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| Foto: Tony Hall (CC By BY-ND 2.0) |
sexta-feira, 14 de março de 2014
Texto pavoroso do Rodrigo Constantino da Veja
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
'Temos que abandonar o mito do crescimento econômico infinito'
DA BBC BRASIL 04/10/2011 - 08h41
Há vinte anos, a queda do Comunismo no Leste Europeu parecia provar o triunfo do capitalismo. Mas teria sido uma ilusão?
Os constantes choques no sistema financeiro internacional nos últimos anos levaram a BBC a perguntar a uma série de especialistas se eles acham que o capitalismo fracassou.
Neste texto, Tim Jackson, professor da Universidade de Surrey e autor do livro Prosperity without Growth --Economics for a Finite Planet (Prosperidade sem Crescimento: Economia para um Planeta Finito), defende o abandono do mito do crescimento infinito:
Toda sociedade se aferra a um mito e vive por ele. O nosso mito é o do crescimento econômico.
Nas últimas cinco décadas, a busca pelio crescimento tem sido o mais importante dos objetivos políticos no mundo.
A economia global tem hoje cinco vezes o tamanho de meio século atrás. Se continuar crescendo ao mesmo ritmo, terá 80 vezes esse tamanho no ano 2100.
Esse extraordinário salto da atividade econômica global não tem precedentes na história. E é algo que não pode mais estar em desacordo com a base de recursos finitos e o frágil equilíbrio ecológico do qual dependemos para sua sobrevivência.
Na maior parte do tempo, evitamos a realidade absoluta desses números. O crescimento deve continuar, insistimos.
As razões para essa cegueira coletiva são fáceis de encontrar.
O capitalismo ocidental se baseia de forma estrutural no crescimento para sua estabilidade. Quando a expansão falha, como ocorreu recentemente, os políticos entram em pânico.
As empresas lutam para sobreviver. As pessoas perdem seus empregos e em certos casos suas casas.
A espiral da recessão é uma ameaça. Questionar o crescimento é visto como um ato de lunáticos, idealistas e revolucionários.
Ainda assim, precisamos questioná-lo. O mito do crescimento fracassou. Fracassou para as 2 bilhões de pessoas que vivem com menos de US$ 2 por dia.
Fracassou para os frágeis sistemas ecológicos dos quais dependemos para nossa sobrevivência.
CRISE E OPORTUNIDADE
Mas a crise econômica nos apresenta uma oportunidade única para investir em mudanças. Para varrer as crenças de curto prazo que atormentaram a sociedade por décadas.
Para um compromisso, por exemplo, para uma reforma radical dos mercados de capitais disfuncionais.
A especulação sem controle em commodities e em derivativos financeiros trouxeram o mundo financeiro à beira do colapso há apenas três anos. Ela precisa ser substituída por um sentido financeiro mais longo e lento.
Consertar a economia é apenas parte da batalha. Também precisamos enfrentar a intrincada lógica do consumismo.
Os dias de gastar dinheiro que não temos em coisas das quais não precisamos para impressionar as pessoas com as quais não nos importamos chegaram ao fim.
Viver bem está ligado à nutrição, a moradias decentes, ao acesso a serviços de boa qualidade, a comunidades estáveis, a empregos satisfatórios.
A prosperidade, em qualquer sentido da palavra, transcende as preocupações materiais.
Ela reside em nosso amor por nossas famílias, ao apoio de nossos amigos e à força de nossas comunidades, à nossa capacidade de participar totalmente na vida da sociedade, em uma sensação de sentido e razão para nossas vidas. http://www1.folha.uol.com.br/bbc/985227-temos-que-abandonar-o-mito-do-crescimento-economico-infinito.shtml
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Fracasso do COP15 deriva do fracasso do modelo econômico
O erro segue sem correção: para os economistas, a economia pode ser maior que o planeta, ou na verdade, eles consideram o planeta um subsistema da economia. Alguém desse grupo tem noção do quanto isso é completamente fora da realidade? Essa visão econômica tem agradado os interlocutores gananciosos (nossa sociedade se tornou extremamente gananciosa) e criou a idéia falsa de escassez. Só existe escassez quando há ganância e necessidades ilimitadas, para um crescimento de coisas e pessoas também ilimitado. Embora a economia seja uma irmã siamesa bem menos desenvolvida que a física clássica, ignorou seus avanços e não se adaptou às novas formas de realidade sistêmica que vieram nos últimos 200 anos. Isso é mais surreal do que o fiasco da COP15. Essa visão equivocada é a razão desse fiasco.
