sábado, 31 de janeiro de 2009

Comentando

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Pessoal,

Para nossa contínua troca de idéias:

Em relação a minha oposição a todas as guerras não significa que eu sou contra um povo ou contra uma religião. Sou contra a atitute e é assim que devemos pensar. Quando duas crianças brigam no Jardim de Infância e nenhuma delas quer ceder, rola beliscões, puxão de cabelo e só terminam quando uma professora interrompe a briga. Quando duas crianças são Estados e ninguém quer ceder, a briga só termina quando todos ficam sem nada, porque na guerra, olho por olho, ficaremos todos cegos, escreveu Gandhi. E a violência engendra a violência. Sempre.

Em relação à cegueira dos economistas, veio um comentário de um amigo do texto "El fin del crecimiento" do Marrero: Adorei este quote do Keneth Boulding: "Anyone who believes exponential growth can go on forever in a finite world is either a madman or an economist." Eu adicionaria: um dia defender crescimento econômico será considerado crime contra a humanidade. E a dúvida que resta é se essa defesa é feita por cegueira ou loucura ou se é em benefício próprio ou por reais más intenções.

Para finalizar, um amigo meu escreveu: "você já abraça a causa do meio ambiente, não vá abraçar a causa das guerras." Eu tenho que ser muito humilde em relação a importância da minha posição que é quase nenhuma e o que importa é a posição de todos nós em conjunto, somos todos iguais e igualmente importantes, embora a cultura materialista consumista de celebridades nos tenha feito pensar diferente. A soma de cada um define a posição final, não tem jeito e isso vale para tudo, inclusive para a nossa relação com o planeta. Enfim as guerras também são ambientais, elas são feitas no meio ambiente, quando as bombas explodem, matam a vida (pessoas) e a vida futura (o meio ambiente). E essa perda nos dois lados é irreparável e o sentimento é de dor para quem fica ao largo desses horrores com a sensação de não poder fazer nada.

Abraço a todos,

Hugo

NÃO À REDUÇÃO DAS RESERVAS FLORESTAIS. LOBBIES NÃO

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Pessoas, segue a sugestão do nosso amigo Carlos para lutar contra a mudança do Código Florestal.

Face a:
1 - Toda a desgraça ambiental climática e ao panorama devastador que se projeta para a Terra nos próximos anos;
2 - À ação interesseira de grupos ligados ao agronegócio, pressionando pela redução das áreas de reserva na reforma do Código Florestal.
Proponho alguma reação (ainda que virtual - por enquanto)... Acabo de entrar no site do MAPA (o Ministério da "Agrodestruição") e, no link "Central de Relacionamento" encaminhei o texto mais abaixo:
O link para acessar o MAPA é http://www.agricultura.gov.br/
clicar no link "Central de Relacionamento", daí é só preencher o campo e posicionar-se contra esta redução das áreas de reserva.
Eis meu texto:
"Tenho acompanhado nos noticiários a discussão a respeito da reforma no Código Florestal. É preocupante, na grave e visível situação amibiental em que estamos, discutir-se a redução das áreas de reserva (seja em que estado do Brasil for) com fins de ampliar áreas de exploração do agronegócio. Comomorador de área urbana, que já sofre as conseqüências dessa devastação absurda, clamo ao Ministério da Agricultura que não ceda a lobbies que íncensatamente estão pressionando para que se destrua mais das nossas reservas. Que o assunto seja discutido com toda a sociedade brasileira e que, através de campanhas concientizem a população e empresários de que uma nova postura de consumo e de produção deve prevalecer. Uma postura que compute sempre a sustentabilidade do ecossitema. A continuidade da destruição só ampliará mais ainda a nossa própria destruição."

