostam de carros grandes, está onde a gente não vê.

E quando a gente quiser ver, parece que vai ser tarde demais, ou já é tarde demais.

Esse é o nosso papel no planeta - direto das crueldades para a via das injustiças e destruição planetária.

Parece sonho, que um dia espero acordar.

Faxineiros são mais valiosos para a sociedade do que banqueiros, diz estudo

Martin Shankleman

Da BBC News

Faxineiros em hospitais gerariam mais valor que banqueiros

Pessoas que trabalham fazendo faxina em hospitais têm mais valor para a sociedade do que os funcionários de alto escalão de um banco, concluiu um estudo britânico.

A pesquisa, feita pelo instituto de pesquisas New Economics Foundation, concluiu que o faxineiro de um hospital gera cerca de R$ 30 de valor para cada R$ 3 que recebe.

Já o funcionário do banco (aquele com salário anual a partir de RS$ 1,5 milhão) é um peso para a sociedade por conta dos danos que a categoria causou para a economia global, diz o estudo.

Os especialistas envolvidos no trabalho calculam que este trabalhador destrói cerca de R$ 21 para cada R$ 3 que ganham.

Recomendações

Altos executivos de agências de publicidade, por outro lado, "criam estresse", porque são responsáveis por campanhas que geram insatisfação e infelicidade, além de encorajar consumo excessivo.

E contadores prejudicam o país ao criar esquemas para diminuir a quantidade de dinheiro disponível para o governo, diz a pesquisa.

Já os profissionais em atividades como cuidar de crianças ou reciclar lixo estão fazendo trabalhos que geram riqueza para o país.

A equipe da New Economics Foundation usou uma nova fórmula para avaliar diferentes profissões e calcular a contribuição total que cada uma oferece à sociedade, incluindo, pela primeira vez, seu impacto sobre a comunidade e o meio ambiente.

A porta-voz da fundação, Eilis Lawlor, disse: "Faixas salariais com frequência não refletem o valor real que está sendo gerado. Enquanto sociedades, precisamos de uma estrutura de pagamentos que recompense os trabalhos que geram mais benefícios para a sociedade, não aqueles que geram lucro às custas da sociedade e do meio ambiente".

"Deveria haver uma relação entre o que recebemos e o valor que o nosso trabalho gera para a sociedade. Encontramos uma forma de calcular isso", completa.

O estudo da New Economics Foundation também faz recomendações para uma política de maior alinhamento dos salários com o valor do trabalho.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Tesouro perderá R$ 10 bi com anistia a desmatador

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Infelizmente os governantes do mundo todo ainda não entenderam a contribuição inigualável e irreproduzível da natureza e do planeta.

Ainda não entenderam que quem dá as regras é o planeta e não eles, nem a economia, nem os economistas cegos que falam o que todos querem ouvir: CRESCER CRESCER CRESCER e morrer como vírus asfixiado.

Não há uma só variável no modelo dos economistas - e por conseguinte no plano dos nossos governantes - que contabilize sequer a contribuição da água sem a qual não teríamos nada, quiça todos os serviços ecológicos que nos sustentam e que não podemos prescindir deles.

Economia separada totalmente do meio ambiente, como se o ser humano pudesse estar separado do ar que respira, é um dos erros principais dos nossos "famosos" economistas.

Hugo

São Paulo, sexta-feira, 11 de dezembro de 2009


Tesouro perderá R$ 10 bi com anistia a desmatador

Meio Ambiente diz que medida não estava prevista em acordo com Agricultura

Decisão foi incluída em programa que também adia punição a produtor rural com desmate ilegal; "Vou pedir para mudar" diz Minc

MARTA SALOMON

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Além de adiar até 2012 a punição de proprietários rurais que desrespeitaram o limite de corte de vegetação nativa em suas terras, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu suspender a cobrança de multas aplicadas aos desmatadores que passarem a cumprir a lei. O valor da anistia é estimado em R$ 10 bilhões e é similar à despesa anual do Bolsa Família.

O cálculo foi feito com base nas multas aplicadas pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). O instituto cobra cerca de R$ 13 bilhões em multas, e a maior parte delas pune desmate ilegal.

A anistia faz parte do programa Mais Ambiente, criado por decreto presidencial a ser publicado na edição de hoje do "Diário Oficial da União".

O programa é a resposta de Lula à pressão de ruralistas, que resistiam a cumprir a exigência de registro da área de reserva legal de suas propriedades. A reserva varia entre 20% e 80% do tamanho da propriedade, dependendo da região do país. Na Amazônia é de 80%.

As punições deveriam ter entrado em vigor no ano passado. Decreto presidencial já havia adiado o prazo em um ano. Amanhã, o diário oficial dará mais tempo aos ruralistas.

Até junho de 2011, não haverá nenhuma punição. A partir daí, o decreto ainda prevê prazo de até um ano e quatro meses para a notificação dos infratores e a adesão ao programa de regularização. Só depois haverá cobrança de multas diárias de até R$ 500 por hectare de terra desmatada ilegalmente.

A intenção do decreto é abrir caminho para que proprietários de terra do país comecem a cumprir o que diz o Código Florestal, desde 1965. Segundo a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), mais de 90% dos produtores não registraram a reserva legal porque não detêm mais áreas equivalentes de vegetação nativa em suas propriedades.

Os ruralistas pressionavam pelo fim da exigência da reserva legal. O ministro Reinhold Stephanes defendia adiar todo o decreto de punição de crimes ambientais por dois anos. Os ambientalistas resistiam. A decisão final de Lula foi tomada em reunião anteontem à noite.

Verdade inconveniente

Ontem, ao tomar conhecimento de detalhes do decreto lidos pela assessoria da Casa Civil à Folha, o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) reagiu à anistia aos produtores multados. "Se for isso, vou pedir para mudar, o acordo não era esse, isso vai ter de ser corrigido."

Segundo a Casa Civil, ao firmar compromisso de recompor a reserva legal ou compensar o desmatamento, o proprietário rural "terá suspensa a cobrança de multas aplicadas" em várias situações de desmatamento, e não apenas a falta de registro da reserva legal.

Minc defendeu as demais facilidades aos proprietários que aceitem regularizar suas terras. "É desagradável adiar, mas a verdade inconveniente é que não se cumpria a lei no país." Procurado pela Folha, Stephanes disse que só se manifestará após a publicação do decreto.

O combate ao desmatamento responde pela principal parcela da meta de corte das emissões de gases de efeito estufa do país. A meta só aguarda a sanção de Lula para virar lei.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Novos Mitos

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A discussão sobre a questão ambiental planetária até agora não revogou – ou criticou duramente – o paradigma econômico atual e, ao contrário, criou novos mitos que o reforçam, como sustentabilidade, energia limpa, empregos verdes, investimentos em meio ambiente, economia de baixo carbono, metas de redução dos gases do efeito estufa. É muito simples entender porque cada um desses temas tão caros para o debate são novos mitos: eles seguem reafirmando a necessidade de crescimento econômico eterno como salvação ambiental e social. Até os graves problemas da China com a adição contínua de 70 nova-iorques por ano são vistos como benesses, onde a impossibilidade de preservação ambiental local e a enorme pressão sobre ecossistemas globais via comércio internacional são completamente ignoradas.

O mundo inteiro segue com projetos megalomaníacos e suicidas de crescimento e caminha para um colapso possivelmente total de sustentação da vida na Terra. Não haverá um centímetro quadrado sequer do planeta a salvo dessa transformação já em curso e que a elite pensante e iluminada ignora porque seus níveis de conforto continuam inalterados, ao lado de massas cada vez maiores de expropriados socioambientais.

Como revogar esses mitos e criar um novo paradigma? O caminho parece bem claro: ênfase no local, no conhecimento das diversas culturas, estancamento imediato do crescimento populacional e material, com moratória imediatamente decretada de construções e produções impactantes. Atenção a planos sociais ligados a atividade produtiva, com ênfase às três únicas áreas geradoras de empregos no mundo todo: a microempresa, o auto-emprego e os produtos sem marca. Desmaterialização da economia, com alteração de rotas importantes, do transporte privado para o coletivo e público, fim do desperdício que gera uma pressão insustentável e injustificável sobre os estoques de matéria e energia, cujo desgaste e esfacelamento dos serviços ecológicos são evidentes demais para insistirmos no mesmo erro que precisamos de mais para ter mais, quando na verdade temos menos.

Acato sugestões, há algumas por aí?

Hugo Penteado

domingo, 6 de dezembro de 2009

Por que Marina Silva?

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Por que Marina Silva?

Porque é a única candidata e está entre os poucos políticos desse país capaz de se preocupar com o meio ambiente de forma sistêmica, como um problema econômico, social, como parte das nossas atividades e através da busca de um diálogo, saindo do lugar comum que basta a economia crescer que tudo estará bem, como vemos presente nas idéias e discursos de Dilma Roussef, José Serra, Lula, Fernando Henrique Cardoso, Paulo Maluf, Orestes Quércia e tantos outros.

