domingo, 13 de julho de 2008

O mundo deveria ser só assim...

Se para sobreviver de forma mais sustentável, eu tivesse que matar uma galinha, eu mataria, apesar de ser vegetariano. Falo isso por causa do artigo abaixo, que foi encaminhado por Luís Donadio, cuja lista de artigos que me envia são sempre muito interessantes. A postagem anterior, sobre a ONU, também veio de um de seus artigos, ele está trabalhando em dobradinha comigo sem saber. Mas voltando, mataria a galinha desde que fosse rápido para ela e antes de comer eu rezaria por ela, que deu a vida por mim, com o maior respeito que um ser vivo pode ter pelo outro. Seria uma atitude extrema, eu tentaria claro evitar. Mas comprar um frango da indústria, que é tratado cruelmente, que é entupido de hormônios que causam todo tipo de câncer e o de mama principalmente nas mulheres não. Esse frango também é carregado de antibióticos tudo porque a indústria faz os pobres frangos atingirem a idade do corte em tempo recorde só para aumentar os lucros. Esses eu jamais compraria, nesse caso optaria em morrer de fome. Ou optaria em ser vegetariano, uma das principais razões por ser vegetariano e a crueldade da produção de carne. A segunda, por ser ecologicamente devastador, planetariamente inviável comer carne, principalmente depois que deixamos a população humana atingir 7 bilhões de pessoas quase e já estamos produzindo alimentos à custa de atrasos ecológicos e resiliência da natureza e é praticamente impossível escaparmos hoje de um fome mundial por conta dessa cegueira de um sistema que primeiro cria os problemas para depois ir atrás das soluções. Para que acabar com os problemas, como vamos então justificar a existência de tantos políticos e suas promessas? Como vamos justificar tantas atividades inúteis que poderiam ser evitadas, como por exemplo despoluir e descontaminar o que foi poluído, ou desaquecer a Terra que foi aquecida?

Esse livro do artigo abaixo vale a pena dar uma olhada e comentar depois, aguardo comentários, eu estou adquirindo-o para a lista infinda de leituras que já tenh
o. O mundo deveria ser só assim, como os protagonistas do livro e do artigo abaixo viveram. Enfim, nós deixamos as empresas destruir nosso futuro. As indústrias alimentícias então, não são nada diferentes da indústria bélica. Nós temos hoje indústrias da destruição total da humanidade e da sobrevida da humanidade. Sobrevida, porque o planeta tem um limite para sustentar a vida, dada a entropia e isso é inexorável; a questão é como negociamos a exaustão da entropia com a Terra. Nem preciso dizer que nós negociamos para ser a única espécie animal da Terra que resolveu se aniquilar e aniquilar todos os demais seres vivos no prazo mais curto que qualquer outra espécie durou nos 4,5 bilhões de anos desse planeta, apenas para satisfazer os bushes, os lulas, os eikes batistas, os blairos maggis, os fhcs...

Esse é o tipo de desconstrução do sistema que iremos passar, por vontade própria ou por colapso, mas iremos passar. E só será vencedor quem decidir fazer parte dessa construção; quem não decidir irá desaparecer, por colapso:

11/07/2008 - 16h51

Família come só alimentos orgânicos para provar sustentabilidade

FLÁVIA GIANINI

Colaboração para a Folha de S.Paulo

Ela não protestou nua, nem fez greve de fome, nem abraçou árvores, mas conseguiu uma vitória considerável para qualquer ativista ecológico. Para provar a viabilidade da agricultura sustentável e a importância de pensar a alimentação politicamente, a escritora Bárbara Kingsolver e sua família viveram um ano só comendo alimentos orgânicos que produziam na própria fazenda ou trocavam com pequenos agricultores vizinhos.

A experiência hercúlea, narrada sem perder o bom humor, é contada no livro "O Mundo É o que Você Come" (ed. Nova Fronteira), que está sendo lançado no Brasil.

