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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Mais uma da série: "Querida, acho que destruí o mundo com minha SUV, meu churrasco, minhas viagens para Disney e meus eletrônicos"

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Previsão que já circula por aí é que em poucos anos a aviação estará inviabilizada pelas alterações atmosféricas. Assim como aconteceu com o começo da aviação nos anos 1950, quando as janelas quadradas foram convertidas para ovais e evitavam a ruína do casco do avião em pleno vôo como começou a acontecer com frequência.  Dessa vez o caso será mais sério, antes foi só uma questão de engenharia que ceifou muitas vidas até ser descoberto o motivo, agora será uma alteração global na atmosfera.  Há alguns que dizem que certos males virão para o bem. O Financial Times escreveu que o transporte aéreo já se tornou o inimigo ambiental número um.

Inmet confirma tornado em Brasília, o primeiro da história do DF


Fenômeno registrado na capital é semelhante aos de grandes proporções que causam prejuízos nos Estados Unidos e na Ásia. No entanto, há várias categorias e o de Brasília é um dos mais leves, de categoria 0 ou 1. A escala vai até 5.
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Renato Alves
Publicação: 01/10/2014 18:08 Atualização: 01/10/2014 19:40


Leitores do Correio Braziliense registraram um tornado próximo ao Aeroporto Internacional de Brasília, durante a forte chuva desta terça-feira, que acabou causando estragos no terminal aéreo e fechando a pista para pousos e decolagens. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), é a primeira vez que um tornado é registrado e confirmado no Distrito Federal. O fenônemo foi considerado de pequena proporção e aparentemente não ofereceu risco por ter acontecido em uma área descampada.
Tornado registrado perto do Aeroporto de Brasília (Kleber Alves dos Santos/Divulgação)
Tornado registrado perto do Aeroporto de Brasília


O tornado registrado na capital é semelhante aos de grandes proporções que causam prejuízos nos Estados Unidos e na Ásia. No entanto, há várias categorias e o de Brasília é um dos mais leves, de categoria 0 ou 1. A escala vai até 5.

A imagem do alto desta página foi enviada ao Correio pelo sargento Kleber Alves dos Santos, do Grupamento de Aviação Operacional do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, que tem um hangar no aeroporto. Já a imagem abaixo é do leitor Alexandre Rios, feita a partir do Anexo I da Câmara dos Deputados.
Imagem feita a partir do Anexo I da Câmara dos Deputados (Alexandre Rios/Divulgação)
Imagem feita a partir do Anexo I da Câmara dos Deputados

segunda-feira, 31 de março de 2014

Amazônia está longe de estar salva

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Painel IPCC alivia previsões para Amazônia (ver matéria abaixo), mas aponta riscos que podem não mudar o seu cenário, dada a falta de decisão política para evitá-los nos Brasil e demais países sul-americanos.  Sem falar na pressão advinda do projeto patrocinado por interesses econômicos, chamado de IRSA (Integração Regional Sul-Americana).  Esse projeto é patrocinado por uma ideologia aina dominante que não vê valor algum na floresta em pé.   Será que nós economistas esquecemos que nos ensinam na escola que uma árvore só tem valor quando derrubada ao chão?  Ou que em todos os livros de macroeconomia ensinados até hoje e não na Idade Média está escrito que “os recursos da natureza são totalmente irrelevantes para o processo econômico”, apesar de ser uma teimosia nada científica completamente em desacordo com a realidade?  E que os físicos sabem que tudo à nossa volta são recursos da natureza regidos por leis que não controlamos?  A física é uma ciência, enquanto a economia não passa de fantasias voltada para solidificar o status quo dos que menos precisam de recursos, mas os que mais conseguem obtê-los, tanto na esfera social, como nacional e global.

A notícia do painel é boa, mas muito pouco animadora, porque mudança climática não é “o” problema, mas um deles, e nem o mais grave.  E se o cenário mais ameno só vai acontecer se não houver desmatamento, fogo, especulação, avanço da fronteira agrícola, então esse cenário não é provável. Não há nenhum arcabouço institucional instalado nessa região sem lei capaz de impedir essas mazelas.  Enfim, falta firmeza e decisão política para defender a floresta – e nossas vidas.  Falta entender que sem a Amazônia estaremos todos mortos.

Quando nossos interesses estão em foco somos os piores juízes das nossas ações. Nós não mudamos simplesmente porque não queremos ou nem sentimos a necessidade de.

Falta barrar a especulação imobiliária, o fogo, com firmeza, mas com uma atuação 360 graus, dando àqueles que fazem isso outra opção de participar do sistema econômico, que não agir em desespero próprio.  Nossas cidades, por exemplo, são motores de destruição contínua dos ecossistemas.  Transporte de lixo, de alimentos, de matérias primas da Ásia para empresas de cosméticoserradamente consideradas sustentáveis,  é tanta coisa errada que nem dá para pensar por onde começar. É por tudo.

É o que mais falta no nosso sistema e é o maior entrave para realmente mudarmos: vivemos um sistema que as oportunidades são distribuídas para poucos, enquanto a vasta maioria fica sem nada e isso só tem piorado.  E esses poucos ainda viram líderes de uma sustentabilidade que inexiste. Nada mudou. Pior, nosso sistema só favorece pessoas no poder que tenham natureza psicopata, segundo estudos de universidades britânicas.

Para salvar o lado ambiental, é necessário salvar primeiro o lado social.  Mas isso é mudar como lidamos com o poder. O poder foi feito para servir e não para se servir dele.  Estamos longe disso. De um pensamento integrado. Nas mãos de pessoas que nem percebem isso.   Se tivéssemos nascido na favela do Alemão não estaríamos pensando na Amazônia – quem acredita em reencarnação deve temer as próximas, dada a situação de penúria social que bilhões já vivem. Se é que as próximasreencarnações ainda poderão ser nesse planeta. Como Nicholas Georgescu-Roegen vaticinou muito antes das descobertas científicas das últimas décadas: “Se a economia do descarte e do desperdício imediato dos bens continuar, seremos capazes de entregar a Terra ainda banhada em sol apenas à vida bacteriana.”  Continuou de forma explosiva e exponencial como mostram os trabalhos do grupo de Meadows e a atualização do seu trabalho Limites ao Crescimento, com colocações extremamente válidas até hoje.  Não adiantou nada os alertas da década de 1970. O que fará adiantar os alertas atuais?

Stephen Jay Gould ao falar da maior extinção em massa de espécies animais e vegetais dos últimos 65 milhões, avisou que seria muita ingenuidade achar que essa extinção jamais se voltaria contra os causadores.  Também avisou que nem faremos mossa à vida bacteriana, o que mostra a sabedoria também em biologia de Roegen.
  

Relatório de 2007 falava em catástrofe e savana; cientistas sugerem agora que é possível proteger a vegetação dos danos climáticos

