sábado, 29 de agosto de 2009

Mudança climática e a "mudança" de abordagem

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Mudança climática e a "mudança" de abordagem

O texto da Míriam Leitão logo abaixo é excelente.

A situação é séria mesmo. A visão do mundo sobre o aquecimento global ainda não abandonou a idéia absurda que a economia é um subsistema da natureza e nem a outra idéia derivada dela que é a possibilidade da economia ser maior que o planeta ou que o “mundo” cresce, como já escreveram alguns economistas. Nessa visão estranhamente pouco se fala sobre o aumento contínuo da pressão sobre os ecossistemas, que continuará aumentando, apesar das boas intenções de governos e empresas, pois eles continuam pregando o crescimento eterno como solução. Bem como é muito estranho que em toda essa discussão de mudança climática pouco se fala sobre o maior processo de extinção da vida dos últimos 65 milhões de anos, o terceio maior já registrado, causado pelo homem. Essa extinção inegável ocorreu em décadas e não em eras geológicas. É muita ingenuidade achar que esse processo de extinção jamais irá se voltar contra os causadores. No nosso modelo mental deveria entrar nossa total dependência em relação à natureza, por exemplo, a água que vem para os nossos corpos, só existe porque existem os bichos e as florestas. Sem eles, a água que é viva, sumiria da Terra. Esse é apenas um dos inúmeros vínculos da nossa enorme dependência e mesmo assim, além de ignorarmos tudo isso, decidimos tratar o planeta e a vida dele como uma lixeira, para satisfazer um padrão de consumo estúpido, imoral e impossível de ser disseminado para todos.

Tive uma oportunidade única de conversar com Nicholas Stern e perguntei sobre o mito do crescimento eterno e a resposta é que para ele não há problema nenhum no modelo de crescimento eterno das economias, embora seja a única obsessão maníaco-depressiva de todos os governos e empresas. Ele me disse que para salvar a humanidade, bastava apenas encontrar uma energia limpa em escala global que tudo estaria sanado. Desde quando, perguntaria Nicholas Georgescu-Roegen, temos só problema de energia? A extinção da vida e o esfacelamento dos ecossistemas estão aí para provar o contrário e esses fenômenos continuarão se agravando, a despeito de todas as boas intenções – praticamente irrealizáveis – de todos os envolvidos nas “novas” idéias. A questão sistêmica e a falta de uma abordagem macro é mais grave: se todas as partes forem realmente “sustentáveis”, o todo não será necessariamente. Na atual abordagem, não será com certeza, pois as empresas individualmente reduzem o consumo de matéria e energia por unidade de produto, mas expandem a produção 4, 5, 6 ou quanto mais vezes puderem para satisfazer a filosofia suicida pela qual “não podemos abir mão do lucro, mas podemos abrir mão da capacidade do planeta sustentar todas as formas de vida na Terra”. Quais são as metas mesmo desse sistema, elas próprias não precisam ser revisadas? Onde anda o contrato social do crescimento? A leitura de muitos teóricos importantes mostra que não há relação alguma entre benesse social e crescimento econômico e a cada vez que a economia cresce, a sociedade fica mais miserável. É o tal do crescimento deseconômico, não gera empregos, produz concentração de riqueza extrema, destrói a natureza e o bem estar das pessoas. As aglomerações urbanas onde vive hoje a maior parte da humanidade são bons exemplos de perda de bem estar, liberdade e saúde.

A energia é usada para construir, movimentar coisas, tudo isso em cima da matéria, dos ecossistemas, da água, cujo filtro através da natureza está sendo destruído e é irreproduzível por qualquer tecnologia humana, assim como muitos outros serviços ecológicos essenciais para todas as formas de vida. O sistema econômico de todos os regimes já vistos esfacelam por completo os serviços ecológicos e os países ricos não se esgotaram ecologicamente nem entraram em colapso, porque contaram com a ajuda sempre gratuita do meio ambiente do resto do mundo via comércio global (outra parte do nosso sistema de preços, onde os custos socioambientais não são observados). A paleontologia e o “Millenium Ecossystem Assessment” não podem continuar sendo ignorados pelos adeptos dessa “nova” visão de mundo. Assim como os economistas precisam o mais urgente rever suas teorias mecânicas e abandonar a idéia de crescimento eterno para atender demandas infinitas e nunca saciadas de populações crescentes em um ambiente espacial e ecológicamente finito, um sistema fechado como a Terra, a menos que acreditem infantilmente que o sistema seja aberto e que da poeira estelar que invade nossa atmosfera, será possível contruir carros e coisas e cacarecos ou quiçá um novo planeta. Por que até agora ninguém se espanta com o fato da saúde das economias depender de se adicionar ao estoque milhões de empregos mensalmente, milhões de carros, celulares, laptops e casas mensalmente, milhões de coisas enfim, com pressões absolutas cada vez maiores sobre o sistema natural do qual dependemos para viver? Produzir e vender mais todo o sempre é a única coisa que nos sustenta? Se for verdade, estamos fritos, iremos realmente desaparecer desse planeta.

O progresso econômico, principalmente dos países ricos, só foi feito através da não observação dos custos ambientais e sociais escondidos, principalmente fora dos seus territórios via comércio global. Quando esses custos forem evidenciados, o progresso entrará em colapso e a pior crise que a humanidade pode viver está para acontecer. Não temos só problema de energia, nem só problema de mudança climática. Temos problema de máteria, de modelo mental e de teorias econômicas falsas que regem o mundo. É bem mais vasto do que imaginamos a mudança que será necessária para a humanidade se salvar dela mesma, porque é só isso que está ameaçado, pios somos irrelevantes e nem fazemos cócegas a esse planeta de bilhões de anos. Bilhões de anos, nossos cerébros não são capazes de entender, mas foram esses processos que viabilizaram a vida na Terra e é contra eles que decidimos abrir guerra, da qual jamais sairemos vencedores. Continuem vendendo a mercadoria, quem sabe dará para fazer o mesmo no Valhala, porque de fato não haverá amanhã e é para isso que estamos trabalhando todos os dias...

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Míriam Leitão - Panorama Econômico O GLOBO

Falando sério

Tudo se passa no governo como se não houvesse amanhã. O que nós estamos vivendo com a mudança climática é o fim da economia como nós a conhecemos, não apenas mais um modismo. O desafio posto para a Humanidade neste começo de século é daqueles que encerram uma era e começam outra. Por isso, é tão bem-vinda a carta aberta de empresas e entidades querendo limites às emissões do país. A carta divulgada terçafeira em São Paulo é diferente das outras. Não parece mais uma daquelas cosméticas ações de empresas para fingir que são modernas. Nem mais uma lista de pedidos ao governo. Eles assumem compromissos: vão fazer inventário anual de quanto emitem de gases do efeito
estufa; incluir essa variável nas decisões de investimento; reduzir as emissões; atuar na cadeia de suprimento para incentivar esse comportamento; atuar junto ao governo e à sociedade para compreender o impacto das mudanças climáticas. Ao governo eles pedem que, em Copenhague, assuma papel de liderança da questão climática e aceite metas claras de redução das emissões. O lançamento teve o apoio da Globonews e do jornal “Valor Econômico” e pode ser o ponto a partir do qual o país comece a levar a sério, o que sério é. As mudanças climáticas exigirão radical alteração da forma de produzir e usar energia, levarão a uma taxação sobre carbono que encarecerá e tornará menos competitivo o combustível fóssil, obrigarão que todas as empresas repensem seus negócios, sua rede de fornecedores, sua forma de produção, sua energia e o ciclo de vida dos seus produto. Mineração, siderurgia, petroquímica, alimentos, papel e celulose, transporte, seguro, supermercados, é difícil encontrar uma área da economia que não seja afetada pelo que está acontecendo. Mudará a geopolítica. As tragédias climáticas provocarão ondas migratórias que vão exigir da diplomacia novas formas de atuação e abrirão novas frentes de trabalho com refugiados. Será rotina para arquitetos, daqui para diante, construir prédios que poupem energia, reciclem água, aproveitam a luminosidade, o calor ou o vento externo para a climatização. Serão desafiados também na reciclagem dos prédios antigos. A mudança climática imporá nova agenda de políticas públicas e ações corporativas. É espantoso como são poucas as pessoas no Brasil que entendem a dimensão do fato. O governo brasileiro nem suspeita do tamanho da encrenca. Ele mostra isso em abundantes sinais. Projeta a energia nova a partir de carvão, óleo combustível e gás. O setor de energia usa modelos de definição de preço de cada fonte de energia que favorece os combustíveis fósseis. O ministro Carlos Minc propôs que as térmicas a óleo e
carvão plantassem árvores como compensação mas a proposta foi rejeitada. No Ministério dos Transportes, o governo não avalia o modal alternativo pela ótica ambiental. O Ministério da Agricultura vive às turras com o meio ambiente. A política industrial lançada um pouco antes da crise econômica incentiva setores de alto impacto seja em emissão industrial ou em desmatamento. No PAC, a preocupação ambiental é vista como obstáculo. O Ministério da Ciência e Tecnologia não divulgou ainda a atualização do inventário de emissões do Brasil, os dados com que se trabalha são de 1994. O Ministério das Relações Exteriores tenta fugir das metas através de jogos de palavras feitos para confundir. A conversa está muito mais adiantada no resto do mundo. Aqui, contam-se nos dedos os economistas que pararam para entender o tema. Na Inglaterra, a pedido do então governo Tony Blair, o ex-economista-chefe do Banco Mundial Nicholas Stern já traduziu o problema climático para a lógica dos economistas e concluiu: o preço de não fazer nada para evitar ou reduzir os efeitos das mudanças climáticas é maior do que o de agir agora enfrentando o assombroso desafio que está diante de nós. Na política, com a solitária exceção da senadora Marina Silva, os possíveis candidatos e seus apoiadores para as eleições de 2010 acham que podem andar na superfície do tema sem entender a profundidade da transformação da economia, política, educação, emprego, logística, habitação, energia, que terá que ser feita nos próximos anos. No Brasil, eu tenho ouvido de economistas e autoridades manifestações pedrestes sobre o tema. Avaliações reveladoras de que jamais a tal pessoa leu um bom paper, livro,
estudo sobre o tema, nem teve uma boa conversa sobre o assunto mudança climática. Ver as grandes empresas, e algumas associações, acordarem, afinal, foi um alívio. Por isso, o nome delas vai aqui em ordem alfabética para serem elogiadas e cobradas: Aflopar, Andrade Gutierrez, Aracruz, Camargo Corrêa, CBMM, Coamo, CPFL, Estre, Light, Natura, Nutrimental, Odebrecht, OAS, Orsa, Pão de Açúcar, Polimix, Samarco, Suzano, Única, Vale, Votorantim, VCP. A Vale foi uma das líderes. Apoiam o movimento o Ethos, Fórum Amazônia Sustentável, SindiExtra e Fiep. Ficaram de fora a Fiesp, CNI, CNC, CNA e várias empresas recusaram adesão. Não entenderam que este é um tempo
radical. De mudanças e atitudes radicais. Ou não haverá amanhã.

