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quarta-feira, 7 de maio de 2014

Economia autista

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Como para o autista Krugman (e praticamente todos como Joseph Stiglitz, Jeffrey Sachs, David Romer, Nouriel Roubini, etc) o que só importa é o crescimento e não outros padrões como demografia, cultura, sociedade, meio ambiente, ele está “conscientemente” pregando que o crescimento elevado deveria ser eterno, exponencial ao infinito, algo que só as bactérias e vírus perseguem num espaço finito.  É de uma estupidez tamanha que a grande surpresa não é ser proferida, mas seguida por todos.

A estagnação, concentração de riqueza, crises, falta de empregos, colapso planetário deve estar relacionada com outros fatores que escapam das análises dos economistas, por isso, eles nunca irão acertar, enquanto a análise continuar míope e restrita ao seu campo limitado de visão.

Esse vídeo ilustra bem como os economistas pensam





Description: Paul Krugman - New York Times Blog
May 7, 4:25 am Comment

Three Charts on Secular Stagnation

  •  Apologies for blog silence — stuff happened. Right now I’m in Oxford, preparing for a talk tonight on secular stagnation and all that; and I thought I’d share three charts I find helpful in thinking about where we are.
Secular stagnation is the proposition that periods like the last five-plus years, when even zero policy interest rates aren’t enough to restore full employment, are going to be much more common in the future than in the past — that the liquidity trap is becoming the new normal. Why might we think that?
One answer is simply that this episode has gone on for a long time. Even if the Fed raises rates next year, which is far from certain, at that point we will have spent 7 years — roughly a quarter of the time since we entered a low-inflation era in the 1980s — at the zero lower bound. That’s vastly more than the 5 percent or less probability Fed economists used to consider reasonable for such events.
Beyond that, it does look as if it was getting steadily harder to get monetary traction even before the 2008 crisis. Here’s the Fed funds rate minus core inflation, averaged over business cycles (peak to peak; I treat the double-dip recession of the early 80s as one cycle):
Description: http://graphics8.nytimes.com/images/2014/05/07/opinion/050714krugman1/050714krugman1-blog480.png
And this was true even though there was clearly unsustainable debt growth, especially during the Bush-era cycle:
Description: http://graphics8.nytimes.com/images/2014/05/07/opinion/050714krugman2/050714krugman2-blog480.png
The point is that even if deleveraging comes to an end, even stabilizing household debt relative to GDP would involve spending almost 4 percent of GDP less than during the 2001-7 business cycle.
Finally, the growth of potential output is very likely to be much slower in the future than in the past, if only because of demography:
Description: http://graphics8.nytimes.com/images/2014/05/07/opinion/050714krugman3/050714krugman3-blog480.png
Suppose that potential growth is one percentage point slower, and that the capital-output ratio is 3. In that case, slowing potential growth would, other things being equal, reduce investment demand by 3 percent of GDP.
So if you take the end of the credit boom and the slowing of potential growth together, we have something like a 7 percent of GDP anti-stimulus relative to the 2001-7 business cycle — a business cycle already characterized by low real rates and a close brush with the liquidity trap.
Predictions are hard, especially about the future — but as I see it, these charts offer very good reasons to worry that secular stagnation is indeed quite likely.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Comendo os irlandeses

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http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101127/not_imp645943,0.php

O Estado de São Paulo - ECONOMIA - Pág. B9
São Paulo, 27 de novembro de 2010 – Sábado

Comendo os irlandeses
É o caso se perguntar o que será preciso para as pessoas sérias perceberem que punir a população pelos pecados dos banqueiros é pior que um crime; é um erro

Paul Krugman*

Estamos precisando de um novo Jonathan Swift. A maioria das pessoas conhece Swift como o autor de As viagens de Gulliver. Mas os acontecimentos recentes me fizeram pensar em seu ensaio de 1729, "Uma proposta modesta", no qual ele observou a pobreza estarrecedora dos irlandeses e ofereceu uma solução: vender as crianças como alimento.

"Asseguro que essa comida será um pouco cara", ele admitiu, mas isso a tornaria muito apropriada para proprietários de terras , que, como já haviam devorado a maioria dos pais, pareciam ser os mais indicados para os filhos. Tudo bem que desta vez não são os proprietários de terras, mas os banqueiros - e eles estão apenas empobrecendo o população, não a comendo. Mas somente um satírico para fazer jus ao que está se passando hoje na Irlanda.

A história irlandesa começou com um verdadeiro milagre econômico.

Esse, porém, acabou dando lugar a uma orgia especulativa provocada por bancos e incorporadoras imobiliárias fora de controle, numa relação promíscua com políticos de peso. A orgia foi financiada com empréstimos enormes captados por bancos irlandeses, em geral de bancos de outros países europeus.

Aí a bolha estourou, e esses bancos enfrentaram prejuízos imensos.

Seria de esperar que os que emprestaram dinheiro aos bancos dividiriam os prejuízos. Afinal, eles eram adultos responsáveis por seus atos, e se não conseguiram compreender os riscos que estavam assumindo isso não foi por culpa de ninguém além deles. Mas, não, o governo entrou em cena para garantir a dívida dos bancos, transformando prejuízos privados em obrigações públicas.

Antes do estouro da bolha, a Irlanda tinha uma pequena dívida pública.

Mas, com os contribuintes subitamente ameaçados por prejuízos imensos dos bancos, enquanto a arrecadação despencava, a credibilidade do país foi colocada em xeque. Assim, a Irlanda tentou tranquilizar os mercados com um programa austero de corte de gastos.

Parem por um minuto e pensem nisso. Essas dívidas foram contraídas, não para pagar programas públicos, mas por espertalhões privados que buscavam apenas seu lucro pessoal. Agora, cidadãos comuns irlandeses pagam a conta.

Ou, para ser mais preciso, eles estão arcando com um ônus muito maior que a dívida - porque aqueles cortes de gastos causaram uma severa recessão, de modo que além de assumir as dívidas dos bancos, os irlandeses sofrem com a queda das rendas e o alto desemprego.

Agora o quê? Na semana passada, a Irlanda e seus vizinhos montaram o que foi amplamente descrito como um "salvamento". O que realmente se passou, porém, foi que o governo irlandês prometeu impor sofrimentos ainda maiores à população em troca de uma linha de crédito que, presumivelmente, daria mais tempo para a Irlanda, bem, recuperar a confiança. Os mercados, compreensivelmente, não se impressionaram quando as taxas de juros dos bônus irlandeses subiram ainda mais.

As coisas precisariam mesmo ser dessa maneira? No início de 2009, circulava uma piada: "Qual a diferença entre a Islândia (em inglês, Iceland) e a Irlanda (em inglês, Ireland)? Resposta: "Uma letra e cerca de seis meses." Isso era para ser uma piada de humor negro. Por pior que fosse a situação da Irlanda, ela não poderia se comparar ao completo desastre que era a Islândia.

Neste ponto, porém, a Islândia parece estar se saindo melhor que sua quase homônima. Sua recessão econômica não foi mais profunda que a da Irlanda, suas perdas de empregos foram menos graves e ela parece melhor posicionada para a recuperação. Os investidores, aliás, agora parecem estar considerando a dívida islandesa mais segura que a irlandesa. Como isso é possível? Parte da resposta é que a Islândia deixou que os emprestadores estrangeiros a seus bancos descontrolados pagassem o prelo de seu mau julgamento, em vez de colocar seus próprios contribuintes na linha para garantir as dívidas privadas ruins. Enquanto isso, a Islândia ajudou a evitar um pânico financeiro em parte impondo controles temporários ao capital - isto é, limitando a capacidade de os locais tirarem fundos do país.

