quarta-feira, 28 de março de 2012

CRESCIMENTO NÃO É SOLUÇÃO PARA A MISÉRIA DA ÁSIA

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Esse é o principal desafio de sustentabilidade: mudar o sistema de forma mensurável em termos de impacto absoluto nas variáveis críticas apontadas pela ciência antes que a gente seja convidado a sair desse planeta.  Até agora nenhuma dessas variáveis parou de se deteriorar exponencialmente.  O tamanho da mudança é gigantesco. Estamos anos luz dessa mudança ainda.

Os livros Ted Trainer (Renewable Economy cannot Sustain a Consumer Society), Chandran Nair (Consumptionomics) e Huesemann & Huesemann (Techno Fix - Why Technology Won´t Save Us or The Environment) removem um série de mitos: 1) não temos um problema só de energia ou só de clima, mas acima de tudo de matéria e impactos ecossistêmicos, 2) tecnologia não reduz o impacto, aumenta, 3) sociedade de consumo não tem futuro algum e o principal aspecto aqui é o enorme desperdício de matéria e energia que entra com sinal positivo no PIB e crescimento econômico se baseia principalmente em desigualdade social e desperdício astronômico produzido por poucos (1/3 do lixo terrestre é produzido por 4% da população mundial).

Solução: mudança de paradigma profunda. Abandono da teoria econômica tradicional autista, do contrário, iremos ter que ouvir a frase de Stephen Jay Gould a respeito da maior extinção da vida dos últimos 65 mihões de anos: "É muita ingenuidade achar que essa extinção jamais irá se voltar contra os causadores."

Investimentos responsáveis é uma peça fundamental para buscar essa mudança nas empresas, no entanto, onde estão os investidores conscientes cuja dinâmica desses investimentos depende deles?

O mais incrível é que por mais que uma economia ou empresa cresçam, isso traz consigo dois significados: 1) não importa o crescimento passado, se parar de crescer quebra, 2) de (1) sabemos agora que o crescimento é um fim em si mesmo e o emprego gerado é um acidente natural (talvez não desejável) desse ciclo; 3) quando o crescimento estanca, os empregos desaparecem, ou seja, crescimento pode ser considerado uma saída temporária da miséria a menos que crescimento eterno seja possível (mas não é...) e 4) já faz muito tempo que temos tido por conta do avanço tecnológico uma recuperação sem empregos ou uma recuperação sem renda.

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Vamos precisar de cinco planetas Terra
O diagnóstico foi feito pelo chinês Sha Zukang, secretário-geral da ONU para a Rio+20:

sexta-feira, 16 de março de 2012

Cientistas querem unificar economia e susntentabilidade

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http://info.abril.com.br/noticias/tecnologias-verdes/cientistas-querem-unificar-economia-e-sustentabilidade-01032012-32.shl?2 

Um grupo de especialistas mundiais em meio ambiente publicou um documento com recomendações para os líderes governamentais sobre ações necessárias e urgentes para compatibilizar desenvolvimento econômico com a sustentabilidade ambiental e social do planeta.
Intitulado Desafios ambientais e desenvolvimento: o imperativo para agir, o documento foi elaborado por 20 cientistas laureados com o Blue Planet Prize.
Concedido pela fundação japonesa Asahi Glass Foundation desde 1992 – por ocasião da realização no Rio de Janeiro da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, mais conhecida como ECO-92 –, o prêmio é considerado o “Nobel do Meio Ambiente”, dado que a máxima distinção científica concedida pela Fundação Nobel não premia essa área de pesquisa.
Entre as personalidades laureadas com o prêmio, cujo nome é inspirado na máxima “a Terra é azul”, cunhada pelo cosmonauta russo Yuri Gagarin (1934-1968) após viajar pelo espaço, em 1961, está Gro Harlem Brundtland.
A diplomata presidiu no início da década de 1980, quando era primeira-ministra da Noruega, a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e coordenou a realização do documento nomeado Nosso futuro comum, publicado em 1987 e mais conhecido como Relatório Brundtland, que popularizou a expressão “desenvolvimento sustentável”.
O prêmio também foi concedido em 2008 a José Goldemberg, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), que era secretário do Meio Ambiente do Brasil durante a ECO-92.
Algumas das recomendações dos cientistas no documento são eliminar os subsídios em setores como os de energia, transporte e agricultura, que, na opinião dos autores, criam custos ambientais e sociais, e substituir o Produto Interno Bruto (PIB) como medida de riqueza dos países.
Na avaliação dos autores do artigo, o índice é incapaz de mensurar outros indicadores importantes do desenvolvimento econômico e social de um país, como seu capital social, humano e natural e como esses dados se cruzam. Por isso, poderia ser substituído por outras métricas, como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
“O PIB só mede transações econômicas, que não é a única medida para se avaliar o progresso de um país. Há países como Cuba, que tem um desempenho econômico muito ruim e PIB e renda per capita baixos, mas cujo sistema educacional e de saúde são excelentes”, disse Goldemberg à Agência FAPESP.


