quarta-feira, 25 de abril de 2012

Crescimento dos emergentes só se a vida planetária for extinta

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Chandran Nair tem razão ao dizer que a elite estudada da Índia aprende as mesmas besteiras que nós aprendemos em escolas ocidentais e voltam aos seus países sem a capacidade singular que teve o romeno Nicholas Georgescu-Roegen ao voltar a seu país de origem e perceber que seu aprendizado nos EUA de nada servia para seu país pobre, agrário e com falta de terras.

Foi a sua primeira crítica a esse pensamento econômico abismal. A solução para Romênia era uma ampla reforma agrária, mas no limite, o controle populacional.  Não deveria passar despercebido, porque 1200 cientistas e mais de 150 prêmios Nobel pediram o imediato estancamento do número populacional como medidas urgentes para evitar o precipício.

Não vamos enveredar para a questão populacional, apenas ler como crescimento de tudo (não só de pessoas, mas de energia limpa, de coisa-cacarecos, etc.) é a litania atual invencível, praticamente invencível.  Por essa linha, podemos dizer com segurança que seremos soterrados vivos. Já estamos sendo.

Hugo Penteado
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Nova onda de emergentes começa a se formar, diz indiano em livro

Economista do Morgan Stanley afirma que gastos altos deixarão o Brasil de fora
LUCIANNE CARNEIRO

DIVULGAÇÃO
RIO —O indiano Ruchir Sharma administra nada menos que US$ 25 bilhões em mercados emergentes pelo Morgan Stanley. E é com essa experiência que se propõe a explicar a expansão das economias emergentes na última década e apontar quais serão os novos vencedores em “Breakout Nations — In Pursuit of the Next Economic Miracles” (Nações em ascensão — em busca dos próximos milagres econômicos, em tradução livre). Recém lançado nos EUA — e previsto para chegar ao Brasil em agosto pela Campus/Elsevier — o livro lista Turquia, Indonésia, Sri Lanka, Filipinas, Tailândia, Polônia, República Tcheca, Coreia do Sul e Nigéria como nações que devem crescer acima das expectativas nos próximos anos. Sharma diz que o Brasil é um mercado chave. Mas, pressionado pelos gastos elevados do governo, deve continuar a crescer em ritmo fraco, de 3% ao ano. Além disso, a dependência de commodities deve ser tratada com atenção.

O GLOBO: O que houve de diferente para as economias emergentes na última década?
RUCHIR SHARMA: Se olharmos para os últimos 50 anos, o crescimento médio dos mercados emergentes foi de 5% ou pouco mais. Mas, se separarmos isso por décadas, o comportamento é diferente. Nos anos 50, 60 e 70, a taxa foi de 5%. Já nas décadas de 80 e 90, essa taxa desacelerou para 3,5%. O que vimos a partir de 2003 foi que a expansão dos emergentes se acelerou muito fortemente. De 2003 até 2007, antes da explosão da crise, o crescimento econômico foi de 7,5% ao ano. É uma força poderosa, quando a onda levanta todos os barcos. Em 2007, apenas três economias no mundo registraram contração, enquanto mais da metade teve crescimento superior a 5%. Este foi verdadeiramente um período de exceção, se considerarmos o contexto histórico. Em 2007, no auge do boom, esse crescimento foi tão uniforme que todos os mercados emergentes estavam indo bem e a metade deles estava crescendo acima de 5%.

O GLOBO: Qual a razão para esta forte expansão?
SHARMA: A razão para esse crescimento excepcional é, em parte, porque se começou de uma base pequena. Mas o motivo mais forte foi a onda global de liquidez, quando bancos centrais de todo o mundo injetaram recursos na economia, que foram direcionados aos emergentes. Isso reduziu significativamente o custo do capital. Outro fator que contribuiu foi o boom de exportação dos países emergentes, favorecido pelo consumo americano. Mas acho que em muitos países isso (o crescimento) foi mal interpretado. Esses países acharam que era tudo em função deles, de como mudaram e de como foi seu desempenho. Na minha opinião, no entanto, isso é muito longe de ser uniforme. A expressão Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) se tornou popular simplesmente porque são os quatro maiores emergentes, mas são mercados diferentes. A razão de países como Brasil e Rússia terem se beneficiado foi o crescimento ainda mais acelerado da China, o que elevou a demanda por commodities.

O GLOBO: E o que está mudando agora?
SHARMA: As taxas de crescimento das economias emergentes estão voltando à média histórica, que é de cerca de 5% ao ano. Isso ocorre porque o ritmo de expansão da China está desacelerando — o que terá impacto sobre a demanda por commodities — e as condições de dinheiro fácil estão se alterando.

