quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Uma breve nota após leitura de Herman Daly (Beyond Growth)

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Como resolver a equação entre pobreza e a capacidade do planeta sustentar a vida na Terra?

O caminho é reconhecer o limite - não podemos expandir o fluxo de matéria e energia para atender nossas demandas sempre crescentes e há os que falam que na verdade já é necessário retroceder.

Se isso for verdade - o limite existe (desculpa a condicional, é óbvio que o limite existe!) - caímos no segundo problema: como dar àqueles que não tem nada o conforto e a liberdade que merecem se não podemos mais crescer aqueles fluxos?

Muito simples, através de políticas de distribuição de renda, de eficiência e de redução de desperdício.

Os ganhos que podemos fazer aí são gigantes. O nosso desperdício de matéria e energia é monumental. Estima-se no Brasil ganhos com corte de desperdício e ineficiência que evitariam a necessidade de construir qualquer usina destruidora mesmo as pequenas centrais hidrelétricas e com isso dobrar a oferta de energia. Por que sempre optamos pelas opções mais burras e ineficientes? Porque ainda não acordamos para o fato que aquilo que consideramos dado - água, energia, clima, comida - está ameaçado e irá desaparecer inteiramente - junto conosco - se continuarmos agindo dessa forma: como um câncer sempre crescente num sistema fechado e finito como a Terra.

Na parte de distribuição de renda e riqueza, o espaço também é gigante. Assim como não é necessário um multibilionário ter mais bilhões, a concentração de riqueza, principalmente nos países ricos, é imoral e vergonhosa. Para se ter uma idéia, nos EUA desde os anos 70 a única renda que subiu (após impostos e inflação) e quase dobrou foi a dos 1% mais ricos (um bom livro sobre isso é Wealth and Democracy de Kevin Philips). Os dois quintis mais pobres viu sua renda na mesma conta cair quase um quarto. E há ainda quem acredita nesse modelo, algo que só se explica por interesse próprio, pois não é só a concentração de riqueza que existe, há também os comensais dela. Um pequeno problema de ética e responsabilização que ainda iremos enfrentar e tudo indica que faremos isso da pior forma.

Achar que crescimento é a única forma de resolver o problema de pobreza é condenar a humanidade e a vida desse planeta à morte. Achar que sem crescimento iremos cristalizar as diferenças sociais é inverter a relação causal: o crescimento hoje, tal como ele é feito e mensurado, é um importante mecanismo de diferenciação social e não o contrário. Isso nos remete à mesma tolice de achar que a economia não tem fronteiras planetárias nem limites - idéias econômicas que regem o mundo inteiro socioambiental se esfacelando à nossa volta. O desafio de mudança é bem grande, começa com as mentes de quase todos, pois por uma burrice impressionante, interesseira, diária e maníaca, nos debates atuais o único tema que se fala são oportunidades de lucros e crescimento, dentro da filosofia que "não posso abrir mão do lucro, mas posso abrir mão do planeta." Nada de discutir - nem mostrar - quem são os reais beneficiários disso tudo e qual é o contrato social e ambiental desse projeto.

Hugo Penteado

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