sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Uso da Água

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Vida Seca
Gazeta Mercantil, 24/03/2008
http://pdf.investnews.com.br/pdf/gzm/Relatorios/2008/rel20080324.pdf


Assim como o século 20 pode ser considerado a era do petróleo, fonte de energia polêmica e, ao mesmo tempo geradora de grandes riquezas, graves crises econômicas e até guerras territoriais, o século 21 será conhecido no futuro como a era da água. Ou melhor, da falta de água. Até bem pouco tempo, a constatação de que a água é um recurso natural finito era um conceito dificilmente aceito por boa parte da população.

Mas o fato é que, embora três quartos da superfície do Planeta sejam cobertos pela água, menos de 3% é água doce, dos quais apenas 0,5% está disponível para consumo – os outros 2,5% estão congelados na Antártica, no Ártico e em geleiras. Recomendações da Organização das Nações Unidas (ONU), que em recente relatório, alerta que um terço da população mundial, ou seja, cerca de 2,7 bilhões de pessoas, enfrentará graves problemas por conta da escassez de água que acontecerá até 2025. De acordo com o documento, em 2050, de cada quatro pessoas, apenas uma terá acesso à água potável.

Estudo realizado pela organização não-governamental WWF, também aponta para o aumento do consumo de água no planeta enquanto as fontes estão secando. De acordo com o documento, o consumo de água no mundo dobrou nos 40 anos compreendidos entre 1961 a 2001.

Dados da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) mostram que os maiores consumidores – quando englobados os usos industrial, humano e agrícola – são Índia (552 bilhões de metros cúbicos de água por ano), China (500 bilhões de metros cúbicos por ano) e EUA (467 bilhões de metros cúbicos por ano).

No Brasil, que possui 13,3% de toda a água potável do mundo, o desperdício chega a 70%, um dos maiores do mundo. Segundo dados da Sabesp,17% da água distribuída na grande São Paulo é perdida por dia em razão de vazamentos. Em São Paulo são consumidos 4,1 bilhões de litros de água por dia pelas 18,2 milhões de pessoas que estão ligadas à rede de distribuição da Sabesp. O órgão afirma que se o nível de consumo for mantido, o fornecimento só poderá ser garantido na grande São Paulo para os próximos cinco ou seis anos.

O avanço de empreendimentos imobiliários sobre áreas de mananciais nas grandes cidades brasileiras é mais um fator de pressão sobre a oferta de água limpa, que vem a se somar à poluição industrial na degradação da qualidade a nossa água.

Além do consumo humano, a água é ingrediente de muitos produtos, sobretudo nos setores de fármacos, alimentos e bebidas. Outro emprego deste bem pela indústria é na execução de processos industriais, em que o recurso é utilizado para produzir vapor e gerar força motriz, e também em vários processos produtivos ou reações químicas.

Nada mais natural que as empresas paguem pelo uso e sejam responsabilizadas pela preservação deste bem comum. A lei que estabelece a cobrança pelo uso da água pelas empresas tem como objetivos: reconhecer que a água é um bem público de valor econômico; incentivar seu uso racional e sustentável; assegurar recursos financeiros suficientes para aportar programas e intervenções contemplados nos planos de recursos hídricos e saneamento.

Há três anos, a indústria paulista tem estimulado a implantação e desenvolvimento de projetos de reaproveitamento da água, com a promoção do Prêmio Fiesp de Conservação e Reuso da Água. Este ano, a vencedora foi a empresa Lwarcel Celulose e Papel Ltda., que é especializada no fornecimento de celulose branqueada de eucalipto para a indústria papeleira, a partir de matérias-primas de florestas manejadas de forma sustentável.

Em um mundo onde as pessoas já consomem 20% a mais de água do que a capacidade do planeta para recompor suas reservas, a prática de reaproveitamento está se tornando cada dia mais comum e começa a atingir com mais força países como o Brasil, cuja produção hídrica corresponde à cerca de 11,6% da mundial e que até recentemente sequer tinha legislação sobre o tema.

Praticado por empresas na Europa há mais de 50 anos, o reuso, apesar de ainda representar uma porcentagem muito pequena do total consumido no Brasil (cerca de 2%) está se tornando cada dia mais comum nas indústrias do País, principais consumidoras, e atinge desde gigantes multinacionais como a Petrobras, às indústrias de porte menor, como a metalúrgica paulista Inca, que economiza 89,3% do consumo mensal de seus sanitários com o reuso.


