sábado, 14 de fevereiro de 2009

Carvão vegetal para siderurgia ameaça o Pantanal, diz FGV

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Faltou dizer na matéria que sem o Pantanal, o maior aquífero do mundo, o Guarani, desaparece. Faltou dizer também que já destruímos mais da metade do Cerrado onde está o Pantanal.

Essa interdependência é muito importante. Para alertar mais, senão a informação fica fria como uma tampa de mármore e parece que queremos preservar o Cerrado só pelas belezas naturais e não porque é fundamental para nossos corpos e nossas vidas...

Hugo

09/02/2008 - 12h49
Carvão vegetal para siderurgia ameaça o Pantanal, diz FGV
EDUARDO GERAQUE
da Folha de S.Paulo


Depois de parte do cerrado sul-mato-grossense ter caído, a pressão agora, devido ao aquecimento da atividade siderúrgica no município de Corumbá, deverá crescer sobre o pantanal. Cálculos do CES (Centro de Estudos em Sustentabilidade) da FGV (Fundação Getúlio Vargas) apontam um desequilíbrio entre a oferta de florestas plantadas no Estado e a demanda por carvão vegetal.

"De forma bem otimista, 5.000 hectares ao ano estão prontos para o corte, para uma demanda de 9.000 hectares", afirma à Folha o pesquisador André Carvalho, 33, autor do estudo feito pelo CES sob encomenda da ONG Conservação Internacional.

Nascido em Campo Grande, Carvalho conhece a realidade da região. "Como faltam 4.000 hectares, haverá uma pressão [anual] sobre cerca de 40 mil hectares, porque a produtividade das áreas plantadas é cerca de dez vezes maior do que a das áreas nativas."

E, quando se considera a atividade ao longo das próximas décadas, fica ainda mais difícil fazer a conta fechar.
"Com base nos planos de expansão das empresas, a partir de 2015, a demanda por carvão deverá chegar a 2,4 milhões de toneladas ou 56 mil hectares", diz Carvalho. Mas, como o ciclo de vida do eucalipto tem sete anos, a área total de matéria-prima precisaria ter 392 mil hectares até lá.

Além da Vale do Rio Doce, que extrai minério de ferro na região desde 1995, o grupo MMX/EBX, do empresário Eike Batista, e a anglo-australiana Rio Tinto têm planos ambiciosos para o pólo siderúrgico de Corumbá, criado em 2006.

A MMX/EBX, que já opera na região, teve problemas com o Ibama no ano passado. A empresa recebeu uma multa de R$ 1 milhão.

A estimativa de Carvalho é que a produção atual de 6,7 milhões de toneladas de minério de ferro vá pular para 23 milhões de toneladas a partir de 2013. A Rio Tinto é a única que ainda espera por licença ambiental para agir na região.

Conexão Minas Gerais

Se as siderúrgicas que chegam à Bacia do alto rio Paraguai não podem ser responsabilizadas pela devastação passada do cerrado, parte do setor, segundo Carvalho, poderia.

Entre 1997 e 2005, mais de 5 milhões de hectares de áreas nativas foram consumidas, mostra o estudo. Deste total, aproximadamente 4 milhões de hectares foram para as siderúrgicas de Minas Gerais.

Para Carvalho, cabe agora ao Estado optar por um caminho sustentável para Corumbá.

"O ideal seria usar as áreas já devastadas para o plantio de eucalipto". Nos cálculos de Carvalho, o ganho socioambiental com uma cadeia florestal instalada na região seria grande. "Se for respeitada a demanda total do pólo por carvão vegetal até 2015, poderiam ser criados 28 mil empregos diretos". O pólo em si, deverá contratar, no máximo, 10 mil pessoas até 2013. "Depois do fim da construção, o número de vagas deve cair para 7 mil".

Um comentário:

nanda_2211 disse...

A questão do desmatamento na região do Pantanal também envolve uma certa "politicagem" por parte do ex-governador do ms José Orcílio dos Santos(Zeca do PT), pois este é proprietário de várias fazendas na região, onde produzem cana de açúcar e há criação de gado. Além de ser proprietário de várias fazendas, ele solicitou subsídio mensal e vitalício equivalente ao recebido pelo governador do Estado simplesmente pelos dois mandatos que exerceu como tal. Tal atitude demonstra total falta de ética e pela proximidade que o mesmo tem com o Presidente Lula, ele manipula muitas coisas para atingir seus objetivos. Além disso, há a falta de fiscalização, pois em Três Lagoas (cidade quase na divida com o estado de SP) por exemplo, foi aberta a empresa International Paper que esteve em operação para testes sem licitação. Casos como estes dificultam a implantação da sustentabilidade e a preservação da biodiversidade no Pantanal, não só nesta região como em todo o estado, pois afinal todos os ecossistemas estão interligados. Uma forma bacana e exemplar de preservação ambiental é o projeto do Governo atual no planejamento e implantação do turismo como forma de preservar o patrimônio ambiental, estimular a economia, aumentar o emprego e renda e consequentemente conscientizar a população de que a natureza é de todos e por isso todos tem responsabilidade pela sua conservação e garantia que o mesmo estará disponível para futuras gerações.