terça-feira, 26 de agosto de 2008

É sustentável a sustentabilidade?

Post do Idéias Cretinas.

Comentário do Hugo: Com isso dá para “esculhambar” todas as falsas idéias dos economistas, dos governos e das empresas. “Esculhambar” no bom sentido, tipo acordar para a realidade. A corda vai estourar, resta saber se vamos trabalhar para fazê-la estourar em décadas ou em milhares de anos...

É sustentável a sustentabilidade?

Outro dia estava pensando sobre a questão do desenvolvimento sustentável e a promessa de um crescimento econômico que devolva ao ambiente tanto quanto tira, mas eis que me lembrei da Segunda Lei da Termodinâmica. Daí, surgiu a dúvida: sustentabilidade, no limite, não é apenas mais uma tentativa de criar a máquina de moto perpétuo?

Antes que me interpretem mal: este aqui não é mais um daqueles argumentos “desesperacionistas”, do tipo, ok, tudo já foi pra cucuia mesmo, então vamos relaxar e gozar enquanto esperamos o apocalispe, e vai ser ótimo ver aquelas loirinhas nórdicas de biquíni pegando um bronze na Groenlândia. É claro que todo dano à natureza que pudermos evitar, reduzir ou reparar deve ser evitado, reduzido ou reparado, mas: isso nunca vai ser 100% eficiente. Então, mesmo se administrarmos o planeta Terra da forma mais eficiente possível, vai dar pra esticar a corda até quando?

Uma conta de fundo de envelope (que pode muito bem estar obscenamente errada, já que eu tenho o hábito pouco saudável de escorregar nas potências de dez): o fluxo de energia solar na órbita da Terra é de 1,4 kW/m2, sendo que cerca de 10% disso chega à superfície do planeta — o resto é refletido de volta. A área da Terra é de uns 4 x10^12 metros quadrados, então o total de irradiação solar disponível no planeta é da ordem de 6×10^12 kW, ou 6×10^15 J/s.

Um ser humano precisa de umas 2.000 calorias alimentares, ou 8×10^6 J, ao dia. Um dia tem cerca de 90.000 segundos, o que dá uns 90 J/s. Com 6×10^9 seres humanos na Terra, estamos consumindo 54×10^10 J/s, ou, arredondando, 6×10^11. A humanidade consome, então, algo como 0,01% de toda a energia disponível para a vida na Terra, descontando as fontes geotérmicas. E isso só para manter nossos corpos vivos, tirando carros, computadores, geladeiras, DVDs.

Supondo que a população ganhe uma ordem de grandeza a cada 200 anos, estaremos comendo toda a energia solar disponível na Terra em… uns 1000 anos?

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