sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
O quase fim da negociações do clima, CoP 14, Poznan
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Mais videos da CoP 14. A conferencia que nao decola.
No video #3 sao analisadas as faces das reducoes de emissoes por desmatamento e degradacao florestal, conhecidas como REDDs. Quem as analisa eh um indio americano, cujos povos tiveram seus direitos arrancados dos textos das negociacoes pelos proprio americanos (assim como os direitos de todos os outros povos indigenas do planeta). A outra analise eh feita por Gaines Campbell, membro do Vitae Civilis. Ao final, existe uma analise dos acontecimentos da semana por Jennifer Morgan, conhecida por aqui como a Sra. Clima.
No video #4 acompanhei um protesto que foi ate Varsovia - a 3 horas daqui - para pedir que a chanceler alema Merkel e o primeiro ministro polones Donald Tusk adotem posicoes series que reflitam em metas consideraveis reducoes de emissoes (25 a 40% em 2020, com base em 1990). A Alemanha, antes lider das negociacoes, usa agoraa crise financeira como desculpa para reduzir suas metas e buscar brechas que permitam a continuidade do uso do carvao mineral como fonte principal de energia. A Polonia, que tem 93% de sua matriz baseada em carvao, defende a proposta alema com unhas e dentes. No video voce vera como a pressao popular eh importante para a defesa do posicionamento da sociedade civil.
Acesse www.vitaecivilis.org.br ou www.youtube.com/vcivilis e deixe seus comentarios !
Abracos, equipe Vitae Civilis, Poznan, CoP 14 !
sábado, 6 de dezembro de 2008
Novos vídeos da Vitae Civilis na CoP 14 !
Primeiras impressões e pretensiosas promessas de Poznan
Começou! A 14ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, sigla em inglês) começou, deixando saudades de Bali e seus 39ºC na sombra versus 0ºC ao sol em Poznan. A questão é mesmo de temperatura: calores, calafrios, paixões e frias. Se a temperatura média global aumentar mais que 2ºC em relação aos níveis pré-industriais, o impacto do clima sobre a produção de alimentos, recursos hídricos, nível do mar e ecossistemas será catastrófico. Mais de dois bilhões de pessoas sofrerão os efeitos da falta de água e a maior parte do sul da África conviverá com seca o ano inteiro. A agricultura será seriamente comprometida e a fome e desnutrição matarão, no mínimo, dois milhões de pessoas por ano. A emergência econômica que temos hoje será pálida se comparada às conseqüências das mudanças climáticas, caso seja mantido o atual nível de comprometimento. Por tudo isso, os delegados reunidos em Poznan têm a obrigação de sinalizar que 2009 será um ano decisivo, que a CoP-15, em Copenhague, produzirá um acordo ratificável.
Falta liderança! | ||
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Plano nacional de Mudança de Clima é anunciado pelo Presidente Lula em Brasília
Brasília, 1 de dezembro - No mesmo dia em que em Poznan, Polônia, representantes de mais de 170 países iniciaram nova etapa de discussões para fortalecer o acordo global para deter o aquecimento global, o Palácio do Planalto recebeu uma centena de especialistas e representantes de instituições cientificas, empresas, ONGs, órgãos de governos estaduais e federal para um evento do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas - FBMC com o Presidente Lula, para o anúncio do Plano Nacional sobre Mudança do Clima.
Antes dos discursos do Ministro Carlos Minc, do Meio Ambiente, e do Presidente Lula, o Prof. Luiz Pinguelli Rosa, secretário-executivo do FBMC relatou as atividades desse Fórum na construção do Plano e destacou que o Brasil precisa resolver dois desafios simultaneamente: a diminuição do crescimento de suas emissões de gases de efeito estufa e a erradicação da pobreza. Depois foram feitas breves intervenções de alguns membros do FBMC. Milton Nogueira, do Fórum Mineiro de Mudanças Climáticas disse que é importante haver inventários estaduais de fontes de emissão de gases, que associados a estudos científicos, planos estaduais e locais possam articular a sociedade para um caminho mais adequado à prevenção do aquecimento global. Roberto Smeraldi, do Amigos da Terra - Amazônia Brasileira, disse que “devemos comemorar o fato do Brasil finalmente ter um plano, mas o conteúdo ainda precisa ser melhor avaliado e discutido”.
O Ministro Minc disse que “o plano tem metas importantes, que representariam uma redução de emissões equivalentes a três vezes as emissões que o Protocolo de Quioto, em sua primeira fase de
Para Rubens Born, coordenador do Vitae Civilis, que esteve presente no evento do Palácio do Planalto, “o fato do Plano estabelecer metas é positivo: agora não se trata mais de questionar se metas são ou não necessárias, mas sim de que metas são relevantes e factíveis e quais serão os recursos e instrumentos para assegurar o seu cumprimento” disse Born.
O Plano traz também a meta de “eliminar a perda líquida da área de cobertura florestal no Brasil até 2015, e para isso dobrar a área plantada com árvores para 11 milhões de hectares em 2020. Enfim, de fazer que o consumo de madeira, carvão, papel e celulose não dependa mais do corte de florestas nativas. O Plano tem 126 páginas e está disponível na página do Ministério do Meio Ambiente (www.mma.gov.br).
