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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Fracasso do COP15 deriva do fracasso do modelo econômico

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Assusta e muito a forma como estamos sendo incapazes de enxergar os limites da Terra para a humanidade, não só no quesito clima, mas em muitos outros. Existe uma passagem na bíblia na qual Deus pergunta a Joh: “Por ventura foste tu que deste lei à luz da manhã?” A cegueira dos economistas então nem se fale, quando faço essas perguntas, eles oferecem um silêncio ignominioso, embora esteja mais do que provado há mais de 50 anos que a teoria econômica tem todos os seus postulados e princípios de conservação que modelam todas as suas pilastras na mecânica clássica. O significado disso é um dos maiores erros teóricos que se teve notícia: dentro desse corpo teórico, a economia é vista como totalmente independente do meio ambiente e, para piorar, o meio ambiente é considerado inesgotável. A salvação tecnológica é a pá de cal desse modelo contrário a todas as evidências da realidade socioambiental. Nem a restrição territorial (o tamanho dos países é constante) é levada em conta e sobre um mesmo território cometemos o absurdo de adicionar estruturas crescentes, como carros e construções e casas, a maior parte deles absolutamente desnecessária, ruindo com os 20 serviços ecológicos que dão sustentação à vida. Não é só o clima que nos ameaça, aquecimento global não é o problema, mas um dos problemas. E não é o planeta que está ameaçado, somos nós, a ponto de Stephen Jay Gould ter dito sobre a maior extinção da vida registrada agora em curso: “É muita ingenuidade achar que essa extinção jamais irá se voltar contra os causadores.” A humanidade provocou a maior extinção de espécies animais e vegetais dos últimos 65 milhões de anos, a terceira maior de todas.

O erro segue sem correção: para os economistas, a economia pode ser maior que o planeta, ou na verdade, eles consideram o planeta um subsistema da economia. Alguém desse grupo tem noção do quanto isso é completamente fora da realidade? Essa visão econômica tem agradado os interlocutores gananciosos (nossa sociedade se tornou extremamente gananciosa) e criou a idéia falsa de escassez. Só existe escassez quando há ganância e necessidades ilimitadas, para um crescimento de coisas e pessoas também ilimitado. Embora a economia seja uma irmã siamesa bem menos desenvolvida que a física clássica, ignorou seus avanços e não se adaptou às novas formas de realidade sistêmica que vieram nos últimos 200 anos. Isso é mais surreal do que o fiasco da COP15. Essa visão equivocada é a razão desse fiasco.

Sinto calafrios quando ouço o discurso dos nossos políticos, imantado nessa visão megalomaníaca suicida dos economistas que criaram a economia como um bicho que não tem boca nem estômago (de onde vem os recursos pouco importa), nem intestino nem reto (para onde vão os resíduos pouco importa). É um sistema circulatório apenas, sem contato com as extremidades, poderia estar flutuando em marte e mesmo assim não precisaríamos adaptar a teoria em nada. Daí deriva a nossa adoração pelo deus crescimento econômico e aquilo que é considerado solução dos nossos problemas, é seu agravante. E o agravo é tal agora que não podemos contar mais com a possibilidade da vida ser sustentada pela Terra. Na verdade temos um conflito de identidade horroroso, não sabemos se somos deuses ou apenas mais uma espécie animal. Se formos o último e se a vida está ameaçada, não podemos contar que sairemos ilesos. Essa forma filosófica de encarar a questão é semelhante a dizermos: “Nunca morri até agora e isso significa que nunca irei morrer” ou “o planeta nunca expulsou a humanidade inteira, portanto isso nunca acontecerá.”

Na lista das excentricidades, dias antes da COP15, os Estados Unidos aprovaram seu orçamento militar de 2010: US$ 630 bilhões. Os chineses possuem só 16 ogivas nucleares, porque sabem que elas são suficientes para destruir a humanidade duas vezes. Os Estados Unidos possuem 60.000, pois o plutônio, subproduto da energia nuclear, é comprado continuamente como única forma de financiar a energia nuclear. A cada 10 anos, as ogivas têm que ser refeitas, um negócio, por assim dizer, da China, que talvez copie o modelo quando abandonar o carvão a favor do urânio. Por ora, carvão não é abandonado nem na China, nem no estado de Dakota nos Estados Unidos, porque os governantes dizem que se mudarem a matriz apenas por questões ambientais, isso inviabilizaria a economia. É a mágica das externalidades, custos relacionados ao nosso sistema que são socializados com todos e com o futuro, se fossem reconhecidos, descobriríamos que mais da metade do nosso progresso é falso e o sistema inteiro é insustentável. Esse mesmo mesmo argumento aparece na questão ambiental e agrícola da Amazônia. Graças aos economistas e seus modelos, tudo é regido pela total separação mesquinha: quanto mais viável economicamente for uma atividade, mais ambientalmente inviável ela é. Os economistas não se preocupam com isso, porque acreditam que nada é feito com o meio ambiente e os recursos da natureza são insignificantes e possuem substitutos perfeitos através da engenhosidade humana. Os físicos caem de costas ao ouvirem essas baboseiras.

Mas um ponto não pode passar despercebido: a total falta de finalidade de se ter 60.000 ogivas é equivalente a quantidade enorme de veículos, consumo estúpido, quantidade de lixo a cada minuto grotesca, casas gigantescas e obras absurdas como Dubai, transposição do Rio São Francisco, usina das Três Gargantas ou construção de novas usinas hidrelétricas na Amazônia. Tudo isso feito lado a lado com o colapso do transporte nas cidades, quando 50% da energia é desperdiçada no mundo todo, quando não existe mais relação alguma entre crescimento econômico e qualidade de vida ou bem estar. Se falta energia no mundo, é porque falta “produzir” mais energia, não é porque há excesso de demanda nem porque há desperdício. Se há fome no mundo, é porque falta “produzir” alimentos, não é porque há excesso de gente, desperdício e enormes ineficiências, como o consumo de carne. Adeus ecossistemas e a vida na Terra, esse será o resultado final da nossa visão de mundo. Estamos céleres a caminho desse resultado e tudo indica que somente quando o planeta revidar os estragos que fizemos, iremos repensar esse modelo que passou por uma degeneração socioambiental opressiva e acelerada, principalmente nos últimos 40 anos, mas que perto do que virá pela frente, será nada.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Por que Marina Silva?

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Por que Marina Silva?

Porque é a única candidata e está entre os poucos políticos desse país capaz de se preocupar com o meio ambiente de forma sistêmica, como um problema econômico, social, como parte das nossas atividades e através da busca de um diálogo, saindo do lugar comum que basta a economia crescer que tudo estará bem, como vemos presente nas idéias e discursos de Dilma Roussef, José Serra, Lula, Fernando Henrique Cardoso, Paulo Maluf, Orestes Quércia e tantos outros.

O crescimento deveria ser um subproduto não buscado do modelo de desenvolvimento, cuja finalidade maior deveria ser o equilíbrio social e ambiental local, acima do global e acima dos interesses dos grandes centros econômicos e políticos. Até porque mesmo esses grandes centros tem sua sustentação dependente do que vamos fazer de agora em diante para reverter a enorme degradação social e ambiental à nossa volta – ou alguém ainda acha normal um jovem, um ser humano semelhante a nós, entrar num ônibus e jogar uma bomba para explodi-lo numa cidade que foi escolhida como sede das Olímpiadas? Ou alguém acha normal o Brasil ser sede das Olímpiadas quando a maior parte das escolas públicas não tem nem quadra poli-esportiva para serem usadas e os professores de educação física arcam com equipamentos do próprio bolso? Pois é, precisamos mostrar como anda a situação de esportes para os jovens das escolas públicas, só o ufanismo de termos sido escolhidos para sediar os jogos não basta.

A proposta de lei do Cristovam Buarque de obrigar os políticos a colocar seus filhos na escola pública (http://nossofuturocomum.blogspot.com/2009/11/projeto-de-lei.html) tem que se apoiada. Mais que isso: o transporte e os hospitais públicos deveriam ser obrigatórios para todos os políticos. A merenda escolar deveria ser entregue também para os filhos dos políticos: essa é a única forma deles provarem que prestam um bom serviço à população.

Só vamos melhorar o Brasil e a qualidade dos serviços públicos que o governo nos oferece e ao mesmo tempo mudar o modelo de desenvolvimento econômico que entrega de graça nossas florestas ao resto do mundo ganancioso e já em colapso, como a China e os Estados Unidos, com uma pessoa como a Marina Silva. Ela tem um histórico e um rico conhecimento sobre o quanto é importante redimensionar as idéias malucas dos economistas que acreditam ainda que o planeta é um subsistema das economias e que a economia pode ser maior que a Terra e preconizam o crescimento eterno esfacelador de todos os serviços ecológicos que nos sustentam como solução para todos os nossos males.

Sim, Marina Silva agora é a nossa única esperança. Quando penso na morte da Amazônia, que pode acontecer de uma hora para outra se insistirmos no seu desmatamento contínuo e na política de desenvolvimento suicida que já criou um deserto maior que a França e o Reino Unido dentro da nossa floresta, lembro imediatamente da Marina Silva, na sua ligação com Chico Mendes, na sua atitude heróica. A Amazônia é continuamente destruída e a cada dia amanhecemos com menos florestas, o mesmo ritmo de destruição dos países como a China e os Estados Unidos, que esgotaram tudo e só não entraram em colapso por conta do comércio internacional, que lhes dá acesso gratuito aos recursos da natureza de países cegos como o nosso, que não mudam o debate internacional cego à nossa volta e ainda elogiam suas investidas contra nós e nosso meio ambiente.

Só Marina Silva reduziria a pressão para construção de usinas hidrelétricas totalmente desnecessárias, pois basta cortar o desperdício e fazer atualização tecnológica da infra-estrutura de energia já existente (a Folha de São Paulo publicou várias matérias a esse respeito) e a oferta dobraria sem ser necessário nem Rio Madeira nem Belo Monte. É o planeta que dá as regras e não nós e há um limite que ainda não enxergamos para nossas atividades, bem como há uma total falta de sentido em manter um sistema econômico no qual de cada 150 dólares adicionados à riqueza mundial só 60 centavos chegam aos mais pobres. Ou alguém ainda acha que o crescimento econômico está voltado à liberdade e o desenvolvimento individual, à criação de empregos permanentes bem remunerados e não apenas temporários? Quando alguém vai entender que o emprego só se justifica quando a economia cresce e desaparece imediatamente no contrário e que não importa qual nível material a economia atinja, ele só se justifica se a economia for capaz de atingir um nível maior. Isso é um absurdo físico e planetário que assusta os cientistas, porque podemos deixar a Terra ainda banhada em sol entregue apenas à vida bacteriana se continuarmos nessa rota.

