quarta-feira, 24 de junho de 2009

A crise atual deu fôlego para o planeta?

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A crise atual deu fôlego para o planeta?


Alguns economistas se perguntaram se a recessão poderia amenizar o impacto do sistema econômico sobre o meio ambiente. Isso já é um grande passo, pois os economistas pregam que a economia pode ser maior que o planeta e que não há problema algum em mantê-la em crescimento eterno dentro de um sistema planetário não crescente, do qual depende. Essas críticas têm mais de 50 anos, nas mãos dos mais renomados autores: Nicholas Georgescu-Roegen, Herman Daly, Manfred A.Max Neef, Kenneth Boulding, David Korten, Bastian Reydon, Clóvis Cavalcanti, Rachel Negrão e Paulo Roberto da Silva, entre outros.

Salvar o meio ambiente às custas de um enorme desemprego seria pouco salutar. Nem vamos entrar no mérito do quanto, apesar de um enorme crescimento, os empregos vêm se tornando escassos e incapazes de gerar bem-estar e liberdade às pessoas. Vamos deixar de lado que a geração dos empregos é apenas um resultado tautológico do crescimento, que se tornou um fim em si mesmo. Sim, não faz sentido salvar o meio ambiente com um enorme desemprego. Mas será verdade que uma recessão global esperada de 0,5% vai ajudar o meio ambiente?

A recessão se mede pelo PIB que é um fluxo. Muitos devem estar se perguntando porque os economistas trabalham só com fluxos sem perceberem que estamos nos soterrando vivos com esse processo de produção e consumo. É simples: a economia mantém princípios de conservação ligados à mecânica clássica, sua irmã siamesa. Com isso, as teorias econômicas assumem a inesgotabilidade planetária, a total reversibilidade, a neutralidade e a previsibilidade dos processos físico-econômicos e não se adaptaram aos avanços da física.

Vamos fazer de conta - para ilustrar - que o PIB seja feito apenas de petróleo. Em 2008, consumimos 32,4 bilhões de barris de petróleo. No ano de recessão, consumiremos 32,2 bihões de barris de petróleo. O meio ambiente será "aliviado" em apenas 0,2 bilhão! PIB é um fluxo, não um estoque. A recessão ou estagnação aumentam o impacto ambiental com mais demandas por recursos planetários. Façamos a mesma analogia para automóveis. Em 2008, foram produzidos 75.000.000 de automóveis. E, em 2009, com a recessão de 5%, serão produzidos 71.250.000 automóveis. A emissão de gases do efeito estufa e a quantidade de terra asfaltada necessária para atender esses novos fluxos deverá aumentar sobre um estoque territorial finito. O mesmo pode ser dito para casas ou construções que não param de subir no nosso planeta finito.

A recessão, enfim, não é benéfica para o meio ambiente se compreendemos o significado do PIB, do conflito existente entre o ciclo econômico e o natural. Essa métrica cria vários percalços: 1) quanto mais economicamente viável uma atividade se torna, mais ambientalmente inviável ela é; 2) as soluções de problemas que antes deveriam ser evitados aumenta o PIB; e 3) o custo econômico de destruir o planeta inteiro é zero. Se os Estados Unidos estivessem sozinhos na Terra, já teriam entrado em colapso ambiental faz tempo. Isso não aconteceu graças à exploração dos recursos ecológicos do resto do mundo a custo zero no comércio global.

Não é o efeito do crescimento que mais chama atenção, mas a forma conflituosa no qual ele se dá. Um sistema sem crescimento, por sua vez, não significa necessariamente sustentabilidade, porque daí depende se remove ou não o conflito entre economia e planeta, de forma que nada nem ninguém possa deixar de ser como a natureza é: cíclica, finita e regenerativa. Como hoje tudo é linear, infinito e degenerativo, será uma mudança e tanto.

