segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Carta aberta a Dilma Roussef

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Prezada Exma. Sra. Ministra Dilma Roussef,

Sem o Cerrado, o aquífero Guarani morre e sem ele a agricultura morre. Não tem como mirar em uma só variável e uma só métrica, pois o problema é sistêmico e o desastre ambiental global não é causado apenas pelo aquecimento global e sim por uma série de riscos e pressões em várias frentes e por uma visão de mundo que ignora a contribuição da natureza e seus serviços para tudo existir.

O Guarani já está bem comprometido com contaminação, contas futuras que deixamos de herança para todos os netos de todos os netos. Eu não sou especialista, mas a situação do Cerrado e do Guarani é assustadora. Estive com um especialista em Bauru, um cientista, que falava comovido sobre o assunto. Como ele há vários, jamais ouvidos. Eles precisam ser ouvidos.

Os economistas precisam corrigir seu paradigma, porque essa ciência possui erros epistemológicos seríssimos identificados há mais de 60 anos. Os economistas acreditam que o sistema econômico é totalmente desvinculado do meio ambiente e que a economia pode ser maior que o planeta. Ou que o planeta é um subsistema da economia e que todos os processos econômicos, além de reversíveis, são neutros para o meio ambiente. Ou que os serviços ecológicos e recursos naturais, mesmo os tangíveis, como petróleo, metais e água, são desprezíveis e irrelevantes para explicar o crescimento econômico - e prevêem preço zero para eles, uma distorção de mercado que só será corrigida por uma mudança geral de valores que, mesmo entre os mais despertos, está ainda longe de acontecer. O nosso atual conjunto de valores determina que quanto mais viável economicamente for uma atividade, menos viável ambientalmente ela é. Estamos perdendo muito com isso.

Esses mitos de separação da economia (e de atividades como agricultura) e meio ambiente andam a todo vapor e a rota de colisão com a Terra, cuja resposta pode ser o fim da nossa espécie animal, segue infrene. Os ecossistemas não estão aí apenas para serem lugares de expansão agrícola e econômica, eles fornecem os 20 serviços ecológicos sem os quais não estaríamos vivos, são reguladores químicos do solo, do ar e da água, sem os quais a Terra seria uma tocha incandescente. É um equilíbrio dinâmico e vivo. Como economista de formação e atuante estou profundamente convencido da necessidade de conhecermos as demais ciências, as puras, como química, física e matemática, para depois entendermos o que podemos fazer. Precisamos inclusive discutir essa conta ambiental com a comunidade internacional, porque não há um só exemplo no mundo de desenvolvimento econômico que não tenha devastado os ecossistemas e não tenha transbordado essa destruição para além de suas fronteiras, via comércio global. Esse processo já causou a maior e mais veloz extinção da vida em massa na Terra dos últimos 65 milhões de anos. É muita ingenuidade achar que essa extinção jamais irá se voltar contra os causadores.

No futuro não haverão vencedores, posto que todos nós estamos no mesmo planeta e pertencemos a mesma espécie animal, numa teia viva onde todos os seres vivos dependem de todos os seres vivos. A tarefa é árdua, parabéns pelo seu trabalho e preocupação com o futuro.

Atenciosamente,

Hugo Penteado

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Ruralistas podem inviabilizar plano brasileiro de redução de emissões

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Hoje (03/11), o governo brasileiro se reuniu para discutir suas metas de corte de emissão de gases efeito estufa que serão apresentadas durante a reunião da Convenção do Clima em Copenhague (COP 15) em dezembro. Não houve consenso e o anúncio foi adiado em duas semanas. O único ponto que todos concordam é quanto a implementar um plano para diminuir em 80% o desmatamento no país até 2020. Mas se o presidente Lula não agir firmemente no âmbito da política interna, esse plano será pura ficção.

Amanhã (04/11) a Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados votará o PL 6424/05, que anistia os desmatamentos ilegais ocorridos até 2006 e diminui o nível de proteção às áreas ambientalmente sensíveis, como beiras de rio, encostas, topos de morro. Se aprovado, os que desmataram ilegalmente 34 milhões de hectares, só na Amazônia, serão premiados, o que incentivará o avanço da ilegalidade. Parlamentares ligados ao agronegócio, muitos deles de partidos da base de apoio ao presidente, têm maioria nessa comissão e prometem aprovar o projeto, que é na prática uma revogação do Código Florestal, e o fim do natimorto plano brasileiro de diminuição do desmatamento.