Só Marina Silva é capaz de entender e revogar esses absurdos. Mais ninguém. Os demais políticos e candidatos querem acabar com o Cerrado e a Amazônia e com o pouco que nos resta, para exportar o que não precisamos para nosso consumo próprio e manter a megalomania de nações que ainda não entenderam que a conta chegou através das atuais mudanças climáticas, da contínua extinção da vida (a maior dos últimos 65 milhões de anos) e da ruína dos serviços ecológicos, como polinização e água.

Só Marina Silva.


Hugo Penteado

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Dicas

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A situação é tão séria, que muitos concluem que vamos todos morrer ou não tem mais jeito. Essa visão é muito ruim. Causa depressão, letargia, desistência e pior, já que vai acabar, então deixa eu usufruir o pouco que resta. Será?

Tudo isso deriva da nossa necessidade de controle e de prever o futuro, embora não tenhamos em nossas mãos nenhuma das duas coisas. O futuro não foi feito para ser previsto, mas para ser criado, como escreveu Erwin Laszlos. Mas criar dentro das limitações sociais, biológicas, físicas e planetárias que não iremos jamais revogar.

As dicas, portanto, são: não se preocupe com o que vai acontecer nem o que os outros vão fazer ou deixar de fazer, isso não é problema seu, nem pode ser definido por você. Somente faça a sua parte. Também não se preocupe muito se a sua parte é perfeita ou não, porque nada nem ninguém será. Faça o que você achar melhor, partindo sempre do princípio que você faz porque acredita e sente que tudo e todos a sua volta é interdependente e belo demais para ignorar as consequências e não se sentir responsável. Ame e preserve, pois sua vida depende de outras vidas que dependem de você. Nessa crise espiritual atual, o melhor caminho para atingir a paz é fazer a sua parte sem reticências.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Colapso global como freio de arrumação

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VALOR 17/03/2009

Colapso global como freio de arrumação
José Eli da Veiga
O colapso global ajuda a pensar no seu contrário: o crescimento econômico, um dos mais amplos e profundos anseios coletivos contemporâneos. E oportuna referência está no trabalho de uma comissão formada por 18 sumidades de 16 países, sob a liderança de Spence, Solow e Leipziger, publicado em meados de 2008 pelo Banco Mundial: "The Growth Report - Strategies for Sustained Growth and Inclusive Development".

A comissão propôs que o mundo se mirasse no exemplo de 13 países que, desde 1950, conseguiram que seus PIB crescessem a uma taxa média igual ou superior a 7% em período de ao menos 25 anos: Botsuana, Brasil, China, Hong Kong, Indonésia, Japão, Coreia, Malásia, Malta, Omã, Cingapura, Taiwan e Tailândia. Sem sequer discutir se poderia ser possível para o conjunto aquilo que foi possível para uma de suas partes, caindo assim na conhecida falácia da composição, o relatório pretende que o PIB mundial possa mais do que quintuplicar em um quarto de século.

Isso não quer dizer que tenham sido ignorados problemas como o do aquecimento global, ou de disparada dos preços relativos de produtos energéticos e alimentares. Ao contrário, na quarta parte do documento eles são considerados como "novas tendências globais", junto com temas mais políticos, como as resistências à globalização. Só que tudo isso é entendido como exógeno. Nada teria a ver com o próprio crescimento econômico. Nem mesmo as dificuldades para se reduzir emissões de gases de efeito estufa chegam a ser consideradas nesse cenário de multiplicação do PIB mundial por 5,4 em um quarto de século.

Por que essas 18 altas autoridades em ciência econômica imaginam que aumentos do PIB não tenham custos socioambientais? A resposta aponta um raciocínio muito comum, que também é dos mais falaciosos. Como em um dólar de PIB é declinante a participação relativa de recursos como petróleo e minérios, deduz-se que não existam limites naturais ao crescimento econômico. Um duplo sofisma. Ignora que continua a aumentar o fluxo de recursos naturais que atravessa a economia, mesmo que diminua no PIB seu peso monetário relativo. E também ignora que o valor é sempre acrescentado pelos humanos, mediante sua força e meios que criam para produzir (trabalho e capital), o que inclui evidentemente conhecimento e inteligência. Raciocina-se como se fosse possível a criação de valor adicionado sem uma coisa à qual ele se adicione, em geral recursos naturais.

Quem ler esse relatório também ficará sem saber que desde meados da década de 1990 outros economistas comparam as evoluções do PIB às evoluções de indicadores de bem-estar. E que o fenômeno constatado nas nações mais avançadas foi de clara divergência a partir do início dos anos 1980, mostrando que em países de alto consumo os custos do crescimento passaram a superar seus benefícios, tornando-o antieconômico.

A constatação empírica de divergência entre desempenho econômico (medido pela evolução do produto) e a efetiva qualidade de vida, assim como entre ela e as perspectivas das gerações futuras (sustentabilidade ambiental), são os primeiros sinais daquilo que no plano teórico havia sido antecipado desde 1966 pela genial contribuição de Nicholas Georgescu-Roegen (1906-1994). Foi quem mostrou que as teorias da ciência econômica simplesmente fazem de conta que não existe a termodinâmica, porque seria muito incômodo aceitar a sua segunda lei, da entropia.

Toda transformação energética envolve produção de calor que tende a se dissipar. E calor é a forma mais degradada de energia, pois embora parte dele possa ser recuperada para algum propósito útil, não é possível aproveitá-lo totalmente por causa de sua tendência à dissipação. A degradação energética tende a atingir um máximo em sistema isolado, como o universo. E não é possível reverter esse processo. O que quer dizer que o calor tende a se distribuir de maneira uniforme por todo o sistema. E calor uniformemente distribuído não pode ser aproveitado para gerar trabalho.

Como as mais diversas formas de vida são sistemas abertos, elas só se mantêm como oposição temporária ao

processo entrópico. Há entrada de energia e materiais, mas nem toda energia pode ser utilizada: o calor dissipado não é capaz de realizar trabalho. Energia e matéria aproveitáveis são de baixa entropia, e quando utilizadas na manutenção da organização do próprio sistema, são dissipadas, tornando-se de alta entropia. Os organismos vivos existem, crescem e se organizam importando energia e matéria de qualidade de fora de seus corpos, e exportando a entropia.

Também é assim que a economia mantém sua organização material e cresce em escala: é aberta para a entrada de energia e materiais de qualidade, mas também para a saída de resíduos. Toda a vida econômica se alimenta de energia e matéria de baixa entropia, e gera como subprodutos resíduos de alta entropia. Por isso, não pode ser entendida como moto-perpétuo.

No entanto, obcecados pelo fluxo circular monetário, os economistas convencionais se esqueceram do fluxo metabólico real. Por isso chegam ao absurdo de pensar que o crescimento econômico nada tenha a ver com a capacidade do ambiente de assimilar os resíduos, colocando em risco suas funções de suporte à vida. E não há como se saber qual será o nível de impacto a partir do qual os danos ao ambiente serão irreversíveis.

A mais prática decorrência é que poderá ser muito melhor que o PIB mundial aumente, por exemplo, a uma taxa média de 2%, dobrando em 35 anos, em vez de 7%, quintuplicando em 24. Mais importante ainda será que essa média resulte de taxas das mais elevadas em uma centena de países periféricos e das mais baixas nas duas ou três dezenas de países centrais. Só isso poderá permitir que a qualidade do crescimento econômico seja compatível com a conservação ecossistêmica, gerando algo bem mais próximo do generoso ideal que só emergiu no final do século passado: o desenvolvimento sustentável. E, neste caso, o colapso global terá sido um bem vindo freio de arrumação.

José Eli da Veiga, professor titular do departamento de economia da FEA-USP e autor de diversos livros sobre desenvolvimento sustentável, escreve mensalmente às terças. Página web: www.zeeli.pro.br

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

A Terra é Plana

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Não seja pessimista e não se preocupe, a Terra é Plana

Aqui no Brasil ser pessimista ou preocupado nos dias atuais é um pecado mortal. No mundo inteiro, parece que se você mostra preocupações reais sobre o planeta, sobre a nossa economia doente, a sociedade trucidada, imediatamente você se torna um inimigo do sistema. Essa reação é típica daqueles que defendem o status quo como sendo a única rota possível para todos. Se isso fosse verdade, olhando a forma como transformamos a Terra em uma lixeira e como nossa sociedade e os jovens estão cada vez mais sem oportunidades (de bem estar, de paz, de vida, de saúde, de trabalho), então estamos fritos. Aqueles que estão preocupados com a situação da humanidade não deveriam ser considerados inimigos por quem tivesse um mínimo de bom senso. Os verdadeiros inimigos do sistema não são os que se preocupam, mas sim os que teimam em ignorar as preocupações apesar dos sinais inequívocos de que a situação se deteriorou muito nos últimos 100 anos e que tudo indica só tende a piorar, pois não há, em lugar algum, nenhum sinal de mudança em relação às atitudes que tomamos e que nos criou todos esses problemas agora sistêmicos. No fundo, as pessoas preocupadas com os problemas, identificam as causas e podem achar as soluções, sempre foi assim, mas a resistência em relação ao trabalho dessas pessoas tem sido muito grande. As alegações nada científicas contra uma nova visão para mudar os processos econômicos destrutivos descritos no vídeo "The Story of Stuff" (que pode ser encontrado aqui) ganham força como se fosse possível discutir se é certo ou errado matar ou não matar criançinhas inocentes no Iraque. Bjorn Lomborg é um símbolo desse ataque, um mero estatístico que nunca foi um cientista da Terra conseguiu ganhar um destaque desmerecido, mesmo tendo sido condenado por desonestidade científica. Falar besteira não tem problema, o que importa é falar o que as pessoas querem ouvir.