O crescimento deveria ser um subproduto não buscado do modelo de desenvolvimento, cuja finalidade maior deveria ser o equilíbrio social e ambiental local, acima do global e acima dos interesses dos grandes centros econômicos e políticos. Até porque mesmo esses grandes centros tem sua sustentação dependente do que vamos fazer de agora em diante para reverter a enorme degradação social e ambiental à nossa volta – ou alguém ainda acha normal um jovem, um ser humano semelhante a nós, entrar num ônibus e jogar uma bomba para explodi-lo numa cidade que foi escolhida como sede das Olímpiadas? Ou alguém acha normal o Brasil ser sede das Olímpiadas quando a maior parte das escolas públicas não tem nem quadra poli-esportiva para serem usadas e os professores de educação física arcam com equipamentos do próprio bolso? Pois é, precisamos mostrar como anda a situação de esportes para os jovens das escolas públicas, só o ufanismo de termos sido escolhidos para sediar os jogos não basta.

A proposta de lei do Cristovam Buarque de obrigar os políticos a colocar seus filhos na escola pública (http://nossofuturocomum.blogspot.com/2009/11/projeto-de-lei.html) tem que se apoiada. Mais que isso: o transporte e os hospitais públicos deveriam ser obrigatórios para todos os políticos. A merenda escolar deveria ser entregue também para os filhos dos políticos: essa é a única forma deles provarem que prestam um bom serviço à população.

Só vamos melhorar o Brasil e a qualidade dos serviços públicos que o governo nos oferece e ao mesmo tempo mudar o modelo de desenvolvimento econômico que entrega de graça nossas florestas ao resto do mundo ganancioso e já em colapso, como a China e os Estados Unidos, com uma pessoa como a Marina Silva. Ela tem um histórico e um rico conhecimento sobre o quanto é importante redimensionar as idéias malucas dos economistas que acreditam ainda que o planeta é um subsistema das economias e que a economia pode ser maior que a Terra e preconizam o crescimento eterno esfacelador de todos os serviços ecológicos que nos sustentam como solução para todos os nossos males.

Sim, Marina Silva agora é a nossa única esperança. Quando penso na morte da Amazônia, que pode acontecer de uma hora para outra se insistirmos no seu desmatamento contínuo e na política de desenvolvimento suicida que já criou um deserto maior que a França e o Reino Unido dentro da nossa floresta, lembro imediatamente da Marina Silva, na sua ligação com Chico Mendes, na sua atitude heróica. A Amazônia é continuamente destruída e a cada dia amanhecemos com menos florestas, o mesmo ritmo de destruição dos países como a China e os Estados Unidos, que esgotaram tudo e só não entraram em colapso por conta do comércio internacional, que lhes dá acesso gratuito aos recursos da natureza de países cegos como o nosso, que não mudam o debate internacional cego à nossa volta e ainda elogiam suas investidas contra nós e nosso meio ambiente.

Só Marina Silva reduziria a pressão para construção de usinas hidrelétricas totalmente desnecessárias, pois basta cortar o desperdício e fazer atualização tecnológica da infra-estrutura de energia já existente (a Folha de São Paulo publicou várias matérias a esse respeito) e a oferta dobraria sem ser necessário nem Rio Madeira nem Belo Monte. É o planeta que dá as regras e não nós e há um limite que ainda não enxergamos para nossas atividades, bem como há uma total falta de sentido em manter um sistema econômico no qual de cada 150 dólares adicionados à riqueza mundial só 60 centavos chegam aos mais pobres. Ou alguém ainda acha que o crescimento econômico está voltado à liberdade e o desenvolvimento individual, à criação de empregos permanentes bem remunerados e não apenas temporários? Quando alguém vai entender que o emprego só se justifica quando a economia cresce e desaparece imediatamente no contrário e que não importa qual nível material a economia atinja, ele só se justifica se a economia for capaz de atingir um nível maior. Isso é um absurdo físico e planetário que assusta os cientistas, porque podemos deixar a Terra ainda banhada em sol entregue apenas à vida bacteriana se continuarmos nessa rota.

Só Marina Silva é capaz de entender e revogar esses absurdos. Mais ninguém. Os demais políticos e candidatos querem acabar com o Cerrado e a Amazônia e com o pouco que nos resta, para exportar o que não precisamos para nosso consumo próprio e manter a megalomania de nações que ainda não entenderam que a conta chegou através das atuais mudanças climáticas, da contínua extinção da vida (a maior dos últimos 65 milhões de anos) e da ruína dos serviços ecológicos, como polinização e água.

Só Marina Silva.


Hugo Penteado

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Centrar o debate no aquecimento global é um erro maior do que duvidar dele

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Segue abaixo texto do João Pereira Coutinho e minha resposta.
Abraço a todos Hugo

JOÃO PEREIRA COUTINHO

Santos e pecadores

Não se pode transformar o aquecimento global em uma nova religião


SOU ALTAMENTE suspeito. Aquecimento global? Talvez exista. Cientistas vários garantem que o mundo aqueceu 0,5ºC desde 1975. Não duvido. Como não duvido que o mundo arrefeceu entre 1940 e 1975. Como não duvido que aqueceu entre 1920 e 1940. Como não duvido que arrefeceu, e arrefeceu brutalmente, entre os séculos 17 e 18. Como não duvido que aqueceu no século 11, proporcionando um período de verdadeira explosão demográfica, econômica e técnica na Idade Média que só seria repetida com a Revolução Industrial. E daí?
Variações climatéricas fazem parte da nossa história na Terra. Aliás, da nossa Pré-História. A questão está em saber se o aquecimento global é produto da ação humana e, em caso afirmativo, se repousa nas mãos dos homens a chave para salvar a nossa vida coletiva.
Acompanho os debates. Leio com interesse. Pondero. Uma única certeza: não existem certezas. E é literalmente impossível avaliar a real contribuição do homem para as concentrações de dióxido de carbono na atmosfera (a natureza, por exemplo, é responsável pela maior parcela de emissões).
A juntar a tudo isso, alguns cientistas garantem que a atividade solar, variável em sua intensidade cíclica, tem uma palavra sobre o assunto. E não é de excluir que a estabilização da temperatura desde o início do presente século (um desconfortável mistério que tem dividido a comunidade científica) seja resultado direto dessas variações. Que fazer?
Um conselho: não transformar o aquecimento global em nova religião da humanidade. Não é fácil, eu sei: com o declínio das teologias tradicionais no Ocidente cristão, os homens sempre se apressaram a preencher o vazio ideológico com causas redentoras.
O marxismo foi uma delas, com a sua promessa de substituir o reino de Deus pelo reino do Proletariado.
Com a falência da utopia vermelha, veio a utopia verde. E com vantagens: o aquecimento global oferece, em linguagem "científica", algumas das pragas bíblicas mais entranhadas na consciência comum. Basta ouvir os catastrofistas para imaginar glaciares que derretem, águas que sobem. Só falta mesmo Noé e a arca.
O meu conselho final seria deixar para a ciência uma discussão que é sobretudo científica. Acontece que a ciência dá sinais de manipulação e fraude. No momento em que o mundo se prepara para discutir o futuro do clima em Copenhague, o sistema informático da Universidade de East Anglia foi atacado por "hackers" que divulgaram na internet cerca de mil e-mails e 3.000 documentos da reputada Unidade de Pesquisa do Clima.
Esclarecimento prévio: a Unidade de Pesquisa do Clima de East Anglia é o centro nevrálgico da discussão climatérica atual. É com base nas suas "pesquisas" e "projeções" que o aquecimento global entrou na agenda política das Nações Unidas e dos 192 países que se irão encontrar na capital da Dinamarca.
Infelizmente, as revelações são assustadoras (para dizer o mínimo).
Lendo os e-mails, cuja autenticidade não foi desmentida, encontramos "cientistas" que, em nome da sua "cruzada" (uso o termo no sentido próprio), manipulavam os dados para garantir um quadro de indesmentível aquecimento; que recusavam o acesso de outros cientistas às suas investigações (alegando, por vezes, perda ou destruição de dados); e que conspiravam para impedir a publicação de ensaios "céticos" sobre o aquecimento global em revistas da especialidade.
Todos sabemos que os cientistas não são santos, como dizia Marcelo Leite nesta Folha. Fato. Mas existe uma diferença entre não ser santo e pertencer à família Soprano.
E agora? Agora, o mundo prepara-se para reunir em Copenhague e garantir uma redução de 50% nas emissões de CO2 até 2050, tendo como referência os valores anteriores a 1990.
Não vale a pena repetir as consequências econômicas desastrosas que uma medida dessas teria para todos os envolvidos, e em especial para os países em vias de desenvolvimento: o uso de energias mais caras e "limpas" condenaria largas parcelas da humanidade a novos ciclos de pobreza, fome e doença.
O problema é mais básico e urgente: confrontados com um escândalo científico dessa proporção, qualquer decisão política e econômica sobre o aquecimento global antropogênico não pode ser tomada com base em falsidades.
Antes de limpar o mundo, o mundo deveria exigir que os cientistas limpassem as suas cabeças primeiro. P.S. O colunista vai de férias em dezembro. Regressa dia 5 de janeiro.

jpcoutinho@folha.com.br

minha resposta

Prezado João Pereira Coutinho,

Você tem toda razão, aquecimento global não deve ser transformado em religião, até porque ele não é o nosso único problema nem o principal. Pouco se fala da maior extinção em massa de espécies animais e vegetais dos últimos 65 milhões de anos causada pela humanidade que, assim como a questão do clima, vem sendo estudada há décadas. Essa extinção é assustadora, porque de acordo com Stephe Jay Gould é muita ingenuidade achar que jamais irá se voltar contra os causadores. Por dia, perdemos dezenas senão centenas de espécies. Aqui na Terra todos os seres vivos dependem de todos os seres vivos. Toda espécie animal que não for capaz de compartilhar o meio ambiente com as demais espécies está fadada ao desaparecimento, segundo a autora do livro Biomimicry. As civilizações anteriores desapareceram da Terra sem emitir um quilograma sequer de gases do efeito estufa.