O GLOBO: O que tanto atrai nos países emergentes?
SHARMA: O apelo de mercados emergentes sempre existiu. Mas apenas alguns conseguem manter um crescimento robusto. As chances de um país emergente crescer 5% ou mais em uma década é de uma a cada três. A possibilidade cai de uma a cada quatro se pensarmos em duas décadas. Apenas seis países — Malásia, Coreia, Cingapura, Tailândia, Taiwan e Hong Kong — mantiveram essa expansão por quatro décadas. E só dois — Coreia e Taiwan — cresceram 5% por 50 anos. As chances de um emergente sustentar crescimento forte por muito tempo são poucas. Se olhar para a lista de estrelas das últimas décadas, verá que é diferente da de hoje. A taxa de mortalidade dos países é tão alta quanto a de ações no mercado financeiro. Há algumas estrelas cadentes, mas poucas vencedoras permanentes.

O GLOBO: O que difere esses países que sustentam o crescimento?
SHARMA: Esta resposta é complicada, não há uma única fórmula vencedora. Se olharmos para Coreia e Taiwan, as razões são muito diversas, desde ter base industrial consolidada, câmbio competitivo e orientação para o exterior. Nenhum deles produz commodities. As chances de um país com economia baseada em commodities manter crescimento sustentado são poucas, pois os preços tendem a cair em algum momento.

O GLOBO: Quão arriscado é o crescimento do Brasil?
SHARMA: A questão das commodities sempre existiu. O verdadeiro problema do Brasil é o gasto elevado do governo e os impostos também elevados. O boom de commodities tem sido capaz de compensar esses problemas. O crescimento do Brasil de 4% na última década foi alto, se considerar a média do país, mas não foi tão impressionante que o de outros emergentes.

O GLOBO: A indústria está perdendo importância relativa na economia brasileira. Que consequências podemos ter?
SHARMA: Este é um tema importante hoje e tem a ver com a taxa de câmbio. As economias que se destacaram na última década tinham taxa de câmbio competitiva, o que o Brasil não tem. É a mais cara entre os emergentes. E vemos isso nos preços de hotéis e restaurantes, por exemplo. O fato de o Brasil ter déficit em conta corrente de 3% do PIB em pleno boom de commodities é intrigante. Se os preços caem, o que ocorre? Acho que o Brasil é capaz de resolver a questão central que é um governo grande, mas não será capaz de crescer em ritmo significativo. O grande risco é se os preços de commodities caírem, que espero para os próximos anos. A economia chinesa está se movendo em direção a um crescimento mais lento. Mas não vejo uma crise (no país). O Brasil faz um belo trabalho ao administrar sua macroeconomia, mas o que eu vejo é que as taxas de crescimento não serão muito expressivas. Algo em torno de 3%, enquanto outros emergentes crescerão 5% e os EUA, 2,5%.

O GLOBO: Como define as chamadas nações em ascensão?
SHARMA: O que define uma nação em ascensão é o crescimento acima das expectativas. Se a China cresce de 6% a 7% e a Índia, entre 5% e 6%, por que não são nações em ascensão? As pessoas esperam um crescimento maior. Se a China crescer 7% nos próximos anos vai desapontar muita gente. Outra questão para definir esses países é o nível de renda per capita. É importante saber a que clube o país pertence: quanto mais rico, mais difícil é o crescimento. Para um país com renda per capita de US$ 20 mil crescer 4% é muito expressivo. Por outro lado, esse crescimento é muito baixo para um país com renda de US$ 5 mil.

O GLOBO: Quais serão os próximos países que vão despontar?
SHARMA: Minha lista inclui Turquia, Indonésia, Sri Lanka, Filipinas, Tailândia, Polônia, República Tcheca, Coreia do Sul e Nigéria. Esses países serão capazes de crescer mais rápido do que as pessoas esperam. E a renda per capita também vai avançar. A Nigéria precisa de expansão de 6% a 7% para se sair bem e acho que vai conseguir. O mesmo deve ocorrer com a Indonésia. Países como Brasil e Índia terão oportunidades. Nas outras nações, no entanto, a surpresa deve ser maior e as oportunidades também.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Produzir mais fazendo de conta que o planeta não conta nem sua finitude...