Giovana Girardi - Enviada especial/O Estado de S. Paulo
YOKOHAMA (Japão) - Há pelo menos uma boa notícia, se é que se pode dizer assim, no novo relatório do IPCC (o painel científico da ONU sobre mudanças climáticas): a Amazônia não corre mais o risco de virar uma savana até o final do século. Essa era uma das principais previsões feitas no relatório anterior, de 2007, do IPCC.
Na época, modelos climáticos apontavam que o aumento da temperatura e as mudanças climáticas levariam a uma nova configuração da vegetação em busca de um reequilíbrio com o clima diferente. Assim, em vez de permanecer como uma floresta densa chuvosa, a Amazônia responderia apresentando um menor porte, menor diversidade, menor biomassa -- mais semelhante com o nosso cerrado. Isso acabou conhecido como savanização e foi um dos pontos de maior crítica ao IPCC.
Sete anos depois, e com mais estudos disponíveis, o cenário ficou menos pessimista. É o que se pode concluir de uma versão preliminar do relatório completo do grupo de trabalho 2 do IPCC (que fala sobre impactos, vulnerabilidade e adaptação) que vazou na internet nos últimos dias. O material será chancelado no final da semana em plenária do IPCC em Yokohama, no Japão.
No capítulo que fala sobre ecossistemas terrestres, e teve como um dos autores o americano Daniel Nepstad, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), que há 30 anos estuda a floresta, o IPCC pontua que o novo conhecimento sobre a dinâmica da floresta melhorou e a probabilidade de ela sofrer essa transformação é bem menor que o que se imaginava anteriormente. "Apesar de que uma diminuição das chuvas e secas mais severas são esperadas no leste da Amazônia", escrevem.
O cenário do colapso da floresta foi duramente criticado alguns meses após o lançamento da segunda parte do relatório 4 do IPCC, em 2007. Na época ele se baseava em uma modelagem climática, feita pelo Hadley Center, da Inglaterra, que projetava um aumento de um ciclo vicioso: o desmatamento alimentaria uma seca, que interagiria com as mudanças climáticas e o aumento da presença de gás carbônico na atmosfera, levando a colapso de metade da floresta até o final do século 21.
O modelo, porém, nunca acertou direito o regime atual de chuvas da floresta, sempre estimava para baixo. Falava em uma média de 1.400 a 1.500 mm quando a medida nas estações meteorológicas ficava em mais de 1.700 mm. Esse erro na modelagem inicial acabou levando aos resultados mais catastróficos.
Além de os modelos terem melhorado, vários estudos experimentais conduzidos na própria floresta ao longo da última década mostraram um cenário um pouco diferente. A floresta continua sendo ameaçada por períodos de seca intensa, mas seu grande inimigo talvez seja o fogo.
"A melhor notícia trazida pelos últimos estudos é que, mesmo com a mudança climática, o homem pode mitigar os seus efeitos ao controlar o uso do fogo na agricultura", comenta o pesquisador Britaldo Soares-Filho, da Universidade Federal de Minas Gerais e especialista na dinâmica da floresta.
O fogo é ainda é um recurso bastante usado por agricultores para limpar o terreno. Mas num momento de seca ele pode se espalhar com potencial realmente danoso para a floresta. "Sem esse combate, há realmente o risco de perder a floresta, com mudança do clima ou não. É o grande gatilho para empobrecer a floresta", diz Britaldo. "Mas o clima pode agravar isso. Agora estamos em um ano muito chuvoso em Rondônia, no Acre, mas em Roraima o fogo está tomando conta. E tivemos duas grandes secas, de 2005 e 2010. A variabilidade está aumentando, a princípio", complementa.
Experimentos conduzidos por Nepstad em que trechos da floresta foram secados com painéis solares observaram o limiar da resistência à seca, com a morte de grandes árvores. "As secas naturais que tivemos depois em 2005 e em 2010 validaram o estudo: 1 bilhão de toneladas de carbono foi liberada com a morte das árvores por seca natural."
Depois foi investigado o potencial do fogo. Uma parcela da floresta queimada intencionalmente no Mato Grosso, nas cabeceiras do Xingu, teve uma mortalidade de 50% das árvores num momento de temperatura mais alta e ventos fortes.
"É possível evitar que o fogo entre na floresta. Por outro lado, o Brasil está conseguindo reduzir o desmatamento. Se essa conquista se consolidar e evitarmos o fogo, dá para manejar o que a mudança climática tem de pior a jogar no Brasil", diz Nepstad.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Água

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Temos várias razões para perda de fé no Brasil. A questão da água e do clima são suficientemente sérias senão assustadoras.

Foto: Steve Garner (CC by 2.0)
O que os climatologistas apontam é que a negação das alterações climáticas não pode ser feita com o argumento de “esse extremo já foi observado 30-40 anos atrás”, porque tem a questão difusa.  Na parte difusa, o que tem sido anormal é o número de extremos climáticos acontecendo todos ao mesmo tempo no planeta: seca no Brasil durante a temporada de chuvas, frio extremo nos EUA e Inglaterra debaixo de água, etc. tudo ao mesmo tempo.

O Brasil vive a combinação nefasta de má gestão política dos recursos com dependência enorme da estabilidade climática hoje cada vez menor.

Temos também a falha da teoria econômica, que considera água e a natureza bens livres, ou seja, são e serão sempre externalidades (bens livres não são passíveis de apropriação econômica). A questão da água em São Paulo onde as perdas na distribuição por falta de investimentos no encanamento são grandes, vemos o quanto a teoria econômica disfuncional explica o caso.  Para a empresa de saneamento, a água não tem custo algum, pagamos apenas pela entrega, então, o fato da água vazar 30-40% pelos canos até seu destino final tem custo zero para a empresa, ou seja, é uma externalidade, não impacta suas receitas.  Mas se a empresa decidir consertar os canos, isso é um passivo imediato, aumenta os gastos.  Se a eficiência for obrigatória por lei usando dispersores em chuveiros e torneiras e vasos sanitários eficientes, o consumo de água despenca, o que reduz a receita da empresa.

Num recurso tão indispensável quanto a água o sistema premia o desperdício, as perdas e a ineficiência, colocando em risco a vida de todos na Terra.  É assustador, porque a água não pode ser produzida, cada gota de água que olhamos num copo existe há 15 bilhões de anos no Universo e é, pelo menos na vida tal como a conhecemos, o elemento vital da sua formação.  Um corpo humano não aguenta uma semana sem água, embora aguente um mês sem comida.

Nova Iorque caminhava para uma crise de falta de água sem precedentes no final dos anos 1990, mas o pagamento de serviços ambientais resolveu o problema, ao manter as matas e florestas das fontes, a água se recuperou e ao reduzir a demanda com eficiência, o equilibrio foi restaurado. No final, temos que respeitar os limites ecológicos para nosso sistema, mas nessa fase intermediária precisamos começar a agir para evitar o pior com o apoio da precificação ambiental, tecnologia, eficiência e tudo que estiver disponivel.  Não podemos ficar sem água e de comida, ninguém estará a salvo disso, mesmo os mais ricos, porque tudo depende da natureza e continuamos tão dependentes dela quanto o homem de Neardental. 

No Brasil desmatar terras por onde se rasgam novas estradas para especulação imobiliária ainda é o grande motor de destruição das nossas florestas.  Sem a Amazônia estaremos todos mortos, isso é uma certeza científica: são 21 bilhões de toneladas de águas produzidas diariamente via vapor que sai das folhas de 600 bilhões de árvores, um volume maior que o do rio Amazonas, maior do mundo, que gera 19 bilhões diariamente. A fonte desse dado é a palestra no TEDxAmazônia do Antonio Donato Nobre, com relato emocionante dos serviços biológicos dessa floresta, que são vários: a floresta Amazônica tem um estoque de carbono equivalente as emissões totais da revolução industrial até hoje, o que, possivelmente, com a sua morte, iria abalar e muito nossa atmosfera. Não é só seu estoque ainda ignorado de biodiversidade e de fonte para vários benefícios à humanidade e sua saúde, mas é o risco que estamos atingindo: segundo Smithsonian se 25% do total da floresta for destruído, pode ser seu ponto de ruptura, a partir do qual ela não é mais capaz de autogerar as condições da sua sobrevivência.  Não sou especialista, mas sou fascinado pela Amazônia e pelos ecossistemas do nosso país, como o Cerrado.   Só consigo entender a destruição desenfreada pela ignorância e imediatismo de alguns e pelo erro atroz da teoria econômica, um dos maiores erros científicos da história da humanidade.

Precisamos de pessoas e políticos que comecem a olhar isso de cima, a população de uma forma geral vive alheia e não tem noção do perigo, pois estão lutando para sobreviver e receberam estímulos errados ligados a questões menos importantes que não lhes garante nada, nem a felicidade ou sua liberdade.  Sempre desejamos que a população tome poder do seu destino com a ajuda de todos, para viverem plenos, mas isso está longe de ser possível, ainda mais no Brasil. Dependemos dos políticos, dos decisores e formadores de opinião de forma extrema, mas eles todos encontram-se ausentes e com raríssimas exceções vemos alguma claridade.  Precisamos de ação antes que seja tarde demais. Espero que já não seja.  Mas o fato é que até agora nenhuma ação foi feita para mudar a rota de colisão da humanidade com a Terra.

Hugo

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Cade a neve?