A Islândia também se beneficiou do fato de que, diferentemente da Irlanda, ela ainda tem sua própria moeda: a desvalorização da coroa, que deixou as exportações islandesas mais competitivas, foi um importante fator para limitar a recessão na Islândia, Para os sabichões, nenhuma dessas opções heterodoxas está à disposição da Irlanda. A Irlanda, dizem eles, precisa continuar infligindo sofrimento a seus cidadãos - porque fazer qualquer outra coisa fatalmente solaparia a confiança.

Mas, a Irlanda já está em seu terceiro ano de austeridade, e a confiança continua se exaurindo. É o caso se perguntar o que será preciso para as pessoas sérias perceberem que punir a população pelos pecados dos banqueiros é pior que um crime; é um erro.

* É Prêmio Nobel de Economia
Tradução de Celso M. Paciornik

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A embriaguez da ciência econômica

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Paul Krugman

Quando leio artigos tratando de Novas Ideias para a Economia, costumo sentir um certo déjà vu: já não passamos por tudo isso antes? Justin Fox se encarrega do trabalho braçal da pesquisa e descobre um artigo de 1988 a respeito de Novas Ideias que, com pequenos ajustes, poderiam muito bem ter sido propostas nos dias de hoje.

Neste caso, entretanto, o problema não está nas novas ideias de 1988, ainda vendidas como novidade no ano de 2010: em particular, Shiller tinha razão quanto à irracionalidade do mercado naquela época, e sua conclusão continua válida até hoje – exemplificada pelas duas bolhas cuja formação ele soube apontar corretamente.

Mas a pergunta que deveríamos fazer é: Por que os economistas profissionais têm resistido tanto em aceitar o óbvio?

Eu me lembro de 1988; 1988 foi um grande amigo meu. Quando 1988 chegou, o fracasso da teoria do equilíbrio no ciclo econômico já tinha se tornado óbvio. Shiller já tinha demonstrado contundentemente que o preço dos ativos era volátil demais para ser explicado pelos fundamentos da economia, e a quebra do mercado em 1987 consistiu numa lição objetiva sobre o tema do pânico. Vale lembrar que a bagunça dos empréstimos e poupanças ilustrava os problemas de uma regulação financeira inadequada.

E nada ocorreu. A teoria do ciclo econômico real continuou a prosperar, fortalecendo seu controle sobre as publicações do setor. As finanças comportamentais permaneceram na margem. Os discípulos do equilíbrio não aprenderam nada nem esqueceram coisa nenhuma; e quando chegamos a 2008, os devastadores efeitos do tempo reduziram muito, em relação a 20 anos atrás, o número daqueles que de fato compreendiam os choques de demanda.

Resumindo: nosso problema não está na falta de novas ideias engenhosas, e sim na recusa de um grande número de economistas em reconhecer o fato de que algumas de suas teorias favoritas simplesmente não funcionam – fato que se tornou óbvio há décadas.

A estupidez da ciência econômica

Krugman deveria ler Roegen (Krugman nunca respondeu um email meu, tentem escrever para ele, pkrugman@nyt.com). Herman Daly também o provocou num artigo histórico com as proposições do Roegen. Ele respondeu, mas melhor teria não ter respondido, pois se expôs ao ridículo. O que ele reclama dos seus pares, aplica-se a ele. Essa pseudociência –Economia – é uma cujo respeito entre os pares é o pior possível. Roegen também chamou atenção sobre isso.

Sua postura em muito se assemelha ao debate trazido à tona entre George Monbiot e uns farsantes, cujos nomes não merecem ser lembrados. Um deles disse em seu livro que todos deveriam ter a coragem de assumir um erro. Monbiot expôs um deles: segundo esse farsante, o banimento global do DDT, que nunca ocorreu, principalmente para questões de saúde, foi responsável pela morte de milhões de crianças. Ele jamais aceitou ter errado. Suas respostas também o expuseram ao ridículo.

O mesmo vemos em Krugman, com a sua teoria econômica enxovalhada na teoria neoclássica. Basta ler The Return of Depression Economics e sua enorme apologia da expansão fiscal e monetária para criar demanda, como se a oferta brotasse do nada e não houvesse restrições físicas e planetárias. Ou sua resposta ridícula e ridicularizada de forma perfeita por Herman Daly sobre seu erro de considerar os recursos produzidos pelo homem perfeitos substitutos da natureza. Andrei Cechin comenta isso no livro Economia do Meio Ambiente organizado por Peter May, um dos artigos mais interessantes do livro.

Krugman está entre os que acreditam que a economia pode ser maior que o planeta. Pior, ele vê o planeta como um subsistema da economia.

Sua visão de mundo – que é dominante – já causou a maior extinção da vida na Terra dos últimos 65 milhões de anos. Assusta, porque nada mudou e o projeto IIRSA (o primo-monstro do PAC no Brasil) está aí para chegar e destruir o pouco que resta do balanço natural da América do Sul, ao tentar transformar o nosso continente numa plataforma exportadora de produtos ao maior mercado consumidor “potencial” da Terra, a Ásia. Resta saber como uma economia como a China conseguirá a taxas de 8% ao ano dobrar em pouco tempo, sem que os problemas ambientais não se transforme em uma restrição e retrocesso. Jacques Cousteau dizia que a maior razão do desastre ambiental era o enorme aumento da população. Assunto esquecido, vivemos como pragas na Terra, o artigo “The Planet of Weeds” escolheu quatro pragas por características comuns: rato, pombo, barata e seres humanos. Nosso comportamento virótico só tem uma lástima: não somos capazes de matar o hospedeiro. Mal fazemos mossa ao planeta. O Titanic planetário não tem bote salva-vidas, outra questão eternamente esquecida.

Reza uma lenda que um país pobre exportava tudo que produzia, até o dia no qual um acidente natural bloqueou a saída das suas exportações. Desse momento em diante, a população tornou-se feliz, menos explorada e com uma produção que realmente lhes interessava... Pena que seja lenda...

Hugo Penteado

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Bobagens de Paul Krugman

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Neste texto (download aqui) tentativamente bom de Paul Krugman (leiam com atenção), o processo de negação dos limites da Terra e a incompreensão de não ser possível crescer eternamente no planeta finito continua infalivemente esquecido nas mentes de economistas como ele. A frase abaixo é exemplar:

"By 2050, when the emissions limit would be much tighter, the burden would rise to 1.2 percent of income. But the budget office also predicts that real G.D.P. will be about two-and-a-half times larger in 2050 than it is today, so that G.D.P. per person will rise by about 80 percent. The cost of climate protection would barely make a dent in that growth. And all of this, of course, ignores the benefits of limiting global warming."

Essa frase aparentemente bem intencionada, contém a crença ingênua que conseguiremos expandir o PIB per capita em 80% e ao mesmo tempo limitar as emissões de gases do efeito estufa e, tal aumento de renda per capita, irá, em grande proporção, diminuir largamente o custo por família desse esforço. Vamos começar com o primeiro ponto. O que será que existe na cabeça do Krugam de significado físico e relativo à lei da Entropia ou de consumo de serviços ecológicos e água para atender esse estúpido crescimento de 80% da renda per capita de um já estúpido e desnecessário nível de renda per capita elevada dos estadunidenses? Resposta: nada, não existe nada na mente brilhante do Krugman que inclua uma variável que seja para incluir os itens referentes à natureza, nem mesmo água, sem o qual não teremos nada ou não somos nada e é um recurso finito. Sua mente brilhante trabalha com total separação do meio ambiente da economia e com a total irrelevância dos serviços da natureza - total, isso está dito, registrado e escrito nos livros de macroeconomia moderna que regem 100% das decisões econômicas à nossa volta.

