quarta-feira, 28 de março de 2012

CRESCIMENTO NÃO É SOLUÇÃO PARA A MISÉRIA DA ÁSIA

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Esse é o principal desafio de sustentabilidade: mudar o sistema de forma mensurável em termos de impacto absoluto nas variáveis críticas apontadas pela ciência antes que a gente seja convidado a sair desse planeta.  Até agora nenhuma dessas variáveis parou de se deteriorar exponencialmente.  O tamanho da mudança é gigantesco. Estamos anos luz dessa mudança ainda.

Os livros Ted Trainer (Renewable Economy cannot Sustain a Consumer Society), Chandran Nair (Consumptionomics) e Huesemann & Huesemann (Techno Fix - Why Technology Won´t Save Us or The Environment) removem um série de mitos: 1) não temos um problema só de energia ou só de clima, mas acima de tudo de matéria e impactos ecossistêmicos, 2) tecnologia não reduz o impacto, aumenta, 3) sociedade de consumo não tem futuro algum e o principal aspecto aqui é o enorme desperdício de matéria e energia que entra com sinal positivo no PIB e crescimento econômico se baseia principalmente em desigualdade social e desperdício astronômico produzido por poucos (1/3 do lixo terrestre é produzido por 4% da população mundial).

Solução: mudança de paradigma profunda. Abandono da teoria econômica tradicional autista, do contrário, iremos ter que ouvir a frase de Stephen Jay Gould a respeito da maior extinção da vida dos últimos 65 mihões de anos: "É muita ingenuidade achar que essa extinção jamais irá se voltar contra os causadores."

Investimentos responsáveis é uma peça fundamental para buscar essa mudança nas empresas, no entanto, onde estão os investidores conscientes cuja dinâmica desses investimentos depende deles?

O mais incrível é que por mais que uma economia ou empresa cresçam, isso traz consigo dois significados: 1) não importa o crescimento passado, se parar de crescer quebra, 2) de (1) sabemos agora que o crescimento é um fim em si mesmo e o emprego gerado é um acidente natural (talvez não desejável) desse ciclo; 3) quando o crescimento estanca, os empregos desaparecem, ou seja, crescimento pode ser considerado uma saída temporária da miséria a menos que crescimento eterno seja possível (mas não é...) e 4) já faz muito tempo que temos tido por conta do avanço tecnológico uma recuperação sem empregos ou uma recuperação sem renda.

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Vamos precisar de cinco planetas Terra
O diagnóstico foi feito pelo chinês Sha Zukang, secretário-geral da ONU para a Rio+20:

sexta-feira, 16 de março de 2012

Cientistas querem unificar economia e susntentabilidade

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http://info.abril.com.br/noticias/tecnologias-verdes/cientistas-querem-unificar-economia-e-sustentabilidade-01032012-32.shl?2 

Um grupo de especialistas mundiais em meio ambiente publicou um documento com recomendações para os líderes governamentais sobre ações necessárias e urgentes para compatibilizar desenvolvimento econômico com a sustentabilidade ambiental e social do planeta.
Intitulado Desafios ambientais e desenvolvimento: o imperativo para agir, o documento foi elaborado por 20 cientistas laureados com o Blue Planet Prize.
Concedido pela fundação japonesa Asahi Glass Foundation desde 1992 – por ocasião da realização no Rio de Janeiro da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, mais conhecida como ECO-92 –, o prêmio é considerado o “Nobel do Meio Ambiente”, dado que a máxima distinção científica concedida pela Fundação Nobel não premia essa área de pesquisa.
Entre as personalidades laureadas com o prêmio, cujo nome é inspirado na máxima “a Terra é azul”, cunhada pelo cosmonauta russo Yuri Gagarin (1934-1968) após viajar pelo espaço, em 1961, está Gro Harlem Brundtland.
A diplomata presidiu no início da década de 1980, quando era primeira-ministra da Noruega, a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e coordenou a realização do documento nomeado Nosso futuro comum, publicado em 1987 e mais conhecido como Relatório Brundtland, que popularizou a expressão “desenvolvimento sustentável”.
O prêmio também foi concedido em 2008 a José Goldemberg, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), que era secretário do Meio Ambiente do Brasil durante a ECO-92.
Algumas das recomendações dos cientistas no documento são eliminar os subsídios em setores como os de energia, transporte e agricultura, que, na opinião dos autores, criam custos ambientais e sociais, e substituir o Produto Interno Bruto (PIB) como medida de riqueza dos países.
Na avaliação dos autores do artigo, o índice é incapaz de mensurar outros indicadores importantes do desenvolvimento econômico e social de um país, como seu capital social, humano e natural e como esses dados se cruzam. Por isso, poderia ser substituído por outras métricas, como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
“O PIB só mede transações econômicas, que não é a única medida para se avaliar o progresso de um país. Há países como Cuba, que tem um desempenho econômico muito ruim e PIB e renda per capita baixos, mas cujo sistema educacional e de saúde são excelentes”, disse Goldemberg à Agência FAPESP.


