quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Estudos e mais estudos: mudança zero

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Esses estudos são realmente insuportáveis e podemos dizer com todas as letras: a humanidade talvez seja cega demais para perceber o óbvio e merece perecer.

Sim, até 2014 para atender uma demanda que nunca pára de aumentar, serão necessários 54 milhões de hectares de terra, que por sinal, o total disponível deste planeta é e sempre será constante, porque o planeta não aumenta de tamanho (adendum: com o aquecimento global e o derretimento das geleiras, o tamanho vai diminuir...).

O estudo não responde que área haverá disponível para atender mais incrementos exponenciais de demanda por energia depois de 2014. Não sei se vocês sabem, nenhum dos nossos líderes, intelectuais, economistas e outros visionários planejam estancar o crescimento: ele tem que ser eterno, acreditam que a economia pode ser maior que o planeta. Basta ver as iniciativas insalubres de todos os governos ao redor do mundo, de China, Estados Unidos, Europa, Rússia, Índia e Brasil para resolver a crise que não tem solução se não mudarmos nosso modelo e nossa forma de pensar em relação a tudo.

Será que esse estudo abaixo pretende por ventura eleger os hectares de Marte para futuras expansões? Ou engloba algum delírio juvenil através do qual acreditamos ser capazes de produzir energia limpa sem pegada ecológica alguma? (que os físicos me perdoem por essa combinação equivocada de palavras, mas é o mesmo erro quando dizemos crescimento sustentável na boca de tantos ilustres senhores). Provavelmente iremos nos transformar em deuses mesmo, já que nos sentimos assim. Estive com o Nicholas Stern do relatório Stern sobre o clima. Ali eu tive certeza absoluta que só há uma maneira de resolver o problema: colapso. Um colapso tão gigante e tão inegável, fruto de tudo de errado que fizemos, que aí sim, poderemos pensar em alternativas, se tivermos sorte e alguns de nós sobreviverem a isso. Quem irá lavrar a nossa sentença é o planeta e ela não será agradável se não aprendermos a negociar nossa permanência aqui com a Terra.

O que mais espanta e assusta é saber que Stern e muitos outros acreditam que só temos um problema de energia e que tudo se resume na forma e na mistura de energias produzidas, ignoram com sofreguidão que temos um problema maior e mais urgente de matéria. Pode ser que esses senhores tenham chegado a conclusão que a energia infinita e limpa a ser produzida um dia por nós, deuses da Terra, também seja capaz de criar água, solo fértil, ar, biodiversidade, estabilidade do clima, equilíbrio químico da atmosfera e quiçá, um novo planeta quando demandarmos maiores espaços para mais automóveis. Isso é fundamental, afinal energia não é produzida para nada, mas para movimentar e transformar a matéria, afinal energia e matéria se combinam sempre. O último problema a ser resolvido através da alquimia de Stern é como superar a incapacidade do ser humano de não produzir nada, nem matéria nem energia, embora tudo seja matéria e energia a nossa volta. Tenho certeza que eles possuem uma solução clara, barata, limpa - lucrativa, óbvio - para esse pequeno problema. Isso calará todos os algozes do inteligentíssimos senhores.

Se isso não for verdade, nós merecemos - como espécie animal - o mesmo destino no qual colocamos 400.000 outras espécies: a extinção. Disso, até agora, tenho tido poucas dúvidas, embora, pela convicção de tantos senhores sobre os temas de matéria e energia planetária, é capaz de eu ter ficado louco.

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O lado ambiental da expansão dos biocombustíveis

Em 2014, até 54 milhões de hectares poderão ser necessários para atender à demanda por biocombustíveis

Se as atuais políticas de subsídios e incentivos forem mantidas, em seis anos, até 54 milhões de hectares de terra, no Planeta poderão ser necessários para atender à demanda por biocombustíveis, segundo o estudo “Uma oportunidade para o Brasil: minimizando os custos ambientais da expansão dos biocombustíveis”. Ele foi lançado em novembro, pela The Nature Conservancy (TNC), uma das mais antigas ONGs ambientais do mundo, e a consultoria LMC International, especialista em commodities agrícolas, sediada no Reino Unido.

O documento mostra que, Desse total, a maior parte — entre 7 e 50 milhões de hectares — estão na América do Sul. Além de apontar as possíveis demandas mundiais, o estudo apresenta o caminho para minimizar os impactos ambientais desta expansão, sem que haja novos desmatamentos.