Abraços
Carlos

Segue o texto do Hugo

Ao Sr. Ministro da Agricultura
Sobre a revisão do código florestal
Os ecossistemas não estão aí apenas para serem transformados em fronteiras agropecuárias, eles possuem função vital de reguladores químicos da atmosfera, da água, do solo através de vários processos que o ser humano não pode prescindir nem é capaz de reproduzir e tudo isso é feito através da biodiversidade, outro serviço gratuito que os ecossistemas nos prestam. Quando o Exmo. Sr. Ministro da Agricultura puser a mão no coração, quero que ele imagine: seu coração só bate porque há um ser vivo na Terra que armazena a luz do sol, seu pulmão só respira porque há um ser vivo nos oceanos que produz o oxigênio, sua comida chega até seu estômago graças as abelhas e a todo conjunto de vida na Terra. No livro Biomimicry a autora deixa bem claro que toda espécie que não é capaz de compartilhar o meio ambiente com as demais espécies está fadada a desaparecer. Ela estava se referindo a nós, humanos. O exemplo dos países ricos de megalomania de crescimento econômico e populacional apenas para enriquecer os mais ricos e que causou a destruição de 100% das suas florestas não é um exemplo a ser seguido. As nações ricas conseguiram ficar ricas desse jeito, expoliando o seu meio ambiente, sem causar um caos plaentário porque fizeram isso sozinhas. Agora se todos seguimos na mesma direção, iremos terminar em colapso. Os países ricos ao esgotarem todos os recursos e serviços ambientais de seus territórios começaram a importá-los a custo zero dos países que ainda os posssuem e é por essa única razão que não viveram seu colapso ambiental. Ao invés disso, criaram pela primeira vez na história da humanidade um risco de colapso global.
Não podemos fazer uso da seguinte lógica mais: "eu nunca morri, portanto nunca vou morrer." É a mesma lógica que aplicamos ao planeta: "o planeta nunca nos expulsou, portanto isso nunca vai acontecer." Não é o planeta com sua história de 4,5 bilhões de anos para a qual não temos relevância alguma que está ameaçado, somos nós! E nós já causamos a maior extinção da vida na Terra dos últimos 65 milhões de anos.
Por favor, ministro, mude a sua mente e ajude seus filhos, seus netos e seus bisnetos e toda a família humana a continuar aqui.
Hugo Penteado

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Vegetarianismo contra o aquecimento global

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Por Paula Schuwenck

Atualmente muitas pessoas falam sobre aquecimento global. Infelizmente nem sempre abordado pelos meios de comunicação como deveria. Porém, serei um tanto otimista em dizer que ao menos vem sendo muito mais debatido e que mais pessoas buscam saber o que podem fazer para reduzirem seu impacto.

Podemos afirmar que, ao adotar e praticar a dieta vegetariana, você está colaborando muito. Não é o suficiente. Todos devem estar atentos e pesquisar para, cada vez mais, praticar ações por uma vida sustentável e cautelosa a fim de minimizar seus efeitos maléficos ao clima, mas o vegetarianismo é uma imensa colaboração pela ótica do consumo responsável, ético e consciente, em diversos aspectos.

Sabemos, com comprovação científica pelo IPCC (Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas), que o aquecimento global é a conseqüência do uso de recursos naturais de forma exagerada e irresponsável – os gases que prejudicam nosso clima e potencializam o efeito estufa, ocasionando o aquecimento exagerado da Terra, são provenientes das utilizações de bens materiais altamente poluidores e hábitos errôneos, inclusive alimentares, arraigados ao cotidiano dos seres humanos.

No Brasil, a prática que mais libera dióxido de carbono (CO2) – um dos piores gases - é o desmatamento na Amazônia. E por que desmatam? Para plantar soja e outros grãos, a maior parte destinada à ração animal e não à alimentação humana como muitos pensam, para extrair madeira - ilegal em grande quantidade, para carvão e, principalmente, para dar espaço aos bois - a perversa e cruel pecuária. Segundo Gilney Vianna, secretário de políticas para o desenvolvimento sustentável do Ministério do Meio Ambiente, “75% das áreas desmatadas na Amazônia são ocupadas pela pecuária”, onde vivem torturados e infelizes 70 milhões de bois.

