terça-feira, 9 de março de 2010

Hidrelétrica Belo Monte

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Comentário ao texto de Leonardo Boff sobre Belo Monte

Realmente assustador o texto abaixo do Leonardo Boff do Jornal do Brasil. Envio a vocês para conhecimento.

Podemos creditar o mérito dessa monstruosidade a todos que se calam diante da falsa sabedoria comum dos economistas e principalmente daqueles que pretendem ter um pensamento diferente.

O Brasil é hoje o planeta Pandora (do filme Avatar) dos chineses e dos países ricos e nós ainda nos agraciamos com isso e ainda dizemos que a sugação de recursos naturais e serviços ecológicos de países que não tem água suficiente nem para alimentar sua população pode ser um exemplo de "sustentabilidade" a ser copiada por todos.

Os "iluminados" não perceberam que a espoliação ambiental a custo zero pode ser feita entre países, mas não dos países todos contra o planeta. E que isso logicamente gera as várias guerras de terror que explodem à nossa volta.

Difícil dizer o que é mais irritante nesse debate à beira do precipício: se os economistas tradicionais ou se os economistas iluminados travestidos de sabedoria científica que pensam muito valer, mas que mais valeriam se estivesse mortos e enterrados com sua sabedoria inútil que não muda a vida dos bilhões de seres humanos soterrados vivos pelo crescimento econômico.

A humanidade está sendo soterrada viva pela idéia estúpida do crescimento econômico baseada na expansão ilimitada de estruturas fixas e móveis, como usinas de energia, carros e construções de todos os tipos, num planeta territorialmente finito e com serviços ecológicos indispensáveis, irreproduzíveis e muito vulneráveis diante dessa alteração ecossistêmica.

Com isso, a vida e todas as suas formas se encontra duramente ameaçada e no maior processo de extinção dos últimos 65 milhões de anos.

Essa idéia estúpida fez parte da propaganda da guerra fria e alguns economistas carentes de inteligência acreditaram nisso. Passou a ser o denominador comum de todas as economias e mensurado por outro conceito mais estúpido ainda, o PIB, também criado para fins de guerra.

Não importa que hoje um número significativo de países esteja sofrendo queda na produção de alimentos, nem que os riscos planetários que se amontoam a nossa volta sejam assustadores. Tanto os economistas cegos tradicionais quanto os iluminados de plantão não mudarão uma vírgula sequer desse modelo destruidor, pelo menos enquanto os céus assim não o determinarem.

Tudo indica que estamos muito perto da quebra desse paradigma, mas será uma mudança forçada. O sistema todo já parece ter atingido um nível de estresse tão grande que retrocederemos da pior forma possível, contra nossa vontade e com risco de extinção.

Por ventura foste tu que deste lei à luz da manhã? - perguntou Deus a Jó, cuja resposta de todos os cientistas é não. Aparentemente, por profunda ignorância e desconexão dos nossos elos naturais, dizemos sim e pagaremos com nossas vidas por tamanha arrogância.

Hugo Penteado

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Belo Monte: a volta triunfante da ditadura militar?
Leonardo Boff, Jornal do Brasil
RIO - O governo Lula possui méritos inegáveis na questão social. Mas na questão ambiental é de uma inconsciência e de um atraso palmar. Ao analisar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) temos a impressão de sermos devolvidos ao século 19. É a mesma mentalidade que vê a natureza como mera reserva de recursos, base para alavancar projetos faraônicos, levados avante a ferro e fogo, dentro de um modelo de crescimento ultrapassado que favorece as grandes empresas à custa da depredação da natureza e da criação de muita pobreza. Este modelo está sendo questionado no mundo inteiro por desestabilizar o planeta Terra como um todo e mesmo assim é assumido pelo PAC sem qualquer escrúpulo. A discussão com as populações afetadas e com a sociedade foi pífia. Impera a lógica autoritária; primeiro decide-se, depois se convoca a audiência pública. Pois é exatamente isso que está ocorrendo com o projeto da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu, no estado do Pará.

Tudo está sendo levado aos trambolhões, atropelando processos, ocultando o importante parecer 114/09 de dezembro de 2009, emitido pelo Ibama (órgão que cuida das questões ambientais) contrário à construção da usina, a opinião da maioria dos ambientalistas nacionais e internacionais que dizem ser este projeto um grave equívoco com consequências ambientais imprevisíveis.