Hugo Penteado

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Boi é visto como máquina nos rodeios e "aditivos" aos animais causam polêmica - Matéria da Folha de S.Paulo

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Por quanto tempo mais a humanidade continuará entregue a essa estupidez e crueldade que nos eleva a categoria do ser vivente mais cruel desse planeta?
E por quanto tempo mais as pessoas que participam dessa festa irão continuar não se sentindo responsáveis pelo que acontece ali?

http://noticias.uol.com.br/festa-peao-barretos/ultimas-noticias/2009/08/27/ult7811u31.jhtm

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Apoio de petistas a Sarney é insustentável, diz Marina

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FOLHA S. PAULO – Domingo, 23ago09
Apoio de petistas a Sarney é insustentável,
diz Marina
Senadora compara disputa contra candidatura do PT a luta entre Davi e Golias
Ela diz que nunca defendeu o criacionismo e, ao falar da descriminalização do aborto, afirma que questões de fé devem ser respeitadas
MARTA SALOMON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Um dos argumentos que a senadora Marina Silva (AC) ouviu para não sair do PT foi que o lançamento de sua candidatura à Presidência poderia inviabilizar o "projeto histórico" do partido no qual militou por quase 30 anos. Lançou mão de personagens da Bíblia para comparar a candidatura Dilma Rousseff e uma candidatura pelo PV à luta entre o gigante Golias e Davi. Na Bíblia, Davi vence. Marina, 51, insiste em que a decisão sobre sua eventual candidatura só será anunciada em 2010.
FOLHA - Antes de mudar de partido, a sra. mudou de religião, de católica para evangélica. No ano passado, equiparou a teoria da evolução de Charles Darwin ao criacionismo, que atribui a origem da vida a Deus. Entre fé e ciência, a sra. fica com a fé?
MARINA SILVA - Houve um completo mal-entendido. Fui dar palestra em uma universidade adventista, que é uma faculdade confessional. A legislação brasileira permite as escolas e as faculdades confessionais, que têm o direito de fazer a abordagem do ensino a partir da perspectiva religiosa. Um jovem me perguntou o que eu achava de as escolas adventistas ensinarem o criacionismo. Respondi que, desde que ensine também a teoria da evolução, não vejo problema.
A partir daí, as pessoas começaram a dizer que eu estava defendendo o criacionismo. Sou professora, nunca defendi essa tese e nem me considero criacionista. Porque o criacionismo é uma tentativa de explicação como se fosse científica para responder a questão da criação em oposição ao evolucionismo. Apenas acredito em Deus, é uma questão de fé. Nunca tive dificuldade em respeitar e me relacionar com os ateus, com pessoas que professam outras crenças ou outra forma de pensar diferente da minha.
FOLHA - E essa fé a impede de discutir questões como a descriminalização do aborto?
MARINA - Questões de fé e as convicções de cada um devem ser respeitadas. Não me envergonho de dizer que sou cristã e jamais tergiversaria sobre minha fé para ganhar simpatia de quem quer que seja. Seria capaz de perder todos os votos, de nunca mais ser eleita, mas nunca faria um discurso fácil.
FOLHA - O PV já prepara festa para a sua filiação no dia 30. A sra. já disse que todos os partidos têm problemas. Qual é o maior do PV?
MARINA - O primeiro deles é que o partido teve de se abrir para evitar perder o registro. Algumas pessoas se filiaram e até se elegeram sem identidade programática.
FOLHA - O presidente do PV disse ter feito o convite à sra. para ser candidata ponderando que haveria muitas limitações de dinheiro e de espaço na televisão. Com quanto dinheiro se faz uma campanha?
MARINA - Não sou candidata ainda, isso é em 2010. E tenho consciência dessas limitações. Inclusive, quando alguns companheiros me perguntavam como eu me sentiria se, porventura, a minha saída inviabilizasse o projeto histórico do PT, sobretudo na questão da inclusão social, eu dizia: acho que vocês estão superestimando. Se comparar o tempo de TV da candidatura do PT -o que significa o Bolsa Família, o PAC, o Luz para Todos, o que significa (o programa) Minha Casa, Minha Vida, ter um presidente com 80% de credibilidade, ter palanques de A a Z em 5.000 municípios, com uma militância de 1,6 milhão de filiados- com a de um partido pequeno, com menos de dois minutos na TV, sem palanques, é como se fosse uma luta de Golias contra Davi.
Como não imagino que a candidatura do PT é Golias e nem tenho a pretensão de ser o Davi, só posso imaginar que a minha funda vai se lançar contra o Golias da desesperança, do pragmatismo. Tenho experiência nisso. Se fosse fazer cálculo em termos pragmáticos, nunca teria feito nada. O esforço é por aquilo que significa em termos de semeadura.
FOLHA - O que não é sustentável hoje no Brasil?
MARINA - O próprio modelo de desenvolvimento, que tem origem numa visão equivocada de que os recursos naturais eram infinitos. Temos de aprender a lidar com essa limitação no sentido de criar novas práticas, novas oportunidades, nova relação de produção e consumo.
FOLHA - É sustentável o apoio do PT a José Sarney?
MARINA - Isso já se mostrou insustentável por tudo o que está acontecendo com o Congresso, com o governo, com o PT, e com o próprio presidente Sarney. No meu entendimento, o melhor para a crise era o seu afastamento temporário, inclusive como forma de preservar a figura histórica de Sarney.
FOLHA - Como entram na agenda da sustentabilidade os juros altos e a independência do Banco Central?
MARINA - Os juros altos não são sustentáveis, obviamente, sobretudo em um país que precisa continuar crescendo. O Banco Central, na realidade do Brasil, já tem essa independência.
FOLHA - A hidrelétrica de Belo Monte e BR-319 são sustentáveis?
MARINA - Belo Monte está passando por um processo de licenciamento, que verificará se ela é sustentável. A BR-319, eu considero economicamente, ambientalmente e socialmente insustentável.
FOLHA - O programa nuclear brasileiro é sustentável?
MARINA - Nós temos outras fontes de energia. Alega-se que são caras. E, na verdade, são. Mas a nuclear também é cara. Com uma diferença: a energia eólica e da biomassa são caras mas são seguras, a nuclear é cara e não é segura.
FOLHA - Quão sustentável é o Bolsa Família?
MARINA - É um programa importante na promoção da inclusão social. O problema apontado, com razão, é a questão da porta de saída, para que as pessoas tenham uma integração produtiva e não dependam da bolsa. Mas só é possível falar em porta de saída porque teve porta de entrada.
Uma vez, uma pessoa reclamava que não quiseram fazer uma faxina pelo valor que ela se dispunha a pagar. "A culpa é dessa Bolsa Família", dizia. Fiquei feliz, porque, se não tivesse o Bolsa Família, a pessoa se aviltava a receber qualquer valor por seu trabalho.
FOLHA - O pré-sal é sustentável?
MARINA - Os combustíveis fósseis são insustentáveis. O pré-sal tem de ser visto com os cuidados para que não façamos a apologia do recurso em si. É preciso que parte dos recursos obtidos sejam drenados para compensar os danos ambientais das emissões de CO2.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Desconexão

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Se pudéssemos refazer as contas, quanto do crescimento assombroso que a economia dos Estados Unidos exibiu na década de 90, antes de chegar nessa crise também assombrosa, poderia ser atribuído à dívida mal feita e excesso de endividamento das famílias? Quanto desse crescimento poderia ser atribuído a excessos de consumo injustificáveis, como por exemplo, o tamanho de casas três vezes maior para famílias cujo tamanho caiu pela metade nas últimas décadas? Quanto desse crescimento produziu acesso aos bens por famílias que menos precisavam deles, pois já estavam saturadas, ao lado de um mar de miseráveis dentro e fora dos Estados Unidos incapazes de ter o mínimo? Essas e outras perguntas nunca são feitas, mas se descontássemos isso tudo, não sobraria nada de um crescimento que foi também a razão de expansão das economias asiáticas, que por sua vez sugaram como os países ricos, os materiais e serviços da natureza de países exportadores como o Brasil. Toda a economia global foi sustentada por elos podres e por repartições nada satisfatórias dos benefícios gerados por esse crescimento.

É aqui que começamos a perceber quão falha é a ciência econômica. Os economistas acreditam que a economia é um pilar que cria a sustentabilidade social e ambiental. Riem interna e externamente com essa baboseira dos três pilares da sustentabilidade (economia, planeta e pessoas). Só que essa baboseira vem sendo discutida há décadas por grupos líderes da nossa sociedade e os economistas falham em perceber que quanto mais insistem no pilar econômico, mais insustentável se torna a sociedade e o meio ambiente (e sua capacidade de sustentar todas as formas de vida).

Essa falha conceitual não só nega vários avanços das ciências, como não fortalece o movimento de sustentabilidade que surgiu no mundo todo. Qualquer um ligado à sustentabilidade, quando busca apoio desses economistas tradicionais, a resposta é sempre a mesma: "o meio ambiente não tem nada a ver comigo." Ah não, então me diz o que dá para fazer hoje no mundo sem água, solo e petróleo? Outra resposta mais simpática é: "não se preocupa com isso, a economia irá resolver tudo".

Será mesmo? É isso que podemos constatar na realidade? Por que os Estados Unidos e o Reino Unido, após terem feito o que queremos fazer – atingir um nível de consumo estúpido – entraram em crise com poucas saídas dela? Por que estão às voltas com crise de energia?

Essa desconexão dos economistas com a realidade tem bases epistemológicas profundas, como explicou muito tempo atrás Nicholas Georgescu-Roegen. Sua descoberta foi ignorada e isso foi uma perda inestimável, pois é merito dele ter previsto que a “humanidade vai entregar o planeta ainda banhado em sol apenas para a vida bacteriana.” Sua previsão precedeu muitas das previsões das ciências da Terra.

Os caronistas de Roegen que se dizem heterodoxos elaboram idéias quase tão grotescas e catastróficas quanto as da teoria econômica vigente. Uma explicação para a falta de perfeita compreensão das idéias de Roegen é explicada por Aristóteles: “Quando nossos interesses estão em foco, somos os piores juízes das nossas ações.” Também se explica pela falta de consciência ou evolução, onde alguns cientistas trilham muito mais a sua própria vaidade, do que a compaixão pela vida interligada da Terra.

O respeito ao outro e a vida é o ponto de partida desse trabalho. Quando vamos começar?

Hugo Penteado

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Fim da água à vista: uma grande conquista!

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Adicionamos a isso que:

1) os economistas e os governos e as empresas trabalham com a idéia que recursos naturais e serviços ecológicos são inesgotáveis; água incluso, não há uma variável para água em qualquer um dos modelos econômicos usados pelos economistas para prever o crescimento econômico, através do qual se pretende que a economia é neutra para o meio ambiente e que o meio ambiente é inesgotável (e a economia pode ser maior que o planeta, como acreditam Paul Krugman, Robert Solow, Joseph Stiglitz e Nouriel Roubini).

2) se a água se torna escassa, porque foi mal usada ou poluída isso é comemorado, porque se criou um novo mercado para essa barbaridade - os economistas falham em perceber que é uma falha do modelo e do mercado deixar a água se tornar escassa e incluir a água na economia depois da sua degradação pode implicar em um erro que signifique o fim da humanidade na Terra - para isso basta lembrar que a maior ameaça do aquecimento global é o fim da água e não a elevação dos oceanos apenas (aquecimento global não é o problema, é um dos problemas também, outro erro comum é achar que só temos problema de energia e não temos nenhum problema de matéria - ah tudo bem, tinha me esquecido que a energia será usada para movimentar entidades invisíveis e corpos humanos imateriais...);

3) embora água seja um recurso finito, por uma série de teorias mirabolantes e a crença em ganhos de eficiência, os economistas não prevêm que ela venha a se tornar uma restrição para uma demanda exponencial e crescente, embora a falta de água - que é um recurso finito e sempre será finito - e de outros recursos naturais já estejam criando tensões militares e claramente será a razão de guerras descomunais no futuro (já temos governos muito bem preparados para isso).