Outras recomendações dos cientistas são conservar e valorizar a biodiversidade e os serviços do ecossistema e criar mercados que possam formar as bases de economias “verdes” e investir na criação e compartilhamento do conhecimento, por meio da pesquisa e desenvolvimento, que, na opinião dos autores, permitirão que os governos e a sociedade, em geral, “possam compreender e caminhar em direção a um futuro sustentável”.
“Em síntese, a mensagem do documento é que não se pode seguir uma trajetória de desenvolvimento cujo único parâmetro seja o crescimento econômico”, avaliou Goldemberg.
“Isso é muito comum no Brasil, por exemplo, onde os economistas dizem que a economia do país deve crescer 5% ao ano, mas se nesse processo a floresta amazônica for destruída, para muitos deles está tudo bem, porque o PIB está aumentando e gerando atividade econômica. Porém, se por um lado é gerado valor econômico, o país perde sua biodiversidade e futuro”, ponderou.
O documento foi apresentado em 20 de fevereiro aos ministros de mais de 80 países que participaram da 12ª Reunião Especial do Conselho de Administração do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e do Fórum Global de Ministros do Meio Ambiente em Nairóbi, no Quênia.
O cientista inglês Bob Watson, que coordenou a redação do documento e o apresentou em Nairóbi, presidiu o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e atualmente é o principal conselheiro científico do Reino Unido para questões ambientais.
Alerta para a RIO+20
De acordo com Goldemberg, um dos objetivos do documento é que a RIO+20, que será realizada no Rio de Janeiro de 20 a 22 de junho, resulte em resoluções concretas como as que emergiram na ECO-92, em que foi aprovada a Convenção do Clima.
“Os preparativos da conferência estão dando a impressão de que ela será mais um evento de natureza retórica, o que será muito ruim. Ainda não há nenhuma proposta de assinatura de uma nova convenção ou de protocolos”, afirmou.
Goldemberg participará em 6 de março da abertura do evento preparativo para a RIO+20 “BIOTA-BIOEN-Climate Change Joint Workshop: Science and Policy for a Greener Economy in the context of RIO+20”, que a FAPESP realizará nos dias 6 e 7 de março no Espaço Apas, em São Paulo.
Em sua palestra, na abertura do evento, Goldemberg abordará o papel da biomassa no contexto do desenvolvimento tecnológico e apresentará alguns pontos do documento.
O artigo Environment and development challenges: the imperative to act, de Golbemberg e outros, pode ser lido em http://www.scribd.com/doc/82268857/Blue-Planet-Synthesis-Paper-for-UNEP


quinta-feira, 15 de março de 2012

Mitos, mitos, mitos

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Eu li os três primeiros parágrafos e já vi vários pontos criticáveis a partir do prisma da Economia Ecológica. A menos que se adote a postura megalomaníaca habitual, precisamos retrucar:

1) não vai faltar petróleo, nós não exploramos nem 1% da crosta terrestre e agora está começando a exploração submarina, já com o mapeamento feito - o problema não é nosso planeta como fornecedor de recursos, mas como absorvedor do impacto dessas atividades sobre elos vitais que sustentam a vida na  Terra, não apenas na questão do clima.  Esse é outro mito largamente difundido - o mito do único problema do clima que se associa ao mito de escassez de energia e a resposta megalomaníaca é produzir mais energia limpa, que coroa os dois mitos anteriores com o mito de energia limpa e ao longo de todo o processo não só não evitamos o precipício, como apertamos o pé no acelerador para nos atirarmos nele (dá vontade de rir pensando na humanidade dentro de um carro que já está sem freio pisando o pé no acelerador numa estrada sem visibilidade com precipício lá na frente e ao mesmo tempo discutindo energia limpa, sustentabilidade...)