Além de acarretar problemas com desmatamento, a pecuária também produz, por meio do processo digestivo dos animais e seus dejetos, outro gás altamente perigoso e danoso ao clima, o metano. Cerca de 35% a 40% vêm da pecuária bovina. Sendo o metano 21 vezes mais prejudicial que o CO2.
Estudo realizado pela ONU - FAO (Organização das Nações Unidas para a agricultura e alimentação), diz que o setor pecuário é pior que os transportes para o clima, já que o CO2 liberado na atmosfera é ainda superior ao emitido por carros. Além do dióxido nitroso, que possui poder aquecedor 296 vezes maior que o CO2. Henning Steinfeld, um dos autores deste estudo, o concluiu da seguinte forma: "A pecuária é um dos causadores mais significativos dos problemas ambientais mais sérios da atualidade".
E não para por aí. O relatório também prova que 64% do total de amônia, principal causadora de chuvas ácidas, também vêm da pecuária e prejudica, entre outros, os oceanos – estes que também possuem papel fundamental para a saúde do planeta e estão em processo de degradação pela irresponsabilidade humana. "Os oceanos absorveram 48% do C02 emitido por nós para a atmosfera nos últimos 200 anos", afirma Christopher Sabino, do National Oceanic Atmospheric Administration, autor de um artigo sobre o tema publicado no jornal Science. Vegetarianos também colaboram imensamente para o clima por não alimentarem a indústria pesqueira. Atualmente, 75% dos peixes comercializados vêm da pesca predatória, ameaçando a existência de várias espécies como atum e linguado. Os corais estão se deteriorando pela acidez das águas e, como não poderia ser diferente, pela pesca – especialmente a realizada em águas profundas, a qual chega a destruir corais de centenas de anos. Para que a recuperação das vidas marinhas fosse viável, as águas precisariam estar limpas, o que está cada vez mais distante da realidade. Novamente a dieta vegetariana ganha força, já que uma das grandes causadoras da poluição das águas é a pecuária e, com grande eficiência, a criação de porcos.

Dados da Sociedade Vegetariana Brasileira mostram que uma criação média de porcos produz a mesma quantidade de excrementos quanto uma cidade de 12 mil habitantes. Até reservas subterrâneas de água são contaminadas, como o aqüífero Guarani. Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina realizaram um estudo em 2004 e descobriram que o risco de contaminação das águas, vindo do depósito de fezes e urinas da suinocultura, é extremamente preocupante.

O último relatório do IPCC trouxe diversas previsões assustadoras para nosso planeta – como fome, falta de água, inundações e extinções. E, cabe enfatizar, previsões essas para todas as espécies.

Contudo, é momento de nos enxergamos por outra ótica, deixarmos de inferiorizar os outros animais e de supervalorizar o ser humano.

Com bases científicas a favor do planeta, é hora de divulgarmos os benefícios do vegetarianismo como nunca!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

A Terra é Plana

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Não seja pessimista e não se preocupe, a Terra é Plana

Aqui no Brasil ser pessimista ou preocupado nos dias atuais é um pecado mortal. No mundo inteiro, parece que se você mostra preocupações reais sobre o planeta, sobre a nossa economia doente, a sociedade trucidada, imediatamente você se torna um inimigo do sistema. Essa reação é típica daqueles que defendem o status quo como sendo a única rota possível para todos. Se isso fosse verdade, olhando a forma como transformamos a Terra em uma lixeira e como nossa sociedade e os jovens estão cada vez mais sem oportunidades (de bem estar, de paz, de vida, de saúde, de trabalho), então estamos fritos. Aqueles que estão preocupados com a situação da humanidade não deveriam ser considerados inimigos por quem tivesse um mínimo de bom senso. Os verdadeiros inimigos do sistema não são os que se preocupam, mas sim os que teimam em ignorar as preocupações apesar dos sinais inequívocos de que a situação se deteriorou muito nos últimos 100 anos e que tudo indica só tende a piorar, pois não há, em lugar algum, nenhum sinal de mudança em relação às atitudes que tomamos e que nos criou todos esses problemas agora sistêmicos. No fundo, as pessoas preocupadas com os problemas, identificam as causas e podem achar as soluções, sempre foi assim, mas a resistência em relação ao trabalho dessas pessoas tem sido muito grande. As alegações nada científicas contra uma nova visão para mudar os processos econômicos destrutivos descritos no vídeo "The Story of Stuff" (que pode ser encontrado aqui) ganham força como se fosse possível discutir se é certo ou errado matar ou não matar criançinhas inocentes no Iraque. Bjorn Lomborg é um símbolo desse ataque, um mero estatístico que nunca foi um cientista da Terra conseguiu ganhar um destaque desmerecido, mesmo tendo sido condenado por desonestidade científica. Falar besteira não tem problema, o que importa é falar o que as pessoas querem ouvir.

