segunda-feira, 23 de março de 2009

Não sumam dessa rede...


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Eu tenho que dizer isso: a quantidade de pessoas que eu conheço na internet, por causa do blog, do livro, dos trabalhos que se cruzam, é algo surpreendente. Quando eu digo: somos igualmente importantes, preciso reforçar, cada um de vocês que falam comigo me adicionam força e eu preciso retribuir. Não se trata de uma causa pessoal, é uma causa humanitária. Eu fiz mais de 200 palestras sobre Economia Ecológica, nunca cobrei por elas, exceto quando decidiram me pagar pró-labore em quatro ocasiões. Aí aceitei. Mas o dinheiro que eu ganho eu uso – todo mundo sabe isso – para ajudar muitas pessoas. Os meus pensamentos sobre a vida vão além do que as pessoas acham que devem fazer e um dia eu acordei com uma frase: “nossa importância não deriva daquilo que fazemos para nós mesmos, nem do que temos, nem da nossa inteligência ou sabedoria; nossa importância deriva de tudo aquilo que fazemos para os outros seres vivos e para o planeta, nada mais.” A importância que se busca numa vida espiritual quase sem respostas e cheia de segredos só pode entender quem é um corpo com alma. Num planeta de corpos sem alma, não se espantem com o se sentir um extravagante, porque é assim mesmo. Corpos sem alma, porque a pior morte que existe não é a do corpo, mas a do espírito. Infelizmente, é o principal destino – aterrorizande - dos caronistas da Terra.

Foi por isso que cheguei na economia ecológica e tentei fazer eco, com o pouco que eu ainda aprendi, das vozes que algumas já nem estão mais aqui, mas que só falaram a verdade. Nicholas Georgescu-Roegen, Kenneth Boulding, Clóvis Cavalcanti, Herman Daly, Bastian Reydon, Rachel Negrão, Carlos Lessa, Leonardo Boff, etc. A lista é infinita e não está aí em ordem de importância, as omissões são igualmente importantes, porque somos igualmente importantes e nosso futuro não depende de um ou de outro, mas de todos. Para nos salvar de nós mesmos e continuarmos navegando com esse planeta, teremos que abandonar o pronome na primeira pessoa: eu, meu não podem existir mais. Nosso, é a vez do nosso. É o tempo dos bons.

Vai existir um momento que esse grupo vai se unir de forma única, desesperada para conseguir falar. Precisamos e precisaremos disso em um momento no qual, por conta do que fizemos ao planeta, ele irá nos ameaçar sem chance de evitarmos várias tragédias. O pior do Tchernobyl, por exemplo, ainda nem aconteceu. O pior de muitas coisas que já fizemos ainda nem aconteceu. Desculpa a sinceridade, mas é o que eu vejo andando nas ruas impermeabilizadas da cidade de um povo que não toca mais na terra nem com as mãos, nem com os pés e vivem como zumbis, a maior parte do grupo sem despertar!

Sei que é tudo muito esotérico o que eu disse, mas precisava dizer. Foi uma força imperiosa escrever o que senti ao receber vários emails hoje em casa, ouvindo os ruídos lamuriantes da cidade e de um cachorro com medo nas ruas sempre despertas com seus carros em explosão. Quase toda noite existe uma serra elétrica na minha janela (são 20 horas, isso é permitido). Quase toda noite carros buzinam para o porteiro e os ônibus sobem a ladeira como trovões. Essa é a minha cidade, a cidade cheia de luz, impermeabilizada, inumana.

Não sumam dessa rede. Ela terá seu tempo certo para se formar.

14 comentários:

Elaine disse...

Hugo você não foi real e extremamente verdadeiro nessa mensagem, e isso é muito bonito. É de chorar quando a gente lê: "andando nas ruas impermeabilizadas da cidade de um povo que não toca mais na terra nem com as mãos, nem com os pés e vivem como zumbis, a maior parte do grupo sem despertar!"

Você despertou, eu também, uma minoria também, o problema é que estamos sofrendo além da conta por estarmos despertos, sensíveis em um mundo cinza, brutal, seco, esse cimento revela a frieza do sistema global trágico, do lucro!