Continue lendo aqui.

VOCÊ SABIA QUE...

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- Mais de um bilhão de pessoas no mundo vive com menos de um dólar por dia;
- Cada dia, morrem, por causa da fome, 24 mil pessoas. 10% das crianças, em
países em desenvolvimento, morrem antes de completar cinco anos...
- um terço da população é mal alimentado e outro terço está faminto.
- Que a cada dia 275 mil pessoas começam a passar fome ao redor do mundo. O
Brasil é o 9º pais com o maior número de pessoas com fome...
- Atualmente, cerca de 1,2 bilhão de pessoas se encontra no estado de alta
pobreza devido às condições climáticas de suas regiões.

Você Sabia?
- Mais de um bilhão de crianças, a metade dos menores do mundo, é castigado
pela pobreza, as guerras e a Aids;
- Todos os dias, o HIV/AIDS mata 6.000 pessoas e infecta outras 8.200 .
- Todos os anos, seis milhões de crianças morrem de má nutrição antes de
completar cinco anos.
- Cerca de 90 mil crianças e adolescentes são órfãos no Brasil, à espera de
uma adoção.
- a escassez de água já atinge 2 bilhões de pessoas. Esse número pode dobrar
em 20 anos...

Você Sabia?
- Cerca de 100 milhões de pessoas estão sem teto;
- No Brasil, são 33,9 milhões de pessoas sem casa. Só nas áreas urbanas, são
24 milhões que não possuem habitação adequada ou não têm onde morar.
- Que vinte e cinco milhões de pessoas são dependentes de drogas no mundo;
- Que os indígenas continuam a ser vítimas de assassinatos, violência,
discriminação, expulsões forçadas e outras violações de direitos humanos.

Você Sabia?
- Mais de 2,6 bilhões de pessoas não têm saneamento básico e mais de um
bilhão continua a usar fontes de água imprópria para o consumo.
- Cinco milhões de pessoas, na sua maioria crianças, morrem todos os anos de
doenças relacionadas à qualidade da água.
- No mundo inteiro, 114 milhões de crianças não recebem instrução sequer ao
nível básico e 584 milhões de mulheres são analfabetas.

Você Sabia?
- Que é gasto 40 vezes mais dinheiro com cosméticos do que com doações...
- é gasto 10 vezes mais dinheiro com armas do que com educação básica;
- O Brasil é campeão mundial de desmatamento. Em segundo lugar está a
Indonésia: 18,7 km2 por ano e, em terceiro, segue o Sudão, com 5,9 km2.
- O país perdeu um campo de futebol a cada dez minutos na Amazônia, nos
últimos 20 anos.

..Agora você já sabe.

E vai ficar aí parado? Tome uma atitude.

Milhões de Pessoas em Pobreza Extrema Precisam da sua Ajuda!
Seja Voluntário você Também!

Planeta Voluntários
www.planetavoluntarios.com.br
Porque ajudar faz bem!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Dez caminhos para expandir a consciência ecológica

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Maurício
Andrés Ribeiro (*)

O início do século XXI caracteriza-se por uma mudança no patamar de consciência ecológica. Bilhões de seres humanos aprendem que são parte de uma espécie cujas atividades influem sobre o planeta e alteram o rumo da evolução. Descobrem a existência da crise climática planetária e passam a perceber seu papel na evolução.

Nos últimos anos, houve um crescimento vertiginoso na consciência sobre as questões ecológicas em diversos públicos e segmentos sociais e nas práticas ambientais de indivíduos e organizações. Antes periférico, o tema tornou-se central.

A conscientização ecológica é um requisito superar a atual crise ambiental e climática, pois dela podem decorrer mudanças de comportamento e atitudes sociais e individuais.

Apesar de todos esses avanços ainda existe muita ecoalienação e um déficit de percepção e de compreensão.

