quarta-feira, 15 de junho de 2011

Pessimismo ou realismo?

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Sempre que falam que eu sou pessimista, eu sempre explico que o problema não está na primeira pessoa, que tentar personalizar o conhecimento que temos, que é de ordem coletiva, e tentar achar um culpado - eu - não é o caminho correto. Eu não gosto desse cenário tanto quanto você, mas ele é real e está bem debaixo dos nossos narizes e só não enxerga quem não quer. E qualquer tentativa que eu faço de achar um meio de convencer as pessoas que estamos caminhando errado, que não vamos chegar a lugar algum, sempre recai em uma ou mais das seguintes filosofias que derivam do nosso extremo individualismo e falso senso de importância:

1) N.I.M.B. - not in my backyard: fruto de uma pesquisa feita com as pessoas preocupadas com o problema ambiental e sustentabilidade na Europa, onde foi constatado o seguinte: reconhecem o problema planetário e o risco para nossa espécie animal, mas acreditam que isso não irá acontecer no seu quintal ou se acontecer, as instituições irão resolver o problema. A falha desse pensamento parecido com o de Leibniz, criticado duramente por Voltaire (tudo vai bem no melhor dos mundos) é que sim, vai acontecer no seu quintal, ninguém está à salvo e a Terra é um Titanic sem botes salva-vidas, em outras palavras, as classes mais privilegiadas como as nossas também serão abatidas e não será como sempre foi na história humana, onde os desastres caíram no colo dos menos favorecidos. A outra falha é que as instituições não brotam do nada, mas sim dos nossos valores, das nossas preocupações. As instituições não pensam, somos nós que pensamos! A falha final é achar que não somos uma unidade e que um quintal pode se manter próspero às custas da destruição do outro (os europeus vistos como mega sustentáveis, mandam bilhões de toneladas de lixos eletrônicos para famigerados asiáticos trabalharem em situações precárias...).

2) Somos deuses, não somos uma espécie animal: embora duramente refutada até por Charles Darwin que escreveu que nada diferencia o ser humano dos demais animais e mais recentemente pela clara declaração dos cientistas que do ponto de vista biológico e planetário somos todos um, muitas pessoas ainda se comportam como se fossem deuses e acreditam que irão conseguir superar qualquer restrição imposta pela realidade física e ecológica com mirabolantes tecnologias. E isso vale para o problema dos alimentos: sim, corremos o risco mais do que nunca de perda de água (com mudança climática, com desmatamento, com super populações e impermeabilizações) e isso acarretar problemas alimentares. Na verdade episódios de Grande Fome foram registrados aqui e acolá na história desse planeta e ceifou dezenas de milhões de pessoas. Dessa vez, incrivelmente, conseguimos criar um problema em escala global. A respeito de Malthus, ele cometeu o mesmo erro dos economistas tradicionais e Roegen explica muito bem isso: Malthus acreditava que uma grande forme ocorreria porque o crescimento populacional era geométrico e o crescimento dos alimentos era aritmético. Mas se eu pudesse fazer uma viagem no tempo e contar para Malthus que a nossa tecnologia agrícola iria conseguir a proeza de obter uma produção agrícola também geométrica, ele diria: então não há nenhum problema com o crescimento populacional. O erro do Malthus não foi prever uma fome que nunca aconteceu, nem não prever o avanço da produção agrícola (a custos que só agora estamos descobrindo em vértices gerais de problemas sistêmicos). O erro do Malthus foi o de acreditar que para a humanidade o planeta não oferece restrição alguma de finitude. É muito engraçado o mainstream citar Malthus para desfazer a crítica da Economia Ecológica.

3) Filosofia do Nunca Morri: nossos cérebros não são capazes de entender escala de bilhões de anos, sequer de milhões de anos, portanto, a confiança cega na nossa sobrevivência deriva da nossa falsa crença na presença marcante que tivemos nesse planeta, não obstante o fato de dentro dessa escala termos aparecido somente no último segundo e o planeta não ter o menor interesse na nossa espécie animal. Essa filosofia é fácil de ser explicada: eu estou escrevendo esse email agora, por isso nunca morri, por acaso isso significa que nunca morrerei? O planeta nunca expulsou a humanidade daqui, embora tenhamos aparecido no seu último segundo. Por acaso isso significa que nunca o fará?

