segunda-feira, 31 de maio de 2010

Barrados na porta - Miriam Leitão

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Empresas reclamam de apagão de mão de obra. Brasileiros qualificados procuram emprego. São barrados por não terem experiência, ou por serem mais velhos, ou por não passarem nos burocráticos padrões de recrutamento. As empresas perdem chance por discriminar. Falamos com desempregados e empresas para entender as contradições do mercado de trabalho.

Fomos a campo usando as ferramentas das novas mídias. Postamos no Twitter convites para que as pessoas com qualificação mas sem chance no mercado de trabalho contassem as suas histórias. Gravei um vídeo fazendo o mesmo convite, postei no blog, e foi chamado no site do Boa Chance. Alvaro Gribel, Valéria Maniero e eu recebemos as histórias e conversamos diretamente com alguns. Postamos casos no blog. Em quatro dias, recebemos mais de 200 e-mails e 150 comentários.

Márcio Felipe é técnico em informática, com experiência em empresas no Brasil e em Portugal. O setor de TI nos disse que tem carência de 100 mil pessoas. Ele procura diariamente emprego e não encontra. O que está errado com ele? Dizem que é a idade: tem 45 anos. Mariana Cordeiro tem 28 anos, é formada em marketing há seis anos e, durante esse período, está procurando emprego. Mesmo sendo contra "panfletar" currículo, ela se cadastrou num site especializado que enviou suas informações para 7.234 empresas. Recebeu três respostas, mas sempre acabou ouvindo aquele desanimador: "você não tem o perfil":

— Se os recrutadores dessem retorno, eu poderia saber em que estou errando.

Ela continuará procurando e diz que se as empresas soubessem "da disposição e desejo de várias pessoas como eu, pensariam duas vezes antes de simplesmente descartar nossos currículos".

Renato Teixeira é engenheiro de transportes, tem 35 anos de experiência, como o de ser diretor de Planejamento do Metrô do Rio. Não consegue emprego porque tem 58 anos. Lucas Camilo formou-se em publicidade, está fazendo um MBA na FGV, mas não consegue o primeiro trabalho. Dizem que ele não tem experiência. Eduardo Azevedo é engenheiro eletrônico, com pós-graduação na Coppe em sistema Offshore, faz mestrado na UFRJ em engenharia naval. Trabalha em TI, mas seu sonho é trabalhar na área de petróleo. Ele não consegue. O engenheiro Newton Amaro tem cursos de pós-graduação, 25 anos de experiência, mas se diz barrado pela idade: 49 anos. No Twitter, vários nos informam que as empresas em geral exigem 35 anos como idade máxima. Muita gente não consegue sequer enviar currículo porque as empresas estabelecem essa idade como limite. Quem tem 37 anos já seria "velho".

terça-feira, 25 de maio de 2010

Marcha dos Prefeitos - Marina Silva em Brasília

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De: Marcio Bontempo :

Quarta feira, 19/5, estivemos presentes na XIII Marcha dos Prefeitos no DF, assessorando Marina na parte da Saúde, uma vez que um dos temas era esse. Para cada presidenciável foi dada uma hora para responder a 9 perguntas, sendo duas ligadas à saúde. Serra foi o primeiro a falar e, como era de se esperar, jogou confetes sobre si mesmo, enaltacendo seus feitos na Saúde, etc. Só falou que criaria o Programa de AceleraÍ ão da Saúde, mas não mostrou detalhes nem disse o que é isso. Como sempre foi cartesiano e meio cansativo. Afirmou que aprovaria a EC 29 (que aumenta os repasses da União para os municípios) e, habilmente, desviou-se da questão de se recriar a CPMF, ou coisa similar. Foi ovacionado várias vezes, mas percebía-se que muitos dos 5 mil presentes não aplaudiam (a oposição certamente). Em vários momentos ele ultrapassava o tempo e o microfone era cortado, o que impediu a possibilidade de "gran finales" ao final de cada pergunta. Marina falou em seguida e Dilma depois. A Dilma, como sempre, "martelou" as respostas com sua postura autoritária típica. Enquanto Serra falou de si, Dilma falou de Lula, enaltecendo tudo o que foi feito, mas cometeu um deslize: Também disse que aprovaria a EC 29, mas fez ver que é a favor da criação de um novo imposto para fortalecer a saúde, afirmando que sem a CPMF cerca de 40 bilhões de reais deixaram de serem usados para a saúde (obviamente não disso que grande parte dos recursos, em torno de 60%, eram desviados para outros