O Ministério Público Federal, que encaminhou processos de embargo, eventualmente levando a questão a foros internacionais, sofreu coação da Advocacia Geral da União (AGU), com o apoio público do presidente, de processar os procuradores e promotores destas ações por abuso de poder.

Esse projeto vem da ditadura militar dos anos 70. Sob pressão dos indígenas apoiados pelo cantor Sting em parceria com o cacique Raoni foi engavetado em 1989. Agora, com a licença prévia concedida no dia 1º de fevereiro, o projeto da ditadura pôde voltar triunfalmente, apresentado pelo governo como a maior obra do PAC.

Neste projeto tudo é megalômano: inundação de 51.600 hectares de floresta, com um espelho d'água de 516 km2, desvio do rio com a construção de dois canais de 500 metros de largura e 30 quilômetros de comprimento, deixando 100 quilômetros de leito seco, submergindo a parte mais bela do Xingu, a Volta Grande e um terço de Altamira, com um custo entre R$ 17 e 30 bilhões, desalojando cerca de 20 mil pessoas e atraindo para as obras cerca de 80 mil trabalhadores para produzir 11.233 MW de energia no tempo das cheias (quatro meses) e somente 4 mil MW no resto do ano, para, por fim, transportá-la até 5 mil quilômetros de distância.

Esse gigantismo, típico de mentes tecnocráticas, beira à insensatez, pois, dada a crise ambiental global, todos recomendam obras menores, valorizando matrizes energéticas alternativas, baseadas na água, no vento, no sol e na biomassa. E tudo isso nós temos em abundância. Considerando as opiniões dos especialistas podemos dizer: a usina hidrelétrica de Belo Monte é tecnicamente desaconselhável, exageradamente cara, ecologicamente desastrosa, socialmente perversa, perturbadora da Floresta Amazônica e uma grave agressão ao sistema-Terra.

Este projeto se caracteriza pelo desrespeito: às dezenas de etnias indígenas que lá vivem há milhares de anos e que sequer foram ouvidas; desrespeito à Floresta Amazônica cuja vocação não é produzir energia elétrica mas bens e serviços naturais de grande valor econômico; desrespeito aos técnicos do Ibama e a outras autoridades científicas contrárias a esse empreendimento; desrespeito à consciência ecológica que, devido às ameaças que pesam sobre o sistema da vida, pedem extremo cuidado com as florestas; desrespeito ao bem-comum da Terra e da humanidade, a nova centralidade das políticas mundiais.

Se houvesse um Tribunal Mundial de Crimes contra a Terra, como está sendo projetado por um grupo altamente qualificado que estuda a reinvenção da ONU sob a coordenação de Miguel d'Escoto, expresidente da Assembleia (2008-2009), seguramente os promotores da hidrelétrica Belo Monte estariam na mira deste tribunal.

Ainda há tempo de frear a construção desta monstruosidade, porque há alternativas melhores. Não queremos que se realizem as palavras do bispo Dom Erwin Kräutler, defensor dos indígenas e contra Belo Monte: "Lula entrará na história como o grande depredador da Amazônia e o coveiro dos povos indígenas e ribeirinhos do Xingu".

Leonardo Boff, além de teólogo, é representante e co-redator da Carta da Terra.
23:18 - 28/02/2010

segunda-feira, 8 de março de 2010

UMA TERRA DE NINGUÉM?

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Jornal *O Estado de S.Paulo* - Domingo, 7 de março de 2010

UMA TERRA DE NINGUÉM?

Para cosmólogo, a pior catástrofe não são os terremotos, mas a onda de desleixo que avassala o planeta

*MARTIN REES*
em entrevista para Christian Carvalho Cruz


Terremotos, inundações, nevascas, tsunamis e outros desastres naturais matando tantas pessoas pelo mundo seriam sinais do início do fim dos tempos?

Não há evidência sólida de que esses eventos sejam mais frequentes agora do que no passado. Mas é claro que as consequências são mais severas, porque há mais pessoas e por causa da maneira como nós vivemos nas cidades.

Gelo diminuindo no Ártico, iceberg que se desprende da Antártida. O sr. crê em aquecimento global?

