segunda-feira, 31 de outubro de 2011

CARRO SEM FREIO

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Sem a Amazônia estaremos todos mortos. Isso e ponto final.  Brasil sem a Amazônia sofrerá um colapso gigante. O Brasil poderia ser um exemplo de revisão desse paradigma econômico mundial doente que se baseian uma teoria econômica falsa (já escreveram isso tantas vezes que eu fico pasmo de nunca ter sido levado adiante uma revogação total desse modelo).

De qualquer forma, o ser humano é o centro de tudo, do ponto de vista biológico, nada diferencia o ser humano dos demais animais, escreveu Charles Darwin.  Somos a única espécie com capacidade de decretar a extinção da vida ou não desse planeta e já mais do que passou do tempo de fazermos alguma coisa.

O ser humano é o centro e é ele que irá coletivamente decidir onde iremos terminar nessa viagem em um carro em uma estrada com visibilidade zero, mas onde temos certeza existe um precipício (resiliência da natureza). Esse carro não tem mais freio (atrasos ecológicos sistêmicos) e agora só dá para tirar o pé do acelerador e rezar para o carro parar antes do precipício.

Não sei se conseguiremos, só sei que até agora o que estamos fazendo é pisar o pé no acelerador.

Hugo Penteado
              
Prezados,
estamos vivendo um momento crucial para o futuro do Meio Ambiente no Brasil. O PLC 01/10, aprovado ontem no Senado, caso não seja vetado por Dilma, decreta o descontrole total do desmatamento em todos os Biomas. O IBAMA estará LEGALMENTE IMPEDIDO de fiscalizar desmatamentos de qualquer natureza, pesca, extração mineral, degradação de empreendimentos licenciados pelos Estados e Municípios. Com todo respeito aos colegas que trabalham no Estado, sabemos o que isto significa. Os Estados e Municípios não conseguirão frear os desmatamentos. Bem  ou mal, sabemos que o IBAMA é que tem segurado as pontas no Meio Ambiente deste país. Não podemos permitir que isto aconteça, que continuem passando o rolo compressor em cima de nossas Leis Ambientais e agora do órgão que dá seu sangue e suor para a defesa ambiental neste país! Caso alguém pense que os servidores do IBAMA estão apenas precupados com seu umbigo e emprego, informo que nossos salários continuarão sendo pagos, nossa demanda de trabalho diminuiria consideravelmente. Esta não é a questão. Vestimos a camisa do IBAMA e da proteção ao Meio Ambiente, este Projeto Decreta o fim do IBAMA, e a liberação para os desmatadores e degradadores ambientais em geral.
Abaixo, um texto de um colega do IBAMA, vale a pena ler até o fim. Faço minhas as palavras dele, é exatamente assim que me sinto.
Com lágrimas nos olhos,
 Andréia da Mata Lula
Analista Ambiental
IBAMA/BA
Olá Colegas,