A versão preliminar do Plano foi submetida a breve consulta pública, pela internet e em algumas reuniões do FBMC, desde o dia 25 de setembro quando foi divulgada pelos ministros Carlos Minc, do Meio Ambiente, e Sérgio Rezende, de Ciência e Tecnologia. O FBMC promoveu também algumas reuniões setoriais, do final de julho a início de setembro, para colher contribuições ao Plano.
“O Vitae Civilis participou de algumas dessas reuniões e apresentou comentários à consulta eletrônica, pois entende que a construção participativa de políticas e planos públicos é condição de fortalecer a democracia e a sustentabilidade socioambiental de nosso país” afirma Rubens Born, coordenador da instituição. No entanto, diz Born, “ficamos apreensivos, pois a qualidade e seriedade do plano pode ser prejudicada pela pressa em recuperar o atraso de vários anos do Brasil com o cumprimento da Convenção da ONU sobre Mudança de Clima”.
A versão preliminar provocou a apreensão do Vitae Civilis e de muitas outras organizações do Grupo de Trabalho de Mudança de Clima (GT Clima) do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Desenvolvimento e Meio Ambiente (FBOMS) que em 2007 elaborou documento com sugestões de políticas e ações para o plano em diversos setores (energia, gestão urbana, florestas, agricultura, transporte, vítimas do aquecimento global etc). Na elaboração dessas contribuições participaram representantes de redes e organizações que atuam com temas diversos, como comércio internacional, justiça, defesa de consumidores, educação, além dos integrantes do GT Clima. “Entregamos o documento com essas propostas ao Presidente Lula na reunião do FBMC, em novembro de 2007, e lamentamos a não incorporação de muitas das nossas sugestões na versão final do Plano” disse Rubens Born.
O Plano anunciado pelo Presidente Lula será avaliado e revisto em 2009 para que, segundo o governo, possam ser incorporadas as medidas e os instrumentos resultantes de estudos que ficarão concluídos somente no próximo ano, como o de impactos e vulnerabilidades aos efeitos de mudanças climáticas.
Mais informações sobre as Negociações da ONU sobre Mudanças Climáticas - CoP 14 - com análises, vídeos e chats com os membros do Vitae Civilis em Poznan através do site www.vitaecivilis.org.br.
Em meio à crise financeira, reunião da ONU na Polônia é fundamental para enfrentar a crise do aquecimento global
01/12 Poznan, Polônia - Nos dois últimos meses, líderes dos vinte principais países do mundo mobilizaram-se para levantar mais de 4 trilhões de dólares para enfrentar a crise de crédito. A partir dessa segunda-feira, 1 de dezembro, até o próximo dia 12, representantes de mais de 170 nações estarão reunidos na cidade de Poznan, Polônia, na 14ª. Conferência das Partes (CoP-14) da Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e 4ª. Reunião das Partes (CMP) do Protocolo de Quioto para negociar acordos em cinco grandes questões importantes para ampliar a cooperação internacional no enfrentamento da maior crise ambiental do planeta: o aquecimento da atmosfera e as mudanças de clima. Acordos que vêm sendo debatidos desde 2005, mas cujo processo e escopo ficaram delineados no Plano de Ação de Bali, na CoP-13, em 2007, para dar efetividade à Convenção de 1992 e ao Protocolo de 1997. Enfim, um processo lento e gradual.
Para Gaines Campbell, um dos representantes do Vitae Civilis em Poznan: "Ainda existe uma janela de tempo aberta. Se soubermos aproveitar o momento, os recursos e os conhecimentos que já possuímos teremos uma chance de frear o aquecimento global, causa principal das mudanças de clima e cuja aceleração foi conseqüência de atitudes inconseqüentes dos arranjos econômicos e sociais do ser humano nestes últimos 150 anos”.
Entretanto, os relatos dos cientistas, que ganharam mais evidência em 2007, com o Prêmio Nobel dado ao IPCC – Painel da ONU que reúne cientistas de todas as áreas que estudam o aquecimento global, apontam que a Vida no planeta Terra está ameaçada e está se aproximando rapidamente de um ponto de não-retorno. Um ponto a partir do qual não será mais possível reestabelecer e reequilibrar o sistema climático no qual a vida terrestre evoluiu durante milênios. Gaines ressalta que “os sacrifícios aos quais a humanidade será submetida são dramáticos e, como sempre, os mais pobres, os mais fracos e os menos protegidos serão os que mais sofrerão”.
Segundo Juliana Russar, formada em Relações Internacionais e da equipe do Vitae Civilis em Poznan, “a COP é o foro onde são tomadas as decisões sobre a Convenção e a CMP é a reunião dos Estados que fazem parte (ratificaram) do Protocolo de Quioto. Nessas reuniões, as deliberações são tomadas por consenso entre os representantes dos governos de todos os países que ratificaram esses acordos”. Juliana destaca a importância da participação também de representantes de governos locais, ONGs, instituições de pesquisa, indígenas, empresas dos diversos setores (indústrias, agricultura, serviços): “várias dessas organizações contribuem com a pressão para acelerar o processo internacional, oferecem propostas, demandam enfoques e critérios de justiça e eqüidade, entre outras coisas, mediante o diálogo com os diplomatas e a realização de centenas de eventos, os side events (eventos paralelos) nos quais são apresentados estudos de caso, propostas, abordagens, pesquisas etc. relacionados aos temas negociados na CoP e na CMP”.