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Precisa de água para tudo. Para produzir um automóvel (não lembro a estatística) usa-se uma quantidade extrema de água.  Tudo isso tem a ver com o ciclo de vida do produto que nos ajudaria a conhecer o impacto, evitar e mitigar, mas pouco sabemos sobre isso, enquanto nos debruçamos sobre tecnologias inúteis e mirabolantes de energia limpa, toda a parte do uso de matéria e seu impacto e sua tragédia segue inalterada.  Roegen falou muito sobre isso, pois não pode haver dúvida, estamos num ciclo econômico de descarte imediato e desperdício e nada fará mudar isso, exceto um colapso.

Hugo Penteado

Escassez de água ameaça vinda de gigante chinesa

Gigante Foxconn quer instalar fábrica em região que tenha grande disponibilidade de água

31/03/2012 - 08h52 . Atualizada em 31/03/2012 - 09h01 Maria Teresa Costa
A escassez de água nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (Bacias PCJ) ameaça deixar a região de Campinas fora da disputa pela instalação da taiwanesa Foxconn. O Correio apurou que a gigante na produção de displays exige que o local de instalação tenha investimento na área de logística e melhoria da infraestrutura, como o acesso a um aeroporto internacional, uma área extensa para instalação do parque fabril e grande capacidade energética e de água.

A água é um importante insumo da empresa, que a utiliza em resfriamento durante o processo de produção. Esse é o grande limitador da região de Campinas, afirmou uma fonte. Executivos da empresa percorreram a região recentemente e apenas a oferta de água não se enquadrou nos requisitos da Foxconn. A situação é crítica, porque para uma demanda total das cidades da bacia de 81 m3/s, a disponibilidade hídrica total é de 65 m3/s para atender 61 municípios.

O presidente da Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade (Investe São Paulo), Luciano Almeida, disse ontem que aguarda para o final de abril a definição do local onde a empresa vai instalar uma de suas unidades. Ele reconhece que a demanda por água é um fator limitante de investimentos na região de Campinas, mas diz que, no caso da Foxconn, não haverá pressão sobre a demanda. Ele não confirmou, no entanto, se Campinas é uma das candidatas a receber a fábrica.

Devido a cláusula de confidencialidade, que consta no protocolo de intenções assinado com a empresa, a Investe SP não disponibiliza informações como local de instalação, produção, datas, valores, número de empregos, entre outros, até que as negociações sejam concretizadas.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, José Afonso Bittencourt, disse que as conversas com a Foxconn continuam, mas a empresa está fazendo exigências que a cidade não poderá cumprir. Segundo o secretário, a taiwanesa quer que a Prefeitura faça uma doação de terreno de um milhão de metros quadrados. “Isso não tem condições, porque além de não termos uma área assim, não é política do município doar terrenos para atrair investimentos”, afirmou. Ele reconhece que a oferta de água é delicada na região, justamente por causa do intenso desenvolvimento dos últimos anos, mas segundo ele, o que pesa no momento é o terreno.

Para o ambientalista José Osório Coelho, aumentar a oferta de água exigirá grandes investimentos em busca de novos mananciais, redução de perdas, ampliação da oferta de água de reúso, economias, proteção de nascentes. “Hoje a bacia PCJ já está em situação complicada e as ações tem sido lentas. Basta ver que hoje apenas 45% do esgoto produzido nessa bacia é tratado”, afirmou.

Seis estados disputam sediar o local escolhido pela empresa: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Paraná - o local, em tese, precisa ter um solo livre de oscilações e ter garantias de fornecimento de energia e água pura. O presidente da Investe São Paulo disse que o projeto apresentado pela Foxconn possui três fases. A primeira seria a produção da Apple, a segunda, a unificação das fábricas que a empresa tem no Brasil em um só local e, a terceira, a fabricação de telas no País. Ao todo, serão investidos US$ 12 bilhões da gigante asiática no Brasil, para produção de ítens como telas sensíveis ao toque para aparelhos da Apple (iPad e iPhone) e outras marcas.
Minas Gerais é uma das principais candidatas a receber uma das unidades. O governo mineiro elaborou um plano de benefícios, que contempla infraestrutura, energia elétrica, água e o terreno e acertou que um terço do investimento da Foxconn no Brasil ocorrerá em uma cidade mineira.

A participação da Foxconn no capital social da fábrica de telas planas para iPad que vai se instalar em Minas Gerais será entre 25% e 30%. O investimento nacional ocorrerá por meio do grupo EBX, de Eike Batista, de duas ou três empresas de médio porte do setor de informática, e ainda pelo governo, via BNDESPar. Desta forma, a Foxconn ficaria com uma parcela minoritária e responsável pela gestão do empreendimento. O capital nacional dominaria o bloco de controle da empresa.