4) apesar de tantas evidências e alertas científicos e fatos contundentes sobre o desastre que se avizinha, nenhuma - deixa eu repetir - NENHUMA mudança de rota e de política ou visão de mundo está sendo implementada no mundo inteiro! Continua prevalecendo uma das idéias do Banco Mundial pela qual a causa da poluição é a pobreza! Continua prevalecendo três noções surrealistas: - eu não posso abrir mão do lucro, mas posso abrir mão do planeta; - filosofia NIMB (not in my backyard), crédito ao Marcelo Michelsohn, teoria pela qual as pessoas mesmo despertas para a situação não acreditam que maus eventos poderão alterar suas vidas e - sim, a economia pode ser maior que o planeta. A pior de todas é a crença falsa pela qual o exemplo de países pequenos e desenvolvidos que desmantelaram setores intensivos em energia e passaram a viver de royalties possa ser um exemplo do que pode ser feito na economia global. Resposta: pode, os países maduros transferiram o peso para os outros povos atrasados; agora esses povos que chegaram tarde terão que transferir o peso aos marcianos e está tudo certo, nada de mudar paradigma. Mudar para quê? Só por que há o risco de extinção da humanidade?

sábado, 22 de agosto de 2009

Análise fria e seca sempre

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Esse é o tipo de análise fria e seca que é feita do lado da economia. Sem computar as perdas ambientais e planetárias, tratam o crescimento como se ele fosse realmente um milagre, feito sem vinculção alguma com o meio ambiente e essenciais serviços ecológicos, que além de servir à esse modelo suicida, são a base de sustentação da vida, sem a qual ninguém sobreviverá.

As métricas também são frias e incrivelmente secas, como se bastasse mensurar a renda per capita ou o crescimento do PIB para varrer do mapa qualquer preocupação possível com a sociedade e o uso excessivo dos ecossistemas. É como se não houvesse efeito negativo, tudo é considerado extremamente benéfico para tudo e todos quando falamos do crescimento frio e seco que já provocou a maior extinção da vida desse planeta dos últimos 65 milhões de anos, proeza feita pelos seres humanos, suas economias e seu esbanjamento, em décadas. Mas os paleontólogos já avisam: é muita ingenuidade achar que essa extinção não irá se voltar contra os causadores.

Esse é o mundo no qual não é possível que iniciativas isoladas de sustentabilidade, mesmo que verdadeiramente seguidas, produzam um sistema sustentável e mude a rota suicida na qual estamos. A soma das partes não dá o todo, por mais que todas as empresas se auto-declarem sustentáveis, isso jamais significará o atingimento de tão almejada meta para a humanidade como um todo. Falta o reconhecimento da dependência, do limite e de não sermos capazes de revogar leis básicas da física e dominar as forças da natureza. Mudança de visão espetacular, pois não é isso que acreditamos.

Segue texto:

Milagre só não basta
PIB de dois dígitos não garantiu salto do Brasil para posição de destaque no mundo em 40 anos


Cássia Almeida - O Globo, 16-08-2009

Eram 93 milhões de brasileiros, a indústria ainda engatinhava e a inflação beirava os 20%. Esse era o retrato do Brasil de 1969. Em quatro décadas, os brasileiros viveram os efeitos de crises externas, do calote na dívida externa, da inflação que ultrapassou 2.000% e o salto da indústria. A grande expansão perdurou até fins dos anos 70 — no milagre brasileiro. A ele seguiu-se outro ciclo, de baixíssimo crescimento e inflação galopante.
Aos poucos, o país começa a retomar o caminho do crescimento, porém ainda perde feio quando é comparado a outros países. Hoje, o Caderno de Economia do GLOBO, que começou a circular exatamente em 1969, inicia uma série de reportagens que contam essa trajetória.
O exemplo mais flagrante é a Coreia do Sul. Há 40 anos, a renda per capita do brasileiro era praticamente o dobro da coreana. Em 2007, último dado disponível para comparação, a situação se inverteu com ampla margem em favor da Coreia. Nos anos recentes, a renda brasileira representa apenas 30% da coreana. O que levou o Brasil a ficar para trás? A resposta vem do professor da PUC, Luiz Roberto Cunha: investimento maciço em tecnologia e educação: — O investimento na educação ficou restrito a cursos de instituições privadas e mais baratos, como Direito e Administração.
Pouco se investiu em engenharia e computação. Quando esse diferencial determinou a expansão dos países, o Estado brasileiro não tinha mais capacidade de investimento.
Estrategista-chefe da Arsenal Investimentos, Mariam Dayoub acrescenta mais um motivo para o sucesso atual da Coreia: proximidade com o Japão, na época o motor do crescimento na Ásia, e abertura comercial, que permitiu a absorção de tecnologia: — Enquanto o fluxo de comércio representa hoje no Brasil apenas 25% do seu PIB, na Coreia, é de 70%.
Além disso, a América Latina sofreu muito com as crises por conta do alto endividamento externo o que brecou a expansão do continente. Ainda sob o impacto do Ato Institucional Número 5, que aboliu direitos políticos dos brasileiros, o país começa em 1969 o seu maior período de expansão. “Mirem-se no Brasil” era a mensagem ouvida lá fora diante das taxas de crescimento do PIB que chegaram a 14% em 1973. Exatamente o ano em que a crise do petróleo começa a azedar o milagre brasileiro. O preço do barril pula de US$ 3 para US$ 10. Segundo o economista Eustáquio Reis, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o avanço foi sustentado por muito subsídio e investimentos públicos — foi a década das grandes obras de infraestrutura, como Ponte Rio-Niterói, Hidrelétrica de Itaipu e a Transamazônica, e de implantação de grandes estatais e ampliação do parque industrial. O Brasil continuou crescendo, num ritmo mais moderado, em torno de 7% ao ano, mesmo com a crise do petróleo.
Dessa vez financiado pelos petrodólares. Na segunda crise do petróleo, quando o combustível subiu de US$ 10 para US$ 30, os juros americanos subiram e as fontes de recursos internacionais secaram. O Brasil passou a alternar momentos de expansão e recessão ou estagnação econômica, sofrendo efeitos de crises externas e tentando vencer o dragão da inflação. Foram as décadas de “pagar o pato”, como lembra o coordenador de Contas Nacionais do IBGE, Roberto Olinto.
Em tempos recentes, o Brasil venceu seus maiores males: dívida externa e inflação. Tem um parque industrial moderno. A desigualdade de renda, no entanto, ainda é o grande desafio a ser vencido.



sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Descartáveis - Blog Ascendidamente

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Tenho um porta-lápis lotado de canetas promocionais que ganho em eventos. Quando acabam, vão para o lixo. É assim desde que eu era criança, com as inúmeras canetas esferográficas. Ao final de cada ano, um estojo de canetinhas hidrográficas ia para o lixo.

Canetas de plástico são embalagens para a tinta, que é o que usamos para escrever. Assim como as centenas de copos plásticos de iogurte ou requeijão que devo ter jogado fora ao longo da minha vida. Mas e o que dizer de certos aparelhos de barbear que não permitem que você troque as lâminas? Uma vez perdido o corte, o destino é o lixo. Ou ainda, dos copos plásticos? Porque neste caso não se trata da embalagem. Trata-se do produto em si.

Quando o hábito era comprar tecido para se fazer a roupa, o corte era sempre mais clássico, pois ela tinha que durar mais. Atualmente, a modinha acessível das lojas da José Paulino ou do Brás, aqui em São Paulo, permite o descarte das peças tão logo a estação tenha acabado. Sei de quem compra meias e as joga fora quando ficam sujas, pois seu custo é tão baixo que permite descartar (perdão pelo trocadilho infame) a etapa de lavagem do produto.

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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Marina Silva fechada para balanço

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(Artigo exclusivo)

Por André Trigueiro

Conversei com Marina Silva por telefone neste fim de semana. Ela estava no Acre, entretida com inúmeros encontros políticos, numa rotina que vai se intensificar nos próximos dias. Marina corre contra o tempo para realizar consultas e decidir se aceita concorrer à Presidência da República ano que vem pelo PV.

Os verdes formalizaram o convite há mais de uma semana. Na oportunidade, mostraram uma pesquisa feita por telefone que indicava que Marina contaria com 12% da preferência do eleitorado se concorresse ao cargo. "Não estou preocupada com números ou pesquisas", me disse a senadora petista, que manifestou o desejo de incluir na campanha eleitoral o debate sobre sustentabilidade. "Eu quero que o tema faça parte da agenda estratégica para o país. Tem que ser uma plataforma básica de compromissos", disse ela, reconhecendo que o convite do PV foi o suficiente para gerar um clima de enorme instabilidade nas hostes petistas. Marina já recebeu ligações do presidente do partido, Ricardo Berzoini, do governador da Bahia, Jaques Wagner, do senador José Eduardo Dutra, do deputado federal José Eduardo Cardozo, e de inúmeros cardeais petistas que se apressam em pedir-lhe que fique no partido.

Não deixa de ser curioso o fato de o partido do presidente Lula estar tão interessado na permanência de Marina, depois de impor à ex-ministra sucessivas derrotas quando ela ainda respondia pela área ambiental no país. É bom lembrar que Marina Silva pediu demissão do cargo sem aviso prévio, e na véspera da chegada ao Brasil da chefe do governo alemão, Angela Merkel,cuja visita oficial ao país tinha como principal motivo os assuntos ambientais. Na época, em outra entrevista, Marina reconheceu os constrangimentos impostos à ela, mas de forma elegante, preferiu não criticar o presidente Lula.

"Não quero demorar muito para tomar uma decisão porque sei do desgaste que isso provoca tanto do PT quanto no PV". A simples hipótese de Marina Silva se candidatar à presidência gera preocupação nas demais candidaturas postas no tabuleiro político. Em relação à Dilma Roussef, Marina Silva representa obstáculo à medida que também é mulher, egressa do PT, e ainda muito respeitada no partido. Além do que, é sabido que Marina foi estigmatizada no governo por "atrasar obras do PAC", menina dos olhos do governo Lula que tem a Dilma Roussef como regente.

O presidenciável José Serra é forte junto aos segmentos mais esclarecidos da população - especialmente nas regiões sudeste e sul - onde os assuntos da sustentabilidade encontram mais ressonância e prestígio. Como Dilma e Serra são bastante identificados com o mesmo modelo desenvolvimentista, Marina corre por fora como aquela que lembra a importância do desenvolvimento sustentável como premissa de ação, não como retórica de campanha.

Há ainda a possibilidade de a candidatura de Marina catalizar votos de protesto de quem não se identifique com nenhum outro candidato e, mesmo sem nutrir maiores simpatias pela senadora acreana, queira se manifestar contra "tudo isso que está aí" votando nela.

Marina está fechada para balanço. Seu silêncio, entretanto, se faz ouvir pelo país com a mesma intensidade que os urros patéticos das últimas sessões do senado federal.