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Cobertores térmicos especiais foram usados pela organização de Sochi para estocar neve

 Comentáio sobre a notícia:

Surreal: estamos em rota de colisão com a Terra, o que considerávamos dado, não está mais presente, como água, gêlo, chuva, solo fértil e ao invés de mudarmos nossa atitude, cancelarmos nossas extravagâncias, abusamos ainda mais da natureza, tentando criar gêlo, chuva. O sistema sócio-econômico-humano da nossa civilização só produz feedback negativo sobre os ecossistemas e os resultados enquanto continuarmos agindo assmi serão sempre negativos, até que a ruína maior nos atinja: o fim da vida.  Quer saber em quais feedbacks atuamos corriqueiramente: consumo de alimentos produzidos fora das nossas localidades, geração de lixo inconsciente para o qual a reciclagem não é a solução e jamais será, viagens de carro para lá e para cá dentro de cidades sem fazer uso de andar a pé, de bicicleta ou de ônibus, ir a churrascarias, comer carne em excesso, comer carne enfim, viajar de avião de forma hedonista e não útil para  a sociedade, enfim, estamos acelerando o processo de entropização da Terra do qual jamais sairemos vencedores. E até o momento dessa escrita essa economia do alto carbono em cima do modelo carro-casa-viagem-ao-exterior continua mais forte do que nunca, embora seja totalmente insustentável.

Hugo

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Tempestades em SP e no RJ vão até triplicar nos próximos 60 anos

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Tempestades em SP e no RJ vão até triplicar nos próximos 60 anos

CIRILO JUNIOR
DO RIO

A ocorrência de tempestades em São Paulo e no Rio de Janeiro não vai parar de crescer. A constatação é de um estudo do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), em parceria com o MIT (Massachusetts Institute of Technology)) e o IAE (Instituto de Aeronáutica e Espaço), que mostra que o aumento da temperatura das águas do oceano Atlântico devido ao aumento do aquecimento global é a causa direta dessa previsão.

O levantamento concluiu que as tempestades na região Sudeste serão duas vezes maiores dentro de 60 anos, se comparado ao volume atual. Nas regiões litorâneas, a ocorrência de fortes chuvas será três vezes mais intensa.

A previsão leva em conta o ritmo de aquecimento do oceano Atlântico nos últimos 60 anos. As águas ficaram 0,6ºC mais quentes. No mesmo período, a temperatura do planeta subiu 0,8ºC. Com a perspectiva que esse ritmo seja mantido, podemos esperar cada vez mais chuvas daqui para frente.

"A coisa vai piorar, do ponto de vista climático. As chuvas vão aumentar, isso é fato. Reverter isso é diminuir a emissão dos gases do efeito estufa. No curto prazo, é uma tarefa improvável. O que resta é nos prepararmos para minimizar os efeitos", afirmou o coordenador do Elat (Grupo de Elasticidade Atmosférica) do Inpe, Osmar Pinto Junior,

Além do aumento da temperatura nos oceanos, a urbanização e os efeitos do feito estufa intensificam o problema nas grandes cidades. São Paulo é um exemplo clario disso. Enquanto a temperatura média em regiões tropicais cresceu 0,6ºC, a capital paulista ficou, em média, 2ºC mais quente nos últimos 60 anos.

Para tentar prevenir o aumento das chuvas, o Inpe começou a instalar um novo sistema de medição de raios, que vai permitir identificar e prever tempestades severas. Batizado de BrasilDAT, ele vai permitir que sejam identificada a incidência de raios que ocorrem apenas no céu. Atualmente, só são identificados as descargas que atingem o solo.

A nova rede terá investimentos de R$ 10 milhões, e contará com 75 novos sensores que cobrirão todo o Brasil. As regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste terão o sistema implementado até o fim do ano. No ano que vem, a BrasilDAT estará em todo o país.

"As descargas permitem retratar a intensidade de uma tempestade. O sistema vai permitir que se tenha essa informação com cerca de meia hora de antecedência", observou Pinto Junior.

Ele, no entanto, reconheceu que ainda é preciso melhorar o sistema de comunicação entre diversos órgão e entidades, para se prevenir de catástrofes.

"Ainda precisamos de um sistema de emergência adequado", completou.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Nuvem de poluição cobre Brasília após série de incêndios florestais

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Claramente, o padrão de clima já mudou, com invernos bem mais secos e com outras estações bem mais úmidas. Essa mudança de padrão é desastrosa. Mais um dos infinitos sinais de alerta amplamente ignorados pela população que vota naquilo que menos interessa, seja o candidato político, seja no supermercado ou nas suas compras. Votamos diariamente no fim da nossa civilização. Terrível isso. Não pelos votos majoritários, mas pela alegria cega e inconsequente com que são feitos.

Hugo Penteado

Nuvem de poluição cobre Brasília após série de incêndios florestais

Uma área equivalente a 424.900m² foi queimada somente na segunda-feira.
Nos hospitais, aumenta número de pacientes com problemas respiratórios.

Do G1, em Brasília

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O brasiliense está sofrendo com a baixa umidade e a poluição causada por mais de 50 incêndios florestais registrados desde o último final de semana.

Bombeiros de Brasília combatem incêndio próximo a área da nova rodoviária interestadualBombeiros de Brasília combatem incêndio próximo
a área da nova rodoviária interestadual (Foto: G1)

Não chove há 82 dias e, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as chuvas só deverão voltar em setembro. Mesmo assim, devem chegar em pouca quantidade e de maneira muito irregular, o que aumenta o risco do surgimento de novos focos de incêndio.

Uma área de 424.900 m² (equivalente a 10% do Parque da Cidade, o maior de Brasília) foi queimada somente na segunda-feira (16), segundo os bombeiros.

Nesta terça-feira (17), o Corpo de Bombeiros registrava até as 12h quatro ocorrências de incêndio. Em junho, foram 483 focos. Em julho, o número aumentou para 640. Em agosto, até esta terça-feira (17), os bombeiros contabilizavam 357 focos.

Com tantos incêndios, o céu de Brasília foi tomado por uma camada de micropartículas de gás carbônico.

“A última chuva ocorreu no final de maio. Em agosto não temos previsão de chuva, mas talvez, na última semana, algumas pancadas isoladas podem ocorrer. Mesmo em setembro, as chuvas ainda devem voltar de forma irregular”, explicou Hamilton Carvalho, meteorologista do Inmet.

Céu de Brasília com 'névoa', causada pelo aumento no número de focos de incêndio

Céu de Brasília nesta terça-feira (17) com 'névoa' causada pelo aumento no número de focos de incêndio (Foto: G1)

Doenças respiratórias

Segundo a coordenadora do Programa de Combate a Asma da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, a médica alergista Marta Guidacci, o clima seco poderia ajudar no controle das doenças alérgicas, mas com as queimadas, a situação fica agravada.

“Com o clima seco, a gente respira menos bactérias e vírus. Entretanto, as baixas temperaturas do inverno e as micropartículas que ficam no ar, por causa das queimadas, agem como fatores irritativos, aumentando os casos de alergia e os atendimentos nos hospitais”, explicou a médica.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O contra "climagate"

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Clóvis Rossi

Deu no "Financial Times" desta quarta-feira: "As presentes mudanças no clima são 'inegáveis' e mostram claros sinais de levar as digitais do homem, conforme pesquisadores afirmam na primeira grande nova peça de pesquisa científica desde o escândalo do climagate".

A pesquisa foi liderada pela Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos.

De 10 indicadores, sete registraram aumento, a saber: a temperatura do ar sobre a superfície, a temperatura do mar-superfície, a temperatura do ar marinho, o nível do mar, o aquecimento do oceano, a umidade e a temperatura troposférica na camada da atmosfera mais próxima da superfície da Terra.

Os indicadores em queda apontam para o mesmo fenômeno, pois são a redução do gelo no Ártico, dos glaciares e da cobertura de neve no hemisfério Norte.

Resumo da história, segundo Bob Ward, diretor de política do Instituto Grantham, da badalada London School of Economics: "Isso confirma que, enquanto a onda criada pelo climagate estava rolando, a Terra continuava a se aquecer. Mostra que o climagate foi uma distração, porque tirou o foco do que a ciência de fato diz".

