quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A estratégia de não crescimento ainda não consegue vencer a ideia de crescimento

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A estratégia de não crescimento ventilada por várias teorias, como a de Peter Victor, ainda está incompleta e difícil de vencer a hegemonia da idéia de crescimento
Seus principais articuladores não se dão conta disso...



Comentários sobre o texto do Peter Victor:

1)Defender a extinção do crescimento “apenas” para os países desenvolvidos não vai funcionar se o tal crescimento às custas do meio ambiente continuar nos países em desenvolvimento, onde estão as maiores fileiras populacionais. Risco de colapso civilizatório seguirá inalterado se o modelo de crescimento não for revisto universalmente.

2) A estabilização populacional na Europa é falsa, porque o suprimento está vindo do fluxo migratório da África e do Oriente Médio. Adicionalmente, os governos estão desesperados e introduziram todos os meios possíveis (financeiros inclusive) para fazer os casais europeus terem mais filhos. A estabilização populacional, pelo menos na Europa, é aterradora para esses governos. Na China idem, a política de filho único está para ser abolida.

3) Para entender o dilema populacional e de não crescimento, basta pegar a adoção generalizada do sistema de repartição simples na previdência. Esse sistema foi concebido com a idéia estapafúrdia que as populações (e as economias) iriam crescer para sempre (idéia esta abraçada inclusive por Malthus, prova que o problema é antigo). O sistema correto deveria ser o de capitalização (cada um responsável pelo seu ciclo de vida). No Brasil, há estudos que mostram (André Lara Resente) que a simples transferência do sistema de repartição simples para um de capitalização, levando em conta o ônus do sistema antigo, custaria aos cofres 1 trilhão de reais (ao perder a coleta das contribuições que são distribuídas entre ativos e inativos ao longo das gerações).

4) Zero crescimento populacional ou zero crescimento econômico não é desejável, porque com isso o sistema deixa de ser financeiramente saudável e essa é a razão das políticas estarem totalmente voltadas apenas nessa direção.

5) Não pode haver a menor dúvida que um cenário de não crescimento irá gerar falência do sistema econômico, a dúvida maior é como manter a saúde financeira do sistema sem o crescimento econômico e populacional. A proposta de não crescimento é portanto incompleta, enquanto não fornecer uma saída para abandonar o crescimento sem colocar em falência os sistemas bancário, financeiro, tributário, fiscal, de saúde e de previdência, todos eles com sua vida útil diretamente atrelada enquanto houver crescimento. Essa é uma boa razão para as propostas de abandono do crescimento caírem no vazio, as pessoas não se sensibilizam com o fato do crescimento gerar o fim da vida na Terra nem de gerar infelicidade, mas se sensibilizam muito com o risco de falência sistêmica de todos os sistemas de sustentação da economia na sua ausência.

6) Não são os governos que se sensibilizam com a falta de crescimento, eles não passam de fantoches nas mãos da superclass. Um cenário de não crescimento não só irá gerar falência, mas também menor geração de riqueza nas mãos de poucos. Sem geração de riqueza e crescimento, a pressão em cima dos governos será gigante e exercida pela superclass, 6000 pessoas que comandam o planeta, são completamente insensíveis às questões socioambientais. É a superclass, que virou multibilionária e provavelmente que se tornar trilionária, que impede tal mudança ou redirecionamento.

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