2) não há escassez de energia, há desperdício, o ser humano foi doutrinado por uma campanha nos meios de comunicação para consumir incansável e inconscientemente quantidades absurdas de matéria e energia como se não houvesse amanhã. Por exemplo, todos em suas casas e trabalho mantém computadores ligados durante 8.760 horas do ano, embora só irão usar 1.920 horas (descontando fins de semana e feriados). E automóveis com 1% apenas de eficiência no consumo de energia?  São dois exemlos entre  milhares dos nossos exageros e as contas feitas apontam para desperdício de 73% da energia para começarmos a pensar no assunto.

3) não temos problema só de energia, mas de matéria - Roegen vira no túmulo todo dia. Funciona assim: entre os iluminados que não leram direito nem Roegen nem Ted Trainer e que defendem energia nuclear, devem imaginar que a energia produzida limpa só na  mente deles serve apenas para ficarmos contemplando e não para construir, movimentar, mexer, ocupar, impactar matéria que ao nosso lado é finita em dois itens muito óbvios: água e solo (serviços ecológicos intangíveis também são finitos, mas vamos deixar de lado por ora essa complexidade e apontar a finitude territoria óbvia dos países, cujo tamanho é constante e já está se transformando em piada o momento em que prefeituras começam a tentar controlar o espalhamento urbano desnecessário megalomaníaco que já causou nos EUA a poluição definitiva de mais de metade dos rios, lagos e zonas estuárias num país de proporções continentais e, pasme, desenvolvido!).

Abraço a todos,


Hugo


Mr. David Archibald on four great global challenges

Posted: Monday, March 12, 2012
PAST EVENTS
Publication Date: March 12, 2012


On Tuesday, 28 February, Mr. David Archibald - an Australian-based climate scientist and oil exploration expert - delivered a two-part guest presentation at the Institute entitled "The Four Horsemen of the Apocalypse." The four horsemen, i.e. great challenges the world will soon have to face, are: a decreasing extraction of oil, causing growing prices of energy and, by extension, food; Pakistan's nuclear weapons program, which threatens proliferation and, perhaps, even a nuclear war in the region; rapid population growth in the Middle East and North Africa coupled with higher food imports in those regions, which spells mass starvation; and a 210-year climate cooling cycle.
Mr. Archibald suggests a three-pronged solution to tackle the energy crisis: replacing declining oil production with coal liquefaction and compressed natural gas for automotive use; employing nuclear power, rather than coal, for electric power generation; and developing much safer thorium reactors to replace uranium in nuclear energy. It should be noted that China is already actively pursuing these options.
Many Middle Eastern and North African countries have exported oil to cover their food imports. Yet, falling oil production and a brisk population growth outpacing domestic grain-growing capabilities points to a doomsday scenario in which starvation leads to conflict and general political, economic, and cultural destabilization. 
Mr. Archibald - who has been recognized as "the first to realize that the length of the previous sunspot cycle (PSCL) has a predictive power for the temperature in the next sunspot cycle" - also argued that the warming of the last 150 years will be reversed as the Earth's temperature begins to cool sharply due to lower solar activity. Contrary to the Jeremiads of the global warming alarmists, the sea levels are also falling. Global cooling may well jeopardize grain production and threaten potential famines, which will certainly impact significantly the international situation.   

To view Mr. Archibald's slideshow in its entirety, please see:


terça-feira, 6 de março de 2012

Comentário sobre declarações da Kátia Abreu: FIM DA CIVILIZAÇÃO À VISTA...