caminhos). Foi imprudente, pois a terceira das 9 perguntas já deixava claro que ninguém da CNM está interessado em novo imposto. Então foi ensaiada uma vaia sutil, mas não completada. Nem Serra nem Dilma mostraram, como Marina, que a EC29 está trancada na Câmara, sendo que Marina foi mais valente e crítica colocando que isso acontece porque o governo não tem interesse em repassar mais verbas para a saúde. Marina foi brilhante, perfeita. Seguiu nossa sugestão de ser bastante incisiva, aplicar mais conteúdo crítico, manifestar-se com ênfase e
> determinação. Acho que tem a ver também com a orientação de Paulo de Tarso e do Capobianco. Consegui mostrar a ela, antes da fala, que o momento era mais político do que técnico e que precisávamos aproveitar o evento para sensibilizar os prefeitos. Marina é super inteligente e capta com presteza essas coisas. Foi fantástica. Dilma e Serra foram técnicos demais e este chegou a cansar a platéia com tantos números. Diferentemente dos outros dois que tiveram frequentemente o microfone cortado (cada um tinha 4 minutos apenas para responder), Marina terminou tudo no tempo certo e aproveitou para finalizar com brilhantismo, arrancando efusivos aplausos. Num momento que sensibilizou a todos, ela parou rapidamente de falar e chorou ao lembrar dos seus 30 anos de PT aos prefeitos do partido ali presentes. Aplausos irromperam e a senadora rapidamente retomou a palavra com excepcional verve. Sua fala foi marcada por frases de impacto e argumentos fortes, enaltecendo a necessidade de se evitar o tipo de política comum e se criar um novo modelo, unificado, sustentável, inteligente, com a participação de todos, dependentemente de partidos. Foi marcante quando ela afirmou que sua visão política e entendimento se baseiam aspectos ligados a valores e não a circunstâncias. Ao afirmar que os desastres naturais são efeitos do nosso comportamento, ela inovou esse entendimento, colocando uma abordagenm sui generis à questão. Num gran finale, convocou a todos para, juntos, trabalharmos por um novo Brasil e um novo momento na política brasileira. Depois na coletiva com a imprensa, com muitos reporteres, refletores, microfones, ela fechou a sua paticipação no evento com louvor. Carismática e simples, as pessoas a procuravam com muito carinho para transmitirem votos de sucesso. Líder perfeita, soube agradecer carinhosamente a nossa contribuição e a atuação do grupo. Coisa rara entre políticos.

Sucesso pleno e ascendente. Marina Presidente.

O despertar das celebridades...

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24/05/2010 - 11h48

Jeremy Irons acredita em revés para diminuir a população mundial

Londres, 24 mai (EFE)- O ator britânico Jeremy Irons acredita que o mundo está superpovoado e prediz que as guerras e as doenças, "provavelmente" estas últimas, corrigirão essa situação.

Em declarações à publicação "The Sunday Times", Irons diz que quer fazer um documentário sobre a sustentabilidade do planeta nos moldes do feito por Al Gore.

O atual ritmo de crescimento demográfico "não é sustentável", afirma o ator, quem adverte que poderia ocorrer algo horrível para restabelecer o equilíbrio perdido.

Irons lembra que bilhões de pessoas passam fome no mundo e diz que "é loucura".

"Como está não pode ficar. A próxima geração vai ter de buscar soluções criativas para enfrentar esses desafios", diz o ator.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A CONTA D'AGUA DO BOI

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Who cares? Quem se importa?