Relacionam-se a seguir dez caminhos que promovem a expansão da consciência ecológica:

  1. Choques, catástrofes, colapsos e tragédias despertam indivíduos e sociedades de seu torpor e anestesia. A consciência ecológica é estimulada por tais desastres, que servem para questionar o modo de vida consumista, utilitarista, produtivista. A pedagogia do susto acorda o cidadão e torna-o consciente das conseqüências ambientais negativas de seus hábitos de consumo e de seu estilo de vida. Por meio da dor e do sofrimento causados pelos desastres, pessoas e coletividades aprendem a importância de adotar práticas ecológicas, que previnam e evitem novos desastres. Exemplos: o derramamento de óleo na baia de Guanabara, no ano 2000 provocou mudanças de leis, de práticas empresariais; o susto causado pelo buraco de ozônio sobre a Antártida impulsionou acordos para controlar os gases CFC; as enchentes em Santa Catarina evidenciaram os riscos do inadequado uso do solo e do desmatamento de encostas; o risco associado às mudanças climáticas desencadeia esforços para compreendê-las e atuar de forma responsável. A percepção e a compreensão de riscos à saúde física e psíquica também despertam a consciência.
  2. Incentivos e desincentivos econômicos são forma eficaz de induzir mudanças de comportamento no sentido de adotar práticas sustentáveis e ecologicamente responsáveis. Exemplo: as leis de ICMS ecológico. A aplicação de multas e penalizações pode levar a mudanças de comportamento. O corte de crédito para quem não adota praticas sustentáveis é uma forma de fechar a torneira e dificultar tais práticas. Exemplo: resolução do Banco Central que cortou crédito para produtores rurais predatórios na Amazônia. A internalização de externalidades negativas, de custos econômicos, dói no bolso de quem produz os danos e ajuda a construir a consciência ecológica.
  3. A regulação é relevante, por meio da criação de normas e padrões inseridos em contratos, licitações, concorrências, que contemplem a sustentabilidade.
  4. Os sentidos - Os incômodos sensoriais são um forte motivador da consciência ecológica e motivam a mobilização social por melhoria das condições ambientais, a saúde e a qualidade de vida. A visão, audição, olfato, paladar, o tato, nos dão uma percepção sensorial do ambiente e alertam para as poluições. Exemplos: mobilizações pela despoluição do ar ou ações contra a poluição sonora em cidades.
  5. A tecnologia estende os sentidos e a percepção, permite penetrar em outras dimensões do universo, detectar problemas ambientais não perceptíveis sem a ajuda de instrumentos. A percepção sensorial é insuficiente se desacompanhada de conhecimento; pode-se enxergar e não compreender, pois o sentido sem o saber é cego: um leigo que tenha um câncer de pele e que se observe ao espelho enxerga apenas uma pinta; o saber do especialista decifra o risco e previne o agravamento do dano, ao extirpar as células cancerosas. Com sua luneta, Galileu demonstrou que a Terra girava em volta do Sol. Hoje, telescópios potentes revelam dimensões até hoje desconhecidas do universo; microscópios poderosos penetram nos mistérios do muito pequeno e ampliam a compreensão sobre os processos ecológicos.
  6. A ciência é um forte motor para expandir a consciência. O avanço do conhecimento científico expande a compreensão do universo e da psicologia humana, bem como dos riscos a que estamos sujeitos. A sociedade consciente e responsável do século 21 precisará cada vez mais de aporte de conhecimentos e informações e de estar atenta aos temas ambientais para garantir sua própria saúde e qualidade de vida. Ainda que atualmente exista uma predisposição favorável à proteção ambiental, o déficit de saber e a ignorância dificultam a correta tomada de posição. Estamos afogados em informações, mas há uma escassez de sabedoria, observa o biólogo Edward O.Wilson, em seu livro Consiliência, que propõe a unidade do conhecimento. [1]A consciência da crise ecológica e climática vem sendo expandida com a divulgação da Avaliação Ecossistêmica do Milênio, de autoria de um painel de cientistas sob os auspícios da ONU; bem como dos relatórios do IPCC – Painel intergovernamental de cientistas sobre a mudança do clima.
  7. A formação e educação em todos os níveis e faixas etárias podem ecologizar cada uma e todas as disciplinas não só no campo do conhecimento técnico e científico, mas também no campo da sensibilidade, da ética e dos valores. A educação ambiental, a educação para a sustentabilidade e outras abordagens, buscam condicionar a consciência a valores ecológicos. As manifestações artísticas expandem a percepção por meio da sensibilidade estética, da criatividade e da imaginação e da emoção. O humor descobre ângulos inusitados para abordar questões ecológicas.
  8. A comunicação verbal ou escrita, interpessoal, social, a comunicação de massa, a TV, a internet, facilitam que bilhões de indivíduos tomassem conhecimento da crise climática. Organizações da sociedade civil se valem da comunicação e da mídia para repercutir seus conhecimentos e pressionar governos. Gestores ambientais têm na comunicação uma ferramenta para se fortalecerem diante de áreas pouco sensíveis. Em 2007, relatórios científicos disseminados pela mídia e pelo cinema provocaram um salto quantitativo na consciência humana sobre as mudanças climáticas.
  9. Ética ecológica – os valores morais ligados à solidariedade e à sustentabilidade são uma força poderosa para impulsionar a expansão da consciência ecológica. A espiritualidade intui dimensões supra-racionais da consciência, não detectadas pelos meios apenas racionais ou intelectuais. As crenças e valores morais e éticos podem impulsionar a consciência e induzir mudança de comportamentos. Assim, por exemplo, as tradições espirituais que acreditam na reencarnação tendem a induzir comportamentos ecológicos, no auto-interesse do ser, nesta e em suas próximas vidas.
  10. A meditação, a contemplação, técnicas que harmonizam e tranqüilizam a mente, permitem entrar em estados de consciência menos perturbados e dispersos, mais lúcidos. As abordagens e métodos de observação da realidade; de autoconhecimento e de reflexão, de controle da mente, são de grande valor para a expansão da consciência. No campo psíquico emocional ou mental, há práticas e exercícios que permitem expandir os limites humanos. Entre elas, as práticas de desenvolvimento da atenção e presença no agora, de criatividade por meio das artes e ciências, de meditação, algumas delas desenvolvidas por antigas tradições. A capacidade de concentrar a mente no essencial expande e aprofunda a consciência. A concentração é um método de condicionar a mente, concentrar a energia difusa e despertar poderes latentes. A necessidade, a demanda a crença e o desejo podem ser ecologizados e induzir atitudes e comportamentos ecológicos.