Acho que há indícios bastante fortes de que o mundo está se aquecendo por causa das atividades humanas. Mais importante: nós sabemos que a concentração de dióxido de carbono no ar é maior hoje do que foi por centenas de milhares de anos e, se continuarmos a depender da energia
de combustíveis fósseis, no final deste século essa concentração terá duas ou até três vezes o nível observado no período pré-industrial. A física simples sugere, então, que há um risco alto e real de mudanças climáticas graves e irreversíveis.

A capacidade do ser humano de se adaptar a condições de vida adversas impede que ele reaja e faça algo para evitar o próprio fim?

Sim, nós podemos nos adaptar. Mas será que, em vez disso, não deveríamos tentar impedir que o mundo se altere a ponto de o meio ambiente ser irreversivelmente degradado e a biodiversidade,
destruída? O mundo desenvolvido precisa ser mais eficiente no uso da sua energia. Uma enorme quantidade de calor é desperdiçada por ineficiência das edificações e (especialmente nos Estados Unidos) por conta do excessivo transporte rodoviário, extravagante na utilização de combustível. Temos de embarcar nas novas tecnologias do século 21 e garantir que o resto do mundo evite os erros cometidos pelos Estados Unidos e pela Europa.

Ainda temos tempo para evitar o fim ou devemos nos resignar?

A aplicação prudente da ciência e a distribuição justa dos benefícios da globalização entre o mundo desenvolvido e o mundo em desenvolvimento reduziriam o risco de danos à nossa civilização. A crise financeira nos fez lembrar do perigo de acontecimentos imprevisíveis - eles têm baixa probabilidade de acontecer, mas, quando acontecem, as consequências podem ser desastrosas. A ação internacional foi eficaz na prevenção de um colapso financeiro completo. Mas o foco sobre os bancos destacou as injustiças sociais decorrentes das enormes desigualdades em termos de riqueza. A crescente desigualdade, especialmente entre a elite financeira e o resto, é socialmente corrosiva. O prestígio dos banqueiros deve ser reduzido ao dos corretores de imóveis ou dos vendedores de automóveis.

Por que o sr. diz que temos 50% de chance de sobreviver ao século 21?

Eu não digo exatamente isso. Eu acredito que iremos sobreviver, mas há 50% de chance de nossa civilização sofrer um sério revés até lá. É difícil prever em que grau estará a evolução tecnológica 25 anos adiante. Lembre-se que décadas atrás a internet, o iPhone e a navegação por satélite (GPS) pareceriam bruxaria. Precisamos garantir que as inovações tecnológicas que virão sejam usadas para o bem, como essas que citei têm sido. E temos que aceitar que os riscos e os desafios éticos da biologia sintética sejam tratados por um acordo internacional. Acima de tudo há o desafio político para evitar conflitos em um mundo no qual será cada vez mais difícil obter
equilíbrio entre o autoritarismo e a anarquia.

Por que o sr. acredita nisso?

Porque pequenos grupos criminosos ou dissidentes (ou mesmo indivíduos) estarão mais habilitados pela tecnologia moderna, podendo causar perturbações muito maiores. Vai ser mais difícil preservar as liberdades tradicionais.

O sr. também diz que, se sobrevivermos, um futuro glorioso nos espera.
Que futuro é esse?

Como astrônomo, eu sei que o Sol não está nem sequer na metade de sua existência. Levou 4 bilhões de anos para que nós evoluíssemos desde o primeiro sinal de vida. Mas, tendo em vista o que resta de tempo ao Sol, ainda há pelo menos 5 bilhões de anos pela frente para uma evolução "pós-humana", sobre ou fora da Terra. Os seres humanos não são o ponto culminante da evolução, assim como não o era o primeiro peixe que rastejou para a terra seca.

O que é evolução pós-humana?

Não há mais tempo pela frente do que o tempo que foi necessário para evoluirmos até aqui, a partir do lodo primitivo. Assim, a vida pós-humana poderia ser diversa e maravilhosa - e tão diferente de nós como nós somos de um inseto.

Quais os três maiores perigos que enfrentaremos neste século?

Primeiro: que os seres humanos, coletivamente, devastem a biosfera, destruam a biodiversidade e mudem o clima de maneira nociva. Segundo: que possa haver uma guerra nuclear entre novas superpotências. Terceiro: que alguma tecnologia nova possa apresentar risco se for usada de modo equivocado ou por terroristas.