Fonte: http://correio.rac.com.br/correio-popular/noticias--correio-popular/113378/2012/03/31/escassez-de-agua-ameaca-vinda-de-gigante-chinesa.html

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Visão de um dos organismos mais importantes do mundo é pura fantasia com crescimento eterno...

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Segue para deleite de todos e vejam como tudo gira em torno da palavra crescimento (repetida várias vezes ad nauseum) sem se preocupar em dizer se isso será melhor para humanidade, se é possível, viável ou desejável, sem se ater às implicações. Economistas que acreditam que a economia pode ser maior que o planeta (Krugman, Stiglitz, Romer, Summers, enfim, quase todos) só sabem pensar dessa forma:

World Economic Outlook - IMF Abril 2012 - Foreword

Soon after the September 2011 World Economic Outlook went to press, the euro area went through another acute crisis.  Market worries about fiscal sustainability in Italy and Spain led to a sharp increase in sovereign yields. With the value of some of the banks’ assets now in doubt, questions arose as to whether those banks would be able to convince investors to roll over their loans. Worried about funding, banks froze credit. Confidence decreased, and activity slumped.

Strong policy responses turned things around. Elections in Spain and the appointment of a new prime minister in Italy gave some reassurance to investors. The adoption of a fiscal compact showed
the commitment of EU members to dealing with their deficits and debt. Most important, the provision of liquidity by the European Central Bank (ECB) removed short-term bank rollover risk, which in turn decreased pressure on sovereign bonds.

With the passing of the crisis, and some good news about the U.S. economy, some optimism has returned. It should remain tempered. Even absent another European crisis, most advanced economies
still face major brakes on growth. And the risk of another crisis is still very much present and could well affect both advanced and emerging economies. Let me first focus on the baseline. One must
wonder why, with nominal interest rates expected to remain close to zero for some time, demand is not stronger in advanced economies. The reason is that they face, in varying combinations, two main
brakes on growth: fiscal consolidation and bank deleveraging. Both reflect needed adjustments, but both decrease growth in the short term.

Fiscal consolidation is in effect in most advanced economies. With an average decrease in the cyclically adjusted primary deficit slightly under 1 percentage point of GDP this year, and a multiplier of
1, fiscal consolidation will be subtracting roughly 1 percentage point from advanced economy growth this year.  Bank deleveraging is affecting primarily Europe. While such deleveraging does not necessarily imply lower credit to the private sector, the evidence suggests that it is contributing to a tighter credit supply. Our best estimates are that it may subtract another 1 percentage point from euro areagrowth this year.

These effects are reflected in our forecasts. We forecast that growth will remain weak, especially in Europe, and unemployment will remain high for some time. Emerging economies are not immune to these developments. Low advanced economy growth has meant lower export growth. And financial uncertainty, together with sharp shifts in risk appetite, has led to volatile capital flows. For the most part, however, emerging economies have enough policy room to maintain solid growth. As is typically the case, such a statement masks heterogeneity across countries. Some countries need to watch overheating, while others still have a negative output gap and can use policy to sustain growth. Overall, while we have revised our forecast down somewhat from September, we still project sustained growth in emerging economies.

Turning to risks, geopolitical tension affecting the oil market is surely a risk. The main one, however, remains another acute crisis in Europe. The building of the firewalls, when it is completed, will represent major progress. If and when needed, funds can be mobilized to help some countries survive the effects of adverse shifts in investor sentiment and give them more time to implement fiscal
consolidation and reforms. By themselves, however, firewalls cannot solve the difficult fiscal, competitiveness, and growth issues some of these countries face. Bad news on the macroeconomic or political front still carries the risk of triggering the type of dynamics we saw last fall.

Turning to policy, many of the policy debates revolve around how best to balance the adverse short-term effects of fiscal consolidation and bank deleveraging versus their favorable long-term effects.
In the case of fiscal policy, the issue is complicated by the pressure from markets for immediate fiscal consolidation. It is further complicated by the fact that markets appear somewhat schizophrenic—
they ask for fiscal consolidation but react badly when consolidation leads to lower growth. The right strategy remains the same as before. While some immediate adjustment is needed for credibility, the search should be for credible long-term commitments—through a combination of decisions that decrease trend spending and put in place fiscal institutions and rules that automatically reduce spending and deficits over time. Insufficient progress has been made along these lines, especially in the United States and in Japan. In the absence of greater progress, the current degree of short-term fiscal  consolidation  appears roughly appropriate.