O quanto estúpido é esse crescimento? Vamos começar com o modelo de crescimento eterno de novas construções residenciais, lástima que está chegando no Brasil, apesar de tantos imóveis abandonados. Tal expansão sob o rótulo de espalhamento urbano (sinônimo de esfacelamento contínuo e ininterrupto de ecossistemas e seus serviços) causou poluição de metade dos rios, lagos e zonas estuárias dos Estados Unidos, de acordo com dados oficiais. Não se assustem, metade dos recursos hídricos poluídos num pais de extensão continental não é menos assustadora que 30% dos lençóis freáticos da China estarem totalmente tomados por mercúrio (os metais foram acumulados na crosta terrestre há bilhões de anos e portanto não fazem parte de nenhum ciclo natural e são uma poluição em definitivo; se entendêssemos isso, usaríamos com extrema cautela ao invés de despejarmos bilhões de toneladas deles no lixão que é nosso planeta hoje...).

Pois bem, os Estados Unidos possuem 190.000.000 de moradias para 67.000.000 famílias. Na verdade os Estados Unidos possuem 75.000.000 famílias, mas 8.000.000 delas ou 30.000.000 indivíduos são homeless ou mendigos - o país mais rico do mundo tem tudo isso de mendigos e copiamos o mesmo modelo concentrador de riqueza e destruidor de empregos e da natureza e ainda exportamos nosso meio ambiente continuamente sendo devastado para eles a custo zero e alegremente, claro (ainda bem que atendemos a custo zero as demandas ambientais dos países que já esgotaram esses recursos, do contrário, eles já teriam entrado em colapso civilizatório). Isso quer dizer que cada família tem em média quase três moradias. E isso ainda vai crescer 80%. Detalhe: em 1970 as famílias americanas eram bem mais numerosas e hoje são em média quatro indivíduos. Nesse tempo, o tamanho médio das casas triplicou. Não nos importemos com isso, na economia megalomaníaca do desperdício de quase tudo, o que importa é expandir 80% como se a produção de tudo não tivesse relação alguma com o limite planetário e brotasse do nada, como passe de mágica. Onde estão os físicos que não se levantam de vez contra essa baboseira toda que rege o nosso mundo?

Acho, portanto, fantástica essa idéia do Krugman que, para diluir o custo de combater o aquecimento global, a renda per capita tem que praticamente dobrar. Finalmente, é fantástica também a sua crença ingênua que todo esse crescimento - anterior e futuro - não impõe sérias restrições a essa mudança, como se o aquecimento global tivesse brotado do nada, assim como a produção, e não fosse a causa fundamental desse desastre global - que não é único. De resto, nada de mudar a economia do crescimento eterno, com desperdício e descarte imediato dos bens, que trata a Terra como lata de lixo e que vive e se expande como se não estivesse cerceada pelo planeta e pelas suas leis...

Hugo Penteado

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Como puderam os economistas errar tanto?

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Não há uma só variável para explicar recursos naturais ou a contribuição indispensável e valiosíssima da natureza e do planeta na teoria econômica tradicional e quando há o resultado é: "irrelevante para o processo econômico e o crescimento." Água então, sem o qual nada teremos, não há uma só variável nos modelos fantasiosos dos economistas. No passado, a única coisa que se aproximada de algo assim era a terra ricardiana. Nada mais. É surrealista, mas isso tem um objetivo: manter uma prosperidade desigual, que só beneficia quem menos precisa, através de externalidades, que se não existissem, não haveria nem um terço dessa prosperidade megalomaníaca que estamos vivendo. Só um exemplo: estudos apontam que o custo real de um litro de gasolina, sem as externalidades, seria 10 vezes maior. Imagina cada um de nós abastecendo essas aberrações chamadas automóveis com 1000,00 ao ínvés de 100? Imagina o povo dos Estados Unidos inteiro comprando carros que fazem dois quilômetros por litro, pagando tudo isso. Impossível. Pior são os refrigerantes, que transformam água potável em corantes, contribuição de um amigo: "sujam muita água potável com seus corantes e estabilizantes pra gerar algum prazer e muitas complicações de saúde aos seus consumidores e ainda vendem seus produtos em plástico!"

Enfim tudo existe através de um modelo que externaliza ou socializa os custos e privatiza os lucros de forma concentrada, a ponto de cada 160 dólares adicionado à riqueza mundial, só 60 centavos chegam aos mais pobres!

No futuro - mesmo os mais ricos e poderosos - não iremos achar vencedores.

Hugo

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090906/not_imp430245,0.php

O Estado de São Paulo

Domingo, 6 de setembro de 2009 – Aliás – pág2. B 8-9

Como puderam os economistas errar tanto?

Paul Krugman *
1. Confundindo beleza com verdade

É difícil acreditar agora, mas pouco tempo atrás os economistas estavam parabenizando a si mesmos pelo sucesso da própria profissão.

Este - suposto - sucesso era tanto teórico quanto prático, proporcionando à profissão uma era dourada.

Do ponto de vista teórico, eles pensaram ter resolvido suas disputas internas. Assim, num estudo publicado em 2008 intitulado "O estado da macro" (ou seja, a macroeconomia, o estudo de questões econômicas mais amplas, como as recessões por exemplo), Olivier Blanchard do MIT, atual economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, declarou que teríamos chegado a uma "ampla convergência de visões".

E no mundo real, os economistas acreditavam ter tudo sob controle: o "problema central da prevenção das depressões foi resolvido", declarou em 2003 Robert Lucas, da Universidade de Chicago, no seu pronunciamento presidencial endereçado à Associação Econômica Americana. Em 2004, Ben Bernanke, ex-professor de Princeton e atual presidente do Federal Reserve(o BC dos EUA), celebrou a era da Grande Moderação no desempenho econômico durante as duas décadas anteriores, a qual ele atribuiu, em parte, a melhores decisões tomadas na política econômica.

No ano passado, tudo desabou.

Na sequência da crise, as fissuras na profissão dos economistas aumentaram, tornando-se fendas jamais vistas antes. Lucas chamou os planos de estímulo do governo Obama de "charlatanice econômica", e seu colega de Chicago, John Cochrane, diz que tais planos têm como base "contos de fadas" já descartados. Como resposta, Brad DeLong, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, escreveu sobre o "colapso intelectual" da Escola de Chicago, e eu mesmo já escrevi que os comentários feitos pelos economistas de Chicago são o produto de uma Idade das Trevas da macroeconomia, durante a qual foi esquecido um conhecimento adquirido a um custo muito elevado.

O que houve com a profissão dos economistas? E para onde ela vai a partir do ponto atual?

2. De Smith até Keynes, voltando ao princípio

O nascimento da economia enquanto disciplina costuma ser creditado a Adam Smith, que publicou A riqueza das nações em 1776. Nos 160 anos seguintes, um extenso volume de teorias econômicas foi desenvolvido a partir de uma mensagem central: confie no mercado. Esta era a premissa básica da economia "neoclássica" (batizada a partir dos economistas do fim do século 19 que refinaram os conceitos de seus predecessores "clássicos").

