segunda-feira, 28 de abril de 2014

Guerras pela água

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Simples: só vai piorar porque mantemos uma demanda exponencial infinita pela água que é um recurso finito respaldado por uma teoria econômica autista e falsa que escreve até os dias de hoje que “os recursos da natureza são totalmente irrelevantes para o processo econômico”.   Essa demanda infinita não é para atender as necessidades das pessoas, longe disso... o que é muito pior como justificativa de meios para atingir os objetivos.

Essa teoria, embora falsa, garante que: 1) as empresas saqueiem o planeta e as gerações futuras sem nenhum “accountability”; 2) o sistema de preços seja totalmente disfuncional e premia apenas as devastações ambientais, os desperdícios, as ineficiências e a economia do alto carbono enquanto um monte de deslumbrados ficam falando de economia limpa, energia limpa e até energia nuclear entra no cardápio enquanto assinam embaixo no saque planetário; 3) criou um ambiente de corrupção desenfreada com os governos do mundo todo para manter o atual sistema de destruição das liberdades, da criatividade, dos empregos, da sociedade e da natureza, mesmo sabendo (eles sabem) que essa rota é totalmente suicida, mas pensam eles que se tiverem sorte, não estarão aqui para ver o resultado que irá restar disso tudo, ou seja, devastação total, que já começou com a maior extinção em massa das espécies animais e vegetais dos últimos 65 milhões de anos, causada pelo homem que mantém a ingenuidade que essa extinção jamais irá se voltar contra os causadores.

Lógico que pensadores como Nicholas Georgescu Roegen e Ted Trainer não são nem serão levados a sério a ponto de ganhar a merecida atenção, porque não tem como ir contra os interesses econômicos do modelo carro-casa-viagem-ao-exterior atual.  Agora pensamentos bestiais de Julien Simon e seu seguidor Bjorn Lomborg e as derrapadas do George Monbiot sobre energia nuclear, esses sim ganham total atenção.

Sorriam, isso tudo é passageiro!