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Quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012, 20h50m
Estado
Em conferência na Alemanha, Kátia Abreu diz que agricultura do Brasil é a mais sustentável do planeta
Na tarde de hoje, 22, a senadora e presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil-CNA, Kátia Abreu afirmou em conferência na Alemanha que o País tem a maior e mais sustentável agricultura do planeta e o País, além de ser exemplo para o mundo em termos de preservação ambienta. Kátia Abreu lembrou ainda que 61% do território brasileiro está conservado com vegetação nativa e enumerou a fertilização de áreas degradadas, a fixação biológica de nitrogênio e a integração lavoura-pecuária e floresta como técnicas adotadas pelos produtores brasileiros.
Redação
Divulgação
Senadora Kátia em conferência na Alemanha
A Presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, afirmou nesta quinta-feira (23/02), na Alemanha, que o Brasil tem a maior e mais sustentável agricultura do planeta. De acordo com ela, o País é exemplo para o mundo em termos de preservação ambiental porque os produtores brasileiros adotaram, nos últimos anos, boas práticas agrícolas, condição que precisa ser recompensada. “Os esforços do Brasil precisam ser reconhecidos pelos países que desmataram e pelas empresas que, em suas atividades, são emissoras de gases”, afirmou durante conferência internacional organizada pela Fundação Friedrich Naumann para a Liberdade para debater a capacidade dos países emergentes e industrializados de enfrentar o desafio das mudanças climáticas.
Na conferência, a senadora Kátia Abreu lembrou que 61% do território brasileiro está conservado com vegetação nativa. “Não é floresta plantada, é floresta original”, ressaltou. Segundo ela, mais de 500 milhões de hectares de terra estão preservados no Brasil, único país do mundo que abriu mão de terras férteis que poderiam ser ocupadas com atividades agropecuárias para preservar a biodiversidade. Lembrou que outros países, como Rússia e Canadá, também tem extensas áreas de vegetação nativa, mas que essas áreas são inapropriadas para atividades agropecuárias. “Mesmo diante dessa condição diferenciada, o Brasil aceitou, voluntariamente, reduzir entre 36% e 38% as emissões de gases até 2020”, afirmou a senadora Kátia Abreu.
Aos especialistas em clima e em políticas exteriores e de desenvolvimento de partidos políticos, acadêmicos, imprensa e representantes da sociedade civil que acompanharam a conferência, a presidente da CNA enumerou as práticas adotadas que garantem à agropecuária brasileira uma situação diferenciada. Citou o plantio direto, técnica que não exige que a terra seja arada, o que aumenta a emissão de gases. “60% de toda a agricultura brasileira é plantio direto na palha”, afirmou. Enumerou, ainda, a fertilização de áreas degradadas, a fixação biológica de nitrogênio e a integração lavoura-pecuária e floresta como técnicas adotadas pelos produtores brasileiros.
(Assessoria)

Comentário:

O mais assustador é como essas coisas são ditas e não são retrucadas.  O não retrucar, questionar, perguntar geralmente se associa ao fim de uma civilização, dizem os historiadores. As bobagens atuais que ouvimos são:
- existe energia limpa (???)
- energia nuclear é a solução (Monbiot e desavisados iluminados seguidores dele embora ignorem que 99% dos resíduos até hoje não tem destinação final - e nem terão e nem são carbono neutro, se colocar na conta o comissionamento e descomissionamento das usinas, a mineração, o transporte, etc...)
- planos de sustentabilidade que não estão sendo desenvolvidos de forma crível porque ignoram a finitude planetária
- agricultura brasileira é sustentável (cadê os biólogos, ecólogos, os especialistas sobre o aquífero Guarani?)
- existe crescimento sustentável (existe, desde que se leve em conta a morte do hospedeiro, no caso o sistema de sustentação de todas as formas de vida na Terra...)
- a tecnologia irá resolver tudo (surreal, mas está sendo defendido na contra corrente, economista "ecológico" à la Solow...)
- comissão Stiglitz e precificação dos recursos da natureza resolverão os problemas via mercado (embora o mercado os tenha causado e o mercado e o modelo nunca são considerados a raiz do problema...e queremos uma solução para o problema com a mesma abordagem que o causou)
- os países emergentes poderão crescer desde que os desenvolvidos cresçam menos (sensacional, porque ter câncer em só um órgão se podemos ter em todos?!?)
E mais uma pérola:
- os ganhos de eficiência (mito do quociente) são suficientes para resolver o problema e desmaterializar a economia (sensacional, porque não tornar nossos corpos intangíveis logo de uma vez ao invés de ficar esperando o processo de desmaterialização da vida???)