Ouça André Trigueiro na CBN: Eventual candidatura de Marina Silva ressalta o debate ambiental na pauta política. Áudio disponível: CBN

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Não temos problema só de energia, temos problema sério de matéria...

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Sobre o artigo do Valor (EUA resistem a largar vício em carvão e petróleo
- 11/08/09), não devemos esquecer de Dakota, onde 93% energia está em cima do carvão. Existe uma China energéticamente ruim dentro dos EUA e o carvão não é abandonado, porque "inviabilizaria" a economia. Ou seja, não abrimos mão do lucro, mas abrimos mão do planeta. Surrealista, falta de entendimento do que somos em cima desse planeta: totalmente vulneráveis, dependentes dos demais seres vivos e todas as circunstâncias que deram origem à vida não só não as criamos, como não as respeitamos. Deus pergunta a Joh numa passagem bíblica: "Por ventura foste tu que deste lei à luz da manhã?" Resposta dos cientistas: um sonoro não.

Mas isso prova que quanto mais viável for economicamente uma atividade, mais ambientalmente inviável ela será. Desafio para os economistas divergentes que se arvoram em cima da mesma economia neoclássica mecanicista e da cornucópia tecnológica, que entre outras coisas, prega que o planeta cresce (ou pelo menos assume isso nas teorias, principalmente naquelas ditas heterodoxas...).

Ah, não devemos ignorar também a crise energética do Reino Unido em plena recessão forte. Na última edição do The Economist saíram dois artigos sobre isso. Por quê?

Em primeiro lugar, porque não há limite para a demanda de energia que sempre cresce, nem ênfase no fim do desperdício e no reconhecimento de que o planeta é finito, para coisas e pessoas, para manutenção da vida e da economia.

Em segundo lugar, porque acreditamos que só temos problema de energia e não de matéria. É como se a energia demandada (e limpa) fosse usada para nada e não para construir coisas, carros, cacarecos que irão transitar soterrando os ecossistemas dos quais dependemos para viver, num espaço finito, onde água e solo são e sempre serão finitos, ou talvez decrescentes, quando os oceanos subirem em função do aquecimento global (mas mesmo que isso não ocorra, não muda nada o problema mencionado).

Em terceiro lugar, porque acreditamos em exemplos de determinados países pequenos que cresceram sem consumir mais energia, simplesmente porque desmantelaram setores industriais energeticamente intensivos e transferiram esse consumo para outros países exportadores com ainda alguma natureza para oferecer. Usar isso como exemplo do que é possível ser feito no planeta inteiro é um erro crasso, inimaginável, tendencioso, cego, para dizer o mínimo. Outro engano é usar essa evidência para evitar o duro reconhecimento que a economia não pode ser maior que o planeta e que transbordamos já todos os seus limites possíveis e estamos à caminho de um colapso civilizatório em função da nossa cegueira. Ou será que todos teimosamente ignoram a maior extinção da vida na Terra dos últimos 65 milhões de anos causada pelo homem e em décadas e que é, segundo os paleontólogos, muita ingenuidade achar que essa extinção jamais irá se voltar contra os causadores. Darwin escreveu que nada diferencia o ser humano dos demais animais, as ciências da Terra mostram que todos os seres vivos dependem de todos os seres vivos e dos ecossistemas, que estão sendo diária e continuamente destruídos. Conclusão: se 1/3 da vida do planeta está à caminho da extinção para sempre, isso deveria ser um alerta ameaçador para nossa espécie animal, a menos que não sejamos animais e sim deuses...

Evitar o fim coletivamente, dada a rota de colisão insistentemente perseguida por nossos hábitos diários e nas decisões de governos e empresas do mundo todo é ainda improvável e talvez já impossível, mas individualmente podemos evitar ser um dos causadores desse enorme mal imperdoável, para quem sabe voltarmos a viver em alguma outra dimensão mais razoável que essa da Terra. Transformar a Terra, uma jóia raríssima do Universo, em um planeta ainda banhado em sol entregue apenas à vida bacteriana, a qual não faremos nem mossa, é uma tragédia de fazer lamentar o mais duro dos corações que existem nesse mundo.

Salvo raríssimas exceções que apenas tangenciam o problema do planeta, todo esse blábláblá de sustentabilidade não passa de uma boutique que se abriu para melhorar a imagem enquanto mais do mesmo é feito e fez renascer das cinzas três frases importantes:

- Quanto mais as coisas mudam, mais elas continuam as mesmas (ditado francês).
- O maior sintoma de loucura dos tempos atuais é querer fazer sempre as mesmas coisas e esperar resultados diferentes (Einstein).
- Quando nossos interesses estão em foco, somos os piores juízes das nossas ações (Aristóteles).

O planeta não cresce, a economia não pode ser maior que o planeta e a filosofia do "não podemos abrir mão do lucro, mas podemos abrir mão do planeta" é irracional demais para ser levada a sério. Enquanto isso, em muitos países, a regra é: "não iremos permitir mudança dos nossos estilos de vida." Opa, mas é justamente esse estilo de vida - individualista, perdulário, irresponsável, oneroso para a maior parte das populações humanas e para toda as gerações futuras - que é a raiz de todos os problemas. Se isso não pode ser alterado, então vamos esperar o nosso requiém, é só isso que nos resta fazer.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Lixo eletrônico: uma tragédia a mais entre tantas

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Não existe um destino fácil para o lixo eletrônico. É uma tragédia, porque a vida na Terra só foi possível porque durante bilhões de anos todos os metais (o grande problema do lixo eletrônico) foram acumulados na crosta terrestre. Um ovo é um bom exemplo do que é a terra, uma casquinha, com o magma incandescente, porque a Terra ou é um pedaço do sol ou uma parte aglutinada que não se juntou a ele. Essa régua de bilhões de anos nosso cérebro que só vive décadas não é capaz de entender.

O que o ser humano fez? Retirou os metais da crosta terrestre e os despejou no ar, no solo e na água. A água é viva, não pode ser estocada porque morre, se todos os seres vivos - plantas e animais - desaparecessem da Terra, a água desapareceria e o planeta viraria uma rocha seca. A água só existe porque existem os seres vivos e os ecossistemas.

Voltando aos metais da crosta: o chumbo, por exemplo, acabou com os gregos e depois com os romanos, cujas elites copiaram dos gregos o hábito luxuoso de ter utensílios de chumbo e não de barro. Só que o chumbo assim como todos os metais, não desaparecem da natureza e são tóxicos para nossos corpos e para a natureza toda.

É isso. os metais não estavam nos ciclos da natureza e da vida quando nós surgimos, aliás, se estivessem, não teríamos surgido. Esses metais largados no lixão são uma ameaça à vida. Hoje eles são abundantemente despejados no ar, no solo e na água. Isso é aterrorizante. Precisamos assumir essa responsabilidade e cobrar nossa lucidez.

Depois dos metais, decidimos tirar o petróleo para andar de carro e voar de avião, entre outras coisas, num enorme desperdício. Hoje nas cidades que vivemos, o sono é pior porque já há menos oxigênio disponível no ar e mais gases nocivos - isso encurta a vida comprovadamente. Para se ter uma idéia, os planetas do sistema solar são todos mortos porque são ricos em gás carbônico e em gás metano e pobres em oxigênio. o único planeta com vida é a Terra, porque é rico em oxigênio e pobre nos outros gases. Nós, a humanidade, decidimos perseguir a atmosfera dos planetas mortos do sistema solar com nossos hábitos extravagantes. Até agora não há solução tecnológica para esse problema e o gás carbônico fica 1000 anos na atmosfera depois de emitido. O gás metano desaparece mais rápido, mas seu efeito retentor do calor do sol é 20 vezes maior.

Bom, despejamos não sei quantas centenas ou milhares de toneladas desses gases na atmosfera diariamente. o problema é que a atmosfera é uma película, finíssima, se pegarmos uma bola de futebol e passarmos um verniz nela bem rasteiro, esse verniz é o tamanho da atmosfera em relação à terra, finíssima.

Também criamos milhares de compostos químicos artificiais disponíveis no ar, na água, no solo e incrivelmente nos nossos alimentos. Não é à toa que somos a única espécie animal sujeit a tantas doenças degenerativas, não há um só exemplo na natureza de um bicho com tantas doenças como nós. Nós as inventamos a maior parte delas, não são naturais.

Todos os seres vivos dependem de todos os seres vivos e dos ecossistemas, somos interligados. Comemos, vivemos e respiramos graças a eles e nem agradecemos, na verdade os destruímos, como destruímos continuamente os ecossistemas para satisfazer nossas necessidades imaginárias e inventadas por essa enorme lavagem cerebral pela qual passamos. Agora, as chances da humanidade e dos demais seres vivos, vítimas do nosso descaso, terminarem o século XXI é bem pequena, de acordo com o cientista Martin Rees.

Mas enquanto isso, sim, devemos nos preocupar com os resíduos sólidos.

Hugo Penteado
Autor do livro Ecoeconomia - Uma nova Abordagem (Ed.Lazuli, 2003)

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Bobagens da “economia”

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As bobagens da “economia” podem ser encontradas no texto abaixo do Paul Krugman. Começa imediatamente com o alerta que a economia na crise atual destruiu 6,7 milhões de empregos. Pergunta: como criar milhões de empregos ininterruptamente, através de estruturas crescentes para acomodar pessoas, coisas e materialismo excessivo num ambiente finito como o território dos países, sem destroçar por completo os ecossistemas dos quais todos nós dependemos para viver, sobreviver, comer e respirar? Melhor: se o objetivo do crescimento ininterrupto é criação de empregos, então só teremos empregos se mantivermos um crescimento estúpido ininterrupto às custas do planeta? Não abrimos mão do lucro – que é uma desculpa para gerar empregos – mas abrimos mão do planeta e de sua capacidade de suportar todas as formas de vida na Terra? Espera aí: esse processo já não produziu a maior extinção da vida na Terra dos últimos 65 milhões de anos, causada pelo homem e em décadas? Os paleontólogos já não disseram que é “muita ingenuidade nossa achar que essa extinção jamais irá se voltar contra os causadores”? Até porque aqui na Terra os seres humanos não são nada especiais, todos os seres vivos dependem de todos os seres vivos e dos ecossistemas, nós não diferimos em nada. Que ilusão é essa que criamos sobre a nossa capacidade de dominar a natureza e até viver sem ela?

O país que é modelo para o Brasil - que expandiu o consumo ao máximo, fornecendo em exagero às pessoas coisas que de fato elas não precisavam e que causaram tragédias ambientais colossais dentro e fora das fronteiras dos EUA – não é um país imune a crises. Antes achávamos que só os emergentes com seus problemas estruturais, políticos e fiscais estavam abertos às crises. Agora vemos que também o país mais rico é tão instável como as piores economias do mundo. Nenhum comentário de Krugman a esse respeito: por que a crise aconteceu lá? Por que a cartilha de expansão desenfreada do consumo e da produção não evita que a economia se desmantele inteira e que trilhões de dólares sejam jogados para salvar bancos que antes não deveriam ter falido? Por que a conta de trilhões de dólares é rapidamente arcada pelo governo, quando com muito menos se resolveria problemas mais graves, como fome, doenças, misérias que grassam pelo mundo afora e lá dentro dos EUA? Por que não fazemos as perguntas certas?