Pois é: poderia e deveria ter acrescentado que o climagate --as denúncias de que cientistas haviam exagerado a ameaça da mudança climática-- no mínimo não ajudou a que os líderes mundiais chegassem a um acordo na Conferência de Copenhague, no fim do ano passado.

Ainda dá tempo para recuperar, já que, no fim do ano, haverá nova cúpula, esta no México. Mas o espaço para outras "distrações" se reduziu consideravelmente.

Os detalhes estão, em inglês, claro, em http://www.ft.com/cms/s/0/6d1fd25c-9a69-11df-87fd-00144feab49a.html.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Céticos e realidade

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O mais ridículo disso tudo é o ser humano ficar discutindo se há ou não aquecimento global na Terra, quando queimar combustíveis fósseis e lançar bilhões de toneladas na nossa atmosfera finíssima e fragilíssica é inquestionavelmente um dano irreversível, uma vez que estamos falando de materiais que nesse instante infinitesimal planetário não há como ser limpo... O mais ridículo é quem defende essas teses contrárias não ter noção do tamanho do risco caso estejam errados. O mais ridículo é não terem se dado conta que transformamos nosso planeta, a única casa que possuímos, numa lata de lixo conosco dentro, sendo soterrados vivos, com bilhões de cacarecos e construções e populações crescentes que já são estruturas demasiadas para o frágil equilíbrio que sustenta a vida na Terra. O mais ridículo é os cientistas falarem o que falam e os economistas manterem uma visão autista da realidade com uma teoria econômica falsa que acredita até os dias de hoje que o sistema econômico pode ser maior que o planeta, que o sistema econômico é totalmente separado da natureza, que os equipamentos produzidos pelo homem são perfeitos substitutos da natureza, que existe infinita substitutabilidade dos materiais da natureza e que os recursos naturais e serviços ecológicos são totalmente irrelevantes para o crescimento econômico e por conta disso não há uma só variável no modelo dos economistas que considerem a natureza como variável explicativa.

Isso é muito sério, independente de qualquer coisa, estamos em rota de colisão com a Terra e o aquecimento global é apenas um dos problemas, não é o problema. Quando vamos falar mais da maior extinção em curso e em massa da vida dos últimos 65 milhões de anos, causada em décadas, de forma antropogênica. Será que vai demorar muito para percebermos a nossa ingenuidade em achar que essa extinção jamais se voltará contra os causadores?

Basta lembrar que aqui na Terra todos os seres vivos dependem de todos os seres vivos. Está na hora de falar da defesa do meio ambiente e da biodiversidade da seguinte forma: sem eles, pereceremos. Sem a Amazônia, todos estaremos mortos. Quem sabe mostrando nossa vulnerabilidade e nossa dependência, conseguimos trazer mais consciência para Kátia Abreu?

Hugo Penteado

Os 'céticos' do clima no Senado americano

Se você prestar atenção nas caixas de comentários das notícias e reportagens publicadas online sobre mudança climática, cedo ou tarde vai acabar notando uma rica fauna de opiniões um tanto quanto surpreendentes.

Os espécimes incluem desde gente que vê nisso tudo uma grande conspiração dos países ricos para brecar o desenvolvimento dos pobres ou, no extremo oposto do espectro ideológico, uma grande conspiração de burocratas e cientistas sustentados pela ONU para garantir seus empregos.

Continue lendo o texto aqui.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

As abelhas estão sumindo - Blog Action Day

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O problema climático está sendo tratado com uma questão isolada por quase todas as mentes pensantes, exceto os cientistas sérios da Terra. Os problemas ambientais planetários, que são vastos e ameaçadores, e que não se resumem apenas no aquecimento global, derivam das nossas ações diárias, do nosso comportamento em relação à natureza e da rota de colisão que decidimos traçar contra a Terra, guerra da qual não sairemos vencedores. Ecossistemas extremamente interligados estão em vias de passar por uma transformação brusca e não linear, caso essas ações diárias ligadas ao nosso modelo de produção e consumo não sejam abolidas.

Houve duas grandes extinções naturais da vida na Terra, causadas por mudanças climáticas bruscas. Nunca houve, desde os 4,6 bilhões de anos da Terra, mudança tão rápida, como o aumento em apenas 200 anos da concentração dos gases do efeito estufa na nossa finíssima atmosfera. Nunca houve também uma extinção antropomórfica como a atual ou que tivesse sido causado por apenas uma espécie. O fato aterrador é que a humanidade está produzindo a terceira maior extinção já registrada. Todos falam do problema climático, mas mal comentam que já está em curso o maior processo de extinção em massa de espécies animais e vegetais dos últimos 65 milhões de anos. A questão não é mais se vai acontecer, mas como podemos impedir o agravamento dessa tragédia. A Índia parou de produzir arroz e açúcar, a Austrália leite, os eventos climáticos extremos aqui no Brasil são noticiados quase que diariamente; o pólo norte tinha uma calota polar do tamanho dos Estados Unidos por milhões de anos, que durante o verão se reduz a 15% e em 2014 irá desaparecer por completo. A sorte é que essa calota já flutua nos oceanos e não aumenta o nível da água, mas cria feedbacks positivos ao substitiur a reflexão por absorção do calor dos raios solares com a menor superfície branca. Os feedbacks positivos começam a se alavancar em cascata, ameaçando as tundras, onde há uma quantidade colossal de gás metano que é 20 vezes mais poderoso que o gás carbônico para o aquecimento global. A situação piora e ameaça enormemente grande parte da população quando continentes gelados derreterem, elevando o nível dos oceanos em vários metros. Cientistas russos mostram que a inundação das cidades litorâneas é muito maior que o aumento do nível dos oceanos, por conta do efeito da maré. É na verdade um múltiplo. Essas mudanças ocorrerão quando a resiliência da Terra for vencida e além de ser irreversível a partir desse ponto, a mudança é brusca e tornará a vida inviável quase que inteiramente. Os cientistas, como Martin Rees, já declaram que a probabilidade do homem terminar o século XXI é bem pequena.

Como economista ecológico estou cada vez mais convencido que a minha ciência – a Economia – é totalmente cega e autista. Para ser um economista de verdade teríamos que entender as atuais ciências planetárias, a física, até porque a Economia é uma irmã siamesa da física. Nicholas Georgescu-Roegen foi lamentavelmente ignorado, embora sem ele grande parte da teoria tradicional não existiria. Não devemos mais, por falta de coragem, manter um discurso apenas orientado aos negócios e atender os interesses dos grupos líderes, porque daqui em diante, nesse ritmo de colisão com o planeta, não temos mais nada a perder. E nesse futuro, não haverão vencedores, os homens mais poderosos do mundo, mesmo eles, pertencem à nossa espécie animal ameaçada e a regra planetária ignorada por quase todos é que todos os seres vivos dependem de todos os seres vivos. Não existe poder humano ou econômico que mude essa interdependência. Se os líderes da economia e das nações não entenderem ou perceberem que estamos discutindo novas idéias de negócios desse novo mito chamado economia verde numa mesa que está dentro do Titanic, realmente iremos perecer. A filosofia do “não posso abrir mão do lucro, mas posso abrir mão do planeta” não irá resolver o problema climático - e planetário, pois aquecimento global não é "o" problema, mas um deles.

No fundo não temos um problema climático, mas um problema moral. Se vamos mudar nossos valores e nossa consciência a ponto de motivar as lideranças a promover mudanças reais e não meramente paliativas é uma pergunta sem resposta. No entanto, para alguns é muito grave viver essa dúvida, porque tudo aquilo que consideramos grátis pela natureza – água, energia, clima e comida – está ameaçado, terrivelmente ameaçado e não pode mais ser considerado uma bênção. Se todos os animais e plantas desaparecessem da Terra, a água sumiria junto. Não há uma só variável no modelo dos economistas que contabilize a contribuição inigualável e irreproduzível da água, dos 20 serviços ecológicos que mantém toda a vida e nem dos recursos naturais tangíveis, como ferro e petróleo, onde nos modelos por uma série de mágicas estatísticas são considerados nos livros consagrados de macroeconomia totalmente irrelevantes para explicar o processo econômico. Os recursos naturais tangíveis (os únicos analisados pela teoria tradicional) são vistos como irrelevantes porque representam pouco do custo da produção. Desde quando a importância de algum item pode ser diretamente proporcional a seu custo? Temos que nos conformar que para alguns itens não é possível atribuir valor algum - e nem necessário. Essa idéia estapafúrdia deveria ser testada na prática e pedir que os Estados Unidos parem imediatamente de importar 75% do petróleo que consomem. Se afinal é irrelevante para o processo, porque correr tão esganiçadamente atrás desse recurso, que ainda por cima, causa o efeito estufa da Terra?