Guerras pela água

Autor: 
Josh Clark


Em 1995, o vice-presidente do Banco Mundial Ismail Serageldin afirmou "as guerras no próximo século acontecerão por causa da água" [fonte: Village Voice]. A última guerra pela água aconteceu 4.500 anos atrás, na Mesopotâmia, mas outros conflitos já se iniciaram desde essa época pela mesma razão [fonte: Leslie]. O conflito sangrento em Darfur, no Sudão (em inglês), que começou em 2003 e matou 400 mil africanos, se iniciou em parte por causa do acesso a uma fonte de água, que estava ficando escassa [fonte: The Guardian].
Collecting water in Darfur
Don Emmert/AFP/Getty Images
O conflito em Darfur, Sudão, começou em parte por causa dos direitos sobre a água
O conflito de Darfur começou no local e depois se espalhou por toda a região. Em outras regiões, a água também pode prejudicar as relações entre países vizinhos. A água está espalhada por fronteiras geográficas, o que dificulta a determinação de posse. Como as nações podem dividir uma fonte de água em comum, a hostilidade pode aumentar por causa do acesso a ela, principalmente quando um grupo percebe que o outro está utilizando-a mais.
Essa situação não acontece apenas em regiões envolvendo muitos países que estão próximos uns dos outros, ocorre também em regiões dos Estados Unidos (em inglês). Em outubro de 2007, uma disputa por causa do direito sobre a água - que já dura 20 anos, e alguns chamam de guerra pela água - entre os estados do Alabama (em inglês), Flórida (em inglês) e Georgia (em inglês) se intensificou. Quando a água disponível, que abastece os 4,5 milhões de habitantes de Atlanta (em inglês), além de partes do Alabama e da Flórida, começou a diminuir por causa de uma grande seca, as tensões se intensificaram em relação ao direito sobre a fonte. Embora as Guardas Nacionais dos estados não tenham se confrontado, os governadores iniciaram uma guerra pública, trocando palavras em vez de tiros.
A água está espalhada de maneira desigual pelo planeta. Embora as nações em desenvolvimento lutem para fornecer água para suas populações, elas costumam pagar mais por isso, já que têm de tomar medidas maiores para consegui-la. Os países desenvolvidos podem oferecer uma infra-estrutura que fornece água para os habitantes de maneira barata e eficaz. Isso faz a água parecer barata e menos valiosa para as pessoas que vivem nesses lugares. Embora sejam necessários cerca de 35 litros para sustentar um humano (esse número leva em conta todas as formas de utilização da água, como beber, se higienizar e preparar alimentos), o norte-americano utiliza em torno de 597 litros [fonte: U.S. News and World Report].
Uma exceção entre os países em desenvolvimento, o Brasil detém invejáveis 13,7% de toda a água doce disponível no planeta. Mas esses 13,7 % não garantem fartura, já que a maior parte dessa água (73%) está localizada na região amazônica, a região com a menor densidade populacional do país. Pouco mais de 20% da água tem que ser dividida entre 93% da população do país.
Isso incentiva uma divisão global da água. No futuro, essa divisão também poderia estimular conflitos e hostilidade entre os países que têm água e os que não têm. Embora o acesso à água limpa seja considerado um direito humano, a água está se tornando um item de luxo. Por exemplo, uma dieta rica em carne está associada à riqueza, uma vez que a carne é mais cara do que os grãos. Enquanto são necessárias cerca de mil toneladas de água para cultivar uma tonelada de grãos, é preciso 15 vezes mais água (15 mil toneladas) para produzir uma tonelada de carne [fonte: Leslie]. No Brasil, a agricultura consome 69% da água retirada dos mananciais do país - contra 11 % de consumo pelas populações urbanas [fonte: ANA].
À medida que a importância da água aumenta, como as nações desenvolvidas serão vistas por aquelas que têm pouco ou nenhum acesso à água?
Está claro que à medida que a água se torna mais valiosa, o risco de conflitos futuros em relação às fontes de água aumenta. Mas podemos superar nosso próprio futuro? É inevitável que a peste, a fome e a guerra por causa da falta de água defininam a história do século 21? Leia a próxima página para saber sobre as esperanças para o futuro.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Show de horrores

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1) Sementes suicídas e seus impactos contra interesses difíceis de vencer

ABA envia carta à comissão responsável pela liberação das sementes terminator
A Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) enviou uma carta ao presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), Deputado Federal Vicente Cândido, com pareceres técnicos sobre as GURTs “Tecnologias Genéticas de Restrição ao Uso”, também conhecidas como sementes terminator por sua incapacidade de germinação. O objetivo é que os argumentos científicos sejam ouvidos e que esta tecnologia, que não contribuirá em nada para a sustentabilidade da agricultura brasileira, seja impedida.
No dia 11 de março, graças à mobilização social no Brasil, foi barrada a votação do Projeto de Lei 268/2007, que pede a liberação da produção e comercialização de sementes transgênicas terminator. A CCJC é a última comissão pela qual o PL tramita e, caso seja aprovado, vai diretamente ao plenário da Câmara Federal. A carta produzida pela ABA foi entregue neste contexto.
Alguns estudos e leis a respeito do tema são apontados na carta elaborada pela ABA, além de analisar as implicações técnicas do uso dessa tecnologia. O documento lista alguns impactos promovidos pela sua utilização: agrícolas e socioeconômicos, nos direitos de proteção intelectual, na conservação da diversidade biológica nas propriedades, dos GURTs nos conhecimentos, práticas e inovações das comunidades locais e indígenas e os impactos éticos dos GURTs.
As lições adquiridas com as experiências com outros transgenes também foram consideradas. Os efeitos adversos não previstos e descobertos anos atrás por pesquisadores independentes, após a liberação comercial dos transgênicos no Brasil, é uma delas. Nesse sentido, a ABA propõe a exigência legal da obrigatoriedade de estudos de avaliação de riscos sobre essas sementes. A ameaça à diversidade biológica e seus impactos no ecossistema em consequência da liberação de OGMs (Organismos Geneticamente Modificados) é outra preocupação apontada.
Reconhecendo a inestimável contribuição das comunidades locais e indígenas, sobretudo dos pequenos agricultores, na conservação da diversidade desse patrimônio genético de fundamental importância para a alimentação no mundo e a sustentabilidade desses territórios, o documento conclui exigindo estudos de impacto ambientais para atender as leis e o princípio da precaução. (...)
ABA Agroecologia, 27/03/2014

