terça-feira, 25 de setembro de 2012

Mundo novo aonde?

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Ver que tem gente imaginando que o Mundo Novo deve existir: http://www.desejavelmundonovo.com.br/p/sobre-crie-futuros.html 

Resposta:
Sonhar o mundo novo como fazemos – não comprando cachorros, não comendo carne, não andando de avião e de carro, ajudando as pessoas a estudar, a ter onde morar, etc. – existe desde que o mundo é mundo. O problema é que do ponto de vista da lógica essa expressão humanitária já foi maior no passado e agora dentro do modelo casa-carro-viagem-ao-exterior-com-ipad tendeu a zero.  É tão inexpressivo, que podemos considerar inexistente, assim como é tão inexpressivo as espécies animais exossomáticas como nós, que Roegen considerou inexistentes por um mero exercício de lógica.
Mas não podemos desistir, embora já tenhamos estudos que mostram que as atitudes individuais (reciclar lixo, consumo consciente, frugalidade, etc.) de nada adiantarão, pois o grosso do impacto vem da forma como as empresas atuam sem tolhimento legal algum, dada sua existência supranacional autoregulatória em regimes atualmente plutocráticos.
Sonhar é de graça, quem sabe isso mude. Por ora, a relevância da via contrária é diminuta e a trajetória em direção ao precipício continua firme e deve até ganhar uma aceleração no final quando estivermos empenhados em energia eólica ou (menos) suja, economias sustentáveis, sem mudar nem um raspão sequer essa sociedade de consumo.
Leitura obrigatória para todos são os seguintes livros: Ted Trainer (Renewable Energy Cannot Sustain a Consumer Society), Chandran Nair (Consumptionomics, livro que crítica a atual ideologia absurda que os chineses e indianos irão consumir igual a americanos embora não tenhamos planeta nem para 5% disso) e Huesemann e Huesemann (Why Technology Cannot Save Us and Even the Environment, outro mito fabuloso.
(Hugo Penteado)

Réplica:
Entro no debate para recomendar um livro, no mínimo instigante, mudando o foco para a filosofia. O nome é Vivendo no fim dos tempos. O autor Slavoj Zizek, esloveno, considera que o capitalismo está se aproximando de sua crise terminal e identifica os 4 cavaleiros do apocalipse que são: a crise ecológica mundial, os desequilibrios no sistema economico, a revolução bioenergética e o crescimento das divisões e rupturas sociais.  A resposta da sociedade a esta crise corresponde aos estágios de luto: negação ideológica, explosões de raiva, tentativa de barganha, seguidas de depressão e aceitação. Dentro da aceitação há algumas possibilidades de algo novo.

Tréplica: 
Acho interessante, mas isso se aplica ao indivíduo, não necessariamente à coletividade, onde não damos as regras nem temos as rédeas da situação toda nas mãos.  Foi como o preventivo Stephen Jay Gould disse em 1991: “Temos que aprender a negociar com a Terra, porque para o planeta nós não temos relevância alguma.”  Tem até uma coincidência da sua antevisão com a do Roegen, que sabia também um tanto de paleontologia: ambos disseram que depois da vida complexa, só a vida bacteriana continuaria ainda banhada em sol, viajando com o planeta pelo nosso sistema solar.

Nunca esqueci uma passagem bíblica no livro “A Luz da Manhã” de Pearl Buck, que relatou a luta ensandecida para alcançar a bomba atômica em uma cidade de cientistas nos Estados Unidos: “Por ventura foste tu que deste lei à luz da manhã”, pergunta Deus a Joh.  A resposta dos cientistas é um sonoro não. Caímos do pedestal, não determinamos absolutamente nada, as coisas que criamos empalidecem totalmente diante da natureza da qual dependemos para estar vivos.   Não dá nem para entender a razão da nossa soberba, só um mísero serviço que a Amazônia nos presta requereria 50.000 Itaipus para ser reproduzido.  Por isso, sem a Amazônia todos estaremos mortos e, mesmo assim, estamos destruindo esse bioma e outros diariamente, para acordar todos os dias com cada vez menos natureza.  E ter. Não sei o quê, mas ter.

Esse livro eu li uma excelente tradução, da época que traduções eram boas e regiamente pagas, antes do sistema de trabalho escravo análogo no qual vivemos, mas que todos vangloriam porque reduziram os custos.  Não dá mais para ler tradução hoje em dia.

Acho interessante ter esperança, mas ela tem que se pautar pelo intangível, algum processo completamente inesperado de mudança de consciência das pessoas que produza uma mudança tão radical no sistema atual que, após esse salto, os que sobreviverem, mal poderão acreditar que jogamos tanto com a nosso sorte como agora e a troco de nada, apenas por um punhado de notas emitidas por bancos centrais sem lastro algum para consumirmos o que não precisamos e sem sequer lembrar as palavras de Saramago: “Pobre é aquele que tem mais do que precisa para si.”

Imagina o que aconteceria com o atual sistema econômico de castas (não importa que nome damos a esse sistema, capitalismo, socialismo, comunismo, etc.) se todos pensassem como Saramago.

É disso que precisamos. Se vamos testemunhar, só o intangível sabe. De prático mesmo não temos nada.
(Hugo Penteado)

Um comentário:

carlos kao disse...

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1171779-termicas-geram-menos-energia-que-o-previsto-por-falta-de-combustivel.shtml

No Jornal Valor Econômico de hoje, saiu uma notícia dizendo que o
Ministro Lobão teve uma suspeita de AVC e está internado.