Os economistas continuam acreditando que a Terra é um subsistema da economia e que não há limites para o crescimento. Com isso não temos ainda uma mudança de paradigma e de discurso e o blablablá de sustentabilidade só faz lembrar um velho ditado francês: quanto mais as coisas mudam, mais elas continuam as mesmas. O Banco Mundial declara que a causa do problema ambiental é a pobreza e que é possível sim manter o crescimento econômico e ao mesmo tempo eliminar a pobreza e salvar o planeta. Não é o planeta que está ameaçado e sim nós. Essa ideologia nega, portanto, todas as descobertas científicas do maior e único consenso científico internacional atual. Essa comunidade já assinou vários alertas para a humanidade, mais de 1700 cientistas, mais de 100 prêmios Nobel. Ninguém fala do desperdício de tudo, da energia por exemplo, a busca de mais fontes de energia é desnecessária, já que desperdiçamos metade. E por aí vai

Não dá mais para continuar assim. O renomado paleontólogo norte-americano Stephen Jay Gould teve uma pequena disputa com economistas norte-americanos, que sem sua autorização dispararam a seguinte convicção: “De acordo com Gould, toda vida na Terra está fadada à extinção, por isso se o sistema econômico causar alguma extinção, estamos prestando um favor à natureza.” Gould entrou no debate avisando que nunca tinha participado de algo tão estúpido, dizendo: “É verdade, toda vida na Terra está fadada à extinção, só 1% de toda vida que surgiu nesse planeta existe hoje. Mas isso ocorre em eras geológicas, de milhões de anos, e não em décadas e nem causada por uma única espécie. Milhões ou bilhões de anos é uma régua temporal que nosso cérebro que só vive décadas não é capaz de entender. É muita ingenuidade achar que essa extinção jamais irá voltar contra os causadores.” Ingenuidade brutal, porque comemos, vivemos e respiramos graças aos ecossistemas e aos seres vivos e não graças à nossa tecnologia, que é um mero adereço. Einstein escreveu que se as abelhas sumissem, os animais sumiriam e os homens tambem, em quatro anos.

As abelhas estão sumindo. No longo prazo todos estaremos mortos, mas como espécie animal seríamos praticamente imortais. Ao que tudo indica, não mais.


Hugo Penteado
Autor do livro Ecoeconomia Uma nova Abordagem, Lazuli, 2008, 2ª.edição
(Sugestões e comentários de Eduardo Passeto)
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Este post é parte do Blog Action Day. O Blog Action Day é um evento anual que reúne blogueiros de todo o mundo postando textos sobre o mesmo assunto, no mesmo dia. O objetivo é disseminar uma discussão mundial e simultânea sobre um tema de interesse coletivo, sendo o maior evento de mudança social na web. O tema desse ano é Mudanças Climáticas.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Mais uma da série: "Querida, acho que destruí o planeta!"

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Mudanças aceleradas
29/9/2009

Agência FAPESP – O Quarto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado em fevereiro de 2007, chamou a atenção dos meios de comunicação e alertou o público em geral de forma inédita sobre um dos mais preocupantes problemas na atualidade.

Mas, de acordo com uma nova análise, as estimativas do relatório podem ter sido modestas. O motivo é que tanto o ritmo como a escala das mudanças climáticas globais já teriam superado o que havia sido previsto há dois anos.

Os impactos estariam chegando mais rapidamente, segundo diversos indicadores, como a perda de gelo nas montanhas e no Ártico ou a acidificação dos oceanos. A conclusão é do relatório Climate Change Science Compendium 2009, divulgado no dia 24 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Produzido por cientistas de diversos países, o relatório destaca a extrema importância de que a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15), que será realizada em Copenhague, na Dinamarca, de 7 a 18 de dezembro, chegue a um novo acordo global para o clima para vigorar com o fim do Protocolo de Kyoto, em 2012.

“A COP15 tem importância fundamental para a sobrevivência do planeta, pois só com um esforço coletivo do qual participem todos os países, desenvolvidos, emergentes e em desenvolvimento, será possível estabelecer metas elevadas de redução da emissão de gases de efeito estufa e, efetivamente, atingir essas metas dentro de 20 anos”, disse Carlos Alfredo Joly, professor titular do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas e coordenador do Programa Biota-FAPESP.

O relatório do Pnuma destaca alterações por todo o planeta. Na Europa, além da aceleração do derretimento do gelo nos Alpes e Pirineus, há o aumento da aridez no solo que se espalha do Mediterrâneo para o norte e o deslocamento de espécies vegetais para altitudes mais elevadas.

Água mais ácida que pode corroer uma substância chamada aragonita, fundamental para o crescimento de corais e das conchas de moluscos, chegou à costa da Califórnia, décadas antes do que modelos haviam previsto.

O derretimento de glaciares e mantos de gelo nas regiões polares está mais rápido. No manto da Groenlândia, por exemplo, o derretimento observado recentemente foi 60% superior ao recorde anterior, em 1998.

O relatório destaca que novos estudos apontam que a elevação dos níveis do mar pode ser maior do que se estimava anteriormente. Os aumentos podem chegar a 2 metros até 2100 e de cinco a dezes vezes mais nos séculos seguintes.

Outra preocupação é que alterações drásticas podem ocorrer em algumas décadas, ou antes, em sistemas climáticos importantes, como as monções no Sudeste Asiático, Saara e oeste da África e sistemas que atuam no ecossistema amazônico.

Segundo o relatório, perdas de gelo em montanhas nas regiões tropicais e temperadas afetariam de 20% a 25% da população humana nessas áreas com prejuízos na irrigação e perda de água potável.

Tendências atuais de emissão de dióxido de carbono, de acordo com o documento, poderão levar a uma alteração irreversível nas condições em certas áreas na América do Sul, principalmente no Nordeste do Brasil, incluindo um aumento de 10% na aridez durante a estação mais seca.

O texto destaca ainda que é possível evitar a maior parte dos impactos que serão promovidos pelas mudanças climáticas, mas que isso só ocorrerá durante a existência da civilização atual se houver “ações imediatas, coesivas e decisivas para cortar emissões e auxiliar países mais vulneráveis a se adaptarem”.

Papel do Brasil

“O Climate Change Science Compendium 2009 é um alerta: o tempo de hesitar acabou”, alertou Ban Ki-moon, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). “Precisamos que o mundo inteiro realize, de uma vez por todas, que a hora de agir é agora e que devemos trabalhar juntos para enfrentar esse desafio monumental. Esse é o desafio moral de nossa geração”.

O compêndio do Pnuma reúne e revisa dados obtidos por cerca de 400 estudos feitos nos últimos três anos. O objetivo, segundo os responsáveis pelo programa, não é substituir os documentos do IPCC – que prepara o quinto relatório de avaliação –, mas atualizar o mais recente deles.

“O conhecimento científico sobre as mudanças e previsões climáticas tem avançado muito rapidamente desde o relatório do IPCC de 2007”, disse Achim Steiner, subsecretário da ONU e diretor executivo do Pnuma.

Nesse cenário, o coordenador do Biota-FAPESP ressalta a importância fundamental da COP15 e do papel brasileiro na conferência. Segundo Joly, o sucesso do encontro em dezembro passará por uma mudança substancial da postura do Brasil nas negociações, “saindo da defensiva que caracterizou nossa atuação nos últimos dez anos para uma participação propositiva e de liderança”.