Esta fé foi, no entanto, esmagada pela Grande Depressão. Ao final, a maioria dos economistas se voltou para as propostas de John Maynard Keynes, tanto para explicar o que acontecera quanto para encontrar uma solução para as depressões futuras.

Apesar do que dizem alguns, Keynes não queria que o governo administrasse a economia. Ele descreveu como "moderadamente conservador em suas implicações" o raciocínio publicado em 1936 na sua obra-prima, Teoria geral do emprego, do juro e da moeda. Keynes queria consertar o capitalismo, e não substituí-lo. Mas ele de fato desafiou a ideia de que as economias de livre mercado possam funcionar na ausência de um zelador. E ele defendeu uma intervenção governamental ativa - imprimir mais dinheiro e, caso necessário, gastar muito com obras públicas - para combater o desemprego durante os períodos de declínio.

A história da economia enquanto disciplina ao longo dos últimos 50 anos é, em boa medida, a história do recuo do keynesianismo e do retorno do neoclassicismo. A retomada neoclássica foi inicialmente liderada por Milton Friedman, da Universidade de Chicago, que afirmou já em 1953 que a ciência econômica neoclássica funciona bastante bem enquanto descrição da maneira pela qual a economia de fato funciona, fazendo desta teoria "ao mesmo tempo extremamente frutífera e merecedora de grande confiança". Mas e quanto às depressões? O contra-ataque de Friedman a Keynes começou com a doutrina conhecida como monetarista. Os monetaristas não discordavam, em princípio, da ideia de que uma economia de mercado necessite de estabilização deliberada. Entretanto, os monetaristas afirmavam que uma forma bastante limitada e circunscrita de intervenção governamental - qual seja, instruir aos bancos centrais que mantenham em crescimento constante o suprimento de dinheiro do país (a soma do dinheiro em circulação e dos depósitos nos bancos) - seria suficiente para evitar as depressões.

Friedman combateu com grande credibilidade a ideia de iniciativas governamentais deliberadas para empurrar o desemprego até um patamar inferior ao seu nível "natural" (atualmente estimado em 4,8% para os Estados Unidos): de acordo com a previsão dele, medidas excessivamente expansionistas levariam a uma combinação entre inflação e alto desemprego - uma previsão confirmada pela estagflação da década de 1970, a qual contribuiu muito com o aumento da credibilidade do movimento antikeynesiano. Entretanto, a posição de Friedman acabou vista como relativamente moderada em comparação com a de seus sucessores.

Enquanto isso, alguns macroeconomistas enxergaram as recessões como algo positivo, parte do ajuste da economia às mudanças. E mesmo aqueles que não se dispunham a ir tão longe argumentavam que qualquer tentativa de combater um declínio econômico acabaria provocando mais males do que benefícios.

Muitos macroeconomistas se tornaram novos keynesianos autoproclamados, que continuaram a acreditar num papel ativo desempenhado pelo governo.

Mas mesmo eles aceitavam a noção de que investidores e consumidores são racionais e os mercados em geral costumam acertar.

É claro, alguns economistas desafiaram o pressuposto do comportamento racional, questionaram a crença na confiabilidade dos mercados financeiros e sublinharam o longo histórico de crises financeiras de consequências econômicas devastadoras. Mas eles não foram capazes de avançar muito contra uma complacência difusa e, retrospectivamente, tola.

3. O cassino das finanças
Na década de 1930, os mercados financeiros, por motivos óbvios, não eram muito respeitados. Keynes considerava péssima ideia permitir que tais mercados - nos quais os investidores gastavam seu tempo correndo uns atrás do rabo dos outros - ditassem importantes decisões de negócios: "Quando o desenvolvimento do capital de um país se torna o subproduto das atividades de um cassino, é provável que o serviço resulte mal feito".

Entretanto, perto de 1970, os debates sobre a irracionalidade dos investidores, sobre as bolhas e sobre a especulação destrutiva tinham virtualmente desaparecido do discurso acadêmico. A disciplina foi dominada pela "hipótese do mercado eficiente", promulgada por Eugene Fama, da Universidade de Chicago, teoria que afirma a capacidade dos mercados financeiros de estabelecer com precisão o preço dos ativos exatamente no seu valor intrínseco como produto de todas as informações disponíveis publicamente.

E na década de 1980, os economistas financeiros, principalmente Michael Jensen, da Escola de Administração Harvard, argumentavam que devido ao fato de os mercados financeiros sempre acertarem ao definir os preços, o melhor que os caciques corporativos podem fazer, não apenas pelo seu próprio bem como pelo bem de toda a economia, é maximizar o preço de suas ações. Em outras palavras, os economistas financeiros acreditavam que deveríamos entregar o desenvolvimento do capital do país àquilo que Keynes chamara de "cassino".

O modelo teórico desenvolvido pelos economistas financeiros ao suporem que cada investidor busca um equilíbrio racional entre o risco e a recompensa - o chamado Modelo de Precificação de Ativos Financeiros (CAPM, em inglês) - é de uma maravilhosa elegância. E para quem aceita suas premissas, o modelo é também muito útil. O CAPM não apenas ajuda a escolher o portfólio - ele ensina a atribuir preços aos derivativos financeiros, títulos sobre títulos, o que é ainda mais importante do ponto de vista da indústria financeira. A elegância e a aparente utilidade da nova teoria levou seus criadores a receberem uma sequência de prêmios Nobel, e muitos professores da faculdade de administração se tornaram cientistas brilhantes de Wall Street, recebendo cheques dignos deste centro financeiro.

Somos obrigados a reconhecer que os teóricos das finanças produziram boa quantidade de provas estatísticas, o que, de início, pareceu ser uma sólida base de apoio para suas hipóteses. Mas tais provas eram curiosamente limitadas. Os economistas financeiros raramente fizeram a pergunta, aparentemente óbvia (e de resposta difícil), de se os preços dos ativos faziam sentido quando eram levados em consideração fundamentos econômicos do mundo real, como a renda. Em vez disso, eles perguntavam apenas se o preço dos ativos fazia sentido em relação ao preço de outros ativos.

Mas os teóricos das finanças continuaram acreditando que seus modelos estavam essencialmente corretos, e o mesmo pensaram muitas pessoas que tomavam decisões no mundo real. Entre estas pessoas estava Alan Greenspan, que na época era presidente do Fed e defensor de longa data da desregulamentação financeira, cuja rejeição dos apelos por um maior controle sobre os empréstimos subprime ou por medidas para combater o inchaço da bolha imobiliária se deveu principalmente à crença de que a ciência econômica financeira moderna tinha tudo sob controle.

Em outubro do ano passado, Greenspan admitia estar em estado de "choque e descrença", porque "todo o edifício intelectual" tinha "desabado".

4. Ninguém poderia prever...
Em recentes e pesarosos debates econômicos, "ninguém poderia prever..." se tornou uma das principais frases de efeito multiuso. É o que dizemos em relação a desastres que poderiam ser previstos, deveriam ser previstos e de fato foram previstos por alguns economistas, os quais foram ridicularizados pelo seu esforço.

Tomemos como exemplo a aguda alta e queda no preço dos imóveis. Alguns economistas, principalmente Robert Shiller, de fato identificaram a bolha e alertaram para as dolorosas consequências do seu estouro. Ainda assim, em 2004 Alan Greenspan rejeitou comentários sugerindo que uma bolha imobiliária estivesse em formação: a existência de "uma aguda distorção nacional dos preços", declarou ele, era "muito improvável". O aumento no preço dos imóveis, segundo disse Bernanke em 2005, "reflete principalmente a solidez dos fundamentos econômicos".