Ao invés de prestar atenção nos cientistas e nas evidências, adotar um discurso Poliana tem sido melhor aplaudido e acolhido por todos aqueles - que não são poucos - que ainda acreditam na lupa que usam para ver o mundo e ignoram os já bilhões de seres humanos que não tem lupa alguma para dizer o mínimo e são refugiados do sistema. Obama vai ser vítima desse mundo Poliana e em poucos meses iremos ouvir que ele não foi capaz de fazer nada para mudar o destino de uma sociedade inteira, quiçá de uma civilização, dada a enorme influência que os Estados Unidos tem sobre os países. É um karma coletivo, resultado de más decisões feitas durante muito tempo e a conta só chegou agora. Obama não é Deus e apesar de tudo que aconteceu, mesmo assim ele venceu as eleições por uma margem muito pequena e porque a situação econômica dos Estados Unidos é a pior desde a Grande Depressão da década de 30. O mesmo vale para as guerras: pesquisas de opinião pública nos Estados Unidos mostram que a principal razão pela qual hoje são contra a guerra é pelo seu custo excessivo e o fato de terem sido derrotados. Não é porque 1.000.000 de pessoas inocentes foram mortas no Iraque. A mesma reação popular aconteceu na guerra do Vietnam, segundo livro da época de Noam Chomsky. Obama herdou uma sociedade cujo padrão de consumo o planeta só é capaz de sustentar 200 milhões de pessoas, de acordo com a matéria "The Folly of Growth" da revista News Scientist do ano passado que divulgamos nesse mesmo espaço. Para mudar isso, precisaria mesmo ser um Deus; está na hora de cada um mudar, ao invés de esperar um messias no lugar dessa mudança.

O mais surrealista não é existirem pessoas querendo viver com esse padrão de consumo, o mais surrealista é ver os economistas acharem que esse é o modelo certo para um planeta que já mostrou claros sinais que não vai mais manter os seres vivos se continuarmos com essa idéia. Discutir que a economia não pode ser maior que o planeta é uma discussão que significa perda da nossa humanidade, é a mesma perda de tempo ao discutir porque os judeus (ou qualquer outro ser humano com direito a vida) não poderiam nem deveriam ser mortos por Hitler. São discussões que não deveriam nem ter ponto de partida. A discussão hoje que vemos entre a economia tradicional com sua megalomania de crescimento e a dos cientistas da Terra e dos economistas ecológicos não deveria nem existir. É como se hoje ainda os economistas tradicionais acreditassem sem discussão que a Terra é plana, os segundos tentam provar que na verdade a Terra é redonda e embora eles já disponham de fotos de satélite, mapas, viagens espaciais investigativas, os primeiros não aceitam essa versão e trabalham freneticamente em cima do conceito de uma terra plana. Só irão mudar quando for tarde demais para isso.