Bom... Para aqueles que ainda não ficaram sabendo da maior novidade sobre o futuro do IBAMA, eu informo. Por 41 votos a favor, 07 contra e 01 abstenção, o Senado Federal aprovou, no ontem, o Projeto de Lei da Câmara – PLC 01/10. O PLC visa estabelecer as competências da União, Estados e Municípios na fiscalização e autuação ambiental.
De acordo com o texto que foi aprovado pelos senadores, apenas os órgãos que licenciam poderão emitir as multas em caso de descumprimento da legislação.
Eu te pergunto caro colega Agente Ambiental Federal. O que você pensa em fazer da sua vida profissional daqui alguns meses? Consegue me dizer o que será de ti e de mim?
Isso tudo é no mínimo revoltante... Quem é fiscal sabe muito bem que os Estados (não vou nem falar dos municípios) não têm condição nenhuma de ficarem,  sozinhos,  responsáveis pelo controle e regulação de recursos naturais. Eu mesmo cansei de receber no Ibama fiscais do Estado que vinham dizendo: “Cara! Tem um desmatamento gigantesco em tal lugar. Tem como vocês do IBAMA irem lá autuar?” Eu sempre digo: “Por que você mesmo não autua?” E eles sempre respondem: “Não adianta... A gente autua e os processos somem, são cancelados ou prescrevem nos armários. Ou ainda, caso eu autue, posso sofrer retaliações graves.”
Em uma vez dessas nós atendemos ao pedido do colega servidor do Estado e fomos lá, lavramos o AI e embargamos. Acontece que no outro dia o autuado apresentou outro AI do Estado datado do dia anterior. O fiscal do Estado nem se deu o trabalho de ir até o local. Fez cópia fiel do AI do IBAMA, inclusive com as mesmas coordenadas geográficas. Quem está acostumado a trabalhar com GPS sabe que é humanamente impossível obter as mesmas, idênticas, coordenadas geográficas de um polígono, mesmo que seja uma medição do mesmo fiscal.
O motivo de ter dois AI’s é óbvio! Permanece o primeiro AI, o do Estado. E esse ele tem como “negociar”. O do IBAMA não, ou se sim, com maior dificuldade.
Sem contar o outro caso que nós notificamos o proprietário a comparecer em 2 (dois) dias no escritório para prestar informações sobre as atividades do seu imóvel rural. O cara apareceu já com o AI do Estado dizendo que nem precisava o IBAMA autuar porque o Estado já tinha chegado primeiro. Chegou uma ova! Ficamos sabendo que o fazendeiro foi até o escritório do OEMA e pediu pelo amor de Deus que o autuassem antes do IBAMA.
A interferência política nos Estados é um nojo. Isso é público e descaradamente notório. Conte aí colega! Quantos fiscais estaduais têm em seu Estado? Vamos jogar por alto. Será que com o dobro de servidores o Estado consegue fazer 10% do que você com os seus colegas do IBAMA do seu estado fazem? Não é desmerecimento do trabalho dos fiscais estaduais não. São lutadores como todos nós, porém eles não têm autonomia nenhuma. Só fazem aquilo que os Secretários (Indicados políticos) os mandam. E quando mandam é em época de eleição, quando se impõem dificuldades para vender facilidades. Sem contar que todos estão engessados por falta de recursos básicos como veículos, GPS, papel, caneta...
Senhores! Tenho certeza que não lhe traz nenhum espanto a Senadora Kátia Abreu ser relatora do projeto. Ela e seu filho (Deputado Estadual) já sentiram o peso da caneta do IBAMA. Olha só o que ela disse e veja se não te causa uma revolta:
“O projeto aprovado é um dos maiores avanços na questão ambiental”.
“O Ibama não é a Santa Sé, ele não está acima de qualquer suspeita”.
Como se não bastasse olha só o que o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) disse:
“Vamos tirar essas prerrogativas ditatoriais do Ibama. O Ibama quer parar o Brasil, não vai parar, não.
Como é que é cidadão?
To falando com você! Pessoal das antigas. Vocês que me fizeram olhar pro IBAMA de hoje e ver nele aquilo que eu sempre quis ser e fazer da minha vida. Que sempre encheram de orgulho seus amigos, suas esposas, seus filhos... Falo pra você amigo daqueles de deram a vida executando a sua função de Agente Ambiental Federal. Falo pra você que veio pro IBAMA sabendo o que ia fazer. Que sabia da importância de trabalhar num órgão como esse e tem feito, na medida do possível, a sua parte. Falo pra você que caiu aqui de pára-quedas e descobriu um lugar cheio de heróis. Que descobriu no IBAMA uma razão ideológica pra não seguir vazio. Que antes era mais um que falava mal deste órgão e por ironia do destino acabou vindo trabalhar aqui e hoje não aceita que deturpem a imagem criada com sangue e suor seu e de seus colegas. Pra você que está há dias em operação em qualquer lugar desse país longe das pessoas que você ama. Pra você que é chefe de Divisão de Fiscalização que se vê tão perdido quanto os demais e não sabe dar notícia pros seus comandados de como a coisa vai ficar. Que consegue ver certo ar de dúvida nas pessoas pelos corredores, até daquele tranqüilão que sempre diz: Só sei que pra algum lugar vão ter que me mandar, não interessa onde.
Quando eu estava estudando pro concurso em 2008, em busca do meu sonho, nunca imaginei um dia o IBAMA fosse se diluir e se reduzir a quase nada. Mas ainda bem que entrei e pude fazer parte dessa história. Outro dia estava na universidade onde me formei Engenheiro Ambiental e fui apresentado a um grupo de acadêmicos do mesmo curso. Pude ver que muitos sonham trabalhar aqui. Fazer o que fazemos. Ser o que somos. Temo que outras pessoas não tenham a mesma sorte que tive.
E então... Vai ficar aí parado? Vai falar alguma coisa? Vai lamentar? Vai esperar com a boca aberta cheia de dentes?
Ainda dá tempo. A presidenta ainda pode vetar. Só a pressão popular nesse momento a fará mudar de idéia. Divulgue que é contra a aprovação dessa atrocidade que é o Projeto de Lei da Câmara – PLC 01/10. Seja onde for... No facebook, Orkut, skype, MSN, na mesa do bar com os amigos enquanto toma aquela merecida cerveja depois de um dia de trabalho. Se você trabalha aí em Brasília, organize ou mesmo junte-se aos movimentos que sem dúvida irão perturbar a cabeça da Dilma. Faça a diferença!
Soneto de Fidelidade - Vinícius de Moraes