A questão principal aqui não é o que é dito, mas o que não é.  Ao invés de atacar a raiz do problema - o modelo em si mesmo e como ele está fracassado em todos os sentidos - estamos colocando adereços naquilo que não tem mais jeito, sem promover uma real mudança.  O tombo do sistema sozinho sem os adereços seria até menor que o tombo que iremos observar com os adereços - tudo que se inventou de sustentabilidade só aumentou a pressão sobre os ecossistemas até agora e não a reduziu!   E tudo que se planeja fazer na direção da "economia sustentável" nada mais é que a mesma fórmula com uma pegada ou sobrecarga humana na Terra cada vez maior. Combater a economia do descarte imediato dos bens e do desperdício nem pensar, está fora de questão porque reduz o PIB.  Por que cortar 73% de desperdício em energia se podemos construir usinas nucleares e biodiesel?  Ignorar Ted Trainer é mais fácil do que parecia, mal sabe ele que vigora a filosofia do "não podemos abrir mão do lucro, mas podemos abrir mão do planeta".  É com essa "ideologia" que iremos desembocar na mais dura realidade jamais vista pela nossa espécie animal e tudo indica muito antes do que imaginávamos.

Hugo

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Indicação de livro

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Assim como o Ted Trainer foi uma indicação do Carlos Eduardo Lessa Brandão, segue mais uma outra indicação dele valiosíssima.  Para os que abraçam sem pensar energia nuclear, energia limpa e tecnologia, ambos os autores - Ted Trainer e Huesemann jogam um banho de água gelada como o Ártico e com argumentos tão irrefutáveis quanto os do principal destruidor de mitos que todos conhecemos, o pai da Economia Ecológica, Nicholas Georgescu-Roegen.  Desde a época de Roegen, acho que ele nunca imaginou que fôssemos capazes de gerar quantidade quase infinita de mitos para continuar na mesma rota suicida pela qual ainda deixaremos a Terra ainda banhada em sol apenas à vida bacteriana, contra a qual sequer fazemos mossa...



Techno-Fix: Why Technology Won't Save Us Or the Environment

Techno-Fix: Why Technology Won't Save Us Or the Environment
Michael Huesemann, Joyce Huesemann

Book Description

Publication Date: October 4, 2011 | ISBN-10: 0865717044 | ISBN-13: 978-0865717046 | Edition: Original

Techno-Fix questions a primary paradigm of our age: that advanced technology will extricate us from an ever increasing load of social, environmental, and economic ills. Techno-Fix shows why negative unintended consequences of science and technology are inherently unavoidable and unpredictable, why counter-technologies, techno-fixes, and efficiency improvements do not offer lasting solutions, and why modern technology, in the presence of continued economic growth, does not promote sustainability but instead hastens collapse.

The authors explore the reasons for the uncritical acceptance of new technologies; show that technological optimism is based on ignorance and that increasing consumerism and materialism, which have been facilitated by science and technology, have failed to increase happiness. The common belief that technological change is inevitable is questioned, the myth of the value-neutrality of technology is exposed and the ethics of the technological imperative: "what can be done should be done" is challenged. Techno-Fix asserts that science and technology, as currently practiced, cannot solve the many serious problems we face and that a paradigm shift is needed to reorient science and technology in a more socially responsible and environmentally sustainable direction.

The authors of Techno-Fix are inside observers of the technological scene.  Educated and experienced in science and engineering, the authors deliver a highly readable, insightful and powerful critique of modern technology.

The readers of Techno-Fix will learn a number of inconvenient truths about science and technology, topics that are rarely, if ever, covered in the media or discussed among professionals. Readers will be challenged to re-examine their current worldview, their paradigms and assumptions about the so-called promises of modern technology. But they will also feel empowered and inspired by the fact that most problems confronting humanity have inherently simple, low-tech solutions. 

Who should read Techno-Fix? Anyone concerned about the effects of technology on society and the environment; anyone teaching or studying science, engineering, medicine, or related disciplines; anyone intending to create a better future.

Techno-Fix has been endorsed by Richard Heinberg, Bill McKibben, David Suzuki, William Rees, and many other important figures in the environmental and academic community.


Review

Technology has become our near-universal object of faith…but it is people who must provide the answers.  This book should be read and discussed in every home, school, and legislature.
Richard Heinberg, Senior Fellow at the Post Carbon Institute, author, The End of Growth.

Technology alone won't be our salvation. This book explains why. –
Bill McKibben, Schumann Distinguished Scholar at Middlebury College, author, Eaarth: Making a Life on a Tough New Planet.

Possibly the best myth-busting book the environmental movement has ever seen.
William Rees, Professor, University of British Columbia, author, Our Ecological Footprint.

Science and technology have advanced impressively and have promised much over the past century, but as this book shows, it is suicidal to put our hopes in such promises.
David Suzuki, Professor emeritus, University of British Columbia, host, The Nature of Things, author of 43 books.