A CONTA D'AGUA DO BOI

por Maurício Waldman

Um apelo muito difundido tem realçado que o desperdício de água pode ser resolvido fechando a torneira, diminuindo o tempo do banho e racionalizando a utilização da mangueira. Certo é que estes procedimentos são pertinentes e necessários. Porém a questão da água inclui problemáticas bem mais complexas, sendo pretensão deste artigo, avaliar facetas pouco lembradas.

No caso, o texto terá por foco a relação entre o delicioso bife de carne bovina que parece indispensável na mesa do brasileiro e a conta d’água da natureza. Vejamos o que esta instigante discussão nos revela.

A escalada da poluição tem comprometido a água potável de modo sem precedentes. Nunca na história se constatou uma situação em que o acesso ao líquido estivesse tão ameaçado. Daí as campanhas alertando para poupar água. Até porque, mudar atitudes é essencial para afastarmos a ameaça da sede.

Contudo, é necessário frisar que a questão dos recursos hídricos inclui muitas nuanças. Recordemos em primeiro lugar que a agro-pecuária absorve em média 70% do consumo mundial de água; é seguida pela indústria com 20% e pelo consumo residencial, com 10%.

Como é possível perceber, o consumo doméstico de água é o menor dos três. Ressalve-se que 1.000 litros de água potável (isto é, 1 m³), são suficientes para suprir a necessidade biológica de dessedentação anual de um indivíduo. Outros 100 m³ anuais dariam conta dos propósitos domésticos.

Exatamente por conta do que foi exposto, a ponderação nos impõe um dado objetivo: o de que não será simplesmente fechando as torneiras no âmbito doméstico que a crise dos recursos hídricos encontrará solução. A atitude irá ajudar. Mas resolver não vai.

Portanto, vamos centrar nossa atenção na agro-pecuária, que reclama para si o essencial das águas doces do Planeta. Neste sentido, uma vasta literatura confirma a enorme proporção de água tradicionalmente solicitada pela produção rural. Trata-se de uma “água virtual”, pois embora não esteja visível, foi incorporada no processo de produção dos alimentos.

Exemplificando: a produção de um quilo de trigo reclama o suprimento de 900 litros de água; para produzir um quilo de milho, são necessários 1.400 litros; um quilo de arroz implica em 1.910 litros. Em resumo: uma gestão eficiente dos alimentos importa em muito para a preservação das águas doces.

Igualmente claro é que de longe, a proteína animal é altamente voraz em termos de recursos hídricos. A pecuária é um ramo de atividade sedento, que absorve fração considerável da água disponível. Uma avaliação indica, apenas para as quantidades voltadas para a dessedentação dos animais: 53 litros diários para o gado bovino; 41 para cavalos e jumentos; 6 para suínos, cabras e ovelhas; 0,2 para galinhas.

No Brasil, o item dessedentação de rebanhos consome 4,9% da água, sendo que deste total, o gado bovino absorve cerca de 93%, dos quais a região Centro-Oeste, um destaque na produção de carne bovina, é responsável pela terça parte deste consumo. Há também um consumo de água na forma de ração, limpeza de estábulos, nos matadouros, etc.

É nesta perspectiva que o consumo de carne bovina passou a ser discutido por diversos especialistas. Na voz de cientistas como Dominique Armand e David Pimentel, no contexto da criação extensiva operando com escasso nível técnico, a carne de boi reclama a fabulosa quantia de 100.000 litros de água para cada quilo, podendo inclusive chegar a cifras como 150.000 litros para cada quilo.

Claro que existem fontes citando números menores: 35.000, 20.000 ou mesmo 16.193 litros/quilo, este último um cálculo de Hilel Shuval, renomado agrônomo israelense. Entretanto, recorde-se que esta contabilidade trabalha em muitos casos um paradigma ideal. É o mesmo que falar que uma garrafa de um litro pode ser preenchida com um litro de água, desde que, é claro a torneira esteja aberta exatamente na boquinha e fechada instantaneamente ao término da operação. E se esta mesma garrafa for colocada debaixo de uma cachoeira, quanto irá somar o fluxo de água até o vasilhame ser preenchido?