“De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.”




Wallace Rafael Rocha Lopes
Agente Ambiental Federal - IBAMA/SUPES/TO

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terça-feira, 25 de outubro de 2011

A insustentabilidade segue inalterada, até o momento desse escrito...

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Tantas práticas, sem abordagem sistema e mudança de paradigma, só serviram para um processo de embelezamento... Infelizmente nunca colocou a atenção onde deveria estar: nas falhas desse modelo, que gera resíduos e problemas do começo até o fim.  Nada foi resolvido, ao contrário, nenhuma das variáveis ambientais que mais importam pararam de piorar. Ao contrário.
A soma das partes não dá o todo, todas as empresas se declaram sustentáveis com foco em mudanças marginais nas suas atividades e mantendo o modelo de crescimento eterno e, no final, a soma continua a mesma: fim da vida na Terra.

Está mais do que na hora do sistema parar de se endeusar e receber críticas externas a ele.  Esse processo de autogovernança, autoavaliação, autocriação de critérios, automarketing está acima do esperado do bom senso e assume que não há vida inteligente na face da Terra.

Faltou dizer qual foi a pegada ecológica de "mais" esse evento.

'Economia sustentável é dever de todos'
Para especialista, mudança de modelo deve partir das empresas, do governo e da sociedade civil em conjunto 


Coordenador da FGV se diz otimista sobre papel empresarial, mas ainda aponta dúvidas sobre as ações governamentais

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Quatro dias de debates, dezenas de palestrantes locais e estrangeiros e centenas de participantes marcaram a oitava edição do Eima (Encontro Ibero-Americano de Desenvolvimento Sustentável), realizado entre os dias 17 e 20 na sede da FGV (Fundação Getulio Vargas) em São Paulo. Para falar sobre os resultados do evento, a Folha entrevistou um de seus organizadores, o coordenador do LabIES (Laboratório de Inovação, Empreendedorismo e Sustentabilidade) da FGV, Ademar Bueno. (AP)
Folha - Quais são as principais conclusões dos debates e reuniões realizados no Eima? 
Ademar Bueno -
 Entre as diversas conclusões, destaco a importância da cooperação internacional para o desenvolvimento de um novo modelo de economia verde ou sustentável.
Fica cada vez mais claro que o modelo econômico criado no século 20 não serve mais para o futuro do planeta. Ao pensar em novos modelos de negócio que sejam sustentáveis, ou seja, que levem em conta aspectos não apenas econômicos, mas também sociais e ambientais, o Brasil tem muito a aprender e oferecer aos outros países. Se o tema da sustentabilidade e suas implicações são globais, as soluções deverão caminhar no mesmo sentido.

Entre os temas debatidos, quais geraram maior controvérsia? 
A maior controvérsia sempre surge quando se debate qual é o agente da sociedade que deve co meçar de fato essa mudança para um modelo de desenvolvimento sustentável. Se esse papel cabe às empresas, ao governo ou mesmo às organizações da sociedade civil. Pessoalmente, acho que a resposta vem de uma combinação de todos esses segmentos.