4) Falsa noção de normalidade e controle: todos os cientistas sabem que enquanto a resiliência não é atingida, as mudanças tendem a ser graduais e passam a sensação de normalidade ou pior, de que nada está acontecendo, embora as evidências até agora no planeta inteiro sejam estonteantes: estações de esquis desapareceram, aldeias milenares no pólo norte abandonaram as matilhas de cães usadas para caça em prol de barcos, espécies de aves mudaram suas rotas de migração, extremos climáticos pipocam agora em todos os lugares, etc. Esse é um tema complexo, porque a consequência está distante da causa e não deflagra uma reação de todos. Pior, sobre a relação da humanidade com o planeta e suas consequências, onde não há unanimidade alguma, tudo continua como antes e todos os formadores de opinião estão na zona do conforto. Os sistemas de comunicação e até mesmo os cientistas (como o IPCC que entrou na onda do mito de só temos problema de energia) deixam de falar a verdade clara e abertamente e até alguns que professam nessa área, dizem fazer isso para não perder seus interlocutores, mas no fundo, tudo indica que é por pura vaidade mesmo.

5) Há escassez por todos os lados: não há como ignorar os problemas sócio-econômicos da humanidade, particularmente nos países ricos, como nos Estados Unidos, onde a concentração de riqueza é recorde, onde há 30 milhões de miseráveis e a desigualdade é flagrante. O paradigma atual universal é que há escassez por todos os lados (de bens e riquezas) que podem ser produzidos com a abundância por todos os lados (de natureza e territórios) e que esse é o melhor caminho para trazer bem estar a todos mas, claro, façam tudo isso sem esquecer de preservar o meio ambiente. Esse pensamento é um oxímoro assustador, que rege a visão dominante e nunca, como agora, esse pensamento esteve tão voraz e desesperado e talvez isso se explique como reacendeu na cabeça de todos a razão pela qual estamos em um colapso econômico e de falta de empregos: falta de crescimento econômico. Já estávamos debruçados sobre o precipício, imagina agora quando ficou claro que o modelo econômico imposto a todos os países a partir do Ocidente rico é falho na sua estrutura. Dá-me calafrios lembrar que a tentativa de expansão quando esbarra em limites gera guerras sangrentas, como foi no século XX, que não podemos jamais esquecer.

Por isso tudo posto, que não se aplica a primeira ou a minha pessoa - mas à coletividade e é algo que faz parte da realidade que combatemos, a situação está longe de ter um desfecho feliz.

É inegável que continuamos na direção oposta que não queremos. Mas as cinco filosofias acima estão firmes como uma rocha e com elas não conseguimos nem de longe escamotear a realidade. Não é uma questão de ser pessimista ou não. Mas de acreditar que conseguiremos um dia mudar a tempo, embora até agora não seja possível encontrar um elemento sequer que nos indique isso. Não importa quando, nem porquê, mas o que fazer agora para evitar isso.


Alimento em um planeta aquecido

Por JUSTIN GILLIS
Ciudad Obregón, México


O rápido crescimento da produção agrícola no final do século 20 desacelerou tanto que não está suprindo a demanda, conduzida por aumentos da população e pela crescente afluência em países antes pobres.O consumo dos quatro alimentos básicos que fornecem a maior parte das calorias humanas -trigo, arroz, milho e soja- superou a produção na maior parte da última década. O desequilíbrio resultou em dois grandes aumentos nos preços internacionais dos grãos desde 2007, com alguns deles mais do que duplicando de preço.Esses aumentos agravaram a fome de dezenas de milhões de pobres, desestabilizando a política de dezenas de países, do México, passando por Usbequistão, até o Iêmen. O governo do Haiti foi deposto em 2008 em meio a revoltas por alimentos, e a carestia teve um papel nas recentes revoltas árabes.Hoje, pesquisas sugerem que um fator antes desprezado está ajudando a desestabilizar o sistema alimentar: a mudança climática.Muitas colheitas fracassadas da última década foram consequência de desastres climáticos, como inundações nos EUA, seca na Austrália e ondas de calor escorchante na Europa e na Rússia. Os cientistas ligam alguns desses eventos ao aquecimento global induzido pelos seres humanos.