Ao invés de prestar atenção nos cientistas e nas evidências, adotar um discurso Poliana tem sido melhor aplaudido e acolhido por todos aqueles - que não são poucos - que ainda acreditam na lupa que usam para ver o mundo e ignoram os já bilhões de seres humanos que não tem lupa alguma para dizer o mínimo e são refugiados do sistema. Obama vai ser vítima desse mundo Poliana e em poucos meses iremos ouvir que ele não foi capaz de fazer nada para mudar o destino de uma sociedade inteira, quiçá de uma civilização, dada a enorme influência que os Estados Unidos tem sobre os países. É um karma coletivo, resultado de más decisões feitas durante muito tempo e a conta só chegou agora. Obama não é Deus e apesar de tudo que aconteceu, mesmo assim ele venceu as eleições por uma margem muito pequena e porque a situação econômica dos Estados Unidos é a pior desde a Grande Depressão da década de 30. O mesmo vale para as guerras: pesquisas de opinião pública nos Estados Unidos mostram que a principal razão pela qual hoje são contra a guerra é pelo seu custo excessivo e o fato de terem sido derrotados. Não é porque 1.000.000 de pessoas inocentes foram mortas no Iraque. A mesma reação popular aconteceu na guerra do Vietnam, segundo livro da época de Noam Chomsky. Obama herdou uma sociedade cujo padrão de consumo o planeta só é capaz de sustentar 200 milhões de pessoas, de acordo com a matéria "The Folly of Growth" da revista News Scientist do ano passado que divulgamos nesse mesmo espaço. Para mudar isso, precisaria mesmo ser um Deus; está na hora de cada um mudar, ao invés de esperar um messias no lugar dessa mudança.

O mais surrealista não é existirem pessoas querendo viver com esse padrão de consumo, o mais surrealista é ver os economistas acharem que esse é o modelo certo para um planeta que já mostrou claros sinais que não vai mais manter os seres vivos se continuarmos com essa idéia. Discutir que a economia não pode ser maior que o planeta é uma discussão que significa perda da nossa humanidade, é a mesma perda de tempo ao discutir porque os judeus (ou qualquer outro ser humano com direito a vida) não poderiam nem deveriam ser mortos por Hitler. São discussões que não deveriam nem ter ponto de partida. A discussão hoje que vemos entre a economia tradicional com sua megalomania de crescimento e a dos cientistas da Terra e dos economistas ecológicos não deveria nem existir. É como se hoje ainda os economistas tradicionais acreditassem sem discussão que a Terra é plana, os segundos tentam provar que na verdade a Terra é redonda e embora eles já disponham de fotos de satélite, mapas, viagens espaciais investigativas, os primeiros não aceitam essa versão e trabalham freneticamente em cima do conceito de uma terra plana. Só irão mudar quando for tarde demais para isso.

Hugo Penteado

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Só falta a pá de cal

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Que estamos todos entregues às baratas, já sabíamos. Que o mercado mais lucrativo do mundo sempre foi a estupidez humana já sabíamos. O que não sabíamos até agora é que só falta a pá de cal e mesmo assim, as pessoas agem como se nada estivesse acontecendo.

Para se manter firme na mídia convencional, temos que fingir que nada está acontecendo. As previsões sobre o planeta, sobre as forças que sustentam as formas de vida na Terra, inclusive a nossa, são assombrosas, mas temos que fazer de conta que tudo vai bem no melhor dos mundos, como Leibniz.

Temos que fingir que as decisões corretas estão sendo tomadas. Dá vontade até de rir ao pensar nisso. Enquanto destruímos 42 campos de futebol em florestas por minuto, enquanto achamos que símbolo de sucesso econômico é construir, produzir, aumentar, vender, sem ver que isso só é possível via destruição, destruição, aniquilação e destruição. No final, deixaremos a Terra apenas à vida bacteriana, como previu Roegen. Quando nossa economia estará baseada em estoques e não em fluxos? Quando os economistas irão perceber que o território dos países não aumenta de tamanho e vai diminuir agora com o aquecimento global?

A crise, disseram alguns, pelo menos vai impedir maior destruição do meio ambiente. Outros, bem intencionados, disseram que é tolice preservar o meio ambiente às custas de um maciço desemprego, como se não pudéssemos optar: ou destruímos o meio ambiente ou mantemos um maciço desemprego. Em outras palavras: não dá para manter o emprego sem destruir o meio ambiente. Será? Se isso for verdade, acho que devemos aderir ao “kidsfree movement” (movimento sem filhos) que preferiu optar pela extinção voluntária da humanidade, ao invés de esperar pela extinção inevitável.

Nossa sina não pode ser essa. Ambos estão erradíssimos. Estão erradíssimos em dizer que não se ganha nada ambientalmente com a crise econômica, porque, de fato se ganha. O meio ambiente no modelo atual é sacrificado em prol dos tão propalados benefícios do sistema econômico, sempre submetido a crescimento exponencial, meta de todos os economistas sem exceção (na prática, essa visão é universal). Portanto, quando o crescimento desaparece numa crise econômica, isso até pode incomodar alguns, mas fato é que o meio ambiente agradece, pois diminui a velocidade com a qual transformamos a Terra em uma lixeira e o processo pelo qual tolamente insistimos em achar que a economia pode de fato ser maior que a Terra.

Deveria ser hora de pensar o que fazer a partir de então: recuperar a economia através do mesmo modelo destruidor do meio ambiente e acelerar o carro na direção do precipício que se avizinha cada vez mais ou mudar esse modelo de vez por todas? Será que não conseguimos dar emprego permanente, função permanente às pessoas que aqui estão e ao mesmo tempo preservar o meio ambiente para as gerações futuras? Se isso não for possível então estamos fritos. A resposta deveria ser: claro que é possível. Se cortarmos todas as gorduras das nossas mentes emburrecidas, se mudarmos todas as idéias estapafúrdias sobre comércio global, economia global, consumo e mundo empresarial, veremos que temos como fazer isso. Só não queremos fazer, por uma razão muito simples: somos egocêntricos demais para nos ocupar do próximo, somos cruéis demais para nos sentir obrigados a preservar a vida da Terra. Somos egocêntricos e arrogantes, essa é a raiz de todo mal. E pior, queremos mais, não importa quantos iates, fazendas, casas temos, mesmo que a maioria não tenha quase nada, nossa ganância não muda: queremos mais. Mesmo sabendo que a vida é curta, iremos ficar aqui apenas algumas décadas e que individualmente não temos valor algum, insistimos nesse modelo de sucesso. Somos a única espécie animal coisificada e isso é um horror, imagine os pingüins que lutam no frio extremo do pólo para sobreviver a um inverno glacial. Basta apenas dois deles naquela massa de indivíduos decidirem que o seu espaço material deveria ser 1000 vezes maior do que dos demais pingüins. Não se manteriam aquecidos e todos morreriam e é assim que todos morreremos. Em relação ao planeta nada será mais democrático que um colapso ambiental sistêmico.

O mais triste da crise global, que é uma crise de valores e uma repetição dos mesmos erros do passado, é que ainda não serviu para ninguém acordar para uma mudança real, exceto para aplicar a mesma dosagem de remédios que está envenenando o doente. Estamos caminhando para o apocalipse sem saber que em algum momento pode ser tarde demais para fazer algo. O pior de tudo é o exercício de lógica das mentes brihantes que nos guiam: “As crises sempre foram sucedidas por calmaria e nunca houve uma crise insuperável.” Chamar de crise o fato da humanidade ter decretado guerra contra o planeta Terra, guerra que jamais irá ganhar, é um eufemismo. Achar que uma crise insuperável jamais pode acontecer é o mesmo que dizer: “Nunca morri, portanto nunca morrerei.”

Parabéns a todos os economistas: a solução para o mundo é outra onda de consumismo, a mesma estúpida que houve nos Estados Unidos, onde 68 milhões de famílias possuem 190.000.000 casas. O tamanho das casas, para piorar, triplicou nas últimas décadas, apesar do número de pessoas por família ter caído de 10 para quatro. Ou seja: quanto mais estúpido o consumo, mais rica (e vulnerável) a economia, embora desapareça rapidamente a capacidade do planeta sustentar todas as formas de vida na Terra, inclusive a nossa (opa, nós somos uma forma de vida como outra qualquer e não uma divindade, desculpa ter que lembrar isso). Nunca sairemos dessa armadilha? E para quê ou para quem estamos fazendo isso, qual é o contrato social do crescimento? Que decisões os governos do mundo todo estão tomando para alterar isso?

Hugo Penteado

sábado, 13 de dezembro de 2008

O mito da separação da economia com o meio ambiente

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Desculpem falar na primeira pessoa, mas não posso deixar de falar como eu estou me sentindo hoje. Eu sei que para a humanidade ser salva, o pronome na primeira pessoa tem que ser abolido, eu e meu não podem existir mais, porque no fundo não existem, aqui na Terra, todos os seres vivos dependem de todos os seres vivos e está tudo interligado. Assistindo ao documentário “Planet Earth” (Planeta Terra) da BBC com voz de Sigourney Weaver, fiquei impressionado ao saber que as monções estão ligadas com o Saara que está ligado à fertilização da Amazônia que está ligada ao regime de chuvas e formação de recursos hídricos das regiões Sul e Sudeste brasileiras. Desculpa mencionar, mas, caro amigo Blairo Maggi, por favor, o mundo econômico tem limites, a economia não pode ser maior que o planeta, você está certo que comemos os ecossistemas, mas precisamos fazer isso com o maior cuidado, porque os ecossistemas não estão aí apenas para serem comidos, estão aí para nossos pulmões se encherem de ar, estão aí para nossos corações baterem, estão aí para respirarmos. Eu sei, há fome no mundo, mas vamos parar com isso: se há falta de algo, é porque falta produzir algo. Se há fome no mundo, não é porque há excesso de gente, não é porque há desperdício (um quarto da comida termina no lixo), não é porque há má distribuição e ineficiência. O mesmo vale para tudo. Na crise imobiliária dos Estados Unidos, é chocante saber que esse setor está em crise com cada família tendo em média quase três casas. Enfim, tem que ficar claro que sem os ecossistemas que exercem funções vitais como regulação química da atmosfera, a Terra seria uma tocha incandescente e nem estaríamos batendo papo por aqui. Na verdade a causalidade da vida na Terra é tão improvável, que é um milagre estarmos aqui sem dúvida alguma. Por exemplo, sem Jupíter, cuja enorme gravidade criou paz cósmica para nosso planeta azul ao absorver para si mesmo todos os elementos móveis que transitam nesse espaço sideral perigoso, não estaríamos também batendo papo. Ainda bem que Jupíter demorou a se formar, porque do contrário os cometas não teriam batido intensamente no nosso planeta. Sem essa colisão maciça e ininterrupta de bilhões de anos, a Terra não teria uma gota de água. Nossos corpos são feitos de matéria base de carbono do sol e água de cometas. Milagre, mas a água é e sempre será finita, para aumentar sua quantidade, mais cometas deveriam bater contra a Terra. Vamos rezar para que nem cometa nem asteróides nos visitem, porque nossa conversa também pode não continuar depois disso. Somos muito vulneráveis no fundo e devíamos nos proteger e proteger o planeta. Fazemos o oposto, cada um na sua individualidade estúpida e nas suas riquezas desnecessárias e temporárias.