Como puderam eles deixar de reparar na bolha? É verdade que as taxas de juros estavam abaixo do normal, o que possivelmente explicaria parte do aumento nos preços. Pode ser também que Greenspan e Bernanke quisessem comemorar o sucesso do Fed em tirar a economia da recessão de 2001; admitir que boa parte deste sucesso se deveu à criação de uma monstruosa bolha teria esfriado as festividades.

Mas havia algo mais acontecendo: uma crença generalizada no princípio de que as bolhas simplesmente não se formam. O mais chocante, ao relermos as garantias de Greenspan, é que elas não foram feitas com base em provas - elas tinham como base a suposição, a priori, de que simplesmente não pode haver uma bolha no mercado imobiliário.

E os teóricos das finanças foram ainda mais inflexíveis neste ponto.

Em entrevista concedida em 2007, Eugene Fama, pai da hipótese do mercado eficiente, declarou que "a palavra ?bolha? me deixa louco", e na sequência explicou por que podemos confiar no mercado imobiliário: "O mercado imobiliário apresenta menor liquidez, mas as pessoas são muito cuidadosas quando compram casas. Trata-se provavelmente do maior investimento que farão, e portanto elas pesquisam atentamente e comparam preços".

De fato, os compradores de imóveis costumam comparar cuidadosamente o preço de suas potenciais aquisições com os preços de outras casas. Mas isto não nos diz se o preço dos imóveis se justifica.

Em resumo, a crença nos mercados financeiros eficientes cegou muitos economistas, se não todos, para a emergência da maior bolha financeira já vista. E a teoria do mercado eficiente também desempenhou um papel significativo na criação da bolha em primeiro lugar.

Agora que o verdadeiro risco associado aos ativos supostamente seguros foi revelado, os lares norte-americanos testemunharam a evaporação de US$ 13 trilhões no valor de suas propriedades. Mais de 6 milhões de empregos foram perdidos e a taxa de desemprego parece rumar para o nível mais alto registrado desde 1940. Assim, que tipo de orientação a ciência econômica moderna tem a oferecer diante do nosso apuro atual? Será que podemos confiar nesta orientação?

5. A querela do estímulo
Durante uma recessão normal, o Fed responde por meio da compra de notas do Tesouro - títulos de curto prazo da dívida do governo - que estejam em poder dos bancos. Isto provoca uma redução nas taxas de juros sobre a dívida do governo; investidores em busca de uma maior proporção de retorno procuram outros ativos, provocando uma redução nas demais taxas de juros ; e normalmente estas taxas de juros mais baixas provocam, afinal, uma reversão no declínio econômico. O Fed combateu a recessão que teve início em 1990 derrubando de 9% para 3% as taxas de juros para os títulos de curto prazo. Combateu a recessão que teve início em 2001 cortando as taxas de juros de 6,5% para 1%. E tentou lidar com a recessão atual baixando as taxas de 5,25% para zero.

Mas a taxa zero revelou-se alta demais para pôr fim à recessão. E o Fed não pode reduzir as taxas de juros para menos do que zero já que, com mais taxas próximas do zero, os investidores simplesmente açambarcam o dinheiro em vez de emprestá-lo. Assim, perto do fim de 2008, com as taxas de juros basicamente definidas como aquilo que os macroeconomistas chamam de "patamar menor ou igual a zero" enquanto a recessão continuava a se aprofundar, a política monetária convencional tinha perdido todo o seu poder de tração.

E agora? Esta é a segunda vez que os EUA enfrentam juros menores ou iguais a zero, sendo que a primeira vez foi a Grande Depressão. E foi precisamente a observação de que existe um limite inferior para as taxas de juros o que levou Keynes a defender um maior gasto governamental: quando a política monetária é ineficaz e o setor privado não pode ser convencido a gastar mais, o setor público deve assumir seu lugar no apoio à economia. O estímulo fiscal é a resposta keynesiana para o tipo de situação econômica semelhante a uma depressão - como a que vivemos atualmente.

Tal pensamento keynesiano forma a base das medidas econômicas do governo Obama. Cochrane, da Escola de Chicago, indignado diante da ideia de que os gastos governamentais pudessem aliviar a mais recente recessão, declarou: "Isto não faz parte daquilo que se ensina aos estudantes de economia desde 1960. Elas (ideias keynesianas) são contos de fadas que já foram desacreditadas pelas provas. Em tempos de crise, é muito confortável voltar aos contos de fadas que ouvíamos quando crianças, mas isto não faz deles menos falsos".

Mas como destacou Brad DeLong, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, a posição atual da escola pode ser resumida também numa rejeição completa das ideias de Milton Friedman. Friedman acreditava que as medidas do Fed - e não as mudanças nos gastos governamentais - deveriam ser usadas para estabilizar a economia, mas nunca afirmou que um aumento no gasto governamental seria incapaz, sob quaisquer circunstâncias, de aumentar o emprego. Na verdade, ao relermos o resumo elaborado por Friedman em 1970 de suas próprias ideias, Contexto teórico para a análise monetária, o que mais impressiona é a aparência keynesiana do seu pensamento.

E Friedman certamente jamais comprou a ideia de que o desemprego em massa represente uma redução voluntária no esforço de trabalho e nem a ideia de que as recessões sejam de fato benéficas para a economia.

Ainda assim, Casey Mulligan, da Escola de Chicago, sugere que o desemprego esteja tão alto porque muitos trabalhadores tem optado por não aceitar empregos. Ele sugeriu, em especial, que os trabalhadores estejam optando por permanecerem desempregados porque isto melhora suas chances de receber a concessão de alívios para suas hipotecas. E Cochrane declara que o alto desemprego é, na verdade, algo positivo: "Precisamos de uma recessão. Pessoas que passam suas vidas martelando pregos em Nevada precisam de algo diferente para fazer." Particularmente, acho que isto é loucura. Por que seria necessário o desemprego maciço em todo o país para tirar os carpinteiros de Nevada? Será que alguém é capaz de afirmar com seriedade que perdemos 6,7 milhões de empregos porque um número menor de americanos deseja trabalhar? Mas se partirmos do princípio que as pessoas são perfeitamente racionais e os mercados, perfeitamente eficientes, temos de concluir que o desemprego é voluntário e as recessões são desejáveis.

6. Falhas e atritos
A economia, enquanto ciência, enfrentou problemas porque os economistas foram seduzidos pela visão de um sistema de mercado perfeito e desprovido de atrito. Se a profissão almeja a redenção, ela terá de conciliar-se com uma visão menos deslumbrante - a de uma economia de mercado que apresenta muitas virtudes, mas que também está repleta de falhas e atritos.

Já existe um exemplo relativamente desenvolvido do tipo de ciência econômica que tenho em mente: a escola de pensamento conhecida como behaviorismo financeiro. Os adeptos desta abordagem enfatizam duas coisas. Primeiro, muitos investidores do mundo real em pouco se assemelham aos frios e calculistas investidores da teoria do mercado eficiente: eles são bastante sujeitos ao comportamento de manada, a surtos de exuberância irracional e a pânicos injustificados. Segundo, mesmo aqueles que tentam basear suas decisões no cálculo frio com frequência descobrem que não são capazes de fazê-lo, pois problemas de confiança, credibilidade e garantias reais limitadas os obrigam a seguir o restante da manada.