Sinto calafrios quando ouço o discurso dos nossos políticos, imantado nessa visão megalomaníaca suicida dos economistas que criaram a economia como um bicho que não tem boca nem estômago (de onde vem os recursos pouco importa), nem intestino nem reto (para onde vão os resíduos pouco importa). É um sistema circulatório apenas, sem contato com as extremidades, poderia estar flutuando em marte e mesmo assim não precisaríamos adaptar a teoria em nada. Daí deriva a nossa adoração pelo deus crescimento econômico e aquilo que é considerado solução dos nossos problemas, é seu agravante. E o agravo é tal agora que não podemos contar mais com a possibilidade da vida ser sustentada pela Terra. Na verdade temos um conflito de identidade horroroso, não sabemos se somos deuses ou apenas mais uma espécie animal. Se formos o último e se a vida está ameaçada, não podemos contar que sairemos ilesos. Essa forma filosófica de encarar a questão é semelhante a dizermos: “Nunca morri até agora e isso significa que nunca irei morrer” ou “o planeta nunca expulsou a humanidade inteira, portanto isso nunca acontecerá.”
Na lista das excentricidades, dias antes da COP15, os Estados Unidos aprovaram seu orçamento militar de 2010: US$ 630 bilhões. Os chineses possuem só 16 ogivas nucleares, porque sabem que elas são suficientes para destruir a humanidade duas vezes. Os Estados Unidos possuem 60.000, pois o plutônio, subproduto da energia nuclear, é comprado continuamente como única forma de financiar a energia nuclear. A cada 10 anos, as ogivas têm que ser refeitas, um negócio, por assim dizer, da China, que talvez copie o modelo quando abandonar o carvão a favor do urânio. Por ora, carvão não é abandonado nem na China, nem no estado de Dakota nos Estados Unidos, porque os governantes dizem que se mudarem a matriz apenas por questões ambientais, isso inviabilizaria a economia. É a mágica das externalidades, custos relacionados ao nosso sistema que são socializados com todos e com o futuro, se fossem reconhecidos, descobriríamos que mais da metade do nosso progresso é falso e o sistema inteiro é insustentável. Esse mesmo mesmo argumento aparece na questão ambiental e agrícola da Amazônia. Graças aos economistas e seus modelos, tudo é regido pela total separação mesquinha: quanto mais viável economicamente for uma atividade, mais ambientalmente inviável ela é. Os economistas não se preocupam com isso, porque acreditam que nada é feito com o meio ambiente e os recursos da natureza são insignificantes e possuem substitutos perfeitos através da engenhosidade humana. Os físicos caem de costas ao ouvirem essas baboseiras.
Mas um ponto não pode passar despercebido: a total falta de finalidade de se ter 60.000 ogivas é equivalente a quantidade enorme de veículos, consumo estúpido, quantidade de lixo a cada minuto grotesca, casas gigantescas e obras absurdas como Dubai, transposição do Rio São Francisco, usina das Três Gargantas ou construção de novas usinas hidrelétricas na Amazônia. Tudo isso feito lado a lado com o colapso do transporte nas cidades, quando 50% da energia é desperdiçada no mundo todo, quando não existe mais relação alguma entre crescimento econômico e qualidade de vida ou bem estar. Se falta energia no mundo, é porque falta “produzir” mais energia, não é porque há excesso de demanda nem porque há desperdício. Se há fome no mundo, é porque falta “produzir” alimentos, não é porque há excesso de gente, desperdício e enormes ineficiências, como o consumo de carne. Adeus ecossistemas e a vida na Terra, esse será o resultado final da nossa visão de mundo. Estamos céleres a caminho desse resultado e tudo indica que somente quando o planeta revidar os estragos que fizemos, iremos repensar esse modelo que passou por uma degeneração socioambiental opressiva e acelerada, principalmente nos últimos 40 anos, mas que perto do que virá pela frente, será nada.
quinta-feira, 19 de março de 2009
Colapso global como freio de arrumação
VALOR 17/03/2009
Colapso global como freio de arrumação
José Eli da Veiga
Por que essas 18 altas autoridades em ciência econômica imaginam que aumentos do PIB não tenham custos socioambientais? A resposta aponta um raciocínio muito comum, que também é dos mais falaciosos. Como em um dólar de PIB é declinante a participação relativa de recursos como petróleo e minérios, deduz-se que não existam limites naturais ao crescimento econômico. Um duplo sofisma. Ignora que continua a aumentar o fluxo de recursos naturais que atravessa a economia, mesmo que diminua no PIB seu peso monetário relativo. E também ignora que o valor é sempre acrescentado pelos humanos, mediante sua força e meios que criam para produzir (trabalho e capital), o que inclui evidentemente conhecimento e inteligência. Raciocina-se como se fosse possível a criação de valor adicionado sem uma coisa à qual ele se adicione, em geral recursos naturais.