2) Kátia Abreu e suas falácias: isso merece uma resposta

3) A volta do preconceito em cursos da FGV:

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Economia continua contra o meio ambiente

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O crecimento medido pelo PIB e aumento da economia material é rota de colisão com a Terra. Isso não pode continuar mais, a menos que tenhamos desistido de manter a vida nesse planeta.

Precisamos cortar os exageros, os desperdícios, as ineficiências e no limite estancar o crescimento absoluto (não relativo) de populações e estruturas.  Num planeta finito como a Terra, não só em serviços ecológicos, mas em água e solo para comportar tudo isso, o crescimento já virou decrescimento das bases de sustentação dos seres vivos e fim da qualidade de vida há muito tempo. 

Num novo modelo sem as ideologias dominantes, o foco seria distribuição, equilíbrio com os ecossistemas e qualidade de vida.

O que precisamos mais além de ficar sem água em São Paulo numa das anomalias mais grotescas no Brasil inteiro desde final de 2013 para acordar?

O fim da vida?  Essas análises da pressa da licença ambiental, não correspondem a realidade atual do planeta. Mas continuam dentro da teoria econômica pela qual os recursos da natureza são considerados totalmente irrelevantes para o processo econômico e isso ainda é ensinado até hoje (ver matéria abaixo). Nenhum dos lados está certo enquanto não houver um equilíbrio e uma escala de importância e acima de tudo uma avaliação dos resultados sociais e ambientais das atividades implementadas de forma coerente, coesa e sistêmica.