Techno-fix shows how unsustainable and destructive technologies, shaped and driven by the profit motive, have emerged as a major cause of harm to people and the earth. We need to go beyond a blind techno-religion and this book shows us how.
Vandana Shiva, New Delhi based environmental and anti-globalization activist, philosopher, author of 20 books.

This book is outstanding, the most thorough, clear, systematic refutation that I've seen of the absurd idea that new technology will be our savior from advancing ecological breakdown - A must-read for anyone seeking realistic pathways forward.
Jerry Mander, Founder, International Forum on Globalization.

Salvation by technological advance and unlimited growth is the blind dogma of our age. The Huesemanns provide a devastatingly cogent and well-referenced critique of this modern Gnosticism, as well some good alternative ideas. Highly recommended!
Herman Daly, Former World Bank Senior Economist, author, Steady-State Economics, and Ecological Economics.

Techno-Fix deals with a wide range of issues at the core of the sustainability crisis, showing that these problems are not going to be solved by technical advances which leave the fundamental structures and values of rampant consumer society in place...Techno-Fix goes beyond technical issues to consider the social, economic and philosophical dimensions of our predicament.
Ted Trainer University of New South Wales

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Cartas

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Carta de Lolita para Hugo

"não... eu nao vou morrer... eu nunca morri, nao vai ser agora!!"
(H.Penteado)
* * * * *

- os ecossistemas estao ameaçados, ha cada vez mais especies em extinção
- o clima está por um fio (quando o permafrost se for o ritmo do derretimento dos polos vai disparar exponencialmente)
-  sistema financeiro ja colapsou, mas esse titanic leva tempo pra acabar de afundar
- os governos nao se sustentam
- a producao industrial está para colapsar porque logo logo precisarmos gastar mais petroleo
para extrair petroleo, que o petroleo extraido
(e a prod. em massa de alimentos tb, porque o agribizness é inteiramente dependente de petroleo) e
- todos os sistemas de informacao dos governos, servicos sociais, justiça, bancos, industrias
estao sendo atacados - mas os governos nao podem admitir

veja isto - 


sobre como os hackers estao hoje em todo o  mundo comandando uma guerra (que nao vai para a midia)
contra os poderes estabelecidos, só que nao para consstituir um poder mais justo, simplesmente para quebrar 
o antigo sem ter nada melhor para por no lugar...

o colapso nao vai mandar avisar 
nao vai ter avisos, (fora esses).

-- 
Lolita __/\__


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Carta de Hugo para Lolita

Sim, a situação é no mínimo assustadora, para quem não foi lobotomizado pelo sistema.  Somos como os cíclopes, amaldiçoados pela previsão apenas da sua própria morte.  Ou como a Cassandra, que não quis se deitar novamente com Apolo (quem diria, um deus tão fescenino...) e ele que a tinha dotado de prever o futuro, fez com que ninguém acreditasse nela (na verdade, sempre brinco que os economistas são cassandras às avessas: não somos capazes de prever o futuro, mas todo mundo acredita na gente...).  Quando troco economia ciência autista por história me torno um muito melhor economista.

Será que ao invés de prever, não é hora de construir o futuro? Como escreveu sabiamente Erwin Laszlos: "O futuro não foi feito para ser criado, mas para ser construído."

Essa frase "não...eu não vou morrer..." fui eu?  Estranho, porque tive um sonho na montanha na virada do ano em que alguém desconhecido me disse que eu não ia durar muito. Fiquei sem medo. O sem medo ou é porque não acreditei no aviso ou porque não tenho medo algum de morrer. Não tem como eu saber. Fernando Pessôa estava claro ao dizer: "Our soul from us is infinitely far." 

Gosto de enigmas. Talvez tal sonho seja só o sinal de uma mudança brusca, não necessariamente morte significa morte, mas mudança. O sistema terá que morrer, para nascer outro. Nada fácil.  O meu mais profundo desejo é que fosse fácil. A mudança é inevitável.  Enquanto meditava muitos anos atrás na montanha, seguido de um sono profundo, sonhei e desci uma trilha no meio da floresta, onde passava por uma fileira de mulheres nos seus 60 anos, de todos os tons de pele com cabelos soltos ao vento ensolarado e vestidos muito brancos.  Elas todas sorridentes e no meio da descida, uma delas virou o rosto para mim e disse: "Agora é o tempo dos bons."  Acordei naquele instante e nunca esqueci esse sonho.