Afora as pessoas muito religiosas, gostamos de acreditar que a ciência sempre será a nossa salvação, sempre encontrará maneiras de nos manter aqui, num razoável bem-estar. Quando leio seus textos fico com a sensação de que a ciência, na verdade, possa se tornar o nosso maior
algoz. O sr. é um cientista que teme o que a ciência pode fazer?

Eu tenho grandes esperanças, e também grandes medos. Acredito que a resposta para os problemas do mundo não seja parar a ciência, mas prosseguir com ela e conduzi-la melhor. As tecnologias que alimentam o crescimento econômico hoje - miniaturização, tecnologia da informação e medicina - são benéficas no modo como estão poupando energia e matérias-primas e beneficiam tanto os ricos quanto os pobres.

A ciência deve ser controlada? Quem estabeleceria os limites?

Os limites são fixados pela prudência e pela ética. As decisões sobre esses limites não devem ser feitas só por cientistas, mas pelo grande público em geral. É por isso que é importante que todos tenham algum interesse pela ciência. Do contrário não há debate político sério sobre os problemas (e há cada vez mais deles) nos quais a ciência desempenha um papel, como meio ambiente, energia, saúde, segurança.

A humanidade precisava da ovelha Dolly?

Nós não queremos a reprodução humana por clonagem, mas podemos obter reais benefícios médicos e agrícolas a partir da biotecnologia moderna. Na ciência sempre há riscos quando fazemos algo pela primeira vez. Mas, obviamente, devemos aceitar alguns desses riscos. Do
contrário não avançamos.

O sr. mantém a aposta de que um evento bioterrorista ou de bioterror fará 1 milhão de vítimas até 2020?

Eu tenho esperança de perder essa aposta. Mas o risco é real.

Os ambientalistas repetem que a Terra não terá recursos suficientes para manter uma população mundial de 8 bilhões de pessoas em 2050. O sr. concorda?

A "capacidade de carga" do mundo depende do nosso estilo de vida. Ela nunca será sustentável se 8 bilhões de pessoas viverem como os americanos. Mas podemos viver de forma civilizada, com base nas novas tecnologias. Certamente seria melhor se, após 2050, a população mundial começasse a diminuir em vez aumentar. Há uma preocupação especial com o crescimento rápido na África, onde será difícil escapar da "armadilha da pobreza" a menos que as taxas de fecundidade caiam para os níveis de outras partes do mundo.

O que o fim da Terra e da raça humana significará para o Universo?

Depende se a vida inteligente é algo raro ou comum. Se é uma exclusividade da Terra, nossa destruição seria uma catástrofe cósmica. Se ela está generalizada no Universo, seria uma catástrofe para a humanidade, mas uma trivialidade em perspectiva cósmica.

Nós devemos pensar em como manter a vida sem uma Terra para viver? Que opções teríamos?

Espero que algumas pessoas que vivem hoje possam caminhar em Marte. Mas acho que isso será alcançado por meio de um programa de alto risco e custo baixo (em vez do estilo atual da Nasa, mais voltado para a questões de segurança e, por isso, caro demais). As primeiras pessoas a irem a Marte poderão ter um bilhete só de ida e nunca mais voltar. Em qualquer lugar no espaço o ambiente é mais inclemente do que na Antártida ou nos picos dos Andes. Só os aventureiros vão querer ir.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Derretimento do Ártico pode custar US$ 24 tri até 2050

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Piada claro. No mundo atual, a única notícia positiva é a fantasia abraçada por um bando de iluminados incapazes de enxergar a realidade a um palmo de seus narizes, tudo com muita elegância científica, uma herança antiga dos sofistas.

Enquanto o mundo natural e social se esfacela por completo, eles pavoneiam por aí como arautos de empregos verdes (falta dar exemplo de emprego não verde e se é desejável), economia do baixo carbono (como se tivéssemos só problema de energia e tecnologia disponível para reduzir o quociente de uso da carbono para unidade de produto em 99%), energia limpa (como se fosse possível plantar cana nas nossas cabeças), sustentabilidade (que nada mais significa vender mais para aumentar lucros, tudo com mais consciência) e outro conjunto de pataquadas inúteis que só servem para uma única finalidade: JAMAIS MUDAR O STATUS QUO!!!!!!!

Abaixo, mais uma da séria: “Querida, acho que destruí o mundo”.

