segunda-feira, 28 de abril de 2014

Guerras pela água

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Simples: só vai piorar porque mantemos uma demanda exponencial infinita pela água que é um recurso finito respaldado por uma teoria econômica autista e falsa que escreve até os dias de hoje que “os recursos da natureza são totalmente irrelevantes para o processo econômico”.   Essa demanda infinita não é para atender as necessidades das pessoas, longe disso... o que é muito pior como justificativa de meios para atingir os objetivos.

Essa teoria, embora falsa, garante que: 1) as empresas saqueiem o planeta e as gerações futuras sem nenhum “accountability”; 2) o sistema de preços seja totalmente disfuncional e premia apenas as devastações ambientais, os desperdícios, as ineficiências e a economia do alto carbono enquanto um monte de deslumbrados ficam falando de economia limpa, energia limpa e até energia nuclear entra no cardápio enquanto assinam embaixo no saque planetário; 3) criou um ambiente de corrupção desenfreada com os governos do mundo todo para manter o atual sistema de destruição das liberdades, da criatividade, dos empregos, da sociedade e da natureza, mesmo sabendo (eles sabem) que essa rota é totalmente suicida, mas pensam eles que se tiverem sorte, não estarão aqui para ver o resultado que irá restar disso tudo, ou seja, devastação total, que já começou com a maior extinção em massa das espécies animais e vegetais dos últimos 65 milhões de anos, causada pelo homem que mantém a ingenuidade que essa extinção jamais irá se voltar contra os causadores.

Lógico que pensadores como Nicholas Georgescu Roegen e Ted Trainer não são nem serão levados a sério a ponto de ganhar a merecida atenção, porque não tem como ir contra os interesses econômicos do modelo carro-casa-viagem-ao-exterior atual.  Agora pensamentos bestiais de Julien Simon e seu seguidor Bjorn Lomborg e as derrapadas do George Monbiot sobre energia nuclear, esses sim ganham total atenção.

Sorriam, isso tudo é passageiro!

Guerras pela água

Autor: 
Josh Clark


Em 1995, o vice-presidente do Banco Mundial Ismail Serageldin afirmou "as guerras no próximo século acontecerão por causa da água" [fonte: Village Voice]. A última guerra pela água aconteceu 4.500 anos atrás, na Mesopotâmia, mas outros conflitos já se iniciaram desde essa época pela mesma razão [fonte: Leslie]. O conflito sangrento em Darfur, no Sudão (em inglês), que começou em 2003 e matou 400 mil africanos, se iniciou em parte por causa do acesso a uma fonte de água, que estava ficando escassa [fonte: The Guardian].
Collecting water in Darfur
Don Emmert/AFP/Getty Images
O conflito em Darfur, Sudão, começou em parte por causa dos direitos sobre a água
O conflito de Darfur começou no local e depois se espalhou por toda a região. Em outras regiões, a água também pode prejudicar as relações entre países vizinhos. A água está espalhada por fronteiras geográficas, o que dificulta a determinação de posse. Como as nações podem dividir uma fonte de água em comum, a hostilidade pode aumentar por causa do acesso a ela, principalmente quando um grupo percebe que o outro está utilizando-a mais.
Essa situação não acontece apenas em regiões envolvendo muitos países que estão próximos uns dos outros, ocorre também em regiões dos Estados Unidos (em inglês). Em outubro de 2007, uma disputa por causa do direito sobre a água - que já dura 20 anos, e alguns chamam de guerra pela água - entre os estados do Alabama (em inglês), Flórida (em inglês) e Georgia (em inglês) se intensificou. Quando a água disponível, que abastece os 4,5 milhões de habitantes de Atlanta (em inglês), além de partes do Alabama e da Flórida, começou a diminuir por causa de uma grande seca, as tensões se intensificaram em relação ao direito sobre a fonte. Embora as Guardas Nacionais dos estados não tenham se confrontado, os governadores iniciaram uma guerra pública, trocando palavras em vez de tiros.
A água está espalhada de maneira desigual pelo planeta. Embora as nações em desenvolvimento lutem para fornecer água para suas populações, elas costumam pagar mais por isso, já que têm de tomar medidas maiores para consegui-la. Os países desenvolvidos podem oferecer uma infra-estrutura que fornece água para os habitantes de maneira barata e eficaz. Isso faz a água parecer barata e menos valiosa para as pessoas que vivem nesses lugares. Embora sejam necessários cerca de 35 litros para sustentar um humano (esse número leva em conta todas as formas de utilização da água, como beber, se higienizar e preparar alimentos), o norte-americano utiliza em torno de 597 litros [fonte: U.S. News and World Report].
Uma exceção entre os países em desenvolvimento, o Brasil detém invejáveis 13,7% de toda a água doce disponível no planeta. Mas esses 13,7 % não garantem fartura, já que a maior parte dessa água (73%) está localizada na região amazônica, a região com a menor densidade populacional do país. Pouco mais de 20% da água tem que ser dividida entre 93% da população do país.
Isso incentiva uma divisão global da água. No futuro, essa divisão também poderia estimular conflitos e hostilidade entre os países que têm água e os que não têm. Embora o acesso à água limpa seja considerado um direito humano, a água está se tornando um item de luxo. Por exemplo, uma dieta rica em carne está associada à riqueza, uma vez que a carne é mais cara do que os grãos. Enquanto são necessárias cerca de mil toneladas de água para cultivar uma tonelada de grãos, é preciso 15 vezes mais água (15 mil toneladas) para produzir uma tonelada de carne [fonte: Leslie]. No Brasil, a agricultura consome 69% da água retirada dos mananciais do país - contra 11 % de consumo pelas populações urbanas [fonte: ANA].
À medida que a importância da água aumenta, como as nações desenvolvidas serão vistas por aquelas que têm pouco ou nenhum acesso à água?
Está claro que à medida que a água se torna mais valiosa, o risco de conflitos futuros em relação às fontes de água aumenta. Mas podemos superar nosso próprio futuro? É inevitável que a peste, a fome e a guerra por causa da falta de água defininam a história do século 21? Leia a próxima página para saber sobre as esperanças para o futuro.

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