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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Barrados na porta - Miriam Leitão

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Empresas reclamam de apagão de mão de obra. Brasileiros qualificados procuram emprego. São barrados por não terem experiência, ou por serem mais velhos, ou por não passarem nos burocráticos padrões de recrutamento. As empresas perdem chance por discriminar. Falamos com desempregados e empresas para entender as contradições do mercado de trabalho.

Fomos a campo usando as ferramentas das novas mídias. Postamos no Twitter convites para que as pessoas com qualificação mas sem chance no mercado de trabalho contassem as suas histórias. Gravei um vídeo fazendo o mesmo convite, postei no blog, e foi chamado no site do Boa Chance. Alvaro Gribel, Valéria Maniero e eu recebemos as histórias e conversamos diretamente com alguns. Postamos casos no blog. Em quatro dias, recebemos mais de 200 e-mails e 150 comentários.

Márcio Felipe é técnico em informática, com experiência em empresas no Brasil e em Portugal. O setor de TI nos disse que tem carência de 100 mil pessoas. Ele procura diariamente emprego e não encontra. O que está errado com ele? Dizem que é a idade: tem 45 anos. Mariana Cordeiro tem 28 anos, é formada em marketing há seis anos e, durante esse período, está procurando emprego. Mesmo sendo contra "panfletar" currículo, ela se cadastrou num site especializado que enviou suas informações para 7.234 empresas. Recebeu três respostas, mas sempre acabou ouvindo aquele desanimador: "você não tem o perfil":

— Se os recrutadores dessem retorno, eu poderia saber em que estou errando.

Ela continuará procurando e diz que se as empresas soubessem "da disposição e desejo de várias pessoas como eu, pensariam duas vezes antes de simplesmente descartar nossos currículos".

Renato Teixeira é engenheiro de transportes, tem 35 anos de experiência, como o de ser diretor de Planejamento do Metrô do Rio. Não consegue emprego porque tem 58 anos. Lucas Camilo formou-se em publicidade, está fazendo um MBA na FGV, mas não consegue o primeiro trabalho. Dizem que ele não tem experiência. Eduardo Azevedo é engenheiro eletrônico, com pós-graduação na Coppe em sistema Offshore, faz mestrado na UFRJ em engenharia naval. Trabalha em TI, mas seu sonho é trabalhar na área de petróleo. Ele não consegue. O engenheiro Newton Amaro tem cursos de pós-graduação, 25 anos de experiência, mas se diz barrado pela idade: 49 anos. No Twitter, vários nos informam que as empresas em geral exigem 35 anos como idade máxima. Muita gente não consegue sequer enviar currículo porque as empresas estabelecem essa idade como limite. Quem tem 37 anos já seria "velho".

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Empregos, mais empregos e mais empregos...

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Pelo lado econômico, a crise de falta de empregos, que já deve assolar permanentemente uns 30 a 40% da população humana bem antes da crise, agora atingirá uma massa ingente que nunca esteve nesse mar de desolados. Não se trata de uma crise de falta de empregos, mas do fim da instituição “emprego”, não existe mais como recriar algo que foi destruído definitivamente. De qualquer forma, para resolver a crise de “emprego”, os governos vão insistir em fazer a roda da economia girar, como todo sempre. A classe reguladora já pressionou para que se faça tudo possível para voltar fluxos, garantindo com isso, para alívio dos governos, que o caos social será minorado com mais empregos. A moeda de troca entre os comandantes econômicos e os governos – empregos versus riquezas nas mãos de quem menos precisa – é também azeitada com muita gorjeta que desce pelo ralo do fim do mundo das mãos dos poderosos para as mãos dos governos e as celebridades que funcionam como motivadoras sociais de todo o resto da humanidade sem poder e emasculada.

A verdade é outra. A roda gira esmagando a natureza e as pessoas apenas para manter as riquezas dos que menos precisam. E mesmo isso tudo não será suficiente, porque o emprego é efêmero e o crescimento que se tornou um fim em si mesmo, totalmente tautológico, só se justifica através de mais crescimento. Dessa forma, o emprego nada mais é que uma decorrência do crescimento, que evapora, cada vez que é solapado por alguma crise, doravante cada vez mais intensas. Seria necessário, dentro desse modelo, destruir a capacidade de sustentar a vida de 10 planetas iguais à Terra para os empregos aparecerem e mesmo assim não seriam suficientes, porque depois de 10 planetas, logo iríamos precisar de 100, dado que a pressão é contínua e exponencial e tautológica. Esse processo funcionou bem quando a régua era inferior a um planeta. A pressão maior que um planeta será acompanhada de freqüentes reveses ambientais e econômicos e de guerra entre as nações. Será comum confundir um fenômeno com o outro, sem saber que possuem todos eles o mesmo denominador comum: o modelo mental da humanidade que ignora sua vulnerabilidade como espécie animal num planeta finito dentro dessa teia viva que decidimos destruir violentamente.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Emprego é efêmero

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Esse é o ponto que ninguém tem coragem de dizer: o crescimento econômico, que é um fim em si mesmo, acarreta uma geração de empregos que é uma mera decorrência tautológica dele, é completamente efêmero e temporário, além de não produzir desenvolvimento pessoal (e social), liberdade e bem estar. O mais espantoso que para gerar empregos temos que construir uma economia maior que o planeta, pois todas as atividades por trás desse crescimento são baseadas em mais construção e produção de coisas que sobrecarregam os ecossistemas e seus serviços ecológicos continuamente. Inclua aí, por favor, a produção de energia limpa, posto que ela vai na mesma direção e faz parte do mesmo modelo suicida.

Para entender melhor, vamos fazer de conta que os dois únicos setores que existem na Terra são casas e carros. Para manter os empregos de todos, temos que construir mais casas e carros que a superfície terrestre seja capaz de suportar. Quer ficar mais preocupado? Para revolver esse problema a solução proposta cega será sempre a mesma: crescimento eterno, como se a economia pudesse ser maior que o planeta.

Hugo


1,6 milhão de brasileiros volta às classes D e E
Classe C foi a única a encolher em 2008


Lino Rodrigues - O GLOBO, 02-07-2009

SÃO PAULO. Após crescer dez pontos percentuais entre 2006 e 2007, período de forte expansão da economia brasileira, a classe C registrou, no ano passado, uma queda de 46% para 45% da população do país. Com isso, 1,6 milhão de brasileiros retornou para as classes D e E ao longo de 2008. Os dados fazem parte da quarta edição da pesquisa Observador, divulgada ontem pela financeira Cetelem (ligada ao banco francês BNP Paribas), em parceria com o Ipsos-Public Affairs. Eles vão na contramão do levantamento anterior (2006/2007), quando cerca de 20 milhões de pessoas haviam migrado para a classe média, elevando sua participação de 36% para 46%. O estudo mostra que, enquanto a classe média encolheu de 86,207 milhões para 84,621 milhões de
pessoas, as camadas A e B, mais abastadas, e D e E, menos favorecidas, cresceram: A e B, de 28,078 milhões para 29,377 milhões; e D e E, de 72,941 milhões para 75,822 milhões. Segundo Marcos Etchegoyen, vice-presidente da Cetelem no Brasil, a redução da fatia da classe C na população não deve ser creditada aos efeitos crise, mas ao processo de consolidação dos números. Ele diz que “não dá para crescer indefinidamente” e que o desafio é fazer com que a consolidação da renda das famílias se mantenha.

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