Em relação à denúncia sobre os estudiosos do clima até agora não consegui verificar a veracidade dos fatos e acho que é seu dever buscar esse levantamento do que simplesmente acreditar naquilo que pode fazer parte de uma conspiração. Toda a indústria do carvão e de combustíveis fósseis já se levantou contra o assunto aquecimento global e mudança climática (ambos não são a mesma coisa e não necessariamente estão relacionados). Uma descoberta minha que me assustou foi a questão do buraco da camada de ozônio. Quando os cientistas provaram que eram os gases fluorcarbonetos (CFC) que causavam a destruição do ozônio, a indústria reagiu negando. O maior produtor mundial de CFC conseguiu através de campanhas e lobbies retardar a ação para evitar esse estrago durante 10 anos. Detalhe que não pode ser ignorado: se o Ozônio desaparecer da Terra, toda a vida desaparece, o DNA é destruído pela radiação ultravioleta que o ozônio filtra. Era isso que estava em jogo, tanto quanto na questão do aquecimento global: a vida na Terra.

Existe uma diferença muito grande em relação ao desaparecimento de civilizações anteriores, buraco do ozônio e aquecimento global: os colapsos ambientais anteriores foram locais e restritos a pequenos povos ou setores industriais. O problema ambiental atual não está apenas relacionado com o aquecimento global nem com questões de energia, mas com um sistema econômico que pretende ser maior que o planeta e que ignora a sua extrema dependência em relação à natureza, até porque se baseia numa teoria econômica falsa. O risco é agora global e ele vai acontecer se não mudarmos esse conflito entre o sistema econômico e o meio ambiente, cuja escala atual e contínuo crescimento de estruturas, coisas e pessoas significa o atual colapso dos 20 serviços ecológicos dos quais dependemos para viver. Não é só uma questão de aquecimento global e mesmo os que acreditam nele deveriam ficar sumamente preocupados, porque todo o resto (como a ruína da água e o fim das florestas) é mais assustador. A extinção da vida já em curso mostra isso.

Centrar o debate no aquecimento global é um erro maior do que duvidar dele.

Poderia escrever muito mais, mas convido-o para um almoço para conversarmos.

Abraço

Hugo

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

“Marina vê o meio ambiente como oportunidade, Lula como empecilho”

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Por José Paulo Kupfer

Ninguém confirma, mas é quase um segredo de polichinelo que o empresário Guilherme Leal foi convidado pela senadora Marina Silva para vice-presidente na chapa em que ela pretende concorrer à presidência da República, em 2010, pelo Partido Verde. Não é por coincidência que Leal se filiou recentemente ao PV e tem sido visto ao lado de Marina Silva em muitas das atividades pré-eleitorais da senadora.

O paulista Guilherme Peirão Leal, 59 anos, não é um cristão novo na defesa das questões ambientais e do desenvolvimento sustentável. Leal é um dos três co-presidentes da Natura, gigante brasileira do setor de cosméticos e higiene pessoal, com presença de destaque em mercados latino-americanos. A Natura, que opera no sistema de venda porta-a-porta e conta com um milhão de vendedoras, é mundialmente conhecida pela preocupação com o uso sustentável dos recursos naturais – e, mais do que isso, pela difusão ativa de um modelo de negócios em que as questões sócio-ambientais ocupam lugar central.

Um dos 12 brasileiros na lista de bilionários da revista Forbes, Guilherme Leal, com formação em administração de empresas, fez fortuna relativamente rápido. Hoje, afastado do dia-a-dia da Natura, despacha num elegante escritório, decorado com móveis escuros de linhas contemporâneas e tapetes persas, que ocupa dois andares num prédio imponente, situado em área comercial nobre da zona sul de São Paulo.

Durante uma hora, na semana passada, Guilherme Leal conversou com blog sobre eleições, política, economia e, obviamente, meio ambiente e Marina Silva.

Leia a entrevista aqui.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Sobre Dubai

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Dubai called the attention of all markets, but this major impact was ignored. So, I added this comment at The Economist website:

After Dubai
A financial sandstorm
The global consequences of Dubai's debt problems

My comment:

That Dubai abnormal building spree was an ecological disaster. China expansion is also wholly unsustainable. We are still waiting the day when people will reorient money for more sustainable and possible ways. A construction and car production moratorium are among the urgent measures that should be implemented to avoid a planet collapse. China politburo announced today that “China may extend preferential tax policies for cars”, that is, to solve the current crisis, all governments are expanding money and demand for more goods and services purchases, more projects to create jobs, without realizing that it was just this measures that created the current mess and a possible planet collapse.

Population decreases will happen against our will with the ongoing climate changes. Instead of pressuring other countries natural resources and ecological services, it is urgent to all societies to achieve a balance between this suicidal economic system and the planet system. The last system is much more important: it is a big mistake to believe that the economic system can be bigger than the planet, as all economic fields propose and this absurd is defended by Paul Krugman, Joseph Stiglitz and others. We are Nature dependent, vulnerable animal specie and this never changed at all. Earth gives the rules, now we will have to adapt to our own mistakes.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Capacidade esgotada

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19/11/09
Agencia Fapesp
Os oceanos têm um papel fundamental na regulagem climática, absorvendo cerca de um quarto de todo o dióxido de carbono lançado pela ação humana. Agora, o primeiro levantamento ano a ano desse mecanismo desde a Revolução Industrial indica que os oceanos estão sofrendo para acompanhar o aumento nas emissões.

A consequência, apontam, poderá ser desastrosa para o clima no futuro do planeta. A pesquisa, feita nos Estados Unidos, foi publicada na edição desta quinta-feira (19/11) da revista Nature.

Samar Khatiwala, da Universidade Columbia, e colegas estimaram que os oceanos absorveram um recorde de 2,3 bilhões de toneladas de dióxido de carbono resultantes da queima de combustíveis fósseis em 2008. Mas, com o aumento na quantidade total de emissões, a proporção absorvida pelos oceanos desde 2000 caiu em cerca de 10%.

Modelos climáticos desenvolvidos anteriormente haviam previsto uma diminuição nesse processo, mas o novo estudo é o primeiro a quantificar essa queda.

Enquanto trabalhos anteriores haviam atribuído a mudança à diminuição do ozônio na estratosfera e a alterações na circulação oceânica induzidas pelas mudanças climáticas, a nova pesquisa sugere que o motivo é mais simples: os oceanos chegaram ao limite, tanto físico como químico, de sua capacidade de absorver o dióxido de carbono.

“Quanto mais dióxido de carbono, mais ácido fica o oceano, reduzindo a capacidade de manter o CO2”, disse Khatiwala. “Por causa dessa consequência, com o tempo o oceano se torna um repositório menos eficiente do carbono antrópico. A surpresa é que podemos estar diante das primeiras evidências disso, talvez combinado com a circulação mais lenta por causa do aumento nas emissões.”

Segundo o estudo, o acúmulo de carbono industrial nos oceanos aumentou enormemente na década de 1950, à medida que os oceanos passaram a tentar acompanhar o ritmo acelerado das emissões em todo o mundo.

As emissões continuaram a crescer e, no ano 2000, atingiram tal volume que os oceanos passaram a absorver menos CO2 proporcionalmente, ainda que o total em peso tenha continuado a aumentar. Hoje, segundo a pesquisa, os oceanos mantêm cerca de 150 bilhões de toneladas de carbono industrial, um terço a mais do que em meados da década de 1990.

Cerca de 40% do carbono entra nos oceanos por meio das águas geladas próximas à Antártica, porque o dióxido de carbono se dissolve mais rapidamente nas águas mais frias e mais densas do que nas mais quentes. Dali, as correntes transportam o carbono para o norte do planeta.

O artigo Reconstruction of the history of anthropogenic CO2 concentrations in the ocean, de Samar Khatiwala e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Projeto de Lei

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Uma idéia muito boa do Senador Cristovam Buarque.
Ele apresentou um projeto de lei propondo que todo político eleito (vereador, prefeito, deputado, etc.) seja obrigado a colocar os filhos na escola pública.

As conseqüências seriam as melhores possíveis.
Quando os políticos se virem obrigados a colocar seus filhos na escola pública, a qualidade do ensino no país irá melhorar. E todos sabem das implicações decorrentes do ensino público que temos no Brasil.

SE VOCÊ CONCORDA COM A IDÉIA DO SENADOR, DIVULGUE ESSA MENSAGEM.

Ela pode, realmente, mudar a realidade do nosso país.
O projeto PASSARÁ, SE HOUVER A PRESSÃO DA OPINIÃO PÚBLICA.

http://www.senado.gov.br/sf/atividade/Materia/detalhes.asp?p_cod_mate=82166

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 480, DE 2007
Determina a obrigatoriedade de os agentes públicos eleitos matricularem seus filhos e demais dependentes em escolas públicas até 2014.

