quinta-feira, 15 de maio de 2008

Política e saída da ministra Marina Silva

Não é o meio ambiente que está indo para o ralo, somos nós, é muita ingenuidade achar que o que está no ralo é o planeta e não a humanidade! A cada dia destruímos mais e mais de um recurso finito em matéria (tangível) e em serviços da natureza (intangível). A cada minuto destruímos 42 campos de futebol em florestas. Mas isso é fluxo. Do estoque que já existiu, os Estados Unidos e a Europa são os campeões da destruição. E ainda hoje, os países ricos só mantém seu progresso e crescimento porque exaurem recursos do resto do planeta onde há uma vasta maioria de pessoas vivendo em condições míseras e ainda com natureza a ser explorada.

A saída da Marina Silva apenas revela como é praticamente impossível conciliar as metas desse modelo econômico inútil e cego baseado em crescimento com a preservação daquilo que nos deveria ser mais precioso: as bases naturais de sustentação da vida no planeta, algo que o ser humano não criou e não será capaz de reproduzir.

Ontem estava assistindo a propaganda do PSDB com o José Serra na televisão. É assustador e chocante: você ouve várias vezes a palavra MAIS, MAIS e MAIS e CRESCIMENTO, CRESCIMENTO e CRESCIMENTO. Mais obras, mais empregos, mais escolas, mais estradas. Tudo isso num planeta finito. E ainda isso vindo de pessoas inteligentes, porém cegas. Alguém tem que lembrar os políticos que quando as obras terminam, os empregos terminam junto. E só teremos empregos realmente permanentes se cogitarmos a possibilidade de construir outro planeta. Isso é de uma cegueira profunda. Com as evidências que temos (sociais e ambientais), só dá para votar em políticos com um discurso muito diferente desse.

A Marina Silva saiu por causa do embate com a usina do Rio Madeira. Os erros estão povoando o cenário à nossa volta: transposição do Rio São Francisco, rodoanel na APA Bororé aqui na cidade de São Paulo onde estão os mananciais de água, porto em outra APA em Ilhéus, usinas gigantes na Amazônia e nesse caso é um grande equívoco: com ganhos de eficiência e atualização tecnológica a oferta de energia do país praticamente dobraria sem precisar construir mais nada.

A nossa arrogância será nosso fim, se não mudarmos o mais rápido possível.

A Marina foi e é a pessoa mais importante para o Brasil e para o mundo hoje, por conta da sua preocupação em conciliar economia e meio ambiente, algo que os economistas mais importantes do mundo ignoram por cegueira ou clientelismo.

4 comentários:

Profº. José Antonio Pinto disse...

Hugo,

Serei seu leitor diário.
Espero encontrar aqui seus comentários e textos inteligentes.
Acesse também meus blogs: http://novaespiritualidade.blogspot.com e ainda http://joseantoniopinto.blog.terra.com.br

Paz e Bem!

Profº. José Antonio Pinto

Viviane Cunha disse...

Otima ideia Hugo!

É preciso mesmo disseminar o conhecimento da sustentabilidade em todos os niveis, para delinear a insustentabilidade de habitos comuns tidos como certos sem a a presença da consciencia presente e questionadora.
Pretendo me empenhar nessa busca, no que eu puder...e que possamos muuuuuuito.
bj
VV

Claudio disse...

A Saída da Ministra marina Silva

Tínhamos lá uma defesa esforçada e valiosa do meio ambiente, com a saída dela os Governadores dos estados Amazônicos vão mandar em todo o ministério. Sabe quem perde com a saída da minista? O Brasil e o nosso meio ambiente tão maravilhoso.
Abraços,
Latorraca

Claudio disse...

Hugo

Ótima iniciativa do Blog.

De fato não devemos nos cansar de dizer como foi negativo e simbólica a saída da Marina do Governo. Mas também não vamos esquecer que político é igual ao cachorro do Pavlov: Ele só faz o que o eleitor-opinião pública quer. Ou os eleitores botam a boca no trombone ou eles também têm uma visão ainda imediatista do binômio eco-economia. Primeiro emprego, depois meio-ambiente.

E também acho ótimo que você esteja nos lembrando sempre de quem é que realmente está em risco nesta história: Somos nós, aquela poeirinha miserável que recobre a fina superfície sólida do imenso planeta TERRA. Qualquer hora a poeira se desfaz e o planeta continua. Azul ou branco (pra fazer par com a lua).

Grande abraço
Claudio