O crescimento pode até surgir ou ser mantido em um sistema econômico que respeita a finitude, por variáveis qualitativas acima das quantitativas e por alguma razão outra que não seja o aumento dessa pressão e desse desequilíbrio planetários. Sem a ajuda das demais ciências que mensuram os atrasos ecológicos (um deles, o aquecimento global) não saberemos o quanto teremos que retroceder para evitar ultrapassar o limite imposto pela resiliência da natureza, do qual poucos de nós sairão vivos. A tecnologia também deve mudar de enfoque: evitar problemas ao invés de tentar solucioná-los.

Sem mudança de paradigma com abandono do anterior não deixaremos de ser insustentáveis. A crise econômica atual, que não será a última, não é do tipo de gerar a mudança de paradigma necessária, simplesmente porque não foi causada por um desastre ambiental de grandes proporções. Somente quando isso acontecer iremos realmente mudar.

Hugo Penteado - Artigo Publicado na revista Ideia Socioambiental.

2 comentários:

phillype disse...

Propostas para uma economia mais verde

Por George Reisman
O ambientalismo está com tudo e seus proponentes são agressivos. Os políticos prometem ser possível combinar estímulos econômicos voltados para a criação de empregos com a luta contra o "aquecimento global criado pelo homem", que supostamente resulta em grande parte da queima de combustíveis fósseis. Centenas de milhares - se não milhões - de novos empregos serão presumivelmente criados caso os combustíveis fósseis sejam substituídos por moinhos de vento e painéis solares. Esses empregos serão criados na construção dos moinhos e na produção e instalação dos painéis, bem como na construção de uma nova rede elétrica que irá transportar toda a eletricidade que supostamente será criada.
Mais: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=315



Comunismo: A busca individual pelo interesse próprio causa a formação de monopólios, provoca depressões e leva à opressão dos trabalhadores pelos capitalistas. Tal comportamento deve ser substituído pelo auto-sacrifício do bem-estar para que a classe operária e o estado socialista sejam beneficiados. Os capitalistas e os proprietários de terra devem ser exterminados para o bem do proletariado.

Nazismo: A busca individual pelo interesse próprio gera impureza racial, provoca o declínio da soberania nacional e implanta a exploração dos trabalhadores alemães pelos judeus capitalistas. Tal comportamento deve ser substituído pelo auto-sacrifício do bem-estar para que a raça superior ariana e o Estado Nacional-Socialista sejam beneficiados. Judeus, ciganos e eslavos devem ser exterminados para o bem da Nação Alemã.

Ambientalismo: A busca individual pelo interesse próprio gera aquecimento global, chuva ácida e a diminuição do ozônio. Tal comportamento deve ser substituído pelo auto-sacrifício do bem-estar para o benefício de outras espécies - como a camarada biota - e do planeta, tudo sob os auspícios de tratados internacionais e de um nascente Estado Socialista Global: a ONU. Grande parte da raça humana deve ser exterminada para o bem das espécies exploradas e do planeta. (Isso é o que a "ala extremista" dos ambientalistas já diz abertamente. A "ala moderada" apenas quer reduzir as emissões de dióxido de carbono em 90% e, com isso, reduzir o padrão de vida de todas as nações para níveis de terceiro mundo, com índices de mortalidade infantil e expectativa de vida típicos desses países).

O ambientalismo é apenas uma forma reciclada de nazismo e comunismo.

Obs: por "ambientalismo" entenda o movimento coercivo moderno e politicamente correto, e não movimentos voluntários e/ou com orientação de mercado.

Luiz Carlos disse...

Não sei se vocês tomaram conhecimento dos recentes relatórios técnicos nos EUA que comprovam os benefícios econômicos das energias limpas. Encaminhei ao Hugo Penteado por e-mail, mas sei se chegou até ele. Link abaixo:

http://www.silvaporto.com.br/blog/?p=181

Um abraço

Luiz Carlos Pôrto
Lcporto@silvaporto.com.br