sexta-feira, 27 de agosto de 2010

China ordena fechamento de 2000 indústrias poluidoras

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O governo chinês estabeleceu redução de 20% do uso de energia por unidade de produto em 2006-2010, referente ao 11o plano quinquenal deles. No período 2006-2009 a redução foi de 16,6% e na primeira metade do ano de 2010 a intensidade subiu 0,10%. O governo dificilmente atingirá a meta, mas não sei por qual razão, a ênfase em atingi-la é enorme. Talvez porque na primeira metade do ano os acidentes ambientais aumentaram 98%. Teve três seríssimos, sequer foram noticiados aqui no Ocidente, excetuando o do petróleo em Dalian. Esses acidentes destruíram vários rios. O outro motivo, não menos possível, é que o "desenvolvimento chinês" está saindo da costa para o interior e a bacia dos rios estão todas lá e o governo teve um colapso maior do que se imagina.

Note que essas metas chinesas e outras no mundo todo vivem o "mito do quociente", sei que muitos apontam esse mito (o seu livro Mundo em Transe deixa isso bem claro e Ademar Romeiro em suas palestras aponta o "mito do quociente" como uma das maiores evidências contrárias ao pensamento atual). A meta do quociente pode ser atingida, mas o que importa para um sistema fechado e finito é o resultado absoluto. Ele é sempre crescente quando medidos poluição, efluentes, contaminações...

Esse assunto chegou no mercado financeiro não por causa da questão ambiental, totalmente ignorada, mas pelo efeito negativo que poderia ter no crescimento da produção industrial. E, na verdade, a maior parte dos relatórios prevê que o governo irá abandonar essa meta no meio da desaceleração global, por conta do efeito negatino no crescimento que já se encontra em desaceleração. O mito de total separação entre economia e meio ambiente e de não ser possível ter resultados econômicos favoráveis com resultados ambientais favoráveis está impresso em 100% das análises e das práticas ainda, apesar de tanto barulho que já fizemos. No mercado financeiro, sustentabilidade continua sendo cosmético ou produto de prateleira, sem mudar uma virgula sequer a rota de colisão atual com a Terra, da qual jamais sairemos vencedores.

Hugo Penteado

China ordena fechamento de 2000 indústrias poluidoras

Fabiano Ávila, do CarbonoBrasil (apud Mercado Ético: 10/08/2010 14:13:53)

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"Este é o alerta mais forte que o governo já deu para as empresas.
Pela primeira vez esse tipo de medida, já mencionada diversas vezes,
realmente irá sair do papel e temos inclusive os detalhes das
instalações que devem ser fechadas", afirmou Zhou Xizeng, analista do
Citic Securities Co para a Bloomberg.
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Foi na base da canetada e da ameaça de corte de subsídios, empréstimos
e de licenças de uso de terras, que o governo deu até setembro para
que 2087 empresas fechem suas instalações que estiverem fora dos
critérios mínimos de consumo de eletricidade e de emissões de gases do
efeito estufa.

As metas chinesas prometidas internacionalmente envolvem reduzir a
intensidade energética em 20% e cortar as emissões por unidade do PIB
em 45% até 2020 com relação aos níveis de 2005.

"Acelerar a eliminação de instalações obsoletas é fundamental para
alterar o padrão de crescimento econômico, reestruturar a economia e
aumentar a eficiência e a qualidade de nosso desenvolvimento", afirma
uma declaração do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação.

O uso da energia por unidade do PIB cresceu 0,09% nos primeiros meses
desse ano com relação a 2009. É o primeiro aumento desde 2006. Antes
disso, essa taxa havia conseguido uma redução contínua de 14,4%.

A Agência Internacional de Energia anunciou recentemente que a China
ultrapassou os Estados Unidos no ano passado e se tornou o maior
consumidor de eletricidade do planeta. O governo chinês ainda não
reconhece esse dado.

Anos de crescimento desordenado

A rápida industrialização chinesa, que transformou o país em uma
potência mundial, teve altos custos para o meio ambiente e a
sociedade. Na busca de atender a demanda de uma população gigantesca
que começou a ter poder de compra, as indústrias nunca primaram pelos
critérios mais rígidos de uso de recursos e tratamento de efluentes.
Por isso hoje a China é a terceira maior economia do mundo, mas também
possui as cidades com as piores condições de poluição do ar e da água.

A idéia do governo agora é ir "limpando" os setores industriais, ao se
livrar o mais rápido possível daquelas fábricas que não se encaixam
nos requisitos mínimos de qualidade e eficiência. Mas isso terá um
custo.

A medida irá reduzir em 100 milhões de toneladas a produção de cimento
e em 35 milhões de toneladas a de ferro. Isso equivale a uma queda de
5% no total que o país produz atualmente dos dois recursos.

Gigantes mundiais como a Aluminum Corp. of China Ltd, conhecida como
Chalco, e o Hebei Iron & Steel Group serão afetadas. A maior parte das
empresas ainda não se manifestou sobre a decisão do governo.

Porém a Chalco afirmou que não apenas vai cumprir a ordem como vai ir
além e fechar instalações obsoletas por vontade própria. A companhia
deve reduzir sua produção em 120 mil toneladas métricas, o equivalente
a 3% de sua capacidade em 2009.

"Este é o alerta mais forte que o governo já deu para as empresas.
Pela primeira vez esse tipo de medida, já mencionada diversas vezes,
realmente irá sair do papel e temos inclusive os detalhes das
instalações que devem ser fechadas", afirmou Zhou Xizeng, analista do
Citic Securities Co para a Bloomberg.

No começo deste ano, A China já havia estabelecido novos padrões
ambientais para produtores de aço e removido subsídios para o consumo
de eletricidade de setores onde antes esse tipo de ajuda era
considerada estratégica, como na mineração.

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