PARABÉNS PARA O SENADOR CRISTOVAM BUARQUE.
BOA SORTE JUNTO A SEUS PARES.


IDÉIA SENSACIONAL!!!!

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº , DE 2007

PLS - PROJETO DE LEI DO SENADO, Nº 480 de 2007

Determina a obrigatoriedade de os agentes públicos eleitos matricularem seus filhos e demais dependentes em escolas públicas até 2014.

O CONGRESSO NACIONAL decreta:
Art. 1º
Os agentes públicos eleitos para os Poderes Executivo e Legislativo federais, estaduais, municipais e do Distrito Federal são obrigados a matricular seus filhos e demais dependentes em escolas públicas de educação básica.

Art. 2º
Esta Lei deverá estar em vigor em todo o Brasil até, no máximo, 1º de janeiro de 2014.
Parágrafo Único. As Câmaras de Vereadores e Assembléias Legislativas Estaduais poderão antecipar este prazo para suas unidades respectivas.

JUSTIFICAÇÃO
No Brasil, os filhos dos dirigentes políticos estudam a educação básica em escolas privadas. Isto mostra, em primeiro lugar, a má qualidade da escola pública brasileira, e, em segundo lugar, o descaso dos dirigentes para com o ensino público.
Talvez não haja maior prova do desapreço para com a educação das crianças do povo, do que ter os filhos dos dirigentes brasileiros, salvo raras exceções, estudando em escolas privadas. Esta é uma forma de corrupção discreta da elite dirigente que, ao invés de resolver os problemas nacionais, busca proteger-se contra as tragédias do povo, criando privilégios.
Além de deixarem as escolas públicas abandonadas, ao se ampararem nas escolas privadas, as autoridades brasileiras criaram a possibilidade de se beneficiarem de descontos no Imposto de Renda para financiar os custos da educação privada de seus filhos.
Pode-se estimar que os 64.810 ocupantes de cargos eleitorais – vereadores, prefeitos e vice-prefeitos, deputados estaduais, federais, senadores e seus suplentes, governadores e vice-governadores, Presidente e Vice-Presidente da República – deduzam um valor total de mais de 150 milhões de reais nas suas respectivas declarações de imposto de renda, com o fim de financiar a escola privada de seus filhos alcançando a dedução de R$ 2.373,84 inclusive no exterior. Considerando apenas um dependente por ocupante de cargo eleitoras.
O presente Projeto de Lei permitirá que se alcance, entre outros, os seguintes objetivos:
a) ético: comprometerá o representante do povo com a escola que atende ao povo;
b) político: certamente provocará um maior interesse das autoridades para com a educação pública com a conseqüente melhoria da qualidade dessas escolas.
c) financeiro: evitará a “evasão legal” de mais de 12 milhões de reais por mês, o que aumentaria a disponibilidade de recursos fiscais à disposição do setor público, inclusive para a educação;
d) estratégica: os governantes sentirão diretamente a urgência de, em sete anos, desenvolver a qualidade da educação pública no Brasil.
Se esta proposta tivesse sido adotada no momento da Proclamação da República, como um gesto republicano, a realidade social brasileira seria hoje completamente diferente. Entretanto, a tradição de 118 anos de uma República que separa as massas e a elite, uma sem direitos e a outra com privilégios, não permite a implementação imediata desta decisão.
Ficou escolhido por isto o ano de 2014, quando a República estará completando 125 anos de sua proclamação. É um prazo muito longo desde 1889, mas suficiente para que as escolas públicas brasileiras tenham a qualidade que a elite dirigente exige para a escola de seus filhos.
Seria injustificado, depois de tanto tempo, que o Brasil ainda tivesse duas educações – uma para os filhos de seus dirigentes e outra para os filhos do povo –, como nos mais antigos sistemas monárquicos, onde a educação era reservada para os nobres.
Diante do exposto, solicitamos o apoio dos ilustres colegas para a aprovação deste projeto.
Sala das Sessões,
Senador CRISTOVAM BUARQUE

terça-feira, 24 de novembro de 2009

ENTRAM REFINARIA E ESTALEIROS; SAEM O CAJU E A MANGABA

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Clóvis Cavalcanti

Até poucos anos, a chegada do mês de outubro anunciava um dado prazeroso do verão no litoral pernambucano: início da safra de caju. De repente, ruas, calçadas, beiras de estrada, mercados se enchiam de cestas (de folhas de coqueiro), balaios, rodas de cajus grandes, pequenos, tronchos, gordos, delgados, redondos, compridos, amarelos, rosas, vermelhos, cor-de-laranja. Uma variedade enorme – no estilo de ser da natureza (onde não há homogeneidade). Os cajus vinham dos quintais, das matas, de reservas naturais como as da região de Suape, Porto de Galinhas, Itamaracá. Fazia gosto ver a multiplicidade dessa fruta maravilhosa, de odor atraente e brilhante colorido, exibida nas ruas do Recife. Eu não resistia à visão do primeiro caju da safra em começo: comprava-o para comê-lo com uma lapada de cachaça antes do almoço (como via meus tios Ernande e Vivi fazerem, sob a reprovação de meu pai). Era um prêmio ao paladar, como sabem todos aqueles que conhecem essa combinação ímpar. Infelizmente, a beleza do caju nativo sumiu. Tem-se hoje, em seu lugar, um caju uniforme, padronizado, homogêneo, de linha de produção industrial, com frutos de mesmo tamanho e cor, arrumados não mais em cestas, balaios ou rodas, e sim em bacias de isopor: cajus clonados. Cajus que aparecem desde junho, sem brio, sem charme. As novas gerações ignoram a riqueza vegetal dos cajus pernambucanos verdadeiros, como também das doces mangabas cada vez mais raras.

E isso porque a destruição ambiental no litoral pernambucano é um dos exemplos mais lamentáveis da irresponsabilidade ecológica das políticas para promoção do que, afrontando o léxico, se chama de “desenvolvimento”. A decisão de construir o complexo de Suape, por exemplo, embutia uma lógica destruidora. Na época em que o projeto foi lançado, era total o desrespeito das iniciativas governamentais ao meio ambiente. Uma reação de ambientalistas pioneiros em 1975 chamou a atenção do público para o fato. Houve reações raivosas a esses opositores de Suape – entre os quais eu me incluía – e a propagação da idéia de que ser contra o complexo era um desserviço a Pernambuco (o mesmo dogma continua prevalecendo). Compreende-se a exploração do ufanismo infantil de quem vê na indústria, nos complexos portuários, na exploração do pré-sal, etc. a grande saída para os desafios do nosso desenvolvimento. Mas até que ponto isso faz sentido numa perspectiva de muito longo prazo – que é quando interessa discutir a sustentabilidade do progresso? A civilização do petróleo talvez esteja mais perto do fim do que estamos do surgimento do projeto de Suape. Em lugar dela teremos que caminhar para um paradigma com base na energia solar. Quando a era das tecnologias limpas tiver que prevalecer, os grandes projetos pernambucanos perderão validade – e teremos ficado também sem os cajus e as mangabas insubstituíveis. Um empobrecimento eterno.

No domingo passado (8.11.09), diante da explosão urbana de Casa Forte, o Diario trouxe reportagem sobre a perda de identidade desse bairro recifense (caderno Vida Urbana). Entre os assuntos abordados, a partir de uma pesquisa da Unicap, ressaltava-se que a maior parte do patrimônio verde de Casa Forte “está nos jardins e quintais de suas casas”. É o que se observa na Fundação Gilberto Freyre, nos Maristas de Apipucos, na Fundação Joaquim Nabuco (graças a isso, consigo ainda apanhar cajus para meu hábito de combiná-los com cachaça). O quintal da Casa de Saúde S. José, na av. 17 de Agosto, acaba de ser exterminado para dar lugar, sob a aprovação dos poderes competentes (sic) a um shopping. Mais uma contribuição para o desaparecimento de nossas frutas inigualáveis. Vitória – não definitiva, porém – da vida artificial sobre a perfeição da natureza.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Acordo de Copenhague não fará diferença em emissão

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Para professor da Universidade da Califórnia em San Diego, próximo tratado do clima corre o risco de cometer os mesmos erros do Protocolo de Kyoto

NUM MOMENTO em que o mundo pede pressa na negociação de um novo acordo do clima, a posição do cientista político americano David Victor parece bizarra: ele quer que os governos parem um pouco para conversar. Uns dois anos. Não é que Victor seja contra um acordo forte contra os gases-estufa. Ao contrário: o que ele quer, diz, é evitar que os diplomatas reunidos em Copenhague em dezembro produzam um acordo cheio de promessas impossíveis de cumprir.
DA REDAÇÃO