O número de Hilel Shuval integra este paradigma ideal. Provém de um país, Israel, que constitui padrão de excelência internacional na gestão dos recursos hídricos. Então, tomando por base uma pecuária altamente eficiente quanto ao consumo de água, é possível sim concordar com 16.193 litros para cada quilo produzido. Contudo, quem foi que disse ser esta a realidade do resto do mundo? Quem também poderia afirmar que 16.193, 20.000 ou 30.000 litros é pouco? É menos que 100.000 ou 150.000. Mas é pouco?

Procurando assimilar o significado destes dados, recorde-se que os 100.000 litros de água requisitados para produzir um quilo de carne bovina equivalem a cem caixas d’água domésticas, o que de pronto já significa muita água. Uma outra forma de contabilizar este montante é recordar que 100.000 litros de água são suficientes para uma pessoa tomar banho de ducha durante quatro anos e oito meses e banho de imersão durante um ano e sete meses. Por conseguinte, poupa-se mais água deixando de comer meio quilo de carne do que deixar de tomar banho durante um ano inteiro.

Trata-se de um dado perturbador, principalmente quando se sabe que a falta de água assola milhões de pessoas, dispondo no dia a dia de uma fração mínima do líquido. Segundo estimativas da ONU, 30% da população mundial já vive situação de penúria hídrica. Pensando um referencial de 50 litros diários por pessoa (em linhas gerais a quantidade consumida por um boi somente para matar sua sede), um bilhão de pessoas vive, atualmente, com uma oferta menor do que esta.

Será então que fechar a torneira será suficiente? Entendemos que não. Compreensivelmente a conta d´água da natureza tem que levar em consideração uma mudança dos padrões de consumo, dos modos de vida e dos gostos culturais, todos solicitando revisão urgente.

Além de fechar a torneira e adotar uma dieta com mais vegetais, temos, para complementar, que diminuir o consumo de hambúrguer, contribuindo assim para disponibilizar mais água para as pessoas.

Afinal, ninguém jamais conseguiu beber um boi!

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Estes e muitos outros dados constam na Tese de Doutorado USP de Maurício Waldman, Água e Metrópole: Limites e Expectativas do Tempo: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-20062007-152538/

Fonte: http://www.institutoninarosa.org.br/index.php


quarta-feira, 19 de maio de 2010

LIMITES AO CRESCIMENTO ECONÔMICO

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Economistas como Affonso Celso Pastore, doutrinados telepaticamente pela teoria neoclássica onde vigora o total esquecimento da herança mecanicista e a total separação da economia com o planeta, seus ecossistemas, a biodiversidade, conseguem extrair do seu conhecimento idéias estranhas como a do artigo anexo. Para eles, o único limite ao crescimento é a capacidade de poupança de determinadas economias. Para ele, uma vez superada essa limitação, o crescimento poderá ser maior e, acima de tudo, indefinido. Crescimento indefinido significa acreditar que a economia pode ser maior que o planeta. Não é só ele que acredita nesse disparate, mas Joseph Stiglitz, Paul Krugman e os mais hereges, como José Goldemberg, Nicholas Stern, Ignacy Sachs, esses últimos adicionando nas suas idéias os mitos da sustentabilidade, da economia do baixo carbono e energia limpa. Para a sustentabilidade (ambiental, econômica e social) ser atingida, seria necessária a revogação quase completa da teoria econômica, proposta que começou a nascer a partir da crítica de Nicholas Georgescu Roegen, até hoje sem seguimento. Muitos dos seus seguidores sequer entenderam perfeitamente bem qual foi a sua mensagem e nem foram até hoje capazes de dar sequência. A crítica foi tão profunda que os economistas ao invés de assumirem os erros dramáticos das suas teorias, resolveram ignorar Roegen e só não puderam ignorar eternamente, por conta de ter sido ele o primeiro homem a prever as conseqüências planetárias do modelo econômico regido pelo descarte, desperdício, concentração de riqueza e crescimento eterno. Roegen a seu tempo previu que a Terra seria entregue ainda banhada em sol apenas à vida bacteriana. Entre os seguidores que conseguiram manter a linha, temos Herman Daly e outros, que mostram com clareza e percepção como muitas das propostas dos economistas e dos ditos mais iluminados ligados a sustentabilidade simplesmente não revoga o atual ecosuicídio da humanidade. O silêncio sepulcral sobre essa verdade é um misto de covardia e interesses cruzados, apenas isso justifica o confronto das idéias econômicas estafúrdias propostas pelos governos no mundo todo e totalmente contrárias às evidências das ciências mais puras, com conclusões robustas não só na área do clima (outro erro concentrar todos os nossos débâcles planetários em apenas um item a ser resolvido com apenas uma parte do problema que é energia).