Em que estágio esses agentes se encontram em relação ao tema?
Do ponto de vista empresarial, as expectativas são bastante otimistas, pois empresas, embora de modo ainda não muito claro e organizado, já vêm tomando a frente no desenvolvimento de programas de sustentabilidade. A sociedade brasileira, de modo ainda tímido, começa a responder quanto à sua insatisfação com o modelo atual. Quando apontamos para o lado governamental, no entanto, o que vemos é uma certa dúvida sobre como ele pode coordenar ações, leis ou regulamentações que facilitem os demais agentes, sobretudo as empresas, a optar por modelos ou tecnologias mais sustentáveis.

A FGV lançou o La bIES (Laboratório de Inovação, Empreendedorismo e Sustentabilidade) durante o evento. O que é o laboratório e como ele funcionará? 
O Laboratório de Inovação, Empreendedorismo e Sustentabilidade foi criado dentro da Escola de Economia da GV. Seu maior objetivo, além de trabalhar o tripé Ensino-Pesquisa-Extensão, é o de ser um grande incentivador para a cooperação internacional, ajudando no desenvolvimento de novos modelos econômicos e de negócios sustentáveis para empreendedores Brasil. A Getulio Vargas tem essa tradição de inovação em novos modelos de aprendizagem, e o LabIES funcionará sempre com modelos de parcerias locais e internacionais voltadas para o avanço de novos modelos. 

