sexta-feira, 25 de maio de 2012

NÃO PRECISAMOS DE MAIS ENERGIA MAS DO FIM DO DESPERDÍCIO

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Argumentos errados, desconhecimento técnico, obstrução da realidade por interesses políticos são nuvens que levam a ... conclusões erradas.

É isso que Monbiot fez.  E o mais incrível, ao invés de ganhar críticos, ganhou aderentes.

A tese pró-energia nuclear do Monbiot é de "Tchernobyl causou poucas mortes e por isso podemos usar à vontade (?!?) - como se morrer ou não morrer fosse a única questão ligada aos problemas do Tchernobyl e como se quantidade de mortes fosse um fator decisório: se morrer pouco tudo bem, se morrer muito não. Bom, o trabalho fotográfico das crianças deformadas por Tchenobyl é bastante convincente. Basta uma delas para decidirmos contra.

http://4.bp.blogspot.com/-0nlcR7di_nE/TX1_UzqR-SI/AAAAAAAAAZs/pFi5qI4as38/s1600/Chernobyl%2B-%2Bvitimas%2B8.jpg

http://3.bp.blogspot.com/_6oLN9gArRqE/SfibhF_kAEI/AAAAAAAAB_c/In4-NauSClg/s400/nuclear-ChernobylCriancas.jpg

Outro argumento comum é que energia nuclear não emite carbono, que é outro mito, se levarmos em conta comissionamento e descomissionamento de usinas, do combustível usado, a mineração e o transporte do combustível, dos materiais, o compartimento dos resíduos dos quais 99% ainda hoje não tem destino final.  Enfim, não sofremos de falta de energia e sim de excesso de desperdício e não precisamos de mais energia e sim de menos, se quisermos reduzir os problemas que criamos e aumentar as chances de continuarmos na Terra.



terça-feira, 22 de maio de 2012

Green Economy Lab

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O conceito de Economia Verde nos traz algumas perguntas fundamentais. Quanto vale uma floresta em pé? É possível ganhar dinheiro, gerar empregos, qualidade de vida e desenvolvimento, e conservar o meio ambiente ao mesmo tempo? Se sim, como?
Convidamos você para uma imersão sem precedentes, na companhia de grandes especialistas no assunto, em uma região que possui uma das  maiores biodiversidades do planeta! Lá o dito desenvolvimento ainda está engatinhando. Por conta disso, milhares de hectares de florestas ainda estão intactas; e dezenas de comunidades ainda mantém sua cultura tradicional preservada, coexistindo em harmonia com a natureza.
Um cenário raro nos dias de hoje, e que pode  ser terreno fértil para pensarmos juntos em como deve ser essa Nova Economia.

A Aoka e o Núcleo Oikos, em parceria com o Instituto de Pesquisas Ecológicas – IPÊ, te convidam para essa experiência única. Junte-se a nós no desafio de pensar em soluções viáveis para contribuir com o desenvolvimento econômico sustentável e erradicação da pobreza!

De 9 a 11 de julho de 2012, pós Rio + 20.


Saiba mais:  http://www.aoka.com.br/pt.greeneconomy

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Polêmica do clima continua... num momento de acerto dessa ciência e de mudanças já observadas aceleradas...

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Dada esta entrevista no  talk-show de Jô Soares: http://programadojo.globo.com/platb/programa/2012/05/02/ricardo-augusto-felicio-afirma-que-o-aquecimento-global-e-uma-mentira/   Fico agradecido por comentários sobre a controversia e o entrevistado.   Cordialmente, (nome não autorizado) 

A seguinte frase no final da página é estarrecedora: "Ricardo (não este que vos escreve) também afirmou que o efeito estufa é uma física impossível e que a camada de ozônio é uma coisa que não existe."!!!!!! Alguém consegue me explicar??? Ricardo Casetta

RESPOSTAS:

Não creio que as centenas de documentos e artigos científicos publicados sobre as mudanças climáticas estejam errados. O custo de postergar as soluções é muito maior. (nome não autorizado)
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Casetta,

Ignore. Não tem mais como negar a mudança climática nem seu fator antropogenico. Isso é pagina virada. A discussão atual é sobre as consequências e o que fazer para mitigar.
A explicação é descrédito total. Mas devemos lembrar o que aconteceu no caso do buraco da camada de ozônio.  Quando os cientistas estabeleceram a relação de causalidade entre os gases CFC e o buraco, imediatamente a maior produtora desses gases criou um lobby para evitar o seu banimento que durou vários anos.  Esse lobby foi bastante ardiloso, desde financiar pesquisas contrárias àquela tese, até convencer a mídia que sempre estará mais sensível aos interesses econômicos do que mudar radicalmente esse sistema suicida-maluco no qual estamos.