Você escreveu que existe um barulho de serra elétrica sempre na sua janela, pois é, esse barulho, também me deixa triste demais, eu estou no interior, escuto em menor intensidade, mas mesmo assim existe, eu já morei na capital selva de pedra, mas não nasci pra ela, não voltarei, não dou conta!

É o que espero que aconteça, de verdade, que um grupo bonito, intenso, sensível, sem interesses duvidosos, diferente, desperto possa surgir desse blog, ou da nova consciência na Terra querida, eu sonho com isso, às vezes acho que estou sonhando errado, pois busco, busco e não encontro, não tenho afinidade com o que vejo atualmente! Vamos pedir, vamos rezar! Espero que não demore muito.
Um abraço carinhoso!

Elaine disse...

Hugo você não foi real e extremamente verdadeiro nessa mensagem, e isso é muito bonito. É de chorar quando a gente lê: "andando nas ruas impermeabilizadas da cidade de um povo que não toca mais na terra nem com as mãos, nem com os pés e vivem como zumbis, a maior parte do grupo sem despertar!"

Você despertou, eu também, uma minoria também, o problema é que estamos sofrendo além da conta por estarmos despertos, sensíveis em um mundo cinza, brutal, seco, esse cimento revela a frieza do sistema global trágico, do lucro!

Você escreveu que existe um barulho de serra elétrica sempre na sua janela, pois é, esse barulho, também me deixa triste demais, eu estou no interior, escuto em menor intensidade, mas mesmo assim existe, eu já morei na capital selva de pedra, mas não nasci pra ela, não voltarei, não dou conta!

É o que espero que aconteça, de verdade, que um grupo bonito, intenso, sensível, sem interesses duvidosos, diferente, desperto possa surgir desse blog, ou da nova consciência na Terra querida, eu sonho com isso, às vezes acho que estou sonhando errado, pois busco, busco e não encontro, não tenho afinidade com o que vejo atualmente! Vamos pedir, vamos rezar! Espero que não demore muito, pois eu não ainda onde me encaixar. É isso dói.
Um abraço carinhoso!

Bem pouco mais sobre mim... disse...

Corpos com alma, Hugo, mas com consciências estreitas... e tens feito um esforço honroso para ampliar hotizontes e consciências com informação e mobilização, mas tudo tem um tempo para despertar. Alguns agora, rapidamente, outros de modo muito demorado; outros ainda, sabe-se lá!

Em tempo: Eu estou aqui.

Eduardo Lima disse...

Caro Hugo! Mesmo da Suécia... e em fase final de tese de mestrado... estarei presente!
abraço!

Apocalypse Report disse...

Hugo,

Muito surpreso... Acabei de resumir num post os meus turbilhões mentais, depois de dias sem conseguir.

Não entrava no meu próprio blog há vários dias pois não saberia como resumir tudo o que vem acontecendo.

Como você sabe, tenho um link para o Nosso Futuro Comum no meu Apocalypse-Report e, assim que terminei de editar minha postagem vi o seu chamado.

Fiquei espantado com a semelhança do que você tem sentido e o que eu tenho passado. Existe uma grande diferença: eu consegui desviar da gastrite!

E, devido ao Nosso Desespero Comum eu é que te peço: Não suma dessa rede!

Grazi disse...

Hugo, pela primeira vez entrei no seu blog. Primeiro porque tava escrevendo no meu recém-criado justamente sobre a quantidade de lixo que somos capazes de produzir. Aí me lembrei da sua entrevista no programa da Marília Gabriela. A primeira vez que vi foi numa reunião do meu trabalho (somos colegas!) onde apresentaram um dos blocos. Depois cheguei em casa e vi o revi toda a sua entrevista. Coloquei um link do seu blog no meu ainda recém criado. Ainda não sei por onde começar mas estou disposta. Um beijo e continue nos inspirando.
grazist@hotmail.com

Cris disse...

Caro Hugo,
Fiquei impressionada com sua entrevista na TV Cultura. Estava assistindo a um filme, de bobeira, e resolvi passar os canais e me senti em casa no momento em que o vi falando. Não sou economista, faço direito no interior de SP, mas o que nos une é um ideal de humanidade. Agradeço hoje a oportunidade de ouvir suas palavras tão edificantes. Agora precisamos agir. Abraços, Cris

Mel disse...

