terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Caso Dinamarca

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João Talochi é meu amigo biólogo com mestrado em gestão ambiental pelo IEE/USP. Antes de repassar esse caso chocante da Dinamarca, resolvi consultá-lo e até aproveitei para pedir um relato dos Inuits do Canadá, onde uma ação governamental sem cuidado com o aspecto social acabou provocando, como já ocorreu inúmeras vezes em iniciativas semelhantes, uma tragédia socioambiental. Sem a inclusão das pessoas no meio em que elas vivem e pretendem trabalhar, com engajamento socioambiental, a conclusão do movimento ambientalista é de seguir o caminho por uma gestão participativa e decentralizada, com apoio de vários atores, entre eles a sociedade civil, que deixam de ser vistas como inimigos e sim como parceiros. Os ambientalistas "verdegolentos" querem o meio ambiente sem as pessoas, embora os marcos desse movimento de exclusão são absolutamente desconcertantes. Yellowstone é um deles.

O caso da Dinamarca se insere no contexto de atividades que embora injustificáveis nos dias de hoje, são mantidas pela tradição: touradas, circos com animais, casacos de pele, pesquisas com animais na indústria, indústria da carne, caçadas de raposas e animais exóticos e essa que vem a seguir, feita desde o século X numa baía. As fotos são horrendas.

Segue a explicação de João Talochi:

Pelo visto isso é um tipo de tradição local que deve acontecer em um período do ano que estes animais (Calderon) entram nesta baía ou se aproximam de terra para caçar, provavelmente seguindo alguma outra espécie de peixe que faz o mesmo percurso. Aí, para manter as tradições de uma época em que os moradores desta região precisavam da proteína contida na carne destes animais - o que não acontece mais - eles saem com os barcos, trazem os animais para a costa (note como eles fecham a rota de fuga dos animais) e fazem a chacina... Como o texto diz, algo que deve ser passado de jovens para adultos e que, há alguns séculos, poderia fazer sentido, mas agora é simplesmente um absurdo! Veja sobre isso no wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Grindadrap

Imagina se nós dissessemos para o povo da Dinamarca que derrubar árvores nativas da Amazônia é parte da nossa tradição, um rito de passagem pelo qual todos os homens brasileiros devem passar. Eles entrariam com protestos na OMC, ONU, PNUMA, G20, CNN, BBC, etc... Provavelmente alegando que "estas barbaridades não condizem com o século XXI", ou algo assim.

Não existe data nas fotos (meu comentário: encontrei a data: outubro de 2008). Não sei quão antigas são e se isso ainda acontece, mas não duvido nada que sejam atuais e que o governo suporte, alegando direitos culturais, ou até alguma baboseira biológica do tipo controle populacional, que também não faz mais sentido (comentário meu: os caçadores como Bill Clinton, Bush e outros importantes e nem tanto que me perdoem, já troquei vários emails com empresas de caça e essa é a principal alegação deles).

Sobre os Inuits do Canadá está no link http://planetasemfronteiras.wordpress.com/2008/09/11/tiro-pela-culatra/. Exite alguma ligação com Dinamarca, mas acho que a comparação ainda é falha, pois os Inuits levavam uma vida nômade há apenas 60 anos e vivem totalmente afastados dos centros de consumo. Só se chega de avião e ainda assim, algumas vezes por ano. Sei que as Faroe Islands (onde foram feitas as fotos) são afastadas, mas isso não justiça a matança que eles fazem.

João Talochi

Ao invés de colocar as fotos aqui, quem tiver curiosidade de ver vá em:

http://pakalert.wordpress.com/2008/11/13/denmark-what-a-shame/

Um comentário:

Piu disse...

João,

minha opinião sobre o tema é que realmente há um descaso e uma visão míope sobre o tema. Justificar que a tradição ou controle populacional são necessários, mostra realmente a busca por uma saída fácil.
Vale lembrar que para um país desenvolvido a primeira regra deveria ser o esclarecimento, mas muitas vezes a regra é "faço o que eu digo, mas não faça o que eu faço" !

PS. Ótima comparação com a Amazonia.

Abraços

-Fabio Alves