A indústria de cigarros também mostrou o mesmo comportamento, quando não muitas décadas atrás havia propagandas de médicos que recomendavam o tabaco por fazer bem à saúde.  Jamais esquecerei Aristóteles com a frase que numa auto-crítica pode ser aplicada a todos nós: "quando os nossos interesses estão em foco, somos os piores juízes das nossas ações."  O complô contra a ciência do clima advindo da indústria do carvão que é o principal item de energia de países como Estados Unidos e China, além claro do petróleo, não é diferente dos casos dos cigarros, dos gases CFC, da indústria alimentícia cujos alimentos não nutrem e causam doenças, da indústria de remédios, da indústria automobilística, da indústria de armas, da agroindústria, e por aí vai.

O mais estranho é que ninguém naquela época disse às massas que sem a camada de ozônio não haverá vida sobre a Terra.  A boa notícia é que aquela empresa produtora do gás hoje está na vanguarda do movimento de sustentabilidade empresarial - boa notícia, mas sabemos também que tal movimento não passa nem de raspão na questão sistêmica e portanto mesmo com toda a preocupação empresarial com sustentabilidade, as variáveis críticas continuam em deterioração exponencial-acelerada e o mito de solução tecnológica, precificação da natureza, energia limpa, mecanismos de desenvolvimento-crescimento limpo, de problema único de energia, etc. continuam a todo vigor, enquanto a humanidade se dirige ao precipício sem mudar uma vírgula sequer na idéia estúpida de crescimento econômico infinito exponencial locupletador de poucos num sistema fechado e finito como a Terra.

No meio da fumaça que enegrece a visão, quem quiser olhar de verdade tem que ser muito corajoso, pois nas plutocracias atuais vencer os interesses particulares em detrimento do futuro das gerações futuras é uma tarefa impossível sem um 11 de Setembro ambiental que acorde a todos.  Que esse 11 de Setembro ainda deixe uma centelha para alguns poucos poderem continuar deve ser a nossa única esperança, porque mudar antes, como não mudamos até agora, e com toda a baboseira que inventaram para escamotear a realidade, a probabilidade de mudança sem uma catástrofe-coletiva-sistêmica é quase zero.

O cenário é esse. Goste ou não é o que dá para fazer com as tendências megalomaníacas atuais.  Código florestal que o diga.

Hugo Penteado

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Vende-se a natureza

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Deveria ser completamente óbvio que isso - precificação da natureza - não vai evitar o desastre maior, por dois motivos: 1) já estamos em "overshooting" em relação a capacidade regenerativa da Terra e uma das várias evidências é a mudança mais rápida do clima e 2) nada substitui a necessidade de uma mudança geral no nosso sistema de valores e o total abandono da maluquice do crescimento econômico exponencial que só serve para locupletação de poucos.  No fundo, é como se nada estivesse sendo feito, embora tenha a falsa impressão de algo sendo feito.