Gosto da frase da Emily Brönté: "Quem viveu uma vida, jamais morrerá." Autora do "Morro dos Ventos Uivantes" da época que eu lia esses livros pois minha mãe sempre nos avisou que a TV embrutece o espírito...  Hoje só leio notícias do mercado financeiro cada vez mais afundado.

Lolita, você tem razão. A crise que começou em 2008 é a crise final desse sistema.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Ameaças ambientais

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Não se pode confundir terras produtivas, terras voltadas para a especulação (mesmo travestidas de pastagens) e sítios de recreio da classe alta
Para suceder o Código Florestal em vigor, o substitutivo do Senado ficou bem menos marrom do que o projeto da Câmara. Mas ambos contêm ao menos três desatinos que, se passarem, causarão sérios estragos socioeconômicos e políticos, além dos ambientais.
Primeiro, tratam duas realidades opostas como farinha do mesmo saco. Uma coisa é a consolidação de atividades produtivas em áreas rurais sensíveis, graças ao árduo e cuidadoso trabalho de abnegados agricultores. Outra são terras travestidas de pastagens para a especulação fundiária, responsáveis por 80% do rombo nas áreas de preservação permanente: 44 milhões dos faltantes 55 milhões de hectares.
Trata-se de um imenso estoque imobiliário em busca de dividendo, que pouco tem a ver com produção. Os felizardos serão os senhores desses domínios, não os agricultores.
Projeto e substitutivo também relaxam as exigências de conservação ambiental para todos os imóveis rurais com área de até quatro módulos fiscais, surfando na generalizada confusão entre imóveis e estabelecimentos.
"Imóvel rural" é propriedade ou posse fora de perímetro urbano. "Estabelecimento agrícola" é empreendimento. Nem toda propriedade imobiliária abriga negócio produtivo. Chega a 56 milhões de hectares o hiato entre a área ocupada por imóveis rurais de até quatro módulos fiscais e a área dos estabelecimentos agrícolas familiares.
A diferença também está relacionada com a especulação fundiária, nesse caso no mercado de sítios e chácaras de recreio, turbinado pela demanda de emergentes urbanos.
A solidariedade à agricultura familiar é uma bela cobertura para contemplar privilegiados para o andar de cima, com desobrigações de práticas conservacionistas.
Além desse dote de 100 milhões de hectares para a especulação, os projetos oferecem um grave retrocesso político e institucional. A lei atual amadureceu durante 15 anos de deliberações democráticas.
A mensagem que Dutra encaminhou ao Congresso no primeiro dia útil de 1950 só resultou no "Novo Código Florestal" em setembro de 1965. Na época, vivia-se a conjuntura que Elio Gaspari tão bem caracterizou como "ditadura envergonhada": antes do Ato Institucional nº 2, que dissolveu os partidos, tornou indireta a escolha do presidente e transferiu para a Justiça Militar o julgamento de crimes políticos.
Todavia, desmatamentos em áreas que deveriam ser de preservação permanente foram insidiosamente promovidos ao longo dos 27 anos seguintes.
Isso aconteceu não apenas nos dois decênios de ditadura "escancarada", "encurralada" e "derrotada" (1965-1985), mas também no tragicômico setenado de Sarney e Collor (1985-1992).
Só dez anos depois surtiram efeito as salvaguardas do artigo 225 da Constituição de 1988, com a aprovação da Lei de Crimes Ambientais, esmiuçada pelo Congresso entre 1992 e 1998.
Como consequência dessa catástrofe legal, é justo anistiar os produtores que até 1998 descumpriram a lei por terem sido oficialmente empurrados a suprimir vegetação nativa de áreas sensíveis.
O corolário, contudo, nada tem de anistia. Perdão a desmatamento feito sem licença a partir de 1999 constituiria um torpe indulto a circunstanciado crime ambiental.
É preciso torcer para que o Congresso dissipe ao menos essa tripla ameaça dos oportunistas, evitando assim emparedar a presidenta e desmoralizar, no limiar da Rio+20, o compromisso do Brasil com o desenvolvimento sustentável.

JOSÉ ELI DA VEIGA, 63, é professor dos programas de pós-graduação do Instituto de Relações Internacionais da USP (IRI/USP) e do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ)

Colaboradores