As temperaturas estão aumentando rapidamente durante a temporada de plantio em alguns dos países agrícolas mais importantes, e um trabalho recente revelou que isso havia cortado vários pontos percentuais de colheitas potenciais, aumentando as variações de preços. Durante quase duas décadas, os cientistas haviam previsto que a mudança climática seria relativamente administrável para a agricultura, sugerindo que, provavelmente, levaria até 2080 para que os preços dos alimentos dobrassem.
Em parte, eles supuseram que o aumento dos níveis de dióxido de carbono, o principal fator do aquecimento global, atuaria como um poderoso fertilizante e compensaria muitos dos efeitos daninhos da mudança climática.
Mas a desestabilização do sistema alimentar, e o aumento dos preços abalaram muitos cientistas.
"O sucesso da agricultura foi surpreendente", disse Cynthia Rosenzweig, pesquisadora da Nasa que ajudou no estudo pioneiro da mudança climática e da agricultura. "Mas acho que começa a haver previsões de que poderá não ser para sempre."
Alguns pesquisadores que assessoram o governo sobre perspectivas agrícolas estão indicando o que consideram lacunas nas previsões dos computadores. Essas incluem uma falha ao considerar os efeitos do clima extremo que estão aumentando conforme a Terra se aquece.
Uma crescente preocupação sobre o futuro do suprimento alimentar do mundo apareceu durante entrevistas neste ano com mais de 50 especialistas agrícolas que trabalham em nove países. Eles dizem que, nas próximas décadas, os agricultores terão de suportar choques climáticos e duplicar a quantidade de alimentos que produzem para atender à demanda. E eles precisam fazer isso enquanto reduzem os danos ambientais causados pela agricultura.
A situação é longe de desesperadora. Do México à Índia, agricultores estão mostrando que talvez seja possível tornar a agricultura mais produtiva e resistente à mudança climática. Eles alcançaram enormes ganhos de produção no passado, e o aumento dos preços é um poderoso incentivo para que o façam novamente.
Mas há necessidade de novas variedades agrícolas e novas técnicas, dizem os cientistas. Apesar da urgência, eles acrescentaram, o financiamento prometido demora a se materializar, grande parte do trabalho necessário ainda não começou e, quando o fizer, é provável que leve décadas para produzir resultados.
"Existe uma tremenda desconexão, com pessoas que nÍ o compreendem que a situação em que estamos é altamente perigosa", disse Marianne Bänziger, vice-diretora do Centro Internacional de Aperfeiçoamento do Trigo e do Milho, um importante instituto de pesquisa no México que faz parte de uma rede global de centros que analisam as principais plantações do mundo. Outros ficam na China, na Colômbia, na Turquia, na Geórgia e nas Filipinas.

Agricultores veem mudança de padrões
No vale do Yaqui, no deserto de Sonora, região norte do México, plantadores de trigo, como Francisco Javier Ramos Bours, acreditam que a mudança climática poderá ser responsável por falta de água. "Todo mundo está falando sobre isso", disse Ramos.
Agricultores de toda parte enfrentam a escassez de água, assim como inundações repentinas. Suas colheitas são atacadas por pragas, por doenças emergentes e pelo calor inédito.
No nordeste da Índia, um plantador de arroz chamado Ram Khatri Yadav tamb ém se queixou. "Não chove na estação de chuvas, mas na estação da seca", ele disse. "A estação do frio também está diminuindo."
Décadas atrás, os agricultores de trigo do vale do Yaqui eram a vanguarda da Revolução Verde, que usou variedades aperfeiçoadas e métodos de agricultura intensivos para aumentar a produção de alimentos na maior parte do mundo em desenvolvimento.
Norman E. Borlaug, um agrônomo americano, começou a trabalhar aqui na década de 1940. Seus êxitos na hibridação ajudaram a aumentar em seis vezes a produção de trigo do México. Nos anos 60, ele levou seu conhecimento para a Índia e para o Paquistão, onde se temia uma fome em massa. A produção lá também disparou.
Outros países aderiram à Revolução Verde, e a produção de alimentos superou o crescimento da população na última metade do século 20. Em 1970, o doutor Borlaug tornou-se o único agrônomo a vencer o Prêmio Nobel da Paz.
Mas, em Oslo, el e fez uma dura advertência: "Podemos estar na maré alta hoje, mas a vazante poderá chegar cedo se nos tornarmos complacentes". Como ele havia previsto, os cortes de verbas para pesquisa e desenvolvimento agrícola começaram a se mostrar no sistema alimentar mundial perto do fim do século.
Esse período ocorreu exatamente quando a demanda de alimentos e rações começava a decolar, graças em parte à crescente afluência na Ásia. Milhões de pessoas acrescentaram carne e laticínios a suas dietas, exigindo a produção de grãos. A política de transformar grande parte da safra de milho americana em etanol contribuiu para a demanda.
O clima irregular, como uma onda de calor em 2003 na Europa e uma longa seca na Austrália, ambas possivelmente ligadas à mudança climática, reduziu a produção de trigo e arroz.
Em 2007-2008, com os estoques de cereais baixos, os preços duplicaram ou triplicaram. Os países começaram a acumular comida e ocorreu um pâ nico de compras. Tumultos alimentares irromperam em mais de 30 países.
Os agricultores reagiram plantando o máximo possível, e colheitas saudáveis em 2008 e 2009 ajudaram a reabastecer os estoques. Esse fator, ao lado da recessão global, fez cair os preços em 2009. Mas, no ano passado, mais fracassos nas colheitas ligados ao clima os fizeram disparar novamente. Neste ano, os estoques de arroz estão adequados, mas o clima ruim ameaça as safras de trigo e milho em algumas áreas.
Especialistas temem que a era da comida barata tenha terminado. "Nossa mentalidade era de excedentes", disse Dan Glickman, um ex-secretário da Agricultura dos EUA. "Isso, simplesmente, mudou do dia para a noite."
Os recentes aumentos de preços ajudaram a causar os maiores surtos de fome no mundo em décadas. A Organização de Alimentos e Agricultura (FAO) da ONU estimou o número de famintos em 925 milhões no ano passado. O Banco Mundial diz que, neste ano, poderá chegar a 940 milhões.
Hans-Joachim Braun, o atual diretor do instituto mexicano do trigo e do milho, diz que o crescimento das cidades está consumindo terra agrícola e competindo com os agricultores por água. Em alguns dos celeiros, os agricultores estão bombeando a água do subsolo muito mais depressa do que a natureza pode repor.
Os agricultores do vale do Yaqui plantam seu trigo em um semideserto. Sua água vem por aqueduto de montanhas próximas, mas, durante partes da última década, a chuva foi abaixo do normal. E o norte do México está em um cinturão global que deverá secar ainda mais por causa dos gases do efeito estufa.
O doutor Braun está liderando esforços para produzir novas variedades de trigo capazes de suportar estresse, incluindo falta de água. Mas os orçamentos estão rígidos. "Se não começarmos agora, vamos enfrentar sérios problemas", ele disse.