In the case of bank deleveraging, the challenge is twofold. As with fiscal policy, the first challenge is to determine the right speed of overall deleveraging. The second is to make sure that deleveraging
does not lead to a credit crunch, either at home or abroad. Partial public recapitalization of banks does not appear to be on the agenda anymore, but perhaps it should be. To the extent
that it would increase credit and activity, it could easily pay for itself—more so than most other fiscal measures.

Turning to policies aimed at reducing risks, the focus is clearly on Europe. Measures should  be taken to decrease the links between sovereigns and banks, from the creation of euro level deposit
insurance and bank resolution to the introduction of limited forms of Eurobonds, such as the creation of a common euro bill market. These measures are urgently needed and can make a difference were
another crisis to take place soon. Taking one step back, perhaps the highest priority, but also the most difficult to achieve, is to durably increase growth in advanced economies, and especially in Europe.

Low growth not only makes for a subdued baseline forecast, but also for a harder fiscal adjustment and higher risks along the way. For the moment, the focus should be on measures that increase demand. Looking forward, however, the focus should also be on measures that increase potential growth. The Holy Grail would be measures that do both. There are probably few of those. More realistically, the search must be for reforms that help in the long term but do not depress demand in the short term. Identifying these reforms, and addressing their potentially adverse short-term effects, should be very high on the policy agenda.

Olivier Blanchard
Economic Counsellor

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Mais uma luz na escuridão

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Mais uma luz na escuridão... Camila Moreno

Bato palmas para Camila Moreno. Ela vale 10 Pavan Sukhdev. Primeiro precisamos gerar escassez daquilo que é muito arriscado se tornar escasso, para depois criar mercado para aquilo que não tem mercado e nem questionamos como a solução do problema vai ser através daquilo que causou o problema, ou seja, o mercado.

Obviamente ela vai ser rechaçada, virar herege. Mas nós devemos ler tudo que ela escreve.

Meus parabéns para ela.

Hugo Penteado

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Linha do tempo do cinismo ambiental
Raquel Júnia
Na aula inaugural da EPSJV/Fiocruz, a pesquisadora Camila Moreno faz um histórico detalhado das Nações Unidas, das conferências sobre meio ambiente e explica o que está por trás do discurso da Economia Verde rumo a Rio+20.
Quase ninguém mais consegue negar que o mundo vive hoje uma crise ambiental - poluição do ar, do solo, das águas, extinção de espécies, inundações, desabamentos, falta d'água - enfim, inúmeras evidências de que há um desequilíbrio no meio ambiente. Mas o que pode ainda não estar tão claro é que, apesar de perversa para a maior parte das pessoas, a destruição dos bens naturais pode gerar lucros para uma minoria. E como isso acontece? Essa pergunta foi respondida na aula inaugural da EPSJV/Fiocruz com a conferência Rio+20: a quem serve a economia verde?, proferida por Camila Moreno, no último dia 22 de março. "Se existisse floresta por todos os lados, alguém pagaria por um espaço para que as araras pudessem se reproduzir? Se tivesse água limpa por todos os cantos alguém pagaria por água?", diz a pesquisadora. Ela explica que a Economia Verde carrega uma grande contradição: ela só produz riqueza quando há escassez dos recursos naturais.

 Camila Moreno, que é coordenadora de sustentabilidade da Fundação Heinrich Bölle acompanha há vários anos as convenções sobre clima e biodiversidade das Nações Unidas, definiu com riqueza de detalhes a história da ONU e da transformação da economia ao longo do tempo. "Para falar de Economia Verde e Rio+20, primeiro temos que falar sobre o que é uma Conferência das Nações Unidas. As Nações Unidas surgiram no mundo a partir de 1944, antes disso existia algo chamado a Liga das Nações", inicia a pesquisadora, que também é membro do GT de Ecologia Política do Conselho Latinoamericano de Ciências Sociais (Clacso) e do Conselho Internacional da Red por uma America Latina Libre de Transgenicos (RALLT). Com humor, Camila compara a Liga das Nações, que deu origem a ONU, com a reunião dos super-heróis dos desenhos animados "para salvar o mundo do mal". "Depois da 2ª Guerra Mundial é impossível pensar o mundo sem pensar o que é o multilateralismo, que é esse espaço construído pós 2ª Guerra Mundial - as Nações Unidas. E lá cada país tem direito a um voto. O voto de um país africano em tese vale o mesmo que o voto da Alemanha ou da França, mas o que acontece é que essa estrutura que se montou para justamente governar o mundo vem passando por profundas transformações e sendo profundamente questionada", diz. Ela explica que a formação de grupos de países, como os G7 e G20, fez uma alteração na correlação de forças dentro das Nações Unidas, dando mais poder às grandes potências.