Somos dependentes de todos e da natureza e do planeta e ponto final. A economia não pode ser maior que o planeta. Se o objetivo de todos é vender mais, ganhar mais dinheiro, construir mais, estamos fritos, isso não funcionará. É a receita do colapso total. A crise global agora traz mais cavaleiros do apocalipse diante de nós. Um setor prioritário é o automobilístico, setor que precisa imediatamente se deter de transformar o transporte humano numa rota suicida, baseada na queima de combustíveis fósseis que estavam na crosta terrestre há milhões de anos e que altera nossa atmosfera ao ponto de estarmos a mercê de uma mudança climática crítica. A natureza não via esses materiais da crosta há milhões de anos (no caso de metais, são bilhões de anos). Não há portanto ciclos naturais regenerativos para isso. Cada carro produzido na Terra requer o asfaltamento de 0,6 hectare de Terra ou será que alguém acha que um carro vai para cima da copa de uma árvore? Além de ser ineficiente, porque são duas a quatro toneladas de material para transportar um ou mais corpos humanos (de preferência um só...). Precisamos do novo, isso não é o novo, a indústria automobilística destruiu empregos à velocidade da luz, de 150.000 postos em 1950, hoje só possui no Brasil 50.000 produzindo muito, mas muito mais carros. Essa lógica não funciona: as pessoas precisam de função social, de emprego (e não de trabalho). A saturação material do modelo consumista frusta todo mundo e também não é capaz de sustentar as economias em lugar nenhum, mesmo as mais prósperas, como Estados Unidos e Europa. Está tudo errado. É chocante.

Mais chocante é ver o novo mascarado de velho nas práticas de sustentabilidade com metas surrealistas de crescimento que jamais e em nenhum momento diminuíram as demandas absolutas por recursos finitos da Terra, tangíveis, como recursos naturais, e intangíveis, como os serviços da natureza. Estamos só disfarçando o inevitável. O inevitável chegou e isso me deixou muito preocupado. De um lado os cientistas já avisaram que o dêgelo total do Ártico não ocorrerá mais no final do século XXI mas em três ou sete anos. Meu Deus, três ou sete anos!!!! Anunciaram agora que a meta de descarbonização do sistema econômico tem que ser 100%!!! E alguém ainda questiona o fato de eu não querer mais prazeirosamente viajar de avião. Está na hora de cortar muitos luxos, estancar o crescimento populacional, adotar eficiência e distribuição, implementar programas sociais, economias comunitárias, focar no local e não no global. O único efeito do comércio global foi permitir que a prosperidade dos países ricos fosse mantida sem eles viverem seu próprio colapso ambiental, pois as trocas ambientais entre os países aí são invisíveis e saem a custo zero. Se os Estados Unidos estivessem sozinhos no mundo, sem nenhum território ou país para explorar seus recursos da natureza, já teria entrado em colapso há muito tempo. Agora quem corre risco de entrar em colapso é o planeta inteiro. Não dá mais para manter essa cegueira, mas será mantida, Obama quer trabalhar para fazer sua economia crescer - crescer e importar recursos ambientais de outros lugares que não mais possui.

Não estamos fazendo nada direito. A população segue crescendo violentamente em números absolutos (são 200.000 por dia já descontados os mortos). O "iluminado" Julien Simon dizia ser possível sermos um trilhão de pessoas, mas vemos o oposto: com muito menos, os cadáveres e dejetos humanos, sem falar na sua poluição dantesca, vão criando desafios extremos a todas as cidades do mundo. Isso só seria verdade se fôssemos deuses. Será que somos e estou enganado ao dizer que não passamos apenas de uma espécie animal a mais e Charles Darwin errou mais ainda ao dizer que nada diferencia o ser humano dos demais animais? Esse Simon influenciou outro iluminado chamado Bjorn Lomborg, que diz não haver nenhum problema ambiental na Terra ou algum problema ambiental que seja prioritário. De iluminados estamos cheios, não tenhamos dúvidas sobre isso, encarar o problema de frente nem pensar.

A lista é infindável. Para se ter uma idéia os programas de ajuda nessa crise atual é fazer mais obras, construir mais coisas, construir, construir, construir para empregar e vender, vender. Seguimos achando que a economia é um bicho que pode viver, mesmo sem ter boca nem estômago (de onde vem os recursos pouco importa), sem ter intestino nem reto (para onde vão os resíduos pouco importa). A economia é um bicho que vive só com sistema circulatório. Os economistas mais famosos do mundo acreditam que um bicho como esse, sem boca, estômago, intestino e reto pode crescer, viver e ser maior que o planeta. E ainda ganham prêmio Nobel por isso. Fantástico, mas Aristóteles explica isso muito bem: “quando nossos interesses estão em foco somos os piores juízes das nossas ações.” Criar um bicho igual a células cancerígenas que morrem ao matar seu hospedeiro virou o principal modelo econômico de todos os países, como se não houvessem alternativas discutidas há mais de 50 anos.

Eu estou atônito (perdoem-me o pronome na primeira pessoa, estou procurando evitar) com as soluções da crise, com o Congresso dos Estados Unidos ajudando as empresas automobilísticas que se opões a metas de redução do gás carbônico. Estou atônito ao saber que o Ártico irá degelar inteiramente em 3 a 7 anos e o urso polar irá desaparecer, mas que não será a única espécie animal ameaçada por esse triste fim. Nós também iremos pelo mesmo caminho, ao que tudo indica. Perdoem-me falar que a crise global é a menor das nossas crises, sei que vocês estão com medo do desemprego e com medo de tudo. É o medo que nos inspira muito mal. Leiam André Gorz, porque eu não li, mas já gostei dele.

No fundo, a nossa crise maior é a da consciência. A da falta de consciência. E ainda achar que não temos responsabilidade por esses problemas que serão resolvidos pelas nossas instituições, as mesmas que gastaram e gastam trilhões de dólares em armas de destruição em massa, protegem práticas socioambientais repulsivas, promovem guerras e destruição contínua de florestas e ecossistemas. Achamos que elas serão capazes de resolver nossos problemas. Não estamos sendo ingênuos ao delegar essa responsabilidade a instituições claramente incapazes de mudar, simplesmente porque não mudamos nós mesmos? As instituições somos nós. Nós temos que mudar para mudar as instituições. Não há como se eximir jamais dessa responsabilidade. É hora de enfrentar a realidade de termos transformado a Terra numa enorme lixeira acreditando que a economia pode ser maior que o planeta e mudarmos.

Antes que seja tarde demais.

(grifos meus, Claudia Chow)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

"É preciso salvar o planeta do capitalismo"

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"É preciso salvar o planeta do capitalismo"

Em um documento enviado para a XIV Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, o presidente da Bolívia, Evo Morales, diz que a competição e a sede de lucro sem limites do sistema capitalista estão destroçando o planeta. Para o líder boliviano, “a mudança climática colocou toda a humanidade diante de uma disjuntiva: continuar pelo caminho do capitalismo e da morte, ou empreender o caminho da harmonia com a natureza e do respeito à vida”.

Evo Morales
Data: 07/12/2008

Evo Morales propõe a criação de uma Organização Mundial do Meio Ambiente e da Mudança Climática, a qual se subordinem as organizações comerciais e financeiras multilaterais, para promover um modelo distinto de desenvolvimento, amigável com a natureza e que resolva os graves problemas da pobreza. E defende a transformação estrutural da Organização Mundial do Comércio (OMC), do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do sistema econômico internacional em seu conjunto, "a fim de garantir um comércio justo e complementar, um financiamento sem condicionamentos para um desenvolvimento sustentável que não esbanje os recursos naturais e os combustíveis fósseis nos processos de produção, comércio e transporte de produtos".

Leia a seguir a íntegra do documento:

Hoje, nossa Mãe Terra está doente. Desde o princípio do século XXI temos vivido os anos mais quentes dos últimos mil anos. O aquecimento global está provocando mudanças bruscas no clima: o retrocesso das geleiras e a diminuição das calotas polares; o aumento do nível do mar e a inundação de territórios costeiros em cujas cercanias vivem 60% da população mundial; o incremento dos processos de desertificação e a diminuição de fontes de água doce; uma maior freqüência de desastres naturais que atingem diversas comunidades do planeta; a extinção de espécies animais e vegetais; e a propagação de enfermidades em zonas que antes estavam livres das mesmas. Uma das conseqüências mais trágicas da mudança climática é que algumas nações e territórios estão condenados a desaparecer pela elevação do nível do mar.

Tudo começou com a Revolução Industrial de 1750 que deu início ao sistema capitalista. Em dois séculos e meio, os países chamados “desenvolvidos” consumiram grande parte dos combustíveis fósseis criados em cinco milhões de séculos. A competição e a sede de lucro sem limites do sistema capitalista estão destroçando o planeta. Para o capitalismo não somos seres humanos, mas sim meros consumidores. Para o capitalismo não existe a mãe terra, mas sim as matérias primas. O capitalismo é a fonte das assimetrias e desequilíbrios no mundo. Gera luxo, ostentação e esbanjamento para uns poucos enquanto milhões morrem de fome no mundo. Nas mãos do capitalismo, tudo se converte em mercadoria: a água, a terra, o genoma humano, as culturas ancestrais, a justiça, a ética, a morte...a própria vida. Tudo, absolutamente tudo, se vende e se compra no capitalismo. E até a própria “mudança climática” converteu-se em um negócio.