Hugo Penteado

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Horrores 1 e 2; Alternativas 1 e 2

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Esses dois artigos mostram os horrores da guerra do Iraque onde foram mortos mais de 1.000.000 de civis iraquianos! Esse assunto chega a ser extenuante: não, não é certo matar civis, crianças e pessoas sob quaisquer razões, ainda mais sob alegações falsas. Não, não há o que discutir, sobre o que é certo e errado nesse caso. O mais impressionante é que tal qual na guerra do Vietnam, segundo Noam Chomsky e outros autores, o que incomodou a opinão pública norte-americana não foi a morte de centenas de milhares de inocentes ou criançinhas iraquianas, mas o custo da guerra ou o fato de não terem sido capazes de ganhar a guerra. Guerra sim, tudo bem, desde que não custe caro e venha com uma vitória rápida. Como alguém consegue apoiar tamanha atrocidade é ainda uma questão a ser respondida. Essa posição contrária já não era para ser unânime?

O novo presidente Obama ganhou com uma estreita margem e graças a pior crise desde a Grande Depressão, onde rezamos para que não a supere nem a iguale... Sorte mesmo seria uma mudança do paradigma depois de tantos erros e atropelos, mas isso ainda é sonho. Nessa direção, os dois artigos abaixo, do David Korten (que re-envio) e o do George Monbiot (fantástico), mostram que o legado da crise ainda produz os mesmos erros de sempre, apesar de tantas opiniões contrárias.

Horror 1
http://www.socialistworker.co.uk/art.php?id=10114

Horror 2
http://www.guardian.co.uk/world/2007/sep/13/usa.iraq

Alternativa 1 - David Korten


Alternativa 2 - George Monbiot

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Dia de chuva em São Paulo

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Quando em 1998 o ABN AMRO, banco onde eu trabalhava, comprou o Banco Real, eu fui premiado com a seguinte notícia: você irá trabalhar na Avenida Paulista. Eu morei perto de 1998 a 2008, portanto 11 anos, e caminhei a pé de casa para o trabalho e ainda almoçava em casa. Era uma delícia que eu havia me acostumado sem perceber o quanto é bom fazer as coisas num perímetro pequeno da cidade. Nos fins de semana, temos o hábito de ir a lugares por perto, outro privilégio é morar onde há tudo. Carro só para visitar amigos distantes ou viajar. Sem aborrecimento algum e eu não tinha noção do quanto essa cidade virou um inferno até o final de 2008, quando o Santander comprou o Banco Real. Recebi uma péssima notícia: você vai trabalhar do outro lado da cidade, num prédio na marginal, perto da Berrini.

Não tinha conta do quanto isso seria dificil de se ajustar, nem do tamanho da perda, mas decidi ser forte, porque eu sei que muitas pessoas vivem assim na cidade de São Paulo e em situação muito pior e que eles são os verdadeiros heróis, as pessoas que merecem meu total respeito e eu sou apenas um covarde. A covardia falou mais alto: informei ao meu chefe que para evitar os horários de tráfego intenso, eu iria entrar às 6 da matina e sair as 16 horas, alterando meu horário da Paulista que era das 8 até as 18 horas. Como sou analista, posso ter horários diferentes, não estou preso em mercados ou em atividades com hora certa. Foi aceito.

Comecei acordando 5 e 15 da manhã. Vi que de manhã levava 12 minutos mais ou menos para chegar até lá. Mudei para 5 e 30. Há dias que eu acordo 6 e 20 e entro às 7 horas. Sou honesto comigo mesmo, antes de com a empresa, qualquer coisa que fazemos de errado ou qualquer intenção escondida, para mim é karmático. Eu sempre vejo a hora que cheguei e coloco mais 10 horas e já sei: hoje vou sair tal hora. Isso decorre da minha incrível dificuldade de chegar cedo que aumentou no horário do verão: de um dia para outro estava tentando me levantar às 4 da matina. Realmente estou conseguindo, mas nem tudo é perfeito. Quem disse que consigo sair do banco às 16 horas todos os dias?