Enquanto isso, como fica a macroeconomia? Acontecimentos recentes refutaram de maneira bastante decisiva a ideia de que as recessões sejam uma resposta ideal à flutuação no ritmo do progresso tecnológico; uma visão mais ou menos keynesiana é a única possível no momento. Ainda assim, os modelos padronizados do novo keynesianismo não deixaram espaço para uma crise como a que estamos vivendo, pois estes modelos aceitaram de maneira geral a visão do setor financeiro promovida pela teoria do mercado eficiente.

Uma linha de pesquisas, cujos pioneiros foram o próprio Ben Bernanke e seu colega Mark Gertler, da Universidade de Nova York, enfatizava a maneira pela qual a falta de garantias reais suficientes pode prejudicar a capacidade das empresas de arrecadar fundos e buscar oportunidades de investimento. Uma linha de pesquisas parecida, em boa parte estabelecida por meu colega de Princeton, Nobuhiro Kiyotaki, em parceria com John Moore, da London School of Economics, argumenta que os preços de ativos como propriedades imobiliárias podem sofrer declínios autoacentuantes que, por sua vez, provocam uma depressão na economia como um todo. Mas até o momento, o impacto das finanças disfuncionais não esteve no centro nem mesmo da ciência econômica keynesiana. Isto, claramente, precisa mudar.

7. Recuperando Keynes
Eis o que acho que os economistas precisam fazer. Primeiro, eles precisam enfrentar a inconveniente realidade de que os mercados financeiros estão muito aquém da perfeição; que eles estão sujeitos a extraordinários delírios e à loucura das multidões. Segundo, eles precisam admitir que a ciência econômica keynesiana ainda é o melhor arcabouço teórico de que dispomos para compreender as recessões e depressões. Terceiro, eles terão de se esforçar ao máximo para incorporar as realidades das finanças à macroeconomia.A visão que deve emergir conforme a profissão repensa seus fundamentos pode não ser muito clara; certamente não será arrumada; mas temos de manter a esperança de que ela terá a virtude de estar, ao menos, parcialmente correta.

*O autor é colunista do New York Times e ganhador do prêmio Nobel da economia de 2008.

Seu livro mais recente é O retorno da economia da depressão e a crise de 2008

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Bobagens da “economia”

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As bobagens da “economia” podem ser encontradas no texto abaixo do Paul Krugman. Começa imediatamente com o alerta que a economia na crise atual destruiu 6,7 milhões de empregos. Pergunta: como criar milhões de empregos ininterruptamente, através de estruturas crescentes para acomodar pessoas, coisas e materialismo excessivo num ambiente finito como o território dos países, sem destroçar por completo os ecossistemas dos quais todos nós dependemos para viver, sobreviver, comer e respirar? Melhor: se o objetivo do crescimento ininterrupto é criação de empregos, então só teremos empregos se mantivermos um crescimento estúpido ininterrupto às custas do planeta? Não abrimos mão do lucro – que é uma desculpa para gerar empregos – mas abrimos mão do planeta e de sua capacidade de suportar todas as formas de vida na Terra? Espera aí: esse processo já não produziu a maior extinção da vida na Terra dos últimos 65 milhões de anos, causada pelo homem e em décadas? Os paleontólogos já não disseram que é “muita ingenuidade nossa achar que essa extinção jamais irá se voltar contra os causadores”? Até porque aqui na Terra os seres humanos não são nada especiais, todos os seres vivos dependem de todos os seres vivos e dos ecossistemas, nós não diferimos em nada. Que ilusão é essa que criamos sobre a nossa capacidade de dominar a natureza e até viver sem ela?

O país que é modelo para o Brasil - que expandiu o consumo ao máximo, fornecendo em exagero às pessoas coisas que de fato elas não precisavam e que causaram tragédias ambientais colossais dentro e fora das fronteiras dos EUA – não é um país imune a crises. Antes achávamos que só os emergentes com seus problemas estruturais, políticos e fiscais estavam abertos às crises. Agora vemos que também o país mais rico é tão instável como as piores economias do mundo. Nenhum comentário de Krugman a esse respeito: por que a crise aconteceu lá? Por que a cartilha de expansão desenfreada do consumo e da produção não evita que a economia se desmantele inteira e que trilhões de dólares sejam jogados para salvar bancos que antes não deveriam ter falido? Por que a conta de trilhões de dólares é rapidamente arcada pelo governo, quando com muito menos se resolveria problemas mais graves, como fome, doenças, misérias que grassam pelo mundo afora e lá dentro dos EUA? Por que não fazemos as perguntas certas?

Mas vamos voltar aos empregos. Foram destruídos 6,7 milhões, mas todo ano a população americana aumenta 3 milhões. Para absorver essas pessoas que ficaram sem emprego e o crescimento populacional anual seria necessário a criação de empregos à taxas chinesas: quase 10 milhões. Pior, sabendo que os EUA tem 30 milhões de mendigos, seriam necessários 40 milhões de empregos para que o país mais rico do mundo não tivesse 40 milhões de pessoas em desespero (número maior que a população de muitos países). Ou seja, existe um país inteiro e muito pobre nos EUA!

A criação de empregos é claramente efêmera, não é um objetivo e sim um resultado tautológico do crescimento, que é um fim em sim mesmo. Uma péssima notícia: nas últimas décadas EUA observou uma criação crônica de empregos abaixo do crescimento populacional e o número de pessoas em desalento ou vivendo uma sobrevida só tendeu a aumentar: são marginalizados para todo o sempre. Durante o boom econômico dos anos 90, os EUA registrou um recorde histórico mundial de população encarcerada, que cresceu a taxas astronômicas e recordes e colocou o país quase no topo da lista mundial de maior número percentual de população encarcerada.

Enfim, os empregos absorvem apenas parte das pessoas que precisam deles, as demais servem como colchão para alertar que os salários e as rendas dos mais pobres não podem subir. E de fato não sobem: de acordo com o livro “Wealth and Democracy” de Kevin Philips a única renda que subiu nos EUA nos últimos 25 anos (depois da inflação e de impostos menores para os mais ricos) foi a do 1% mais rico, que praticamente dobrou. Os dois quintis mais pobres viram suas rendas caírem um quarto. A da massa média ficou estável. Surrealista.

Por que uma economia forte e rica como os Estados Unidos vê a destruição tão rápida de milhões de empregos? Como que fisica e planetariamente será possível criar empregos nessa economia ad eternum? Por que não há estabilidade depois de atingir certa prosperidade? Por que se mantém uma necessidade de empregos sempre crescente, que nunca são satisfatórios sobre qualquer prisma analisado (bem estar, realização pessoal, desenvolvimento humano)? Por que essa necessidade de empregos justifica péssimas idéias como crescer estruturas (carros e casas por exemplo) num território finito como o dos Estados Unidos e às custas de recursos ecológicos de outros países como o Brasil, que ainda tem alguma natureza a oferecer a custo zero? Quando que os economistas irão descobrir que a economia não pode ser maior que o planeta e que tudo que está sendo feito é uma inversão assombrosa dos eixos:

- os economistas acreditam e assumem em suas teorias mecânicas clássicas que o meio ambiente e o planeta é um subconjunto da economia e que, portanto, a economia é neutra para o meio ambiente e o planeta é inesgotável (mito tecnológico). A quantidade de bobagens escritas sobre isso é também inesgotável, mas criamos um sistema cruel no qual as pessoas estão aí para servir a economia e não temos uma economia que está aí para servir as pessoas. É como acreditar que a Terra é plana.