A pesquisadora detalha também as transformações no conceito de economia, o que, para ela, é outro conhecimento fundamental para quem quer compreender a proposta de Economia Verde. Camila observa que a palavra economia vem da palavra grega ‘oikos', que significa cuidar da casa, ou seja, fazer toda a gestão do abastecimento, garantir que haja animais para a alimentação, plantio, etc. O dinheiro, símbolo da economia atual, também não era em papel ou moedas como é hoje. "Já foram utilizadas conchas, sementes de cacau, pecinhas de cerâmica. Uma série de coisas foi usada ao longo da história para que as pessoas trocassem e esse valor nas trocas permanecesse estável", comenta. De acordo com a pesquisadora, as ideias de economia ligadas a crescimento fazem parte da história mais recente. "Essas são ideias recentesna história. Porque quando a gente pensa em oikos, esse cuidar da casa não significa derrubar a casa dos outros, ocupar e passar por cima e ir crescendo e acumulando. Porque eu não posso crescer a ponto de expulsar os outros para fora da Terra. Talvez em algum momento eu possa construir naves espaciais e mandar todos os que sobram para outro planeta", ironiza.

Linha do tempo

Camila destaca vários momentos importantes para compreender como o mundo chega hoje à Rio+20 com a proposta oficial da Economia Verde como solução para a crise mundial. Seguindo a linha do tempo, a pesquisadora ressalta a realização da Conferência de Bretton Woods - quando foram criados o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) - e a Guerra Fria, que dividiu o mundo no bloco socialista e o bloco capitalista. Da mesma forma, a própria criação da ONU e da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), presidida pelo brasileiro Josué de Castro, é considerada um marco nesse processo. "Josué de Castro coloca bem claro que a fome e a questão da alimentação do mundo são problemas essencialmente políticos. Não é a toa que ele fala isso. Naquele tempo a estratégia da Guerra Fria, de como vencer o bloco comunista, foi fazer uma Revolução Verde baseada na ideia de transformar massivamente os ecossistemas do mundo em grandes monoculturas dependentes de sementes híbridas. Pela primeira vez na história, os camponeses teriam que comprar as sementes a cada colheita e usar todos os químicos que sobraram da 2ª Guerra", critica.

Entretanto, segundo Camila, houve quem questionasse o discurso da Revolução Verde. Outro marco importante para a pesquisadora é a publicação do livro Primavera Silenciosa, da bióloga norte-americana Rachel Carsons, em 1962. "Estudando os botos na costa da Califórnia, ela descobriu que toda a vida marinha está profundamente contaminada pelo uso cumulativo dos agrotóxicos, que entram na terra, permeiam o ciclo das águas e não saem da natureza. Ela diagnosticou não apenas a extinção de várias espécies, mas também que esses químicos e esses venenos atingem a maioria da população", relata. O livro, ressalta Camila, fez um grande sucesso e foi considerado a fundação do movimento ambientalista nos Estados Unidos, que depois se espalhou para outros países.

No início dos anos 70, outra publicação teve papel importante no processo que culminará com a Rio+20, mas dessa vez corroborando o pensamento de privatização da natureza.  Trata-se do texto A tragédia dos Bens Comuns, de Garret Hardin, que defendia a ideia de que tudo que é público está fadado a desaparecer. É nesse contexto, segundo Camila, que é realizada a primeira conferência da ONU sobre Meio Ambiente, em 1972, na cidade de Estocolmo. "Pela primeira vez esses países, dentro da estrutura das Nações Unidas, se juntam para pensar o meio ambiente humano. Mas o que acontece é que um ano depois dessa Conferência de Estocolmo, quando deveria ser lançada uma agenda para pensar como proteger o meio ambiente como um bem comum, acontece um grande baque na história com a Crise do Petróleo", aponta. A pesquisadora conta que nessa época é criada a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a economia entra na época da financeirização, ou seja, acaba o lastro das moedas em ouro. "Hoje, como não tem mais o ouro, como o dinheiro é todo virtual, como a nossa economia internacional é toda entregue ao capital financeiro, das bolsas de valores, o sistema econômico precisa dar um salto, e é esse salto que vai se cristalizar na Rio+20, onde o esforço será o de convencer o mundo de que agora entramos na era do capital natural", fala.