Mas vamos voltar aos empregos. Foram destruídos 6,7 milhões, mas todo ano a população americana aumenta 3 milhões. Para absorver essas pessoas que ficaram sem emprego e o crescimento populacional anual seria necessário a criação de empregos à taxas chinesas: quase 10 milhões. Pior, sabendo que os EUA tem 30 milhões de mendigos, seriam necessários 40 milhões de empregos para que o país mais rico do mundo não tivesse 40 milhões de pessoas em desespero (número maior que a população de muitos países). Ou seja, existe um país inteiro e muito pobre nos EUA!

A criação de empregos é claramente efêmera, não é um objetivo e sim um resultado tautológico do crescimento, que é um fim em sim mesmo. Uma péssima notícia: nas últimas décadas EUA observou uma criação crônica de empregos abaixo do crescimento populacional e o número de pessoas em desalento ou vivendo uma sobrevida só tendeu a aumentar: são marginalizados para todo o sempre. Durante o boom econômico dos anos 90, os EUA registrou um recorde histórico mundial de população encarcerada, que cresceu a taxas astronômicas e recordes e colocou o país quase no topo da lista mundial de maior número percentual de população encarcerada.

Enfim, os empregos absorvem apenas parte das pessoas que precisam deles, as demais servem como colchão para alertar que os salários e as rendas dos mais pobres não podem subir. E de fato não sobem: de acordo com o livro “Wealth and Democracy” de Kevin Philips a única renda que subiu nos EUA nos últimos 25 anos (depois da inflação e de impostos menores para os mais ricos) foi a do 1% mais rico, que praticamente dobrou. Os dois quintis mais pobres viram suas rendas caírem um quarto. A da massa média ficou estável. Surrealista.

Por que uma economia forte e rica como os Estados Unidos vê a destruição tão rápida de milhões de empregos? Como que fisica e planetariamente será possível criar empregos nessa economia ad eternum? Por que não há estabilidade depois de atingir certa prosperidade? Por que se mantém uma necessidade de empregos sempre crescente, que nunca são satisfatórios sobre qualquer prisma analisado (bem estar, realização pessoal, desenvolvimento humano)? Por que essa necessidade de empregos justifica péssimas idéias como crescer estruturas (carros e casas por exemplo) num território finito como o dos Estados Unidos e às custas de recursos ecológicos de outros países como o Brasil, que ainda tem alguma natureza a oferecer a custo zero? Quando que os economistas irão descobrir que a economia não pode ser maior que o planeta e que tudo que está sendo feito é uma inversão assombrosa dos eixos:

- os economistas acreditam e assumem em suas teorias mecânicas clássicas que o meio ambiente e o planeta é um subconjunto da economia e que, portanto, a economia é neutra para o meio ambiente e o planeta é inesgotável (mito tecnológico). A quantidade de bobagens escritas sobre isso é também inesgotável, mas criamos um sistema cruel no qual as pessoas estão aí para servir a economia e não temos uma economia que está aí para servir as pessoas. É como acreditar que a Terra é plana.



- o descompasso dessas teorias com a realidade é chocante: na verdade a economia é um subsistema da natureza e do planeta, do qual depende e lhe é vulnerável. Manter um sistema econômco infinito, linear e degenerativo abriu guerra contra o planeta que é finito, circular e regenerativo. Guerra da qual jamais saíremos vencedores: os cientistas já declararam que as chances da humanidade terminar o século XXI é bem pequena. Basta lembrar que a destruição dos ecossistemas é contínua, rápida e exponencial e todos os dias temos novos projetos mirabolantes, novas construções e produtos sendo inventados e aumentados para atender a demanda inconsequente de um sistema que não está interessado nas pessoas e que produziu 4 bilhões de miseráveis.

Evitando o pior é tudo o que esse sistema não faz. O texto de Krugman (ver abaixo) parece um conto de fadas. Até porque ignora todos os alertas dados por diversas áreas científicas e deixa de fazer as perguntas certas: se o Brasil seguir a mesma trilha dos Estados Unidos de construir quase três casas para cada família; de apesar do número médio de indivíduos por família ter caído pela metade nos últimos 25 anos, o tamanho da casa médio ter triplicado; de ter inventado carros cada vez mais ofensivos e esbanjadores e de ter levado o desperdício ao extremo, mesmo assim entrará nessa crise hedionda? Se o Brasil seguir a trilha dos Estados Unidos e se tornar tremendamente rico, além de estar sujeito a colapsos econômicos, terá ainda dezenas de milhões de favelados? Por que um país rico tem 30 milhões de mendigos?

Hugo Penteado

Evitando o pior

Paul Krugman, The New York Times* (OESP 11-08-2009)

Parece afinal que não teremos uma segunda Grande Depressão. O que nos salvou? A resposta é, basicamente, uma grande intervenção governamental.

Para que não haja dúvidas: a situação econômica continua terrível, na verdade pior do que quase todos pensavam ser possível pouco tempo atrás. O país perdeu 6,7 milhões de postos de trabalho desde o início da recessão. Quando levamos em consideração a necessidade de encontrar emprego para acomodar o crescimento da população em idade de trabalhar, temos um déficit de aproximadamente 9 milhões de empregos em relação ao número de vagas que precisamos.

E o mercado de trabalho ainda não se recuperou - aquela sutil redução na taxa de desemprego observada no mês passado foi provavelmente um feliz acaso da estatística. Ainda não chegamos ao ponto a partir do qual as coisas começam realmente a melhorar; no momento, tudo o que temos para comemorar são os sinais de que as coisas estão piorando mais lentamente.

Entretanto, as últimas notícias econômicas sugerem que a economia tenha se afastado em muitos passos da beira do abismo.

Alguns meses atrás, a possibilidade de cairmos no abismo era bastante real. Em alguns aspectos, o pânico financeiro de 2008 foi tão grave quanto o pânico bancário do início da década de 1930, e durante algum tempo os principais indicadores econômicos - comércio mundial, produção industrial global, até o preço das ações - apresentavam uma queda no mínimo tão acelerada quanto a observada em 1929-30.

Mas na década de 1930 os indicadores dos gráficos simplesmente seguiram em trajetória descendente. Desta vez, o mergulho parece ter sido interrompido depois de apenas um ano terrível.

Assim, o que nos salvou de uma reprise completa da Grande Depressão? A resposta, quase certamente, está no papel desempenhado pelo governo - muito diferente desta vez.

Provavelmente, o aspecto mais importante do papel do governo nesta crise não é aquilo que ele fez, mas o que deixou de fazer: diferente do setor privado, o governo federal não cortou gastos conforme sua receita diminuía (Os governos estaduais e municipais já são outra história.).

A receita da arrecadação está muito baixa, mas os cheques da previdência social continuam a ser emitidos; o seguro público de saúde continua a cobrir as despesas hospitalares; os funcionários federais, desde os juízes até os guardas florestais, continuam a receber seus salários.

Tudo isso ajudou a manter viva a economia no seu momento de necessidade, de uma maneira que não ocorreu em 1930, quando os gastos federais representavam uma parcela muito menor do PIB. E isso significa, de fato, que os déficits orçamentários - normalmente algo ruim - são na verdade algo bom no momento que vivemos.

Além de ter este efeito estabilizador "automático", o governo interveio para resgatar o setor financeiro.

Poderíamos dizer (eu diria) que os resgates das empresas financeiras deveriam ter sido melhor administrados, que o contribuinte pagou demais e recebeu de volta muito pouco. Ainda assim, é possível ficar insatisfeito, ou mesmo irritado, com a maneira por meio da qual os resgates financeiros funcionaram enquanto se admite que, na ausência destes resgates, as coisas estariam muito piores.

A questão é que desta vez, diferente da década de 1930, o governo não adotou uma posição não interventora enquanto boa parte do sistema bancário entrava em colapso. E esta é outra razão pela qual não estamos vivendo uma 2.ª Grande Depressão.

Por último e provavelmente menos importantes, mas nada triviais, foram as iniciativas deliberadas por parte do governo de fortalecer a economia. Desde o início, argumentei que o Plano Americano de Recuperação e Reinvestimento, também conhecido como pacote de estímulo de Obama, foi pequeno demais.

Ainda assim, estimativas razoáveis sugerem que haja cerca de um milhão de americanos empregados que estariam desempregados na ausência deste pacote - um número que aumentará com o tempo - e que o estímulo tenha desempenhado um papel significativo na desaceleração da queda livre vivida pela economia.

Assim sendo, o governo desempenhou um papel fundamental na estabilização desta crise econômica. Ronald Reagan estava errado: às vezes o setor privado é o problema, e o governo, a solução.

E o fato de o governo ser atualmente administrado por pessoas que não detestam o governo não seria motivo para se alegrar? Não sabemos como teriam sido as medidas econômicas de um governo McCain-Palin.

Entretanto, sabemos o que os republicanos da oposição têm dito - e isto se resume a um pedido para que o governo pare de se interpor no caminho de uma possível depressão.

Não estou falando apenas de oposição ao estímulo. Líderes republicanos querem também acabar com os estabilizadores automáticos. Em março deste ano, John Boehner, líder da minoria na Câmara, declarou que já que as famílias estavam sofrendo, "é hora de o governo apertar o cinto e mostrar para o povo americano que ?compreendemos? a situação".

Felizmente, seu conselho foi ignorado.

Continuo muito preocupado em relação à economia. Temo que ainda haja uma chance substancial de o desemprego se manter alto por um longo tempo. Mas aparentemente evitamos o pior: a catástrofe total parece agora improvável.

E a razão disto é a grande intervenção governamental, administrada por pessoas que compreendem as virtudes do governo.