Hugo


Burocracia faz concessão de usina da Votorantim vencer antes de gerar energia
Na divisa entre SP e PR, a usina foi concedida por decreto presidencial em 1988 à Companhia Brasileira de Alumínio e, desde então, passou por três estudos de impacto ambiental, uma licença prévia suspensa e muitas mudanças no projeto
RIBEIRA (SP) E ADRIANÓPOLIS (PR) - Em quatro anos, a concessão da Hidrelétrica de Tijuco Alto, na divisa entre os Estados de São Paulo e Paraná, vai acabar sem que nenhum centímetro de barragem tenha sido erguido e nenhum megawatt de energia, gerado. Concedida em setembro de 1988, por meio de decreto presidencial, a usina é o exemplo do quanto é complexo e burocrático o processo para conseguir levantar um projeto no Brasil.
Durante 26 anos, a hidrelétrica - da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), do Grupo Votorantim - fez parte de uma verdadeira novela, com idas e vindas. Foram três estudos de impacto ambiental, uma licença prévia suspensa e várias mudanças no projeto para se adequar às exigências de órgãos ambientais, de patrimônio histórico e das comunidades. Ainda assim, não há uma posição concreta sobre a obra de R$ 600 milhões.
Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), o processo está com a análise técnica encerrada, mas a emissão da licença prévia depende de manifestação positiva da Fundação Cultural Palmares. Em 2012, a instituição deu parecer favorável ao empreendimento, de 144 MW. Mas, no mesmo ano, voltou atrás sob a alegação de que novas consultas deveriam ser feitas com as comunidades quilombolas na área de influência da usina. As reuniões, previstas para janeiro, ainda não foram feitas. Procurada, a fundação não respondeu à reportagem.
Calcula-se que a empresa já gastou mais de R$ 50 milhões em projetos, audiências públicas e compra de propriedades. Sem saber da dificuldade que enfrentaria para tirar o projeto do papel, a CBA comprou 60% (5.511 hectares) da área necessária para a construção da usina. Além disso, comprou equipamentos para a hidrelétrica, como grades das comportas do reservatório. Uma parte do material se perdeu. Outra está à espera da liberação da usina.
O canteiro de obras, onde cerca de 80 pessoas trabalharam para elaborar os estudos na década de 90, continua intacto na beira do Rio Ribeira de Iguape. Os escritórios ainda guardam materiais informativos da época das audiências públicas e os mapas com a localização da barragem, da casa de força e de toda a área de influência da usina.
Histórico. Os entraves na construção da hidrelétrica começaram em maio de 1994, três meses depois de a Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo conceder a licença prévia. O Ministério Público Federal suspendeu a decisão, alegando que o licenciamento teria de ser feito pelo Ibama. A partir daí, teve início a novela que virou o empreendimento.
A cada ano que passava, uma nova exigência era feita e as posições iam mudando. Enquanto um órgão aprovava, o outro dava um passo atrás. Em 2007, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) deu parecer favorável ao projeto, enquanto o Instituto Chico Mendes, à época recém-criado, pediu mudanças para preservar as cavernas localizadas na região. No ano seguinte, o Iphan mudou de ideia e também solicitou novos estudos sobre as cavernas.
Um dos pontos de discórdia era a Gruta do Rocha, famosa na região e que foi classificada como grau máximo de relevância por ser hábitat de uma nova espécie de escorpião. Mas, segundo o presidente da Votorantim Energia, Otavio Rezende, esse problema já foi superado. Uma nova solução de engenharia foi criada para evitar que as cavernas fossem inundadas com a construção da hidrelétrica. Ele explica que um muro será construído para evitar qualquer tipo de prejuízo às grutas.
A solução, no entanto, não convence o exército de ambientalistas contrários ao empreendimento. O coordenador do Programa Vale do Ribeira do Instituto Socioambiental (ISA), Nilto Tatto, diz que há na região cerca de 500 cavernas com grande biodiversidade e que poderiam ser afetadas.
Na avaliação dele, o solo da região é sensível e, portanto, a solução de construir muros pode não ser eficaz. "Tijuco Alto tem uma série de problemas. Na origem, o termo de referência emitido pelo Ibama não contemplou o rio todo e, portanto, a empresa só fez os estudos ambientais de um trecho." Além disso, diz ele, as comunidades não foram informadas sobre todos os riscos do projeto, como o caso de contaminação da água por causa das antigas explorações de chumbo na região.
Para a CBA, projetos e programas especiais foram desenhados para resolver o problema e evitar a contaminação. "Todas as pendências foram resolvidas. Não há mais nenhum óbice ao projeto", diz Rezende, lembrando que a usina resolverá um dilema antigo dos moradores da região, que são as constantes enchentes no período de chuva.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Amazônia está longe de estar salva

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Painel IPCC alivia previsões para Amazônia (ver matéria abaixo), mas aponta riscos que podem não mudar o seu cenário, dada a falta de decisão política para evitá-los nos Brasil e demais países sul-americanos.  Sem falar na pressão advinda do projeto patrocinado por interesses econômicos, chamado de IRSA (Integração Regional Sul-Americana).  Esse projeto é patrocinado por uma ideologia aina dominante que não vê valor algum na floresta em pé.   Será que nós economistas esquecemos que nos ensinam na escola que uma árvore só tem valor quando derrubada ao chão?  Ou que em todos os livros de macroeconomia ensinados até hoje e não na Idade Média está escrito que “os recursos da natureza são totalmente irrelevantes para o processo econômico”, apesar de ser uma teimosia nada científica completamente em desacordo com a realidade?  E que os físicos sabem que tudo à nossa volta são recursos da natureza regidos por leis que não controlamos?  A física é uma ciência, enquanto a economia não passa de fantasias voltada para solidificar o status quo dos que menos precisam de recursos, mas os que mais conseguem obtê-los, tanto na esfera social, como nacional e global.