Hugo

06/02/10 - 12h16 - Atualizado em 06/02/10 - 12h16

Segundo estudo, derretimento do Ártico pode custar US$ 24 tri até 2050

Causas seriam aumento do nível do oceano, enchentes e ondas de calor.
Danos principais seriam à agricultura, aos imóveis e às seguradoras.

Da Reuters

Um estudo divulgado na última sexta-feira (5) afirma que o derretimento das geleiras no Ártico poderá custar de US$ 2,4 trilhões a US$ 24 trilhões até 2050.

Os danos seriam relativos à agricultura global, aos imóveis e às seguradoras. As causas principais seriam o aumento do nível dos oceanos, enchentes e ondas de calor.

"Todos ao redor do mundo irão arcar com esses custos", afirmou Eban Goodstein, um economista do Bard College, no Estado de Nova York, e co-autor do estudo chamado "Tesouro Ártico, Ativos Mundiais Derretendo".

Ele afirmou que o relatório, revisado por mais de uma dezena de cientistas e economistas e financiado pelo Pew Environment Group, um braço do Pew Charitable Trusts, é a primeira tentativa de calcular o tamanho das perdas de uma das regiões mais importantes para o clima mundial.

"O Ártico é o ar-condicionado do planeta e ele está começando a entrar em colapso", disse.

O derretimento de gelo e neve no Oceano Ártico já custa ao mundo de US$ 61 bilhões a US$ 371 bilhões anualmente, principalmente devido a ondas de calor, enchentes e outros fatores, disse o estudo.

As perdas podem aumentar, pois um Ártico mais quente tende a soltar grandes quantidades de metano. O gás teria um impacto 21 vezes maior que o dióxido de carbono no aquecimento global.

O derretimento do gelo no Oceano Ártico já está causando um aumento de temperaturas, pois a água escura, resultante do gelo derretido, absorve mais energia solar, afirmou. Isso pode causar derretimentos de mais geleiras e aumentar o nível dos oceanos.

Enquanto boa parte da Europa e dos Estados Unidos têm sofrido com nevascas e temperaturas abaixo do esperado neste inverno, as evidências aumentam de que o Ártico está em risco devido ao aquecimento.

Os gases geradores do efeito estufa saídos de escapamentos e chaminés levaram as temperaturas do Ártico, na última década, ao maior nível em pelo menos 2 mil anos, revertendo uma tendência natural de resfriamento, informou uma equipe internacional de pesquisadores no jornal Science, em setembro.

As emissões de metano do Ártico subiram 30% nos últimos anos, disseram cientistas no mês passado.

quarta-feira, 3 de março de 2010

No modelo de crescimento econômico atual - mesmo com a ladainha obtusa da sustentabilidade e energia limpa - a Amazônia estará perdida para sempre

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No modelo de crescimento econômico atual - mesmo com a ladainha obtusa da sustentabilidade e energia limpa - a Amazônia estará perdida para sempre.
Sem a Amazônia todos estaremos mortos.
No pequeno artigo abaixo não comentaram a sempre conclusiva abordagem do Smithsonian Tropical Institute sobre os estúpidos projetos de investimentos no Brasil e na Venezuela, cujos resultados são extremamente danosos.
Por que não investir se i=f(t), i para investimento e t para tempo e p=f(t)=0, p para perdas? Ou seja as perdas relacionadas a investimentos que se expandem continuamente até o infinito são consideradas nulas...

Amazônia só tolera mais 3% de desmate

Publicado por Manoel Mendes em 02/02/2010, Novidades.