Victor diz temer um tratado que, no final das contas, não leve a uma redução significativa de emissões e ainda provoque desistências de alguns países no caminho. Um acordo assim já existe: o Protocolo de Kyoto, que tem metas pífias de redução para países desenvolvidos e que foi abandonado pelo maior poluidor do planeta, os EUA. "Estamos cometendo quase os mesmos erros que cometemos com Kyoto", afirma Victor, professor de Relações Internacionais da Universidade da Califórnia em San Diego e um dos mais célebres críticos do acordo no mundo acadêmico. Segundo o pesquisador, autor do livro "The Collapse of the Kyoto Protocol" ("O Colapso do Protocolo de Kyoto"), de 2001, a falta de negociações sérias no ano passado, a extrema complexidade do tema e o número alto de países na mesa (190) têm tudo para produzir em Copenhague um repeteco de Kyoto. "Não há chance nenhuma de que Copenhague sozinha vá produzir um acordo que fará diferença nas emissões", afirmou. "É inevitável que o mundo terá um aquecimento muito grande, mesmo que os governos resolvam levar o problema a sério." Na semana passada, em artigo na revista científica "Nature", Victor propôs que Copenhague produza um acordo provisório e que os principais países poluidores, entre os quais o Brasil, comecem a sério a discutir políticas de redução. Em entrevista à Folha, ele explica sua ideia. (CLAUDIO ANGELO)

FOLHA - Há um grau de interesse público enorme na conferência de Copenhague. Por quê? DAVID G. VICTOR - Eu acho que virou um grande assunto porque é o próximo grande marco na discussão de clima. O último grande marco foi Kyoto, e Copenhague é a extensão lógica de Kyoto, porque é a data-limite para o tratado substituto. Então é por isso que muitas pessoas começaram a acompanhar o assunto. E muitas empresas também, porque isto se tornou uma grande questão para a maneira como elas operam.

FOLHA - Será que, por causa desse interesse das empresas, o combate à mudança climática não aconteceria mesmo sem um acordo? VICTOR - O que acontece agora é que o que a maioria dos países está fazendo é o que eles fariam mesmo na ausência de um tratado. Os europeus estão muito preocupados com a mudança climática e estão correndo para fazer o que têm feito, os EUA estão fazendo um um pouquinho, o Brasil está um pouco envolvido. O desafio para os diplomatas é produzir um acordo que faça os países fazerem mais do que fariam sozinhos.

FOLHA - Quais são as chances de que Copenhague vá produzir um acordo significativo para o clima? VICTOR - Não há chance nenhuma de que Copenhague sozinha vá produzir um acordo que fará diferença nas emissões, porque os processos industriais e de agricultura que causam emissões mudam muito lentamente. O máximo que podemos esperar de Copenhague é mais um passo num longo processo de botar pressão nas atividades que causam emissões.

FOLHA - O sr. publicou em 2001 um livro chamado "O Colapso do Protocolo de Kyoto", no qual explicava por que o acordo havia falhado. Nesta semana, escreveu um artigo para a revista "Nature" dizendo que o acordo de Copenhague também ruma para o fracasso. Quais são os problemas de um e de outro? VICTOR - O principal é que as pessoas não tratam esse assunto como o problema econômico sério que ele é. Elas ainda o tratam como um problema ambiental. Quando você pensa isso como um problema ambiental, você tem um conjunto de ferramentas no kit dos diplomatas: você fixa metas progressivas, dá só um par de anos para a negociação, as pessoas que negociam são ministros de Ambiente. Essas ferramentas funcionam muito bem para problemas ambientais, mas o aquecimento global é um tipo de problema totalmente diferente. Estamos hoje, em pleno processo rumo a Copenhague, cometendo quase os mesmos erros que fizemos com Kyoto.

FOLHA - Que foram... VICTOR - Que foram: quase nenhuma negociação séria sobre compromissos aconteceu no ano que antecedeu a assinatura de Kyoto. O mesmo está acontecendo agora. O número de assuntos na mesa é imenso. O número de países é maciço. Parece que não aprendemos nada com a experiência de Kyoto, porque estamos repetindo-a. É por isso que eu fui tão pessimista no artigo da "Nature". Parte disso é porque o problema da mudança climática é muito, muito difícil de resolver. Parte disso é porque os instrumentos desenhados -os tratados, as organizações- não estão à altura da tarefa. E o que me preocupa é que nós vamos perder mais dez anos patinando, fingindo que estamos atacando o problema com organizações que não têm capacidade para isso. E o que eu acho que isso significa é que é inevitável que o mundo terá um aquecimento muito grande, mesmo que os governos resolvam levar o problema a sério. Eu não falo muito disso no artigo da "Nature", mas a consequência disso é que os governos terão de gastar muito mais tempo pensando em adaptação, em geoengenharia e em coisas que são preocupações quando você vê um futuro que terá um bocado de aquecimento global.

FOLHA - O Banco Mundial soltou um relatório nesta semana reconhecendo que será quase impossível não ultrapassarmos as 450 partes por milhão de CO2 na atmosfera, o nível considerado seguro. Qual o sr. acha que será a concentração final antes de estabilizarmos o clima? VICTOR - A meta de 450 partes por milhão só existe enquanto ninguém realmente tentar cumpri-la. Quando tentarem, verão que vamos passar longe dela. A meta de 2C que a União Europeia pôs na sua lei e que o G8 pôs no seu comunicado vai ser estourada.

FOLHA - O acordo não está certo e os instrumentos não estão à altura da tarefa, na sua opinião. Qual seriam o acordo certo e os instrumentos certos então? VICTOR - O que eu acho que precisa ser feito é separar as questões sobre as quais os governos já concordam com as questões sobre as quais é impossível haver acordo nos próximos dois anos. Na primeira categoria, o que você faz é um acordo provisório, que garanta os compromissos que os governos já se dispuseram a adotar. E aqui houve um enorme progresso: o Japão fez uma promessa neste ano, a União Europeia fez no ano passado, neste semestre, espero, os EUA farão uma promessa, a Índia e a China estão se preparando. Algo que possa cimentar essas propostas, para que os governos não fiquem chateados com a falta de progresso. A segunda coisa que você precisa fazer é iniciar um processo pelo qual os compromissos que os governos adotam um em relação ao outro possam ser mais orientados pelas coisas que eles podem de fato cumprir. Um dos problemas de Kyoto é que as pessoas chegaram lá fazendo promessas de corte de emissões que não podiam honrar. Precisamos de um processo que se concentre num punhado de governos: Brasil, Indonésia, EUA, UE, Japão, China. Esses governos podem se juntar e fazer promessas uns aos outros, e essas promessas não seriam só o que eles podem fazer já, mas também o que eles se dispõem a fazer caso outros governos façam mais.

FOLHA - Mas como esses compromissos condicionados seriam diferentes de metas voluntárias que não resolvem o problema? VICTOR - O melhor exemplo é o que a UE está fazendo agora. Eles têm uma meta, que é voluntária, e dizem: se vocês, nos outros países, fizerem coisas parecidas, nós aumentaremos para tanto. E não é esse o diálogo que estamos tendo. O único estilo de negociações que temos no momento é todo mundo falando o que vai fazer voluntariamente, e outros estão até mesmo dizendo que, se os outros não fizerem, eles não vão fazer nada.

FOLHA - O sr. também critica a pressa nas negociações. Mas nós não temos muito tempo, certo? Não podemos gastar mais dois anos falando sobre o assunto. VICTOR - Eu acho que esta é a realidade (risos). Temos dois caminhos a seguir: um, estamos numa crise e precisamos andar mais rápido e ter tudo finalizado em Copenhague. E o resultado desse caminho será outro Kyoto, onde os grandes países aderem ao acordo e outros não, onde as metas são aguadas e as pessoas ficam pensando que se fez algo a respeito, quando na verdade não há nenhuma estratégia séria. O segundo caminho, o que eu defendo, é que você precisa de mais tempo para que a negociação possa refletir o que os governos podem de fato fazer. E isso, infelizmente, é um processo lento. De uma maneira ou de outra, estaremos comprometidos com uma quantidade grande de aquecimento global.

FOLHA - Muita gente acha que o custo da mitigação vai se tornar proibitivo se demorarmos mais para fazer a emissões começarem a declinar. Além disso, há o temor de um colapso no mercado de carbono, que ficaria sem regra nenhuma depois de 2012, quando Kyoto expira.
VICTOR - A questão mais importante agora é a dos mercados de carbono. Ele precisa de um sinal muito claro de Copenhague de que os governos não vão deixar essas regulações desaparecerem. É por isso que você precisa de um acordo provisório.

FOLHA - Que elementos deveriam constar desse acordo "redux" de Copenhague que o sr. propõe? VICTOR - Os tópicos centrais são metas e prazos que todos poderão adotar e extensão do MDL [Mecanismo de Desenvolvimento Limpo de Kyoto, que prevê venda de créditos de países pobres para países ricos]. Um problema central é que há um grande número de créditos que não são créditos.

FOLHA - Ele não teve eficácia nenhuma, é isso? VICTOR - Eu não diria que não teve eficácia nenhuma, porque, se você procurar bem, vai encontrar um bom projeto. Mas, no geral, o MDL tem sido um desastre. Você olha para as curvas de emissões e para os projetos individuais, as pessoas estão recebendo investimentos novos para coisas que seriam feitas de qualquer maneira.

