quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Ecoeconomia na FIESP

Ecoeconomia



São Paulo - 16/9/2008

É necessário repensar o modelo econômico, afirma estrategista de investimentos do ABN

O economista Hugo Penteado defende que o futuro da humanidade depende da mudança de paradigmas da economia


Hugo Penteado
O atual modelo de crescimento econômico leva à desfiguração dos ecossistemas e põe em risco a sobrevivência de diversas espécies, inclusive dos seres humanos.

Esse ponto de vista é defendido pelo economista Hugo Penteado, estrategista de investimentos do ABN AMRO Asset Management, que se reuniu com o Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp nesta terça-feira (16).

Autor do livro Ecoeconomia - Uma Nova Abordagem, lançado em 2003, Penteado não tem medo de suscitar polêmicas e aponta a busca pelo “crescimento eterno” como o grande equívoco da economia mundial: “Busca-se o aumento da produção sem levar em conta que os recursos naturais são finitos”, afirma.

Por recursos finitos, leiam-se a água, o solo e o próprio equilíbrio climático-ecológico entre as espécies vivas, sem os quais a existência na Terra seria inviável.

Lembrando que o sistema econômico está sendo submetido a um crescimento exponencial, Penteado alerta: “Alguém ainda vai ganhar um Prêmio Nobel ao provar que o território americano tem um tamanho constante de 9,3 milhões de km², sobre o qual é impossível adicionar um fluxo crescente de carros, casas e coisas”.

Rever o PIB


Reunião do Cosema
O economista prossegue, ressaltando que ignorar o espaço físico finito e manter um crescimento suicida é um erro fundamental: “Nós colocamos as espécies animais e vegetais desse planeta na maior rota de extinção em 65 milhões de anos, de forma totalmente antropogênica”.

Penteado declara ser impossível desvincular a economia da questão ambiental e assegura que o risco econômico reside na necessidade de crescer para garantir a saúde financeira de três sistemas principais: o mercado financeiro, previdenciário e fiscal. “Dado que o crescimento econômico é impossível do ponto de vista do espaço físico e ambiental, esses sistemas estão fadados à falência”, acrescenta.

Na visão de Penteado, é imprescindível realinhar o sistema para uma rota de equilíbrio, no qual os valores humanos, sociais e ambientais passem a fazer parte da equação. “Até o cálculo do PIB deveria ser rediscutido, para que passasse a levar em conta essas variáveis”, conclui o economista.

Sílvia Lakatos, Agência Indusnet Fiesp
Fotos: Kênia Hernandes

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