terça-feira, 18 de maio de 2010

Crescimento

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Economistas como Fábio Giambiagi assumem que crescimento brota do nada e pode ser uma variável exógena ao sistema, sem se envolver com questões demográficas e ambientais. O mito de separação é tão forte que ele concorda com a jornalista que o crescimento pode ajudar a resolver problemas ambientais e demográficos, como se pudesse ser um resultado independente desses dois itens. Na verdade, a demografia, a situação social, o meio ambiente, o planeta são as variáveis dominantes e o crescimento econômico e seu desempenho meras derivações. Essa inversão de eixo tem sido útil para produzir a maior concentração de riqueza da história humana, o maior nível de corrupção onde interesses particulares predominam em relação aos coletivos e ao bem estar da humanidade e acabou definitivamente com a democracia, por conta dela não mais funcionar para preservar a saúde, a paz entre as nações e o bem estar de todas as comunidades.

Hugo

ENTREVISTA FABIO GIAMBIAGI – FSP 17-05-2010

Previdência e demografia criam "bomba relógio" no país

Em novo livro, economista defende reforma para que envelhecimento da população não torne insustentáveis as contas públicas no futuro

Rafael Andrade - 1º out.09/Folha Imagem


Fabio Giambiagi, chefe do Departamento de Risco de Mercado do
BNDES e ex-integrante do Ipea


Fabio Giambiagi, chefe do Departamento de Risco de Mercado do
BNDES e ex-integrante do Ipea

FERNANDO CANZIAN
DA REPORTAGEM LOCAL

O economista Fabio Giambiagi é um incansável defensor de mudanças nas regras da Previdência Social no Brasil. Seu mais novo livro, "Demografia - A Ameaça Invisível", escrito em parceria com Paulo Tafner, pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), joga luz sobre o envelhecimento da população no Brasil e os desafios que isso impõe à sustentabilidade das contas públicas. A obra defende, entre outras coisas, que benefícios assistenciais sejam diferenciados dos previdenciários e que o salário mínimo deixe de indexar os pagamentos da Previdência -mudanças impopulares e que requerem alterações constitucionais. Giambiagi, ex-professor da UFRJ e da PUC-Rio, ex-membro do Ipea e hoje chefe do Departamento de Risco de Mercado do BNDES, é autor de mais de dez livros sobre economia. Leia entrevista à Folha.



FOLHA - "Demografia - A Ameaça Invisível" pressupõe a existência de uma bomba demográfica que vai estourar, deixando a conta para as futuras gerações. Qual o risco?
FÁBIO GIAMBIAGI - A essência do problema é essa progressiva mudança demográfica. No ano 2000, o número de pessoas com 60 anos ou mais era de 14 milhões de pessoas, enquanto o número de jovens, entre zero e 14 anos, era de 51 milhões. O perfil apontado pelo IBGE para 2050 é que a população jovem irá diminuir em termos absolutos de 51 para 28 milhões de pessoas. Já a população idosa de 60 anos ou mais vai aumentar de 14 para 64 milhões. Em 2050 teremos mais de três vezes o número de idosos, em termos absolutos, por população economicamente ativa do que hoje. Esse é o desafio. E é uma característica universal. O envelhecimento demográfico é algo que se repete em todos os países. No caso brasileiro ele é, de certa forma, mais acentuado, pois os outros países já estão no meio desse processo, ao passo que, no Brasil, ele está apenas se iniciando.