- o descompasso dessas teorias com a realidade é chocante: na verdade a economia é um subsistema da natureza e do planeta, do qual depende e lhe é vulnerável. Manter um sistema econômco infinito, linear e degenerativo abriu guerra contra o planeta que é finito, circular e regenerativo. Guerra da qual jamais saíremos vencedores: os cientistas já declararam que as chances da humanidade terminar o século XXI é bem pequena. Basta lembrar que a destruição dos ecossistemas é contínua, rápida e exponencial e todos os dias temos novos projetos mirabolantes, novas construções e produtos sendo inventados e aumentados para atender a demanda inconsequente de um sistema que não está interessado nas pessoas e que produziu 4 bilhões de miseráveis.

Evitando o pior é tudo o que esse sistema não faz. O texto de Krugman (ver abaixo) parece um conto de fadas. Até porque ignora todos os alertas dados por diversas áreas científicas e deixa de fazer as perguntas certas: se o Brasil seguir a mesma trilha dos Estados Unidos de construir quase três casas para cada família; de apesar do número médio de indivíduos por família ter caído pela metade nos últimos 25 anos, o tamanho da casa médio ter triplicado; de ter inventado carros cada vez mais ofensivos e esbanjadores e de ter levado o desperdício ao extremo, mesmo assim entrará nessa crise hedionda? Se o Brasil seguir a trilha dos Estados Unidos e se tornar tremendamente rico, além de estar sujeito a colapsos econômicos, terá ainda dezenas de milhões de favelados? Por que um país rico tem 30 milhões de mendigos?

Hugo Penteado

Evitando o pior

Paul Krugman, The New York Times* (OESP 11-08-2009)

Parece afinal que não teremos uma segunda Grande Depressão. O que nos salvou? A resposta é, basicamente, uma grande intervenção governamental.

Para que não haja dúvidas: a situação econômica continua terrível, na verdade pior do que quase todos pensavam ser possível pouco tempo atrás. O país perdeu 6,7 milhões de postos de trabalho desde o início da recessão. Quando levamos em consideração a necessidade de encontrar emprego para acomodar o crescimento da população em idade de trabalhar, temos um déficit de aproximadamente 9 milhões de empregos em relação ao número de vagas que precisamos.

E o mercado de trabalho ainda não se recuperou - aquela sutil redução na taxa de desemprego observada no mês passado foi provavelmente um feliz acaso da estatística. Ainda não chegamos ao ponto a partir do qual as coisas começam realmente a melhorar; no momento, tudo o que temos para comemorar são os sinais de que as coisas estão piorando mais lentamente.

Entretanto, as últimas notícias econômicas sugerem que a economia tenha se afastado em muitos passos da beira do abismo.

Alguns meses atrás, a possibilidade de cairmos no abismo era bastante real. Em alguns aspectos, o pânico financeiro de 2008 foi tão grave quanto o pânico bancário do início da década de 1930, e durante algum tempo os principais indicadores econômicos - comércio mundial, produção industrial global, até o preço das ações - apresentavam uma queda no mínimo tão acelerada quanto a observada em 1929-30.

Mas na década de 1930 os indicadores dos gráficos simplesmente seguiram em trajetória descendente. Desta vez, o mergulho parece ter sido interrompido depois de apenas um ano terrível.

Assim, o que nos salvou de uma reprise completa da Grande Depressão? A resposta, quase certamente, está no papel desempenhado pelo governo - muito diferente desta vez.

Provavelmente, o aspecto mais importante do papel do governo nesta crise não é aquilo que ele fez, mas o que deixou de fazer: diferente do setor privado, o governo federal não cortou gastos conforme sua receita diminuía (Os governos estaduais e municipais já são outra história.).

A receita da arrecadação está muito baixa, mas os cheques da previdência social continuam a ser emitidos; o seguro público de saúde continua a cobrir as despesas hospitalares; os funcionários federais, desde os juízes até os guardas florestais, continuam a receber seus salários.

Tudo isso ajudou a manter viva a economia no seu momento de necessidade, de uma maneira que não ocorreu em 1930, quando os gastos federais representavam uma parcela muito menor do PIB. E isso significa, de fato, que os déficits orçamentários - normalmente algo ruim - são na verdade algo bom no momento que vivemos.

Além de ter este efeito estabilizador "automático", o governo interveio para resgatar o setor financeiro.

Poderíamos dizer (eu diria) que os resgates das empresas financeiras deveriam ter sido melhor administrados, que o contribuinte pagou demais e recebeu de volta muito pouco. Ainda assim, é possível ficar insatisfeito, ou mesmo irritado, com a maneira por meio da qual os resgates financeiros funcionaram enquanto se admite que, na ausência destes resgates, as coisas estariam muito piores.

A questão é que desta vez, diferente da década de 1930, o governo não adotou uma posição não interventora enquanto boa parte do sistema bancário entrava em colapso. E esta é outra razão pela qual não estamos vivendo uma 2.ª Grande Depressão.

Por último e provavelmente menos importantes, mas nada triviais, foram as iniciativas deliberadas por parte do governo de fortalecer a economia. Desde o início, argumentei que o Plano Americano de Recuperação e Reinvestimento, também conhecido como pacote de estímulo de Obama, foi pequeno demais.

Ainda assim, estimativas razoáveis sugerem que haja cerca de um milhão de americanos empregados que estariam desempregados na ausência deste pacote - um número que aumentará com o tempo - e que o estímulo tenha desempenhado um papel significativo na desaceleração da queda livre vivida pela economia.

Assim sendo, o governo desempenhou um papel fundamental na estabilização desta crise econômica. Ronald Reagan estava errado: às vezes o setor privado é o problema, e o governo, a solução.

E o fato de o governo ser atualmente administrado por pessoas que não detestam o governo não seria motivo para se alegrar? Não sabemos como teriam sido as medidas econômicas de um governo McCain-Palin.

Entretanto, sabemos o que os republicanos da oposição têm dito - e isto se resume a um pedido para que o governo pare de se interpor no caminho de uma possível depressão.

Não estou falando apenas de oposição ao estímulo. Líderes republicanos querem também acabar com os estabilizadores automáticos. Em março deste ano, John Boehner, líder da minoria na Câmara, declarou que já que as famílias estavam sofrendo, "é hora de o governo apertar o cinto e mostrar para o povo americano que ?compreendemos? a situação".

Felizmente, seu conselho foi ignorado.

Continuo muito preocupado em relação à economia. Temo que ainda haja uma chance substancial de o desemprego se manter alto por um longo tempo. Mas aparentemente evitamos o pior: a catástrofe total parece agora improvável.

E a razão disto é a grande intervenção governamental, administrada por pessoas que compreendem as virtudes do governo.

*Paul Krugman é Nobel de Economia

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Pergunta a Paul Krugman

Por favor se comentar deixe um email para contato.

Paul Krugman nunca respondeu essa pergunta (que foi escrita no dia 28 de dezembro de 2007) e New York times nunca aprovou o meu comentário.
Recoloquei ele novamente na página: http://krugman.blogs.nytimes.com/2007/12/28/housing-how-far-is-down/#comment-106203

Segue o texto em inglês e logo abaixo a tradução em português:

Dear Mr. Krugman,
Caro Sr. Krugman,

I have a question to you and I will be glad if you could answer me by email: hugo.penteado@bancoreal.com or hugopenteado@uol.com.br.
Tenho uma questão que me deixaria muito feliz se respondesse no meu email hugo.penteado@bancoreal.com ou hugopenteado@uol.com.br.