Quem ler esse relatório também ficará sem saber que desde meados da década de 1990 outros economistas comparam as evoluções do PIB às evoluções de indicadores de bem-estar. E que o fenômeno constatado nas nações mais avançadas foi de clara divergência a partir do início dos anos 1980, mostrando que em países de alto consumo os custos do crescimento passaram a superar seus benefícios, tornando-o antieconômico.
A constatação empírica de divergência entre desempenho econômico (medido pela evolução do produto) e a efetiva qualidade de vida, assim como entre ela e as perspectivas das gerações futuras (sustentabilidade ambiental), são os primeiros sinais daquilo que no plano teórico havia sido antecipado desde 1966 pela genial contribuição de Nicholas Georgescu-Roegen (1906-1994). Foi quem mostrou que as teorias da ciência econômica simplesmente fazem de conta que não existe a termodinâmica, porque seria muito incômodo aceitar a sua segunda lei, da entropia.
Toda transformação energética envolve produção de calor que tende a se dissipar. E calor é a forma mais degradada de energia, pois embora parte dele possa ser recuperada para algum propósito útil, não é possível aproveitá-lo totalmente por causa de sua tendência à dissipação. A degradação energética tende a atingir um máximo em sistema isolado, como o universo. E não é possível reverter esse processo. O que quer dizer que o calor tende a se distribuir de maneira uniforme por todo o sistema. E calor uniformemente distribuído não pode ser aproveitado para gerar trabalho.
Como as mais diversas formas de vida são sistemas abertos, elas só se mantêm como oposição temporária ao
processo entrópico. Há entrada de energia e materiais, mas nem toda energia pode ser utilizada: o calor dissipado não é capaz de realizar trabalho. Energia e matéria aproveitáveis são de baixa entropia, e quando utilizadas na manutenção da organização do próprio sistema, são dissipadas, tornando-se de alta entropia. Os organismos vivos existem, crescem e se organizam importando energia e matéria de qualidade de fora de seus corpos, e exportando a entropia.
No entanto, obcecados pelo fluxo circular monetário, os economistas convencionais se esqueceram do fluxo metabólico real. Por isso chegam ao absurdo de pensar que o crescimento econômico nada tenha a ver com a capacidade do ambiente de assimilar os resíduos, colocando em risco suas funções de suporte à vida. E não há como se saber qual será o nível de impacto a partir do qual os danos ao ambiente serão irreversíveis.
A mais prática decorrência é que poderá ser muito melhor que o PIB mundial aumente, por exemplo, a uma taxa média de 2%, dobrando em 35 anos, em vez de 7%, quintuplicando em 24. Mais importante ainda será que essa média resulte de taxas das mais elevadas em uma centena de países periféricos e das mais baixas nas duas ou três dezenas de países centrais. Só isso poderá permitir que a qualidade do crescimento econômico seja compatível com a conservação ecossistêmica, gerando algo bem mais próximo do generoso ideal que só emergiu no final do século passado: o desenvolvimento sustentável. E, neste caso, o colapso global terá sido um bem vindo freio de arrumação.
José Eli da Veiga, professor titular do departamento de economia da FEA-USP e autor de diversos livros sobre desenvolvimento sustentável, escreve mensalmente às terças. Página web: www.zeeli.pro.br
segunda-feira, 9 de março de 2009
Leis da física sempre determinaram que o ser humano é dependente da natureza ...
A CHINA E A CRISE GLOBAL
Uma interpretação termodinâmica
José Lisboa
“É impossível fazer justiça à magnitude do sacrifício
que os camponeses fizeram no sentido de viabilizar
o acúmulo de capital para a industrialização da China.
É seguro dizer que o edifício da indústria chinesa está
alicerçado na carne e no sangue dos trabalhadores
camponeses, e o desenvolvimento urbano pôde apenas
ser alcançado através de sua dor e abnegação”.
Chen Guidi e Wu Chuntao - O Segredo Chinês
(Rio de Janeiro,Record,2008)
Antoine-Laurent Lavoisier (1743-1794) descobriu,no século XVIII,uma das leis fundamentais da ciência,o princípio da conservação da massa.Embora,com a descoberta da radioatividade,esse princípio tivesse que admitir uma exceção,o enunciado geral da Lei de Lavoisier permanece válido para todo o sempre:”Na natureza nada se cria,nada se perde,tudo se transforma”.
Um século mais tarde,esse princípio foi estendido à energia por Lord Kelvin (1824-1907),que enunciou a 1ª Lei da Termodinâmica:”A energia total envolvida num processo é sempre conservada.Pode mudar de forma do modo mais complicado,mas nenhuma porção dela se perde” (1).
Einstein ampliou essa idéia na famosa relação de equivalência E=mc², em que E é energia, m é massa e c é a velocidade da luz.Isto é,energia e massa se conservam em conjunto.