“O Brasil é o único país que, em função de sua matriz energética, pode reduzir substancialmente a emissão de gases de efeito estufa sem que isso afete o seu desenvolvimento. Pelo contrário, para o Brasil, reduzir a taxa de emissão de gases de efeito estufa é sinônimo de um novo modelo de desenvolvimento, que tem como um dos sustentáculos uma economia de baixo carbono, baseada nos serviços ambientais da floresta e nos recursos gerados pelo uso sustentável da biodiversidade”, disse Joly à Agência FAPESP.

“Ao pararmos de incinerar nossa rica, e em grande parte ainda desconhecida, biodiversidade, dando uma oportunidade para que as gerações futuras se beneficiem do uso sustentável desse nosso patrimônio natural, estaremos, voluntariamente, atingindo uma meta significativa de redução de emissão de gases de efeito estufa”, afirmou.

O relatório do Pnuma pode ser lido em www.unep.org/compendium2009.


quarta-feira, 16 de setembro de 2009

2.800 mm de chuva

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Nos dias 7, 8 e 9 de agosto de 2009, choveram 2.800 milímetros no sul da Ilha de Taiwan. Para ser mais exato, foram 2.777 mm, ou quase 3 metros de água, em apenas três dias de chuva.

O Tufão Morakot parecia ser mais um tufão de classe F2, que passaria por Taiwan rumo à China e ao Japão, mas os extremos climáticos mostraram toda a sua força naquele final de semana de verão.

A foto acima, da AFP, mostra o deslizamento de terra que soterrou uma pequena cidade no sul da Ilha de Taiwan, deixando centenas de pessoas desaparecidas, durante a passagem do Tufão Morakot.

Para termos uma comparação, a catástrofe ocorrida no estado de Santa Catarina, em novembro de 2008, foi ocasionada por menos de 1.000 mm de chuva em trinta dias, também durante o verão.

No dia 08 de setembro de 2009, na grande São Paulo, choveram cerca de 70 mm em menos de 24 horas e em pleno inverno, ocasionando diversos problemas como alagamentos, deslizamentos de terra e, infelizmente, algumas vidas humanas foram perdidas.

Segundo algumas informações, o próximo verão no Brasil será bastante chuvoso e com extremos climáticos, em função do El Niño e, também, da alta concentração dos gases causadores do efeito estufa na atmosfera do nosso planeta.

Carlos Aranha

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Estudo derruba ligação entre raios solares e aquecimento global

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mudanças climáticas
04/04/2008

Estudo derruba ligação entre raios solares e aquecimento global


Cientistas britânicos produziram novas e convincentes provas de que a mudança climática atual não é causada por mudanças na atividade solar.

A pesquisa contradiz a teoria favorita dos "céticos" do aquecimento global, segundo a qual raios cósmicos vindos para a Terra - e não as emissões de carbono - determinam a quantidade de nuvens no céu e a temperatura no planeta.

A idéia é que variações na atividade solar afetam a intensidade dos raios cósmicos, mas cientistas da Universidade de Lancaster descobriram que não houve nenhuma relação significativa entre as duas variáveis nos últimos 20 anos.

Apresentando suas descobertas na revista científica "Environmental Research Letters", a equipe britânica explicou que foram usadas três diferentes maneiras para procurar uma correlação, e praticamente nenhuma foi encontrada.

Esta é a mais recente prova a colocar sob intensa pressão a teoria dos raios cósmicos, desenvolvida pelo cientista dinamarquês Henrik Svensmark, do Centro Espacial Nacional da Dinamarca.

As idéias defendidas por Svensmark formaram o principal argumento do documentário "The Great Global Warming Swindle" (A Grande Fraude do Aquecimento Global, em tradução livre), exibido pela televisão britânica, que intensificou os debates sobre as causas das mudanças climáticas atuais.

Caminho errado

"Começamos este jogo por causa do trabalho de Svensmark", disse Terry Sloan, da Universidade de Lancaster.

"Se ele está certo, então estamos no caminho errado tomando todas essas medidas caras para cortar as emissões de carbono; se ele está certo, podemos continuar a emitir carbono normalmente."

Os raios cósmicos são refletidos da superfície da Terra pelo campo magnético do planeta e pelo vento solar - correntes de partículas eletricamente carregadas vindas do Sol.

A hipótese de Svensmark é que, quando o vento solar está fraco, mais raios cósmicos penetram na atmosfera, o que aumenta a formação de nuvens e esfria o planeta. Quando os raios solares estão mais fortes, a temperatura na Terra sobe.

A equipe de Terry Sloan estudou essa relação analisando partes do planeta e períodos de tempo em que se registraram a chegada forte ou fraca de raios cósmicos. Eles então verificaram se isso afetou a formação de nuvens nesses locais e nesses momentos e não encontraram nada.

No curso de um dos ciclos naturais de 11 anos do Sol, houve uma frágil correlação entre a intensidade dos raios cósmicos e a quantidade de nuvens no céu. Mesmo assim, a variação dos raios cósmicos explicaria apenas um quarto das mudanças nas nuvens.

No ciclo seguinte, nenhuma relação foi encontrada.

O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, na sigla em inglês), em sua avaliação sobre a questão feita no ano passado, concluiu que desde que as temperaturas começaram a aumentar rapidamente nos anos 70, os gases de efeito estufa produzidos pelo homem tiveram um peso 13 vezes maior no aquecimento global que a variação da atividade solar.

"Tentamos corroborar a hipótese de Svensmark, mas não conseguimos. Até onde podemos constatar, ele não tem nenhuma razão para desafiar o IPCC - o IPCC está certo. Então, é melhor continuarmos a cortar as emissões de carbono", disse Terry Sloan.
(Fonte: Folha Online)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O quase fim da negociações do clima, CoP 14, Poznan

O 5º Vídeo sobre Mudanças Climáticas do Vitae Civilis na CoP 14 já está no ar !

Nesta edição, produzida em 11/12, quando foi aberto o segmento de alto nível, o Vitae Civilis traz o clamor das pequenas ilhas do Pacífico, com a participação de Tuvalu, Sri Lanka e Ilhas Salomão, nações já ameaçadas pelo aumento do nível do mar, mas cuja participação histórica na emissão de gases do efeito estufa é praticamente nula... 
Veja também o trabalho dos jovens que lutam pelo futuro das próximas gerações e descubra que são os "Bad Boys" das negociações, os países que mais se esforçam para arruinar o pacto global.

Você está mais do que convidado a acessar www.vitaecivilis.org.br ou www.youtube.com/vcivilis e postar seus comentários !

Abraços da equipe do Vitae Civilis na CoP 14, Poznan.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Mais videos da CoP 14. A conferencia que nao decola.

O Vitae Civilis tem o prazer de anunciar, sem acentos ou "cecidilhas" porque o teclado eh Polones, seus mais novos videos produzidos na CoP 14, em Poznan.

No video #3 sao analisadas as faces das reducoes de emissoes por desmatamento e degradacao florestal, conhecidas como REDDs. Quem as analisa eh um indio americano, cujos povos tiveram seus direitos arrancados dos textos das negociacoes pelos proprio americanos (assim como os direitos de todos os outros povos indigenas do planeta). A outra analise eh feita por Gaines Campbell, membro do Vitae Civilis. Ao final, existe uma analise dos acontecimentos da semana por Jennifer Morgan, conhecida por aqui como a Sra. Clima.

No video #4 acompanhei um protesto que foi ate Varsovia - a 3 horas daqui - para pedir que a chanceler alema Merkel e o primeiro ministro polones Donald Tusk adotem posicoes series que reflitam em metas consideraveis reducoes de emissoes (25 a 40% em 2020, com base em 1990). A Alemanha, antes lider das negociacoes, usa agoraa crise financeira como desculpa para reduzir suas metas e buscar brechas que permitam a continuidade do uso do carvao mineral como fonte principal de energia. A Polonia, que tem 93% de sua matriz baseada em carvao, defende a proposta alema com unhas e dentes. No video voce vera como a pressao popular eh importante para a defesa do posicionamento da sociedade civil.

Acesse www.vitaecivilis.org.br ou www.youtube.com/vcivilis e deixe seus comentarios !