Outras recomendações dos cientistas são conservar e valorizar a biodiversidade e os serviços do ecossistema e criar mercados que possam formar as bases de economias “verdes” e investir na criação e compartilhamento do conhecimento, por meio da pesquisa e desenvolvimento, que, na opinião dos autores, permitirão que os governos e a sociedade, em geral, “possam compreender e caminhar em direção a um futuro sustentável”.
“Em síntese, a mensagem do documento é que não se pode seguir uma trajetória de desenvolvimento cujo único parâmetro seja o crescimento econômico”, avaliou Goldemberg.
“Isso é muito comum no Brasil, por exemplo, onde os economistas dizem que a economia do país deve crescer 5% ao ano, mas se nesse processo a floresta amazônica for destruída, para muitos deles está tudo bem, porque o PIB está aumentando e gerando atividade econômica. Porém, se por um lado é gerado valor econômico, o país perde sua biodiversidade e futuro”, ponderou.
O documento foi apresentado em 20 de fevereiro aos ministros de mais de 80 países que participaram da 12ª Reunião Especial do Conselho de Administração do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e do Fórum Global de Ministros do Meio Ambiente em Nairóbi, no Quênia.
O cientista inglês Bob Watson, que coordenou a redação do documento e o apresentou em Nairóbi, presidiu o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e atualmente é o principal conselheiro científico do Reino Unido para questões ambientais.
Alerta para a RIO+20
De acordo com Goldemberg, um dos objetivos do documento é que a RIO+20, que será realizada no Rio de Janeiro de 20 a 22 de junho, resulte em resoluções concretas como as que emergiram na ECO-92, em que foi aprovada a Convenção do Clima.
“Os preparativos da conferência estão dando a impressão de que ela será mais um evento de natureza retórica, o que será muito ruim. Ainda não há nenhuma proposta de assinatura de uma nova convenção ou de protocolos”, afirmou.
Goldemberg participará em 6 de março da abertura do evento preparativo para a RIO+20 “BIOTA-BIOEN-Climate Change Joint Workshop: Science and Policy for a Greener Economy in the context of RIO+20”, que a FAPESP realizará nos dias 6 e 7 de março no Espaço Apas, em São Paulo.
Em sua palestra, na abertura do evento, Goldemberg abordará o papel da biomassa no contexto do desenvolvimento tecnológico e apresentará alguns pontos do documento.
O artigo Environment and development challenges: the imperative to act, de Golbemberg e outros, pode ser lido em http://www.scribd.com/doc/82268857/Blue-Planet-Synthesis-Paper-for-UNEP


quinta-feira, 15 de março de 2012

Mitos, mitos, mitos

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Eu li os três primeiros parágrafos e já vi vários pontos criticáveis a partir do prisma da Economia Ecológica. A menos que se adote a postura megalomaníaca habitual, precisamos retrucar:

1) não vai faltar petróleo, nós não exploramos nem 1% da crosta terrestre e agora está começando a exploração submarina, já com o mapeamento feito - o problema não é nosso planeta como fornecedor de recursos, mas como absorvedor do impacto dessas atividades sobre elos vitais que sustentam a vida na  Terra, não apenas na questão do clima.  Esse é outro mito largamente difundido - o mito do único problema do clima que se associa ao mito de escassez de energia e a resposta megalomaníaca é produzir mais energia limpa, que coroa os dois mitos anteriores com o mito de energia limpa e ao longo de todo o processo não só não evitamos o precipício, como apertamos o pé no acelerador para nos atirarmos nele (dá vontade de rir pensando na humanidade dentro de um carro que já está sem freio pisando o pé no acelerador numa estrada sem visibilidade com precipício lá na frente e ao mesmo tempo discutindo energia limpa, sustentabilidade...)