A “mudança climática” colocou toda a humanidade diante de uma grande disjuntiva: continuar pelo caminho do capitalismo e da morte, ou empreender o caminho da harmonia com a natureza e do respeito à vida. No Protocolo de Kyoto, de 1997, os países desenvolvidos e de economias em transição se comprometeram a reduzir suas emissões de gases geradores de efeito estufa em pelo menos 5% em relação aos níveis de 1990, com a implementação de diferentes instrumentos entre os quais predominam os mecanismos de mercado. Até 2006, os gases causadores do efeito estufa, longe de diminuir, aumentaram 9,1% em relação aos níveis de 1990, evidenciando-se também desta maneira o descumprimento dos compromissos dos países desenvolvidos. Os mecanismos de mercado aplicados nos países em desenvolvimento não conseguiram uma diminuição significativa das emissões desses gases.

Assim como o mercado é incapaz de regular o sistema financeiro e produtivo do mundo, o mercado tampouco é capaz de regular as emissões de gases e só gerará um grande negócio para os agentes financeiros e as grandes corporações.

O planeta é muito mais importante que as bolsas de Wall Street e do mundo. Enquanto os Estados Unidos e a União Européia destinam US$ 4,1 trilhões de dólares para salvar os banqueiros de uma crise financeira que eles mesmos provocaram, destinam apenas US$ 13 bilhões de dólares aos programas vinculados à mudança climática, um valor 313 vezes menor do que aquele reservado aos bancos. Os recursos para a mudança climática estão mal distribuídos. Destinam-se mais recursos para reduzir as emissões (mitigação) e menos para enfrentar os efeitos da mudança climática que atingem todos os países (adaptação).

A grande maioria dos recursos foi dirigida aos países que mais contaminaram o meio ambiente e não para os países que mais trabalharam pela preservação. Cerca de 80% dos projetos do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo concentraram-se em apenas quatro países emergentes. A lógica capitalista promove o paradoxo de que os setores que mais contribuíram para a deterioração do meio ambiente são os que mais se beneficiam dos programas relacionados às mudanças climáticas. E a transferência de tecnologia e financiamento para um desenvolvimento limpo e sustentável dos países do Sul permaneceu nos discursos. Na próxima cúpula sobre a Mudança Climática, em Copenhague, devemos permitir-nos dar um salto se queremos salvar a mãe terra e a humanidade. Para isso, apresentamos as seguintes propostas para o processo que vai de Poznan a Copenhague.

Atacar as causas estruturais da mudança climática

Discutir as causas estruturais da mudança climática. Enquanto não mudarmos o sistema capitalista por um sistema baseado na complementaridade, na solidariedade e na harmonia entre os povos e a natureza, as medidas que adotarmos serão paliativos com um caráter limitado e precário. Para nós, o que fracassou é o modelo de “viver melhor”, do desenvolvimento ilimitado, da industrialização sem fronteiras, da modernidade que despreza a história, da acumulação crescente às custas do outro e da natureza. Por isso, propomos o Viver Bem, em harmonia com os outros seres humanos e com nossa Mãe Terra.

Os países desenvolvidos precisam controlar seus padrões consumistas – de lucro e esbanjamento -, especialmente o consumo excessivo de combustíveis fósseis. Os subsídios aos combustíveis fósseis, que chegam a 150-250 bilhões de dólares, devem ser progressivamente eliminados. É fundamental desenvolver energias alternativas como a energia solar, a geotérmica, a energia eólica e a hidroelétrica em pequena e média escala.

Os agrocombustíveis não são uma alternativa porque opõem a produção de alimentos para o transporte frente à produção de alimentos para os seres humanos. Os agrocombustíveis ampliam a fronteira agrícola destruindo os bosques e a biodiversidade, geram monoculturas, promovem a concentração da terra, deterioram os solos, esgotam as fontes de água, contribuem para a alta do preço dos alimentos e, em muitos casos, consomem mais energia do que geram.

Cumprimento de compromissos substanciais de redução de emissões

Cumprir estritamente até 2012 o compromisso dos países desenvolvidos de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em pelo menos 5%, em relação aos níveis de 1990. Não é aceitável que os países que contaminaram historicamente o planeta falem de reduções maiores para o futuro descumprindo seus compromissos presentes.

Estabelecer novos compromissos mínimos para os países desenvolvidos, de 40% para 2020 e de 90% para 2050, de redução de gases causadores do efeito estufa, tomando como ponto de partida as emissões de 1990. Esses compromissos mínimos de redução devem ser feitos de maneira interna nos países desenvolvidos e não através de mecanismos flexíveis de mercado que permitem a compra de Certificados de Reduções de Emissões para seguir contaminando em seu próprio país. Além disso, devem se estabelecer mecanismos de monitoramento, informação e verificação transparentes, acessíveis ao público, para garantir o cumprimento de tais compromissos. Os países em desenvolvimento que não são responsáveis pela contaminação histórica devem preservar o espaço necessário para implementar um desenvolvimento alternativo e sustentável que não repita os erros do processo de industrialização selvagem que nos levaram à atual situação. Para assegurar esse processo, os países em desenvolvimento necessitam, como pré-requisito, de financiamento e transferência de tecnologia.

Um mecanismo financeiro integral para atender à dívida ecológica

Os países desenvolvidos devem reconhecer a dívida ecológica histórica que têm com o planeta e criar um mecanismo financeiro integral para apoiar os países em desenvolvimento na implementação de seus planos e programas de adaptação e mitigação da mudança climática; na inovação, desenvolvimento e transferência de tecnologia; na conservação e melhoramento de seus escoadouros e depósitos; nas ações de resposta aos graves desastres naturais provocados pela mudança climática; e na execução de planos de desenvolvimento sustentáveis e amigáveis com a natureza.

Este mecanismo financeiro integral, para ser efetivo, deve contar com pelo menos um aporte de 1% do PIB dos países desenvolvidos, sem contar outros recursos provenientes de impostos sobre combustíveis, transnacionais financeiras, transporte marítimo e aéreo e bens de empresas transnacionais. O financiamento proveniente dos países desenvolvidos deve ser agregado à Ajuda Oficial para o Desenvolvimento (ODA), à ajuda bilateral e/ou canalizada através de organismos que não sejam os das Nações Unidas. Qualquer financiamento fora da Convenção-Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (CMNUCC) não poderá ser considerado como a aplicação dos compromissos dos países desenvolvidos sob a convenção. Os financiamentos têm que ser dirigidos aos planos e programas nacionais dos Estados e não para projetos que estão sob a lógica do mercado.

O financiamento não deve concentrar-se somente em alguns países desenvolvidos, mas tem que priorizar os países que menos contribuem para a emissão de gases geradores do efeito estufa, aqueles que preservam a natureza e/ou que mais sofrem os impactos da mudança climática. O mecanismo de financiamento integral deve estar sob a cobertura das Nações Unidas e não do Fundo Global de Meio Ambiente (GEF) e seus intermediários como o Banco Mundial ou os bancos regionais; sua administração deve ser coletiva, transparente e não burocrática. Suas decisões devem ser tomadas por todos os países membros, em especial os países em desenvolvimento, e não apenas pelos doadores ou pelas burocracias administradoras.

Transferência de tecnologia aos países em desenvolvimento

As inovações e tecnologias relacionadas com a mudança climática devem ser de domínio público e não estar sob um regime privado de monopólio de patentes que obstaculiza e encarece sua transferência aos países em desenvolvimento.

Os produtos que são fruto do financiamento público para inovação e desenvolvimento de tecnologias devem ser colocados sob o domínio público e não sob um regime privado de patentes, de forma tal que sejam de livre acesso para os países em desenvolvimento.

Incentivar e melhorar o sistema de licenças voluntárias e obrigatórias para que todos os países possam ter acesso aos produtos já patenteados, de forma rápida e livre de custo. Os países desenvolvidos não podem tratar as patentes e os direitos de propriedade intelectual como se fossem algo “sagrado” que deve ser mantido a qualquer custo. O regime de flexibilidade que existe para os direitos de propriedade intelectual, quando se trata de graves problemas de saúde pública, deve ser adaptado e ampliado substancialmente para curar a Mãe Terra.

Reunir e promover as práticas dos povos indígenas de harmonia com a natureza que, ao longo dos séculos, mostraram-se sustentáveis.

Adaptação e mitigação com a participação de todo o povo

Impulsionar ações, programas e planos de mitigação e adaptação com a participação das comunidades locais e povos indígenas no marco do pleno respeito e implementação da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas. O melhor instrumento para enfrentar o desafio da mudança climática não são os instrumentos de mercado, mas sim os seres humanos organizados, conscientes, mobilizados e dotados de identidade.

A redução das emissões resultantes do desmatamento e degradação das florestas deve estar baseada em um mecanismo de compensação direta de países desenvolvidos para países em desenvolvimento, através de uma implementação soberana que assegure uma participação ampla de comunidades locais e povos indígenas, e um mecanismo de monitoramento, informação e verificação transparentes e públicos.

Uma ONU do Meio Ambiente e da Mudança Climática

Necessitamos de uma Organização Mundial do Meio Ambiente e da Mudança Climática, a qual se subordinem as organizações comerciais e financeiras multilaterais, para promover um modelo distinto de desenvolvimento, amigável com a natureza e que resolva os graves problemas da pobreza. Esta organização tem que contar com mecanismos efetivos de implantação de programas, verificação e sanção para garantir o cumprimento dos acordos presentes e futuros.

É fundamental transformar estruturalmente a Organização Mundial do Comércio, o Fundo Monetário e o sistema econômico internacional em seu conjunto, a fim de garantir um comércio justo e complementar, um financiamento sem condicionamentos para um desenvolvimento sustentável que não esbanje os recursos naturais e os combustíveis fósseis nos processos de produção, comércio e transporte de produtos.

Neste processo de negociação para a cúpula de Copenhague é fundamental garantir instâncias ativas de participação em nível nacional, regional e mundial de todos nossos povos, em particular dos setores mais afetados como os povos indígenas que sempre impulsionaram a defesa da Mãe terra.

A humanidade é capaz de salvar o planeta se recuperar os princípios da solidariedade, da complementaridade e da harmonia com a natureza, em contraposição ao império da competição, do lucro e do consumismo dos recursos naturais.

(*) Evo Morales é Presidente da Bolívia.