FOLHA - Mesmo assim, parece não haver um reconhecimento do problema, que exigiria reforma no sistema previdenciário. Qual a razão dessa inação?
GIAMBIAGI - Há um paralelo natural que se pode estabelecer entre a questão demográfica e a questão ambiental. Em ambos os casos, lidamos com um fenômeno de longo prazo, em que o país e o mundo são praticamente os mesmos de um dia para o outro. Mas são dramaticamente diferentes quando se coloca a questão em uma perspectiva de 50 anos. O segundo paralelo é que os custos de se dar uma guinada no leme, de mudar o rumo do país, são de curto prazo e muito evidentes. Ao passo que os benefícios são de longo prazo e, em geral, pouco palpáveis. Mas o custo da inação hoje vai aparecer lá na frente. Há uma frase do Al Gore (ex-vice-presidente dos EUA) no documentário "Uma Verdade Inconveniente (sobre o aquecimento global)": "Um dia nossos filhos olharão para nós e dirão: "Mas onde é que vocês estavam quando isso estava acontecendo? Será que ninguém percebeu o que estava ocorrendo bem na frente de todos?" Isso vale para a questão ambiental e para a demográfica.

FOLHA - Os grandes números de um país, e isso também vale para a Previdência, são calculados como proporção de seu PIB (Produto Interno Bruto). Se o Brasil crescer mais rapidamente daqui em diante, esses problemas não estarão atenuados?
GIAMBIAGI - O crescimento atenua tudo, obviamente. Se o país crescer 2,5% como crescemos durante duas décadas no passado, vai ser muito difícil equacionar o problema demográfico. Por outro lado, se o crescimento for de 5% ao ano, será, evidentemente, mais fácil. Mas não há garantias de que o país estará em condições de crescer 5% ao ano nos próximos 30 anos. A resposta a isso vamos saber daqui a 30 anos. A questão é que, com uma reforma na Previdência, haveria maiores condições de termos mais espaço no gasto público para um aumento do investimento estatal, que é um ingrediente fundamental para alavancar o crescimento futuro. Mas, se a população idosa crescer 4% ao ano, que é a estimativa para os próximos 15, 20 anos, e a economia crescer também 4% ao ano, ficam elas por elas. E o tamanho da conta vai ser similar ao atual. Se a economia crescer menos, como o número de idosos vai crescer em torno de 4%, a conta vai aumentar. Hoje, na verdade, há toda uma tendência de que a economia cresça mais de 4%. Mas estamos longe de ter segurança de que esse cenário será mantido por 20 ou 30 anos, especialmente em um contexto em que vamos mudar a composição da população economicamente ativa.

FOLHA - O sr. já escreveu outras obras sobre esse tema e publica textos em vários jornais. Mas parece que ninguém lhe dá ouvidos...
GIAMBIAGI - Já tenho 18 anos, com alguma intermitência, de participação nos debates ligados ao tema. Nos debates por aí, as pessoas entendem a natureza da questão. Podem não gostar do assunto, mas, em geral, concluem que há uma questão a ser enfrentada.
O maior elogio que eu já recebi foi, curiosamente, de um sindicalista da CUT. Depois de apresentar essas ideias, no Fórum da Previdência em 2007, um representante da CUT comentou, a respeito do que deveria ser feito para equacionar o problema: "Estou impressionado com a crueldade do professor Giambiagi. Mas o que me deixou mais preocupado é que ele foi convincente". Pensei: "Consegui o que queria".

segunda-feira, 17 de maio de 2010

PARQUE NACIONAL

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PARQUE NACIONAL
Prefeitos vão à Brasília e discutem projeto

Publicado em 11/05/2010, às 18h55

Brasília

Em audiência realizada na tarde de hoje, em Brasília, com o ministro chefe da Secretaria de Relações Institucionais do Brasil, Alexandre Padilha, o prefeito de Resende, José Rechuan (DEM), acompanhado de outros seis prefeitos dos estados de São Paulo e Minas Gerais, manifestou preocupação com a medida estabelecida pelo Governo Federal que prevê a desapropriação de hotéis e residências localizadas na parte baixa do Parque Nacional do Itatiaia.