2) não há escassez de energia, há desperdício, o ser humano foi doutrinado por uma campanha nos meios de comunicação para consumir incansável e inconscientemente quantidades absurdas de matéria e energia como se não houvesse amanhã. Por exemplo, todos em suas casas e trabalho mantém computadores ligados durante 8.760 horas do ano, embora só irão usar 1.920 horas (descontando fins de semana e feriados). E automóveis com 1% apenas de eficiência no consumo de energia?  São dois exemlos entre  milhares dos nossos exageros e as contas feitas apontam para desperdício de 73% da energia para começarmos a pensar no assunto.

3) não temos problema só de energia, mas de matéria - Roegen vira no túmulo todo dia. Funciona assim: entre os iluminados que não leram direito nem Roegen nem Ted Trainer e que defendem energia nuclear, devem imaginar que a energia produzida limpa só na  mente deles serve apenas para ficarmos contemplando e não para construir, movimentar, mexer, ocupar, impactar matéria que ao nosso lado é finita em dois itens muito óbvios: água e solo (serviços ecológicos intangíveis também são finitos, mas vamos deixar de lado por ora essa complexidade e apontar a finitude territoria óbvia dos países, cujo tamanho é constante e já está se transformando em piada o momento em que prefeituras começam a tentar controlar o espalhamento urbano desnecessário megalomaníaco que já causou nos EUA a poluição definitiva de mais de metade dos rios, lagos e zonas estuárias num país de proporções continentais e, pasme, desenvolvido!).

Abraço a todos,


Hugo


Mr. David Archibald on four great global challenges

Posted: Monday, March 12, 2012
PAST EVENTS
Publication Date: March 12, 2012


On Tuesday, 28 February, Mr. David Archibald - an Australian-based climate scientist and oil exploration expert - delivered a two-part guest presentation at the Institute entitled "The Four Horsemen of the Apocalypse." The four horsemen, i.e. great challenges the world will soon have to face, are: a decreasing extraction of oil, causing growing prices of energy and, by extension, food; Pakistan's nuclear weapons program, which threatens proliferation and, perhaps, even a nuclear war in the region; rapid population growth in the Middle East and North Africa coupled with higher food imports in those regions, which spells mass starvation; and a 210-year climate cooling cycle.
Mr. Archibald suggests a three-pronged solution to tackle the energy crisis: replacing declining oil production with coal liquefaction and compressed natural gas for automotive use; employing nuclear power, rather than coal, for electric power generation; and developing much safer thorium reactors to replace uranium in nuclear energy. It should be noted that China is already actively pursuing these options.
Many Middle Eastern and North African countries have exported oil to cover their food imports. Yet, falling oil production and a brisk population growth outpacing domestic grain-growing capabilities points to a doomsday scenario in which starvation leads to conflict and general political, economic, and cultural destabilization. 
Mr. Archibald - who has been recognized as "the first to realize that the length of the previous sunspot cycle (PSCL) has a predictive power for the temperature in the next sunspot cycle" - also argued that the warming of the last 150 years will be reversed as the Earth's temperature begins to cool sharply due to lower solar activity. Contrary to the Jeremiads of the global warming alarmists, the sea levels are also falling. Global cooling may well jeopardize grain production and threaten potential famines, which will certainly impact significantly the international situation.   

To view Mr. Archibald's slideshow in its entirety, please see:


terça-feira, 6 de março de 2012

Comentário sobre declarações da Kátia Abreu: FIM DA CIVILIZAÇÃO À VISTA...