A combinação dessas abordagens de aprendizagem por meio de vivências, do conhecimento sociocultural, de incentivos econômicos, do controle social, pode expandir a consciência ecológica e induzir mudanças de comportamentos individuais e coletivos.

(*) Autor de Ecologizar, de Tesouros da Índia e de Ecologizando a cidade e o planeta.

WWW.ecologizar.com.br mandrib@uol.com.br



quarta-feira, 4 de novembro de 2009

NOVA IORQUE E PARIS: CIDADES SUSTENTÁVEIS?

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Em Nova Iorque a quantidade de lixo gerada é gigante e seus aterros sanitários entraram em colapso há muitos anos e o lixo é encaminhado para fora da cidade, em centenas de caminhões emitindo gás carbônico (lixo em cima de lixo) onde outros condados ávidos por receitas o aceitam.

Gostaria de saber se nesse programa as cidades de Nova Iorque e Paris conseguiram romper com o sistema inconsciente de geração de lixo no qual todos os indivíduos aderiram e que por si só, mesmo sem aquecimento global, é uma atrocidade ambiental capaz de nos destruir a todos. Duvido.

São Paulo, semana passada, também teve seus aterros sanitários esgotados e em colapso e agora, tal como Nova Iorque, nossa cidade envia o lixo para o interior, onde os municípios, tal como os vizinhos de Nova Iorque, ávidos por receitas, aceitam... Ah, muito pouco propalado, assim como a extrema gravidade já em curso do aquecimento global, quase ninguém viu que a cidade de São Paulo já atingiu o limite crítico de disponibilidade hídrica em 2007...

A solução é não gerar lixo ou lixo zero, mas o sistema empurra mais e mais lixo diariamente, são várias montanhas do tamanho do Pão de Açúcar do Rio de Janeiro por dia... Difícil de acreditar para quem já está vacinado contra esse sistema todo...

Se as cidades se consideram sustentáveis apenas pela questão de energia e materiais (inputs) e ignoram os outputs ou o crescimento contínuo das superestruturas megalomaníacas como carros e edifícios, então estão mergulhadas nos mesmos mitos de tantos nomes importantes dentre os quais sempre vale o velho ditado francês: "Quanto mais as coisas mudam, mais elas continuam as mesmas."

Assistam:

NOVA IORQUE E PARIS: CIDADES SUSTENTÁVEIS?