Crenças abaladas
Os cientistas acreditaram por muito t empo que a dependência de combustíveis fósseis, apesar de todos os seus problemas, ofereceria um enorme benefício. O dióxido de carbono, o principal gás liberado pela combustão, também é o combustível básico para o crescimento das plantas. Usando a energia da luz do sol, elas transformam o carbono do ar em substâncias densas em energia como a glicose. Toda a vida funciona com essas substâncias.
Os seres humanos já aumentaram o nível de dióxido de carbono na atmosfera em 40% desde a Revolução Industrial e estão prestes a duplicar ou triplicar o volume neste século. Estudos sugeriram por muito tempo que o gás extra daria uma sobrecarga às colheitas alimentares do mundo.
Mas muitos desses estudos foram feitos em condições artificiais. Na última década, cientistas da Universidade de Illinois colocaram o "efeito fertilizante do dióxido de carbono" em teste no mundo real.
Eles plantaram soja em um campo, depois borrifaram dióxido extra de um tanque gigante. Esperavam que o gás pudesse aumentar a produção em até 30%. Mas, na colheita, o aumento foi de apenas 15%. Seus testes com o milho, a safra mais valiosa dos EUA e a base para a produção de carne e a indústria de biocombustível, foram ainda piores. Não houve aumento.
Esse trabalho e o de outros sugere que o dióxido de carbono extra atua como fertilizante, mas os benefícios, provavelmente, ficam aquém do necessário para evitar a escassez de alimentos.
Outra evidência recente sugere que antigas suposições sobre a produção de alimentos em um planeta mais quente podem ter sido demasiado otimistas. Dois economistas, Wolfram Schlenker da Universidade Columbia, e Michael J. Roberts, da Universidade Estadual da Carolina do Norte, compararam a produção de colheitas e a variabilidade da temperatura natural em uma escala fina. Seu trabalho mostra que, quando as colheitas são submetidas a temperaturas além de certo limite -cerca de 29 g raus para o milho e 30 para a soja-, a produção cai acentuadamente.
Um trabalho de David B. Lobell, da Universidade Stanford na Califórnia, e do doutor Schlenker sugere que os aumentos de temperatura na França, na Rússia, na China e em outros países já estão reduzindo as colheitas.
Essa pesquisa é controversa. As conclusões vão um pouco além das de um relatório de 2007 do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da ONU, que descobriu que, embora a mudança climática provavelmente apresentasse graves desafios para a agricultura nos trópicos, ela seria benéfica em regiões mais frias do hemisfério norte, ajudada pelo efeito do dióxido de carbono.
Na Universidade de Illinois, um importante cientista por trás daquele trabalho, Stephen P. Long, criticou o relatório. "Eu achei que deveria ser muito mais honesto ao dizer: este é o nosso melhor palpite no momento", ele disse.
O grupo de ajuda internacional Oxfam projetou recentemen te que os preços dos alimentos mais que duplicarão até 2030, sendo a mudança climática responsável por cerca da metade do aumento. A doutora Rosenzweig, cientista climática da Nasa, teve um papel destacado na formação do antigo consenso. Mas está fazendo uma nova análise. Ela está reunindo um consórcio global de pesquisadores cujo objetivo será produzir previsões de computador mais detalhadas e realistas.