*Paul Krugman é Nobel de Economia

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Perdoe-me

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Luan Emilio Faustino – 05/07/08 – 20:27hs

No começo, éramos uma espécie de irmãos siameses, almas gêmeas, ou qualquer coisa que não pudesse ser separada. Amávamo-nos e, mesmo que muitos desacreditassem que você fosse capaz de desenvolver qualquer tipo de sentimento, sabíamos que de alguma forma não sobreviveríamos um sem o outro.
Os anos passaram, eu mudei, havia em mim uma necessidade de me manter distante de tudo aquilo que pudesse remeter qualquer lembrança do nosso passado, de minhas origens.
Eu queria poder acreditar que minhas atitudes não a afetariam que seguiríamos em caminhos opostos, sem a menor chance de nos cruzarmos.
Você por sua vez não disse nada e, embora muitos a procurem e se interessem justamente pelo seu silêncio, eu em minha sede de ser diferente preferi ouvir o som dos barulhos que me entorpecem.
Mesmo tendo feito tudo para ignorá-la, hoje percebo que, invariavelmente, quanto mais cresço menor você fica. As coisas não precisavam ser assim, eu sei.
Mas nos últimos tempos, pude notar que todos estavam errados quanto à ausência de seus sentimentos, parece que nada passou despercebido de sua visão; todos os erros, todos os avisos não ouvidos...
Embora eu sofra com toda a sua revolta e presencie todas as suas tormentas, pude sentir a sua frieza derreter-se num mar de lágrimas, que transbordou e atingiu minha cabeça. Sei que não será fácil reverter o mal que te fiz, mas você que a princípio era meu apoio, minha aliada, agora me faz tremer e perder o controle de tudo aquilo que negligentemente construí sobre você.
Mas se quer saber... Não a culpo, sei que o erro foi meu, afinal não deve ser fácil ser usada e abandonada, também sei que pode ser tarde demais para uma reconciliação; mas se ainda quiser, estarei aqui, pronto para provar que embora eu pareça um total estranho para você, ainda somos incondicionalmente da mesma natureza.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O meu inteiro ambiente

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Luan Emilio Faustino 02/08/08

Assim como as árvores, sinto-me preso,
Nesse mar de mudanças,
Tudo parece ter mudado, menos eu.
Existe algo de novo?
Existe vida lá fora?
Eu quero poder acreditar no amanhã,
Mas será que ele ainda acreditará em mim?
Não mais julgo o certo e o errado,
Sou parte do erro, sou meio ambiente
Sou culpa, sou a solução,
Mas meu maior erro foi ser humano.
Por que não fui simples como a natureza?
Será que ela me dará uma segunda chance?
Porque mesmo que agora eu gritasse
O meu arrependimento, quem iria me ouvir?
Há tanto barulho lá fora,
Que às vezes quando faz silêncio,
Não tenho a coragem para interrompê-lo.
Sou assim... Covarde por essência,
A atual consciência de que é preciso mudar.
Desculpas não despoluem o ar,
Lembranças não fazem o tempo voltar.
Por pior que seja a visão é preciso enxergar,
Ou será que sonhar ainda vale à pena?
E o que será de nós quando acordarmos?
A sombra de um pesadelo?
Não! Hoje eu quero sonhar na prática,
Quero o verde, quero as matas.
Devo muito a este planeta
Para perdê-lo assim para mim mesmo.
Tenho uma missão maior que eu,
Porém menor que o mundo.
Mas agradeço por ainda ter a clareza,
E a infinita certeza, de que luta continua.
Mesmo que eu não tenha começado.
Mesmo que eu não possa terminar.
Farei ainda assim a minha parte,
Pois sou parte deste mundo,
Sou um mundo meio a parte,
Mas acima de tudo:
Sou e sempre serei a parte que me cabe.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Rio São Francisco

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Oi,
Socializamos com os senhores, notícia do dia 06 de agosto, editada no Correio da Paraíba, a qual trata dos destinos da água do São Francisco naquele estado.
Na nossa opinião é um desvario sem precedentes. A transposição está apenas no começo - com cerca de 14% de seu cronograma em andamento - e seria muita pretensão se imaginar que as águas do Velho Chico cheguem naquele estado, em 2010. Lembro que para vencer um relevo de 304 metros no Eixo Leste (existência dos contrafortes da Borborema, próximos ao município de Arcoverde), seria necessária a implantação de um sistema de bombeamento extremamente sofisticado e potente, coisa que ainda sequer foi pensada. Além do mais, a geologia da área por onde irão passar os canais, é cristalina (granito puro), sendo um dos elementos naturais que estão atrasando o cronograma de execução das obras. Na nossa modesta opinião, em 2010 o presidente Lula virá à região para a inauguração de um pequeno trecho do projeto, com a barulheira infernal e normal aos políticos em campanha, com direito a foguetório e tudo mais, onde haverá uma peque área com culturas irrigadas e, no entanto, esse trecho estará ligando “nada” à absolutamente “coisa alguma”. Outra ilusão é imaginar que as águas do São Francisco serão priorizadas para o consumo humano. Uma vez realizado o projeto, elas irão abastecer o açude de Boqueirão para uso do parque industrial de Campina Grande, um dos maiores do Nordeste. A notícia nada mais é do que o início, na Paraíba, de gestões políticas, na deflagração do processo sucessório do presidente Lula. Está em nossa página. Confiram.

http://www.remaatlantico.org/Members/suassuna/noticias/agua-do-sao-francisco-chega-a-paraiba-em-2010

Abraço

João Suassuna.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

“Vocês não precisam me acompanhar. Permaneçam no PT”, diz senadora Marina Silva a aliados

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Durante as 32 horas que permaneceu em Rio Branco (AC) para ouvir familiares, amigos e aliados políticos a respeito do convite para trocar o PT pelo PV, o comportamento da senadora Marina Silva (PT-AC), ex-ministra do Meio Ambiente, deixou em todos os interlocutores a certeza de que será mesmo candidata a presidente da República.

Foram horas marcadas por ansiedade, choro e ranger de dentes. Em várias ocasiões, a senadora e seus aliados não conseguiram controlar a emoção. Choraram ao relembrar de fatos que foram permeados por apelos para que permaneça no PT.

Leia mais aqui.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

EU VOTO NA MARINA SILVA PARA PRESIDENTE

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Duas matérias sobre sua provável candidatura em 2010.
FOLHA DE S. PAULO

TENDÊNCIAS/DEBATES
A hipótese Marina
ALFREDO SIRKIS

É COMPREENSÍVEL que a possibilidade de uma candidatura da senadora e ex-ministra do meio ambiente Marina Silva cause, por um lado, entusiasmo e excitação e, por outro, preocupação.
Milhões de brasileiros sensíveis à causa ecologista, à sustentabilidade ambiental e social de nosso modelo econômico, aos destinos do planeta ameaçado pelo aquecimento global, à devastação de nossos ecossistemas e à qualidade de vida nas nossas cidades vivem na expectativa de dispor de uma voz própria, eloquente, na campanha presidencial -até agora arena exclusiva dos defensores do desenvolvimentismo clássico dos anos 60.

Por outro lado, entende-se que haja políticos inquietos, cada qual fazendo seu cálculos: afinal, uma eventual candidatura da Marina Silva me ajuda ou me atrapalha? Quanto ajuda? Quanto atrapalha? Bombardear? Não bombardear?

É curioso que as reações políticas e a maioria das análises jornalísticas gravitem em volta desses cálculos pragmáticos enquanto escamoteiam o essencial: Marina representa ideias e aspirações hoje compartilhadas por milhões de brasileiros.

Não será legítimo e até importante para a democracia brasileira que elas estejam representadas em uma eleição de dois turnos? Numa dimensão minimalista, teríamos uma campanha altamente instrutiva e educativa, não apenas naquele discurso clássico, defensivista, do ambientalismo (deter a destruição da Amazônia e de sua biodiversidade, a contribuição das suas queimadas em emissões de CO2 etc.) mas também na didática daquilo que as vertentes hegemônicas do desenvolvimentismo clássico não conseguem perceber: o futuro econômico e social do Brasil, hoje, depende de mergulharmos de cabeça numa economia verde!

Nenhum outro país está tão bem posicionado quanto o Brasil para atrair investimentos para um ecodesenvolvimento, muito embora insistamos em monoculturas, na devastação da biodiversidade para estender mais e mais a fronteira pecuária, em subsidiar veículos poluentes e emissores de carbono, em novas termoelétricas a carvão e novas rodovias no coração da floresta.
No entanto, Marina tem um potencial além do eloquente discurso de primeiro turno para depois arrancar compromissos programáticos.

Ela pode contribuir para a superação dessa abissal fenda da política brasileira: a compulsória aliança das duas vertentes da social-democracia com as oligarquias políticas na busca da governabilidade. PT e PSDB disputam, como lucidamente notou em certa ocasião o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, "quem vai liderar o atraso".

No instável sistema político-institucional produto do nosso "voto jabuticaba", proporcional personalizado, ambos dependem do clientelismo e do fisiologismo profissional para governar. Melhor fariam em se aliar em algum momento, mas, como a disputa central se dá entre eles, isso dificilmente acontecerá, e a rivalidade entre eles é feroz.

Nós, verdes, nos relacionamos com ambos e reconhecemos o papel que respectivamente tiveram nos inegáveis avanços econômicos e sociais vividos pelo Brasil desde 1994. Marina é bem talhada para promover uma nova governabilidade com ambas as vertentes que, enfim, supere essa polarização bizarra, isole o atraso e abra caminho para uma reforma do nosso sistema eleitoral, secando sua dependência do clientelismo, do fisiologismo e do assistencialismo, fontes maiores da corrupção, do excesso de cargos comissionados, do mau uso da máquina pública e da compra de votos, direta ou via centros assistenciais.

O direito de ter um sonho de país e lutar para tirá-lo do papel é inalienável. Os verdes não abrem mão dele, mas também reconhecem que isso transcende suas limitadas fileiras. Nesse momento, é impossível saber, de fato, se Marina será ou não candidata. É uma decisão difícil, de fé íntima, que há que aguardar. O caminho político, no entanto, é claro: não é anti-PT. Nossa fraternidade, muito particularmente com o PT do Acre, remonta a Chico Mendes.

Também não é antitucanos. Certamente não é anti-Lula, embora não possamos abrir mão de criticar sua atitude frequentemente atrasada e deseducativa na questão ambiental.
Pode, eventualmente, vir a ser pós-Lula...
ALFREDO SIRKIS, 58, é vereador pelo PV no Rio de Janeiro, presidente do Partido Verde do Rio e vice-presidente nacional de seu partido. É autor, entre outras obras, de "Os Carbonários".

MIRIAM LEITÃO
Coluna no Globo 09/AGO/09
Para além do verde
Espaço existe. Pode aparecer uma candidatura ou um programa de governo que vão além da mesmice dos potenciais candidatos a presidente em 2010. Marina Silva pode ou não ser essa pessoa, mas, ao surgir, ajuda a vislumbrar como pode ser verde o eixo de uma campanha. Hoje, a questão ambiental virou climática, ganhou dramaticidade, urgência e transbordou. Foi além do verde.

Pode ser outra candidatura, ou uma transformação convincente de um atual candidato. Mas espaço existe. Hoje, o desafio posto sobre o planeta e sobre o Brasil é como construir a saída da crise ficando diferente; como injetar dinamismo na economia por mudar o modelo. Isso leva a programas transformadores e escolhas novas em todas as áreas. O desafio climático atingiu o patamar de dar coerência a um novo programa de desenvolvimento.

O desenvolvimentismo do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) tem vários problemas. O mais grave dele é ser velho. Ele ecoa ainda um "governar é abrir estradas", do mais remoto e arcaico Brasil; recorda a ideologia dos "projetos de impacto" do governo Médici. Não há, nunca houve, no programa de obras com o qual a possível candidata Dilma Rousseff pretende concretar sua subida pela rampa do Planalto, a menor sombra de atualidade. É impossível conciliar a esta altura o carro-chefe da ministra Dilma com o crescimento sustentável. Eles são opostos.

Um exemplo: a BR-319 tem sido defendida com o mesmo autoritarismo e falta de sentido da Transamazônica do governo militar. Não se sabe por que fazer a estrada, não se conhece estudo de modal alternativo, nem de viabilidade econômica. A ideia é apenas rasgar a floresta, num ponto nevrálgico, para levar as hordas de sempre de grileiros, especuladores, que abrirão novas cidades, que viverão dos repasses da União e repetirão a tragédia de atraso e violência. Está sendo usada a mesma técnica de pôr o Exército, como se fosse uma empreiteira, para tocar a obra enquanto a licença não vem. É a estratégia do fato consumado usada na transposição do Rio São Francisco. Dilma ainda vê o ambientalismo como inimigo a ser derrotado.