Pela 2ª Lei da Termodinâmica,a energia se conserva,mas a energia útil diminui.Essa lei foi formulada em 1850 por Rudolf Clausius que,em 1865,descobriu uma fórmula para medir a parte da energia que não pode mais ser transformada em trabalho.Deu a essa medida o nome de entropia.
“O estilo de vida criado pelo capitalismo industrial sempre será o privilégio de uma minoria.O custo em termos de depredação do mundo físico,desse estilo de vida,é de tal forma elevado que toda a tentativa de generaliza-lo levaria inexoravelmente ao colapso de toda uma civilização,pondo em risco as possibilidades de sobrevivência da espécie humana (...).A idéia de que os povos pobres podem algum dia desfrutar das formas de vida dos atuais povos ricos é simplesmente irrealizável”(Celso Furtado,O Mito do Desenvolvimento Ecnômico,Rio de Janeiro,Paz e Terra,1974.p. 75).
Em decorrência da 1ª Lei da Termodinâmica,o homem não tem capacidade para criar ou destruir matéria ou energia;não há forma de aumentar os recursos do planeta.Do ponto de vista global,o crescimento econômico é apenas um mito.
Os países ricos,os emergentes e as classes ricas de todos os países são ilhas de afluência,rodeadas por mares cada vez maiores de desordem.É por esse motivo que a entropia também pode ser considerada uma medida da desordem.
.A China não é um país rico.Mas,com uma população de 1.300.000.000 de habitantes e um governo ditatorial,conseguiu espremer os seus pobres e dotar-se de um mercado de 250 milhões de pessoas com poder de compra.Ora,um mercado com essa dimensão,maior que toda a população da Rússia,tornou-se um atraidor de capitais e um devorador de recursos próprios e alheios..
Esse imenso mercado acelerou a desordem no mundo e é o pano de fundo da atual crise,embora a causa próxima desta sejam as hipotecas de alto risco.
Se um 1.300.000.000 de chineses fossem pobres,a desordem ficaria só por conta do consumo dos Estados Unidos e,em menor escala,do consumo dos demais países ricos e das classes ricas de todos os países.
Notícia recente diz que a China já consome 15% de toda a capacidade biológica do planeta.Nos próximos anos,o consumo da China provavelmente continuará a impor desafios ao próprio sistema chinês e pressionará a biocapacidade dos demais países do mundo.
Nota: 1) James Prescott Joule (1818-1889) já havia demonstrado experimentalmente,entre 1843/47, que a energia não se perde..
Bibliografia: Jeans, Sir James- L’ évolution des sciences physiques, Paris,Payot,1950.
Capra,Fritjof-A teia da vida, São Paulo,Cultrix, 1997.
domingo, 8 de março de 2009
Noam Chomsky: entrevista sobre Obama e a crise
Cético Autor de mais de 70 livros, Chomski diz que Obama não será muito diferente de Bush e que o Brasil está no caminho certo
Entrevista
Noam Chomsky
"Capitalismo só existe no terceiro mundo"
Intelectual americano critica protecionismo dos EUA e diz que o poder do capital é imposto à força nos países pobres
por Maíra Magro
ISTOÉ - Barack Obama pode mudar o que o sr. chama de "Estado fracassado"?
ISTOÉ - O sr. está dizendo que Obama é igual a George W. Bush?
ISTOÉ - Os Estados Unidos são uma democracia fracassada?
ISTOÉ - Alguns presidentes sul-americanos são chamados de populistas.
Chomsky - Populista quer dizer alguém atento à opinião popular.
ISTOÉ - Mesmo quando a distribuição de recursos não é sustentável?
ISTOÉ - O presidente Hugo Chávez acaba de passar por um referendo que permite suareeleição ilimitada. Isso é aceitável em uma democracia?
ISTOÉ - O sr. avalia o governo Chávez positivamente?
ISTOÉ - O sr. acha que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva representou alguma mudança para o Brasil?
ISTOÉ - E qual o papel do Brasil?
ISTOÉ - Como o sr. vê o ressurgimento de medidas protecionistas nos Estados Unidos e na União Européia?
ISTOÉ - O capitalismo está entrando em colapso com a crise?
Chomsky - O único lugar onde o capitalismo existe é nos países do Terceiro Mundo, onde ele é imposto à força.
ISTOÉ - Os anticapitalistas têm algum modelo para oferecer?
ISTOÉ - Vê algo de positivo no papel dos Estados Unidos atualmente?
ISTOÉ - O sr. concorda que os intelectuais de hoje são menos engajados que nos anos 60 e 70, por exemplo?
ISTOÉ - O sr. dedicou a vida a pensar as questões mais importantes do mundo.Como se sente hoje?