Formados em biologia, a autora e seu marido, Steven L. Hopp, sempre foram ligados ao campo e à natureza. O casal tentava ao máximo levar um estilo de vida natural e saudável com as duas filhas em Tucson, segunda maior cidade do Estado americano do Arizona. Eles moravam em um sítio, cultivavam legumes e passavam as férias na fazenda da família no interior da Virgínia. Mas dois anos de seca na região de clima árido geraram uma piora progressiva na qualidade de vida.

Assim, os antigos planos para uma vida rural ficaram mais atraentes a partir de 2004. "Bebíamos a água que as autoridades garantiam ser potável, mas elas desaconselhavam o uso nos aquários porque matavam os peixes", disse a filha mais velha do casal, Camille, 21, em entrevista por telefone à Folha. A estudante de biologia garante que a mudança foi compartilhada por todos. "Havia o plano de produzir alimentos próprios. Mas o Arizona era um deserto com poucas opções de culturas familiares viáveis."

A fuga do Arizona ensolarado era uma tentativa de alinhar a vida com a cadeia alimentar e abandonar o comportamento de "leitores de rótulos desconfiados". Mas a despedida da antiga vida passou longe do ecologicamente correto. Antes de encarar os cinco dias de carro até a Virgínia, eles pararam para abastecer o tanque de combustível e a bolsa com um pouco de "junk food".

Ao chegar à fazenda, o primeiro desafio foi definir o cardápio de acordo com as estações do ano. No desafio, exceções para óleo, azeite, vinagre e alguns grãos, de produção e processamento improvável naquela região dos EUA.

O planejamento e a experiência não evitaram os percalços. A perda das hortaliças com a chegada do frio foi só um dos problemas. "Deu medo de não ter o que comer no dia seguinte", conta a estudante. Criatividade era a solução. "Durante uma semana, a base do cardápio foi abóbora. Teve pão, torta, sopa e cozido. Até a sobremesa era de abóbora", lembra.

Matar os frangos que criaram desde pintinhos também não era fácil. "Conflitos morais eram inevitáveis no início, mas aprendemos a valorizar o consumo consciente e a importância desses animais na nossa alimentação durante o inverno", afirma Camille.

A jovem pretende se especializar em nutrição após concluir o curso de biologia. Se abater os frangos já era difícil, imagine perus de mais de 20 quilos. "Precisávamos estocar tudo o que fosse possível antes do inverno", diz. A família produzia artesanalmente salsichas, lingüiças e mussarela.

Receita possível

Todo o trabalho de subsistência era feito em grupo e as dificuldades deixavam as vitórias maiores. Camille se lembra da festa de aniversário de 50 anos da mãe. "Alimentamos mais de cem pessoas apenas com alimentos da região. O cardápio incluía entrada, prato principal e sobremesa", conta.

Ela e o pai participaram do livro. Cada um tem espaço próprio, onde abordam questões sobre política alimentar e produção orgânica. Camille, que durante o ano na fazenda entrou na universidade, fala sobre as dificuldades de manter seu estilo de vida comendo a comida do campus. Também é a responsável pelas receitas criadas, adaptadas ou testadas pela família no período. Ela garante que é possível alimentar crianças avessas a legumes com cookies de abobrinha.

Barbara escreve que, se o atual padrão de consumo gera desgaste ao ambiente, pequenas mudanças têm grandes resultados. "A comida na prateleira de um mercado americano percorreu uma distância maior do que a maioria das famílias percorre nas férias. Em média, 2.500 km. Se cada americano fizesse uma refeição por semana com alimentos locais, 1,1 milhão de barris de petróleo seriam economizados."

A escritora não economiza críticas ao "american way of life". O discurso político ácido, porém, tem argumentação sólida, baseada em dados sobre a cadeia de produção de alimentos. Guardadas as devidas proporções, as críticas servem aos padrões da maioria das grandes cidades.

Hoje, a fase radical passou. A família vive na fazenda, mas compra boa parte do que consome, desde que seja produzida de forma sustentável, de preferência orgânica. Entrar em contato com a terra, consumir alimentos de procedência conhecida, escolher de acordo com a estação e aproveitar ao máximo os recursos naturais: essa é a receita da família para não agredir o ambiente.

O Mundo É o que Você Come

Editora: Nova Fronteira

Site da família: www.animalvegetablemiracle.com





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