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

QUADRO VIVO DE GICA MESIARA, uma empresa alinhada com o futuro

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September 28, 2011 12:52 am
New frontiers: redrawing the map
By Richard Lapper
This article was published in Financial Times: http://www.ft.com/cms/s/0/5063e8ca-e864-11e0-8f05-00144feab49a.html#ixzz1bhim7iRh
Not so long ago, Gica Mesiara spent sleepless nights wondering how on earth Quadro Vivo, her interior design business, would survive. But this year the 37-year-old entrepreneur and pioneer of hanging and other vertical gardens has been besieged by offers of investment from private equity groups. “They have started to sound me out,” says Ms Mesiara, who grew up in a poor suburb of São Paulo but now runs a business that turns over about R$4m ($2.2m) a year and employs more than 100 people.
The rags-to-riches story exemplifies the way increasing numbers of small and medium-sized businesses move out of the informal economy and into the mainstream of Brazilian economic life, helped by economic stability and prosperity linked to the expansion of the country’s consumer markets, and the strength and attractions of its raw material exports.
Both local and international private equity groups have been falling over themselves in an effort to win part of the action, in a trend that is now beginning to spread to other emerging markets in Latin America, the Middle East and Africa. Since returns in developed markets are currently depressed and the outlook for conventional investment opportunities is uncertain, institutional investors are set to increase their allocations to faster-growing, more dynamic developing countries.
Earlier this year, research by the Emerging Markets Private Equity Association (EMPEA) and Coller Capital suggested that allocations to such developing nations may rise from current levels of 11-15 per cent of the total to up to 20 per cent over the next two years.
Last month, the EMPEA reported growth in private equity activity across the emerging markets, with 89 funds raising $22.6bn in the first half of this year, compared with $23.5bn raised in all of 2010. China and India – the focus of private equity emerging market interest in recent years – account for more than half the money raised, but the industry is increasingly prepared to cast its net further afield. For example, so far this year deals have been completed in such unlikely destinations as Madagascar, Honduras, Mongolia and Laos.
“Interest has increased significantly,” says Erica Berthou, corporate partner and member of the private equity group at Debevoise & Plimpton, the New York-based law firm. “It’s expanded from Asia to the Middle East, Brazil, Latin America and Africa.”
Brazil, though, has been at the heart of this expansion, with local investors leading the charge. Since the beginning of the year, four separate billion-dollar-plus funds have been formed, putting the country on track to raise a record-breaking $6bn in private equity commitments in 2011.
BTG Pactual, the Brazilian investment bank, started the ball rolling with a $1.5bn fund raised in June. Gávea, the Rio de Janeiro fund manager in which JP Morgan took a 55 per cent stake earlier this year, followed on with a $1.8bn fund in the same month. Subsequently Vinci Partners raised $1.4bn in July and Patria, a group in which Blackstone of the US owns a 40 per cent stake, has launched a $1.25bn fund. Smaller deals include a $315m effort from Axxon, a Brazil-based specialist in small and medium-sized business that targets investments of between $15m and $50m.
These investors are focusing on three areas. First there are the small privately held businesses such as Gica Mesiara’s Quadro Vivo (which has not taken up the offers of investment). The growth of these businesses has been linked to the expansion of consumption, both among well-off and low-income groups. Although the family-owned businesses – which still dominate sectors such as retail and consumer goods, especially in the more remote north-eastern and centre-west Brazilian states – are cash rich and reluctant to cede control, a substantial number have chosen to do so. For example, Quero-Quero, a Rio Grande do Sul-based retailer, has grown rapidly since Advent International acquired a R$200m ($115.4m), 96 per cent stake in the company in 2008.
The sectors being targeted range from logistics and media to areas such as private education and healthcare services, whose growth has been closely linked to demand from better-off lower income groups. Sometimes the choices can seem surprising. Vinci and Gávea, for example, partnered with a third operator, Kinea, to buy for $300m a 47.2 per cent stake in Unidas, a car rental company.
Second, private equity investors have targeted possible investments in roads, railways, energy installations, ports and other infrastructure. Finally, Brazil’s raw materials base – its oil, gas and mineral resources and its strength as a producer of a range of food products and bio-fuels – has also attracted interest.
The deep-sea oil resources of the pre-salt reserves have been one focus; agriculture has been another. Although restrictions on foreign ownership of land have made the sector difficult for international investors, local players have recently been active. At the beginning of September, for example, Brazil Agronegócio FIP, a private equity fund managed by BRZ Investimentos, one of Brazil’s largest asset-management companies, joined forces with the UK-based investment group Agrifirma to launch a new farmland development company.
BAF will invest R$130m in the new company, whose farmland assets are concentrated in the west of Bahia state at the heart of Brazil’s new north-eastern agricultural frontier known as Mapitoba (an acronym which includes the first two letters of three other states: Maranhão, Piauí and Tocantins).
EMPEA believes that in spite of the growing appetite, “the range of opportunities is more than sufficient to sustain investment from a globally diverse set of investors and deliver generous returns for limited partners”. Even so, individual investment opportunities are being ever more hotly contested by fund managers, and with local investors ever keener to become involved, international players may choose to look elsewhere.
Diversification has certainly been a recent trend, with investments taking place in 54 separate countries in the first six months of the year. One highlight has been growing interest in Africa. In June, Helios Investment Partners, an independent firm set up five years ago by two former executives from TPG Capital, a large US buyout group, closed a $900m Africa fund. Among its first investments are Interswitch, a Nigerian payment processing company, Helios Towers Africa, a telecommunications company, Continental Outdoor, an advertising agency, and the downstreams fuels business in Africa of Shell, the international oil major.
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'Temos que abandonar o mito do crescimento econômico infinito'
DA BBC BRASIL 04/10/2011 - 08h41
Há vinte anos, a queda do Comunismo no Leste Europeu parecia provar o triunfo do capitalismo. Mas teria sido uma ilusão?
Os constantes choques no sistema financeiro internacional nos últimos anos levaram a BBC a perguntar a uma série de especialistas se eles acham que o capitalismo fracassou.
Neste texto, Tim Jackson, professor da Universidade de Surrey e autor do livro Prosperity without Growth --Economics for a Finite Planet (Prosperidade sem Crescimento: Economia para um Planeta Finito), defende o abandono do mito do crescimento infinito:
Toda sociedade se aferra a um mito e vive por ele. O nosso mito é o do crescimento econômico.
Nas últimas cinco décadas, a busca pelio crescimento tem sido o mais importante dos objetivos políticos no mundo.
A economia global tem hoje cinco vezes o tamanho de meio século atrás. Se continuar crescendo ao mesmo ritmo, terá 80 vezes esse tamanho no ano 2100.
Esse extraordinário salto da atividade econômica global não tem precedentes na história. E é algo que não pode mais estar em desacordo com a base de recursos finitos e o frágil equilíbrio ecológico do qual dependemos para sua sobrevivência.
Na maior parte do tempo, evitamos a realidade absoluta desses números. O crescimento deve continuar, insistimos.
As razões para essa cegueira coletiva são fáceis de encontrar.
O capitalismo ocidental se baseia de forma estrutural no crescimento para sua estabilidade. Quando a expansão falha, como ocorreu recentemente, os políticos entram em pânico.
As empresas lutam para sobreviver. As pessoas perdem seus empregos e em certos casos suas casas.
A espiral da recessão é uma ameaça. Questionar o crescimento é visto como um ato de lunáticos, idealistas e revolucionários.
Ainda assim, precisamos questioná-lo. O mito do crescimento fracassou. Fracassou para as 2 bilhões de pessoas que vivem com menos de US$ 2 por dia.
Fracassou para os frágeis sistemas ecológicos dos quais dependemos para nossa sobrevivência.
CRISE E OPORTUNIDADE
Mas a crise econômica nos apresenta uma oportunidade única para investir em mudanças. Para varrer as crenças de curto prazo que atormentaram a sociedade por décadas.
Para um compromisso, por exemplo, para uma reforma radical dos mercados de capitais disfuncionais.
A especulação sem controle em commodities e em derivativos financeiros trouxeram o mundo financeiro à beira do colapso há apenas três anos. Ela precisa ser substituída por um sentido financeiro mais longo e lento.
Consertar a economia é apenas parte da batalha. Também precisamos enfrentar a intrincada lógica do consumismo.
Os dias de gastar dinheiro que não temos em coisas das quais não precisamos para impressionar as pessoas com as quais não nos importamos chegaram ao fim.
Viver bem está ligado à nutrição, a moradias decentes, ao acesso a serviços de boa qualidade, a comunidades estáveis, a empregos satisfatórios.
A prosperidade, em qualquer sentido da palavra, transcende as preocupações materiais.
Ela reside em nosso amor por nossas famílias, ao apoio de nossos amigos e à força de nossas comunidades, à nossa capacidade de participar totalmente na vida da sociedade, em uma sensação de sentido e razão para nossas vidas. http://www1.folha.uol.com.br/bbc/985227-temos-que-abandonar-o-mito-do-crescimento-economico-infinito.shtml