Se o desmatamento da Amazônia -que já consumiu 17% da floresta- atingir a marca de 20%, o aquecimento global se encarregará de destruir o que sobrou, afirma uma compilação de estudos sobre a região feita pelo Banco Mundial. As conclusões do documento, que reúne vários estudos publicados nos últimos anos, levam em conta simulações do comportamento da Amazônia em diferentes cenários projetados pelo IPCC (painel do clima da ONU). Os cientistas identificaram que o efeito conjunto de incêndios, desmatamento e mudança climática empurra a floresta para um estado onde ela perde sua “massa crítica” para sobrevivência.
Como as árvores tropicais são importantes para regulação do clima e do regime de chuvas, forma-se uma espécie de efeito dominó que afeta todo o bioma. No pior cenário, a floresta da Amazônia encolhe 44% até 2025. O volume das precipitações tende a aumentar durante o período de chuvas e diminuir nos de seca, afetando a vazão dos rios de toda a bacia.
O leste da Amazônia -que é contíguo ao Nordeste- terá as consequências mais graves. O período de seca aumentará e o clima mais quente contribuirá para o avanço da vegetação típica do semiárido. Até 2025, a região poderá perder 74% de sua atual área de floresta. Já no sul da Amazônia, pelo menos 30% dessa área de floresta tropical terá sido substituída por cerrado até 2025.
Assim como a caatinga, esse tipo de vegetação tem árvores menores, que absorvem menos gás carbônico da atmosfera. Mais carbono no ar, então, contribui para o aquecimento global, expandindo os impactos para o resto do país. No Nordeste, por exemplo, as estiagens devem se tornar ainda mais prolongadas, prejudicando a agricultura e a geração de energia elétrica na região.
“É a primeira vez que um trabalho avalia esses abalos (aquecimento global, incêndios e desmatamento) conjuntamente. A situação é grave. Precisamos tomar medidas imediatas”, avalia Thomas Lovejoy, presidente do Comitê Científico Consultivo Independente do relatório do Banco Mundial.
Embora indique que parte das perdas na Amazônia sejam inevitáveis, o documento propõe ações de reflorestamento como solução. Estudioso da região há mais de 30 anos, Lovejoy afirma que elas são “imprescindíveis” e devem começar pela Amazônia oriental.
Para Carlos Nobre, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o reflorestamento é importante, mas insuficiente. “Não adianta nada se os países não diminuírem as emissões de gases-estufa”, diz.
(Fonte: Folha de S. Paulo)

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Peta alerta SeaWorld após morte de treinadora em ataque de orca

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Amigos,

Não sei de quem mais eu tenho pena, se das pessoas que ficam atrás desses shows bizarros ou se do animal, que a ele é imposto uma condição contrária à sua natureza.

E se somos capazes de impor condições contrárias à natureza de um bicho, como fazemos ilimitadamente no planeta da crueldade total, é porque talvez nós estejamos sofrendo o mesmo mau trato, ao viver em cidades horrendas dentro do desenvolvimento estúpido dos economistas que não são formuladas para nosso bem estar e sim apenas para fluxo de bens e automóveis e apenas melhor ajeitada para os mais endinheirados.

Se recusem a assistir tais shows. Está na hora de respeitarmos a natureza o quanto antes.

Na foto abaixo, a Tilikum tem a sua barbatana superior curvada, sinal de sofrimento, segundo os biólogos. O PETA avisa algo que deveria ser óbvio: animais que tem os oceanos para percorrer longos trajetos, ficam presos em áreas para eles pequeníssimas e aterrorizantes.

É esse desrespeito que nos traz um custo. E esse custo é muito alto, ao que tudo indica.
Hugo


25/02/2010 - 09h02

Peta alerta SeaWorld após morte de treinadora em ataque de orca

da Folha Online

O grupo de proteção aos animais Peta (sigla em inglês para Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais) disse nesta quarta-feira que a morte da treinadora Dawn Brancheau, 40, pela orca Tillikum, no parque americano SeaWorld foi "uma tragédia que não precisava acontecer".

SeaWorld cancela shows com orcas após ataque
Orca já havia afogado outro treinador, diz jornal

"Por anos, Peta pede ao SeaWorld que pare de confinar mamíferos oceânicos em uma área que para eles é como o tamanho de uma banheira", disse o grupo, em comunicado.

"Não é surpreendente quando estes enormes e inteligentes animais atacam", completa o texto.

Mathieu Belanger-03set.09/Reuters


A orca Tillikum faz performance no parque SeaWorld, em Orlando; animal matou treinadora

A orca Tillikum faz performance no parque SeaWorld, em Orlando; animal matou treinadora Dawn Brancheau, 40

O ataque aconteceu na tarde desta quarta-feira, pouco após as três sessões de uma atração chamada 'Dine with Shamu' (Jantando com a Shamu) que consiste em realizar truques perto de um local no qual o público pode comer.

Segundo o jornal "Orlando Sentinel", um diretor do SeaWorld, Chuck Tompkins, já confirmou a versão de algumas testemunhas de que Brancheau foi mordida por Tilikum, a maior orca do parque, e arrastada para dentro do tanque. "Estamos em fase de investigar todas as pessoas e os animais", disse Tompkins.

