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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Desesperador

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Os números desses papers (link no fim do texto) só serão atingidos se o mundo do faz de conta dos economistas não for faz de conta e sim real.
Faz de conta que a produção brota do nata.
Faz de conta que a economia está totalmente separada da natureza, do tamanho do planeta, dos serviços ecológicos.
Faz de conta que o crescimento econômico jamais é deseconômico.
Faz de conta que o crescimento gera justiça social e bem estar e não guerras e devastação.
Faz de conta que poderemos dessalinizar e ressalinizar a água dos oceanos a um custo energético mínimo.
Faz de conta que a economia pode ser maior que o planeta.
Faz de conta que iremos usar terras de outros planetas para depositar nossas produções.
Faz de conta que a produção, a partir de um determinado ponto crítico, irá se tornar imaterial.
Faz de conta que as leis da termodinâmica são falsas.
Faz de conta que a economia não é uma pseudo-ciência autista que não se comunica com nenhuma outra descoberta científica relevante, como aquecimento global e a maior extinção em massa de espécies animais e vegetais dos últimos 65 milhões de anos causadas por nossa espécie.
Faz de conta que do ponto de vista da biologia não somos todos um e que o ser humano não faz parte dessa teia da vida sem a qual não teríamos água, ar para respirar, comida.
E para finalizar,
Faz de conta que todo esse faz de conta não rege universalmente todas as decisões governamentais e empresariais a nossa volta e que isso não irá causar a extinção da vida desse planeta e da nossa espécie animal.
Faz de conta.



sexta-feira, 30 de abril de 2010

A mudança dos paradigmas e o mito do crescimento

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Artigo publicado no Jornal Valor no dia 19 de abril de 2010

Não há uma única variável nos modelos econômicos que contabilize a contribuição irreproduzível e fundamental dos serviços da natureza. Para a pouca análise feita dentro do “mainstream”, há apenas a conclusão que os recursos naturais tangíveis, como metais e petróleo, são completamente dispensáveis e irrelevantes para o processo econômico. Água, que é finita, idem. Sobre os demais serviços ecológicos e o papel dos ecossistemas não há qualquer tratamento científico nessa ciência. A importância desses itens é demasiado grande para ser ignorada dessa forma.

Há um artigo na “Enciclopédia de Sistêmica” de Charles François que dá a seguinte referência para “Permanência” (leia-se sistemas sustentáveis): “um sistema só pode permanecer se apresentar estruturas regulatórias de feedback que levem em conta interferências e possibilidades externas reais.” Esse conceito revelaquepraticamente nenhum processo econômico possui permanência — ou sustentabilidade —, a menos que esse erro teórico seja corrigido.

China e os Estados Unidos não vivem a sua própria insustentabilidade porque são capazes de exportá-la a custo zero para o resto do mundo via comércio global. Nicholas Georgescu-Roegen teria evitado a confusão climática e ambiental atual, pois no seu tempo, mais de 50 anos atrás, foi capaz de prever a maior parte desses problemas. Segundo ele, se a economia do descarte imediato dos bens, do desperdício e do crescimento infinito for mantida, a humanidade será capaz de entregar a terra ainda banhada em sol apenas à vida bacteriana.

Temos um problema tanto de matéria quanto de energia, mas o“mainstream” abraçoua causado aquecimento global como uma oportunidade de negócios. É um mito acreditar que só temos umproblemade energia.Temosacima de tudo um problema de matéria.

O espaço territorial é finito, os serviços ecológicos e os ecossistemas dos quais dependemos são restrições maiores que a espacial. Na Terra, todos os seres vivos dependem de todos os seres vivos. Tamanho erro não se justifica à luz do conhecimento científico das últimas décadas e não se confirma mais pelos fatos evidenciados todos os dias, seja no âmbito ambiental e no social. A mania de crescimento, se não for logo abandonada, irá transformar nosso planeta fértil e cheio de vida em uma rocha seca. Quando o problema do buraco da camada de ozônio surgiu, houve um lobby gigante da maior empresa produtora dos gases causadores (CFCs), que atrasou a solução por mais de 10 anos.

Estava em jogo nada mais nada menos que a vida na Terra, pois, sem essa frágil camada, o DNA é destruído. O mesmo lobby surge agora da indústria de combustíveis fósseis e carvão. A esse respeito o livro “Os Senhores do Clima” de Tim Flannery é uma leitura mais do que recomendada. Há evidências do fracasso do modelo de crescimento. Os Estados Unidos são um exemplo desse projeto que terminou em catástrofe econômica.

A China deve evidenciar a catástrofe ambiental com seus problemas assustadores. Ocrescimento, segundo a New Economics Foundation (“Growth isn´t working“) e a Fordham University, nada mais é que um mecanismo de diferenciação social, cujos níveis de desigualdade atingiram recordes, principalmente entre as nações mais ricas.

Os indicadores da Fordham mostram uma comprometedora relação negativa entre crescimento econômico e os indicadores (analfabetismo, pobreza entre pessoas com mais de 65 anos, população encarcerada, alcoolismo, mendicância, acesso à saúde, suicídio, etc). Amartya Sen tem uma enorme contribuição a dar para esse debate. Ao largo dessa visão de mundo, há o testemunho de Mohammed Yunus que curiosamente foi assistente de Roegen (seu livro “O Banqueiro dos Pobres” é imperdível).

Segundo Yunus, os projetos de assistência social visam perpetuar uma situação de

Empobrecimento da população com duas finalidades nada éticas: 1) Justificar mais crescimento para abastecer quem menos precisa, com a falsa noção que só o crescimento — e o dinheiro — irá tirar a população da pobreza.

2) Criar atividades que deveriam ser éticas, mas que são portas abertas para as mais absurdas manobras de corrupção envolvendo governos e empresas no mundo todo. Como romper com tudo isso?

Hugo Penteado é economista-chefe do Santander Asset Management e autor do livro “Eco-Economia — Uma nova Abordagem” E-mail hugo.penteado@santander.com.br

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Horrores 1 e 2; Alternativas 1 e 2

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Esses dois artigos mostram os horrores da guerra do Iraque onde foram mortos mais de 1.000.000 de civis iraquianos! Esse assunto chega a ser extenuante: não, não é certo matar civis, crianças e pessoas sob quaisquer razões, ainda mais sob alegações falsas. Não, não há o que discutir, sobre o que é certo e errado nesse caso. O mais impressionante é que tal qual na guerra do Vietnam, segundo Noam Chomsky e outros autores, o que incomodou a opinão pública norte-americana não foi a morte de centenas de milhares de inocentes ou criançinhas iraquianas, mas o custo da guerra ou o fato de não terem sido capazes de ganhar a guerra. Guerra sim, tudo bem, desde que não custe caro e venha com uma vitória rápida. Como alguém consegue apoiar tamanha atrocidade é ainda uma questão a ser respondida. Essa posição contrária já não era para ser unânime?

O novo presidente Obama ganhou com uma estreita margem e graças a pior crise desde a Grande Depressão, onde rezamos para que não a supere nem a iguale... Sorte mesmo seria uma mudança do paradigma depois de tantos erros e atropelos, mas isso ainda é sonho. Nessa direção, os dois artigos abaixo, do David Korten (que re-envio) e o do George Monbiot (fantástico), mostram que o legado da crise ainda produz os mesmos erros de sempre, apesar de tantas opiniões contrárias.

Horror 1
http://www.socialistworker.co.uk/art.php?id=10114

Horror 2
http://www.guardian.co.uk/world/2007/sep/13/usa.iraq

Alternativa 1 - David Korten


Alternativa 2 - George Monbiot

Colaboradores