Abracos, equipe Vitae Civilis, Poznan, CoP 14 !

sábado, 6 de dezembro de 2008

Novos vídeos da Vitae Civilis na CoP 14 !

Novos vídeos da Vitae Civilis na CoP 14, em Poznan, Polônia !

Os vídeos do Vitae Civilis são um espaço para a participação de ONGs e pequenas delegações nas negociações sobre mudanças climáticas.

O primeiro vídeo apresenta o importantíssimo papel realizado pelas organizações da sociedade civil e as diferentes maneiras utilizadas por estas instituições para influenciar o sucesso das negociações.

O segundo vídeo traz representantes de pequenas delegações falando sobre suas expectativas em relação as negociações e  dos impactos das mudanças climáticas sobre suas nações, onde milhões de pessoas tem sua sobrevivência afetada por enchentes, secas e aumento do nível do mar. Estes são os novos "refugiados climáticos". Bangladesh, Namibia, Brasil e Ilhas Salomão são os entrevistados.

Assista agora e deixe seu comentário em:


Abraços,

Equipe Vitae Civilis, CoP 14.


Primeiras impressões e pretensiosas promessas de Poznan

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Por: Vitae Civilis
Fonte: www.vitaecivilis.org.br

Começou! A 14ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, sigla em inglês) começou, deixando saudades de Bali e seus 39ºC na sombra versus 0ºC ao sol em Poznan. A questão é mesmo de temperatura: calores, calafrios, paixões e frias.

Se a temperatura média global aumentar mais que 2ºC em relação aos níveis pré-industriais, o impacto do clima sobre a produção de alimentos, recursos hídricos, nível do mar e ecossistemas será catastrófico. Mais de dois bilhões de pessoas sofrerão os efeitos da falta de água e a maior parte do sul da África conviverá com seca o ano inteiro. A agricultura será seriamente comprometida e a fome e desnutrição matarão, no mínimo, dois milhões de pessoas por ano. A emergência econômica que temos hoje será pálida se comparada às conseqüências das mudanças climáticas, caso seja mantido o atual nível de comprometimento. Por tudo isso, os delegados reunidos em Poznan têm a obrigação de sinalizar que 2009 será um ano decisivo, que a CoP-15, em Copenhague, produzirá um acordo ratificável.
 
Contexto externo

Algumas coisas muito importantes aconteceram entre Bali (CoP-13) e Poznan (CoP-14):

  • Milhões de pessoas já enfrentam os impactos perigosos das mudanças no clima, que não vão sumir, vão se intensificar e ameaçam as suas vidas e formas de sustento;
  • O discurso da resistência não encontra mais ressonância, a não ser nos redutos reacionários de minorias ranzinzas;
  • A crise financeira mundial não é razão para protelar, muito menos para ambições reprimidas, mas representa uma oportunidade de assumir compromissos com fortes ações sobre o clima e fazer deles alavancas econômicas. O inimaginável nível de recursos juntados para impedir impactos econômicos ainda mais graves demonstra com clareza que, quando a questão é importante, todas as barreiras podem ser derrubadas;
  • Dois governos de países do Anexo I estão alterando o cenário nesse exato momento: Canadá e Reino Unido.
  • Na segunda-feira, dia 1 de dezembro, a Comissão de Mudanças Climáticas do governo britânico publicou as suas propostas para as metas de redução de emissões de gases de efeito estufa para 2020. A meta recomendada é de 42% de redução para todos os gases de efeito estufa em relação a 1990. Ao aceitar esta proposta, o governo britânico terá assumido a mais ambiciosa meta de todos os países do mundo, além de mostrar o caminho para outros países desenvolvidos;
    o Na próxima segunda-feira, 8 de dezembro, com alto nível de probabilidade o governo do Canadá cairá após a aprovação de uma moção de desconfiança. Os partidos da oposição já assinaram um pacto de governança e a sociedade civil está conclamando, entre outras coisas, por um reposicionamento da sua estratégia energética e redução da sua dependência no petróleo importado.
  • Os países em desenvolvimento, os países menos desenvolvidos e o grupo dos países insulares, entre outros, olham para a CoP-14 com uma visão crítica, contundente e exigente. A seguir o tom do discurso de alguns desses países:
  • 16 anos após a Convenção do Rio e ainda se discute sua implementação. Está na hora dos países desenvolvidos reconhecerem sua responsabilidade histórica e assumirem seus compromissos.
  • A UNFCCC já contém uma visão compartilhada de longo prazo. Compromissos futuros têm que levar em conta eqüidade e responsabilidades históricas. Se a Convenção tivesse sido completamente implementada e os compromissos honrados, o Plano de Bali teria sido desnecessário e os países mais vulneráveis teriam recebido os recursos necessários para a sua adaptação aos impactos adversos da mudança do clima.
  • A falta de confiança por parte dos países menos desenvolvidos em relação às negociações faz com que eles hesitem em assumir compromissos.
  • A crise provocada pelas mudanças de clima requer o mesmo grau de comprometimento financeiro que a atual crise financeira. Existe uma expectativa grande em torno da administração do próximo Presidente dos Estados Unidos.

Falta liderança! 

Nesses três dias iniciais de negociações, a União Européia, que possui reputação considerável no combate às mudanças climáticas, tendo sido fundamental para a adoção do Plano de Ação de Bali há um ano, tem decepcionado. Em seu próprio território, o bloco europeu não mostrou o que veio fazer na CoP-14. Até agora, não apresentou propostas concretas ou se posicionou sobre a transferência de recursos para mitigação e adaptação para os países não-Anexo I (vulgo países do Sul). Dentro da UE, as atenções se voltam para a Polônia, cujo primeiro-ministro em discurso inaugural da CoP clamou por solidariedade global para lidar com as mudanças do clima. Esse discurso, contraditório com a posição assumida pelo país nos últimos meses sobre o pacote de clima e energia da União Européia e sobre a posição do bloco para as negociações internacionais, fez com que o país anfitrião da Conferência ganhasse o primeiro Prêmio Fóssil do Dia – dado para os países que mais “se esforçam” para impedir o sucesso das negociações. 

O Umbrella Group (Austrália, Canadá, Islândia, Japão, Nova Zelândia, Noruega, Rússia, Ucrânia e Estados Unidos) tradicionalmente possui posições conservadoras com o propósito de evitar a discussão sobre compromissos de redução de emissões para os países desenvolvidos. Saiu de um dos países integrantes desse grupo uma das “pérolas” dessa CoP: um negociador do Japão, durante uma sessão do AWG-LCA, ofereceu-se para reduzir o tempo de duração dos seus banhos diários de 20 para 15 minutos para salvar o planeta. Além disso, prometeu tentar reduzir os sete ou oito banhos que toma nos finais de semana para três. Essa intervenção foi infeliz e ofensiva, ainda mais se lembrarmos que aconteceu numa reunião das Nações Unidas, onde em muitos dos países ali representados a população não possui água nem para atender suas necessidades básicas, muito menos para vários banhos diários, como foi lembrado por um delegado chinês. A delegação norte-americana, como reflexo do processo de transição interna, tenta obstruir o processo, alegando que não vale a pena negociar acordo no momento, pois isso poderá atrapalhar os planos da administração Obama. 

E o Brasil? 

O lançamento do Plano Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), em Brasília, na última segunda-feira provocou uma reação positiva aqui em Poznan. No entanto, aqueles que conheceram de perto o processo de elaboração desse plano, bem como o seu conteúdo, sabem que um plano preparado às pressas não tem consistência para ser apresentado e defendido na CoP-14. O texto não contemplou, por exemplo, as deliberações da III Conferência Nacional de Meio Ambiente (maio de 2008), que nem chegaram a ser publicadas e faziam parte do processo de consulta pública para o Plano. É de particular interesse para o Brasil, na CoP-14, a discussão sobre mecanismos para a redução de emissões de desmatamento e degradação florestal (REDD), já que a maior parte das emissões do país (75%) são originárias dessa fonte e o PNMC tem como um de seus objetivos a diminuição das taxas de desmatamento na Amazônia. De que maneira isso seria feito? Com que recursos?  O país deve aproveitar as discussões em Poznan para defender um mecanismo de REDD que melhor atenda seus interesses, obedecendo princípios de eqüidade e justiça. E que esses interesses não sejam apenas restritos à CoP e oportunistas, como foi o lançamento do PNMC no dia do início da Conferência da ONU. 