FOLHA - Os países em desenvolvimento devem adotar metas obrigatórias como as de Kyoto? VICTOR - Eu sempre fui cético quanto a metas tipo Kyoto, porque os governos não controlam emissões: os governos controlam a política e a economia, e é a economia que produz emissões. Nos países em desenvolvimento, em especial, há uma relação muito fraca entre a política dos governos e as metas de emissão que eles podem adotar. Eles não sabem qual será seu nível de emissão no futuro. Então eles fariam como a Rússia, que é oferecer metas de redução muito mais altas que suas emissões. E nós não queremos que isso aconteça.

FOLHA - O sr. está para ser pai pela primeira vez. Como é ter um filho quando o sr. acredita que o cenário para o futuro dele será tão turvo? VICTOR - Toda geração tem algum problema que a deixa muito deprimida. A última geração teve as armas nucleares. A anterior teve a depressão econômica, a outra teve a guerra na Europa. Eu acho que, no longo prazo, nós vamos resolver o aquecimento global, com tecnologias radicalmente novas. Mas vai levar muito tempo. Daqui até lá, teremos algum aquecimento aqui, e parte dessas mudanças climáticas pode ser muito catastrófica. "As pessoas não tratam esse assunto como o problema econômico sério que ele é. Elas ainda o tratam como um problema ambiental" "É inevitável que o mundo terá um aquecimento muito grande, mesmo que os governos resolvam levar o problema a sério"

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Ecologizar a economia

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Maurício Andrés Ribeiro (*)

Tem sido mais freqüente o uso de instrumentos econômicos para a gestão ambiental pela área econômica do governo – Banco Central, Conselho Monetário Nacional, Ministério da Fazenda. Assim, em outubro de 2009, o ministério da Fazenda prorrogou o IPI Verde, com a redução de impostos para geladeiras, máquinas de lavar e fogões que gastam pouca energia; em setembro, relatório do Ministério da Fazenda havia quantificado os prejuízos econômicos à agricultura causados pelas mudanças climáticas no Brasil e quanto o Brasil poderia ganhar com créditos de carbono. Nesse mesmo mês, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovara a resolução 3.792 que obriga os fundos de investimento a informarem, em suas políticas de investimento, se vão ou não observar princípios de responsabilidade socioambiental. Em julho de 2008 o CMN havia aprovado Resolução 3.545 que restringiu o crédito oficial a produtores rurais sem comprovação de regularidade fundiária e ambiental. Ela incidiu sobre os interesses econômicos dos que não cumprem a legislação ambiental e despertou reações fortes no sentido de adiar o início de sua aplicação, para permitir aos fazendeiros, sojicultores, pecuaristas, se adequarem à legislação ambiental.

Em 1995, bancos brasileiros haviam aderido ao Protocolo Verde, um compromisso de que somente liberariam crédito para empreendimentos licenciados ou de acordo com a legislação ambiental e para produtos certificados. Tentava-se submeter a concessão de crédito a um crivo ambiental e evitar que o capital fosse investido em projetos ambientalmente destrutivos. Um dos resultados desse protocolo foi aumentar a pressão sobre os órgãos licenciadores por parte de empreendedores em busca de crédito bancário.

Desde os anos 90, leis de ICMS ecológico implementadas em alguns estados ofereceram incentivos econômicos para municípios que investissem na criação de unidades de conservação e em saneamento ambiental. Tal foi o caso da Lei Robin Hood, de 1995, em Minas Gerais.

Essas iniciativas de uso crescente pela área econômica dos governos de instrumentos econômicos a favor do meio ambiente devem ser celebradas, pois ajudam a superar o divórcio entre conceitos de ecologia e economia que está na origem da crise ecológica atual.

Entretanto, além desse uso pontual de instrumentos econômicos, muito precisa ser feito prática e conceitualmente:

· A ecologização nas escolas e institutos de pesquisa econômica aplicada ajudaria a redefinir conceitos de riqueza e a encontrar indicadores mais adequados do que o do Produto Interno Bruto. O PIB é um indicador enganoso e tem sido crescentemente questionado, pois contabiliza como riqueza as despesas com correção de danos de desastres, que se fossem evitados significariam melhor saúde ambiental e maior qualidade de vida.

· É preciso colocar as ciências econômicas em seu devido lugar, como partes das ciências ecológicas. O cuidado com a casa menor – a oikos nomos da economia, estaria assim inserido no cuidado com a casa maior – a oikos logos da ecologia. (Esses são pontos abordados no livro de Patrick Viveret, Reconsiderar a riqueza, publicado em 2006).

· Uma reforma tributária ecológica que onerasse o uso de recursos naturais reduziria desperdícios, ao mesmo tempo em que poderia incentivar o emprego e a renda.

· A concessão de crédito bancário ecologicamente responsável exige consciência ecológica na definição da missão dos bancos e a urgência de que renunciem a oportunidades de negócios que sejam social ou ambientalmente destrutivas.

· Os investimentos, os preços, os incentivos e desincentivos econômicos, os impostos, os orçamentos públicos e privados, a contabilidade, todos esses instrumentos de planejamento e de gestão econômica precisam ser ecologizados. Isso ajudaria a superar o divórcio entre os interesses coletivos de longo prazo e os interesses particularistas de curto prazo.

· Finalmente, é relevante compreender as motivações psicológicas da economia. A demanda econômica é movida por desejos, paixões e emoções humanas e não apenas por decisões racionais. Ecologizar o consumo implica em ecologizar os desejos, pois eles estão na raiz da formação das demandas. A psicoeconomia é um campo promissor. A ecologização da economia tem uma forte relação com a ecologização da cultura, da consciência e dos desejos individuais e coletivos.


(*) Autor de Ecologizar e de Tesouros da Índia para a civilização sustentável WWW.ecologizar.com.br mandrib@uol.com.br

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Economia e ecologia se misturam sim!

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À medida que a economia global cresce, a disposição dos recursos naturais diminui. É esta a conta que levou alguns economistas a buscar uma nova corrente de pensamento e que vem obrigando o mercado a se enquadrar nela.

Assim como Nicolau Copérnico afirmou em 1543 que não era o Sol que girava em torno da Terra, mas o contrário, os ecoeconomistas vêm assumindo a responsabilidade de trazer à humanidade uma nova versão de nossa relação com a economia.
Nesta entrevista, o ecoeconomista Hugo Penteado mostra porque a economia não pode mais continuar no centro de nosso mundo.

Acompanhe a entrevista aqui.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Leonardo Boff ante la Conferencia sobre el Clima de Copenhague La Tierra no aguanta más

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Leonardo Boff ante la Conferencia sobre el Clima de Copenhague La Tierra no aguanta más

Sergio Ferrari

ALAI AMLATINA, 09/11/2009.- La crisis ambiental irrumpe en primer plano mediático de cara a la Conferencia del Clima de Copenhague, Dinamarca, a realizarse el 13 de diciembre próximo. Las perspectivas no son optimistas por falta de un consenso previo para alcanzar un acuerdo definitivo. “A pesar de los pronósticos sombríos tengo confianza que la esperanza vencerá al miedo y que la vida es más fuerte que la muerte”, asegura el teólogo brasilero Leonardo Boff al iniciar esta entrevista exclusiva durante su reciente visita a Suiza. Boff, uno de los padres fundadores de la teología de la liberación recibió el 7 de noviembre el Doctorado Honoris Causa de la Universidad de Neuchâtel. Previamente, la misma semana, animó un debate público organizado por las ONG de cooperación solidaria E-CHANGER, y Misión de Belém Immensee en la Casa de Solidaridad Romero (RomeroHaus) en Lucerna donde participaron 200 personas.

P: Todo el mundo habla hoy de la problemática ecológica que vive el planeta. Usted fue uno de los primeros, ya en los años ochenta, en alertar sobre este tema. ¿Cuál es su análisis de la actual situación medioambiental?

Leonardo Boff: Hay muchos indicadores científicos que apuntan a la irrupción de una tragedia ecológica y humanitaria. Nada esencial ha cambiado desde la redacción de la Carta de la Tierra en 2003 que elaboramos un grupo de personalidades del mundo entero. Decíamos en ese maravilloso documento: “Estamos en un momento crítico de la Tierra en el cual la humanidad debe escoger su futuro. Y la elección es ésta: o se promueve una alianza global para cuidar a los otros y la Tierra o arriesgamos nuestra destrucción y la devastación de la diversidad de la vida”.

“Se consume más de lo que la tierra soporta”

P: Una afirmación tajante que no acepta términos medios ¿Cómo se sustenta?

Boff: En la confluencia actual de tres crisis estructurales. La crisis debido a la falta de sustentabilidad del planeta Tierra; la crisis social mundial; y la crisis del calentamiento creciente.

P: ¿Puede ejemplificar esa afirmación?

Boff: A nivel social, casi la mitad de la humanidad vive hoy por debajo del nivel de miseria. Las cifras son aterradoras. El 20% más rico consume el 82.49 % de todas la riqueza de la Tierra y el 20 % más pobre, se tiene que contentar con un minúsculo 1.6%.

En cuanto al calentamiento de la Tierra, la FAO (Organización de la ONU para la Alimentación) ha advertido que en los próximos años habrá entre 150 y 200 millones de refugiados climáticos. Las previsiones más dramáticas hablan de un aumento para 2035 de 4°C. Y se especula para final del siglo un aumento de 7°C. Si esto realmente se produce, ningún tipo de vida hoy conocido podrá sobrevivir. En cuanto a la crisis de sustentabilidad, doy un ejemplo ilustrativo: la humanidad está hoy consumiendo un 30% más de la capacidad de reposición. Es decir un 30% más de lo que la Tierra misma puede reponer.

