quarta-feira, 8 de junho de 2011

Mais uma da série "Querida, acho que destruí o mundo..."

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Como existe uma "mega escassez de energia (idéia falsa, mas amplamente difundida)" para "satisfazer o mega desperdício de energia (idéia verdadeira, mas amplamente ignorada)", não é de se admirar que vamos alagar a Amazônia inteira se preciso for e, qualquer problema com isso, significa que o Brasil não será capaz de sustentar nem 10 milhões de pessoas, caso a floresta pereça com nossas investidas variadas. Não se enganem, porque todo dia de manhã, aparecem mil novas idéias criativas para satisfazer a nossa megalomania do crescimento de demandas inúteis, num modelo onde vigora soberano o mito de total separação entre economia e meio ambiente, onde a valoração do planeta, da biodiversidade, dos seus serviços ambientais é nula. Por que valorar a natureza, se ela é inesgotável e o sistema econômico é neutro para o meio ambiente? Mais do que isso, porque ficar preocupado, se sabemos que o planeta é um subsistema da economia, que pode de fato sem maior que o planeta pela nossa inventiva tecnologia, mito do qual faz parte até o mito de energia limpa - "road to hell is paved with good intentions" é um ditado que não poderia ser tão bem aplicado como agora. Isso só terá fim quando não ser mais possível viver sobre esse planeta. Tamanho erro negado até por aqueles que não deveriam negar e que embarcam na defesa da energia nuclear, cujo custo de limpeza, só de Fukushima, será de 250 bilhões de dólares...


*POR-USINAS-GOVERNO-VAI-REDUZIR-ÁREAS-DE-PROTEÇÃO*

Unidades de conservação ficam na Amazônia e têm alta biodiversidade

Documentos do Instituto Chico Mendes mostram que redução pedida pela
Eletronorte não tem estudo técnico

*CLAUDIO-ANGELO*
Folha de S. Paulo, 7/jun11

O governo vai reduzir sete unidades de conservação na Amazônia para
permitir a construção de seis hidrelétricas- uma delas seria a quarta
maior do país.

O palco da nova investida energética do Planalto é o vale dos rios
Tapajós e Jamanxim, no Pará, uma das áreas mais preservadas e mais
biodiversas da floresta.

O movimento acontece num momento em que o Brasil sofre pressão
internacional por causa do aumento no desmatamento, relacionado ao
Código Florestal, e do licenciamento da hidrelétrica de Belo Monte, no
rio Xingu.
Segundo o ICMBio (Instituto Chico Mendes para a Conservação da
Biodiversidade), a ideia é ter um projeto de lei ou Medida Provisória
determinando a redução das áreas protegidas até agosto.

Documentos internos do instituto, obtidos pela Folha, mostram que a
proposta foi feita sem estudos técnicos e tem oposição unânime dos
chefes das unidades.
Segundo eles, as usinas alagariam 3.200 km² (duas vezes a área da
cidade de São Paulo). Sua instalação subverteria a razão de ser das
unidades de conservação.

LAGOS

O pedido de redução foi feito em janeiro pela Eletronorte. A estatal
entregou ao ICMBio mapas com as partes das áreas protegidas que serão
alagadas pelos reservatórios.

A megausina de São Luiz do Tapajós, a principal do complexo, terá
6.133 megawatts, quase a potência somada de Jirau e Santo Antônio, no
rio Madeira.

Seu lago deve atingir parte do parque nacional da Amazônia, o mais
antigo da região Norte, e das Flonas (Florestas Nacionais) de Itaituba
1 e 2. A segunda maior usina do complexo, Jatobá, terá 2.338 megawatts
e alagará parte da Flona Itaituba 1.

SEM ESTUDOS

Os parques integram o mosaico de unidades de conservação da BR-163,
criado pela então ministra Marina Silva (Meio Ambiente)em2005para
conter o desmatamento e a grilagem de terras na região. É o maior
conjunto de áreas protegidas do país.

A maioria não estudos detalhados de biodiversidade.

Os chefes das áreas protegidas afirmam que a proposta de redução da
Eletronorte foi feita "na caneta", sem estudo técnico nem ambiental. O
mapa elaborado pela estatal da área a ser alagada no parque nacional
da Amazônia, por exemplo, inclui um trecho da Transamazônica, que
teria de ter seu traçado refeito -passando por dentro do parque.

Procurado pela Folha, o presidente do ICMBio,Rômulo Mello, disse que
as reduções estão sendo discutidas e ainda não têm aval do instituto.
Ele afirmou, porém, que a redução dos parques não é nenhuma surpresa.

"Quandoas UCs[unidades de conservação] foram criadas, já havia acordo
entre os ministérios" sobre os estudos para a construção das usinas. A
Eletronorte afirmou, por meio da assessoria, que não pode se
manifestar sobre o tema, pois o assunto está em discussão na
Presidência. O Ministério de Minas e Energia não havia se pronunciado
até o fechamento desta edição.

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