Tradução: Katarina Peixoto

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Relatório Stern

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Nicholas Stern, Relatório Stern, crise imobiliária dos EUA e limites de concentração dos gases do efeito estufa

Estive com Sir Nicholas Stern pessoalmente. Pareceu mais um economista tradicional que não captou ainda as mensagens alarmantes dos cientistas dos sistemas da Terra e continua defendendo o crescimento econômico a ferro e fogo ou a qualquer custo. Para isso ser possível, a economia teria que ser maior que o planeta. Nesse modelo incrível, as pessoas existem para servir a economia, quando na realidade deveria ser justamente o oposto. Portanto, é mais um que defende que todas as benesses sociais derivam do crescimento econômico, quando é justamente o contrário. Vamos presenciar isso agora: a queda da atividade mundial vai devolver as pessoas para suas casas e sem ter o que fazer, elas irão ajudar a corroer a economia num círculo vicioso, enquanto os governos se desesperam com a fragilidade incrível do contrato social do crescimento, formulado unilateralmente pelas empresas do mundo todo. A resposta não poderá ser mais errada: os governos vão procurar a todo custo manter a megalomania da demanda crescente às custas de um ataque voraz ao planeta, como se isso fosse possível e realmente tivesse resultados sociais permanentes.

Quando perguntei a Sir Nicholas ou Lord Stern sobre a impossibilidade da economia ser maior que o planeta e comentei sobre a matéria "The Folly of Growth" (A Tolice do Crescimento) da revista New Scientist, ele desmistificou os limites planetários do crescimento dizendo: “o importante para nós é a energia que usamos, a eficiência no uso dessa energia e a tecnologia”. Com isso, a economia pode continuar crescendo e ela pode sim ser maior que o planeta, concluiria ele, sem dizer, claro essas palavras, porque retruquei dizendo que não temos só um problema de energia, mas de matéria. Aí ele lembrou da água. Eu lembrei imediatamente do território dos países que é e sempre será finito (apesar que com o aquecimento global e a elevação dos oceanos, será decrescente, embora a maior ameaça do aquecimento global não é a elevação dos oceanos, mas o fim da água).

Mesmo assim Richard Stern deu uma contribuição fantástica ao dizer que a perda econômica com o aquecimento global é maior do que o custo de evitá-lo. Ele disse que quando começou a estudar o aquecimento global não foi por convicção, mas por uma demanda do governo do Tony Blair. Ele, no artigo abaixo, agora defende estabilizar a concentração do dióxido de carbono onde a comunidade indica como sendo mais seguro: entre 450 e 500 e não mais 550 ppm (partes por milhão). Está atualmente em 380 ppm.

O planeta é muito maior que a economia. As pessoas são muito maiores que a economia. A economia na verdade depende do planeta e das pessoas. E ela teria realmente que existir para servir as pessoas, e não o contrário, como é hoje, onde as pessoas servem a economia.

Tudo está relacionado. Sobre a crise imobiliária dos EUA, que todos esperem que termine e esse setor inicie novamente uma vigorosa recuperação, pois bem, os números mostram que isso será impossível, pois se trata de um excesso megalomaníaco:

- os EUA conseguiram se livrar da produção suja simplesmente transferindo para outros países e importando bens finais e matérias-primas. Mas uma poluição eles não conseguiram se livrar: a urbana e a do espalhamento urbano imposto pela construção residencial e não residencial. Esse espalhamento urbano é responsável por ter poluído terrivelmente praticamente metade dos lagos, zonas estuárias e rios dos EUA, segundo a EPA (agência ambiental do governo federal dos EUA), dado que pode estar subestimado. A questão da água é seríssima, em 10 ou 20 anos muitos centros dos EUA vão enfrentar escassez de água.

- nos EUA há 75 milhões de famílias para 190 milhões de casas, ou seja, é quase 3 casas por família. Detalhe: há 27 milhões de mendigos nos EUA (quase 10% da população e eles são americanos tradicionais, porque os imigrantes ou trabalham ou voltam para o país de origem). Portanto, 27 milhões ou quase 7 milhões de famílias não tem moradia. Os 68 milhões tem então 190 milhões de casas, em excesso claro. O país mais rico do mundo não conseguiu eliminar a pobreza - dos americanos tradicionais!

- O excesso não termina aí: nos anos 70, o número de pessoas por família nos EUA era ao redor de 10, hoje é aproximadamente 4 (a população dos EUA é de quase 300 milhões). Embora o tamanho das familias tenha caído vertiginosamente, o tamanho das casas triplicou!!!

- Em 1900 os EUA tinha 1 milhão de moradias, hoje tem 190 milhões, o território é o mesmo, de 9,3 milhões de km2!!!!

Ou seja, como reativar um setor que está completamente em excesso, que já produziu enormes descalabros ambientais, num espaço finito? É ou não é o máximo da insanidade total? Para piorar, o caos social que será produzido com a crise global, vai requerer mais do mesmo, mais estragos, mais desequilíbrios e aceleração da atual rota suicida e cega. E isso irá enriquecer os mais ricos, como todo sempre, pois de acordo com a NEF (News Economic Foundation) de Londres, de cada 100 dólares adicionados a renda per capita mundial, só centavos chegam aos mais pobres.

Detalhe: a crise imobiliária é a causa primária da atual crise global... Será que já atingimos o limite da capacidade de recuperação na mesma fórmula de sempre?

O que estamos realmente esperando para mudar nosso modelo mental?

Hugo Penteado

04/11/2008 - 10h34
Autor do Relatório Stern muda de posição sobre limite para gases-estufa
da Folha de S.Paulo

O ex-economista-chefe do Reino Unido, sir Nicholas Stern, 62, admitiu ontem que manter como limite máximo de concentração de gases-estufa no ar 550 ppm (partes por milhão), como defendia antes, é arriscado.

Segundo ele, o ideal seria manter a concentração abaixo de 500 ppm. Hoje, o nível é de 430 ppm.

"Vamos atingir 450 ppm em oito anos", disse ele, em evento da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Acima de 500 ppm, o risco de a temperatura subir 5ºC é alto.

Ele disse que o investimento para estabilizar as emissões seria como pagar uma apólice de seguro para evitar um "desfecho catastrófico". Para Stern, com o avanço da ciência é possível manter entre 450 ppm e 500 ppm.

O lorde é autor do Relatório Stern, documento que afirma que os gastos anuais de estabilizar a emissão de gases-estufa na atmosfera seriam equivalentes a 1% do PIB mundial até 2050 e que, se nada for feito para conter as emissões, o PIB poderia ser reduzido em até 20%.

Stern avalia que até essa sua projeção estava subestimada e que o prejuízo da inação pode ser ainda maior.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Bank Bubble Chart

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(Clique na imagem para ver melhor)

Há uma bolha pior que essa dos bancos: a do sistema econômico em relação ao planeta, cujo exemplo atual poderia ser o HSBC, mas estamos doidos para ir na direção de uma bolha econômica como a do Citibank. Aliás, todos os meus clientes perguntam: porque cargas d´água o Brasil não cresce 10% todos os anos como a China? Nem adianta dizer que jamais conseguiremos atingir essa bolha...

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Apocalipse

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APOCALIPSE

Coletivamente talvez não haja apocalipse algum no futuro, mas separadamente hoje já acontece para várias espécies animais, dentro e fora da indústria, como também já é vivido em vários países inteiros ou em grupos sociais de países ricos ou não. A situação real de um conjunto considerável de seres, se usássemos a lupa deles, tanto do ponto de vista social quanto ambiental e humanitário, é bem próxima de um apocalipse. Eu vejo e sinto isso diariamente, basta andar nas ruas, ler a internet ou saber das histórias das pessoas do meu convívio que eram antes classe média e que não encontram nada para fazer de suas vidas e não é por falta só de capacitação.

Por isso a solução é tão importante, porque já temos um claro indício de resultados negativos profundos e arrasadores pipocando aqui e acolá à nossa volta e fazer uma leitura dessa realidade tem sido uma tarefa muito difícil para todos nós.

Coletivamente pode ocorrer. O fato de eu nunca ter morrido, não significa que eu não vou morrer um dia. E o fato de eu nunca ter morrido também não significa que eu não deva me preocupar com isso. O mesmo vale para o risco da extinção da humanidade que agora vivemos, tudo por conta dos nossos atos diários e das decisões erradas do nosso sistema econômico.

Hugo Penteado

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Mundo tem que abandonar obsessão por crescimento

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Segue um artigo sobre a publicação recente da revista New Scientist, sobre um dos maiores mitos e uma das idéias mais falsas e inescrupulosas da atualidade: crescimento econômico.

As fundações científicas da teoria do crescimento econômico revelam que além de ser uma teoria falsa, baseada em premissas falsas, como foi descoberto por vários estudiosos há mais de 40 anos, é uma teoria voltada para atender interesses específicos da nossa sociedade, sem se ater sobre seus resultados maléficos, sejam sociais (perda de qualidade de vida e liberdade, péssima distribuição dos ganhos, guerras, etc.) ou ambientais (degradação contínua e suicida dos ecossistemas e seus serviços).

Hugo Penteado

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Sexta, 17 de outubro de 2008, 7h33
Fonte: BBC Brasil

Economia internacional
Revista: Mundo tem que abandonar obsessão por crescimento


Em plena crise global, com governos e mercados preocupados com uma possível recessão mundial, a revista especializada britânica New Scientist foi às bancas nesta semana com uma capa na qual defende que a busca por crescimento econômico está matando o planeta e precisa ser revista.

Em uma série de entrevistas e artigos de especialistas em desenvolvimento sustentável, a revista pinta um quadro em que todos os esforços para desenvolver combustíveis limpos, reduzir as emissões de carbono e buscar fontes de energia renováveis podem ser inúteis enquanto nosso sistema econômico continuar em busca de crescimento.

"A Ciência nos diz que se for para levarmos a sério as tentativas de salvar o planeta, temos que remodelar nossa economia", afirma a revista.

Segundo analistas consultados pela publicação, o grande problema na equação do crescimento econômico está no fato de que, enquanto a economia busca um crescimento infinito, os recursos naturais da Terra são limitados.

"Os economistas não perceberam um fato simples que para os cientistas é óbvio: o tamanho da Terra é fixo, nem sua massa nem a extensão da superfície variam. O mesmo vale para a energia, água, terra, ar, minerais e outros recursos presentes no planeta. A Terra já não está conseguindo sustentar a economia existente, muito menos uma que
continue crescendo", afirma em um artigo o economista Herman Daly, professor da Universidade de Maryland e ex-consultor do departamento para o meio ambiente do Banco Mundial.

