terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A embriaguez da ciência econômica

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Paul Krugman

Quando leio artigos tratando de Novas Ideias para a Economia, costumo sentir um certo déjà vu: já não passamos por tudo isso antes? Justin Fox se encarrega do trabalho braçal da pesquisa e descobre um artigo de 1988 a respeito de Novas Ideias que, com pequenos ajustes, poderiam muito bem ter sido propostas nos dias de hoje.

Neste caso, entretanto, o problema não está nas novas ideias de 1988, ainda vendidas como novidade no ano de 2010: em particular, Shiller tinha razão quanto à irracionalidade do mercado naquela época, e sua conclusão continua válida até hoje – exemplificada pelas duas bolhas cuja formação ele soube apontar corretamente.

Mas a pergunta que deveríamos fazer é: Por que os economistas profissionais têm resistido tanto em aceitar o óbvio?

Eu me lembro de 1988; 1988 foi um grande amigo meu. Quando 1988 chegou, o fracasso da teoria do equilíbrio no ciclo econômico já tinha se tornado óbvio. Shiller já tinha demonstrado contundentemente que o preço dos ativos era volátil demais para ser explicado pelos fundamentos da economia, e a quebra do mercado em 1987 consistiu numa lição objetiva sobre o tema do pânico. Vale lembrar que a bagunça dos empréstimos e poupanças ilustrava os problemas de uma regulação financeira inadequada.

E nada ocorreu. A teoria do ciclo econômico real continuou a prosperar, fortalecendo seu controle sobre as publicações do setor. As finanças comportamentais permaneceram na margem. Os discípulos do equilíbrio não aprenderam nada nem esqueceram coisa nenhuma; e quando chegamos a 2008, os devastadores efeitos do tempo reduziram muito, em relação a 20 anos atrás, o número daqueles que de fato compreendiam os choques de demanda.

Resumindo: nosso problema não está na falta de novas ideias engenhosas, e sim na recusa de um grande número de economistas em reconhecer o fato de que algumas de suas teorias favoritas simplesmente não funcionam – fato que se tornou óbvio há décadas.

A estupidez da ciência econômica

Krugman deveria ler Roegen (Krugman nunca respondeu um email meu, tentem escrever para ele, pkrugman@nyt.com). Herman Daly também o provocou num artigo histórico com as proposições do Roegen. Ele respondeu, mas melhor teria não ter respondido, pois se expôs ao ridículo. O que ele reclama dos seus pares, aplica-se a ele. Essa pseudociência –Economia – é uma cujo respeito entre os pares é o pior possível. Roegen também chamou atenção sobre isso.

Sua postura em muito se assemelha ao debate trazido à tona entre George Monbiot e uns farsantes, cujos nomes não merecem ser lembrados. Um deles disse em seu livro que todos deveriam ter a coragem de assumir um erro. Monbiot expôs um deles: segundo esse farsante, o banimento global do DDT, que nunca ocorreu, principalmente para questões de saúde, foi responsável pela morte de milhões de crianças. Ele jamais aceitou ter errado. Suas respostas também o expuseram ao ridículo.

O mesmo vemos em Krugman, com a sua teoria econômica enxovalhada na teoria neoclássica. Basta ler The Return of Depression Economics e sua enorme apologia da expansão fiscal e monetária para criar demanda, como se a oferta brotasse do nada e não houvesse restrições físicas e planetárias. Ou sua resposta ridícula e ridicularizada de forma perfeita por Herman Daly sobre seu erro de considerar os recursos produzidos pelo homem perfeitos substitutos da natureza. Andrei Cechin comenta isso no livro Economia do Meio Ambiente organizado por Peter May, um dos artigos mais interessantes do livro.

Krugman está entre os que acreditam que a economia pode ser maior que o planeta. Pior, ele vê o planeta como um subsistema da economia.

Sua visão de mundo – que é dominante – já causou a maior extinção da vida na Terra dos últimos 65 milhões de anos. Assusta, porque nada mudou e o projeto IIRSA (o primo-monstro do PAC no Brasil) está aí para chegar e destruir o pouco que resta do balanço natural da América do Sul, ao tentar transformar o nosso continente numa plataforma exportadora de produtos ao maior mercado consumidor “potencial” da Terra, a Ásia. Resta saber como uma economia como a China conseguirá a taxas de 8% ao ano dobrar em pouco tempo, sem que os problemas ambientais não se transforme em uma restrição e retrocesso. Jacques Cousteau dizia que a maior razão do desastre ambiental era o enorme aumento da população. Assunto esquecido, vivemos como pragas na Terra, o artigo “The Planet of Weeds” escolheu quatro pragas por características comuns: rato, pombo, barata e seres humanos. Nosso comportamento virótico só tem uma lástima: não somos capazes de matar o hospedeiro. Mal fazemos mossa ao planeta. O Titanic planetário não tem bote salva-vidas, outra questão eternamente esquecida.

Reza uma lenda que um país pobre exportava tudo que produzia, até o dia no qual um acidente natural bloqueou a saída das suas exportações. Desse momento em diante, a população tornou-se feliz, menos explorada e com uma produção que realmente lhes interessava... Pena que seja lenda...

Hugo Penteado

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