A notícia do painel é boa, mas muito pouco animadora, porque mudança climática não é “o” problema, mas um deles, e nem o mais grave.  E se o cenário mais ameno só vai acontecer se não houver desmatamento, fogo, especulação, avanço da fronteira agrícola, então esse cenário não é provável. Não há nenhum arcabouço institucional instalado nessa região sem lei capaz de impedir essas mazelas.  Enfim, falta firmeza e decisão política para defender a floresta – e nossas vidas.  Falta entender que sem a Amazônia estaremos todos mortos.

Quando nossos interesses estão em foco somos os piores juízes das nossas ações. Nós não mudamos simplesmente porque não queremos ou nem sentimos a necessidade de.

Falta barrar a especulação imobiliária, o fogo, com firmeza, mas com uma atuação 360 graus, dando àqueles que fazem isso outra opção de participar do sistema econômico, que não agir em desespero próprio.  Nossas cidades, por exemplo, são motores de destruição contínua dos ecossistemas.  Transporte de lixo, de alimentos, de matérias primas da Ásia para empresas de cosméticoserradamente consideradas sustentáveis,  é tanta coisa errada que nem dá para pensar por onde começar. É por tudo.

É o que mais falta no nosso sistema e é o maior entrave para realmente mudarmos: vivemos um sistema que as oportunidades são distribuídas para poucos, enquanto a vasta maioria fica sem nada e isso só tem piorado.  E esses poucos ainda viram líderes de uma sustentabilidade que inexiste. Nada mudou. Pior, nosso sistema só favorece pessoas no poder que tenham natureza psicopata, segundo estudos de universidades britânicas.

Para salvar o lado ambiental, é necessário salvar primeiro o lado social.  Mas isso é mudar como lidamos com o poder. O poder foi feito para servir e não para se servir dele.  Estamos longe disso. De um pensamento integrado. Nas mãos de pessoas que nem percebem isso.   Se tivéssemos nascido na favela do Alemão não estaríamos pensando na Amazônia – quem acredita em reencarnação deve temer as próximas, dada a situação de penúria social que bilhões já vivem. Se é que as próximasreencarnações ainda poderão ser nesse planeta. Como Nicholas Georgescu-Roegen vaticinou muito antes das descobertas científicas das últimas décadas: “Se a economia do descarte e do desperdício imediato dos bens continuar, seremos capazes de entregar a Terra ainda banhada em sol apenas à vida bacteriana.”  Continuou de forma explosiva e exponencial como mostram os trabalhos do grupo de Meadows e a atualização do seu trabalho Limites ao Crescimento, com colocações extremamente válidas até hoje.  Não adiantou nada os alertas da década de 1970. O que fará adiantar os alertas atuais?

Stephen Jay Gould ao falar da maior extinção em massa de espécies animais e vegetais dos últimos 65 milhões, avisou que seria muita ingenuidade achar que essa extinção jamais se voltaria contra os causadores.  Também avisou que nem faremos mossa à vida bacteriana, o que mostra a sabedoria também em biologia de Roegen.
  

Relatório de 2007 falava em catástrofe e savana; cientistas sugerem agora que é possível proteger a vegetação dos danos climáticos