Para Daly, o fato de o nosso sistema econômico ser baseado na busca do crescimento acima de tudo, faz com que o mundo esteja caminhando para um desastre ecológico e também econômico, dadas as limitações dos recursos.

"Para evitar este desastre, precisamos mudar nosso foco do crescimento quantitativo para um qualitativo e impor limites nas taxas de consumo dos recursos naturais da Terra", escreve.

"Nesta economia de estado sólido, os valores das mercadorias ainda podem aumentar, por exemplo, por causa de inovações tecnológicas ou melhor distribuição. Mas o tamanho físico dessa economia deve ser mantido em um nível que o planeta consiga sustentar", conclui Daly, que compara a atual economia a um avião em alta velocidade e a
sua proposta a um helicóptero, capaz de voar sem se mover.

Reformar o capitalismo

Mas essas mudanças no sistema não serão fáceis. Em uma entrevista à revista, James Gustav Speth, ex-conselheiro do governo Jimmy Carter (1977-1981) e da ONU, afirma que o movimento ambiental nunca conseguirá vencer dentro do atual sistema capitalista.

"A única solução é reformarmos o capitalismo atual. Os Estados Unidos cresceram entre 3% e 3,5% por um bom tempo. Há algum dividendo deste crescimento sendo colocado em melhores condições sociais? Não. Os Estados Unidos têm que focar em indústrias sustentáveis, necessidades sociais, tecnologias e atendimento médico decente, e não sacrificar isso
para fazer a economia crescer. Eu não defendo o socialismo, mas uma alternativa não-socialista para o capitalismo atual", diz.

Ele também faz críticas ao atual movimento ambientalista.

"A comunidade ambientalista, pelo menos nos Estados Unidos, é muito fraca quando falamos sobre mudança de estilo de vida, consumo e sobre sua relutância em desafiar o crescimento ou o poder das corporações. Nós precisamos de um novo movimento político nos EUA. Cabe aos cidadãos injetarem valores que reflitam as aspirações humanas, e não apenas fazer mais dinheiro", afirmou ele.

Obsessão pelo crescimento

A revista também traz um artigo que discute o argumento de que o crescimento econômico é necessário para erradicar a pobreza e que quanto mais ricos ficam alguns, a vida dos mais pobres também melhora. É a chamada Teoria do Gotejamento.

Segundo Andrew Simms, diretor da New Economics Foundation, em Londres, este argumento, além de "não ser sincero", sob qualquer avaliação, é " impossível".

"Durante os anos 1980, para cada US$ 100 adicionados na economia global, cerca de US$ 2,20 eram repassados para aqueles que estavam abaixo da linha de pobreza. Durante a década de 1990, esse valor passou para US$ 0,60. Essa desigualdade significa que para que os pobres se tornem um pouco menos pobres, os ricos tem que ficar
muito mais ricos", disse.

Segundo ele, isto pode até parecer justo para alguns, mas não é sustentável.

"A humanidade está indo além da capacidade da biosfera sustentar nossas atividades anuais desde meados dos anos 1980. Em 2008, nós ultrapassamos essa capacidade anual em 23 de setembro, cinco dias antes do ano anterior".

Ele ainda afirma ser impossível que um dia toda a humanidade tenha o padrão de vida dos países desenvolvidos.

"Seriam necessários pelo menos três planetas Terra para sustentar essas necessidades se todos vivessem nos padrões da Grã-Bretanha. Cinco se vivêssemos como os americanos".

Para Simms, a Terra estaria inabitável há muito tempo antes que o crescimento econômico pudesse erradicar a pobreza.

Para que o mundo possa ter uma economia ecologicamente sustentável, segundo Simms, é preciso acabar com o preconceito de alguns em relação ao conceito de "redistribuição", que, para ele, é o único modo viável de acabar com a pobreza.

"Só foi preciso alguns dias para que os governos da Grã-Bretanha e dos EUA abandonassem décadas de doutrinas econômicas para tentar resgatar o sistema financeiro de um colapso. Por que tem que demorar mais para introduzirem um plano para deter o colapso do planeta trazido por uma conduta irresponsável e ainda mais perigosa chamada
obsessão pelo crescimento?", explicou.

http://br.invertia.com/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200810171033_BBB_77553273

sábado, 18 de outubro de 2008

Mudança de atitude

De acordo com os cientistas, a situação planetária é muito séria. Apesar disso, no campo da economia, as visões da realidade só contribuem para agravar tanto a situação planetária quanto a pobreza. Tudo isso com mais desigualdade e menos bem estar e qualidade de vida. Essa teoria econômica falsa, baseada em premissas erradas, tem o poder de causar um estrago ambiental monumental, lado a lado com resultados sociais tremendamente ruins.

É inegável que os resultados socioambientais da aplicação prática do conhecimento econômico são bem diferentes do que pregam os economistas. A explicação está no erro epistemológico de uma teoria econômica baseada em premissas que não correspondem mais à realidade física e planetária à nossa volta. Esse erro foi reconhecido formalmente na década de 70, através da crítica nunca refutada de Nicholas Georgescu-Roegen (1906-1994). Os economistas adotam nos seus modelos um sistema econômico, que se fosse um bicho, não teria boca nem estômago (de onde vem os recursos pouco importa) e não teria intestino ou reto (para onde vão os resíduos são irrelevantes). Essa visão de mundo gerou um ataque ao planeta sem precedentes com destruição contínua dos ecossistemas, das florestas e com processos degenerativos impressionantes. As duas maiores consequências desse estrago são o aquecimento global e a maior extinção da vida planetária dos últimos 65 milhões de anos. E esses não são os dois únicos problemas, mas parte deles apenas.

O mito mecanicista introduz a idéia de reversibilidade e neutralidade nos processos econômicos estudados pelos economistas e que resultam em proposições de política econômica voltadas para o crescimento eterno, que além de produzirem as piores decisões, como as guerras e a crise financeira dos Estados Unidos, esbarram na limitação óbvia do planeta. Não podemos negar que pelo menos em território os países são finitos e sobre os quais não se pode adicionar coisas, pessoas e casas infinitamente. Sabemos hoje que a finitude ecológica e planetária é muito maior que isso.

Os ecossistemas funcionam como reguladores químicos da atmosfera, do solo, são estabilizadores do clima e da regeneração da água entre vários serviços que a natureza nos presta livremente. Poderíamos até sonhar com isso, mas os ecossistemas não estão aí apenas para serem transformados em áreas agrícolas ou atividades humanas, nem para serem comidos, como mencionou Blairo Maggi. Eles existem para exercer funções vitais sem a qual nada irá sobreviver nesse planeta. Não há um só exemplo de civilização ou sociedade que não tenha entrado em colapso ao ter comido os seus ecossistemas além da sua capacidade de sustentação da vida. Esse colapso, onde e quando ocorreu, foi horrendo e muitas sociedades terminaram em matança ou canibalismo ou morte em massa.

Ainda segundo Roegen, o mito mecanicista não é o único erro das teorias econômicas. O segundo, o mito tecnológico, assume a possibilidade do ser humano produzir fatores materiais em substituição aos da natureza e isso é um absurdo negado pela física, porque tudo à nossa volta é matéria e energia e o ser humano não produz nenhum dos dois. Através desse mito, os economistas brincam de faz de conta achando que o planeta é inesgotável e por essa razão suas principais variáveis são todas elas fluxos, jamais estoques. Eles diriam: "para que olhar estoques se o mundo é inesgotável?" O mito tecnológico que surgiu a partir da teoria do crescimento de Robert Solow se afina muito bem ao modelo mental no qual ao invés de evitarmos problemas, tentamos solucioná-los com nossas tecnologias. Funciona bem também com um dos piores indicadores jamais inventados: o PIB, para o qual guerras, desastres naturais, contaminações, destruição e matança não geram impacto nenhum, ao contrário, toda a atividade necessária para consertar o estrago depois é extremamente positiva para aumentar o fluxo do PIB.

Está mais do que na hora dos economistas possuírem um entendimento multidisciplinar das suas idéias que produzem decisões políticas diariamente, pois manter o sistema econômico do descarte imediato dos bens e do desperdício, linear, degenerativo e infinito, dependente de um outro sistema dominante, o planeta, que é circular, regenerativo e finito significa produzir mazelas ambientais crescentes ou até o ponto de serem intransponíveis. Nas palavras dos paleontólogos, é muita ingenuidade achar que a extinção agora em curso jamais irá se voltar contra os causadores.

Até agora o ataque ao planeta é justificado pelos tão venerados resultados sociais, os governos de países atrasados como o Brasil não aceitam restrições a esse ataque e se justificam através do que os países ricos já fizeram. Sem querer, eles apenas confirmam um fato há muito sabido por todos: os países ricos só se tornaram ricos sem causar um colapso planetário porque fizeram isso sozinhos. Quando todos seguirem a mesma rota, não iremos a lugar algum e a discussão irá terminar no valhala imaterial. Precisamos de uma proposta diferente que requer apoio e financiamento dos países líderes, para entrar no debate internacional de forma inteligente, do contrário seremos anti-éticos, pois os maus atos não justificam os de ninguém.

Os resultados sociais do crescimento suicida até agora se mostraram ausentes e incapazes de se sustentar por si só. O crescimento tornou-se um fim em si mesmo e o aumento de empregos que ele produz, dentro de uma desigualdade e submissão inequívocas, só se sustenta com mais crescimento. Esse resultado tautológico do crescimento cego dentro de um planeta finito tem produzido apenas concentração de riqueza recorde principalmente nos países mais ricos, não foi capaz de remover a pobreza e a falta de paz entre as nações e tem produzido resultados sociais tão ruins, que é totalmente inescrupuloso alguém defender que essa é a única forma de resolver nossos problemas. É inescrupuloso, pelos resultados observados, mesmo se fizéssemos de conta que o crescimento não estivesse em rota de colisão com a Terra.

Está na hora de uma mudança real e não de retoques no nosso sistema que é a base de sustentação de todos. A crise financeira dos Estados Unidos deixou bem claro que esse modelo não tem resistência nenhuma. Não podemos mais confiar em uma economia que é um fim em si mesma, ao invés de ser um instrumento para melhorar a vida de todos os seres vivos, com a harmonia entre as nações e de todos com o planeta. Idéias novas para isso já surgiram, revogar o conflito do sistema econômico na parte ambiental é uma questão de mera decisão política. Revogar a pobreza e a escravidão disfarçada que vigora nos quatro cantos desse planeta é apenas uma questão de solidariedade. Só falta fazer isso, ao invés de esperar pelo colapso inevitável das péssimas decisões que tomamos com base em um conjunto de valores inútil, baseado na ignorância do que já sabemos e numa teoria econômica falsa que reina soberana sobre todo o enorme conhecimento científico em redor, que não pode nem deve mais ser ignorado.