A pesquisa construiu três cenários da situação mundial e analisou a demanda por terras aráveis para a produção dos biocombustíveis. “O relatório que apresentamos aborda uma das principais questões ambientais de nosso tempo: biocombustíveis e uso da terra”, comenta David Cleary, diretor de Estratégias de Conservação para a América do Sul da TNC e co-autor do estudo.

Para ele, o Brasil pode se tornar um modelo ambiental para o mundo, além de uma superpotência agrícola, se canalizar a expansão agrícola para áreas já abertas para pastagens e souber conciliar agricultura a uma pecuária mais intensiva. “É este potencial que está sendo apresentado no estudo”, explica.

“O que está em jogo é muito crítico, pois dezenas de milhares de hectares a serem desmatados para biocombustíveis representam um desastre ambiental em termos de biodiversidade e emissões de carbono para a atmosfera”, destaca.

Para que a expansão aconteça em áreas já desmatadas em vez de matas nativas, os pesquisadores sugerem que se aumente a densidade dos rebanhos e se integre melhor a pecuária e a agricultura, valorizando terras já abertas. Assim, é possível evitar possíveis desmatamentos com o deslocamento da pecuária para a Amazônia, fixando os pecuaristas dentro do Cerrado.

“O Brasil tem o privilégio de não precisar escolher entre plantar alimento e combustível, mas precisa se organizar para manter a balança positiva, utilizando áreas já degradadas. Para isso, são necessárias políticas públicas”, destaca Cleary.

“O monitoramento do uso da terra é barato e tecnicamente viável, e se torna uma base para sistemas de certificação que serão estratégicos para abrir fronteiras no mercado de etanol internacional”, explica Carlos Klink, coordenador da equipe de Agricultura do Programa das Savanas Centrais da TNC e co-autor do estudo.

A legislação brasileira vigente — o Código Florestal — é uma ferramenta poderosa para abrir acesso a mercados, como a União Européia, neste sentido. “A adequação ao Código se torna um poderoso argumento contra as posições hostis aos biocombustíveis brasileiros nos fóruns comerciais internacionais, e posiciona os produtores nos mercados onde a neutralidade do carbono já é um fator a ser considerado, já que a ausência da conversão do habitat é essencial para que a balança do carbono seja positiva”, explica Klink. Segundo ele, já existem projetos de campo concretos espalhados pelo País que demonstram que a adequação ambiental é viável, barata e um bom investimento para o exportador agrícola brasileiro.

O estudo é lançado justamente no momento em que a regulamentação para a importação do etanol na União Européia está sendo determinada, e a demanda para certificação da ausência de desmatamento e impactos positivos de carbono está mais concreta. O estudo demonstra como esta demanda pode ser facilmente atendida dentro do contexto brasileiro.

“Manter percentuais das propriedades agrícolas com vegetação nativa, conforme estabelecido em Lei (80% na Amazônia, 35% em áreas de transição e 20% na Mata Atlântica) abre a oportunidade para conciliar a conservação em escala com os proprietários; nenhum outro país poderá produzir etanol de modo eficiente, obtendo ainda os benefícios de carbono gerados, se nenhuma conversão for realizada e as práticas corretas de gestão forem seguidas”, finaliza Klink.

ETANOL E BIODIESEL
País amplia produção e consumo

O Brasil consolidou, em 2008, o posto de maior exportador de etanol e de terceiro maior mercado de biodiesel do mundo, com a entrada em operação de seis novas usinas de biodiesel e outras 29 de etanol, das quais 18 integram o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os investimentos nas usinas de etanol chegaram a R$ 12 bilhões. De acordo o Ministério de Minas e Energia, a produção de etanol ultrapassou os 22 bilhões de litros no ano, o que faz do Brasil o segundo maior produtor mundial.
O êxito da tecnologia brasileira flexfuel (que permite a mistura de etanol e gasolina em qualquer proporção) faz com que, hoje, quase 90% da produção brasileira de veículos leves usem esta tecnologia.

O ano de 2008 marcou a entrada em vigor, em janeiro, da adição obrigatória de 2% de biodiesel ao diesel. Em julho, o percentual da mistura foi ampliado para 3%, o que equivale a um volume anual de 1,3 bilhão de litros. Em novembro, a capacidade instalada de produção alcançou 2,993 bilhões de litros ao ano e o número de usinas chegou a 46.

Entre novembro de 2007 e novembro de 2008, foram realizados sete leilões de biodiesel, sendo negociados volumes superiores a 1,33 bilhão de litros para entrega entre janeiro de 2008 e o primeiro trimestre de 2009. Os investimentos estimados nessa produção são de cerca de R$ 3 bilhões. Nesses leilões cerca de 80% do montante adquirido serão produzidos por usinas que detêm o selo Combustível Social por conta da aquisição de matéria-prima da agricultura familiar.