Foi aí que eu redescobri a cidade que sempre achei um erro, um atropelo, como um amigo meu me disse: cidades com mais de 1.000.000 de habitantes são aberrações em todos os sentidos e completamente insustentáveis. Eu tento respirar em São Paulo e não consigo, entendi muito bem o que ele quis dizer e lamento as autoridades não reconhecerem isso e não terem decretado imediatamente para São Paulo moratória: moratório de carros, de construções e de incrementos populacionais. Os economistas e os governos que os seguem só vão entender que isso é impossível num espaço urbano finito quando o perecimento for grande o suficiente para corrigir o desequilíbrio.

Eu achava uma aberração que andar a pé de casa para o trabalho mal conseguia respirar. Quando morava perto do trabalho, e lutava contra isso usando máscara, achando que isso era o pior dos mundos, não percebi que isso era o paraíso. Quando saio tarde do trabalho me deparo com uma marginal, uma Berrini e todos seus eixos completamente parados. Uma hora é o prazo mínimo para chegar em casa, mas rezando, claro, para que não chova. E foi isso que aconteceu quando choveu em São Paulo e os políticos e executivos se esquivando, enquanto os pontos de ônibus alagados ficavam repletos de pessoas esperando ônibus parados por mais de uma hora, cheio de gente. Esses são os heróis. Eu não sei como não entrei em depressão depois disso. Acho que entrei um pouco, disse para mim mesmo: eu vivia numa bolha. Não sirvo para nada mesmo.

As cenas da cidade que eu vejo de trânsito me parecem um cenário lúgubre de guerra. Quando chove, fico com a sensação de apocalipse. Teve um dia que choveu tanto que ficamos presos no prédio sem coragem para sair, olhando lá do alto da torre os carros enfileirados, amontoados e parados. Parados dentro das garagens dos prédios. Esse é o maior exemplo da estupidez do crescimento econômico que tantos economistas famosos – a lista é infinda – defendem. Defendem, mas não vivem, estão nas suas bolhas. Ainda escutamos políticos supostamente inteligentes falando em solução do trânsito sem falar na moratória que eu mencionei antes, como se o território das cidades e dos países e os serviços ecológicos que nossa espécie animal não pode prescindir crescessem e se tornassem infinitos. Essa discussão com pessoas que não acreditam nisso nem travo mais: é como se a gente discutisse se é ou não é correto explodir crianças em guerras estúpidas como assistimos toda hora.

Está crescendo em mim um protesto maior. Eu já protestei ao decidir que não compro mais automóvel, mantendo o meu velho e ineficiente Ford Ecosport 2003 até o fim da minha vida. Agora cogito mandar ele para o desmanche e ficar sem nada. Falta-me coragem, sou covarde e ainda tenho diante de mim os mesmos políticos de sempre e os de outrora com a mesma visão de mundo que nada nos foi útil e continuará sendo. Não se enganem meus leitores, quando vi na campanha política os clamores para mais crescimento da nossa cidade de São Paulo, senti um calafrio na espinha como se um asteróide estivesse na nossa direção. Não tem nesse modelo e nessa visão de mundo como as coisas melhorarem e eu lamento muito, muito e profundamente pelas pessoas nas janelas dos ônibus, nos carros, nos pontos de ônibus, totalmente encarceradas, tristes e miseravelmente esquecidas. Lamento pelo seu destino estar nas mãos de muitos homens que muito pensam valer, mas que mais valeriam se estivessem mortos e enterrados.

