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quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Neoliberalismo desvirtuado e em pedaços

Encaminhado por um amigo, esse texto, com excertos feitos por ele próprio, da Hazel Henderson é muito bom. Mais um texto que o professor Eduardo Giannetti da Fonseca deveria ler, ele pregador messiânico do crescimento eterno das economias e do neoliberalismo acima de qualquer crítica, disse-nos em uma palestra, porque não foi implementado no Brasil. Ainda bem. Ainda bem que a memória é curta de todos e que não se lembram que foram os neoliberais clássicos que deram origem ao imposto sobre grandes fortunas. Ah, as grandes fortunas que justificam tudo, inclusive o saque ao planeta, que deixaremos em escombros para poucos das gerações futuras sobreviverem. E ninguém fala um "a" sobre como o modelo dos ricos - países e pessoas - é imoral, egoísta, individualista e genocida. Planetariamente genocida. Enfim, divirtam-se, estamos num momento histórico, onde iremos repetir de novo todos os mesmos erros de sempre, como sempre fizemos, levando a corda de sustentação social e planetária ao limite até se romper, sem saber que todos, sem exceção, incluindo os mais poderosos, seguram nessa corda.
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Os "prejuízos" trilionários em Wall Street estão simplesmente anulando seus "ganhos" ilusórios. Nenhuma quantidade de salvamento federal ou impressão de dinheiro pode preencher o buraco negro de expectativas irrealistas criadas por uma economia enganosa.
A regulação no interesse público é hoje reconhecida como urgente [em função dos] excessos de Wall Street: transferir riscos sociais, custos e destruição ambiental para contribuintes e gerações futuras.
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Video didático em (humor) inglês.
"Como os mercados realmente funcionam":

terça-feira, 10 de junho de 2008

"O PIB saiu de moda"

Por Hazel Henderson*

A credibilidade da profissão de economista e de seus modelos macroeconômicos e de análise de risco virou pó devido à débâcle financeira guiada por Wall Street. Muitos analistas vêem esta crise, a pior desde a Segunda Guerra Mundial, como o princípio do fim do fundamentalismo do mercado como condutor da globalização. Também fica evidente o fato de que os Estados Unidos não são mais a única superpotência mundial. A força militar está retrocedendo diante de novas armas utilizadas na geopolítica atual: o dinheiro e os ataques cibernéticos. Inclusive o secretário do Tesouro norte-americano, Henry Paulson, agora pede a regulamentação dos temerários e arriscados bancos privados.

Entretanto, estão emergindo as longamente borbulhantes críticas ao emprego do produto interno bruto (PIB) como indicador das contas nacionais. Essas críticas generalizadas foram resumidas por Robert F. Kennedy em um discurso pronunciado em 1968. Até mesmo o criador do PIB, Simon Kuznets, questionou seu uso como indicador geral do bem-estar ao dizer que "o bem-estar de uma nação apenas pode ser definido a partir de uma medida da renda nacional".

As falhas no PIB começaram a surgir na Cúpula da Terra da Organização das Nações Unidas (ONU) no Rio de Janeiro, em 1992, e também ficaram evidentes na conferência do Parlamento Europeu sobre o tema "Considerando a natureza", em 1995. Em novembro de 2007, o Parlamento Europeu abordou novamente o assunto e o presidente da União Européia, José Manuel Barroso, deu a tônica em um debate sobre o tema "Mais além do PIB" perante quase 700 parlamentares.

A revista The Economist interveio no debate com o artigo "Um quadro extremamente distorcido", no qual crítica a extensa atenção dada ao crescimento do PIB. Este "fetiche do crescimento" tem sido há tempos objeto de inúmeras críticas, mas ver que essa revista, representante da ortodoxia econômica, critica agora a utilização do crescimento do PIB como indicador válido das contas nacionais é um sinal muito importante. O artigo afirmava que uma melhor medição dos índices de crescimento do PIB seria comparar o produto per capita, um sinal de progresso muito mais tangível do que considerar o aumento da população.

Por exemplo, o crescimento do PIB do Japão foi cerca de 2,1% durante os últimos cinco anos, enquanto o PIB dos Estados Unidos aumentou 2,9%. Entretanto, comprando o crescimento médio per capita entre os dois países, surge uma história diferente: os Estados Unidos mostram apenas 1,9% de crescimento, contra 2,1% dos cidadãos japoneses. A renda média per capita do Japão também é maior porque a população japonesa está diminuindo, enquanto a dos Estados Unidos está aumentando. Por sua vez, a Índia desfruta de um rápido crescimento de seu PIB, mas sua população também aumentou rapidamente, o que faz com que mais pessoas devam compartilhar dessa renda.

Mas, também se deve assinalar que o uso da média per capita da renda mascara o modo de distribuição da renda. A média de renda de toda a população pode ocultar, por exemplo, que um país poderia ter uns poucos multimilionários com a maioria de seus cidadãos vivendo na pobreza.

Concordemos que o PIB sobreviveu muito tempo à sua utilidade (começou como medida da produção bélica utilizada na Segunda Guerra Mundial). Agora há melhores indicadores, como o Índice Canadense de Bem-estar (CIW), o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU, o Índice de riqueza do Banco Mundial, o Índice do Progresso Genuíno (GPI), o Índice de Felicidade Nacional do Butão (GNH) e os Indicadores de Qualidade de Vida Calvert-Henderson, que criei com o Grupo Calvert de fundos mútuos socialmente responsáveis.

A verdadeira riqueza e o progresso das nações não podem ser quantificados apenas em dinheiro. Os manuais econômicos estão atrasados e devem ser revistos.

Colaboradores