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Pobres que trabalham e estudam têm jornada maior que operários do século XIX

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http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/pochmann-pobres-que-trabalham-e-estudam-tem-jornada-maior-que-os-operarios-do-seculo-xix.html

1 de outubro de 2011 às 0:43
Pochmann: Pobres que trabalham e estudam têm jornada maior que operários do século XIX

por Fernando César Oliveira, site da UFPR, sugestão de Luana Tolentino

O economista Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), classificou ontem à noite em Curitiba como "heróis" os brasileiros de famílias pobres capazes de conciliar o trabalho com o estudo.

"No Brasil, dificilmente um filho de rico começa a trabalhar antes de terminar a graduação ou, em alguns casos, até mesmo a pós-graduação", observou Pochmann.

"Os brasileiros pobres que estudam e trabalham são verdadeiros heróis. Submetem-se a uma jornada de até 16 horas diárias, oito de trabalho, quatro de estudo e outras quatro de deslocamento. Isso é mais do que os operários no século XIX."

O presidente do Ipea foi um dos palestrantes na abertura da terceira edição do Seminário Sociologia & Política, ao lado da professora Celi Scalon (UFRJ), no Teatro da Reitoria da UFPR. "Repensando Desigualdades em Novos Contextos" é o tema geral do seminário. Promovido pelos programas de pós-graduação em Sociologia e em Ciência Política da instituição, o evento termina nesta quarta-feira (28).

Pochmann lembrou que o Brasil levou cem anos, desde a proclamação da República, em 1889, para universalizar o acesso das crianças e adolescentes ao ensino fundamental. "Mas esse acesso foi condicionado ao não crescimento dos recursos da educação, que permaneceram em torno de 4,1% ou 4,3% do PIB. Sem ampliar os recursos, aumentamos as vagas com a queda da qualidade do ensino."