Giovana Girardi - Enviada especial/O Estado de S. Paulo
YOKOHAMA (Japão) - Há pelo menos uma boa notícia, se é que se pode dizer assim, no novo relatório do IPCC (o painel científico da ONU sobre mudanças climáticas): a Amazônia não corre mais o risco de virar uma savana até o final do século. Essa era uma das principais previsões feitas no relatório anterior, de 2007, do IPCC.
Na época, modelos climáticos apontavam que o aumento da temperatura e as mudanças climáticas levariam a uma nova configuração da vegetação em busca de um reequilíbrio com o clima diferente. Assim, em vez de permanecer como uma floresta densa chuvosa, a Amazônia responderia apresentando um menor porte, menor diversidade, menor biomassa -- mais semelhante com o nosso cerrado. Isso acabou conhecido como savanização e foi um dos pontos de maior crítica ao IPCC.
Sete anos depois, e com mais estudos disponíveis, o cenário ficou menos pessimista. É o que se pode concluir de uma versão preliminar do relatório completo do grupo de trabalho 2 do IPCC (que fala sobre impactos, vulnerabilidade e adaptação) que vazou na internet nos últimos dias. O material será chancelado no final da semana em plenária do IPCC em Yokohama, no Japão.
No capítulo que fala sobre ecossistemas terrestres, e teve como um dos autores o americano Daniel Nepstad, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), que há 30 anos estuda a floresta, o IPCC pontua que o novo conhecimento sobre a dinâmica da floresta melhorou e a probabilidade de ela sofrer essa transformação é bem menor que o que se imaginava anteriormente. "Apesar de que uma diminuição das chuvas e secas mais severas são esperadas no leste da Amazônia", escrevem.
O cenário do colapso da floresta foi duramente criticado alguns meses após o lançamento da segunda parte do relatório 4 do IPCC, em 2007. Na época ele se baseava em uma modelagem climática, feita pelo Hadley Center, da Inglaterra, que projetava um aumento de um ciclo vicioso: o desmatamento alimentaria uma seca, que interagiria com as mudanças climáticas e o aumento da presença de gás carbônico na atmosfera, levando a colapso de metade da floresta até o final do século 21.
O modelo, porém, nunca acertou direito o regime atual de chuvas da floresta, sempre estimava para baixo. Falava em uma média de 1.400 a 1.500 mm quando a medida nas estações meteorológicas ficava em mais de 1.700 mm. Esse erro na modelagem inicial acabou levando aos resultados mais catastróficos.
Além de os modelos terem melhorado, vários estudos experimentais conduzidos na própria floresta ao longo da última década mostraram um cenário um pouco diferente. A floresta continua sendo ameaçada por períodos de seca intensa, mas seu grande inimigo talvez seja o fogo.
"A melhor notícia trazida pelos últimos estudos é que, mesmo com a mudança climática, o homem pode mitigar os seus efeitos ao controlar o uso do fogo na agricultura", comenta o pesquisador Britaldo Soares-Filho, da Universidade Federal de Minas Gerais e especialista na dinâmica da floresta.
O fogo é ainda é um recurso bastante usado por agricultores para limpar o terreno. Mas num momento de seca ele pode se espalhar com potencial realmente danoso para a floresta. "Sem esse combate, há realmente o risco de perder a floresta, com mudança do clima ou não. É o grande gatilho para empobrecer a floresta", diz Britaldo. "Mas o clima pode agravar isso. Agora estamos em um ano muito chuvoso em Rondônia, no Acre, mas em Roraima o fogo está tomando conta. E tivemos duas grandes secas, de 2005 e 2010. A variabilidade está aumentando, a princípio", complementa.
Experimentos conduzidos por Nepstad em que trechos da floresta foram secados com painéis solares observaram o limiar da resistência à seca, com a morte de grandes árvores. "As secas naturais que tivemos depois em 2005 e em 2010 validaram o estudo: 1 bilhão de toneladas de carbono foi liberada com a morte das árvores por seca natural."
Depois foi investigado o potencial do fogo. Uma parcela da floresta queimada intencionalmente no Mato Grosso, nas cabeceiras do Xingu, teve uma mortalidade de 50% das árvores num momento de temperatura mais alta e ventos fortes.
"É possível evitar que o fogo entre na floresta. Por outro lado, o Brasil está conseguindo reduzir o desmatamento. Se essa conquista se consolidar e evitarmos o fogo, dá para manejar o que a mudança climática tem de pior a jogar no Brasil", diz Nepstad.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Texto pavoroso do Rodrigo Constantino da Veja

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Se você quiser ler o texto do Rodrigo Constantido, você encontra aqui.

Foto: Tony Hall  (CC By BY-ND 2.0)

Não gostei quase nada do texto de Rodrigo Constantino, sem falar que me pareceu um ataque pessoal desnecessário, quando devemos nos prender às idéias. 