Can economy be bigger than the planet? Is the planet finite or infinite? If US stop importing resources both in raw materials and finished goods from abroad, will the country able to avoid an environmental collapse?
A economia pode ser maior que o planeta? O planeta é finito ou infinito? Se os Estados Unidos parassem de importar recursos tanto em matérias primas brutas quanto em bens finais do exterior, o paíse seria capaz de evitar um colapso ambiental?

How is possible to grow goods and structures forever - including houses - in a finite space like the land of the countries, with finite water supply?
Como é possível crescer bens e estruturas para sempre - inclusive casas - num espaço finito como o território dos países e com uma oferta finita de água?

In other words, US in 1890 had 1.000.000 houses, today has more than 190.000.000 houses. The land has the same size (in the future, with ocean level
rising, will be smaller...).
Em outras palavras, em 1890 os Estados Unidos tinham 1.000.000 de moradias e hoje possuem mais de 190.000.000. O território é do mesmo tamanho (no futuco, com a elevação dos oceanos, será menor...).

Why do economists wrongly believe that economic system is environmentally neutral and that environment is inexhaustible? How far building expansion, growing populations and our greedy economic system will continue to grow in a limited planet before killing all forms of life, including human beings? Global warming and the biggest extinction of life in the last 65 millions of years caused by humankind are not enough to re-think our false economic theory and to create a new paradigm?
Porque os economistas erradamente acreditam que o sistema econômico é neutro para o meio ambiente e que o meio ambiente é inesgotável? Quanto mais expansão de construções e populações crescentes do nosso sistema econômico ganancioso pode continuar a crescer num planeta limitado antes de matar todas as formas de vida, inclusive os seres humanos? Aquecimento glboal e a maior extinção da vida dos últimos 65 milhões de anos causadas pela humanidade não são suficientes para repensar nossa teoria econômica falsa e criar um novo paradigma?


Best wishes,
Cordiais saudações,

Hugo Penteado

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Da série: querida acho que destruí o mundo! Capítulo 2

Paul Krugman é um economista extremamente preocupado com os maus resultados da teoria econômica, mas como a grande maioria, ao invés de enxergar nesses resultados indícios de uma teoria falsa, de um modelo fracassado, ele prega messianicamente a necessidade de dar mais do remédio amargo que está colocando o paciente na direção da morte. O remédio amargo é o crescimento econômico, que não é a solução, mas o problema. Basta lembrar que o setor imobiliário dos Estados Unidos aumentou o número de casas de 1.000.000 em 1900 para 190.000.000 no ano 2000 e, pasmem, o território do país ficou constante. Mas os economistas sempre vão achar uma solução (ou os governos...): demolir as casas abandonadas para reconstruí-las. A parcela marginalizada de milhões de pessoas nos Estados Unidos cada vez mais brasilinizado na miséria pouco importa, essa atividade de demolição é positiva para o PIB (contratar empresas e pessoas para demolir, lógico que as pessoas num trabalho ingrato...) e reconstruir (as construtoras agradecem). O impacto ambiental de demolir e reconstruir, na varinha mágica da teoria dos economistas é zero!!!

Por isso escrevi uma carta ainda sem resposta para esse economista. Ver abaixo a versão em inglês e em português (sem tempo para maiores correções de texto):

Dear Mr. Krugman,

I have three requests to you.

First one, I would like you to prove that economic growth, like US did, it is possible to be done for all world nations without creating a planetary collapse. It seems to me that US and advanced nations progress was planetary possible just because they did this alone. And after advanced nations got their local environmental collapse, they started to export to other places of the world through global commerce at a null cost. I would like to see what is going to happen to the planet if the BRICs try to catch up. I also see that in economic theory, the role of natural resources is until today absolutely dismissed. If it is so irrelevant, why US do not stop importing them? And why US do not stop doing wars for them? Economists only think about tangible natural resources, they even care about natural non-irreproducible services, like polinization. This are some points I would like you to use in your response. In sum, my question is: infinite economic growth is planetary possible, without putting humankind in the risk of its own extinction (considering that we already created the biggest life extinction of the last 65 millions of years)?

Second, I am not convinced that job creation and social benefits are a direct result from economic growth, I think they are just tautological results. If economy growth accelerates, job will be there; otherwise, if growth decelerates, say good bye to the jobs. Wealth concentration is at the records mainly in advanced nations. Moreover, I am not sure if current economic statistics, like GDP and unemployment rates capture the real human situation at work (if they are happy, if they are free, if they are learning, if they have plan B instead of being scared of being fired, etc.). Nordhan University Social Health index and other studies showed very different results, very bad ones. That is very important, because the planet devastation is justified by social benefits created by the eternal economic growth.

Last, not the least, do you think we need Nature?

Tks in advance for your attention, I will be glad to see your thoughts about these questions.

Best wishes,


Hugo Penteado from Brazil, where during the last 13 years (FHC and Lula mandates) Amazon forest destruction accelerated 3.000% and we are just copying the same economic model from US (that destroyed 99% of its natural forests) and Europe (99,7%).

Prezado Sr. Krugman,

Eu tenho três solicitações para você.

Primeiro, eu gostaria que você provasse que o crescimento econômico, igual ao dos Estados Unidos, é possível para todas as nações do mundo sem provocar um colapso planetário. Tudo indica que o progresso dos Estados Unidos e das nações desenvolvidas só foi planetariamente possível porque eles fizeram isso sozinhos. Depois que os países ricos atingiram seu colapso ambiental local, eles começaram a exportá-lo para outros lugares do mundo através do comércio gloabal a custo zero. Eu gostaria de antecipar o que vai acontecer ao planeta se os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) tentarem fazer o mesmo. Eu também percebi que na teoria econômica o papel dos recursos naturais é até os dias de hoje completamente ignorado. Se é tão irrelevante, porque os Estados Unidos não páram de importá-los? E porque os Estados Unidos não param de fazer guerra por eles? Economistas só pensam em recursos naturais na sua tangibilidade, eles nem se preocupam em analisar os serviços naturais irreproduzíveis, como a polinização natural. Esses são alguns pontos que eu gostaria que você usasse em sua resposta. Em suma, minha questão é: crescimento econômico infinito é planetariamente possível, sem colocar a humanidade no risco da sua própria extinção (considerando que já criamos a maior extinção da vida dos últimos 65 milhões de anos)?

Segundo, eu não estou convencido que criação de empregos e benefícios sociais são um resultado direto do crescimento econômico, eu acho que são resultados tautológicos. Se crescimento econômico se acelera, os empregos estarão lá; se o crescimento desacelera, diga adeus aos empregos. Concentração de riqueza é recorde principalmente nas nações desenvolvidas. Acima de tudo, eu não estou tão seguro se as estatísticas econômicas convencionais, como PIB e taxa de desemprego, capturam a situação humana real no trabalho (se eles são felizes, se eles são livres, se eles estão aprendendo, se eles têm um plano B, ao invés de recearem uma demissão, etc.). O Índice de Saúde Social do Nordhan University e outros estudos mostram resultados muito diferentes, muito ruins. Isso é muito importante, porque a devastação planetária é justificada pelos benefícios sociais criados pelo crescimento econômico eterno.

Último, mas não menos importante, você acha que nós precisamos da natureza?

Obrigado antecipadamente pela sua atenção, ficarei feliz em ver seus pensamentos sobre essas questões.

Cordiais saudações,
Hugo Penteado do Brasil, onde durante os últimos 13 anos (governos FHC e Lula), a destruição da floresta Amazônica acelerou 3.000% e nós estamos apenas copiando o mesmo modelo econômico dos Estados Unidos (que destruíu 99% das suas florestas naturais) e da Europa (99,7%).

Colaboradores