A consolidação da cadeia produtiva no Brasil é resultado da política pública do governo federal lançada em 2004. Trata-se do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB) que se baseia em três pilares: econômico (criação de uma nova indústria), social (inserção da agricultura familiar) e ambiental (redução na emissão de poluentes).

Com a cadeia produtiva estruturada e o abastecimento, garantido, o Brasil se destaca como terceiro produtor e consumidor no mundo.

NOVAS OLEAGINOSAS
Ceará investe na diversificação

Com toda a crise que se abate sobre o mercado dos combustíveis e, consqüentemente, dos biocombustíveis, o Ceará ainda tem perspectiva de ampliação no Programa Biodiesel no Ceará.

Segundo o coordenador, Walmir Severo — com o incentivo governamental, aumentado para R$ 200,00; aliado a implementos e estímulo a práticas de convivência do semi-árido e à introdução de novas oleaginosas, como girassol, amendoim, gergelim e algodão agroecológico — a tendência é de incremento na área plantada e no número de famílias envolvidas, embora não se espere uma produção recorde.

Walmir lembra que a grande queda, na produção de mamona, em 2006, deveu-se a diversos fatores, que geraram desestímulo, entre eles, a falta de política de governo que garantisse a compra e o preço.

Petrobras
A usina de biodiesel de Quixadá, no Ceará, juntamente com a de Candeias, na Bahia, operada pela Petrobras Biocombustível, superaram suas metas de produção em 2008. As duas unidades chegaram ao fim do ano com produção de 8,8 milhões de litros de biodiesel entregues ao mercado, ultrapassando os 8 milhões de litros vendidos nos 10º e 11º leilões de biodiesel da ANP.

As duas usinas iniciaram a produção em outubro, marcando a entrada da Petrobras na produção comercial de biodiesel. Em três meses, Candeias e Quixadá entregaram, cada uma, 4,4 milhões de litros de biodiesel.

(Fonte: Diário do Nordeste/CE/Maristela Crispim)

3 comentários:

Sibele disse...

Tanto na área de biocombustíveis quanto na minha área (polímeros), fico DOENTE de ver as pessoas celebrando soluções agrícolas para déficits energéticos ou ambientais. QUANDO SERÁ que esses @!##! vão entender que 75% da água potável do mundo vai pra agricultura? E que nem nós nem nada na face da terra sobrevive sem água, cuja falta já criou 25 milhões de refugiados da seca no mundo? Francamente, temo pelo futuro próximo do meu filho...

Clarissa disse...

É realmente impressionante a amplitude da ignorancia humana, calcada na ilusão da fragmentação, da separação da parte do todo, e catalizada por tamanha arrogância. Enquanto persistir a incapacidade do Homem de se perceber como parte do sistema que tece a teia da vida num movimento de ação e reação, só poderemos esperar pela catástrofe. Sim, nos faltam líderes capazes de compreender e disseminar a visão de que a verdeira mudança só acontecerá por meio do constante engajamento individual num contexto de interdependência. Colca-se a culp nos governos, nas empresas. Mas afinal, aonde estão as pessoas? Não seria o Ser o responsável por mobilizar a si próprio e aoss outros dentro de sua escala de influência?
E tudo pelo dinheiro, que há muito tempo deixou de ser meio e virou fim. Afunal, tanto lucro pra quê? No final, todos voltarão igualmente ao pó, nus e sozinhos.
Clarissa Medeiros

Clarissa disse...

É realmente impressionante a amplitude da ignorancia humana, calcada na ilusão da fragmentação, da separação da parte do todo, e catalizada por tamanha arrogância. Enquanto persistir a incapacidade do Homem de se perceber como parte do sistema que tece a teia da vida num movimento de ação e reação, só poderemos esperar pela catástrofe. Sim, nos faltam líderes capazes de compreender e disseminar a visão de que a verdeira mudança só acontecerá por meio do constante engajamento individual num contexto de interdependência. Colca-se a culp nos governos, nas empresas. Mas afinal, aonde estão as pessoas? Não seria o Ser o responsável por mobilizar a si próprio e aoss outros dentro de sua escala de influência?
E tudo pelo dinheiro, que há muito tempo deixou de ser meio e virou fim. Afunal, tanto lucro pra quê? No final, todos voltarão igualmente ao pó, nus e sozinhos.
Clarissa Medeiros