terça-feira, 2 de junho de 2015

Economia colaborativa

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A credencial da professora e a instituição onde ela está mostra que é muito mais sério do que qualquer um poderia supor.  É a proposição de um novo paradigma, pois ao contrário do desengano atual, só realmente com um novo paradigma iremos construir um futuro diferente da rota de colapso atual, enquanto os poucos países com superávit ambiental do planeta (Brasil, Congo e outros) são disputados para serem sugados pelos países terrivelmente deficitários em meio ambiente como China, Suécia, Alemanha, Japão, Estados Unidos, etc.

Uma nova economia social é o único caminho: "nosso" no lugar do "eu,meu" que nunca teve existência relevante.

Já devíamos saber que esse é o maior antagonismo da nossa realidade, achar que temos algo individualmente, quando só temos algo coletivamente.  E todos não perceberem que a nossa felicidade é inteiramente dependente da felicidade dos outros, do entorno.  É impossível ser feliz se todos não forem. E, finalmente, não há salvação financeira empresarial sem salvação ambiental e não há salvação ambiental sem salvação social.  A preocupação ambiental é egocêntrica, egoísta e pior, continua dentro do sistema suicida de autodestruição. A preocupação social é altruísta além de ser o ponto inicial da nossa salvação.  Ou o caminhar se torna altruísta, ou não teremos mais por onde caminhar...

Na verdade, a humanidade viajava alegremente dentro de um carro numa estrada ensolarada, quando nos anos 70 a ciência veio e nos mostrou que a estrada tinha visibilidade zero (reação negativa ecossistêmica de caráter imprevisível sugerindo precaução máxima).  Nos anos 80, a ciência veio com outra descoberta: a estrada termina num precipício (vários pontos de não retorno ou de ruptura em vários sistemas globais com feedbacks positivos).  Nos anos 90, a ciência veio com dois últimos alertas: não é mais possível evitar mudanças globais e o carro no qual estamos não tem mais freio, só dá para tirar o pé do acelerador e rezar para ele parar antes de cair no precipício que, por estarmos numa estrada com visibilidade zero, não sabemos exatamente onde está (atrasos ecológicos). 

Apesar de todos os alertas, passamos o tempo todo arrumando maneiras de pisar no acelerador e nada mudou, apesar do blablablá de discussão do sexo dos anjos, enquanto simpósios de sustentabilidade transnacionais emitindo mais gases do efeito estufa até dizer chega se multiplicaram pelo orbe, todos eles financiados pelas grandes corporações, o que não deixa de ser uma ironia. 

Enquanto isso, a economia do alto carbono baseada em crescimento do PIB segue inabalável.  Basta lembrar os "novos" petróleos em produção, a exploração submarina e agora a rota do pacíficio engendrada pela China, assim como a ligação do Atlântico  com o Pacífico pelo meio da Amazônia dentro do famoso esdrúxulo projeto chamado de Integração Regional Latino-Americana, grandes construções, represas hidrelétricas na Patagônia, destruição de florestas para o super necessário cosmético do dia a dia, etc. etc. etc.

Mas uma grande transição pode ser o caminho (se tivermos sorte de evitar o precipício) quando todas essas tentativas de continuar dentro do mesmo modelo insustentável ficarem bem evidentes e solaparem (porque irão solapar).

Por isso, o foco deve ser esse, através da excelente análise dessa professora de Harvard:  http://www.greattransition.org/publication/debating-the-sharing-economy

Não há a menor chance mais de evitarmos retrocessos no atual sistema.  Esse ponto já cruzamos nos anos 1980.  Na verdade, já estamos vivenciando o fim da água, que é a prova do erro fatal da teoria econômica tradicional, cujos modelos não incluem uma só variável para tratar a importância da água para a economia, nem para a vida na Terra, variável irrelevante para esses modelos e não será surpresa alguma se seu resultado final for a transformação da Terra em Marte, como N.G.Roegen avisou nos anos 60, antes da ciência soltar seus alertas nos anos 70, mas como se trata de uma ciência mancomunada com seus clientes, ignorou  completamente sua descoberta até hoje: "Se a economia crescente do descarte imediato dos bens e do desperdício continuar, seremos capazes de entregar a Terra ainda banhada em sol apenas à vida bacteriana."

Um comentário:

Breno disse...

Agradeço por seus esforços.