Segundo a medida, as propriedades situadas nesta área da reserva vão ser desapropriadas e a exploração dos hotéis será concedida a terceiros. - Viemos manifestar que somos contra a determinação, que logicamente afeta mais Itatiaia, contudo também irá atingir toda a região em seu entorno. O nosso entendimento é de que a preocupação e o posicionamento das prefeituras da região são legítimos, visto a possibilidade de prejuízos à vida das pessoas que moram há vários anos no Parque e construíram o seu patrimônio dentro do local. Além disso, existem os riscos de prejuízos diretos à economia da Região das Agulhas Negras, motivo pelo qual achamos que o assunto precisa ser rediscutido - disse Rechuan.

De acordo com ele, que se mostrou otimista ao fim do encontro, o ministro Alexandre Padilha recebeu as ponderações dos prefeitos com muito atenção e respeito. "Saímos da audiência com a certeza de que a discussão em torno do assunto terá continuidade dentro do Governo Federal. Acredito que vamos ter êxito em nosso pedido", disse. O próximo passo será uma audiência nos próximos dias com representantes do Ministério do Turismo.

Cercanias

Além de Rechuan, participaram da audiência os prefeitos Arthur Barbosa Pinto (São José do Barreiro - SP), Edson de Souza Quintanilha (Arapeí - SP), David de Moraes (Bananal - SP), José Celso Bueno (Queluz - SP), Marcos Tridon de Carvalho (Itamonte - MG) e Acácio Mendes de Andrade (Passa Quatro - MG).

Todos esse municípios fazem parte do Projeto Cercanias - a iniciativa reúne 15 prefeituras dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, que trabalham pelo desenvolvimento integrado entre estas cidades. O principal objetivo do encontro com Padilha foi justamente reivindicar o apoio oficial do Governo Federal ao projeto, lançado ano passado pela prefeitura de Resende.

- Reafirmamos o motivo principal que nos levou a criar o Projeto Cercanias em julho do ano passado. Cada cidade do eixo Rio-São Paulo e Minas Gerais possui potencialidades específicas para o desenvolvimento econômico e social, daí a importância de unir os esforços de todos estes municípios região na busca de ações que assegurem o crescimento integrado. Os moradores de todas estas cidades são os principais beneficiados com este trabalho - concluiu Rechuan, que acredita que o projeto saiu fortalecido do encontro.

Rechuan reivindica R$ 36 milhões para obras de infraestrutura

Rechuan estava em Brasília desde terça-feira, com o objetivo de reivindicar mais recursos federais para a realização de obras e serviços em Resende, principalmente nas áreas de infra-estrutura e habitação popular.

Na capital, o prefeito se reúniu com dirigentes dos ministérios das Cidades e da Integração Nacional em busca de verbas para obras de canalização no trecho entre a Cidade Alegria até as imediações do Aeroporto Municipal, passando pelo bairro Alegria Velha; serviços de recuperação dos trechos prejudicados pela chuva ocorrida no município na noite de 15 para 16 de março e a realização de obras de canalização também no Loteamento Mirante da Serra, que se localiza na região da Grande Alegria, entre outras ações.

Acompanhado pelo secretário municipal de Obras, engenheiro Rubens Almada, o prefeito destacou a importância da canalização entre a Cidade Alegria e a região do aeroporto ‘como uma obra de grande importância na prevenção de possíveis transtornos na época das chuvas'.

O trecho previsto para ser canalizado se aproxima de dois quilômetros.
- Vamos continuar cumprindo todos os procedimentos exigidos pelo Governo Federal para obter os recursos. A nossa expectativa é de iniciar as obras o mais rápido possível, e temos plena confiança de que conseguiremos obter as verbas solicitadas para tornar realidade estas novas melhorias a favor do bem-estar da população de Resende - disse o secretário Rubens Almada.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Cortina de Veneno

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Dos projetos de irrigação de frutas na Chapada do Apodi, no Ceará, passando pelos plantios de tomate em Apuí, no Vale do Ribeira, aqui em São Paulo, se espalha sobre o país uma pesada cortina de veneno oriunda do uso indiscriminado de agrotóxicos para combater as pragas que assolam a nossa agricultura.

