quarta-feira, 18 de maio de 2011

Ibama chama agentes do Brasil todo para a Amazônia

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A explosão no desmatamento na Amazônia fez o Ibama suspender todas as suas operações de fiscalização no país para concentrar esforços na contenção da derrubada.

O governo acredita que o pulo nos índices de desmate é resultado da perspectiva de afrouxamento da legislação com o novo Código Florestal.

A determinação do Ibama foi baixada na segunda-feira, num memorando às superintendências de todo o país.

O documento, obtido pela Folha, determina que todas as operações de fiscalização do PNAPA (o plano anual de operação do Ibama) que não tenham relação com o combate ao desmatamento na Amazônia sejam suspensas. Para 2011, o programa tinha 1.300 operações previstas.

"Não adianta combater o tráfico de animais, por exemplo, se o habitat deles foi para o saco", diz o presidente do Ibama, Curt Trennepohl. "Foi a decisão mais lógica. Temos de estancar a hemorragia em Mato Grosso."

Agentes dos Estados também estão sendo deslocados em massa para a Amazônia. Segundo Trennepohl, há cerca de 520 homens na região agora. O número deve crescer, já que só do Rio Grande do Sul, nesta semana, serão deslocados mais 60 agentes.

O governo foi surpreendido pela retomada da devastação, principalmente em Mato Grosso. Dados preliminares do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a serem divulgados na semana que vem, sugerem um repique sem precedentes desde o final de 2007, quando o governo baixou o embargo de crédito aos desmatadores (gênese da polêmica atual sobre o Código Florestal).

Pulo do gato - O diretor do Inpe, Gilberto Câmara, recusou-se a fornecer o dado, alegando que ele ainda está sob verificação. "O gato subiu no telhado. Falta ver o tamanho do pulo".

A expectativa em relação à mudança no código, em discussão no plenário da Câmara, é considerada pela área ambiental do governo um dos principais fatores por trás da aceleração da derrubada.

Como já é tradição na Amazônia, o setor produtivo se antecipa a decisões do poder público e derruba a floresta.

Neste ano, em MT, o objetivo do desmatamento seria criar "áreas consolidadas" antes da aprovação do código para ganhar anistia.

Parlamentares ruralistas e entidades do setor têm vendido à base que o novo código permitiria a manutenção de áreas rurais consolidadas e abriria a possibilidade de consolidar o uso de áreas de preservação permanente.

A retomada do preço das commodities no mercado internacional e a anistia ao desmatamento concedida pela recém-aprovada lei de zoneamento do Estado também são apontadas como causas possíveis do repique.

Segundo Trennepohl, a devastação tem se concentrado na região produtora de grãos do Estado, e o desmate é sobretudo para agricultura. (Fonte: Ana Flor e Claudio Angelo/ Folha.com)

Data da notícia: 16/05/2011 - 00:00:04
Última modificação: 15/05/2011 - 20:49:33

Segue troca com meu amigo da Amazônia:

Caríssimo Hugo,

Mais do que esperado. Sem falar o estresse hídrico de milhões de árvores com as duas maiores secas da região numa sequência histórica, dos anos de 2005 e 2010. O “sul maravilha” não imagina o que isso pode acontecer e num prazo curto. Aqui há um vazio tão oco de conhecimento, que aproveitadores aparecem toda hora e fingem estar salvando a Amazônia, fingem usar seus produtos e o trabalho de suas comunidades, para vender produtos no sul e no mundo com essa falsa bandeira. Essa filosofia (sustentabilidade) ainda não nasceu e está cheia de elos perdidos. Ponto para a economia do alto carbono que segue ilesa, a despeito de tantos reclamos.

Como já lhe disse várias vezes, a Amazônia está sendo queimada viva, não há presença do Estado e o principal motor é a especulação imobiliária que vem a reboque das megaobras dos políticos politiqueiros, que mesmo antes de estarem prontas pontes e estradas, os grileiros aparecem e chegam pelas bordas dos rios, arrancando igarapés, ou pelas bordas das estradas. Desmatam e não são detidos, ao contrário, isso porque no Brasil um terreno ou terra só tem valor sem matas - e isso precisa ser modificado pela política do IBAMA e do ICMBIOs em relação aos proprietários que preservam, porque aqui no Brasil, incrivelmente, os proprietários mais incomodados e ameaçados de desapropriação para criação de parques são justamente os que defendem e protegem as suas matas.

Quando você esteve aqui no ano passado, mostramos isso a você. Sem falar que a tecnologia de fiscalização por satélite no Brasil é estranhamente desatualizada e os dados na verdade subestimam a destruição florestal daqui. Isso tem sido questionado por vários institutos sérios do mundo todo. Enfim, é muito pior que imaginamos, todos os biólogos sabem que fragmento florestal que resta do esquartejamento da Amazônia são pedaços de florestas sem capacidade reprodutiva a caminho da morte, isso estudado e observado em qualquer tamanho de fragmento florestal, não só nos mais pequenos como se imaginava antes.

Amazônia está próxima do tipping point, isso deveria ser ponto de preocupação máxima. O mais desesperador é ver as políticas dos países sul-americanos que dividem a Amazônia com o Brasil. Tem um vídeo que mostra um vídeo com escala temporal acelerada o que acontece na Bolívia. O mundo emergente está igual a China ou o centro-oeste brasileiro, que punha placas nos seus portos e estradas décadas atrás: “Problemas ambientais no seu país? Venha para cá!” ou “Queremos a poluição de São Paulo”, no caso brasileiro.

No Sul Maravilha a maior parte das obras é feita com madeira sem nota da floresta daqui, sabia disso?

Pode parecer exagero para alguns, mas você está certo quando diz “sem a Amazônia todos estaremos mortos”.

Abraço do seu sempre amigo idoso,

Virasin

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