Vende-se a natureza

30/4/2012 12:45,  Por Frei Betto
Às vésperas da Rio+20 é imprescindível denunciar a nova ofensiva do capitalismo neoliberal: a mercantilização da natureza. Já existe o mercado de carbono, estabelecido pelo Protocolo de Kyoto (1997). Ele determina que países desenvolvidos, principais poluidores, reduzam as emissões de gases de efeito estufa em 5,2%.
Reduzir o volume de veneno vomitado por aqueles países na atmosfera implica subtrair lucros. Assim, inventou-se o crédito de carbono. Uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) equivale a um crédito de carbono. O país rico ou suas empresas, ao ultrapassar o limite de poluição permitida, compra o crédito do país pobre ou de suas empresas que ainda não atingiram seus respectivos limites de emissão de CO2 e, assim, fica autorizado a emitir gases de efeito estufa. O valor dessa permissão deve ser inferior à multa que o país rico pagaria, caso ultrapassasse seu limite de emissão de CO2.
Surge agora nova proposta: a venda de serviços ambientais. Leia-se: apropriação e mercantilização das florestas tropicais, florestas plantadas (semeadas pelo ser humano) e ecossistemas. Devido à crise financeira que afeta os países desenvolvidos, o capital busca novas fontes de lucro. Ao capital industrial (produção) e ao capital financeiro (especulação), soma-se agora o capital natural (apropriação da natureza), também conhecido por economia verde.
A diferença dos serviços ambientais é que não são prestados por uma pessoa ou empresa; são ofertados, gratuitamente, pela natureza: água, alimentos, plantas medicinais, carbono (sua absorção e armazenamento), minérios, madeira etc. A proposta é dar um basta a essa gratuidade. Na lógica capitalista, o valor de troca de um bem está acima de seu valor de uso. Portanto, tais bens naturais devem ter preços.
Os consumidores dos bens da natureza passariam a pagar, não apenas pela administração da “manufatura” do produto (como pagamos pela água que sai da torneira em casa), mas pelo próprio bem. Ocorre que a natureza não tem conta bancária para receber o dinheiro pago pelos serviços que presta. Os defensores dessa proposta afirmam que, portanto, alguém ou alguma instituição deve receber o pagamento – o dono da floresta ou do ecossistema.
A proposta não leva em conta as comunidades que vivem nas florestas. Uma moradora da comunidade de Katobo, floresta da República Democrática do Congo, relata:
“Na floresta, coletamos lenha, cultivamos alimentos e comemos. A floresta fornece tudo, legumes, todo tipo de animal, e isso nos permite viver bem. Por isso que somos muito felizes com nossa floresta, porque nos permite conseguir tudo que precisamos. Quando ouvimos que a floresta poderia estar em perigo, isso nos preocupa, porque nunca poderíamos viver fora da floresta. E se alguém nos dissesse para abandonar a floresta, ficaríamos com muita raiva, porque não podemos imaginar uma vida que não seja dentro ou perto da floresta. Quando plantamos alimentos, temos comida, temos agricultura e também caça, e as mulheres pegam siri e peixe nos rios. Temos diferentes tipos de legumes, e também plantas comestíveis da floresta, e frutas, e todo de tipo de coisa que comemos, que nos dá força e energia, proteínas, e tudo mais que precisamos.”
O comércio de serviços ambientais ignora essa visão dos povos da floresta. Trata-se de um novo mecanismo de mercado, pelo qual a natureza é quantificada em unidades comercializáveis.
Essa ideia, que soa como absurda, surgiu nos países industrializados do hemisfério Norte na década de 1970, quando houve a crise ambiental. Europa e EUA tomaram consciência de que os recursos naturais são limitados. A Terra não tem como ser ampliada. E está doente, contaminada e degradada.
Frente a isso, os ideólogos do capitalismo propuseram valorizar os recursos naturais para salvá-los. Calcularam o valor dos serviços ambientais entre US$ 16 e 54 trilhões (o PIB mundial, a soma de bens e serviços, totaliza atualmente US$ 62 trilhões). “Está na hora de reconhecer que a natureza é a maior empresa do mundo, trabalhando para beneficiar 100% da humanidade – e faz isso de graça”, afirmou Jean-Cristophe Vié, diretor do Programa de Espécies da IUCN, principal rede global pela conservação da natureza, financiada por governos, agências multilaterais e empresas multinacionais.
Em 1969, Garret Hardin publicou o artigo “A tragédia dos comuns” para justificar a necessidade de cercar a natureza, privatizá-la, e assim garantir sua preservação. Segundo o autor, o uso local e gratuito da natureza, como o faz uma tribo indígena, resulta em destruição (o que não corresponde à verdade). A única forma de preservá-la para o bem comum é torná-la administrável por quem possui competência – as grandes corporações empresariais. Eis a tese da economia verde.
Ora, sabemos como elas encaram a natureza: como mera produtora de ‘commodities’. Por isso, empresas estrangeiras compram, no Brasil, cada vez mais terras, o que significa uma desapropriação mercantil de nosso território.
Frei Betto é escritor e assessor de movimentos sociais
Artigo publicado originalmente no portal Adital