Não deve ser nem tanto ao céu nem tanto à Terra, mas foi muito maniqueísta. O lucro obtido a custo de extrema concentração de riqueza, perda de liberdades, destruição da natureza, corrupção de governos que engraxam os sapatos das empresas contra interesses socias e segurança de todos é um problema sim do sistema atual, seja ele qual nome tenha.  A resposta a um sistema que não entregou o que prometia a maior parte das pessoas é ter esquerdas quase tão ruins quanto o sistema anterior que tentavam mudar.  São ditaduras ideológicas ambos.  Num há perda de liberdades políticas, noutro econômicas porque vá viver nos centros urbanos ocidentais sem recursos para ver o que é liberdade. Em ambos há total falta de solidariedade, justiça, eficiência, criatividade e acima de tudo oportunidades para os mais jovens.  Estamos caminhando por um terreno cada vez mais seco e estéril, à alusão a essa seca hedionda pela qual passamos por dois anos consecutivos sem que o governo tenha tomado qualquer providência para nos proteger.

Ontem fui pegar minha bicicleta e a moça que cuida do bicicletário estava sentada num banquinho olhando para o nada e eu estranhei. Ele fica lá presa naquela gaiola das 12 horas até 22 horas, para ganhar 900 reais. E ainda por cima, tem que vir no sábado trabalhar das 8 às 16 horas. Ela não vê nada nem ninguém o dia todo, exceto na hora de pico de entrada e saída e um ou outro ao longo do dia.  Pensei sugerir para ela trazer algo para ler.  Lógico que ela perde horas para chegar na casa dela onde tem família esperando cuidados.

Isso é capitalismo. Ou socialismo. Ou seja o que for. A perda de criatividade e liberdade das pessoas está presente em todos. Precisamos de algo novo, mais solidário, mais humano, mais harmonizado com o planeta onde sobrevivemos algumas décadas.  É claro que estamos longe disso.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Água

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Temos várias razões para perda de fé no Brasil. A questão da água e do clima são suficientemente sérias senão assustadoras.

Foto: Steve Garner (CC by 2.0)
O que os climatologistas apontam é que a negação das alterações climáticas não pode ser feita com o argumento de “esse extremo já foi observado 30-40 anos atrás”, porque tem a questão difusa.  Na parte difusa, o que tem sido anormal é o número de extremos climáticos acontecendo todos ao mesmo tempo no planeta: seca no Brasil durante a temporada de chuvas, frio extremo nos EUA e Inglaterra debaixo de água, etc. tudo ao mesmo tempo.

O Brasil vive a combinação nefasta de má gestão política dos recursos com dependência enorme da estabilidade climática hoje cada vez menor.

Temos também a falha da teoria econômica, que considera água e a natureza bens livres, ou seja, são e serão sempre externalidades (bens livres não são passíveis de apropriação econômica). A questão da água em São Paulo onde as perdas na distribuição por falta de investimentos no encanamento são grandes, vemos o quanto a teoria econômica disfuncional explica o caso.  Para a empresa de saneamento, a água não tem custo algum, pagamos apenas pela entrega, então, o fato da água vazar 30-40% pelos canos até seu destino final tem custo zero para a empresa, ou seja, é uma externalidade, não impacta suas receitas.  Mas se a empresa decidir consertar os canos, isso é um passivo imediato, aumenta os gastos.  Se a eficiência for obrigatória por lei usando dispersores em chuveiros e torneiras e vasos sanitários eficientes, o consumo de água despenca, o que reduz a receita da empresa.

Num recurso tão indispensável quanto a água o sistema premia o desperdício, as perdas e a ineficiência, colocando em risco a vida de todos na Terra.  É assustador, porque a água não pode ser produzida, cada gota de água que olhamos num copo existe há 15 bilhões de anos no Universo e é, pelo menos na vida tal como a conhecemos, o elemento vital da sua formação.  Um corpo humano não aguenta uma semana sem água, embora aguente um mês sem comida.