Necessidade de dinheiro e convicção
Em junho passado, na remota aldeia indiana de Samhauta, o agricultor Anand Kumar Singh plantou uma nova variedade de arroz. Em 23 de agosto, uma enchente severa submergiu seu campo durante dez dias. No passado, essa enchente teria destruído a plantação. Mas a nova variedade produziu uma colheita robusta.
"Foi um milagre", disse Singh.
O milagre ilustrou até onde os cientistas podem ir para ajudar os agricultores a adaptar-se, mas alguns importantes pesquisadores não têm tan ta certeza de que seja possível adaptar as colheitas para suportar o calor extremo, embora a engenharia genética possa eventualmente ter sucesso.
Décadas de trabalho foram necessárias para melhorar a nova variedade de arroz, e o dinheiro estava justo; a distribuição para os agricultores não foi garantida. Então, a Fundação Bill e Melinda Gates entrou com uma verba de US$ 20 milhões para financiar o desenvolvimento e a distribuição final do arroz na Índia e em outros países. Ele poderá chegar às mãos de um milhão de agricultores neste ano.
A Fundação Gates doou US$ 1,7 bilhão para projetos agrícolas desde 2006, mas os governos percebem que há necessidade de maior esforço de sua parte.
Em 2008-2009, em meio às crises provocadas pelos preços dos alimentos, os governos se superaram na oferta de apoio. Em conferência em L'Aquila, na Itália, eles prometeram cerca de US$ 22 bilhões. Mas o financiamento não se materializou totalmente. "Í uma decepção", disse Gates.
O presidente Obama prometeu US$ 3,5 bilhões, mais do que qualquer outro país, e os EUA lançaram uma iniciativa para apoiar o desenvolvimento agrícola em 20 dos países mais necessitados.
Mas, em meio a dificuldades orçamentárias em Washington, o governo conseguiu US$ 1,9 bilhão do Congresso. Talvez o sinal mais esperançoso seja que os países pobres começam a investir em agricultura de maneira séria, como muitos não fizeram nos anos em que a comida era barata.
Na África, cerca de 12 países estão à beira de cumprir a promessa de dedicar 10% do orçamento ao desenvolvimento agrícola, contra 5% ou menos antes. "Em meu país, cada centavo conta", disse Agnes Kalibata, a ministra da Agricultura de Ruanda. Com dificuldade, Ruanda cumpriu a promessa de 10%, e Kalibata citou um projeto de terraços nas montanhas do país que aumentou a produção de batatas em 600%.
A ONU recentemente projetou que a população glob al atingirá 10 bilhões até o fim do século, 3 bilhões a mais do que hoje. As projeções significam que a produção de alimentos poderá ter de duplicar até o final do século.
Diferentemente do passado, essa demanda deve ser satisfeita de algum modo, em um planeta onde há poucas novas terras disponíveis, os suprimentos de água estão diminuindo, a temperatura aumenta, o clima se tornou imprevisível, e o sistema alimentar mostra sérios sinais de instabilidade.
"Nós já duplicamos a produção alimentar do mundo várias vezes na história, e hoje temos de fazê-lo mais uma vez", disse Jonathan A. Foley, pesquisador da Universidade de Minnesota. "A última duplicação é a mais difícil. É possível, mas não será fácil."

Colaborou Hari Kumar, de Samhauta, que fica na Índia

2 comentários:

Wa Mor disse...

Sou mais pessimista, Molion prega o frio, e a política só fala de energia.
Ainda é a briga dos que querem é só lucrar, mesmo com o barco afundando.
Que vergonha de ser humano...

Silvia - Faça a sua parte disse...

Hugo, Claudia, isso não é ser pessimista, é ser realista. Na verdade, acho que somos mesmo é otimistas, pois se não fôssemos não tentaríamos mostrar às pessoas a realidade para ver se mudam o rumo das coisas. Eu falo porque ainda tenho esperanças de que vamos virar esse jogo. E é preciso de gente que fale mesmo, para todos ouvirem, que as coisas estão erradas.