sábado, 4 de julho de 2009

Sinais (crescentes, evidentes) de fracasso do modelo econômico

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Não é só na área ambiental, mas também na área social que enxergamos os principais erros e fracassos.
E o doente continua sendo tratado com o mesmo remédio que o tem deixado doente: crescimento econômico.

Desemprego entre jovens cresceu 51%
OIT revela que, em 14 anos, desocupação saltou de 11,9% para 18%

Geralda Doca - O GLOBO, 02-07-2009

BRASÍLIA. A taxa de desemprego entre jovens de 15 a 24 anos cresceu 51% de 11,9% para 18% -
entre 1992 e 2006 no Brasil, evidenciando a ineficácia das políticas públicas existentes para aumentar as
oportunidades dos brasileiros desta faixa etária. O alerta foi dado pela Organização Internacional do
Trabalho (OIT), que divulgou ontem estudo no qual aponta ainda que 60,5% da juventude conomicamente ativa estão ocupadas em atividades informais.
O patamar é 10 pontos percentuais acima do indicador para a população em geral.
O Brasil tem 34,7 milhões de jovens entre 15 e 24 anos. Destes, 22,2 milhões são economicamente
ativos ou seja, estão empregados ou procuram uma vaga. Para a OIT, é alarmante que 3,9 milhões
deles estejam desempregados e outros 11 milhões, ocupados no setor informal, sem carteira assinada.
Pelo estudo, o emprego precário é uma realidade de 67,1% dos jovens que precisam trabalhar (indicador
que a OIT chama de déficit de emprego formal).

Para OIT, faltam políticas efetivas para os jovens

Além disso, o levantamento chama a atenção para a perpetuação das desigualdades brasileiras na nova
geração que chega ao mercado de trabalho.
O déficit de emprego formal sobe para 70,1% quando se consideram as mulheres entre 15 e 24 anos e
para 74,7% quando o recorte é para a população negra.
Nesta faixa etária, o déficit dos homens é de 65,6% e o dos brancos, 59,6%.
Para a diretora do escritório da organização no Brasil, Laís Abramo, apesar dos avanços, como o
aumento dos anos de estudo entre esse segmento da população, ainda faltam no país ações efetivas para
enfrentar o desemprego entre os jovens.
Não bastam políticas voltadas apenas ao mercado de trabalho, é necessário integrar ações nas áreas
da saúde e da educação disse, citando como exemplos jovens que são mães precoces e não têm
acesso a creches e escola.
Ela disse que não houve mudanças significativas neste quadro em 2007 e 2008 e avaliou que a crise
financeira deverá agravar ainda mais o cenário. Lais criticou o discurso de que o problema é a falta de
qualificação: Aceitar isso é transferir o problema para os jovens. É preciso avaliar melhor os efeitos
dos programas existentes para obter resultados mais eficientes.
Buscar, por exemplo, harmonizar a demanda do setor produtivo e os cursos oferecidos.

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