terça-feira, 2 de junho de 2009

"A farra do boi na Amazônia"

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Prezados,
O Greenpeace publicou hoje o relatório "A farra do boi na Amazônia",
sobre o impacto da pecuária no desmatamento da Amazônia.
Merel van der Mark

Versão em Português:
http://www.greenpeace.org/brasil/amazonia/noticias/investiga-o-do-greenpeace-imp
Versão em Inglês:
http://www.greenpeace.org/international/press/reports/slaughtering-the-amazon


Investigação do Greenpeace implica grandes marcas na destruição na
Amazônia e comprova que o governo brasileiro é sócio da devastação


31 de Maio de 2009
Fumaça proveniente das queimadas para limpar a terra para pecuária ou
agricultura. O crescimento da pecuária é responsável pela maior parte do
desmatamento do país e também a maior fonte de emissão de gases do
efeito estufa.
<http://www.greenpeace.org/brasil/photosvideos/photos/fuma-a-proveniente-das-queimad>


Fumaça proveniente das queimadas para limpar a terra para pecuária ou
agricultura. O crescimento da pecuária é responsável pela maior parte do
desmatamento do país e também a maior fonte de emissão de gases do
efeito estufa.

São Paulo (SP) —
Investigações de três anos do Greenpeace sobre a indústria da pecuária
brasileira revelam que marcas de fama mundial como Nike, Adidas, BMW,
Gucci, Timberland, Honda, Wal Mart e Carrefour impulsionam,
involuntariamente, o desmatamento da Amazônia. A pecuária brasileira é
hoje o maior vetor de desmatamento no mundo e a principal fonte de
emissões de gases do efeito-estufa do Brasil. O estudo do Greenpeace
revela também que, nessa missão de devastação, a pecuária conta com um
sócio inusitado, que tem entre suas atribuições zelar pela conservação
da floresta amazônica: o Estado brasileiro.

<http://www.greenpeace.org/brasil/amazonia/gado>

O incentivo de sucessivos governos brasileiros ao desmatamento da
Amazônia ganhou impulso durante a ditadura militar, nas décadas de 60 e
70. Mas até recentemente, a substituição de floresta por pasto era
financiada por dinheiro público na forma de subsídios. No governo Lula,
o Estado, através do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social), transformou-se em sócio e investidor direto de frigoríficos
que, segundo a investigação do Greenpeace, compram sua matéria prima de
fazendas que desmatam ilegalmente, põem seus bois para pastar em áreas
protegidas e terras públicas e utilizam mão de obra escrava.

O relatório *A Farra do Boi na Amazônia*
<http://www.greenpeace.org/brasil/amazonia/gado> rastreou, pela primeira
vez, a ligação da carne, do couro e de outros produtos bovinos de
fazendas envolvidas com desmatamento ilegal, invasão de áreas protegidas
e trabalho escravo com marcas famosas como Adidas/Reebok, Timberland,
Carrefour, Honda, Gucci, IKEA, Kraft, Clarks, Nike, Tesco e Wal-Mart.

“Marcas famosas de tênis, supermercados, automóveis e bolsas de grife
devem garantir que seus produtos não estão envolvidos com os crimes
praticados pela indústria pecuária brasileira”, disse André Muggiati,
coordenador da campanha de pecuária do Greenpeace.“Práticas como essa
põem em risco o futuro de uma indústria importante para a economia
brasileira. Combatê-las é fundamental não apenas para o meio ambiente,
mas também para aumentar a competitividade da pecuária nacional aqui e
no exterior”.

A investigação do Greenpeace
<http://www.greenpeace.org/brasil/amazonia/gado> mostra que o governo
Lula quer dominar o mercado global de produtos pecuários em geral e
dobrar a participação brasileira no mercado internacional de carne até
2018. Para auxiliar a expansão do setor, o governo federal está
investindo em todos os elos da cadeia de abastecimento – desde a
produção nas fazendas até o mercado internacional. Em troca do
financiamento público, o governo se tornou acionista de três gigantes da
indústria brasileira de pecuária – Bertin, JBS e Marfrig, responsáveis
por alimentar a destruição de grandes áreas da Amazônia.

“O governo Lula está cumprindo a profecia do General Garrastazu Médici,
que dizia que a Amazônia seria ocupada pela pata do boi”, disse Paulo
Adário, diretor da campanha da Amazônia do Greenpeace. “Ao financiar a
destruição, o governo dá um sinal claro de que já fez sua opção pelo
velho modelo desenvolvimentista de ocupação da região praticado pelos
militares durante a ditadura, ao mesmo tempo em que tenta posar de
bom-moço nos fóruns internacionais”.

Entre 2007 e 2009, as cinco maiores empresas da indústria pecuária
brasileira, responsáveis por mais de 50% das exportações de carne do
país, receberam US$ 2,65 bilhões do BNDES. Os três frigoríficos que
receberam a maior parte do investimento público foram a Bertin, uma das
maiores comercializadoras de couro do mundo; a JBS, a maior
comercializadora de carne, com controle de pelo menos 10% da produção
global; e a Marfrig, a quarta maior comercializadora de carne do planeta.

A expansão da pecuária no Brasil está concentrada na Amazônia. O maior
incentivo econômico para esta expansão é a falta de governança. A frágil
presença do Estado na região significa, na prática, terra e mão-de-obra
baratas. O resultado é que a pecuária ocupa, atualmente, cerca de 80% de
todas as áreas desmatadas na Amazônia. O país é o quarto maior emissor
mundial de gases do efeito estufa, principalmente por causa da
destruição da floresta.

“A expansão do gado na Amazônia está transformando a região num
verdadeiro abatedouro de árvores, dificultando a habilidade do país em
cumprir sua meta de reduzir em 72% o desmatamento até 2018”, disse Muggiati.

A publicação do relatório
<http://www.greenpeace.org.br/gado/farradoboinaamazonia.pdf> do
Greenpeace se dá no momento em que a bancada ruralista está encabeçando
uma ofensiva no Congresso Nacional para enfraquecer a legislação
florestal brasileira e legalizar o aumento do desmatamento. “Não adianta
bancar o líder nas negociações internacionais se, dentro de casa, o
governo apóia o pacote de maldades do setor do agronegócio, que ainda
opõe desenvolvimento econômico à proteção ambiental. É preciso olhar
para frente e usar a atual crise climática como a melhor oportunidade de
construir uma economia de baixo carbono para o Brasil”, completou Adario.

Durante as próximas duas semanas está sendo realizada em Bonn (Alemanha)
a segunda rodada de negociações internacionais que vão culminar na
conferência do clima da ONU, a ser realizada em dezembro, em Copenhague
(Dinamarca), quando líderes mundiais devem fixar metas para reduzir
drasticamente as emissões globais de gases do efeito estufa.

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