Essa universalização do ensino fundamental, no entanto, não significa que 100% dos brasileiros em idade escolar estejam estudando. Segundo dados apresentados pelo dirigente do Ipea, ainda existem 400 mil brasileiros com até 14 anos fora da escola. Se essa faixa etária for estendida para 16 anos, a cifra salta para 3,8 milhões de pessoas.

"A cada dez brasileiros, um é analfabeto. E ainda temos cerca de 45% analfabetos funcionais. É muito difícil fazer valer a democracia com esse cenário."

Em sua fala, Marcio Pochmann também abordou temas como a redução da taxa de fecundidade das mulheres brasileiras, o crescimento da população idosa, o monopólio das corporações privadas transnacionais e a concentração da propriedade da terra.

"O Brasil não fez uma reforma agrária, não democratizou o acesso à terra. Temos uma estrutura fundiária mais concentrada do que em 1920, com o agravante de que parte dela está nas mãos de estrangeiros", afirmou o economista. "De um lado, 40 mil proprietários rurais são donos de 50% da terra agriculturável do país, e elegem de 100 a 120 deputados federais. De outro, 14 milhões trabalhadores rurais, os agricultores familiares, elegem apenas de seis a dez deputados."

Para Marcio Pochmann, a desigualdade é um produto do subdesenvolvimento. "Não que os países desenvolvidos não tenham desigualdade, mas não de forma tão escandalosa."

Nem revolucionário, nem reformista

Segundo o presidente do Ipea, a participação dos 10% mais ricos no estoque da riqueza brasileira não mudou nos últimos três séculos. Permanece estacionada na faixa percentual em torno de 70 a 75%.

"Somos um país de cultura autoritária, com 500 anos de história e menos de 50 anos de vivência democrática. O Brasil não é um país reformista e muito menos revolucionário", sentencia Pochmann. "A baixa tradição de uma cultura partidária capaz de construir convergências nacionais nos subordina a interesses outros que não os da maioria da população."

Marcio Pochmann afirmou que os ricos não pagam impostos no Brasil. "Quem tem carro, paga IPVA. Quem tem lancha, avião ou helicóptero, não paga nada. E o ITR [Imposto Territorial Rural] é só pra inglês ver", exemplificou. "Quem paga imposto no Brasil são basicamente os pobres."

Um estudo do Ipea teria demonstrado que os moradores de favelas pagam proporcionalmente mais IPTU do que os brasileiros que vivem em mansões. "Quem menos paga é quem mais reclama de imposto. Tanto que impostômetro foi feito no centro rico de São Paulo."

Pochmann observa que o tema das desigualdes não gera manifestações, não gera tensão. "Não há greve em relação às desigualdades."

Trabalho imaterial

Na avaliação de Márcio Pochmann, a sociedade mundial está cada vez mais assentada no que ele chama de "trabalho imaterial", associado a novas tecnologias de informação, como aparelhos celulares e microcomputadores. "O trabalhador está cada vez mais levando trabalho pra casa."

Essa sociedade do trabalho imaterial, conforme o dirigente do Ipea, pressupõe uma sociedade que tenha como principal ativo o conhecimento. "Pressupõe o estudo durante a vida toda, e o ensino superior apenas como piso."

Pochmann criticou ainda a forma como a comunidade acadêmica tem tratado o tema das desigualdades no país. "O tema tem sido apresentado de forma muito descritiva e pouco de enfrentamento real e efetivo. Em que medida a discussão está ligada a intervenções efetivas, a políticas que possam de fato alterar a realidade como a conhecemos?"

Na avaliação dele, a fragmentação e a especialização das ciências sociais aprofundariam o quadro de alienação sobre o problema das desigualdades.

"As pesquisas não mudam a realidade. Quem muda a realidade é o homem. Agora, as pesquisas, as teorias mudam o homem. Se mudarem o homem, ele muda a realidade. Nada nos impede de fazer isso, a não ser o medo, o medo de ousar."