P: Sin embargo esta tendencia consumista del planeta no es nueva...

Boff: No. Pero lo que es nuevo son los niveles acelerados de ese deterioro. Según estudios de todo crédito, en 1961 precisábamos de la mitad de la Tierra para dar respuesta a las demandas humanas. En 1981 se daba un empate, es decir ya necesitábamos a la Tierra entera. En 1995 sobrepasamos en un 10 % la capacidad de reposición, aunque todavía era soportable. En 2008, superamos el

30 %. La Tierra está dando señales inequívocas de que ya no aguanta más.

P: ¿Con perspectivas futuras todavía más preocupantes?

Boff: Si se mantiene el crecimiento del Producto Interno Bruto (PIB) mundial entre 2-3% por año, como está previsto, en 2050 necesitaríamos dos planetas Tierra para dar respuesta al consumo, lo que es imposible porque contamos con sólo una.

P: ¿Eso obliga a comenzar a pensar en otro paradigma de civilización?

Boff: En efecto. No podemos producir como lo venimos haciendo hasta ahora. El actual modelo de producción, el capitalista, parte del falso presupuesto que la tierra es como un gran baúl del cual se pueden sacar recursos indefinidamente para obtener beneficios con la mínima inversión posible en el tiempo más corto. Hoy queda claro que la Tierra es un planeta pequeño, viejo y limitado que no soporta una explotación ilimitada. Tenemos que dirigirnos hacia otra forma de producción y asumir hábitos de consumo distintos. Producir para responder a las necesidades humanas en armonía con la Tierra, respetando sus límites, con un sentido de igualdad y de solidaridad con las generaciones futuras. Eso es el nuevo paradigma de civilización.

COPENHAGUE: LA INFLUENCIA DEL PODER ECONÓMICO

P: Para volver al hoy y al aquí...En pocas semanas se realiza en Copenhague la Conferencia sobre el Clima. ¿Hay perspectivas de un acuerdo?

Boff: Hay una premisa clave. Debemos hacer todo lo posible para estabilizar el clima evitando que el calentamiento de la tierra sea mayor a 2 o 3 grados y que la vida pueda continuar. Comprendiendo que ya ese calentamiento implicaría una devastación de la biodiversidad y el holocausto de millones de personas, cuyos territorios no serán más habitables, especialmente en África y en el sudeste asiático. Me preocupa, en ese escenario, la irresponsabilidad de muchos Gobiernos, especialmente de los países ricos, que no quieren establecer metas consistentes para la reducción de las emisiones de gases de efecto invernadero y salvar el clima. ¡Una verdadera ecomiopía!

P: ¿Eso proviene de una falta de voluntad política para llegar a acuerdos?

Boff: Sobre todo de un conflicto de intereses. Las grandes empresas, por ejemplo las petroleras, no quieren cambiar porque perderían sus enormes ganancias actuales. Hay que entender la interdependencia del poder político y el económico. El gran poder es el económico. El político es una derivación del económico. Los Estados, en muchos casos, no representan los intereses de los pueblos sino de los grandes actores económicos.

P: ¿En caso de un fracaso de Copenhague, cuál sería el escenario posterior en lo que hace a la ya grave situación climática?

Boff: A mi entender, si hay una frustración política, eso puede significar un reto enorme para la sociedad civil. Para que se movilice, presione y promueva los cambios que vienen siempre de abajo. Confío en
eso: la razón, la prudencia, la sabiduría vendrá de la sociedad civil.
Será, también, en cuanto al clima, el principal sujeto histórico. Ningún cambio real viene de arriba, sino de abajo.

Y a pesar de lo difícil del presente, tengo la confianza que no se trate de una tragedia que acabará mal sino de una crisis que purifica y que nos permita dar un salto en la dirección de un futuro mejor.

P: ¿Con un programa común para salvar la Tierra?

Boff: Impulsando una bio-civilización que deberá promover cuatro ejes esenciales. El uso sustentable, responsable y solidario de los limitados recursos y servicios de la naturaleza. El control democrático de las relaciones sociales, especialmente sobre los mercados y los capitales especulativos. Un ethos mínimo mundial que debe nacer del intercambio multicultural, enfatizando en la compasión, la cooperación y la responsabilidad universal. Y la espiritualidad, como dimensión antropológica y no como un monopolio de las religiones. Debe desarrollarse como expresión de una conciencia que se siente parte de un Todo mayor, que percibe una Energía poderosa y que representa el sentido supremo de todo.

- Sergio Ferrari
Colaboración de prensa de E-CHANGER, ONG suiza de cooperación solidaria

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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Desenvolvimento criticado

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Desenvolvimento criticado - duas vezes (em negrito, comentários de H. Penteado)

Não é mais possível que um Estado pense uma política de desenvolvimento local desvinculada da vertente nacional. A guerra fiscal, muito praticada no país nas últimas décadas, é uma equação de soma zero. Isso não é projeto de país. A avaliação é do presidente do IPEA, Marcio Pochmann, que participou em Porto Alegre de um seminário para pensar o futuro do Rio Grande do Sul e a possibilidade de projetos de desenvolvimento regional. Para Pochmann, o modelo de desenvolvimento fordista de São Paulo, outrora chamado de "locomotiva do país", está ultrapassado e precisa ser superado.

Marco Aurélio Weissheimer

O Brasil terá uma grande oportunidade em 2010 de discutir um projeto de longo prazo para o país. Será uma oportunidade singular no ciclo de 24 anos de redemocratização, pós-ditadura militar. Neste período, os momentos eleitorais foram contaminados por debates conjunturais determinados pelos sérios constrangimentos econômicos internos e externos vividos pelo país. Agora, estão dadas as condições para discutir o Brasil que queremos e não apenas questões conjunturais. A avaliação é de Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), que abriu sábado pela manhã, em Porto Alegre, o ciclo de seminários Diálogos RS – Para Pensar o Rio Grande do Sul, uma promoção do PT gaúcho e da Fundação Perseu Abramo.

Pochmann esteve em Porto Alegre para falar sobre “Desenvolvimento regional e local, o desafio da sustentabilidade ambiental, dos sistemas locais de produção e do trabalho”. Ele iniciou sua intervenção contextualizando o tema no atual período histórico que vive o país. “É importante lembrar que o Brasil ainda não tem uma tradição democrática. Em 500 anos de história, não temos 50 anos de democracia”. No período da redemocratização, acrescentou, o debate sobre o modelo de desenvolvimento se deu com o Brasil numa situação muito enfraquecida e periférica em relação ao capitalismo central. “Hoje, queremos assumir uma condição de liderança no cenário global e não ser um mero replicador de políticas definidas no exterior. Não avançaremos na marcha da insensatez que caracteriza o atual modelo destruidor do meio ambiente”.

O presidente do IPEA apresentou três elementos para orientar esse debate:

1. Economia do Conhecimento:
cerca de 70% dos postos de trabalho gerados atualmente já são de trabalho imaterial. Está em curso um crescimento dos ativos vinculados ao trabalho imaterial, onde as pessoas não têm horários nem locais fixos de atuação. É um novo tipo de riqueza que está surgindo. (sim conhecimento é importante, meu trabalho é imaterial, eu só mexo com conhecimento, através de uma instalação física parruda: quatro computadores, 8 telas, três telefones, 10 metros quadrados de escritório, sem falar toda a movimentação para atender e visitar clientes via mobilidade aérea e terrestre... Usar conhecimento não significa que estamos nos desmaterializando - ledo engano...)

2. Sustentabilidade ambiental: não podemos mais imaginar que o novo padrão de desenvolvimento se dará repetindo o passado. Esse debate precisa levar em conta as características próprias de cada um dos seis biomas brasileiros: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal. E deve considerar também o processo de inovação tecnológica que altera profundamente nossa relação com o meio ambiente. Pochmann chamou a atenção ainda para a relação entre as mudanças climáticas e os impactos que já estamos assistindo quanto ao uso de recursos hídricos e à produção de alimentos. “A se manter a tendência atual de mudanças climáticas, em pouco tempo o café só poderá ser produzido no Rio Grande do Sul”, exemplificou. (faltou apontar a mudança de paradigma, faltou dizer que não há um só exemplo de sustentabilidade no mundo, excetuando pequenas aldeiasn o Tibete de poucos habitantes, o resto é totalmente insustentável, degradante e pior, serve de modelo para os países tentando alcançar o mesmo nível de prosperidade dos países ricos).