Hugo Penteado

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quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Proposta da ONU

Fizeram uma lavagem cerebral para a gente comer carne como se fôssemos carnívoros, só que não somos. A nossa saliva é alcalina, a do carnívoro é ácida, a carne já derrete na boca. O nosso estômago produz um pinguelo de ácido clorídrigo, o carnívoro produz quantidade dez vezez maior. Quando a carne chega no nosso intestino, percorre um percurso longuíssimo; no carnívero o trajeto é curto. Segundo os médicos, só conseguimos digerir de 30 a 40 gramas de carne a cada 3 ou 4 horas, o resto vira bolo fecal de carne podre, mandando toxinas e causando doenças diversas, entre elas o câncer. A indústria alimentícia que saqueia nosso planeta não agradece sozinha, a químico-farmacêutica também agradece!

Em relação a essa proposta da ONU eles esqueceram de avisar os chineses: o consumo de carne per capita lá aumentou 300%. De novo: a indústria alimentícia que saqueia nosso planeta não agradece sozinha, a químico-farmacêutica também agradece!

Somos um bando de pessoas que não entendemos nem a ecologia do nosso corpo, o que se dirá do planeta.

ONU propõe que se coma menos carne para lutar contra a mudança climática
da France Presse, em Londres


As pessoas deveriam reduzir o consumo de carne como contribuição pessoal para combater a mudança climática, segundo um especialista da ONU em entrevista neste domingo a um jornal britânico.
Rajenda Pachauri, presidente do IPCC (Painel Intergovernamental de Especialistas das Nações Unidas sobre Mudança Climática) declarou ao jornal "The Observer" que as pessoas deveriam começar a deixar de comer carne um dia por semana para, posteriormente, ir reduzindo ainda mais o consumo.
O economista indiano argumenta que uma mudança na dieta seria muito importante na luta contra a mudança climática porque, com a redução do consumo de carne, se reduziria também as emissões de gases de efeito estufa e problemas ambientais como a destruição de habitats naturais pela criação de gado.
O especialista de 68 anos, vegetariano convicto, oferecerá na segunda-feira uma palestra em Londres sobre "Aquecimento climático: o impacto da produção e o consumo de carne na mudança climática".
Em um relatório de 2007, o IPCC alertou que, se não forem tomadas medidas, a mudança climática provocará a fome, secas, tempestades e perdas em massa de espécies.
Este grupo ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2007 junto com o ex-vice-presidente americano Al Gore.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A falsa dicotomia entre economia e meio ambiente

Essa é uma dicotomia inexistente, por teoria e modelo mental falsos e aí seguimos adiante com a receita do desastre que tantos alertas vem sendo dados, por pessoas que se dedicam a isso intensamente.

Quando iremos mudar tudo isso, virar a mesa, para fazer entender que não é uma coisa ou outra, são as duas, que não é economia e meio ambiente, são os dois, que não existe opção aí e sim cegueira total e suicídio coletivo?
Não estamos numa crise ambiental, estamos numa crise de entendimento, de valores, de ética.

Em entrevista, Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente da República, diz que
"A cabeça de Lula é a do peão do ABC. O núcleo da preocupação do presidente é com emprego e salário. Vejo isso todo dia. Assim, se o banqueiro tiver lucro, tudo bem. Ele diz: 'Eu prefiro que esses caras tenham lucro do que fazer um Proer para eles depois'. Mesmo em relação à reforma agrária, eu não sinto que ele se empenhe tanto, quanto por salário e emprego. Nem quanto ao ambiente."

"Vou ser bem claro aqui: ele acha importante a preservação, mas, entre um cerradinho e a soja, ele é soja."

"O ambiente é uma questão importante, mas não é decisiva. O que é decisivo é a economia. Gilberto Carvalho afirma também que, para assuntos considerados importantes o governo conta com a mão forte da ministra Dilma Roussef, da Casa Civil, para acelerar os processos, como no caso da "guerra" com a Ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, para que houvesse o leilão das hidrelétricas do Rio Madeira"

Veja, 2/7, p.11 a 15.

Crise da teoria econômica e dos resultados

Esse texto do Harvard Business Publishing em inglês é bem interessante para nossa reflexão.
Infelizmente, está apenas em inglês.


America’s Addiction and the New Economics of Strategy
Posted by Umair Haque on July 28, 2008 1:58 PM


Troublingly, the macroeconomic crisis that’s engulfed the world shows no signs of ending. Why not - why is it grinding on with the grim relentlessness of a drought? Because it’s not a simple financial crisis: it’s a broader economic one. What are the contours of that broader crisis?

We’re not just addicted to cheap oil, as Tom Friedman and Al Gore have eloquently argued. There’s a deeper economic truth at work here. We’re addicted to consumption. Let’s re-examine the house of cards that is the global financial system. Emerging markets seek export-led growth: they undervalue their currencies, so their exports are more competitive purely in terms of price. That’s essentially a subsidy to consumers on the other side of the table – those in the developed world. As emerging markets accumulate surpluses, they recycle them: they lend them back to the US and UK in the form of government and mortgage debt, stabilizing their economies, and amplifying the existing consumption subsidy through leverage.

Amplifying that artificial cheapness is the simple fact the true costs of production haven't been factored in - until now: very real costs like pollution, community fragmentation, and abusive labour standards. So we’ve been able to consume mercilessly and remorselessly – with no regard for the human, social, or environmental consequences, to us or to others.

It’s not just cheap oil we’re addicted to: it’s cheap everything. And the world we’re entering isn’t really of Peak Oil as it is one of Peak Consumption. But consumption wasn’t the only choice we could have made. We could have chosen, instead, to invest. In what? In anything: anything would have been a more sensible choice than naïve consumption – education, energy, healthcare, transportation, even a more sensible and rational kind of finance.

Why didn’t we? Part of the reason is surely deregulation. But a larger part is strategy itself: our economy is built on firms whose very purpose is to sell; to relentlessly push people into endlessly consuming, without ever considering the long-run consequences.

In a world where consumption itself must slow, the boardroom faces tough choices. Does it continue to hawk stuff that “satisfies” largely artificial needs? Or does it choose to do something authentic, meaningful, and purposive – something that makes us all radically better off than we were before?
Do we need razors with ten blades – or a single blade that never dulls?
When the economic history of the early 21st century is written, I suspect it will read something like this. Emerging markets – and the people that broke their backs in them – lent the developed world tremendous amounts. What did the developed world do with it? Instead of investing it in tomorrow, they spent it on McMansions, Hummers, and strip malls.

And that leads us squarely back to strategy: because the addiction has left us strung-out. At the heart of next-generation advantage is, paradoxically, being able to break yesterday’s maladaptive consumption addiction – not fuel it. It is firms who can shift past nihilistic, meaningless industrial-era corporate purpose – beyond acting as mere pushers of an addiction – who will power the next global financial system.

Companies like this are tomorrow’s revolutionaries – companies, as tiny and fumbling as their steps may be, as diverse as Whole Foods, Threadless, Google, and Marks & Spencer. Let’s track down more companies that are living this set of next-generation economics already. Fire away in the comments and suggest some – or fire away with questions, challenges, and your own thoughts.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Médico sugere menos filhos para salvar planeta

25/07/2008 - 09h36
Médico sugere menos filhos para salvar planeta

Um editorial publicado na edição desta sexta-feira da revista científica britânica British Medical Journal afirma que ter menos filhos é uma forma de contribuir para o combate ao aquecimento global.O artigo, assinado pelo professor de planejamento familiar do University College, de Londres, John Guillebaund, afirma que ''a população mundial atualmente excede 6,7 bilhões e o consumo de combustíveis fósseis, água potável, colheitas, peixes e florestas excedem a demanda''.Segundo o especialista, ''estes fatos estão relacionados'', uma vez que cada pessoa que nasce contribui para a emissão de gases poluentes e é impossível escapar da pobreza sem que haja um aumento dessas emissões.Guillebaund conclui que ''aplicar contracepção ajuda, portanto, a combater as mudanças climáticas, ainda que não seja um substituto direto para a redução das emissões per capita de elevados emissores''.MitosO autor destaca que o senso comum econômico diz que casais pobres muitas vezes preferem ter vários filhos para compensar a alta mortalidade infantil, fornecer mão de obra para aumento da renda familiar e cuidar dos pais quando eles estão mais velhos, fatores que, endossados por argumentos religiosos e culturais, reforçam a aceitação de grandes famílias.Mas ele afirma que ''os economistas tendem a ignorar o fato de que relações sexuais no período fértil são mais freqüentes do que o mínimo necessário para ter concepções intencionais. Portanto, ter uma família maior em vez de uma menor é menos uma decisão planejada do que um resultado automático da sexualidade humana''.Para Guillebaund, ''algo precisa ser feito para separar o sexo da concepção - ou seja, a contracepção''. Mas ele acrescenta que o acesso à contracepção é muitas vezes difícil, devido a abusos por parte de maridos, parentes, autoridades religiosas ou até ''lamentavelmente'' fornecedores de anticocepcionais.O editorial afirma que a demanda por anticoncepcionais aumenta quando eles se tornam acessíveis e quando as barreiras à sua obtenção são derrubadas, acompanhadas de informações apropriadas relativas à sua segurança e uso.O autor procura derrubar algumas crenças e reforçar outras que haviam sido desacreditadas. Ele lembra que no século 18, Malthus previu que com o aumento significativo da população, a escassez de alimentos seria inevitável.E que a chamada ''revolução verde'', idealizada pelo agrônomo americano Norman Borlaug, aparentemente provou que Malthus estava errado, mas que o significativo aumento populacional vem levando a uma escassez de alimentos sem precendentes, à escalada de preços e a protestos violentos.Guillebauns enfatiza ainda que das inovações da ''revolução verde'', como o amplo uso de fertilizantes, pesticidas, tratores e transporte, hoje também contribuem para o aquecimento global, uma vez que dependem de combustíveis fósseis.

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