Nos anos 80, continua Camila, dois personagens - o então presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan, e a primeira ministra britânica Margareth Thatcher - protagonizaram outro momento importante na história: eles são os grandes defensores, bem como colocam em prática, as políticas neoliberais. A pesquisadora explica que as reformas implementadas pelos dois governantes, chamadas de "ajustes estruturais", consistiram em privatização e precarização dos direitos dos trabalhadores. "Essas medidas que de maneira geral  transformaram todas as economias do sul numa mesma época ficaram conhecidas como o Consenso de Washington", detalha. Além deste Consenso, de acordo com a pesquisadora, outro consenso também é forjado um ano antes - o relatório escrito pela primeira ministra noruguesa Gro Harlem Brundtland a pedido das Nações Unidas chamado Nosso futuro Comum, que traz pela primeira vez o termo desenvolvimento sustentável.  Camila destaca a semelhança do nome desse relatório com o título do documento para a Rio+20: O futuro que queremos. "Mas a pergunta que não quer calar é: quem queremos?  Essa é uma pergunta  que devemos fazer sempre, quem fala em nome de nós? A quem interessa?", alerta.

Queda do muro de Berlim

Para Camila, o ano de 1989, quando houve a queda do Muro de Berlim e o fim da Guerra Fria, também é outro período fundamental para entender a conjuntura do mundo. Pouco depois, em 1992, é realizada no Rio de Janeiro a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento - a ECO 92. "Para celebrar essa vitória de um sistema sobre o outro é que se realiza a Conferência do Rio, sob o governo do Collor, e que traz ao Rio 108 chefes de estado e de governo num momento histórico até hoje jamais repetido. Em nenhuma outra ocasião tantas autoridades mundiais estiveram juntas em um mesmo lugar", diz. Camila detalha que nessa Conferência, para dar uma justificativa à sociedade civil, são assinadas três convenções - sobre clima, diversidade biológica e combate à desertificação - os mesmos temas que estão na pauta da Economia Verde. "Vinte anos depois, o que a Conferência Rio+20 oferece é: o mercado do clima, da biodiversidade e do solo", protesta.

Apesar disso, segundo Camila, a sociedade civil não ficou pacífica diante das propostas de mercantilização dos bens naturais. Ela destaca movimentos de contestação que surgiram na década de 90. Em 1993, há a criação da Via Campesina; pouco tempo depois, o levante Zapatista, questionando o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta). "Em 1999, quando a OMC se reúne na cidade de Seattle (EUA), as ruas são tomadas pelo movimento anti-globalização, que pela primeira vez aparece. A reunião é suspensa, há barricadas e fogo na cidade, e a sociedade civil diz: ‘a vida não se vende, o mundo não é uma mercadoria'. Essa campanha dá início ao processo do Fórum Social Mundial", exemplifica.

Dez anos da ECO 92

 Seguindo a linha do tempo, a coordenadora de sustentabilidade da Fundação Heinrich Böll chega até o ano de 2002, quando foi realizada, em Joanesburgo, na África do Sul, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, também conhecida como Rio+10. Segundo a pesquisadora, a Conferência foi um fracasso porque os governos tiveram que reconhecer que muito pouco foi feito em 10 anos após a ECO 92. Nesse momento, a solução apresentada pelos países para os problemas ambientais, conforme relata Camila, são as parcerias público-privadas, e, assim, ganha força a ideia de que as empresas precisam ser sócias dos governos para a sustentabilidade acontecer. "Dez anos antes, na Rio 92, era impensável que uma empresa estivesse sentada dentro das Nações Unidas. Isso muda drasticamente em dez anos. O setor privado, as empresas e todas as instituições que visam o lucro começaram a se legitimar como parte de um processo de governar o mundo", reforça.  Em 2005, há uma vitória dos movimentos sociais com o plebiscito contra a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e também, de acordo com Camila, outro evento importante: o furacão Katrina nos EUA, que expõe a fragilidade do ambiente e das populações pobres frente as mudanças climáticas. "Quando há uma inundação é muito diferente o que acontece numa cobertura no Leblon e o que acontece nas periferias de São Paulo e do Rio, e essa fragilidade dos mais pobres ficou bastante evidente com o furacão Katrina", comenta. 

