sexta-feira, 19 de março de 2010

A lenga-lenga da economia do baixo carbono: Alice no país das maravilhas?

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O comentário abaixo está relacionado aos 2 textos que podem ser baixados nos links a seguir:





A lenga-lenga da economia do baixo carbono: Alice no país das maravilhas?

O seminário de "O caminho do baixo carbono", comentado pelas jornalistas Amelia Gonzalez e Martha Nelva Moreira (ver anexo), merece comentários adicionais. Em prmieiro lugar, já assisti palestras do Eduardo Gianetti da Fonseca para o mercado financeiro nas quais a litania é sempre a mesma: "CRESCER, CRESCER, porque não crescemos como a China", diz ele de alto brado... E propunha reformas para isso, uma bobagem de dar dó, segundo Andy Xie, um economista inteligente independente que criticou essa lenga-lenga toda no seu último artigo (ver anexo). O surreal é que tudo indica que a idéia de crescimento econômico foi campanha da guerra fria, que alguns desavisados, como Robert Solow, tomaram como séria.

É apavorante ver o "framework" dos economistas tradicionais que só contempla produção por valores monetários e ignora os avanços das ciências mais puras, crítica ignorada e totalmente aplicável feita pelo Nicholas Georgescu-Roegen há mais de 40 anos atrás. Pena ele não ter sido ouvido.

O que mais apavora nessa questão toda enquanto afundamos na lama é a forma como os iluminados de plantão não entendem que o problema crucial não é o de energia, mas de matéria.

Vamos brincar de planeta-sala, onde fazemos nossas palestras. Fora das salas temos o cândido universo. O planeta-sala possui falta de energia o que deixa seus presentes e o palestrante-vaidoso-sofista muito preocupado. No final, por meio de um passe de mágica, atingimos a economia do baixo carbono e temos milagrosamente algo que a humanidade nunca terá: uma fonte segura, facilmente distribuída, barata e inesgotável de energia. Todos do planeta sala já esfregam as mãos: vamos aumentar o número de cadeiras de 300 para 600, mas de repente se dão conta que só será possível fazer isso se empilharmos cadeiras e pessoas, dado que o espaço disponível é obviamente finito...

Poderíamos adicionar o problema no planeta-sala da necessidade para os presentes de comida e água, destino do lixo, manutenção do ar puro, biodiversidade, etc., mas por hipótese ad hoc os seres do planeta-sala são intangíveis e imateriais, como se estivessem no Jardim do Éden, basta pensar e estão saciados. Mesmo assim, o problema das cadeiras segue sem solução...

É tão óbvio quanto isso. A expansão quantitativa que atingimos só será viável quando retroceder ao ponto necessário de restabelecer o equilíbrio planetário e isso ocorrerá com ou sem a humanidade, posto que não somos nós que ditamos as regras e sim o planeta. Essa falsa idéia de comando e controle também faz parte dos erros coletivos atuais que nos fazem correr o risco pela primeira vez de total desaparecimento da nossa espécie.

Hugo Penteado

Um comentário:

vatrentino@gmail.com disse...

Hugo, como vai ...

Parabéns pelo seu trabalho, venho acompanhando sempre que possível, também para Cláudia que vem postando no blog.

Bom, vamos lá, vou tentar expor meu pensamento e minha dúvida. Por várias vezes quis comentar, mas fico meio acanhado.

Acredito que entendo toda relação de catástrofes que podem ocorrer se continuada as práticas de consumo atuais também com relação aos lucros a todo custo – porém, quando você comenta no total desaparecimento de nossa espécie, acredito que leva em consideração um rearranjo do ecossistema. É isso?

Hugo, como você vê essa catástrofe?

Eu percebo um efeito em cadeia, talvez, com anos de duração, mas será que toda humanidade desapareceria?

Sabemos da existência de aldeias nos confins da terra (aquele documentário “HOME” mostra bem esses povos), onde não há comunicação e onde os modos de vida assemelham-se com aos de nossos ancestrais – será que até esses povos seriam afetados definitivamente – falo isso mesmo sabendo que as mudanças os afetarão. Mas acredito que de uma forma menos acentuada, se observar à menor antropização no ambiente em que esses povos vivem.

Lembrando das aulas de biologia, especificamente de ecologia, penso em reequilíbrio do ecossistema, ou seja, se ocorre superpopulação, sempre vai haver um novo equilíbrio, mas acho difícil que uma espécie tão adaptável como a “humana” desapareça da terra.

Ou para nós, uma boa dose de “tomem juízo de agora em diante” – veja bem, não acredito em deuses, seria o próprio sistema indiretamente nos informando.

Bom, talvez eu tenha exclamado mais que perguntado, pode até ser uma forma de demonstrar que eu acredito que há tempo.

Será que há?

Abraço.

Vagner Trentino – Biólogo
vatrentio@ig.com.br