Por isso, esse regime multilateral, formado pela Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima e pelo Protocolo de Quioto, subordinado à Convenção, está em um momento crucial: estamos a um ano da Cop-15, programada para acontecer em dezembro de 2009 em Copenhague, Dinamarca, quando se espera que sejam definidas as metas para o segundo período do Protocolo e as medidas de cooperação para ampliar e fortalecer a implementação da Convenção por todos os países. Os cinco blocos (building blocks) de quase 40 itens em negociação internacional envolvem questões de transferência de tecnologias, mitigação de emissões de gases de efeito estuda, adaptação aos efeitos já irreversíveis, mobilização de recursos financeiros, e finalmente o bloco de “visão compartilhada”(shared vision).
Para Rubens Born, coordenador do Vitae Civilis, que também participará da CoP-14, “a negociação dessa visão é o desafio político mais relevante, pois estabelecerá que destino a comunidade internacional pretende seguir para deter o aquecimento global”. Nesse documento espera-se que sejam definidos os parâmetros para limitar o aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, e como os ônus e esforços serão distribuídos entre os países industrializados e em desenvolvimento. “A partir dessa plataforma compartilhada, as negociações até a CoP-15 deverão definir as metas para os países industrializados de redução de emissões e os compromissos nos demais 4 blocos”, ressalta Rubens Born. E acrescenta: “o Vitae Civilis em conjunto com a Global Climate Network - uma rede internacional de organizações não-governamentais que realizam pesquisas em políticas públicas criada em meados,de 2008 - prepararam documento com elementos que os diplomatas deveriam considerar na construção dessa visão negociada”. Esse documento estará em breve disponível no site do Vitae Civilis.
A Convenção-Quadro foi adotada por 189 países, enquanto cerca de 175 países ratificaram o Protocolo de Quioto. Todos os países da Convenção têm compromissos, cabendo aos países industrializados que fazem parte do Protocolo a redução relativa de emissões de gases de efeito estufa. A redução média total esperada no primeiro período de compromisso do Protocolo de Quito (2008-2012) seria de cerca de 5%, se todos os países industrializados fossem partes (EUA é o único país desenvolvido que ainda não ratificou o Protocolo).
A recente publicação do Vitae Civilis "Antes que seja tarde", disponível em http://www.vitaecivilis.org.br/anexos/doc_internacional.pdf oferece um panorama das principais propostas e temas em negociação no regime multilateral de mudança de clima para grupos da sociedade civil, parlamentares e tomadores de decisão para facilitar a compreensão dos desafios brasileiros para a CoP-14.
Frustração e esperança - Para a equipe do Vitae Civilis, a CoP de Poznan é o meio do caminho entre a frustração de resultados imediatos em Bali e a esperança por avanços firmes de Copenhague.
Quando, no final do último dia da CoP-13, em Bali, em dezembro de
O próximo marco decisivo no processo de negociações será a CoP-15, em Copenhagen, no final de 2009. Será lá que os países signatários da Convenção do Clima e do Protocolo de Quioto deverão definir o que vai acontecer após o fim do primeiro período de compromisso do Protocolo (2008-2012). Para entrar em vigor, este acordo terá que passar por um processo de ratificação em cada país e isso requer tempo.
O caminho entre Bali e Copenhague já passou pelas reuniões intersessionais de Bangkok, Bonn e Accra em 2008 e agora obrigatoriamente passa por Poznan. Nas próximas duas semanas as delegações terão que agir, como nunca antes fizeram, com um equilibrado senso de urgência e responsabilidade e criar as condições para o sucesso em Copenhague.
A atual rodada de negociações gira em torno do Plano de Ação de Bali, construído a partir de cinco eixos norteadores: mitigação, adaptação, transferência de finanças, transferência de tecnologia e visão compartilhada do nível concreto de compromissos de redução de emissão de gases de efeito estufa.
Há esperança no sucesso de Poznan e futuramente Copenhague se os países em desenvolvimento pararem de se esconder atrás do argumento das responsabilidades comuns, porém diferenciadas jogando toda a responsabilidade de redução das emissões para os países desenvolvidos, isentando-se de adotar posições e medidas de mitigação e adaptação. Do outro lado, os países desenvolvidos exigem maior comprometimento dos países em desenvolvimento, principalmente daqueles que nos últimos anos passaram a emitir tanto quanto eles e apresentam tendência de aumento de suas emissões de gases de efeito estufa.
Você pode participar da CoP 14. Acesse www.vitaecivilis.org.br, leia as análises, assista aos vídeos, participe dos chats e ajude a pessionar o governo brasileiro enviando suas idéias para vcnacop@vitaecivilis.org.br.
Abraços !
Equipe Vitae Civilis