sexta-feira, 11 de junho de 2010

Mais uma da série, "Querida, acho que destruí o planeta"

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Interessante: ao invés de atacar a causa do problema (emissões), a saída é tirar elas da atmosfera.

Pode ser, claro, que o estoque de emissões exija tal tecnologia – cuja eficiência está longe de ser comprovada e nem em sonho será carbono neutra ou ambientalmente limpa ela mesma.

Mas em relação ao fluxo, só há uma solução: cortar emissões.

Com energia limpa? Bom, nem em sonho temos energia limpa para trocar pela atual energia suja – infelizmente.

A única forma de cortar emissões de forma imediata é cortando o desperdício e abandonar o modelo de crescimento eterno e, claro, continuar investindo no desenvolvimento de tecnologias mais limpas e mais eficazes e em outras formas de produção, consumo e distribuição com menos concentração de riqueza ativamente estimulada pelos governos todos.

15/01/2010 - 10h25

Cientistas holandeses criam técnica barata para tirar CO2 do ar

RICARDO MIOTO
da Folha de S. Paulo

Um novo dispositivo apresentado nesta quinta-feira (14) por cientistas pode um dia se tornar uma máquina para salvar o planeta do aquecimento global: ele tira o dióxido de carbono (CO2) do ar e o transforma em compostos de carbono que podem ser vendidos como matéria-prima à indústria.

Os pesquisadores holandeses autores da invenção, porém, afirmam que ainda não é possível aplicá-la em grande escala.

O que os cientistas fizeram foi criar uma estrutura que ajuda o CO2 do ar a se transformar em uma substância chamada oxalato de lítio. O mecanismo usa um composto do tipo que os cientistas chamam de catalisador, que serve para estimular e acelerar reações químicas.

Conseguir que uma placa feita de um material complexo à base de cobre fizesse isso não foi fácil. Estruturas com cobre expostas ao ar geralmente reagem com o oxigênio (O2), não com o gás carbônico (CO2).

Isso ocorre porque o oxigênio tem muito mais facilidade para participar de reações químicas. Ele é mais instável, se agrupa facilmente com outras moléculas. A estrutura criada pelos holandeses, entretanto, quebra a expectativa e reage com o CO2.

Mistério

Nem os cientistas entenderam direito como conseguiram a façanha. "Por que isso aconteceu, nós não entendemos", disse à Folha Elisabeth Bouwman, da Universidade Leiden, na Holanda, que publicou, com sua equipe, a descoberta na revista "Science".

Eles são especialistas em estruturas sintéticas úteis como catalisadoras em reações com carbono.

Eles ficaram especialmente animados por três motivos. Um deles é que a substância final em que o CO2 se transforma, o oxalato de lítio, é bastante estável. Isso significa que o carbono está bastante preso dentro dela --não vai voltar para a atmosfera tão cedo.

O segundo é que o oxalato de lítio pode servir como insumo na fabricação de produtos de limpeza doméstica ou de substâncias úteis para uso em componentes de refrigeradores.


Editoria de Arte/Folha Imagem


http://f.i.uol.com.br/folha/ambiente/images/1001588.gif

O último é que o catalisador que criaram é "reciclável". Ou seja, ele pode ser utilizado de novo após oxalato de lítio ser removido dele. Isso torna o mecanismo mais viável.

Começo

O processo, porém, ainda está longe de sair dos laboratórios e ganhar escala. Dificilmente se tornaria viável rápido o suficiente para conter o aquecimento global nas próximas décadas. Segundo Bouwman, seu estudo "é só o começo".

Ainda assim, é um grande passo. Todos os mecanismos propostos até hoje para tirar CO2 da atmosfera e transformá-lo em outra substância gastavam uma quantidade proibitiva de energia. O mecanismo holandês, entretanto, é mais simples e, assim, tem um consumo elétrico pequeno.

Algumas substâncias usadas no processo, porém, ainda encareceriam um ganho em escala. Uma delas é o lítio. Por isso, diz Bouwman, o próximo passo é fazer pequenas modificações nas estruturas usadas.

O trabalho vai adiante em um constante processo de tentativa e erro. "Fazemos as modificações e observamos o que acontece: se o complexo fica mais reativo, se a reação vai mais rápido."


2 comentários:

Zara disse...

Lamentavelmente "remediar" é sempre a saída para esta economia de mercado injusta e destrutiva.
Ao invés de emitir menos até chegarmos ao mínimo possível,ou melhor ainda ao mínimo desejável (zero emissões)... esta proposta nos substima como seres humanos.
Zara

Zara disse...

Lamentavelmente "remediar" é sempre a saída para esta economia de mercado injusta e destrutiva.
Ao invés de emitir menos até chegarmos ao mínimo possível,ou melhor ainda ao mínimo desejável (zero emissões)... esta proposta nos substima como seres humanos.

Zara