Mais uma vez, um outro relatório é definitivo na história: o documento chamado A Economia das Mudanças Climáticas, conhecido também como Relatório Stern, escrito em 2006 por Nicholas Stern, ex-economista chefe do Banco Mundial, sob a encomenda do governo da Inglaterra. Camila destaca que o documento vê oportunidades de negócios com o aquecimento global, como a produção de agrocombustíveis. Segundo a pesquisadora, a partir desse relatório, o termo economia de baixo carbono começa a ganhar peso nos discursos dos governantes. Já em 2008, seguindo a linha do tempo, explode a crise financeira. "Eu recomendo que vocês assistam ao filme Trabalho Interno - Inside Job um documentário brilhante sobre quem forma os economistas que conscientemente foram cúmplices da crise financeira, e sobre como o sistema se aproveita das crises para crescer. Ou seja, a crise ambiental não é um obstáculo ao capital, é uma oportunidade de negócios", diz.

Segundo Camila, é a partir daí que o discurso "verde" toma ainda mais forma. A pesquisadora destaca que governos do mundo inteiro já entraram em acordo sobre uma métrica para colocar preço nos serviços dos ecossistemas, como a polinização feita pelas abelhas, ou a renovação do ar. "O mercado de carbono é um mercado de compra e venda de direitos de poluir o ar. Hoje já existem dois projetos de lei que tratam sobre como será a legislação para determinar pagamento de serviços ambientais. Um dos principais serviços ambientais, que supostamente vale bilhões, é a polinização das abelhas. Mas a pergunta que não quer calar é: como eu pago as abelhas? Qual é o sindicato das abelhas? Quem vai receber em nome das abelhas?", brinca.

Hegemonia

A pesquisadora reforça o quanto o conceito de hegemonia é fundamental para compreender os consensos forjados ao longo da história, inclusive o que se aproxima, de defesa da Economia Verde, na Rio+20. "A Economia Verde diz, por exemplo, que as cidades são as mais eficientes e que é ineficiente viver no campo. Uma das tarefas da Economia Verde é esvaziar o campo porque é impossível vender pacotes tecnológicos de transmissão de energia eólica, energia solar e vender várias patentes para as pessoas que estão dispersas em assentamentos, para povos indígenas, quilombolas, que usam muito pouco dinheiro. O campo deve ser o local onde se vai produzir ecoturismo e vender pagamento por serviços ambientais. Mas é preciso pensar em uma pergunta bem básica: quem pode vender alguma coisa? Quem poderá vender serviços ambientais? Quem é proprietário de terra. E nós sabemos que o Brasil é o que tem a mais desigual concentração de terra do mundo. Então, quem irá vender e lucrar novamente será o agronegócio", conclui.

Camila encerrou sua apresentação falando sobre mais um dois instrumentos de implementação da Economia Verde em curso já no Brasil, a Bolsa Verde do Rio, e as recentes mudanças no Código Florestal brasileiro. "Durante a Rio+20 haverá um evento imperdível: o lançamento da Bolsa Verde do Rio. O que será vendido? Créditos de carbono, direitos de emissão de efluentes químicos na Baía de Guanabara, títulos das UPPs [Unidades de Polícia Pacificadora], porque para fazer bons negócios é preciso ter a pobreza pacificada e militarizada", afirma. Sobre o Código Florestal, ela explica que o principal capítulo da nova legislação fala justamente sobre incentivos financeiros, o que, para Camila é emblemático da Economia Verde. "O capítulo dez diz que cada hectare de cobertura vegetal que os proprietários de terra tenham poderá ser inscrito no cadastro rural. Dessa forma, será emitida uma cédula de cobertura vegetal, e uma vez emitindo essa cédula, o proprietário terá 30 dias para registrá-la na bolsa de valores, porque isso poderá ser comprado e vendido. Ou seja, a partir da aprovação do Código Florestal, o fiscal do Ibama pode chegar em uma monocultura de cana de açúcar com 5 mil hectares, com trabalho escravo, e perguntar: ‘cadê a reserva legal?' Ele vai olhar em volta e não vai ter nenhuma árvore, mas o proprietário vai  dizer assim: ‘tá aqui o papel, aqui está a minha reserva legal, eu tenho tantos hectares no Tocantins'", exemplifica. 

Para a pesquisadora, esse é um prenúncio do que pode acontecer em escala mundial, embora ainda haja obstáculos a essa proposta que precisam ser potencializados. "Daqui a alguns anos pode existir um mercado do que ainda resta da natureza e quem ganhará com a Economia Verde serão os proprietários dos recursos naturais. E o grande obstáculo para isso é que ainda existam no mundo bens comuns, áreas de uso coletivo e povos e populações que ainda acreditam que não é privatizando, e nem através do comércio, que se vai construir outra sociedade e  outra natureza", concluiu.