O dilema hamletiano da oposição tucana se agrava. O ser-não-sendo-candidato do governador de São Paulo, José Serra, tem vários defeitos. O pior deles é deixar espaço vazio, o que em política pode ser fatal. Se Serra tem uma ideia na cabeça, se ele tem um programa diferente, não se sabe. Ele vai disputar a mesma embalagem de bom gerente na qual se enrola a ministra da Casa Civil. Com uma vantagem: Serra já testou com sucesso o modelo da pessoa que faz acontecer em vários níveis de governo, em vários cargos. A Dilma é mais recente nesta vestimenta e tem contra si as evidências dos erros gerenciais do governo e as estatísticas de baixo desempenho do PAC. Se o candidato tucano for o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, ele também, até agora, mostrou que quer disputar o modelo do bom gerente com obras a apresentar. A grande divergência que Serra tem com o governo é a política cambial e monetária. A mesma que tinha quando as bases dessa política foram implantadas no governo tucano. Isso já era velho em 2002 e apequena qualquer campanha.

Houve um tempo em que o verde era apenas verde e o tema só fazia sucesso no gueto. Hoje, mudou radicalmente o conceito de progresso. Hoje, ele se desdobra em várias áreas: uma política externa que dará ao Brasil liderança na questão climática; uma política econômica de desenvolvimentismo moderno que mude a forma de produzir e usar energia; novas escolhas nos financiamentos públicos; na transformação da indústria. Significa ainda mudança de comportamentos; investimentos maciços em ciência e tecnologia; novos eixos da política de saúde pública; uma educação voltada para o que será exigido no futuro que começa agora, um mercado de trabalho que criará empregos ligados a novas tecnologias de energia e produção.
Uma proposta de governo que trate a questão climática-ambiental com a seriedade devida terá de enfrentar a falta de respeito à lei na Amazônia e isso será um avanço civilizatório. O combate ao atraso de uma parte do agronegócio abrirá novos mercados ao Brasil. O verde pode ser o veio central de uma proposta coerente em todas as áreas e atualizada com o que de mais moderno se conversa no mundo. O conhecimento do assunto se aprofundou tanto que os candidatos que usarem o nome da "sustentabilidade" em vão serão desmascarados como impostores. Não há clima para improvisos e maquiagem.

Se a senadora Marina Silva (PT-AC) for a candidata deste programa tem muito a fazer. Primeiro, precisa ir além da própria origem. Os passos que a levaram à militância política partiram do extrativismo. Isso é pequeno. Não dá nem para o começo da construção de um programa robusto. Precisará absorver o que está acontecendo no mundo e terá sim "enfrentamento". Inevitável. O Brasil atrasado e arcaico está em plena ofensiva contra o meio ambiente, como a própria senadora denunciou na aprovação da MP da grilagem. Não há composição possível com quem acha natural um programa decenal de energia que prevê 82 termelétricas a combustível fóssil. É preciso denunciar o que já caducou, contrariar interesses, enfrentar o velho.

Essa possibilidade pode não ser percebida pelos partidos que estão muito ocupados com as cenas de pugilato verbal e de degradação em que se transformou o ambiente político. Se a questão climática não tiver a atenção que merece, o Brasil terá uma campanha eleitoral, na segunda década do século XXI, discutindo ainda o século XX.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Dieta Vegetariana é recomendada

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Além de não fazer mal, faz bem, diminui a crueldade com os animais, o desmatamento e o aquecimento global.

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Associação Dietética Americana passa a indicar a dieta vegetariana na prevenção de doenças
As dietas vegetarianas são eficazes em todas as fases da vida, incluindo na gravidez, na lactação, na primeira infância, na adolescência e para atletas

RIO - Seguir uma dieta vegetariana pode ser uma boa maneira de diminuir o risco de doenças crônicas como diabetes, obesidade, hipertensão e câncer, afirma a Associação Dietética Americana (ADA), que publicou esta semana uma atualização de suas recomendações sobre alimentação saudável no "Journal of the American Dietetic Association". Segundo os nutricionistas da ADA, não há dúvidas de que uma dieta vegetariana bem planejada é uma opção saudável para crianças, adolescentes e adultos.

A Associação Dietética Americana reconhece que uma dieta vegetariana bem planejada, incluindo o vegetarianismo completo (que exclui todo tipo de carne e ovos) e o veganismo (que exclui carnes, ovos e laticínios), pode ser saudável, nutricionalmente completa e traz benefícios na prevenção e no tratamento de certas doenças. As dietas vegetarianas são eficazes em todas as fases da vida, incluindo na gravidez, na lactação, na primeira infância, na adolescência e para atletas", divulgaram em nota os nutricionistas Winston Craig e Reed Mangels, conselheiros da ADA.

Os nutricionistas aproveitaram para enfatizar o bom resultado de inúmeros estudos que ligam uma dieta com menos carne a um risco menor de uma série de doenças. Quem é vegetariano ou exclui a carne do cardápio alguns dias da semana tem menos colesterol alto, problemas cardiovasculares, hipertensão e diabetes tipo 2, afirmaram Craig e Reed. Quem segue este tipo de dieta também tende a comer menos gorduras saturadas e mais fibras.

As informações completas sobre as novas recomendações da ADA podem ser encontradas no site www.eatright.org - http://www.eatright.org/cps/rde/xchg/ada/hs.xsl/media_22003_ENU_HTML.htm

Fonte:
http://oglobo.globo.com/vivermelhor/mat/2009/07/06/associacao-dietetica-americana-passa-indicar-dieta-vegetariana-na-prevencao-de-doencas-756675964.asp

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Nova conduta do consumidor pode inspirar empresas

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Nova conduta do consumidor pode inspirar empresas

Matéria de Silvia Czaspi, para o Valor Econômico, publicada hoje no Especial Negócios Sustentáveis

Decidida a mergulhar no mundo da sustentabilidade, a socióloga Silvia Dias, diretora da consultoria Aviv , passou a estudar e aplicar uma nova conduta em seu cotidiano, relatando seus progressos pessoais num blog. Depois de ouvir uma palestra sobre o descarte correto de eletroeletrônicos usados, passou a se informar sobre o assunto e ficou decepcionada.

"A engenharia não faz produtos fáceis de serem desmontados. Isso inibe o surgimento de recicladores, que também enfrentam a dificuldade de lidar com uma miríade de materiais, alguns dos quais muito tóxicos", afirmou ela em seu blog, citando, como exceção, componentes celulares, cujo descarte é regulamentado por uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

Silvia começou a busca pelo varejo. Por meio dos serviços de atendimento ao consumidor (SACs), três grandes redes, escolhidas aleatoriamente, declararam que não recebem usados para reciclagem. Buscou sites de fabricantes. Poucos descrevem serviços de logística reversa para recolher equipamentos obsoletos. Complementou a busca com novos telefonemas. "Parece que os SACs não têm script para esse tema, ou têm respostas genéricas, nem sempre adequadas."

"Consumidores perceberam que suas decisões individuais podem forçar mudanças de empresas, e com isso, melhorar o mundo. Um exemplo é a opção por produtos que consomem menos energia para combater mudanças climáticas", avalia o especialista Aron Belinky, que se aprofunda no tema em seu mestrado na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo (FGV/SP). Simultaneamente, diz ele, vem ocorrendo um deslocamento da ação política de indivíduos para a área do consumo. "Nas últimas décadas acentuou-se o fenômeno da transferência de boa parte do poder do Estado para o que chamamos de mercado", acrescenta o especialista.

Silvia foi atrás da Philips , que lhe deu uma resposta, a seu ver, exemplar. O SAC informou que a companhia recebe equipamentos. No entanto, apenas em Manaus (AM). "Como moro em São Paulo , a atendente pediu que eu buscasse o site da prefeitura. Não achei nada. Ficou a impressão de que eles não têm programa, ou pior, aproveitam-se de iniciativas de governo."

Apesar de meritória, Silvia também considera problemática a opção de doar equipamentos a quem precisa, já que o futuro descarte caberá a quem tem menos recursos e informações para atender os requisitos da correção ambiental.

As conclusões dessa consumidora consciente coincidem com resultados de recente pesquisa o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) sobre a política de descarte de lixo eletrônico, que também avaliou os canais de acesso ao consumidor e a similaridade de padrões nos demais países de atuação das empresas. Como base, o instituto remeteu questionário formal a 20 empresas - 14% operadoras de telefonia móvel, 33% de eletroeletrônicos e 53% de informática - e fez consultas aos respectivos SACs. Dez não responderam e foram desclassificadas. Das demais, só metade foi aprovada.

No caso da Philips, uma das reprovadas, a pesquisa critica a existência de apenas um projeto-piloto no Brasil para receber recicláveis, contra avançados programas da empresa na Europa. Em resposta ao Valor, a companhia declarou que sua central de informação ao consumidor propõe aos clientes que busquem locais próprios para reciclagem, ou os postos autorizados Philips, que recebem e encaminham os usados. Também afirmou que a sustentabilidade está relacionada ao grau de educação e de consciência das pessoas. E que o avanço dessa consciência no Brasil estimulou a empresa a investir no programa Ciclo Sustentável Philips, que pretende unificar o processo em todo o país.

Também questionada por não detalhar as ações realizadas e pela falta de uma política consistente para o descarte dos equipamentos, a Positivo Informática respondeu ao Valor que tem uma área em sua fábrica em Curitiba (PR) destinada ao gerenciamento dos resíduos gerados no processo produtivo. E que seu call center, após sugerir a doação dos usados a entidades, orienta consumidores para que os encaminhem a uma de suas 400 assistências técnicas, que cuidarão da remessa a Curitiba, onde ocorre a separação de componentes e entrega a recicladores.

Igualmente reprovada pelo Idec, que apontou falta de informação sobre programas de recolhimento de usados, apesar de haver um processo de recolhimento e reciclagem terceirizado para uma fundação, a Dell relata ter o programa Reciclagem Grátis para clientes pessoa física.

Segundo Cíntia Kahler, gerente dos programas de conformidade ambiental, a empresa recolhe equipamentos e periféricos da marca nas residências, promovendo desde o desmonte até a reciclagem, com foco na reutilização. Já o programa Doe Seu Computador, resultante de uma parceria com a Fundação Pensamento Digital, recebe computadores também de outras marcas, que recondiciona e doa a entidades filantrópicas.

A coordenadora-executiva do Idec, Lisa Gunn, lamenta que a responsabilidade dos produtores pelo produto descartado ainda engatinhe no Brasil, limitando-se a ações voluntárias.

Segundo ela, o país tem leis específicas só para alguns resíduos perigosos, como pneus. Também falta, segundo ela, avançar no direito à informação, que dê instrumentos para que o consumidor exerça a escolha correta.

O caminho para a sustentabilidade é pontuado por contradições, completa Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu. Com base em pesquisa promovida pelo Akatu em 2007, ele lembra que cerca de 77% dos respondentes declararam interesse em conhecer as ações socioambientais empresariais. Mas 51% declararam que, apesar desse interesse, não têm informações sobre o tema. E menos de 30% consideraram a hipótese de punir ou puniram a empresa, com a não-compra. "O consumidor precisa perceber que cada decisão de compra pode beneficiar, ou prejudicar, a sociedade e o meio ambiente", opina.