O Brasil já é o maior consumidor mundial de agrotóxicos, com um consumo de 720 milhões de litros por ano. A Anvisa até tenta fiscalizar as grandes multinacionais que mandam no setor, enquanto o Ministério da Agricultura, que nada faz, não se cansa de repetir que agrotóxico é assunto dele e ninguém tasca. Como no governo quando um não quer, dois não fazem, cada vez mais o brasileiro despeja veneno no seu prato.

Além dos prejuízos para a saúde das pessoas que consomem alimentos com alto teor de contaminação, nuvens de agrotóxicos despejadas por aviões afetam a vida de moradores de cidades e o resíduos dos venenos são levados pela água das chuvas para os rios que vão abastecer a população em todo o país.

No Ceará, no dia 21 de abril, o trabalhador rural José Maria foi assassinado com 19 tiros por conta das denúncias que fazia contra o uso absurdo da pulverização aérea sobre o plantio de frutas na Chapada do Apodi. Ministério da Justiça, Polícia Federal e o governador do Ceará, Cid Gomes, não incluiram o crime no rol das suas preocupações.

No próximo dia 12 de maio haverá uma audiência pública na Câmara de Vereadores da cidade de Limoeiro do Norte para discutir o fim da pulverização aérea em toda a região da Chapada do Apodi.

O Deputado Federal Chico Alencar do PSOL do Rio de Janeiro pediu que a Polícia Federal investigue o crime para que ele não fique impune, como tantos outros cometidos contra quem ousa denunciar o errado nos sertões brasileiros. João Cabral de Melo Neto dizia que "pelo sertão não se tem como não se viver sempre enlutado" (O luto no sertão, em Agrestes, 1985).

Sergio Leitão, postado no blog do Greenpeace, dia 5/5/2010

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Empregos, mais empregos e mais empregos...

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Pelo lado econômico, a crise de falta de empregos, que já deve assolar permanentemente uns 30 a 40% da população humana bem antes da crise, agora atingirá uma massa ingente que nunca esteve nesse mar de desolados. Não se trata de uma crise de falta de empregos, mas do fim da instituição “emprego”, não existe mais como recriar algo que foi destruído definitivamente. De qualquer forma, para resolver a crise de “emprego”, os governos vão insistir em fazer a roda da economia girar, como todo sempre. A classe reguladora já pressionou para que se faça tudo possível para voltar fluxos, garantindo com isso, para alívio dos governos, que o caos social será minorado com mais empregos. A moeda de troca entre os comandantes econômicos e os governos – empregos versus riquezas nas mãos de quem menos precisa – é também azeitada com muita gorjeta que desce pelo ralo do fim do mundo das mãos dos poderosos para as mãos dos governos e as celebridades que funcionam como motivadoras sociais de todo o resto da humanidade sem poder e emasculada.

A verdade é outra. A roda gira esmagando a natureza e as pessoas apenas para manter as riquezas dos que menos precisam. E mesmo isso tudo não será suficiente, porque o emprego é efêmero e o crescimento que se tornou um fim em si mesmo, totalmente tautológico, só se justifica através de mais crescimento. Dessa forma, o emprego nada mais é que uma decorrência do crescimento, que evapora, cada vez que é solapado por alguma crise, doravante cada vez mais intensas. Seria necessário, dentro desse modelo, destruir a capacidade de sustentar a vida de 10 planetas iguais à Terra para os empregos aparecerem e mesmo assim não seriam suficientes, porque depois de 10 planetas, logo iríamos precisar de 100, dado que a pressão é contínua e exponencial e tautológica. Esse processo funcionou bem quando a régua era inferior a um planeta. A pressão maior que um planeta será acompanhada de freqüentes reveses ambientais e econômicos e de guerra entre as nações. Será comum confundir um fenômeno com o outro, sem saber que possuem todos eles o mesmo denominador comum: o modelo mental da humanidade que ignora sua vulnerabilidade como espécie animal num planeta finito dentro dessa teia viva que decidimos destruir violentamente.