Hugo:

assisti a exibição de sua palestra na cultura, achei interessante e resolvi investigar sua produção. Me deparei com esse texto, não era exatamente o que eu esperava mas foi uma coincidência que parece até providência divina. Apesar de morar no Amazonas, tenho sido difícil continuar nessa linha como economista. As dificuldades financeiras as vezes embarçam nossa visão e dá uma vontade de escolher uma alternativa mais fácil e lucrativa. Bom, chega de lamentações tenho que terminar minha dissertação. Só queria dizer obrigada pela força!

masc.eco@gmail.com

Gui disse...

Ontem vi na rede cultura uma palestra sua e fiquei admirado.Até então não o conhecia.Assim que acordei fui a internet e comecei a pesquisar sobre seu livro e seus pensamentos ecológicos.Pensamento simples,lúdico,realista e de fácil compreensão!
Sou estudante de Geografia e Análise Ambiental Da UNI-BH e gostaria de saber como faço para te lo como palestraste em nossa instituição?
Att
Guilherme Antonio Bonaldi

guibonaldi@hotmail.com

Breno disse...

Hugão, quanto sentimento! Atenção às emoções, você sabe que têm poder de cegar. Avante, cara! Em frente com suas bem vindas atividades. Alguns de nós já estão presentes.
-
emaildobrenoarrobagmailpontocom

Paula Schuwenck disse...

Tão bom saber que você existe.

Suely Chacon disse...

Oi Hugo!
Compreendo perfeitamente suas palavras. E o que Elaine disse também. Muitas vezes somos rechaçados nessa nossa empreitada, mas a força que damos uns aos outros é que permite que continuemos a acreditar que a nossa "gotinha" é uma contribuição enorme para "apagar o incêndio".
Fico feliz em acompanhar o seu Blog e relembrar sua palestra na ECO-ECO de Fortaleza, em 2007. Foi ótima e só tenho a te agradecer mais uma vez por sua contribuição ao nosso Evento.
Abraço forte e conte sempre com o pessoal aqui do Ceará!
Suely Chacon - Diretora Executiva da ECO-ECO (suelychacon@ufc.br)
http://nossosemiarido.blogspot.com/

Casa Darwin disse...

Hugo,
Assiti a sua "aula" na TV Cultura esta semana e fiquei extremamente impressionado com a simplicidade das suas colocações e a obviedade dos fatos quando vistos do modo que você coloca. Sou publicitário e tenho certeza que uma das principais dificuldades de comunicar as mudanças que precisam ser feitas no comportamento humano tem a ver com a "forma" com que promovemos este comportamento. Acho que a mesma ferramenta que ajuda a promover o desejo consumista destrutivo poderia ajudar a promover o desejo de realizar aas correções necessárias. Se precisar de alguma ajuda neste sentido estou as ordens: rodrigo@casadarwin.com.br

Lott disse...

Hugo,

sempre vivi nos interiores de minas.

Há quantro anos moro na capital mineira, porém o barulho, principalmente, me deixa doida. Grito, motor, fumaça, mais gritos, musica ruim...ai estas coisas tem uma influencia péssima sobre a minha personalidade, eu não consigo ser eu mesma, fico nervosa, entende?
O que me consola são minhas plantinhas.

Há algum tempo acompanho seu blog e sua trajetória. Sou estudante de economia, já estou mais no final do curso, e desconheço cientistas que foram capazes de desenvolver um estudo mais consistente sobre a relação econômica entre a sociedade e o ambiente. Posso estar falando besteiras.

Já fiz um estudo razoável sobre um mercado eco específico, e pensei, será que a consciência ecológica não se aplica a nada que não seja o consumo? Será que para a economia o indivíduo sempre considerará os insumos infinitos?

Agora é um momento de reflexão, Keynesianos e Marxistas começaram a propor novos modelos para a economia mundial.. e onde encontro idéias, talvez não tão geniais, mas que abordam sobre o ambiente?
Desculpe pelas bobagens!
Abraços.