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Quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012, 20h50m
Estado
Em conferência na Alemanha, Kátia Abreu diz que agricultura do Brasil é a mais sustentável do planeta
Na tarde de hoje, 22, a senadora e presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil-CNA, Kátia Abreu afirmou em conferência na Alemanha que o País tem a maior e mais sustentável agricultura do planeta e o País, além de ser exemplo para o mundo em termos de preservação ambienta. Kátia Abreu lembrou ainda que 61% do território brasileiro está conservado com vegetação nativa e enumerou a fertilização de áreas degradadas, a fixação biológica de nitrogênio e a integração lavoura-pecuária e floresta como técnicas adotadas pelos produtores brasileiros.
Redação
Divulgação
Senadora Kátia em conferência na Alemanha
A Presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, afirmou nesta quinta-feira (23/02), na Alemanha, que o Brasil tem a maior e mais sustentável agricultura do planeta. De acordo com ela, o País é exemplo para o mundo em termos de preservação ambiental porque os produtores brasileiros adotaram, nos últimos anos, boas práticas agrícolas, condição que precisa ser recompensada. “Os esforços do Brasil precisam ser reconhecidos pelos países que desmataram e pelas empresas que, em suas atividades, são emissoras de gases”, afirmou durante conferência internacional organizada pela Fundação Friedrich Naumann para a Liberdade para debater a capacidade dos países emergentes e industrializados de enfrentar o desafio das mudanças climáticas.
Na conferência, a senadora Kátia Abreu lembrou que 61% do território brasileiro está conservado com vegetação nativa. “Não é floresta plantada, é floresta original”, ressaltou. Segundo ela, mais de 500 milhões de hectares de terra estão preservados no Brasil, único país do mundo que abriu mão de terras férteis que poderiam ser ocupadas com atividades agropecuárias para preservar a biodiversidade. Lembrou que outros países, como Rússia e Canadá, também tem extensas áreas de vegetação nativa, mas que essas áreas são inapropriadas para atividades agropecuárias. “Mesmo diante dessa condição diferenciada, o Brasil aceitou, voluntariamente, reduzir entre 36% e 38% as emissões de gases até 2020”, afirmou a senadora Kátia Abreu.
Aos especialistas em clima e em políticas exteriores e de desenvolvimento de partidos políticos, acadêmicos, imprensa e representantes da sociedade civil que acompanharam a conferência, a presidente da CNA enumerou as práticas adotadas que garantem à agropecuária brasileira uma situação diferenciada. Citou o plantio direto, técnica que não exige que a terra seja arada, o que aumenta a emissão de gases. “60% de toda a agricultura brasileira é plantio direto na palha”, afirmou. Enumerou, ainda, a fertilização de áreas degradadas, a fixação biológica de nitrogênio e a integração lavoura-pecuária e floresta como técnicas adotadas pelos produtores brasileiros.
(Assessoria)

Comentário:

O mais assustador é como essas coisas são ditas e não são retrucadas.  O não retrucar, questionar, perguntar geralmente se associa ao fim de uma civilização, dizem os historiadores. As bobagens atuais que ouvimos são:
- existe energia limpa (???)
- energia nuclear é a solução (Monbiot e desavisados iluminados seguidores dele embora ignorem que 99% dos resíduos até hoje não tem destinação final - e nem terão e nem são carbono neutro, se colocar na conta o comissionamento e descomissionamento das usinas, a mineração, o transporte, etc...)
- planos de sustentabilidade que não estão sendo desenvolvidos de forma crível porque ignoram a finitude planetária
- agricultura brasileira é sustentável (cadê os biólogos, ecólogos, os especialistas sobre o aquífero Guarani?)
- existe crescimento sustentável (existe, desde que se leve em conta a morte do hospedeiro, no caso o sistema de sustentação de todas as formas de vida na Terra...)
- a tecnologia irá resolver tudo (surreal, mas está sendo defendido na contra corrente, economista "ecológico" à la Solow...)
- comissão Stiglitz e precificação dos recursos da natureza resolverão os problemas via mercado (embora o mercado os tenha causado e o mercado e o modelo nunca são considerados a raiz do problema...e queremos uma solução para o problema com a mesma abordagem que o causou)
- os países emergentes poderão crescer desde que os desenvolvidos cresçam menos (sensacional, porque ter câncer em só um órgão se podemos ter em todos?!?)
E mais uma pérola:
- os ganhos de eficiência (mito do quociente) são suficientes para resolver o problema e desmaterializar a economia (sensacional, porque não tornar nossos corpos intangíveis logo de uma vez ao invés de ficar esperando o processo de desmaterialização da vida???)

A questão principal aqui não é o que é dito, mas o que não é.  Ao invés de atacar a raiz do problema - o modelo em si mesmo e como ele está fracassado em todos os sentidos - estamos colocando adereços naquilo que não tem mais jeito, sem promover uma real mudança.  O tombo do sistema sozinho sem os adereços seria até menor que o tombo que iremos observar com os adereços - tudo que se inventou de sustentabilidade só aumentou a pressão sobre os ecossistemas até agora e não a reduziu!   E tudo que se planeja fazer na direção da "economia sustentável" nada mais é que a mesma fórmula com uma pegada ou sobrecarga humana na Terra cada vez maior. Combater a economia do descarte imediato dos bens e do desperdício nem pensar, está fora de questão porque reduz o PIB.  Por que cortar 73% de desperdício em energia se podemos construir usinas nucleares e biodiesel?  Ignorar Ted Trainer é mais fácil do que parecia, mal sabe ele que vigora a filosofia do "não podemos abrir mão do lucro, mas podemos abrir mão do planeta".  É com essa "ideologia" que iremos desembocar na mais dura realidade jamais vista pela nossa espécie animal e tudo indica muito antes do que imaginávamos.

Hugo