Um turista brasileiro identificado como João Lúcio de Costa Sobrinho, 28, contou ao mesmo jornal que tirava fotos do interior do tanque ao lado da namorada, Talita Oliveira, 20, quando percebeu que uma das orcas levava uma pessoa na boca. "Foi terrível. Foi difícil ver a cena", disse o brasileiro. Conforme o casal, no momento do ataque, Brancheau estava sangrando na área do rosto, e a orca a girava enquanto nadava.

Os brasileiros e outras testemunhas, ainda conforme o "Orlando Sentinel", disseram que os animais não se comportaram normalmente no show que havia sido realizado algumas horas antes. Brad Sultan, da cidade de Tampa, também na Flórida, disse que uma das orcas não completou uma formação em triângulo com os treinadores e que, depois, uma delas não completou uma volta no tanque conforme o previsto.

Outras testemunhas ouvidas pelo jornal que estavam em um restaurante perto dos tanques das orcas afirmaram que a treinadora foi arrastada para a água por uma orca, enquanto a acariciava. Minutos depois, um alarme soou e seguranças isolaram a área.

Conforme o porta-voz da polícia Jim Solomons, a treinadora estava morta quando o resgate chegou.

Parque

Mais cedo, os responsáveis pelo parque disseram acreditar que a treinadora tivesse escorregado e caído dentro do tanque, sendo "fatalmente ferida" por uma das orcas.

Dan Brown, presidente da SeaWorld Orlando, afirmou aos meios de comunicação americanos que a vítima era "uma das mais experientes treinadoras de animais" e que ela "se afogou em um incidente com uma de nossas orcas". "Este é um momento extremamente difícil para os parques Seaworld", afirmou.

Em nota aos meios brasileiros, a SeaWorld Parks & Entertainment reafirma que o momento é "extremamente difícil" e diz que, em 46 anos de história, nunca teve "um incidente como este". Conforme a empresa, todos seus procedimentos "passarão por severas investigações".

O parque SeaWorld pertence ao grupo Blackstone, dono também de parte de outro parque da cidade, o Universal.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Sonho realizado.

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Andar de bicicleta pelas ruas de São Paulo é uma maneira inteligente de reverter a situação horrenda na qual estamos, presos nos caixões de cemitério que são os automóveis feios que inventaram para nós, principalmente as SUVs, que são carros horrorosos e perigosos, porque não foram feitos para estradas e ruas planas e sim para pistas desniveladas e seu índice de acidentes é cinco vezes maior que o de um carro convencional. Sem falar na poluição que causa câncer com a nossa gasolina e diesel, que são as piores do mundo em concentração de chumbo e enxofre, uma conquista que não condiz em nada com a visão ufanista do nosso país dos Jogos Olímpicos e da Copa. É hora de falar menos e fazer mais.

Na verdade, a sensação de liberdade é enorme. Não senti medo nenhum momento. Fui acompanhado pelo bice-anjo Leandro Valverdes, um ciclo-ativista, amigo do Daniel Pasqualini. Foi ele que me vendeu a bicicleta e como bice-anjo ele acompanha os principiantes como eu. Foi a realização de um sonho, eu me senti criança novamente, fiquei comovido, pude me re-integrar na cidade. Comovido porque a cidade deveria ser feita para as pessoas e não para os automóveis, máquinas da morte, que são erradamente vendidos sob a falsa ilusão de poder e proteção. Um carro a 40 km/h tem a resistência de uma caixa de papelão e todos nós conhecemos dezenas de pessoas amigas e familiares que morreram de forma dolorosíssima em acidentes de carros. Eu mesmo perdi dois primos nos seus 20 anos. Duas famílias inteiras aparentadas próximas a nós morreram em acidentes de automóveis. A lista é infinda.

Assim como os cigarros vem com avisos de perigo, automóveis deviam ter a mesma advertência. Aos poucos vou relatar a vocês, amigos do blog, essa minha experiência, mas só posso dizer que fiquei muito feliz e posso recomendar a todos que andar de bicicleta e andar a pé em São Paulo é uma maneira incrivelmente poderosa de humanizar essa cidade e nos humanizar.

Realizei um sonho.