Apesar desses dados, ele nota a ascensão de empresas que adotaram a bandeira de sustentabilidade, como o Banco Real , entre as do mercado financeiro, ou Boticário e Natura , do ramo de cosméticos. No seu entender, o sucesso de corporações que aderem a práticas sustentáveis, com uma comunicação eficiente aos consumidores, faz com que outras busquem caminhos semelhantes.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Economia ecológica

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Segundo pesquisadores reunidos em mesa-redonda durante a 61ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada na semana passada em Manaus, olhar a Amazônia sob o ponto de vista da perspectiva econômico-ecológica deve provocar uma mudança de paradigma à medida que os problemas e desafios da região passem a ser tratados prioritariamente com enfoque ecológico, antes de o aspecto econômico vir à tona.

Clóvis Cavalcanti, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, destacou que os conceitos de meio ambiente são anteriores à economia. “Mas o meio ambiente pode e precisa existir sem a sociedade. O sistema econômico mundial deve se submeter e ser subordinado ao ecossistema e às leis da natureza”, disse o também membro fundador da Sociedade Internacional para a Economia Ecológica (ISEE, na sigla em inglês) e da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica (Ecoeco).

“Estamos acabando com o meio ambiente e com a vida social da Amazônia em troca de promessas muitas vezes vazias de aceleração do crescimento e do bem-estar humano, em que o aumento do PIB [Produto Interno Bruto] traz a destruição dos valores ambientais e culturais cultivados ao longo de séculos de convivência entre os habitantes da região”, disse.

Gonzalo Vasquez Enriquez, professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), disse que “não é possível só crescer de forma exponencial, pois essa curva ascendente levaria o mundo a uma situação de colapso”, alertou ele, citando em seguida a importância do relatório The limits of growth, produzido em 1972 por uma equipe do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, para a organização não governamental The Club of Rome.

O relatório trata de problemas cruciais para o desenvolvimento da humanidade, como energia, poluição, saneamento, saúde, ambiente, tecnologia e crescimento populacional. “A sociedade pode e está destruindo a Amazônia, mas de alguma forma a humanidade terá que pagar por isso”, disse Enriquez.

“Os avanços tecnológicos não estão sendo suficientes para resolver o problema dos limites físicos dos bens naturais. O crescimento pelo crescimento está deixando cada vez mais evidente o limite dos recursos do meio ambiente, não trazendo soluções técnicas para a manutenção da biodiversidade e promovendo o aumento do poder e da necessidade de consumo pela sociedade moderna”, afirmou.

Para Philip Fearnside, pesquisador titular do Departamento de Ecologia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), um grande desafio para o futuro da Amazônia é a criação de meios de conversão dos serviços oferecidos pela floresta, como a manutenção da biodiversidade e dos estoques de carbono, em um fluxo de renda para as comunidades que garanta o desenvolvimento sustentável da região.

“É bem melhor transformar algo que é sustentável em desenvolvimento do que tentar fazer com que uma forma de desenvolvimento não-sustentável se converta em sustentável”, disse o pesquisador que há mais de 30 anos tem se destacado no trabalho de apoio à valorização dos serviços ambientais da Amazônia.

“O desenvolvimento implica a criação de uma base econômica de suporte para a população e, a fim de ser sustentável, essa base de suporte deve manter-se por muito tempo”, apontou Fearnside que, antes do Protocolo de Kyoto (1997), já havia proposto a compensação dos serviços ambientais da floresta amazônica com base na manutenção de estoques de carbono, ou com pagamentos na forma de uma porcentagem anual do valor dos estoques. (Fonte: Agência Fapesp)

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Interessante

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Agência "lança" motosserra em USB

Artefato fictício faz parte de uma ação contra o excesso de impressões desnecessárias nos computadores; "seu teclado já é uma motosserra", prega a campanha

21/07/2009 - 13:57
Como estratégia para diminuir a quantidade de impressões de páginas, a BBH da região Ásia Pacífico criou uma ação que fazia uma pré-venda de uma motosserra com conexão USB, no site www.usbchainsaw.com.

Bem realístico, o processo de venda trazia detalhes do objeto, com fotos que ensinavam como utilizar e especificações técnicas.
Mas quando alguém tentava efetuar a compra, aparecia uma mensagem: "Você já tem uma motosserra: seu teclado. Ajude a salvar mais árvores reduzindo as impressões desnecessárias". Aliado a isso, a ação contém um aplicativo também criado pela agencia, que emite o som de uma motosserra a cada vez que as teclas Control e P (o comando de imprimir) são acionadas.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A nova obsessão verde - Revista Exame

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A nova obsessão verde
Depois de calcular as emissões de carbono, agora as empresas correm para rastrear o uso de água em seus produtos desde a matéria-prima até o consumidor final

Por Serena Calejon

Revista EXAME -

Nos últimos anos, a onda verde transformou uma expressão quase incompreensível em algo corriqueiro dentro de muitas empresas - a contagem de emissões de carbono. É comum hoje encontrar exemplos de cálculos meticulosos de gases de efeito estufa jogados na atmosfera até mesmo em atividades cotidianas, como viagens aéreas de executivos. Na busca para reduzir o próprio impacto ambiental, porém, já não basta diminuir (ou mesmo neutralizar) essas emissões. A nova obsessão das empresas é rastrear o consumo de água envolvido na produção de um bem. Como era de esperar em se tratando desse mercado, a tendência vem acompanhada de um conceito um tanto obscuro: água virtual. A nova bandeira dessa corrida sustentável foi levantada para valer em abril pela Raisio, fabricante de cereais finlandesa, com faturamento de 500 milhões de euros em 2008. A Raisio não apenas mediu o uso de água para a produção da linha Elovena - dos campos de aveia ao supermercado - como também se tornou a primeira companhia no mundo a estampar em sua embalagem o número de sua "pegada" (jargão que no mundinho verde significa o impacto ambiental de uma empresa). Segundo a Raisio, para fabricar 100 gramas de aveia em flocos são consumidos, ao longo de toda a cadeia de produção, 101 litros de água. "Boa parte dos consumidores ainda não entende o conceito", disse a EXAME Pasi Lähdetie, vice-presidente de comércio de grãos da Raisio. "No futuro, porém, será algo tão compreendido como o carbono."

O movimento feito pela Raisio começa a ser trilhado também por outras grandes companhias em todo o mundo. A americana Levi Strauss calculou que a fabricação de cada jeans do tradicional modelo 501 consome quase 2 000 litros de água. A Coca-Cola estimou que a fabricação de uma lata de 300 mililitros do refrigerante exija até 60 litros de água (quase 200 vezes o volume de uma latinha). A rede de cafeterias Starbucks anunciou que concluirá neste ano o primeiro rastreamento de consumo de água por toda a empresa - das lojas e escritórios até seus fornecedores de café. Todas seguem o conceito criado em 2002 pelo holandês Arjen Hoekstra, professor de gerenciamento de água da Universidade de Twente, na Holanda. Do ponto de vista ambiental, trata-se de um tema tão premente quanto o aquecimento global - tanto para empresas quanto para governos. Segundo o mais recente relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep, na sigla em inglês), em pouco mais de 15 anos dois terços da população mundial deverão enfrentar escassez de água. "Não estamos usando esse recurso de maneira sustentável", afirma Hoekstra. "E rastrear a cadeia é o primeiro passo para tornar esse consumo mais racional."

A primeira dificuldade da empreitada é que, ao contrário das emissões de carbono, não há modelos prontos disponíveis para ser seguidos. Em dezembro, uma rede mundial de ONGs, cientistas e cerca de dez empresas criou a Water Footprint Network para discutir pela primeira vez uma metodologia única para a avaliação da água virtual. As companhias que já começaram a estimar a quantidade do recurso utilizado nas cadeias de produção, portanto, criaram os próprios métodos dentro de casa a partir do ponto zero. No caso da Raisio, o processo levou cerca de três meses e exigiu uma equipe de seis funcionários de áreas distintas (entre fábrica e relacionamento com fornecedores), além de um consultor externo, que já havia ajudado a empresa na determinação da pegada de carbono. Trata-se de uma tarefa complexa, sobretudo porque o levantamento considera informações que estão fora da empresa. Parte do trabalho incluiu visitas a produtores atrás de informações, como o tipo de fertilizante usado na preparação do solo. Por enquanto, a única medida prática tomada pela companhia finlandesa foi colocar a informação na embalagem dos produtos. "O próximo passo é reduzir nosso consumo", afirma Lähdetie.

Eis aí uma etapa tão ou mais complexa que o cálculo do rastro ambiental. Os estudos da Levi Strauss, por exemplo, mostraram que apenas 6% do consumo de água estava associado aos processos industriais da empresa. A maior parte do recurso é consumida pela agricultura do algodão (49%) e pelo pós-consumo (45%) nas lavagens das roupas. "Percebemos que, para levar adiante o compromisso com a sustentabilidade, era preciso agir no ponto extremo da cadeia, sobretudo com agricultores, e não apenas no processo industrial, onde estávamos focados até então", afirma Colleen Kohlsaat, gerente de sustentabilidade da Levi Strauss. "O desafio é que temos uma capacidade menor de influenciar esses extremos do que temos de agir em nossas próprias operações." Na prática, a constatação levou a empresa a investir em parcerias com ONGs como a Better Cotton Initiative, que atua na educação de agricultores do setor algodoeiro, para adotar técnicas com menos impacto ambiental. A Coca-Cola tomou a mesma decisão ao incentivar métodos literalmente mais enxutos de produção de beterraba e cana-de-açúcar, usados como matéria-prima na composição dos refrigerantes.

Diferentemente do que ocorre com as emissões de carbono, que podem ser compensadas com a compra e a venda de créditos, num mercado já estruturado, o sistema de compensação da pegada de água ainda é nebuloso. Por isso, muitas empresas estão criando as próprias regras. Uma delas é a Pepsico. A companhia iniciou um projeto em lavouras de arroz da Índia, no qual substitui a tradicional irrigação por alagamento por uma técnica capaz de reduzir 30% do uso de água (o arroz é usado na fabricação de alguns salgadinhos). Segundo a empresa, se estendesse a área dedicada ao novo sistema de plantio dos atuais 400 hectares para 2 000 hectares, a economia gerada seria capaz de compensar toda a água usada pelas três fábricas da Pepsico na Índia. "Uma mudança pequena pode ter um impacto enorme", diz Dan Bena, diretor de desenvolvimento sustentável da Pepsico. Os especialistas, no entanto, são mais céticos. "No caso da água, não há como compensar os danos", afirma o professor Hoekstra. "A não ser que você reponha água na mesma qualidade, quantidade e exatamente no mesmo local, não existe como neutralizar seu impacto."

Em alguns pontos do planeta, a falta de água já é um problema concreto para muitas empresas. Há dois anos, a fabricante de cerveja sul-africana SABMiller identificou que 30 de suas fábricas estavam em regiões que corriam risco iminente de falta de água. Uma das operações mais arriscadas era a da Tanzânia, onde o uso excessivo das reservas subterrâneas por indústrias locais estava reduzindo a quantidade e piorando a qualidade das fontes de água potável. A saída foi iniciar um programa de reutilização do recurso na unidade. Em novembro, a cervejaria anunciou a meta de cortar 25% de seu consumo de água em todas as suas 139 fábricas até 2015. A medida representará uma economia de 20 bilhões de litros de água por ano - e pode determinar a própria perpetuação de seu negócio.

http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0947/gestao/nova-obsessao-verde-482549.html