sábado, 31 de janeiro de 2009

Comentando

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Pessoal,

Para nossa contínua troca de idéias:

Em relação a minha oposição a todas as guerras não significa que eu sou contra um povo ou contra uma religião. Sou contra a atitute e é assim que devemos pensar. Quando duas crianças brigam no Jardim de Infância e nenhuma delas quer ceder, rola beliscões, puxão de cabelo e só terminam quando uma professora interrompe a briga. Quando duas crianças são Estados e ninguém quer ceder, a briga só termina quando todos ficam sem nada, porque na guerra, olho por olho, ficaremos todos cegos, escreveu Gandhi. E a violência engendra a violência. Sempre.

Em relação à cegueira dos economistas, veio um comentário de um amigo do texto "El fin del crecimiento" do Marrero: Adorei este quote do Keneth Boulding: "Anyone who believes exponential growth can go on forever in a finite world is either a madman or an economist." Eu adicionaria: um dia defender crescimento econômico será considerado crime contra a humanidade. E a dúvida que resta é se essa defesa é feita por cegueira ou loucura ou se é em benefício próprio ou por reais más intenções.

Para finalizar, um amigo meu escreveu: "você já abraça a causa do meio ambiente, não vá abraçar a causa das guerras." Eu tenho que ser muito humilde em relação a importância da minha posição que é quase nenhuma e o que importa é a posição de todos nós em conjunto, somos todos iguais e igualmente importantes, embora a cultura materialista consumista de celebridades nos tenha feito pensar diferente. A soma de cada um define a posição final, não tem jeito e isso vale para tudo, inclusive para a nossa relação com o planeta. Enfim as guerras também são ambientais, elas são feitas no meio ambiente, quando as bombas explodem, matam a vida (pessoas) e a vida futura (o meio ambiente). E essa perda nos dois lados é irreparável e o sentimento é de dor para quem fica ao largo desses horrores com a sensação de não poder fazer nada.

Abraço a todos,

Hugo

Um comentário:

Sonia disse...

Assisti, só ontem, ao programa de Marília Gabriela (abr/08) em que vc foi entrevistado. Na verdade, só vi os dois últimos blocos. Movida por seus comentários (e principalmente por seu modo realista e ainda assim "otimista" de abordar as questões sobre sustentabilidade-desenvolvimento econômico), pesquisei seu nome na rede e encontrei seu blog. Gastei um tempo de leitura, que valeu muito. Adicionei às minhas referências... isso tudo pra dizer que me senti representada por seu pensamento. Compartilho das preocupações que o movem. Minha área de formação é História e, neste caso específico das guerras, esta postagem dá margem à muita reflexão. Enfim, tentando ser objetiva, partilho de sua humildade, mas também da convicção de que, como nas guerras, são as convicções individuais que definem o desempenho geral. Assim, mudar práticas individuais pode ser o início de um processo mais aplo de transformação. Mas, para além das questões mais imediatas, queria deixar registrado que só a idéia de pensar em um mundo em que "defender crescimento econômico seja considerado crime", fez minha semana começar melhor. Foi uma sensação de resgate da utopia! S.M.