Indústrias já pagam pelo uso da água

A falta de consenso entre o setor produtivo e o governo estadual sobre a aplicação dos recursos provenientes da cobrança pelo uso da água no início do processo, no ano passado, fez com que muitos industriais fossem contrários a ela. Mesmo o Brasil dispondo de 13,3% de toda a água própria para consumo , há dois anos o Conselho Nacional de Recursos Hídricos aprovou a proposta de cobrança, elaborada pelos Comitês de Bacia Hidrográfica dos rios Paraíba do Sul e da Bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. Com a definição de novas diretrizes para o uso destes recursos, a indústria está revendo seu posicionamento, especialmente aquelas estabelecidas nas bacias onde já existe a cobrança.


É o caso da empresa Caterpillar, que está instalada na cidade de Piracicaba e começou a pagar pelo uso da água no ano passado. "Hoje vemos a cobrança como algo necessário, importante para o desenvolvimento de projetos que contemplem planos de recursos hídricos e de saneamento", afirma o engenheiro Silvio Bridi Neto. Para ele, a cobrança teve caráter educativo, já que foi desenvolvido um outro nível de consciência ambiental na empresa. "Criamos um sistema de gerenciamento do recurso hídrico, que inclui a substituição de máquinas, torneiras, canos e vazamentos. Além disso, implantamos um projeto de reuso da água, no qual conseguimos economizar 15% do consumo", explicou.Para Anícia Pio, especialista do Departamento de Meio Ambiente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), ainda é preciso corrigir algumas deficiências na atuação dos comitês de bacias e destinar a eles maior percentual dos recursos arrecadados. "A indústria tem participado desde o início da discussão sobre a cobrança e nossa proposta é que todo dinheiro arrecadado seja investido nas próprias bacias", defende. De acordo com Anícia Pio, estes investimentos devem atender a garantia de qualidade e quantidade para os múltiplos usos da água e não exclusivamente para suprir a ausência de investimentos em saneamento durante décadas.

Lei e suas conseqüências

O Artigo 1º da Lei estabelece que a cobrança pelo uso da água tem como objetivos: reconhecer que a água é um bem público de valor econômico; incentivar seu uso racional e sustentável; assegurar recursos financeiros suficientes para aportar programas e intervenções contemplados nos planos de recursos hídricos e saneamento.

O setor produtivo tem se adiantado às medidas governamentais na adoção de mecanismos voltados ao aproveitamento racional dos recursos hídricos. A própria empresa Caterpillar implantou sistemas de reaproveitamento e de racionalização da água há cerca de três anos, quando a lei ainda era um projeto. A água é ingrediente final de muitos produtos, sobretudo nos setores de fármacos, alimentos e bebidas. Outro emprego deste bem pela indústria é na execução de processos industriais, em que o recurso é utilizado para produzir vapor e gerar força motriz, e também em vários processos produtivos ou reações químicas. A água é usada, ainda, para consumo humano direto (em bebedouros, chuveiros de vestiários, rega de áreas verdes, limpeza das instalações) e para apagar incêndios.


Estímulo

Há três anos, a indústria paulista tem estimulado a implantação e desenvolvimento de projetos de reaproveitamento da água, com a promoção do Prêmio Fiesp de Conservação e Reuso da Água. Este ano, a vencedora foi a empresa Lwarcel Celulose e Papel Ltda., do Grupo Lwart, que é especializada no fornecimento de celulose branqueada de eucalipto para a indústria papeleira, a partir de matérias-primas provenientes de florestas manejadas de forma sustentável. A segunda colocada foi a multinacional Unilever, seguida pela Braskem S.A e, na categoria de pequenas empresas, a vencedora foi a Opersan, que atua como prestadora de serviços de tratamento de efluentes industriais de diversos segmentos, como empresas metalúrgicas e automobilísticas, fabricantes de tintas e outras.

Os programas da Lwarcel incluem a mudança da tecnologia de tambores rotativos para lavadores tipo DDwasher na lavagem da celulose, o reuso da purga das torres de resfriamento, o reuso da água de resfriamento de amostra de condensados e sistema de selagem das bombas de água de alimentação da caldeira de recuperação, o reuso de rejeitos da osmose reversa como parte do fornecimento de água industrial para a fábrica, o reuso de água e energia térmica produzidas no digestor na máquina secadora, o reuso da água de selagem das bombas de vácuo dos lavadores de massa marrom e a redução no consumo de água potável.

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