Nova Iorque caminhava para uma crise de falta de água sem precedentes no final dos anos 1990, mas o pagamento de serviços ambientais resolveu o problema, ao manter as matas e florestas das fontes, a água se recuperou e ao reduzir a demanda com eficiência, o equilibrio foi restaurado. No final, temos que respeitar os limites ecológicos para nosso sistema, mas nessa fase intermediária precisamos começar a agir para evitar o pior com o apoio da precificação ambiental, tecnologia, eficiência e tudo que estiver disponivel.  Não podemos ficar sem água e de comida, ninguém estará a salvo disso, mesmo os mais ricos, porque tudo depende da natureza e continuamos tão dependentes dela quanto o homem de Neardental. 

No Brasil desmatar terras por onde se rasgam novas estradas para especulação imobiliária ainda é o grande motor de destruição das nossas florestas.  Sem a Amazônia estaremos todos mortos, isso é uma certeza científica: são 21 bilhões de toneladas de águas produzidas diariamente via vapor que sai das folhas de 600 bilhões de árvores, um volume maior que o do rio Amazonas, maior do mundo, que gera 19 bilhões diariamente. A fonte desse dado é a palestra no TEDxAmazônia do Antonio Donato Nobre, com relato emocionante dos serviços biológicos dessa floresta, que são vários: a floresta Amazônica tem um estoque de carbono equivalente as emissões totais da revolução industrial até hoje, o que, possivelmente, com a sua morte, iria abalar e muito nossa atmosfera. Não é só seu estoque ainda ignorado de biodiversidade e de fonte para vários benefícios à humanidade e sua saúde, mas é o risco que estamos atingindo: segundo Smithsonian se 25% do total da floresta for destruído, pode ser seu ponto de ruptura, a partir do qual ela não é mais capaz de autogerar as condições da sua sobrevivência.  Não sou especialista, mas sou fascinado pela Amazônia e pelos ecossistemas do nosso país, como o Cerrado.   Só consigo entender a destruição desenfreada pela ignorância e imediatismo de alguns e pelo erro atroz da teoria econômica, um dos maiores erros científicos da história da humanidade.

Precisamos de pessoas e políticos que comecem a olhar isso de cima, a população de uma forma geral vive alheia e não tem noção do perigo, pois estão lutando para sobreviver e receberam estímulos errados ligados a questões menos importantes que não lhes garante nada, nem a felicidade ou sua liberdade.  Sempre desejamos que a população tome poder do seu destino com a ajuda de todos, para viverem plenos, mas isso está longe de ser possível, ainda mais no Brasil. Dependemos dos políticos, dos decisores e formadores de opinião de forma extrema, mas eles todos encontram-se ausentes e com raríssimas exceções vemos alguma claridade.  Precisamos de ação antes que seja tarde demais. Espero que já não seja.  Mas o fato é que até agora nenhuma ação foi feita para mudar a rota de colisão da humanidade com a Terra.

Hugo

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Cade a neve?

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Cobertores térmicos especiais foram usados pela organização de Sochi para estocar neve

 Comentáio sobre a notícia:

Surreal: estamos em rota de colisão com a Terra, o que considerávamos dado, não está mais presente, como água, gêlo, chuva, solo fértil e ao invés de mudarmos nossa atitude, cancelarmos nossas extravagâncias, abusamos ainda mais da natureza, tentando criar gêlo, chuva. O sistema sócio-econômico-humano da nossa civilização só produz feedback negativo sobre os ecossistemas e os resultados enquanto continuarmos agindo assmi serão sempre negativos, até que a ruína maior nos atinja: o fim da vida.  Quer saber em quais feedbacks atuamos corriqueiramente: consumo de alimentos produzidos fora das nossas localidades, geração de lixo inconsciente para o qual a reciclagem não é a solução e jamais será, viagens de carro para lá e para cá dentro de cidades sem fazer uso de andar a pé, de bicicleta ou de ônibus, ir a churrascarias, comer carne em excesso, comer carne enfim, viajar de avião de forma hedonista e não útil para  a sociedade, enfim, estamos acelerando o processo de entropização da Terra do qual jamais sairemos vencedores. E até o momento dessa escrita essa economia do alto carbono em cima do modelo carro-casa-viagem-ao-exterior continua mais forte do que nunca, embora seja totalmente insustentável.

Hugo

Colaboradores