Hugo

Consumo de carnes e peixes representa desperdício, diz relatório da ONU

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Se a questão ambiental não fosse uma externalidade fora do sistema de preços e se as gerações futuras contassem e se não fôssemos individualistas suicidas, o preço da carne seria 20 vezes seu valor atual, o da gasolina, 100 vezes, e por aí vai.

Fácil gerar progresso em cima de externalidades e do genocídio das gerações futuras. Fácil manter progressos inúteis e injustificáveis de países já em colapso como China e Estados Unidos exportando seu colapso para o resto do mundo de graça via comércio global.

O problema vai ser resolvido, mas não via mudança de comportamento e sim via desaparecimento de parte de nós, se tivermos sorte, pois há o risco de desaparecimento total da vida.

Vai ver é a evolução do Universo...

23/02/2010 - 12h18

Consumo de carnes e peixes representa desperdício, diz relatório da ONU

ANNE CHAON
da France Presse, em Paris

Atualizado às 12h44.

Acostumados ao título de "topo absoluto da cadeia alimentar", os seres humanos se dão ao luxo de comer de tudo, mas a um preço elevado: a pesca massiva está levando as espécies marinhas à extinção, e a piscicultura polui a água, o solo e a atmosfera. São importantes motivos para mudança de hábitos.

Alimentar a humanidade --nove bilhões de indivíduos até 2050, segundo as previsões da ONU-- exigirá uma adaptação de nosso comportamento, sobretudo nos países mais ricos, que precisarão ajudar os países em desenvolvimento.

Segundo um relatório da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), publicado nesta terça-feira (23), a produção mundial de carne deverá dobrar para atender à demanda mundial, chegando a 463 milhões de toneladas por ano.

A situação se agrava com a ocidentalização de hábitos e o enriquecimento: um chinês que consumia 13,7 kg de carne em 1980, por exemplo, hoje come em média 59,5 kg por ano. Nos países desenvolvidos, o consumo chega a 80 kg per capita.

"O problema é como impedir que isso aconteça. Quando a renda aumenta, o consumo de produtos lácteos e bovinos segue o mesmo caminho: não há exemplo em contrário no mundo", destacou o cientista Hervé Guyomard.

Ele é diretor científico em Agricultura do Instituto Nacional de Pesquisa Agrônima da França (INRA), responsável pelo relatório Agrimonde sobre "os sistemas agrícolas e alimentares mundiais no horizonte de 2050".

Desperdício com ração

Atualmente, a agricultura produz 4.600 quilocalorias por dia e por habitante, o suficiente para alimentar seis bilhões de indivíduos.

Deste total, no entanto, 1.500 são dedicadas à alimentação dos animais --que só restituem em média 500 calorias na mesa--, 800 se perdem no campo (pragas, insetos, armazenamento), e 800 são desperdiçadas nos países desenvolvidos de outras formas.

O desperdício é grande, pois mais de um terço (37%) da produção mundial de cereais serve para alimentar o gado --56% nos países ricos-- segundo o World Resources Institute.

O gado custa caro ao ambiente: 18% das emissões de gases causadores do efeito estufa, segundo a FAO (mais que os transportes) ou 51%, segundo o World Watch Institute (mais que a geração de energia).

A pecuária também custa 8% do consumo de água e 37% do metano, que colabora para o aquecimento global 21% mais que o CO2 emitido pelas atividades humanas.

Não rentável

E, mesmo que seja uma possível fonte de proteínas, a carne bovina não é "rentável" do ponto de vista alimentar: "são necessárias três calorias vegetais para produzir uma caloria de carne de ave, sete para uma caloria de porco e nove para uma caloria bovina", explicou Guyomard.

Substituir o consumo de carne de animais terrestres pela carne de peixe não seria ainda uma alternativa adequada.

"Os oceanos não podem ser considerados uma despensa inesgotável", estimou Philippe Cury, diretor de pesquisas do Instituto de Pesquisas para o Desenvolvimento (IRD).

O número de pescadores é duas a três vezes superior à capacidade de reconstituição das espécies.

No atual ritmo, a totalidade das espécies comerciais terá desaparecido em 2050.

Ativistas como do grupo paulista Veddas defendem como solução o veganismo, abstenção de todo tipo de produto derivado de animais.

Justificam que, além de haver o impacto ambiental gerado pela pecuária, "animais têm o direito à vida e à liberdade, livres da exploração humana".

Com Folha Online


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