domingo, 18 de maio de 2008

Economia ecológica: A fazenda e o pardal

Li todos os comentários do meu blog. O da Viviane e de outros dizendo que não podemos mais ignorar o meio ambiente, como é feito pelo governo e pelos economistas, em prol de um suposto bem. Certíssimos os primeiros, erradíssimos os segundos.

Acordei de manhã em uma fazenda de um grande amigo. Estou olhando através das janelas o verde das árvores e da grama. A fazenda produtora de café e cana depende do meio ambiente como qualquer um dos pardais que vem à minha janela me olhar curiosamente para saber o que eu estou fazendo, como que perguntando por não estar pisando descalço na grama. Já vou fazer isso.

Estou sempre pensando e coletando argumentos para todos nós despertarmos. Recebi um email elogioso de uma pessoa que me disse: "Espero que você atinja seus objetivos". Meus objetivos? O pronome "meu" e seus correlatos devem ser abolidos. O objetivo não é meu, é de todos. Não depende de mim, mas de todos. Nada conseguiremos, se a humanidade toda não sair da rota da economia egoísta, individualista, destruidora do consumo e descarte para uma outra rota, totalmente diferente. Quanto mais insistirmos nessa rota, mais agravaremos nossos problemas.

Sem uma mudança coletiva não iremos nos salvar.

O mais impressionante é como estamos reféns da natureza que não deixa bem claro o que estamos fazendo. Estamos como na parábola dos sapos: um sapo é colocado numa panela de água fria que é aquecida lentamente e morre. Outro sapo é colocado numa panela com água quente, salta e se salva. Somos os primeiros sapos, a natureza na sua capacidade de regeneração criou a resiliência da natureza e os atrasos ecológicos que evitam mudanças abruptas até determinado ponto e nós todos continuamos fazendo os estragos com uma perigosa sensação de normalidade. Cabe ao ser humano entender isso e usar sua inteligência o mais rápido possível, prevendo que se esgotarmos essa capacidade da natureza, iremos provavelmente desaparecer da Terra.

Está na hora de pararmos de viver em cima de fluxos (crescimento, construção, vendas, carros, aviões, demanda...) e olharmos para os estoques. Diga-se de passagem, focar em estoques é crédito de Sylvio de Castro, um amigo de outrora onde discutíamos como nunca essas questões que preenchiam e preenchem nosso dia a dia de investimentos, já sabendo que isso tudo é insustentável e que no futuro ninguém será capaz de comer o dinheiro.

Sim, Viviane, não é o planeta que está ameaçado. Somos nós. Não fazemos nem cócegas ao planeta.

Um domingo verde a todos e meus mais profundos sentimentos de respeito por todas as formas de vida na Terra, inclusive o pardalzinho que me chama agora...

Tudo que vive merece viver (Gandhi). A vida de todos os seres depende da vida de todos os seres. E de alguns, depende da responsabilidade e do conhecimento que já adquirimos para entender o que é certo e o que é errado.

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