Principais pontos em negociação e expectativas

O sucesso das negociações em Poznan é fundamental para que, em dezembro de 2009, na CoP-15 (Copenhague), os países parte da Convenção consigam chegar num acordo que defina o que vai acontecer após 31 de dezembro de 2012, data do fim do primeiro período de compromissos do Protocolo de Quioto. Assim, espera-se que o primeiro texto para negociação seja apresentado já na primeira rodada de negociações do próximo ano. 

É importante termos sempre em mente que o objetivo dessas negociações, como diz o texto da Convenção, é estabilizar a concentração de emissões de gases de efeito estufa num nível que impeça uma interferência antrópica perigosa no sistema climático. Se esse objetivo não for alcançado, a vida neste planeta corre seríssimos riscos e será impossível estender a mão aos mais vulneráveis e menos aptos a enfrentar os impactos das mudanças climáticas. 

Atividades da equipe VC

O Vitae Civilis participa da CoP-14 com a sua maior equipe e uma ambição maior ainda. Normalmente, o primeiro dia é dedicado a um pequeno número de tarefas administrativas, logísticas e de orientação dentro da estrutura física da Conferência. Entretanto, desta vez as coisas mudaram. Desde o primeiro momento sugiram oportunidades e desafios novos. O nível de relacionamento da equipe vai aumentando na medida em que a participação em outras CoPs e reuniões dos Grupos de Trabalho Ad Hoc aumentam. Assim, um dia de trabalho na CoP inclui: coleta dos documentos-chave, tais como o programa diário publicado pelo Secretariado da UNFCCC, cópias dos boletins da Climate Action Network (CAN), da Third World Network e do Earth Negotiations Boletin (ENB); participação em reuniões diárias tais como a da Coordenação Política da CAN, o CAN Daily Meeting, grupos de trabalho sobre REDD e adaptação, contatos e reuniões com outras redes e ONGs; assistir às reuniões plenárias, workshops, grupos de contato, quando possível, reuniões com delegações ou outros contatos de alto nível. No meio de tudo isso temos que verificar os nossos e-mails, que passaram a ganhar um volume e qualidade fundamentais para os nossos objetivos na CoP e, quem sabe, tirar um tempinho para almoçar. Quando não voltamos tarde para o nosso apartamento (depois da meia-noite), acabamos voltando cedo e trabalhando até tarde (são 2h10 neste exato momento). Mas, como dissemos em Bali, no ano passado, e repetimos agora: apesar da sobrecarga de tarefas, informações e contatos temos muito orgulho de fazer parte e de fazer a nossa parte.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Plano nacional de Mudança de Clima é anunciado pelo Presidente Lula em Brasília

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Por: Equipe Vitae Civilis
Fonte: www.vitaecivilis.org.br

Brasília, 1 de dezembro - No mesmo dia em que em Poznan, Polônia, representantes de mais de 170 países iniciaram nova etapa de discussões para fortalecer o acordo global para deter o aquecimento global, o Palácio do Planalto recebeu uma centena de especialistas e representantes de instituições cientificas, empresas, ONGs, órgãos de governos estaduais e federal para um evento do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas - FBMC com o Presidente Lula, para o anúncio do Plano Nacional sobre Mudança do Clima.

 

Antes dos discursos do Ministro Carlos Minc, do Meio Ambiente, e do Presidente Lula, o Prof. Luiz Pinguelli Rosa, secretário-executivo do FBMC relatou as atividades desse Fórum na construção do Plano e destacou que o Brasil precisa resolver dois desafios simultaneamente: a diminuição do crescimento de suas emissões de gases de efeito estufa e a erradicação da pobreza. Depois foram feitas breves intervenções de alguns membros do FBMC.  Milton Nogueira, do Fórum Mineiro de Mudanças Climáticas disse que é importante haver inventários estaduais de fontes de emissão de gases, que associados a estudos científicos, planos estaduais e locais possam articular a sociedade para um caminho mais adequado à prevenção do aquecimento global. Roberto Smeraldi, do Amigos da Terra - Amazônia Brasileira, disse que “devemos comemorar o fato do Brasil finalmente ter um plano, mas o conteúdo ainda precisa ser melhor avaliado e discutido”.

 

O Ministro Minc disse que “o plano tem metas importantes, que representariam uma redução de emissões equivalentes a três vezes as emissões que o Protocolo de Quioto, em sua primeira fase de 2008 a 2012 “. Minc disse que um objetivo importante do plano é “buscar a redução sustentada das taxas de desmatamento em sua média quadrienal, em todos os biomas brasileiros, até que se atinja o desmatamento ilegal zero”. Para isso, até 2010 buscar-se-ia uma redução de 40% do desmatamento tendo como referência o período de 1996 a 2005”. E em cada um dos dois quadriênios de 2010 a 2017 seriam obtidas reduções de mais 30%”.

  

Para Rubens Born, coordenador do Vitae Civilis, que esteve presente no evento do Palácio do Planalto, “o fato do Plano estabelecer metas é positivo: agora não se trata mais de questionar se metas são ou não necessárias, mas sim de que metas são relevantes e factíveis e quais serão os recursos e instrumentos para assegurar o seu cumprimento” disse Born.

 

O Plano traz  também a meta de “eliminar a perda líquida da área de cobertura florestal no Brasil até 2015, e para isso dobrar a área plantada com árvores para 11 milhões de hectares em 2020. Enfim, de fazer que o consumo de madeira, carvão, papel e celulose não dependa mais do corte de florestas nativas. O Plano tem 126 páginas e está disponível na página do Ministério do Meio Ambiente (www.mma.gov.br).

 

A versão preliminar do Plano foi submetida a breve consulta pública, pela internet e em algumas reuniões do FBMC, desde o dia 25 de setembro quando foi divulgada pelos ministros Carlos Minc, do Meio Ambiente, e Sérgio Rezende, de Ciência e Tecnologia. O FBMC promoveu também algumas reuniões setoriais, do final de julho a início de setembro, para colher contribuições ao Plano.

 

“O Vitae Civilis participou de algumas dessas reuniões e apresentou comentários à consulta eletrônica, pois entende que a construção participativa de políticas e planos públicos é condição de fortalecer a democracia e a sustentabilidade socioambiental de nosso país” afirma Rubens Born, coordenador da instituição. No entanto, diz Born, “ficamos apreensivos, pois a qualidade e seriedade do plano pode ser prejudicada pela pressa em recuperar o atraso de vários anos do Brasil com o cumprimento da Convenção da ONU sobre Mudança de Clima”.

 

A versão preliminar provocou a apreensão do Vitae Civilis e de muitas outras organizações do Grupo de Trabalho de Mudança de Clima (GT Clima) do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Desenvolvimento e Meio Ambiente (FBOMS) que em 2007 elaborou documento com sugestões de políticas e ações para o plano em diversos setores (energia, gestão urbana, florestas, agricultura, transporte, vítimas do aquecimento global etc). Na elaboração dessas contribuições participaram representantes de redes e organizações que atuam com temas diversos, como comércio internacional, justiça, defesa de consumidores, educação, além dos integrantes do GT Clima. “Entregamos o documento com essas propostas ao Presidente Lula na reunião do FBMC, em novembro de 2007, e lamentamos a não incorporação de muitas das nossas sugestões na versão final do Plano” disse Rubens Born.

 

O Plano anunciado pelo Presidente Lula será avaliado e revisto em 2009 para que, segundo o governo, possam ser incorporadas as medidas e os instrumentos resultantes de estudos que ficarão concluídos somente no próximo ano, como o de impactos e vulnerabilidades aos efeitos de mudanças climáticas.


Mais informações sobre as Negociações da ONU sobre Mudanças Climáticas - CoP 14 - com análises, vídeos e chats com os membros do Vitae Civilis em Poznan através do site www.vitaecivilis.org.br.

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