Outra fatalidade que enfrentei além das dificuldades do trânsito foi a saúde. Dores, sono e rigidez no corpo foram conseqüências dessa mudança. Mas a pior delas foi me submeter a comer comida fora de casa. Dois fatos me atropelaram e me colocaram nas mãos da comida industrializada que envenena a humanidade: minha empregada não pôde mais trabalhar comigo e eu não tinha mais jantar à noite; e o almoço, por estar longe de casa, era feito em restaurantes. Em pouco tempo, verifiquei que minha saúde fraquejou. Fiquei gripado pela primeira vez na minha vida, tive mais dores de cabeça do que o costume, aftas, herpes e mais indigestão ou alterações no intestino. Tudo isso porque minha comida era quase 100% orgânica, natural, eu não compro praticamente nada industrializado ou já pronto e de repente caí em comida industrializada. Costumava dizer para a Andréia que trabalhava comigo quando íamos no supermercado: “Embalou, coloriu, veneno.” “Andréia, não compra nem alho em pote para mim, você já viu como fica o alho depois de picado na geladeira?” Mudança de alimentação para pior teve resultado palpável: todos os meus exames de sangue da minha avaliação médica anual pioraram. Estão dentro do intervalo normal, mas caminharam para os limites inferiores. Pior que ainda há médicos que defendem que a alimentação moderna industrializada não é problema. Tem razão, trânsito e alimentação não são problemas mesmo, são atrocidades contra nós. Carros que tem velocidade média hoje igual às carroças do século XIX e corpos cuja alimentação traz como benefícios menos metabolismo, muita obesidade e muita doença e envelhecimento precoce, realmente não são problemas nem aberrações.

Em tempo: achei um restaurante vegetariano orgânico perto da Berrini e não sei o nome, embora vá lá quase todo dia e o dono vai ficar chateado comigo por conta disso...

Pergunta a Paul Krugman

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Paul Krugman nunca respondeu essa pergunta (que foi escrita no dia 28 de dezembro de 2007) e New York times nunca aprovou o meu comentário.
Recoloquei ele novamente na página: http://krugman.blogs.nytimes.com/2007/12/28/housing-how-far-is-down/#comment-106203

Segue o texto em inglês e logo abaixo a tradução em português:

Dear Mr. Krugman,
Caro Sr. Krugman,

I have a question to you and I will be glad if you could answer me by email: hugo.penteado@bancoreal.com or hugopenteado@uol.com.br.
Tenho uma questão que me deixaria muito feliz se respondesse no meu email hugo.penteado@bancoreal.com ou hugopenteado@uol.com.br.

Can economy be bigger than the planet? Is the planet finite or infinite? If US stop importing resources both in raw materials and finished goods from abroad, will the country able to avoid an environmental collapse?
A economia pode ser maior que o planeta? O planeta é finito ou infinito? Se os Estados Unidos parassem de importar recursos tanto em matérias primas brutas quanto em bens finais do exterior, o paíse seria capaz de evitar um colapso ambiental?

How is possible to grow goods and structures forever - including houses - in a finite space like the land of the countries, with finite water supply?
Como é possível crescer bens e estruturas para sempre - inclusive casas - num espaço finito como o território dos países e com uma oferta finita de água?

In other words, US in 1890 had 1.000.000 houses, today has more than 190.000.000 houses. The land has the same size (in the future, with ocean level
rising, will be smaller...).
Em outras palavras, em 1890 os Estados Unidos tinham 1.000.000 de moradias e hoje possuem mais de 190.000.000. O território é do mesmo tamanho (no futuco, com a elevação dos oceanos, será menor...).

Why do economists wrongly believe that economic system is environmentally neutral and that environment is inexhaustible? How far building expansion, growing populations and our greedy economic system will continue to grow in a limited planet before killing all forms of life, including human beings? Global warming and the biggest extinction of life in the last 65 millions of years caused by humankind are not enough to re-think our false economic theory and to create a new paradigm?
Porque os economistas erradamente acreditam que o sistema econômico é neutro para o meio ambiente e que o meio ambiente é inesgotável? Quanto mais expansão de construções e populações crescentes do nosso sistema econômico ganancioso pode continuar a crescer num planeta limitado antes de matar todas as formas de vida, inclusive os seres humanos? Aquecimento glboal e a maior extinção da vida dos últimos 65 milhões de anos causadas pela humanidade não são suficientes para repensar nossa teoria econômica falsa e criar um novo paradigma?


Best wishes,
Cordiais saudações,

Hugo Penteado

Colaboradores