Veja o que duas das mais importantes, charmosas e emblemáticas cidades do mundo estão fazendo para serem reconhecidamente sustentáveis.

Vamos mostrar como Nova Iorque e Paris pensam o futuro agindo no presente.

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E a partir desta semana, o dia de estreia do Cidades e Soluções será sempre às quartas-feiras, às 23:30h.



Quarta-feira, 4/11 às 23:30h, “Cidades e Soluções” na Globo News

Visite o nosso blog: http://especiais.globonews.globo.com/cidadesesolucoes/

terça-feira, 3 de novembro de 2009

FICA - Festival Internacional de Cinema e Video Ambiental

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Pessoal,

Eu participei do FICA no fim de semana passado e um dos documentários que mais foi comentado foi sobre como os índios são assassinados nos estados de Mato Grosso para abrir fronteiras agrícolas. Essa história horripilante não se passa no Brasil do século passado, é uma história atual.

Eu estou contando isso, porque gostaria de saber mais sobre esse tema e também tentar entender porque a mídia não pára de fazer de conta que o Brasil são só as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Precisamos contar essas histórias.

Outro documentário que foi o único que eu assisti, narra os ataques de tubarões no Recife. Realmente assustador, porque é claramente fruto da nossa falta de consciência em relação à teia de vida que nos sustenta. Bom, todos os fatores humanos (condomínios, porto, açougues, destruição de mangues, etc.) contribuíram para a tragédia. Esse é outro erro constante da mídia ao relatar desastres naturais sem colocar o fator humano como uma das principais causas. Alagamentos, furacões, dilúvios, avalanches, etc, todos tem o fator humano como magnificadores em vários sentidos: degradação dos ecossistemas e de suas proteções naturais e ocupação de locais que jamais deveria ser ocupados. Katrina é um excelente exemplo.

Para finalizar, uma recomendação de leitura: Inteligência Ecológica de Daniel Goleman. Dou os parabéns ao autor também do livro Inteligência Emocional, pois ele foi certeiro nas suas colocações e ajuda muito a cada um de nós pensar em esquemas contrários a esse suicidío ecológico que estamos produzindo com o nosso consumo e não dá para esperar atitudes institucionais, precisamos antes de mais nada começar com mudanças individuais, que, desculpa a sinceridade, estão longe de acontecer.

Abraço a todos,

Hugo

sábado, 31 de outubro de 2009

PLANTADORES DE SOJA TRANSGÊNICA APAVORADOS

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Atualizado e Publicado em 27 de outubro de 2009 às 13:00
http://www.viomundo .com.br/voce- escreve/plantado res-de-soja- transgenica- apavorados/ ?utm_source= twitterfeed&utm_medium=laconi

A presença do sorgo resistente ao glifosato, em lavouras no norte da Argentina, já foi reconhecida pelo principal organismo encarregado de vigiar as ervas daninhas resistentes a herbicidas. Essa descoberta é um pesadelo que se tornou realidade para os produtores de soja transgênica. O glifosato é o herbicida seletivo de maior venda no mundo e sua expansão acelerou-se com os cultivos transgênicos como os da soja Roundup Ready, da Monsanto. O resultado era previsível: cedo ou tarde, apareceriam espécies resistentes às estratégias desenhadas e implementadas por este modelo de agricultura. O artigo é de Alejandro Nadal.

Fantasma assombra plantadores de soja transgênica

por Alejandro Nadal, em La Jornada, via Carta Maior

Um fantasma percorre os campos do Chaco, norte da Argentina. Após meses de investigação e acaloradas disputas, confirmou-se a existência de uma variedade de sorgo (Sorghum halepense – também conhecido no Brasil como capim Massambará, Pasto Russo ou Erva de São João) resistente ao herbicida glifosato, na província de Salta. É o primeiro caso de uma variedade de sorgo resistente ao glifosato desde que esse herbicida começou a ser usado no mundo, há três décadas. A difusão desta erva daninha através das colheitadeiras que circulam por todos os lados após cada safra não é um bom augúrio.