3. Nova demografia: Em 2030, deveremos ser 207 milhões de brasileiros (um número menor do que as expectativas projetadas anos atrás). Em 2040, seguindo a tendência atual, seremos 205 milhões. Considerando essa diminuição, cabe perguntar: interessa ao Brasil conter a população? Estamos vivendo um processo de envelhecimento populacional e de queda na taxa de fecundidade. Em 1992, tínhamos 34% da população até 15 anos de idade. Em 2008, esse número caiu para 24% e, em 2030, deverá ser de apenas 12%. Além disso, presenciamos também uma nova revolução sexual, com um descolamento da reprodução do sexo. Com as novas técnicas de fecundação, não é mais necessário ter sexo para se ter filhos. Também constatamos hoje um aumento da expectativa de vida dos brasileiros que, em alguns anos, poderá se aproximar dos 100 anos. Já temos hoje cerca de 3 milhões de pessoas com mais de 80 anos no Brasil. Esses dados indicam que estamos passando por um processo de mudanças dramáticas nas famílias brasileiras, com importantes conseqüências econômicas, sociais, culturais e educacionais. (a melhor pergunta é saber como estão vivendo os atuais brasileiros, quais são suas opções, um censo de alcance nacional conduzido por instituições independentes poderia mostrar a realidade que mais renda não significa mais felicidade e que as bolsas do governo não mudaram a situação miserável das pessoas, completamente vulneráveis dentro do sistema - e acima de tudo, nem reduziram a desigualdade. Quanto ao tamanho da população, a pergunta certa é qual é o tamanho da população compatível com o funcionamento dos serviços ecológicos oferecidos pelos ecossistemas - a menos que sejamos deuses, como espécie animal não podemos mais fazer de conta que podemos ser infinitos em pessoas e em coisas...).

Pochmann considera esses elementos fundamentais para fazer o debate sobre desenvolvimento regional. E essa avaliação já aponta para uma de suas teses centrais a respeito do tema: não é mais possível que um Estado pense uma política de desenvolvimento local desvinculada da vertente nacional. A guerra fiscal, exemplificou, muito praticada no país nas últimas décadas, é uma equação de soma zero. “Isso não é projeto de país”. (não consigo entender como um debate sobre desenvolvimento não tenha como ponto de partida uma avaliação profunda do que saiu errado com o modelo atual, não só aqui, como nos países ricos - uma boa leitura dos estudos do NEF ajudariam).

“O Rio Grande do Sul precisa rever a sua estratégia”

O debate sobre desenvolvimento regional deve-se livrar das amarras do passado, defende ainda Pochmann. “Não se trata mais do antigo regionalismo dos anos 30, quando se dizia que São Paulo, chamada de locomotiva do país, puxaria os vagões dos demais Estados. A estes restaria tentar copiar o modelo da locomotiva”. Foi isso, acrescenta, que nos levou, por exemplo, a introduzir uma indústria no meio da floresta, nos anos 60-70, a Zona Franca de Manaus. “Esse modelo de desenvolvimento fordista de São Paulo está ultrapassado. É verdade que vários estados brasileiros (o que não é o caso do Rio Grande do Sul) estão numa condição pré-fordista, mas eles não precisam passar pelo fordismo para atingir um novo patamar de desenvolvimento”. Mas como fazer isso então.

Para o presidente do IPEA, ganha força a possibilidade de sustentar o desenvolvimento a partir da base da pirâmide social que, no governo Lula ganhou uma forte rede de proteção social. “O Rio Grande do Sul precisa rever sua estratégia. Trata-se de um Estado que ainda mantém uma desigualdade singular. A Metade Sul vive como se estivesse no século XIX. A Região Norte, fortemente marcada pela agropecuária, tem o perfil do século XX. E a Região Nordeste apresenta setores mais dinâmicos, alguns deles apontando para o que estamos vendo nascer no século XXI”. Enfrentar essa situação de desigualdade é crucial, destaca Pochmann. Além disso, ele chama a atenção para a importância dessa política regional estar em sintonia com os movimentos nacionais:

“Não cabe mais cada Estado pensar políticas separadas, como se não fizessem parte de um projeto nacional. É preciso se inserir nesta vertente nacional. Políticas como a da guerra fiscal, uma equação de soma zero, não nos leva a lugar algum. Não podemos seguir reproduzindo o passado e sendo governado pelos mortos.” (se projeto nacional é sinônimo de centralização do poder, o caminho já está errado, se projeto nacional ignora diferenças geográficas, históricas, culturais, ambientais, sociais começamos mal e terminaremos mal, se projeto nacional não delegar poder aos locais - governos e cidadãos - para explorarem suas diferenças, não sairemos do lugar. Em relação a rede de proteção social, que foi uma esmola sem regra de saída e sem recuperação de capacidades e auto-estima das populações marginalizadas, ela é inócua. Basta andar pelo Centro de São Paulo ou pelos centros e cafundós do Brasil para ver como vivem os 90% dos brasileiros.)

Pochmann avançou na apresentação de algumas propostas que, na sua opinião, apontam para o futuro e para um projeto articulado de desenvolvimento nacional.

“Precisamos reinventar o mercado, que está cada vez mais longe da livre iniciativa, dominado por grandes corporações. Estamos caminhando para um mundo com a economia dominada por aproximadamente 500 corporações. A China já definiu que quer ter 150 destas grandes corporações. Nós precisamos avançar no fortalecimento dos micro e pequenos negócios. Para isso, entre outras coisas, precisamos ampliar o número de bancos destinados a estes setores, como faz o Japão, por exemplo. Nós estamos caminhando na direção contrária. Nos últimos dez anos, o número de bancos no Brasil caiu de 230 para 160”. (Boa colocação, mas cuidado: se as pequenas e médias produzirem o mesmo conflito que as grandes corporações produzem contra o planeta, com fluxos lineares, degenerativos e submetidos a crescimento infinito dentro de um planeta circular, regenerativo e finito, o problema vai continuar o mesmo. De qualquer forma já deveria ter chamado atenção dos governos que indústria automobilística e grandes empresas são destruidoras líquidas de empregos no mundo todo, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho e que os únicos lugares geradores de emprego hoje são o micronegócio, os produtos sem marca e o auto-emprego.)

Outras medidas para o fortalecimento de micro e pequenas empresas seriam o aporte de tecnologia para esse setor e a adoção de políticas para que possa participar das compras públicas. Mas esse novo projeto de desenvolvimento, salienta o economista, não passa apenas por medidas econômicas. Pochmann fala da necessidade de refundar o Estado brasileiro. “Construímos um Estado de caixinhas e especializações, que têm uma enorme dificuldade de articulação”. Ainda no plano institucional, ele defende a construção de uma nova maioria política que possa dar conta deste processo de mudanças.

“Nos últimos anos, vemos o surgimento de novos atores sociais. Milhões de pessoas ascenderam socialmente. Mas onde elas estão organizadas? Não é nem nos sindicatos nem nos partidos políticos. Uma parte expressiva está se organizando em igrejas. Diante deste quadro precisamos avaliar se as instituições que temos hoje estão aptas a conversar com essas pessoas e se apresentam alguma promessa de futuro para elas”. (Essa ascensão social é bem questionável, dar um pouco mais de renda às pessoas para saírem da pobreza extrema não necessariamente deu a elas sabedoria, poder e liberdade para criar e reformular o sistema sócio, econômico e ambiental na qual vivem).

Tudo isso está no nosso horizonte de decisão, defende Pochmann. “A única coisa que nos impede é o medo, medo de ousar, medo de parar de ser governado pelos mortos”.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Direto do túnel do tempo

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O economista-ecólogo Clóvis Cavalcanti, direto de Recife, conta-nos parte da história da presença no Brasil de Nicholas Georgescu-Roegen, o maior economista da história da humanidade, por sua visão completa da realidade físico-econômica e ambiental.

Olá, Hugo:


Foto em que estou traduzindo a conferência de Georgescu-Roegen no Recife (Condepe), em 31.7.73. Estou na ponta esquerda da mesa e G-R olha para mim enquanto falo. No centro, o diretor do Condepe, Everardo Maciel (que foi da Receita Federal).

Envio a foto (em mau estado de conservação; culpa minha) porque ela tem história. Na ocasião, G-R levantou a hipótese de uma crise do petróleo (aconteceu em out. 73).

Abraços,
Clóvis.

Clóvis,

Fico sempre muito comovido com a história do GR, sua capacidade preditiva, sua intenção de evitar que continuássemos a na direção do precipício, a forma como por excesso de ego ele foi ignorado. Suas idéias e colocações foram questionadas por questões pessoais e não científicas, porque para o que ele dizia pouco importava se ele era irascivo ou não.

Uma perda irreparável para toda a humanidade não foi ter ouvido a crítica de GR e ele, apenas com sua capacidade analítica, foi capaz de prever com 30 anos de antecedência aquilo que as ciências planetárias e do clima acabaram trazendo à tona. Um feito científico e tanto, não reconhecido claro.

Agora tudo parece tarde demais. Austrália já está fazendo um plano de evacuação da costa, as estações de esqui perderam 80% do gêlo que é reposto a um custo de energia e de aceleração do problema planetário enormes. Claro que ningúem quer abrir mão dos luxos, o gêlo sumiu, quem disse que não posso esquiar? Na Bolívia, país mais pobre, a estação mais famosa do mundo, ficou sem nada e agora é só um observatório. Gastar dinheiro - sem arcar com custos - é para quem pode, difícil ver onde isso tudo vai desembocar.

A mídia está muito devagar para contar os fatos assustadores que estão se fechando contra a humanidade. Devagar demais para a seriedade do assunto e para uma COP15 dizem esvaziada por uma montanha de egos - sempre o ego e a ganância reinantes - na véspera do Titanic bater contra o Iceberg.

É um fato histórico sem dúvida.

Abraço

Hugo