terça-feira, 27 de maio de 2008

Deus perdoa sempre. Os homens raramente. A natureza nunca.(autor desconhecido)

Malthus está se provando certo... esse comentário me remeteu a outra idéia que queria escrever aqui. Em primeiro lugar, crescimento populacional contínuo num planeta finito é parte do problema, a outra parte é nosso materialismo, que cresce seis vezes mais rápido que o crescimento populacional. Somos os únicos bichos exossomáticos, que vivemos com coisas fora do nosso corpo (exo, fora, soma, corpo). Mesmo que o tamanho da população estanque, isso não significa que não teremos maiores desafios. Aí vejo o pessimismo da Cláudia Chow bem justificado. Se os chineses atingirem o nível de consumo per capita dos asiáticos, mesmo nesse caso, eles irão consumir nesse momento a produção mundial de quase tudo. O nível per capita dos asiáticos é superior ao dos chineses, que são na média muito pobres e muito, mas muito inferior ao dos europeus, britânicos, europeus e estadunidenses. Não há a menor possibilidade da China atingir o nível de consumo per capita dos países ricos, declarou os analistas do Barclays em uma palestra em Londres que deixou os investidores ouvintes atônitos. Os desafios só aumentam... quando começamos a analisar mais profundamenta a encruzilhada na qual a humanidade está.

Malthus errou não porque preveu mais a capacidade de aumentarmos a produção de alimentos para atender demandas esganiçadamente maiores. Ele dizia que a produção de alimentos crescia numa progressão aritmética e a população numa produção geométrica. A produção na verdade cresceu mais do que o necessário para atender as populações cada vez maiores e a teoria malthusiana fracassou, caiu em descrédito. Mas é Nicholas Georgescu Roegen que faz o resgate, também contrário às idéias de Malthus. Segundo Rogen, Malthus não errou porque não previu a capacidade de aumentar a produção de alimentos de acordo com o tamanho da população, Malthus na verdade errou ao dizer que a população humana poderia crescer sempre, desde que crescesse muito devagar. Ou seja, as populações humanas poderiam aumentar infinitamente, desde que respeitassem o crescimento devagar dos alimentos...

Meu amigo Márcio Jappe me falou de uma teoria que preciso estudar: quanto maior a oferta de alimentos, maior a população. Sei que é uma armadilha dizer isso, difícil inverter a relação, mas isso quer dizer que a transformação de natureza, animais e vegetais em seres humanos é um processo que se possibilitou, que se viabilizou até agora, mas isso não significa que não irá sofrer um revés tremendo. Deve sofrer, por conta do que significa isso para o equilíbrio planetário. O que está acontecendo agora é que estamos atingindo esse limite que nós infringimos, mas isso não significa que a teoria malthusiana estava certo. Ela nunca esteve, pelo motivo exposto por Roegen e beira o argumento idiota do Julian Simon que dizia que a humanidade poderia ser um trilhão de pessoas. Pode, igual as células cancerígenas e as cepas de vírus. É de alarmar que um opositor do planeta, o Bjorn Lomborg, um estatístico que resolveu dar palpite no conhecimento das ciências da terra, acabou se convertendo nisso que ele é hoje após ler um livro de Julian Simon. Julian Simon, Malthus e Lomborg têm todos algo em comum: a litania do eterno crescimento, do desmazelo com o simples fato que somos e sempre seremos eternamente dependentes da natureza.

Um comentário:

Pena disse...

O meu nome é Sofia, sou de Portugal e foi para mim muito esclarecedor tudo o que li e vi nestes posts...

...tenho a noção de que maior parte dos problemas do "nosso"
mundo (sociais, ambientais, ética)residem no "surrealismo" cimentado no nosso sistema económico-social!!!

é preciso recontruir o nosso conceito de sociedade...de lucro...de vida e felicidade!Obrigada

Sofia Pena