A presença do sorgo resistente ao glifosato já foi reconhecida pelo principal organismo encarregado de vigiar as ervas daninhas resistentes a herbicidas (www.weedscience. org). Essa descoberta é um pesadelo que se tornou realidade para os produtores de soja transgênica. É também uma lição para a Sagarpa (organização mexicana de proteção fitossanitária) , que acaba de autorizar ilegalmente as primeiras plantações experimentais de milho transgênico no México. É o primeiro passo no caminho para autorizar a plantação comercial e consolidar a liberação do milho geneticamente modificado no México, centro de origem deste cultivo de importância mundial.

Vamos por partes. O Sorghum halepense é uma das dez principais ervas daninhas que afetam a agricultura de climas temperados. É uma erva daninha perene, dotada de grande capacidade de reprodução e sobrevivência ao controle por meios mecânicos. A ironia é que em muitos países, incluindo a Argentina, foi introduzido como uma espécie forrageira, por sua alta produtividade e capacidade de adaptação. Em poucos anos, converteu-se em uma praga cujo combate com agentes químicos teve grandes custos para os agricultores e para a biodiversidade.

Na luta contra essa “erva daninha perfeita” vinha se usando o glifosato, herbicida de amplo espectro que destrói, em plantas superiores, a capacidade de sintetizar três aminoácidos essenciais. É o herbicida seletivo de maior venda no mundo e sua expansão acelerou-se com os cultivos transgênicos como os da soja Roundup Ready, da Monsanto, geneticamente modificada para aumentar sua resistência ao glifosato. Hoje, a soja transgênica é plantada em cerca de 18 milhões de hectares na Argentina. Esse cultivo transformou a paisagem rural do pampa, transtornando as relações sociais que permitiam a pequena agricultura e abrindo as portas para o agronegócio em grande escala. As exportações de soja são o principal sustento da política fiscal Argentina: 18% da receita fiscal total vêm do imposto sobre as vendas de soja ao exterior. Mas o colapso desta bolha da soja é uma questão de tempo. A aparição do sorgo resistente ao glifosato é só um aviso. A soja transgênica usa um pacote tecnológico de plantio direto (ou lavragem mínima), onde se deixa o mato cobrir a terra para protegê-la da chuva e do vento. Isso reduz os riscos de erosão, mas deve ser acompanhado de um incremento no uso de herbicidas. Esse tipo de cultivo está associado a um crescimento espetacular do uso destes insumos: em apenas dez anos, o consumo de glifosato passou de 15 a 200 milhões de litros.

O resultado, no final do caminho, era de se esperar: cedo ou tarde, apareceriam espécies resistentes às estratégias desenhadas e implementadas por este modelo de agricultura comercial. Com a difusão do pacote tecnológico da soja transgênica, essa resistência apareceria mais rapidamente, pois o processo de co-evolução (que, no fundo, é o que rege esse fenômeno) iria se acelerando. É o que acontecerá também com o milho transgênico cujo plantio está sendo autorizado agora no México. A aparição de insetos resistentes à toxina produzida nos cultivos transgênicos Bt é uma questão de tempo.

Ainda não há registro de grandes populações resistentes à toxina Bt, mas em parte isso se deve à estratégia que consiste em deixar refúgios de plantas não transgênicas nas áreas plantadas. Nos Estados Unidos, essa prática tem sido acompanhada pelo uso complementar de inseticidas. Mas a advertência de ecólogos e agrônomos segue vigente: essas estratégias só retardam o processo de aparição de insetos resistentes ao Bt, não o detém. O cultivo de milho transgênico no México aumentará a probabilidade de surgimento de populações de insetos resistentes ao Bt em um menor espaço de tempo. Esse não é o único problema, mas o exemplo do sorgo na Argentina é um sinal que não devemos ignorar.

A trajetória tecnológica dos cultivos geneticamente modificados nos conduz a um beco sem saída. É claro que, para as empresas e seus cúmplices no governo, este é um bom instrumento para tornarem-se donas do campo, transformando- o em seu espaço de rentabilidade. Para a Sagarpa e o governo (falando aqui do caso mexicano) nada deve se interpor entre as companhias transnacionais e a rentabilidade, nem sequer a débil legislação sobre biossegurança que foi desenhada para servir aos interesses dessas mesmas empresas.

* Alejandro Nadal é economista, professor pesquisador do Centro de Estudos Econômicos, no Colégio do México. Colaborador do jornal La Jornada, onde este artigo foi publicado originalmente dia 20 de outubro.

Tradução: Katarina Peixoto